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Friday, July 19, 2013

Momento "I told you so" do mês: ginásios -seita

                  
Ok, eu admito: como toda a gente, acho, eu adoro ter razão... até porque a tenho na maioria das vezes. Não porque eu seja um oráculo ou coisa parecida, mas porque regra geral só digo da minha justiça quando estou certa, muitíssimo certa, de estar coberta da dita cuja. Quando aviso é melhor prestarem atenção, porque ou já de lá venho, ou conheço exemplos que cheguem para saber que determinada coisa vai dar asneira. Mas podendo escolher, por vezes até preferia enganar-me. 
 E recentemente, tive um desses casos. Uma pessoa que é muitíssimo minha amiga tem por vezes noções de "chic" algo diferentes das minhas, o que resulta quase sempre em animadas discussões (eu ganho invariavelmente porque...bom, já de lá venho e tenho sempre razão, além de ser uma rapariga muito modesta como decerto já repararam). Pois desta vez, essa pessoa muito minha amiga decidiu, e muito bem, que queria ficar em forma. Óptimo, disse eu. Mas depois torci o nariz porque a querida pessoa embirrou que não queria ir para um ginásio decente qualquer onde pudesse puxar ferro, que é afinal a função dos ginásios. Entendeu que seria uma ideia chic inscrever-se num desses antros burguesíssimos e pseudo-bem que fazem um contrato de propriedade com as pessoas, vulgo vender a alma ao diabo por doze meses, onde se dedica mais tempo ao engate ou a comparar os implantes de celicone (verdade, há quem escreva mesmo assim, vi com os meus olhinhos) do que à boa e velha malhação, onde submetem os clientes a todo o tipo de formas de tortura psicológica para os "persuadir" a contratar serviços extra ou personal trainers que ninguém encomendou e de onde é um sarilho para sair vivo. 

Um ginásio-seita, portanto. 


Na sua cabeça lá achou que era uma boa forma de "conhecer pessoas" (não o tipo certo de pessoas) eventualmente arranjar namoro (não o tipo certo de namoro, disse eu) e ainda ganhar um certo status (totalmente o tipo errado de status, berrei com os olhos em alvo e as mãos postas) ao pôr os pés no antro, que por muito boas instalações que tenha não compensa a fauna nem a Inquisição Espanhola que classificam como marketing.
Claro que eu ia matando o (a) Best Friend Forever em causa por ter uma ideia tão foleira. Em vão lhe expus as razões acima (os engates baratos, as pessoas pouco recomendáveis que fazem parte da clientela, as vendas agressivas e por aí fora). Em vão lhe ofereci o meu ginásio (o que eu me diverti a pôr categoricamente os desgraçados do telemarketing da seita a dizer que tinha investido numa powerplate, em não sei quantas maquinetas e até num personal trainer que vinha a casa se eu estivesse para aí virada precisamente para NÃO ter de me misturar nesses lugarzinhos). Meteu na cabeça que tinha de ir, porque tinha de ir. E foi, porque eu não podia exactamente dar-lhe uma tareia e acho que cada um deve tirar as suas próprias conclusões.
 Moral da história, para não vos cansar muito: depois de um mês a tropeçar em acompanhantes "de luxo" a falar "brasileiro", de sofrer o assédio de tudo quanto era bicharoco desesperado, de não poder sequer correr na passadeira em paz sem que as criaturas melífluas da recepção ligassem a perguntar se estava tudo bem, e de ser incomodado todos os santos dias com propostas de mais serviços extra baratinhos, a querida pessoa lá tomou juízo, arranjou um documento que provava a sua incapacidade para vender a alma e os músculos e veio a meus braços dizendo: TINHAS RAZÃO, PORQUE É QUE EU NÃO TE OUVI???
 E eu, como sou boa amiga, lá reprimi o "eu bem te avisei" que me queimava os lábios. 

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