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Wednesday, November 20, 2013

What´s love got to do with it? Ovídio explica.

                           

Sempre ouvi dizer que o amor expulsa o medo - o amor incondicional, pelo menos. Mas quando se fala em sentimentos excessivos, demasiado intensos, o outro é um mistério. Disse Ovídio que o amor é cheio de medos ansiosos: os mistérios assustam. O medo instala-se em todas as suas formas, uma mais aterradora que a outra. Medo de fraquejar. Medo de perder a face. Medo da dúvida. Orgulho, ciúmes, brio ferido, vaidade, desconfiança, entulho de toda a ordem: o enamorado acredita naquilo que mais teme, afirmou o mesmo sábio.
 E no entanto a receita parece tão simples: aceitar a luz e a escuridão, sem pretender mudá-la. Abraçar o mistério com todos os seus ângulos assustadores até que se faça luz. O amor não tem de ser incondicional, mas a aceitação sim. Dentro dessa única fronteira que é o respeito ou o cuidado com aquilo que vive no peito ao lado, que também está receoso e à defesa. Claro que o autor da Ars Amatoria também avisou que amor e dignidade não podem conviver no mesmo lugar: ou se abre mão de tanto brio, se fecham os olhos à amargura, à mágoa, à treva e se faz como se fosse um balde de água suja - deixar cair-lhe água limpa em cima, gota a gota, até que se torne clara, ou nada: sic ego nec sine te nec tecum vivere possum, já se sabe.

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