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Saturday, October 19, 2013

Pessoas que não aprendem.

                         
Quando era pequena adorava o conto Pedro das Malas Artes - o tolo que não atava coisa com coisa, irritava toda a gente com tanto disparate junto e acabava por levar pancada (e sem querer, espalhar a discórdia) por onde quer que passasse. Na verdade, ainda adoro. A minha versão preferida é a de Teófilo Braga, que termina com "e se ele não chegasse a casa ainda andava a levar pancadas por esse mundo fora".

Na vida real, tenho conhecido alguns Pedros (e Marias) das Malas Artes: gente pateta que acha que o mundo lhes deve tudo e que a culpa das suas desditas é invariavelmente dos outros. Cometem sempre os mesmos erros (prejudicando-se a si próprios e a quem os rodeia) e nunca fazem um bocadinho de auto análise. 

Se não têm sucesso nos amores, revoltam-se contra a Humanidade e 
remoem-se de inveja: se aquele conseguiu uma namorada bonita, deve ser porque tem dinheiro. Se tem um bom emprego, é só cunhas. Não lhes ocorre repensar a sua atitude, investir nas próprias capacidades, tentar outras estratégias ou que se toda a gente lhes diz o mesmo, há uma hipótese de o planeta inteiro não estar errado.

E é preciso dizer que numa atitude de auto sabotagem, apostam sempre na rapariga/rapaz fora do seu alcance ou nos cargos mais concorridos. Porque aí as hipóteses de falhanço são tão grandes que nem vale a pena tentar, e podem confortavelmente continuar a lamentar-se pela sua pouca sorte. O que queriam mesmo era ter nascido bem, e em berço de ouro, e ter toda a gente aos seus pés - e como isso não aconteceu, sentem-se muito injustiçados.

O mais leve ressentimento dura-lhes anos: discutem-no apaixonadamente como se tivesse sido ontem, lançando peçonha sobre almas que já nem se recordam deles. 

Choram tudo o que dão, cortam na casaca de tudo o que mexe, não fazem um chavelho por ninguém e se fazem, esperam ganhar algo em troca. Se não ganham - e este tipo de criatura acha sempre que merece vénias e agradecimentos, logo nenhuma gratidão ou amizade lhe basta - vai de espalhar mais peçonha.

Claro que as más vibrações acabam por passar para fora, as intrigas e maledicências acabam por se saber e quanto mais não seja, ninguém quer estar perto de falhados recalcados, maldispostos, invejosos e maldosos, que não fazem senão destilar veneno e fazer choradinhos. E o ciclo de fracasso, de infelicidade, de pancadas e de pontapés no traseiro continua.

 E o Pedro das Malas Artes continua o seu fadário, a levar tareias por esse mundo fora. E achar que a culpa é sempre dos outros, claro.


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