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Saturday, January 12, 2013

Aventar Blogs do Ano 2012


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Por recomendação de amigos assíduos aqui no blog, o Imperatriz também está inscrito (tarde e a más horas, mas o que interessa é participar). Por isso, pessoas queridas, fofas e respeitáveis, a partir de Segunda feira podem usar toda a vossa fofura e generosidade para votar no Imperatriz Sissi. É possível votar uma vez por dia, nesta página. Segundo o próprio Aventar, convém prevenir os leitores para o seguinte:

"Optámos, após a experiência do ano passado, por permitir que cada endereço IP (não confundir com cada computador, digamos que se trata antes de cada ligação à net) possa votar de 24 em 24h. Porquê? porque é relativamente fácil mudar de endereço de IP. Isso permitia a alguns “expertos” votarem muito mais vezes, prejudicando quem honestamente não o fazia. Não sendo um sistema perfeito, foi a solução menos má que encontrámos. Assim, quem divulga a votação no seu blog pode e deve informar os seus leitores desta possibilidade."

Não faço grandiosas promessas eleitorais, mas agradeço os vossos votos e tudo farei para continuar a merecer a vossa companhia, procurando conteúdos edificantes, dignos, brilhantes e geniais (gaba-te cesto...)  que não deslustrem esta bela instituição que é a nossa blogosfera.

                                                             Muito obrigada!

Get the makeup! Angelina Jolie - O Turista

Já fui maior admiradora de Angelina Jolie do que agora - devido a algumas escolhas, pessoais e de carreira, da actriz - mas é inegável que está sempre lindíssima, quer no dia a dia, quer em eventos, e que se sabe rodear dos profissionais certos. Há dias estava a passar O Turista, filme só me chamou a atenção pelo figurino fabuloso, sou franca, e acabei por deitar o olho. Não vi tudo (tenho de me sentar e repetir a experiência com atenção) mas confirmei  minha opinião no que respeita ao cabelo, styling, looks e maquilhagem. Impecável.
 É impossível não reparar no esplêndido trabalho feito a nível de maquilhagem: três visuais elegantíssimos mas simples de recriar com cores básicas...e certa destreza na arte do contorno.

1 - Olhos trabalhados com tons naturais de ouro e bege + um cateye ligeiríssimo. Boca nude, bem delineada. Encantador e discreto. Perfeito para um primeiro encontro, entrevista de trabalho, ou para ser apresentada "aos pais dele".
  
                          
2 - Este é  meu preferido porque deita por terra o mito, amplamente divulgado de há uns anos para cá "lábios encarnados, olhos naturais" ou vice versa. Tudo é relativo e para um evento formal, ou depois do pôr do sol (ou simplesmente, usando de mão leve e bom senso, em especial se a tentação de pôr algo do tipo para o dia for muito grande) é possível ter tudo sem fazer má figura. Maquilhagem clássica em castanho e bege + muita máscara e kajal cuidadosamente aplicado,  iluminador em pó nas faces e delineador a condizer com o bâton. Cara de boneca!




3 - A lembrar Sophia Loren, um smokey eye realmente escuro e felino, sem dó. Blush quase inexistente e lábios nude mas com várias camadas de bâton, para garantir o impacto.




Post sujinho: Marias Cascudas

                                                    
A propósito de dois posts do Dexter e da Rosa Cueca, lembrei-me de um paradoxo dos nossos dias. O assunto já veio à baila aqui a propósito de temas mais abrangentes, mas sendo um fenómeno arrepiante com que infelizmente já me deparei duas ou três vezes, não posso deixar de o assinalar. A higiene, principalmente a higiene feminina, é algo que tomamos por garantido actualmente. Poderá haver meia dúzia de almas a tender para o hippie-sujo ( coisa que nunca me caiu bem, porque para mim os hippies são aqueles glamourosos dos filmes Hair, The Doors e Jesus Christ Superstar, ou meia dúzia de estrangeiros -  hippies bem amigos dos meus pais - que achavam cool acampar-nos em casa, eram todos giros que se fartavam e tinham roupas que me arrependo de não ter roubado num impulso fashionista infantil) ou gente esquisita que parece saída de um livro de Dickens (já me apareceu um colega assim) .
Porém, quando falamos de pessoas "normais" (NOT!) que supostamente gostam de comprar trapos e são vaidosas lá à sua maneira parece estranho que ainda haja quem não goste de água e sabão. Erro crasso...

  Já não é a primeira vez que me deparo com serigaitas que se pintam como galinhas da Índia, se perfumam como bidés, e depois são conhecidas por ver o duche quando o rei faz anos (em geral, quando tentam impressionar alguém). Conhecem-se pelo ar de bafio de alcova - ou seja, parece que saíram da cama directamente para a rua, a cheirar a lençóis rançosos e mofentos.

Essa "condição de Maria Cascuda" é acompanhada por sintomas como:

 1- Lavar o cabelo muito raramente - ou porque "ainda escapa, vai assim mesmo que estou com preguiça/pressa" ou porque só o lavam no salão e isso fica caro e é demorado "prefiro ter o cabelo oleoso desde que esteja esticadinho" (true story, blhec).

2- Depilação não inexistente, mas atrasada (não sei o que é pior) pelos mesmos motivos.

3 - Roupa interior encardida (um dos espectáculos que me faz torcer o nariz aos ginásios, Deus abençoe quem inventou as Decathlons e Powerplates da vida).

4- Preguiça de lavar os dentes, mas rápida adesão aos piercings na dentadura (o horror!). Se lhes oferecerem uma sessão de nail art, uns implantes de "celicone" ou uma sessão de bronzeamento que lhes dê um aspecto ainda mais pegajoso e "porcalhote" também ficam todas contentes.

5 - Preferência por roupa/calçado espampanante, que "meta vista" mas de má qualidade e sintético, o que associado à falta de banho compõe o raminho do mau ar...e do mau cheiro.

6 - Desprezo deliberado de instrumentos indispensáveis como o desodorizante ou lenços de papel. Meias suplentes também está quieto, nada mais sexy do que usar mini saia com malhas e buracos pela perna abaixo.

E ainda se acham fantásticas, trocando mimos grosseiros com as amigas. 

Serei a única a ter-me cruzado com "Marias Cascudas" com idade para apreciar o belo gel de banho?






