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Sunday, July 14, 2013

Para as Senhoras. Como as de antigamente.

Christian Dior (Primavera 2011)


Ensinaram-te todas as regras. A não rir demasiado alto, a ter um sorriso neutro e enigmático para as ocasiões, a caminhar com um livro sobre a cabeça para ter uma postura elegante, quando dizer que sim parecendo que se diz que não, como levar a tua avante parecendo que essa é a vontade alheia, a desviar em vez de confrontar, a só ouvir e ver aquilo que te convém, as normas da mesa, da sala e do resto; o valor do silêncio, da espera, da subtileza, da delicadeza, da suavidade, da bondade, os momentos em que a assertividade é permitida e aqueles em que é autorizado descer dos saltos altos. Puseram-te em lições de ballet com uma professora que metia medo, e nas de piano, nas de alemão e francês e em todas as outras; os mandamentos de vestuário, de toilette, de conduta, de relacionamento. Fazes por ter o guarda roupa perfeito, a casa perfeita, a figura certa, o cabelo impecável, o savoir-faire perfeito - ou como a perfeição é aborrecida, o adequado, o interessante, o belo. O teu treino é infinito. Continua todas as manhãs, com o acréscimo das exigências para uma mulher do século XXI que é independente, e eficaz, paga e valorizada pela sua mente. O teu auto-domínio só é quebrado pelos momentos em que tens de ser mais uma mulher do que uma senhora. Não há cansaço. É inerente, inato, mantido pela força do hábito, por osmose e pelo exemplo. E depois olhas para as mulheres que te rodeiam, e para alguns homens que as acompanham. E perguntas-te se num mundo em que as fronteiras entre o certo e o errado, a liberdade e o desmando, a beleza e a grosseria estão diluídas, os papéis estão trocados e tudo está ao contrário, vale a pena pertencer a uma dada minoria. E sabes que mais? Apesar de tudo, vale. 
 

2 comments:

A Bomboca Mais Gostosa said...

Eu acho que vale. Não troco a minh postura.

Inês Maria Rocha Gonçalves Moura de Sousa said...

Vale sim senhora, banalizem o que banalizarem quem foi educado segundo esses princípios aí descritos foi-o para toda a vida.

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