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Thursday, September 19, 2013

Pode dizer-se que estou a contar os dias...

Neste tempo sim, as coisas tinham graça.
...para o fim das autárquicas (ou "autárticas" como já vi escrito num desses cartazes ultra deprimentes que correm as redes sociais).
 Isto é de murchar a noção dos deveres cívicos de cada um. Receio bem que seja desta que eu, portuguesa que queria um Rei mas vota sempre porque é a sua obrigação,  em Roma sê romano, faço gazeta às urnas. É que é tudo muito mau.
É certo que há sempre algum panem et circenses na política, sempre assim foi; mas o descontentamento geral, associado aos 15 minutos de fama que os Facebooks e Youtubes da vida concedem a qualquer comum mortal por mais disparates que diga , fizeram com que desta vez metade dos filhos de Deus que constam da lista telefónica na minha cidade faça parte de uma lista qualquer. Nunca vi um entusiasmo assim: passou-se de deixar a política nas mãos de quem calha, de ninguém se ralar minimamente, para o modo "povo ao poder".  Literalmente.

E francamente, não sei se este extremo é positivo. Há demasiada dispersão e demasiada tonteria. Embora eu seja defensora do exercício da consciência política, acho que há intervenção e intervenção. Ou, como dizia o outro... "leave politics to the men who have the breeding for it". 

Seria mais sensato uma população consciente apoiar candidatos capazes, em vez de se aventurar num amadorismo que...bem, diverte o povo, mas pouco mais.

Os cartazes parolinhos, os candidatos bem...pindéricos, não arranjo outro termo, os altifalantes com música épica, roufenha e tristonha a atormentar as almas em horário de trabalho, as mútuas bofetadas, as causas disparatadas,  os cidadãos indignados que se juntam para o velho "dar a volta a isto" (o que me faz pensar que as pessoas adoram ter poder, mesmo que seja um poder pequenino perdido numa qualquer gabinete bolorento e sem ar condicionado) que já sabemos como vai acabar, a estafada discussão de votar sempre nos mesmos, a corrida ao odiado/ambicionado tacho, a imprensa a fingir que aquilo é tudo muito sério. Desculpem o cinismo mas é tudo foleiro demais para as minhas capacidades. É triste, mas por cá o poder local (e se calhar, o outro poder) não é coisa que se recomende, que dê lustre à reputação de alguém. Por muito pantomineiros que os políticos americanos sejam, fazem as coisas com cachet. Os fatos são super bem engomados, os cartazes são sóbrios, há o God Bless America que fica sempre lindo e até têm Senadores, como os romanos, e dinastias deles. Há uma certa elegância e fantasia na forma como as coisas são feitas, sem a aura remediada, pelintra e a fazer gala disso, que por aqui se vê. Porque queiramos ou não, a política tem sempre o seu quê de espectáculo: e eu nunca gostei de amadorismos, nem de desenrascanços. Nisso, sou muito pouco portuguesa. Gosto das coisas bem feitas. De um circo bonito, vá, em vez de saltimbancos itinerantes. É pedir muito? I think not.

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