The Red Shoes

Moira Shearer
"Nothing in the world that can be compared to red shoes!"

 Hans Christian Andersen

   Há algo de ousado, atrevido e pecaminoso em sapatos escarlates - basta recordar o arrepiante conto de Andersen, que avisa contra as consequências da futilidade e da vaidade excessiva. Mas também uma certa mística pop, se pensarmos no muito mais fofinho Feiticeiro de Oz. Tradicionalmente, encarnado é uma cor que não conhece meios termos: bem usada tem resultados esplêndidos, mal calculada é um desastre. É uma das minhas preferidas, mas ponho certo limite ao seu uso. Mais do que qualquer outra, exige peças de qualidade para não parecer "barata". Porém, nas últimas temporadas tem-se assistido a um aligeirar das associações que tradicionalmente se fazem quando falamos na cor da paixão. O bâton vivo - rubi, alaranjado, sangue, cereja - que há décadas não era considerado "aceitável" para o dia, ou para looks casuais, invadiu de súbito as ruas, destronando finalmente o gloss tímido; este Inverno, várias colecções apresentaram  versões modernas da "Mulher Escarlate" através de peças volumosas, como casacos e peles. Quanto ao verniz...há muito que é um clássico. Com os sapatos, não é bem assim. Foram necessárias várias estações para que finalmente nos atrevêssemos a passear por aí com pés tão...diabólicos. Pessoalmente estou a habituar-me à ideia (vou começar por burgundy e bourdeaux). Até aqui, não via grande utilidade em sapatos encarnados, embora os ache bonitos - pois prefiro um nude, ou tom metalizado, para acompanhar uma toilette dessa cor.                         
   Mas  a verdade é que há uma magia muito especial num par de red shoes - qualquer sapatinho parece um amor, com todos os detalhes amorosos em evidência. Precisamente por isso, recomenda-se alguma cautela (se acham que não, pensem nas Litas vermelhonas que grassaram por aí no Verão passado). Formas simples e com poucos enfeites, como stilettos ou pumps graciosos, são a escolha mais óbvia e versátil. Por outro lado, há dias estive mesmo, mesmo tentada a trazer comigo um modelo estilo sec. XVIII (parecido com os da última fila, na imagem abaixo) um verdadeiro atrevimento ... e só não o fiz ainda porque uma pessoa ponderada me segurou, dizendo que não me estava a ver com uma coisa tão extravagante (ou escandalosa) nos pés. Veremos se me decido por um par (ou dois) mas que os  maroto dos sapatos têm algum magnetismo mefistofélico, isso têm.

The Red Shoes

Friday, January 11, 2013

Piano girl

                                    
Chove que Deus a dá, a casa está em silêncio, correm-se os dedos pelas teclas. Ora se trauteia em gaélico, ora se cantam pedaços de árias, de canções preferidas, para passar impacientemente a outra coisa. É incrível o que as notas podem exprimir, quando a inspiração está por perto. Sensações que já não conseguimos evocar, ou que preferíamos não prolongar, mas que assomam como no relampejar de um sonho; modelos que já não se repetem, porque as circunstâncias mudaram irremediavelmente: cristalizaram assim, vulcanizados, parados no espaço, mas não têm vida nem continuidade - existem só na medida em que lhes atribuímos sons e palavras. O toque do telefone, ângulos de locais (estantes, lustres, salas) - e os minúsculos tumultos interiores que essas visões ou acontecimentos traziam. Demasiado fugazes e insignificantes para descrever num texto, reparem nesta salganhada - mas uma nota é rápida que chegue para os apanhar e converter em algo com cabeça, tronco e membros. Uma entoação diferente pode traduzir, num relance, a angústia ou a ansiedade que se transformam em alegria e vontade de saltar, quando uma boa nova muda o que parecia perdido. E basta sussurrar a mesma estrofe para explicar a desilusão que se segue quando a roda volta a girar e tudo fica na mesma, sem explicação nem matéria. Depois ainda há  a letra, que teima em aparecer feita de farrapos e retalhos, só a contar as partes importantes da história, real ou imaginada: the girl you yearn for is the woman you hate, the boy that you loved is the man that you fear, e por aí fora.

Em busca da esmeralda: colecções, aquisições e...indoor shopping

                                 
Todos já sabemos que verde-esmeralda é a cor do ano. Mencionei-a há dias e estou contente porque adoro esse tom: é rico, sofisticado, tem um toque retro e imprime requinte a peças e acessórios.

Gucci
 No meu caso, é duplamente bom porque cai bem em peles claras e cabelos acobreados. Ainda hoje me lamento por ter deixado escapar, há uns anos, um bolero de veludo nesse tom exacto, que parecia saído, tal e qual, de um livro de Tolkien. Era a minha cara mas hesitei a bem da sensatez e...too late. O verde esmeralda não é exactamente novidade - tem espreitado aqui e ali em temporadas anteriores, a par com o amarelo (que foi, para mim, a introdução mais interessante do ano passado em termos de cor e vai continuar a aparecer) do púrpura, do burgundy (like,like,like) e das novas experiências com o look noir

Valentino Pre-Spring 2013
Casas e designers como Sportsmax, Vera Wang (que aplicou o verde em deliciosos vestidos debruados a dourado) Valentino, Gucci, Michael Kors  e Kenzo apresentaram esta cor nas suas colecções de Verão. 

Vera Wang
Veremos de que forma vai aparecer nas lojas, mas não me importarei de adicionar uns quantos itens ao meu acervo pessoal, já que é uma cor que uso sempre - e que nunca parece datada, mesmo quando não está "oficialmente na moda". Até ver, as minhas aquisições do momento são uns botins compensados, com cano pelo tornozelo e realmente altos, a que não resisti,  e umas botas longas do mesmo género, que têm apontamentos em verde. Confesso que não procurava esta cor específica, mas foram amores à primeira vista.
 Depois, ao dar uma volta no meu armário, reparei em mais coisas, das quais destaco:

  -  Outros botins em pele, de plataforma mais baixinha, comprados no ano passado...que parecem mesmo de um duende. Achei-lhes muita graça e são um conforto...logo, vou tirar maior partido deles.

