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Thursday, December 26, 2013

Duas máximas para a vida, porque o Ano Novo está à porta: nonchalant, sempre.

                                            
Desta feita faço mesmo questão de me borrifar para resoluções de Ano Novo (nem as do ano passado cumpri, quanto mais...há que aprender à nossa custa!) mas a época convida a inevitáveis reflexões, embora me tenha sobrado pouquíssimo tempo para reflectir ultimamente entre correr capelinhas, trabalho, festas e por aí fora.

Estava eu a ler um bocadinho, quando vi duas frases do meu querido Anton Moonen (essa pessoa fofa e respeitável que daqui a nada, está entre os poucos seres viventes a ombrear com Maquiavel, Wilde e poucos mais na minha estante) que não podiam ter mais a ver com a minha forma de estar:

"Não há evento, por mais mundano que seja, que não se assemelhe a uma reunião de Ttupperware".

Verdade, absolutamente verdade. Não sei como é que há pessoas que se descabelam para estar nas recepções mais escolhidas, ou para brilhar em qualquer tertúlia ou pior ainda, aparecer em qualquer coisa onde esteja a imprensa. Desde que comecei a ter dentes que por razões de família, sociais ou de trabalho me acostumei a tais bolandas e embora goste de ir a uma festa como qualquer outra pessoa, cada vez mais concluo que é tudo - como dizia um colega bronco como os montes que me calhou na rifa, mas a quem não faltava uma certa piada -  trolaró . Dos terrores organizados por discotecas a recepções militares, de reuniões políticas a festinhas dadas pelo Embaixador ou pelo grande senhor de Tal,  passando pelo comum bailarico e pela tertúlia pseudo intelectual onde todos fazem questão de se tratar por doutor, dos beberetes de caridade aos jantarecos de curso sem esquecer os desfiles de moda a que se vai por dever profissional mas que prefiro mil vezes seguir pela imprensa (a imprensa tem de ter alguma utilidade) Mon Dieu de la France, todos se parecem detestavelmente, abominavelmente, com reuniões de tupperware...e eu que embirro com tupperwares, por muito que goste de dar uso aos vestidos às vezes prefiro brilhar pela ausência. 

Não há maior luxo do que a indiferença. Dou graças todos os dias pelo dom que Deus me deu de não me deixar impressionar, intimidar ou ralar facilmente. E mais ainda por, citando o mesmo autor, sofrer desta condição: "aquilo que não conheço não me interessa minimamente". Por vezes, o que se conhece já é maçador que baste, o que tem a vantagem de nos permitir só dar atenção ao que realmente importa. Há luxo maior?
 Por isso, como não pretendo demorar-me assim muito com posts de época que lembrem, para todos os efeitos, momentos tupperware, o que vos desejo para 2014 é muito, muito espírito nonchalant, de uma superioridade blasé  inexpugnável. Não se deixem impressionar por nada, que isso obriga uma pessoa a tentar agradar, a desdobrar-se para ter palmas e a fingir que se diverte e não há nada pior nem que gaste tanto a pele. Pouca canseira e muita beleza, muitos motivos para entusiasmo genuíno, eis o meu voto para quem por aqui passa. 





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