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Tuesday, December 10, 2013

O triste fim de um jovem ambicioso: Thomas Culpeper

                           

Hoje assinalam-se precisamente 472 anos da execução dos alegados amantes da penúltima Rainha de Henry VIII, a desmiolada Catherine Howard. Uma rapariga tão cabeça de vento, tão cabeça de vento que acabou por ficar sem ela.
Ora, eu digo muitas vezes que me faz falta ser mais como Jane Seymor (caladinha, tapetinho, a dizer que sim a tudo, dada à paz e algo dissimulada) e menos como Anne Boleyn ( de temperamento apaixonado, espirituosa e demasiado sincera) mas nenhuma rapariga de juízo deve seguir o exemplo de Catherine Howard.

                     

Se a sua prima Anne Boleyn teria poucas culpas além de um certo mau feitio e de não conseguir dar um herdeiro ao Rei - a acusação de adultério nunca provou ser mais do que a má vontade do marido-  Catherine Howard é culpada de, no mínimo, não se saber conduzir como competia a uma jovem da sua condição num papel de grande responsabilidade.

 Em sua defesa, Catherine era muito nova: tinha cerca de 19 anos quando foi executada e dezassete quando se tornou a "rosa sem espinhos" de um rei de meia idade, obeso e doente.

O único retrato de Catherine Howard
tido como fidedigno
 Ao contrário das duas primeiras esposas do monarca (exclui-se aqui a rejeitada, mas sortuda, Anna de Cleves) a sua instrução não foi além do básico. Era neta do segundo Duque de Norfolk mas a família era enorme e o pai,  perdulário e incapaz de subir a pulso na corte,  morreu arruinado, despedido do último cargo que os parentes lhe inculcaram.  Assim, a frágil beldade foi educada ao Deus dará, na desagradável condição de parente pobre em casa do avô, gerida pela viúva deste.

 Por "Casa" entendam-se três enormes residências a abarrotar de jovens sem supervisão - entre criados, damas de companhia, pagens de boas famílias e outros parentes sem recursos, como era costume naquele tempo. A Duquesa viúva, além de já não ir para nova, passava a maior parte do tempo na corte e deixava os rapazes e raparigas proceder como bem entendessem.


Foi neste ambiente pouco são que Catherine terá tido um caso amoroso com o seu professor de música, Henry Manox, e conhecido o seu primeiro noivo (ou amante) Francis Dereham. Os dois fizeram promessas mútuas de casamento e trocavam cartas em que se tratavam como marido e mulher.
                                                
 O problema? Quando a família Howard empurrou Catherine para os braços do extasiado Rei, ocultou habilmente o historial amoroso da sua protegida. Henry julgava que estava  a desposar uma rapariga inocente, sem mácula - e a Lei obrigava a que a Consorte revelasse ao Rei qualquer indiscrição passada até aos primeiros 20 dias de matrimónio (uma espécie de garantia e devolução). Depois disso, tais segredos contavam como traição, e das feias. Para piorar as coisas, a Duquesa apontou Francis Dereham como secretário da nova Rainha, na tentativa de o manter em silêncio. Erro crasso.
                                                     
Mas Francis Dereham foi apenas uma vítima comparado com o senhor que se seguiu, o hábil e promissor cortesão Thomas Culpeper, que contava com pelo menos uma violação e um homicídio no currículo (algo que o Rei perdoou, apesar de assinalar o mau goto de tais acções) .

Picture Bem parecido, sem escrúpulos,  mulherengo, de uma ambição desmedida, Thomas aproveitou a inteira confiança do Rei e o facto de ser primo da Rainha Catherine para a seduzir. O seu plano, aparentemente, seria casar com ela depois da morte do decrépito marido. E aproveitar o que pudesse entretanto, com recurso à chantagem se preciso fosse. Lady Rochford, viúva do irmão de Anne Boleyn (e que testemunhara contra o marido, George,  e a cunhada) servia-lhes de alcoviteira. Sem dúvida, uma escolha inteligente de pombo correio...

 Entretanto, a nuvem adensava-se sobre a jovem rainha. Parentes e amigos que tinham testemunhado os seus devaneios de juventude não a  largavam, pedindo favores e lugares na corte: dali a nada, a indiscreta rainha estava rodeada de pessoas que conheciam todo o seu passado.

Circularam cartas, circularam mexericos, e o ciumento marido encolerizou-se, fazendo o que fazia sempre quando se enraivecia: eliminar a causa do incómodo. Em menos de um fósforo, Catherine foi destituída das suas honras e aprisionada. Entrou em histeria e foi incapaz de dizer alguma coisa que ajudasse à sua defesa: acusou Dereham de ter abusado dela, quando a confissão de um pré contrato de casamento lhe podia ter salvo a cabeça. Talvez contasse ainda com o perdão do marido, sem olhar ao exemplo da sua infeliz prima...

Já Culpeper, vendo-se acusado, não foi de modas: deitou as culpas a Catherine, como bom cobarde que era.

Culpeper e Dereham foram executados e as cabeças expostas na Torre de Londres. Curiosamente, o infeliz Francis Dereham sofreu o castigo pior (desmembrado, castrado e esventrado) por ter desonrado a Real " rosa sem espinhos". Culpeper foi decapitado por ter planeado dormir com a Rainha (já que nunca se soube se a intenção foi consumada). Lady Rochford, a alcoviteira que arranjava os encontros, teve a mesma sorte, justiça poética para uma vida de intrigas que levara a cunhada e o marido ao cadafalso.

Dizem, porém, que Catherine Howard soube morrer com a dignidade que lhe faltou nos seus tempos felizes: treinou a noite inteira a forma correcta de colocar a graciosa cabeça no cepo, mas partiu como uma Rainha. A frase que ficou para a história "morro uma Rainha, mas preferia morrer como mulher de Culpeper" não passa de mito. Também seria baixeza a mais.








  








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