- Quatro vestidos ainda sem uso: um sheath dress de seda verde esmeralda com pequenas "pinceladas" turquesa e um vestido de renda preta, espessa, com fundo de seda e um laçarote, ambos vintage;  um vestido tubo sem alças no verde esmeralda mais puro que há (adoro vestidos de cor única) e outro, de manga comprida, em cetim com padrão florido, oriental, sobre fundo esmeralda vivo.
Burberry
Ter gostos clássicos dá jeito - as probabilidades de comprar coisas que de um momento para o outro se tornam "tendência" é consideravelmente maior do que investindo em cores ou formas espampanantes. E a de adquirir peças que têm maior longevidade (mesmo que fiquem guardadas, ou que se venham a usar de maneira muito diversa do que tínhamos imaginado inicialmente) também. Assim, estou servida de verde esmeralda e só vou apostar em mais  se de facto, aparecer uma peça que me encante. E as meninas? Vão lançar-se "em busca da esmeralda perdida" ou já encontraram algo lá em casa nesse tom precioso?



E posts de moda para eles, hein?


Este tem sido um desafio proposto por amigos e cavalheiros que por aqui passam regularmente. Há muito para dizer sobre o tema, que é riquíssimo e cada vez mais complexo nos dias que correm - embora possa parecer, a olho nu, que a elegância masculina tem menos nuances. Tentarei dar a minha perspectiva sobre o que aprecio, o que considero correcto e aquilo que sei, com uma ajudinha do meu trisavô dandi (que esse sim, sabia tudo o que há para saber sobre o assunto) da minha querida bisavó, que faria corar Tim Gunn, a soprarem-me ao ouvido lá do outro Mundo, e recorrendo a referências de homens que acho, como diria o Damasozinho, "chic a valer!". Já tenho algumas ideias que quero abordar numa fase inicial, mas entretanto, meus senhores - e namoradas/mulheres/irmãs/filhas -  partilhem comigo as vossas sugestões e luminosa criatividade. O que gostariam de ver aflorado por aqui no que concerne ao bem trajar masculino?
 .

Thursday, January 10, 2013

A polémica (e a tonteria) da Samsung


Corrijam-me se estou errada, mas a Samsung deve ser a marca mais citada do dia, pelo menos no que concerne à blogosfera e redes sociais. Em causa está a péssima reacção do público aos vídeos em que os bloggers Maria Guedes (Stylista), Tiago da Costa Miranda (…And This is Reality) Susana Rodrigues (The Stiletto Effect), Rodolfo Morgado (Lab Daily) e Pepa Xavier (Fashion-a-Porter) fazem um balanço de 2012 e formulam os seus desejos para o Ano Novo. 

A má recepção e as sátiras no Facebook levaram a marca a suspender a campanha mas os vídeos tornaram-se virais. O discurso de Pepa Xavier, em particular, caiu como uma bomba e a blogger está a ser alvo de chacota por dizer que este ano, gostaria de comprar "uma mala Chanel" ( suponho que uma carteira 2.55?) com o seu dinheiro.  A "polémica", que vale o que vale, levanta questões em vários ângulos. 

E é nesse sentido que quero comentar o tema - enquanto profissional de comunicação, enquanto blogger e vá lá, numa óptica fashionista (ou o que desejem chamar-lhe), tema já amplamente debatido aqui no Imperatriz.

 Não é meu desejo associar-me ao diz -que -disse geral ou tomar partidos. Dos bloggers que participaram, conheço o da Maria Guedes, cujo trabalho respeito,  e pouco mais. Outro estava na minha lista de blogs a ler sem que me tivesse realmente debruçado sobre ele (consequências da proliferação de blogs de conteúdo/aspecto muito semelhante e da minha falta de tempo). Não estou, por isso, em posição de fazer comparações ou juízos de valor .
 Mas tonterias à parte (embora inofensivos, os vídeos estão apresentados de uma maneira tonta - não podia dizer o contrário sem mentir)  seria bom que aligeirassem os ataques à pobre pequena. Por uma questão de decência (tenho visto comentários realmente ordinarecos de quem não tem nada melhor para fazer e arranjou ali um escape jeitoso para frustrações privadas; é possível criticar ou brincar sem cair em baixezas dessas) e por motivos que explico já a seguir. 
Creio que o caso levantará uma bem vinda discussão quanto à relação entre marcas e bloggers: só porque um blog apresenta determinado índice de popularidade, não significa que esteja alinhado com o posicionamento/diferencial/mensagem da marca, ou que o (a) blogger por trás dele represente, tendo só esse factor em conta, uma mais valia . Entendo que a Samsung queira conferir uma dimensão "cool" à sua imagem - mas para mostrar a quem? Quem era o público alvo? Se a campanha não se dirige a um nicho, é um erro convidar exclusivamente bloggers de moda. Se certas formas de estar podem ser compreendidas pelo público destes bloggers, haverá outros potenciais consumidores (mesmo dentro da blogosfera fashionista) que serão menos tolerantes. Importava diversificar.
       Se há tantas cautelas ao eleger uma "cara" (actrizes, modelos, desportistas) para uma marca/produto,  o processo não deve ser encarado com superficialidade quando se trata de new media. Só porque a campanha representa um investimento menor (e logo, apetecível) isso não significa que o seu impacto, positivo ou negativo, não seja esmagador. E caso corra mal, o problema propaga-se muito mais depressa.
  De qualquer modo, cabe à marca - e aos profissionais de marketing e comunicação encarregados de trabalhar a sua imagem - criar, gerir e controlar os moldes em que essas colaborações são feitas, para que ambas as partes beneficiem delas. Entregar a  concepção criativa da campanha a um dos bloggers participantes, sem uma supervisão rigorosa e imparcial, não me parece a estratégia mais acertada. O briefing devia enunciar, claramente, o que devia ou não ser dito, e o que era ou não aceitável. Faltou uma análise prévia? Assim parece.
 Quanto aos vídeos propriamente ditos, o facto de serem "intimistas" ou "pessoais" não dispensa, antes pelo contrário, um guião - e um profissional que conduza a entrevista, lembrando os pontos que importa abordar ou realçar. Poucas são as pessoas que não ficam intimidadas por uma câmara: gravar de improviso, ou como se fosse, o testemunho de alguém, dizendo-lhe "debita para aí os teus desejos" é a forma mais rápida de obter um discurso tolo, cheio de risinhos, má dicção e redundâncias. Creio que é o caso. Tivessem separado os desejos por tópicos ( profissionais, pessoais, de consumo, para o país...) e o resultado teria decerto sido outro.

