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Sunday, August 4, 2013

Vintage sem erro

A blogger Gracie Carroll veste top com 100 anos comprado em Florença
e calças palazzo vintage. Uma toilette acessível e única.
                                  
Sendo uma apaixonada por vintage desde que me conheço (em pequena já ia "pedir emprestadas" raridades aos armários da mãe, das avós e das tias) diverte-me ver como, de há uns anos a esta parte - mercê da crise, da moda da nostalgia, de preocupações ecológicas e de um olhar dos média sobre décadas passadas, vide o sucesso de Mad Men  ou de celebridades como Dita Von Teese - a reciclagem, a reutilização, a transformação de roupas e acessórios, a costura e o do it yourself se tornaram, mais do que aceitáveis, in. Recordo-me que ainda não há muito tempo o vintage era um "segredo" bem guardado de artistas, modelos, profissionais de moda, fashionistas empedernidos, coleccionadores e em suma, de pessoas algo originais.

 Os portugueses, sempre  preocupados com as aparências, foram mais resistentes na matéria do que outros povos como os holandeses, ingleses ou americanos, experts nesta arte


Cada amante de vintage tem gostos, truques, pontos de venda e motivações diferentes. 
Já vos tenho falado em algumas das minhas aventuras e desventuras no mundo das viagens fashion no tempo.
   Incorporar peças antigas no guarda roupa insere-se nas minhas regras pessoais de smart shopping. É uma forma de variar as fontes e de obter peças únicas. Os materiais raros, a qualidade das roupas e acessórios antigos e a originalidade são as minhas razões para me lançar na busca.  Porém, comprar e usar vintage sem errar exige olho, paciência, tempo, alguns meios, conhecimento, inspiração e acima de tudo, muita noção do equilíbrio. Como gosto de conhecer as experiências de outros adeptos do "velho que se faz novo", deparei-me com um pequeno guia, com dicas de várias bloggers especialistas na matéria que recomendo, aqui. Deixo também algumas normas que fui aprendendo (são anos disto, afinal):
  
- Para usar vintage não tem de aderir a um look total, antes pelo contrário. Embora haja pessoas que o fazem com muita graça, eu não gosto de me sentir mascarada. Contrabalançar uma saia dos anos 50 com uma t-shirt suave e um penteado simples (como foi visto na colecção F/W da Prada para este ano) é uma forma fresca e actual de "piscar o olho" a outras eras. O vestido abaixo, um tafetá de seda com gola jacquard dourada de finais do século XIX/inícios de XX, estava guardado no meu closet há uns aninhos. Foi ajustado, claro; depois acrescentei-lhe uns sapatinhos Miu Miu verde-esmeralda e uma das minhas clutches preferidas (a portuguesa Parfois é fantástica para clutches lindas que duram e duram). A imagem de livros/filmes como Bel Ami veio-me à cabeça ao adaptá-lo, claro, mas não me passaria pela ideia cabeça usar o cabelo preso, por exemplo: seria demasiado para o meu gosto...Velho + novo, exclusivo + acessível, complicado + simples, et voilá!

                      

- Não devemos esquecer que apesar da qualidade dos tecidos antigos, alguns são bastante pesados ou rígidos comparados com os que se encontram no mercado actualmente; misturar com outras peças e/ou adaptar numa boa costureira (removendo forros ou almofadas excessivos, subindo bainhas, cortando aqui e ali) ajuda a tornar estas toilettes mais confortáveis sem as desvirtuar.

- Faça por conhecer um pouco de história de moda, nomeadamente sobre as épocas, marcas e modelos que lhe interessam mais. Quanto mais informação tiver, maior a possibilidade de distinguir os verdadeiros tesouros e não comprar "gato por lebre", principalmente em lojas/sites da especialidade, onde os preços podem ser mais altos. Afinar a sua sensibilidade relativamente aos cortes e tecidos também permite detectar um achado mais rápido, entre cabides ou montes de "tralha" intermináveis.

- Conheça bem o seu estilo: se souber o que o que procura, tem maiores possibilidades de o identificar nos ditos "montes de tralha".

- Conheça bem o seu tipo de corpo: mini vestidos linha A podem não ser um bom investimento se for baixinha e gordinha, por exemplo. Convém que a roupa vintage se adapte a si com a maior naturalidade para que pareça algo dispendioso, bonito e diferente, e não uma incursão à "arca das trapalhadas".

- É escusado dizer que as peças devem estar em boas condições: por muito invulgar ou bonito que seja, dificilmente um material estragado, ou que não caia bem, é recuperável. Bom ar é essencial, seja a roupa/acessório a estrear ou não. 

- Encontre o equilíbrio: demasiadas peças antigas num visual, especialmente se parecerem antigas, podem dar uma impressão de desleixo. Esta regra também vale para o abuso de peças muito caras, muito baratas, demasiado "trendy" e por aí fora.

- Por fim, o mais importante: a costureira e o sapateiro são os melhores amigos de qualquer fashionista que se preze, mas são vitais para os amantes do vintage. Se cair na tentação de não mandar ajustar as peças ao seu corpo, corre o risco de ficar com uma aparência de "saco mal atado". O vestido de brocado antigo, ao lado, é dos anos 60. Os tamanhos dessa época costumam ser consideravelmente maiorzitos em relação aos de hoje. Para que uma peça assim resulte como deve, é essencial mandar adaptá-la ao milímetro numa costureira que saiba realmente o que está a fazer, que consiga tornar a  peça sua sem a assassinar - ou seja, mantendo as suas linhas essenciais. 
 Criar de raiz peças novas a partir de cortes de tecido antigo, forrar botões ou fazer adaptações maiores (pôr ou tirar golas, abrir decotes, acrescentar bainhas, faixas cintos e laçarotes, etc) são outros trabalhos importantes a fazer, para quem sabe, ou mandar fazer. 

- Já um sapateiro dos antigos poderá não só assegurar que  sapatos " do tempo da outra senhora" são usáveis (mantendo capas, solas e peles impecáveis ou recorrendo soluções modernas para uma utilização mais confortável) como garantir a boa utilização das adoráveis carteiras vintage. Estas têm geralmente um aspecto muito mais bem acabado do que a marroquinaria vulgar dos nossos dias, com acabamentos de detalhes que só se encontram actualmente nas griffes mais exclusivas. Isto para não falar no sétimo céu do vintage, como as velhas Chanel ou Céline, que ascendem muitas vezes a umas boas centenas de euros...
 Mas todas elas precisam de manutenção: pele desidratada, fechos "encravados" ou alças quebradiças podem acontecer, quanto mais não seja pela falta de uso, mesmo em clutches ou sacos de óptima qualidade.

- Estes arranjos não ficam muito baratos, por isso, antes de considerar uma compra, tenha sempre em mente o seu valor por uso e a quantidade de "operações" que precisará de mandar fazer .
 Pense sempre "o que farei com isto?", "quando tenciono usar?", "quantas vezes?", "para que serve?" e "quanto me custará deixá-lo na perfeição?". Se o valor do arranjo for elevado, só a raridade e qualidade do artigo compensarão a compra. Isso, e o preço de base - não deixando de parte o factor "ando há anos à procura disto".

Porque essa é, no fim de contas, uma das razões de topo para se render ao vintage...
                                                

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