Recomenda-se:

Netscope

Friday, August 16, 2013

A primeira saia- lápis

                                         hobble skirt
A expressão "diabo (ou qualquer outra coisa) de saias" pode ter deixado de se adaptar a muitas mulheres que passam a maior parte do seu tempo de calças, mas eu não sou uma delas. Não dispenso os meus jeans, certo: guardo-os para dias descontraídos ou looks específicos, prefiro certos designers ou as marcas especializadas para isso e são quase um tratado em si mesmos. Também já partilhei diversas vezes a minha paixão pelas calças clássicas de tecido: chino, pantalona, boca de sino (poucas coisas tornam a figura tão fantástica como umas bocas-de-sino pretas de cintura ligeiramente subida) e sobretudo o meu adorado modelo cigarrette
Pencil Skirt Mas continuo a ser, e com orgulho,  um diabinho de saias. (Não se costuma dizer "anjo de saias, talvez porque os anjos não têm sexo, ou porque aparecem sempre de túnica, o que acaba por contar como saia...). Não só porque uso muitos vestidos (há lá coisa mais prática, mais simples, mais feminina?) mas porque efectivamente...também tenho uma grande colecção de saias. Por aqui têm-se feito vários posts a mencioná-las, o que demonstra o papel importante que ocupam no meu quotidiano. Devo vestir pelo menos uma por semana. Há dias, um manual de moda antigo fazia as contas à quantidade de conjuntos diferentes que se conseguem fazer se tivermos, por exemplo, quatro saias. E é totalmente verdade. 
 E por mais que se goste da saia balão, linha A ou de quaisquer novidades, a rainha indiscutível é sempre a saia lápis, em preto ou estampada. Vai estar em toda a parte neste Outono, mas em boa verdade nunca sai de cena, porque favorece praticamente toda a gente, combina quase com tudo (nas últimas temporadas, voltámos a vê-la em pele, em ganga ou em outfits desportivos) e em suma, nunca falha.
 Mas como surgiu esta peça indispensável? 
Em 1908 as primeiras mulheres foram convidadas a passear de avioneta. Para evitar que as saias ficassem presas nas ventoinhas, os pilotos pensaram em atar uma corda abaixo do joelho, prendendo a roda. Os fotógrafos que foram registar o evento adoraram o efeito curvilíneo e original do engenho...e as mulheres começaram a andar assim na rua. A "saia manca" (porque obrigava as mulheres a caminhar aos pulinhos) foi um sucesso de curta duração, mas inspirou os "vestidos sereia" que ainda hoje vemos em certas galas. E seria também a inspiração para que em 1940, Christian Dior (who else?) criasse a primeira saia lápis, que vinha contrariar as silhuetas sem forma das décadas passadas. Acompanhada dos ressuscitados espartilhos e de blusas suaves, foi paixão imediata junto das mulheres ansiosas por abraçar novamente a sua feminilidade, com esse design tão provocador que realçava a curva das ancas*. 
                        Pencil Skirt
Afinal a saia lápis, quando bem escolhida, cai bem à maioria das mulheres. Exige apenas algum cuidado com a barriga ou coxas excessivamente proeminentes (then again, naquele tempo havia  saudável hábito das cintas para as senhoras mais rechonchudas) mas pede ancas femininas: curvas elegantes de Vénus. E não deixa de ser curioso que esteja de regresso numa época em que a figura tradicional de ampulheta volta definitivamente à berra, como já vimos. A Natureza acaba sempre por falar mais alto.

(*Podem ler mais detalhes na fonte). 

No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...