Enfim, as palavras da Pepa, e de outros: é certo que cada um se expressa de acordo com o seu meio, região, educação e preferências. Eu própria utilizo certas expressões, e há outras que evito; mas é preciso ver que em público, ou em contextos profissionais, a linguagem deve ser o mais correcta e neutra possível, sem cair em floreados que conduzam a más interpretações, que "fiquem no ouvido" da pior forma ou que pareçam caricaturais. Tenho amigos que falam um pouco assim. Talvez não tanto, mas o suficiente para que as pessoas os caracterizem de determinada maneira. A primeira coisa que - a seu pedido, claro - lhes digo antes de uma entrevista é para evitarem determinados termos, vocabulário ou entoações que só os seus amigos entendem e que possam ser mal recebidos noutro contexto. 

Tivesse a Pepa dito "em termos de consumo, gostaria de comprar uma carteira Chanel 2.55"  - só isto, sem mais nada, e talvez não estivéssemos a ter esta conversa. De uma blogger de moda, espera-se um discurso articulado, de quem sabe do seu ofício, quando se fala de um item de moda. Só isto - nem explicações, nem gestos, nem risinhos.

 Isto, na forma - porque quanto ao conteúdo, há quer tem atenção três factores:

1- A ostentação, ou tudo o que se possa parecer com ela, é de evitar em qualquer situação. Cada um tem direito às suas aspirações e a gastar o próprio dinheiro como bem entende, mas convém usar da maior parcimónia para não roçar o mau gosto quando o assunto é  marcas, viagens e outros luxos. Mesmo quando se diz claramente "estou a juntar para comprar a carteira".

2 - O contexto actual, com o público muito sensível a esses temas. Qualquer um veria que esse discurso ia cair mal - e cair no ouvido - mesmo tratando-se de uma campanha para bens que não são de primeira necessidade. A tendência actual não é a ostentação...e convém não contrariar os ventos.

3 - O snobismo invertido dos portugueses, sempre muito vigilantes e prontos a irritar-se com as posses ou snobismo alheios.

Onde estava a Relações Públicas que devia ter analisado o hipotético guião e corrigido estes "quês" durante a entrevista?



 Mas ainda não acabámos. Quem editou os vídeos? Porque é na pós produção que se corrigem, por vezes, erros perigosos. Para quê vídeos tão longos, com segundos e segundos a titubear, a esconder o embaraço, a dizer mais do mesmo? Em vídeo, tudo parece mais cru. Uma simples conversa de café mal editada pode realçar coisas que de outro modo passariam despercebidas. Não vou entrar no artificialismo ou pedantismo de certos termos que foram direitinhos ao estereótipo do "blogger da moda" - o urbano, o trendy, o cosmopolita - pois isso já foi abordado noutros posts.

Só tenho pena que se tenha caído neste exagero, e que por conta de uma campanha mal pensada e mal dirigida toda a blogosfera seja atirada para o mesmo saco (e com ela, quem procura falar de moda e de outras coisas com seriedade e cabeça) . A eterna questão, que tanto me aborrece " quem gosta de moda é fútil e superficial" está agora mais acesa do que nunca. E são os próprios bloggers, ainda que mal guiados por quem devia ter gente competente a tratar do assunto, a atirar achas para a fogueira. Era só o que nós precisávamos!



Dúvida existencial do dia: a pena e os "coitadinhos"

                                             
Nunca perceberei, porque esses impulsos não estão no meu código genético, os Uriah Heeps da vida. Ou seja, quem usa a estratégia " tenham pena de mim" para conseguir um objectivo, uma relação, protagonismo social ou seja o que for. Em casa sempre me ensinaram " antes ser alvo de inveja que de pena" e a guardar eventuais fraquezas para a esfera privada. Logo, custa-me entender quem se humilha, rebaixa ou rasteja para alcançar determinada ambição. Do "ai coitadinho de mim que não tenho emprego, estou tão desesperado, sou tão pobrezinho" para se infiltrar numa organização, às mulheres que sofrem tudo, aguentam todas as humilhações, só para provar a um homem "sou a coisa mais dedicada que há, se sofrer tudo acabo por conquistar a piedade dele, dos amigos e da família e ele assim tem pena e casa comigo" ao pseudo famoso que conta nas revistas as desgraças da sua vida para conseguir apoios e oportunidades, essa é uma atitude que me causa uma repulsa incontrolável. Primeiro, porque me soa a falso. Quem realmente precisa de ajuda, muitas vezes esconde essa necessidade ou pede auxílio de forma limpa e reservada. Depois porque quem não tem dignidade é capaz de tudo. Os "coitadinhos" sem vergonha na cara metem-me medo - lembram-me sempre os enredos de sociopatas, estilo All about Eve: a fã bajuladora, coitadinha, desesperada e servil, que por trás das costas quer roubar o lugar de quem a ajuda e destruir todos os que finge admirar. Creepy, hein?

