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Wednesday, December 18, 2013

As advogadas "Sex and the City"


Só hoje vi o vídeo "sensual" de que toda a gente fala e que motivou um inquérito disciplinar na Ordem dos Advogados, depois de várias queixas. 

 Sobre a "alegada violação das regras de publicidade previstas no Estatuto da Ordem, que proíbem a promessa da produção de resultados ou a colocação de conteúdos persuasivos” não me vou pronunciar - mas se uma agência de comunicação foi contratada para o efeito, o seu dever é  inteirar-se junto do cliente acerca dos conteúdos que são ou não bem vindos. Isso leva-me a perguntar se a brincadeira terá sido feita com a prata da casa, demasiada inspiração televisiva e muito pouco respeito pelas regras. Quanto ao decoro e ao resto, já lá vamos. 

 Vocês que por aqui passam sabem que não defendo feminismos bacocos, nem hipocrisias irrealistas: a beleza e a feminilidade atraem a atenção- o que faz com que uma pessoa seja vista e depois ouvida, se tiver algo de jeito a dizer. Como quaisquer trunfos abrem portas, facilitam muita coisa. Não há nada de errado em juntar à arma dos miolos a arma da beleza. Desde que se usem os ditos miolos e a decência e que nada ponha em causa a seriedade e o profissionalismo que o "distintivo" exige. 
Por pouco feminista que seja, nenhuma mulher honesta quer ser contratada pelos motivos errados, ou atrair o tipo de atenção errada. E o vídeo em causa - que mais parece uma tentativa de trailer para uma série do estilo "Mistresses" - com os seus stilettos folclóricos, as suas mini saias, as suas poses lânguidas, falha em transmitir a imagem "mulheres giras e de sucesso" para passar a ideia "contratem-nos porque somos espampanantes". Não sei se foi ingenuidade ou chico-espertismo, mas reclinar-se para um táxi com saltos assassinos e um vestido demasiado curto para ir trabalhar não dá exactamente a impressão mais idónea.

 Assim de repente, consigo pensar em meia dúzia de inspirações muito mais adequadas de power dressing. Desculpem-me, mas tenho relutância em confiar numa advogada que se veste como a Kim Kardashian. E se a Ordem se manifestou, não fez mais do que defender a honra da profissão.

 Then again- e não quero cair na baixeza da bisbilhotice, muito menos generalizar - mas talvez por coincidência, tenho tropeçado em algumas advogadas descaradas, inconvenientes e atiradiças- com o defeito de ainda por cima não deverem nada à beleza.   O que me faz pensar (sem ofensa às Senhoras profissionais de Direito com "S" que me estejam a ler) se a Ordem não deve começar as suas lições de modéstia e deontologia pelas faculdades, ou incluir provas de saber estar no Exame à Ordem - o qual, presumo, deve pautar-se por um dress code apropriado. Evitavam-se aborrecimentos destes. 

Assim como assim, sempre simpatizei mais com advogados grandes, com um vozeirão e que metam medo ao oponente. Não é por nada, mas a imagem conta.




2 comments:

Sérgio S said...

Confesso que não percebi o que o anúncio tem de mal. Miúdas jeitosas com pernas giras?... Nem percebo porque tem uma ordem de se pronunciar sobre o modelo comercial de uma empresa a funcionar em mercado aberto (para mim as ordens deviam perder 90% do poder que tem, mas isso é outra história).
Costumo dizer que (não é muito romântico, mas é mesmo verdade), no que diz respeito às mulheres, a minha ordem de confiança pessoal é:
1. Mãe
2. Advogada
3. Outras... (mulheres, amantes, namoradas…)

O que por esta perspetiva mostra a importância que a profissão pode ter mas, obviamente que a componente de passerelle não é propriamente relevante.

Diligentia said...

Essas 'criaturas' são a vergonha da minha Classe. Já nem falo no aspecto erótico-badalhoco que deram ao anúncio (isso está à vista)... parece que a Deontologia anda pelas ruas da amargura.

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