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Sunday, December 29, 2013

Ode aos capuzes

                                              
Não sei se tem a ver com a minha paixão pelas roupas de outros tempos (não me importo nada de incorporar peças ou inspirações de várias épocas, nomeadamente a medieval, sec. XVIII e XIX no meu guarda roupa) se com a minha embirração com guarda chuvas (deixo-os em toda a parte e cansam-me o braço; só os uso em último caso) que é proporcional ao meu horror a molhar o cabelo, com a minha mania de passar despercebida sempre que me apetece ou com tudo isso junto, mas adoro capuzes e, mais do que isso, casacos encapuçados. Um verdadeiro Fado da Embuçada, é o que é.

 Não há nada mais prático do que um sobretudo (parka, de lã, de algodão, de pele, de cachemira, de fazenda, bordado,seja que casaco for) que simultaneamente é quente (ou no caso dos casacos de Primavera, protege contra o vento) e ao mesmo tempo  resguarda da chuva ou humidade repentina E AINDA nos permite esconder-nos em caso de necessidade. Pessoa chata à vista? Atira-se o carapuço por cima da cabeça, olha-se para o lado e problema resolvido, já não se tem de cumprimentar a peste. Como se não bastasse ainda acrescenta aquele charme extra, de donzela em apuros num jardim francês. Perfeito. 

 Sobretudos com carapuço são daquelas peças que passo a vida a procurar. Nunca tenho demasiados porque são difíceis de encontrar, por estranho que pareça. Das vulgares canadianas às gabardinas, passando por capas de ópera ou overcoats com uma gola gigante que se transforma em capuz, guardo-os como tesouros porque as marcas raramente os fazem. Já me disseram que muita gente - gente que obviamente não sabe viver -  os manda retirar "porque incomodam", daí a fraca oferta. Daí advém a chatice pior: os capuzes amovíveis que depois passam a vida a cair e a perder-se.

 "Incomodam"? Seriously? Deve haver muitas almas que gostam de molhar o cabelo ou não ter como evitar situações constrangedoras, almas que ainda não viram a luz. Só isso explica que não se tenham convertido à seita do carapuço.

 Como eu sou crente, podem estar certos que, fosse eu famosa - e já disse por aqui várias vezes que uma das poucas razões boas para se ser famosa é ter a oportunidade de criar uma super colecção cápsula para uma marca qualquer - as minhas criações haviam de incluir capas de ópera para sair, sobretudos, gabardinas e canadianas com fartura, tudo encapuçado para diferentes ocasiões. Mais do que uma colecção, seria um movimento (e mais útil do que o da Miley Cyrus, que ninguém percebe para que serve): hood yourselves!


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