Post mauzinho do dia: "inimigos" copiões

                                                          
Quem não tem desamores que atire a primeira pedra. Ainda está para nascer uma pessoa tão fofinha, encantadora e consensual que, sendo dotada de alguma coisa que se veja, não tenha antagonistas. Se nem Jesus Cristo agradou a toda a gente, há que concordar com a velha máxima "só os medíocres não têm inimigos". Mesmo que uma pessoa seja a mais correcta e sossegada que há, metida na sua vidinha sem chatear ninguém, há sempre quem não saiba estar no seu lugar sem encazinar com os outros. Se como qualquer pessoa de carácter se tomam opções e lados, mais chances há de encontrar desafectos. Ou por um mal entendido (que às vezes, infelizmente, não se consegue reparar) ou por inveja/complexo de inferioridade/ganância aldeã, ou porque não têm o que fazer, ou porque meteram na cabeça teimosa que ficámos com alguma coisa que acham que lhes pertence ou que estamos num caminho que se convenceram que é o seu, ou por falta de noção, ou porque temos a pouca sorte de ser parecidas com alguém que lhes fazia bullying no liceu, ou simplesmente porque há indivíduos doentios que só se sentem bem implicando com a vida alheia, ninguém está livre. É um facto da vida. O ideal é fazer como Carlos da Maia e ter "apenas os inimigos necessários para confirmar uma superioridade" ou seja, não os procurar nem fazer por isso, mas aceitá-los como um mal necessário, sem lhes dar mais atenção do que o mínimo indispensável para nossa defesa. 
 Depois, há dois tipos de inimigos: os que por circunstâncias inevitáveis, estão de um lado oposto ao nosso. Não temos nada de pessoal contra eles, nem eles contra nós; nem sequer jogam sujo. Simplesmente, dada a situação, não podem ambos ficar contentes. Fora isso, são pessoas que até podemos, senão reconhecer-lhes qualidades, pelo menos respeitar, ou até de quem poderíamos ser amigos noutra situação qualquer...o que não é raro acontecer quando o fulcro da rivalidade desaparece.
 O pior são aqueles que desprezamos - no aspecto, no background, nas atitudes, na linguagem...e que ainda se atrevem a embirrar connosco. São os inimigos foleiros. Se forem idiotas (eis o tipo de inimigo aconselhado por Oscar Wilde) enfim. Se forem dotados de esperteza saloia, temos um problema tão chato e desagradável como a peste negra.
 Mas o mais giro é quando precisamente este tipo se dedica a ler o blog (e de resto, a  espiar tudo o que pode) da pessoa que detesta. Há maneiras de saber isso: pimba, pimba. Não perde pitada. É frequentador assíduo, adora aumentar audiências (lá está, falta de vida própria). E mais engraçado ainda, segue os conselhos que uma pessoa dá. Se passarmos pelo ser, vemos que o seu visual e modos vão mudando consoante as dicas publicadas. Chega mesmo a desistir de coisas que faziam parte da sua imagem se num post, se disser " isso é um horror". 

Embora se agradeça tanto apreço, não deixa de ser estranho. É que as pessoas de quem não gosto não me importam rigorosamente nada. Quero dizer, se andarem a plantar cascas de banana no meu caminho e eu der por isso, obviamente desvio-me. Mas não podia querer saber menos o que vestiram, com quem andam, o que almoçaram, quem admiram, como arranjam ou não a carantonha, quais são as suas opiniões sobre as tendências (devem ser uma coisa esperta, devem...) e os seus truques para um relacionamento bem sucedido. Por mim podem atirar-se para um depósito de carvão que eu não me ralo nada. E caso tenham um blog (a minha ignorância acerca das suas vidas não me permite sonhar se têm ou não) de certeza que não vou gastar minutos da minha vida, que ninguém me devolve, a analisar os seus disparates.
 Simplesmente, as pessoas com quem antipatizo são transparentes, as suas opiniões irrelevantes, e só reparo nelas se tiver de evitar a sua companhia. "Keep your friends close, and your enemies closer"...não obrigada. Gosto de ambientes bonitinhos e arejados. Não vou amá-los nem "matá-los com tanta gentileza", porque isso é esquisito e consome tempo precioso. Stop trying, it´s pathethic, como dizia o outro. E se eu fosse tão mázinha como eles, acrescentava aqui " meu anjo, em si essas dicas só funcionam acompanhadas de um milagre" . Mas lá está: a questão é-me tão indiferente que nem tenho paciência para escrever maldades dessas. O título "maldade do dia" é só para uma pessoa se situar, e rir um bocado. Have a nice day, my fine friends!

O vestido às riscas H&M...e como usar padrões fortes

                                  
Este vestido está por toda a parte. É citado aqui e ali como uma forma gira e marcante de usar a tendência dos padrões gráficos (apresentados a par com o padrão animal...). Gosto muito do decote, da cintura e das mangas e estou de acordo que a usar um
 padrão forte, um vestido ou saia é uma boa maneira de o fazer ... se quisermos experimentar sem medo 

-  São peças que  não repetimos tantas vezes e quando as usamos, tendemos a criar todo um look à volta dela, tirando maior partido do facto de vestir algo realmente diferente

- Uma saia pode sempre coordenar-se com uma peça clássica/básica (camisa branca, t-shirt preta, top simples + carteira pouco elaborada de cor forte) atenuando o efeito com graça, o que lhe dá maior longevidade.

- Embora a opção segura seja investir num acessório ou peça pequena, isso também tem os seus quês: é mais complicado pôr de parte uns sapatos ou carteira quando o padrão sai de moda do que arrumar um vestido ou saia num cantinho, até ver. E sendo acessórios, podemos cair na tentação de os juntar ao acaso num look menos pensado, criando certa poluição visual. 

- Já uma t-shirt com padrão acaba, às vezes por se confundir com os estampados comuns que surgem todos os anos...


Balmain S/S 2013
 Todas são escolhas válidas e dependerão do estilo de cada uma, do investimento que estão dispostas a fazer numa peça e da oferta das lojas. O que não aconselho mesmo é comprar um sobretudo, ou mesmo blazer, que só se sentirão confortáveis a usar durante uma estação -  ou a empatar uma fortuna em padrões que vão e vêm. Vestidos acessíveis como este da H&M (cerca de 30 euros) desde que sejam de qualidade aceitável (este é em jersey espesso, logo, apesar de justo, não vai marcar demasiado as formas) e adequados ao seu tipo de corpo (é bandage e curto, por isso, convém experimentar com olhos de ver) permitem variar e fazer coisas giras sem grande compromisso. Como tenho o hábito de  arquivar peças que não se estão a usar de momento, estou com sorte:

  - Posso finalmente usar um Karen Millen preto e branco com padrão bastante semelhante ao do Balmain acima, e ressuscitar três vestidos-camiseiro com padrões, um deles tigresse, que comprei na Zara há uns anos e pouco saíram de casa. Há mais umas carteiras, t-shirts e vestidinhos com padrões do género por ali guardados, por isso não vou investir nisso. Antes de comprar, pondere se no seu armário não terá nada parecido que possa ser usado de forma actual, pois alguns destes estampados estiveram na berra há uns 5 anos. E claro, quem tenha acesso aos armários das mães ou tias, com relíquias dos anos 80, melhor ainda: é uma maneira de usar igualmente bem a tendência sem que se arrisque a encontrar pessoas na rua com coisas iguais.







       

Wednesday, January 9, 2013

Hollande quer abolir os TPC - hip, hip, hurra!




