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Saturday, July 20, 2013

Eu embirro com...pessoas que se queixam. De tudo. Em público. (PARTE II)

                                       

(Continuação da parte I)

Conclui-se, portanto, que a falta de noção do ridículo faz falta a muito boa gente que tanto aponta o dedo, tanto aponta o dedo, que...só chama a atenção sobre si mesma da pior maneira. 

Não esquecer a queixa contra os privilégios e as cunhas, estilo "neste país só se avança com cunhas! Ladrões! Gatunos! Se eu fosse filha (o) não sei de quem....". O pavor desta gente são as "cunhas" dos outros, as benesses dos outros, mas é claro que se as tivessem, não diriam que não. Só que há três problemas: primeiro, gente assim não distingue a "cunha" ilegal e injusta de estabelecer uma boa rede de contactos e uma sólida reputação que abra portas. Segundo, são incapazes de agilizar a seu favor os contactos que fazem, porque quem fala mal de toda a gente e não resguarda a sua privacidade não é bem visto em parte alguma. Terceiro? Gostam de ser rebeldes, contra poder, Che Guevara, Robespierres incorruptíveis. Isso fá-los sentir-se importantes, temidos. Mas há que ser realista: para ser rebelde, é preciso saber ser pobre sem queixas. Estar à margem. Ter uma aura de asceta, de quem se está nas tintas para um belo carrão, um belo cargo, umas belíssimas férias no estrangeiro. Sou contra a bajulação e o servilismo, mas estar contra tudo e todos ao mesmo tempo que se dá graxa...bom, não leva a lado nenhum. A diplomacia é necessária em toda a parte. As pessoas contratam Maquiaveis, mas se calhar não se sentem muito confortáveis a trabalhar com um Robespierre - que era um ressabiado pior que os outros todos, queria tanto subir na vida como os outros todos, enquanto tinha simultaneamente o divertimento de cortar as cabeças das pessoas que invejava. E todos sabem como ele acabou, não é? 

  Repito que o mais curioso é conhecer bem as pessoas que agem assim - saber-lhes o percurso. A maior parte já se queixava de tudo e de todos muito antes da crise que agora é desculpa para tudo. Ou porque é orgulhosa, vive noutro tempo e não acompanha as mudanças do mundo (e eu sou do mais tradicional que há, mas sei que é necessário acompanhar algumas). Não tem capacidade de adaptação. Mudam-se os tempos, mudam-se os negócios, mudam-se os mercados e as tendências, mas estas pessoas acham que o país, a economia, os mercados e o universo é que haviam de mudar, andar para trás, para seu benefício - para que o seu pequenino negócio, ou a sua pequenina pessoa, prosperassem sem mover um dedo. Porque criaram um pequeno negócio há trinta anos que agora não está a dar, ou escolheram uma profissão que foi chão que já deu uvas, acham que  mundo lhes deve tudo - em vez de mudar a estratégia e partir para outra. Preferem apodrecer no ramo - obviamente QUEIXANDO-SE. Lamento, a lei da vida não é essa. Independentemente do estado do País, dos mercados, do diabo a sete, quem precisa é que tem que andar, quem está mal muda-se, se já se viu que desta maneira não resulta tentemos racional e desapaixonadamente outra coisa. Sem levar isso a peito, porque é apenas negócio.
    E com isto, eu própria acabo de fazer algo que essas pessoas adoram: DESABAFAR. E o mais giro sabem o que é? É que os queixinhas e os desgraçadinhos que lerem isto vão achar que o meu desabafo vem de uma posição muito privilegiada, claro. Que eu me dou ao luxo de falar porque tenho "cunhas", essa coisa que anda de noite e ninguém sabe o que é. E vão continuar a queixar-se. Porque podem não ter capacidade de adaptação noutras coisas, mas nisto os lamurientos são como a pobreza e as baratas: infelizmente, sempre os haverá.

7 comments:

menina lamparina said...

Muito bom. Há imensa gente a quem a leitura deste post deveria fazer corar, para depois repensar a conduta (principalmente no facebook, que aquilo está que não se aguenta!).

lena said...

Bem visto. Somos duas.
Beijinhos grandes.

A Guia Turística said...

Só não concordo com uma coisa: "E com isto, eu própria acabo de fazer algo que essas pessoas adoram: DESABAFAR."
Um desabafo de uma pessoa não-queixinhas é isso mesmo, um desabafo. Um verbalizar daquilo que nos incomoda naquele momento, mas continuar em frente. Os queixinhas não fazem desabafos. Passam os dias em lamurias e a procurar coisas para poderem continuar a lamentar-se.

Maria Gabriela Dias said...

Mas e que fazer quando uma pessoa vai aqui e ali... e bate constantemente com o nariz na porta? E vê os outros a passar à frente (porque o amigo do primo conhecia, porque a mãe deu uma ajuda, porque isto ou porque aquilo...)? que fazer em situações dessas? É que há situações em que isso acontece, minha cara amiga! E bastava olharem para mim, de alto a baixo, e como ia com as tais roupas "mal cortadas", passava por aquilo que não era! Ainda para mais baixinha e nada magrinha... Depois de uns minutos de "conversa de treta", lá me deixavam à espera... da nega! E os meus blogs não têm seguidores. Ainda me encaixo nos queixinhas? Eu creio que me encaixo nos que tentam e não conseguem... mas TENTAM! Por isso, julgo que não serei assim, apesar de conviver com alguém assim e que não me faz lá muito bem (reconheço)

Imperatriz Sissi said...

Maria, há realmente formas de se queixar com classe, como eu disse. Não é sermos uns patetas alegres - mas existem formas equilibradas para tido na vida, até para a indignação e o desabafo. E conviver com pessoas dessas não acrescenta nada de bom. Contagia. Puxa-nos para baixo. Drena a energia vital.

Beijinho.

anouska said...

Olá!
Agora que tenho tempo livre andei a "passear" pelo blog e encontrei esta "pérola" que ilustra tão bem o meu sentimento nos últimos meses.
Sim, estou desempregada, sim, é mau, é chato e triste, e outras coisas que tal.
Mas falta-me a paciência, nas palestras que vou ouvindo sobre emprego e formação (menos por obrigação e muito mais por gosto), em que há uma vontade mórbida e intrínseca para dizer mal de tudo e todos, desde do Governo (que até merece!), até ao senhor do talho qure não entende que é caro estar desempregado, passando pela alma vil do IEFP que responde torto e é o alvo a abater (será mesmo?).
Eu continuo a acreditar, e muito. Mas já não tenho paciência para chorinhas e choramingas! E ainda bem que não sou a única!

Helena Nascimento said...

Concordo plenamente 😃

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