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Wednesday, August 21, 2013

O Universo é do contra. E a Nobre Arte de reconhecer isto.

                 

Lá dizia Mestre Bruce Lee: sê como a água. isto porque nadar contra a corrente é a pior ideia de todas, e o Universo é caprichoso. Por vezes decide ser nosso amigo e dá-nos um toque de Midas: já me aconteceu pensar vagamente em algumas coisas; imaginar "era tão giro se..." e eis que sem esforço algum, nem grande empenho, as ideias se materializam. Vou imaginar um exemplo simples, sei lá: penso em cerejas e durante duas semanas não param de me chegar a casa caixas de cerejas sem motivo plausível.  Outras vezes, penso: não quero mais cerejas; gosto muito mas já tive a minha conta e neste momento não preciso. Quero é sossego. Já apanhei uma dor de barriga esta semana, etc. E o Universo faz orelhas moucas: continua a dar-me cerejas, cerejas e mais cerejas, de tal maneira que sou obrigada a fazer compotas, tortas e chamar todos os amigos para levarem cestos para casa (por acaso nunca fiz torta de cerejas, é só para ilustrar).
Mas quando o Universo decide que não quer cooperar, não quer mesmo e não muda de ideias nem com papas nem com sovas. Tried and true. Quanto mais se faz força, se insiste apesar de tudo conspirar para o lado contrário, pior. Quando eu digo "quero cerejas" e o universo me responde "pois hás-de comer ameixas" não vale a pena argumentar. Quando muito,o que se pode fazer é dar uma resposta torta: se não me dás cerejas, podes guardar as ameixas, ora essa
 Mas para obter as cerejas, ou qualquer outra coisa importante,  é melhor esperar que a maré mude. Quando vejo o Cosmos a fazer cara feia, não confronto: desvio. Por assim dizer, deixo passar as ameixas. Ele é como nós, tem os seus dias não e é escusado provocá-lo, não vá ele lançar-nos uma chuva de marmelos ( quem não cresceu no campo não vai perceber esta: um marmelo arremessado a grande velocidade é um projéctil perigoso, e se o Universo vos atirar marmelos, isso equivale a uma série de infortúnios). 
 A única hipótese é fechar os olhos, fazer-se leve, fluir com a corrente. Reconhecer que naquele momento a Fortuna não está para aí virada e usar a Virtù para dançar conforme a música. No dia seguinte, o vento pode estar de feição e levar-nos ao porto desejado. Até lá, não vale a pena crispar-se, que isso faz mal à pele. Sejamos graciosos com o Cosmos, porque ele pode ser mesmo mauzinho com gente teimosa.

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