Opiniões políticas à parte, apetece-me mandar um cestinho de ovos moles a Monsieur Hollande. Então não é que o Presidente francês - por motivos com que concordo, outros nem tanto - quer abolir os malfadados, odiosos e ranhosos trabalhos de casa, proibi-los mesmo, realizando assim o sonho de infância de milhares de ex (e actuais) criança  que passaram, ou passam, a meninice a amaldiçoar os ditos?

Não sei quanto a vocês, mas apesar de ter sido boa aluna (às matérias que me interessavam; não esperem milagres, que eu por mim tinha tido uma perceptora que selecionasse o que eu queria aprender, em vez de ser "another brick in the wall"...) detestava os TPC. Tinha dias longuíssimos na escola, fora as actividades extra curriculares - música, alemão, ballet, equitação, you name it - os meus pais chegavam tarde, quando finalmente punha os pés em casa já era de noite, queria estar com a família e descansar um pouco antes de outra jornada extenuante no ia seguinte. A última coisa que me apetecia era fazer mais do mesmo, com metodologias semelhantes. As únicas ocasiões em que fui capaz de me concentrar e de levar os TPC a cabo sem chatices foram aquelas em que nos permitiam fazê - los ainda na escola, em salas de estudo, para ir para casa tranquila. De resto, odiava-os com paixão e recusava mesmo fazer uma coisa tão horrível.  Concordo com o que é dito na notícia - os TPC podem gerar um ódio de estimação à escola. Não direi que odiava a escola, mas quando passava por ela nas férias chamava-lhe "aquela coisa pegajosa..." logo, não éramos exactamente unha com carne.
Hoje, com toda a informação disponibilizada na internet, e tantos outros meios para que os alunos não dependam dos manuais e do material complementar para estudar (no meu tempo, se calhava o manual não ser grande coisa e não haver outros livros à mão que explicassem melhor determinada matéria era uma chatice...actualmente basta pesquisar com algum critério para obter informação melhor e mais clara) não se justifica mesmo esta tortura gratuita, chata, que passa a impressão de que os professores, coitados, não têm mais nada  que fazer além de perseguir as pequenas vítimas after hours
    Ainda hoje, a não ser que um  projecto me entusiasme muito (e tenha as devidas compensações) custa-me levar trabalho para casa. Se os adultos não gostam, que farão as crianças? E com que cara, eu, a rebelde-quando-a-coisa-se-justifica, direi a um hopotético filho meu " os TPC são importantes, toca a fazer os TPC" quando passei a vida a tentar esquivar-me a esses gremlins, ladrões da infância alheia? Convertam os tempos lectivos excessivamente longos - uma violência que não estimula o cérebro de ninguém - em tempo de estudo, aumentem a  disciplina mas deixem os feriados em paz porque é ridículo olhar para as paredes a fingir que se trabalha, dêem à escola o que pertence à escola e ao lar o que pertence ao lar,e deixem os pobres pequenos brincar.
  Têm tempo de sofrer com disparates que não lembram a ninguém quando crescerem. E não me venham dizer "eu gostava de fazer os trabalhos de casa, a Sissi está doida" porque eu não acredito, e não engulo argumentos politicamente correctos, masoquistas e carregadinhos de síndroma de Estocolmo como esses.

Get the look: as minhas "belezas ideais" nos National Board of Review Awards

                                                   
A entrega de prémios da National Board of Review juntou quatro jovens actrizes da actualidade que representam, para mim, a beleza ideal: Amanda Seyfried, Jessica Chastain, Anne Hathaway e Emily Blunt. É claro que esse conceito varia consoante os gostos e referências de cada um e sendo a opinião de uma mulher sobre outras, mais subjectiva se torna. Há muitos tipos de pessoas que considero belas. Mas se falando de beleza feminina me perguntarem o que me chama imediatamente a atenção, os critérios passam por uma  beleza distinta, delicada e natural, sem retoques artificiais nem expectativas impossíveis; estatura regular e figura elegante, mas feminina; traços finos, pele de porcelana, lindos olhos expressivos, lábios e cabelos bonitos (louros, ruivos ou escuros); e a complementar tudo isso, um estilo simples, impecável, racé, que crie uma imagem intemporal...e uma postura senhoril, claro. Qualquer uma delas poderia ter inspirado um trovador do amor cortês, posado para um grande pintor renascentista ou pré rafaelita, para um escultor grego ou fazer parte da golden age de Hollywood; mas se as encontrássemos na rua, não seriam demasiado estranhas, a ponto de suscitar reacções extremas. São o tipo de rapariga de quem se pode sempre dizer  "que bonita" ou "que elegante"  mas nunca "que espampanante". Diáfanas mas vulneráveis, belas mas reais,  na moda mas à prova de modas passageiras.

                                                 
Anne Hathaway escolheu um clássico que nunca falha: o smoking Yves Saint Laurent, a que juntou uma camisa negra de laçada ( aquelas mangas rendadas são uma perdição...) sandálias Givenchy e uma clutch preta. Gosto mais de a ver com o cabelo longo (e um tiquinho mais de bochechas) mas continua linda.

                                      
Jessica Chastain usou um vestido Alexander McQueen com peep-toes Charlotte Olympia. Os decotes fechados como este exigem cautela. Apesar de serem "seguros" ( na dúvida, antes decote a menos do que decote a mais) só as raparigas muito esguias de busto podem usar qualquer um sem fazer "pesar" a zona do colo. Para todas as outras, é preciso experimentar bem para garantir que favorecem a parte de cima do corpo: há alguns que assentam espectacularmente, realçando o pescoço e criando um "colo de garça", outros nem tanto. Este foi muito bem escolhido, e a combinação vestido preto + statement necklace dourado funciona lindamente. Tenho um conjunto parecido em casa, para usar não tarda.

                                            
Um decote halterneck não seria a minha primeira escolha, mas há algo de greco-romano nas cores, materiais e modelo deste Bottega Veneta que é impossível desprezar. A combinação de tons nude ou rosa chá com dourado é das minhas preferidas, e cai como mel na pele leitosa da actriz. Já as sandálias Alexandre Birman provam que ao contrário do que ouço muito por aí, uma fivela no tornozelo pode, sim senhora, torná-lo quase invisível. Basta que assente no ponto certo e ajude a manter o calçado no lugar, para que esta zona não esteja em esforço, aumentando visualmente.

                                            
Emily Blunt também optou pela suavidade do rosa chá (Emilio Pucci) combinada com o dourado dos stilettos - uma alusão muito, muito subtil à tendência barroca, numa abordagem avant garde. Não há nada mais elegante que mangas até ao punho, o comprimento da bainha é perfeito...já o decote, os cortes estratégicos e o modelo tão justo exigem uma figura um tecido perfeitos: ambos estão aqui presentes, em toda a sua glória. Este cabelo não é o que mais gosto de ver à actriz, já que "apaga" um pouco os seus extraordinários olhos felinos, mas mesmo assim está linda.

Diferenças irreconciliáveis: do not cross

                                                    
Saber lidar com as pessoas e interpretar as suas reacções faz parte do meu campo de estudos e área de actuação. Além disso sempre me interessei pelo comportamento humano. Apesar de me concentrar mais nas minhas coisas do que em reparar no que os outros fazem ou deixam de fazer, considero-me uma boa leitora das intenções, atitudes, sinais e expectativas emitidas por quem se aproxima de mim. E se por qualquer razão tenho intenções de - ou sou obrigada a - manter contacto frequente com determinada pessoa, tento que a convivência seja o mais harmoniosa possível. 
Mesmo com as pessoas de quem mais gostamos sabemos que há pontos fracos, ou explosivos, que não devem ser abordados ... ou que precisam de ser tratados de determinada maneira.

 Por exemplo, na minha família há um elemento com quem não vale a pena ralhar, ou responder um bocadinho torto que seja. É daquelas pessoas de quem só se consegue algo "a bem";  discutir, só em caso extremo. Há outro ainda com quem é inútil racionalizar quando está irritado, por muito que a razão esteja do nosso lado. Uma vez fora de si, começa a disparatar e cada argumento que se introduza é uma acha para a fogueira. Para evitar conversas de doidos que gastam latim e não levam a  lado nenhum, o melhor é esperar que acalme e falar mais tarde, não vá achar que no calor das negociações se tocou nalgum ponto sensível e dedicar o tempo a debater ad nauseam um detalhe que não interessa nada em vez do assunto que realmente levou à discussão. 
 Se queremos manter qualquer tipo de relacionamento com determinada pessoa, temos de ter em consideração aquilo que essa pessoa gosta e o que detesta ...e se conseguimos, ou não, gerir esses aspectos.
 Imaginemos um cenário simples: por qualquer razão, quem está a ler isto quer fechar um negócio importante com um senhor que é benfiquista ferrenho, e que anuncia, para quem quiser ver, a sua crença futebolística. Esse senhor não pode com o Sporting nem com molho de tomate. Qual é a melhor maneira de condenar, à partida e irremediavelmente, as negociações ao fracasso? 

Entrar pelo escritório do dito senhor com um cachecol do Sporting. Insistir em proclamar a  sua devoção ao Sporting de cada vez que se encontram. E não contente com isto, convidar a pessoa para tomar um cocktail no clube de Sportinguistas mais próximo, para selar o acordo, mesmo sabendo que o Benfiquista fica encarnado de raiva, trocadilhos à parte, só de pensar no assunto. (Não faço ideia se os clubes sportinguistas ou de qualquer outra cor servem cocktails; não percebo nadinha do desporto rei). Na óptica do leitor, o futebol pode até não ser importante para o negócio, pode não ser para ali chamado, e na sua perspectiva, não afectar em nada o futuro dessa parceria - ou seja, estar-se borrifando se ele se sente ou não ofendido com isso. Mas para o senhor benfiquista, há toda uma associação de ideias relacionada com o Sporting que lhe é insuportável. Esse senhor não negoceia com terroristas e muito menos com sportinguistas - assunto encerrado. .

Ante um cenário assim, temos de medir as nossas próprias expectativas, sentimentos e crenças, e raciocinar:

- Hipótese a)  Não ligo nada a futebol, logo, isso é irrelevante. Posso acenar que sim senhor para demonstrar simpatia por algo que o faz tão feliz sem que isso me cause um conflito interior e em todo o caso, questões desportivas não são tidas nem achadas para o que está em jogo.

- Hipótese b) Também sou Benfiquista (que maravilha negociar com quem é 100% compatível comigo) ou se não for posso perfeitamente acompanhá-lo a um jogo ou dois, pois até simpatizo com o clube.


- Hipótese c)  Sou tão fanático pelo Sporting como ele é pelo Benfica, logo não estou disposto (a) a ceder, e nem vale a pena arriscar a negociação, por muito vantajoso que isso fosse; cada um fica na sua.

O que não pode ser é esperar fechar o negócio sem conflitos mesmo berrando "SPOOOOORTING" a cada cinco minutos à frente do nariz dele, comparecendo à reunião acompanhado de uma claque sportinguista com ar de poucos amigos e ainda chamar doido, rezingão e pouco razoável ao homem por não gostar de negociar consigo. Mas é assim que muita gente parte para um relacionamento - seja afectivo, amoroso, profissional ou de negócios. Não mudam uma vírgula, não têm em atenção o que afecta os outros, não cedem um palmo pois acham-se o máximo e quem gostar minimamente deles é que tem de fazer todas as concessões. 

                                        

E quando as coisas dão para o torto, queixam-se de que os outros é que são teimosos.  Por vezes, cedendo em pequenas questões ("o meu namorado gosta de restaurantes italianos e eu não, por isso quando ele quer pasta eu vou jantar sushi com as amigas") é possível manter um relacionamento sem problemas. Há aspectos fracturantes, todavia, que não têm remédio: ou uma das pessoas cede - em particular, se a razão não estiver do seu lado - ou desiste, porque as duas partes estão em pólos opostos e as diferenças são de facto irreconciliáveis. O que não é possível é fazer violência psicológica sobre o outro, desvalorizando os temas que lhe são sensíveis, impondo a sua vontade em aspectos cruciais, e ficar muito admirado (a) quando corre mal. Cada um tem a sua "linha de fogo", os limites que não podem ser ultrapassados: e para lidar eficazmente com pessoas, é preciso compreender, identificar e aceitar (ou não) a linha da frente, a fronteira de cada um. Onde um não quer, dois não brigam; e para qualquer tango, são sempre precisos dois. 





Tuesday, January 8, 2013

Dizia o filósofo que o Inferno são os outros...


                       
...já Dante, no seu Inferno, não incluiu algumas coisas que os outros fazem no firme propósito de infernizar quem os rodeia. Ora, eu suponho que o Tártaro seja um lugar terrível, onde os condenados passam por castigos tão insuportáveis como decorar as tricas das páginas cor de rosa do Correio da Manhã tim tim por tim tim, até saberem de cor e salteado os pecadilhos de jogadores da bola, alpinistas sociais e concorrentes da Casa dos Segredos, e torturas dessa natureza. Mas também imagino que sejam aplicadas, on and on, técnicas mais subtis mas igualmente aterrorizadoras. Uma delas, que consiste em enlouquecer a vítima, é ter alguém a falar sempre no mesmo: pessoalmente, por telefone ou por SMS, a bater constantemente no ceguinho, a insistir diariamente no mesmo assunto. E quando parece que se chegou a um acordo, do estilo " ainda não há desenvolvimentos, conversamos sobre isso para a semana" o torturador, que parece concordar, volta dali a nada ao mesmo. Não consigo lidar com pessoas repisadoras e insistentes, por isso imagino que o Inferno, o Inferno Sissiniano pelo menos, esteja cheio delas - pois se gente assim tem alguma utilidade, só pode ser a de castigar os pecadores no Outro Mundo.
 Pior ainda são as indivíduos que não têm palavra. Gente que muda de ideias conforme emprenha pelos ouvidos ou conforme sopra o vento, mas que é incapaz de anunciar "pensava assim, mas por um motivo razoável a minha opinião modificou-se" como qualquer pessoa normal faria. Ou seja, nunca sabemos com quem - ou com que bicho raro - estamos a lidar. Estes diabos torturadores são capazes de dizer, num dia " esta parede é branca" noutro" esta parede é bege". No dia a seguir já não é bege, é amarelo-canário, e no seguinte, afirmam "isto é branco sujo e a culpa é tua!" como se nunca tivessem dito outra coisa. Dali a dias é preto, e pouco depois juram aos pés juntos "mas eu alguma vez vi esta parede?" e ainda acham isso tudo muito natural, e que os malucos são os outros. Tudo bem que a palavra de honra já não vale o que valia e temos de viver com essa triste realidade, mas recuso-me a lidar com pessoas que mudam de agenda, de lado, de crenças e de gostos como quem muda de camisa, com motivos secretos ou que só elas entendem, e falam disso como se nada fosse, obrigando quem está à volta a dançar conforme a sua música de loucos. Desorienta-me, confunde-me e simplesmente, não funciona comigo, logo suponho que essa seja uma excelente maneira de atormentar quem pensa como eu, e seja mau o suficiente para viver no Reino das Trevas. De certeza que há mais modalidades de tortura, mas assim de repente, estas duas fazem com que eu reze para que Nosso Senhor me faça muito boa e muito santa para não ir lá parar. Se aqui na terra é o que é, imaginem aturar semelhantes horrores por toda a eternidade!

Get the Look: Rachel Weisz, beleza de conto

                                                            
Na tradição popular portuguesa, o termo "Judia" era muitas vezes usado para descrever uma mulher de formosura misteriosa e perturbante. Quer pela sua ascendência (pai judeu húngaro, mãe austríaca católica com sangue italiano) quer pela sua beleza enigmática
-  que num momento lembra a mais delicada English Rose e noutro uma exótica Salomé -
  a actriz britânica Rachel Weisz podia perfeitamente encarnar esta imagem de lenda, se Hollywood se debruçasse sobre as riquíssimas narrativas do nosso país. Sou sua admiradora desde A Múmia, um dos meus filmes de aventuras preferidos, e não só gosto de a ver nas telas como se apresenta muito bem, com um estilo classic with a twist. Aos 42 anos mantém uma figura fantástica, uma pele linda e um look que parece sofisticado sem esforço. Por norma, recorre a boas modelagens, designs simples com pouca informação e acessórios marcantes. Valentino, Dior e Dolce & Gabanna fazem parte das suas escolhas, mas desta vez saiu-se muito bem com Prada: em caso de dúvida, nada como um clássico Pequeno Vestido Preto com mangas 3/4 (este com pequenos bordados) e deixar que o stiletto a condizer com as aplicações faça uma afirmação de cor. Os Red Shoes dos contos de fadas estão de volta e a escolher uns, há que optar por este modelo intemporal, que alonga as pernas até ao infinito. Basta levantar o cabelo para equilibrar o decote conservador e já está: um visual ladylike, chic e super rápido de montar. Definitivamente, tentem isto em casa.

Deves julgar que és o Ajax, deves.

E não me refiro ao gigantesco e temperamental herói da Guerra de Tróia, protagonista da tragédia de Sófocles (não queriam mais nada?) mas ao popular detergente que lhe recebeu o nome, cujo anúncio marcou a geração dos nossos pais com o jingle " O MAIS PODEROSO!".

Vá que o anúncio era giríssimo, se tivermos em conta os recursos daquele tempo. Por onde passa Ajax, o cavaleiro branco (transpuseram o herói da Antiguidade para a Idade Média, mas percebe-se a ideia) tudo fica contente, limpo e sem nódoas. Ah pois, que o Ajax, O MAIS PODEROSO, não esquecer, não brinca em serviço graças às suas esferas-brancas- acção-anti-nódoas e esferas-verdes-acção-anti-mancha. Onde ele passa, do alto do seu cavalo andaluz, todos aplaudem e veneram o grande herói. Dito isto, há pessoas que julgam que são o Ajax, que havemos de fazer? Todos lhes devem vénias e vassalagem. Todos se deviam arredar à sua passagem e cantar o jingle O MAIS PODEROSO para as homenagear. E aqueles que sabem que Ajax só houve um, o da guerra de Tróia e não um detergente que veio acudir a donas de casa e técnicas de superfícies, logo não vão ceder ao entusiasmo geral e atirar-lhe flores ou fazer-lhe vénias, são tachados de nódoa. O mais engraçado é que são os supostos AJAX a precisar de um bom mergulho no bom e velho tanque de lavar a roupa (a máquina é demasiado industrial para ir ao pormenor necessário) cheio do dito cujo, com poderosas esferas -  brancas- acção-anti-nódoas e esferas-verdes-acção-anti-mancha, e lava lava lava, esfrega esfrega esfrega, a ver se ficam com a alma mais limpinha. Isto é preciso ter uma paciência...

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