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Saturday, January 19, 2013

A tempestade: post escrito sem luz



J.W. Waterhouse, Miranda (The Tempest)


Sem electricidade desde ontem à noite. Foi esse o resultado da tempestade que só amainou um pouco à hora do almoço. Como aqui em casa é praticamente tudo eléctrico, estores incluídos, e como nós, pessoas de juízo, fechámos as janelas antes de começar a borrasca, a recompensa foi andar de lanterna dentro de casa pois era impossível abrir as persianas. O Farinelli e o Chiquinho fugiram para a rua na parte pior, como se as gatas andassem na rua com um tempo daqueles. E tivemos de aquecer café num fogão portátil, o que também foi giro. Felizmente tínhamos água quente graças ao acumulador, mas acordar de manhã com umas trevas danadas e um silêncio só cortado pelo assobiar do vento (nem vizinhos, nem sirenes, nem vivalma) abrir a porta da varanda para conseguir ver alguma coisa e deparar-me com as varandas de pantanas, coisas a voar perto da nossa cabeça, árvores a partir e a cair não foi nada agradável. Não sei se já ouviram o som de uma bela, alta e saudável árvore a rasgar e a quebrar - é um ruído assustador e doloroso. Nestas alturas sentimo-nos mesmo pequenos - nada funciona e vemos como a nossa grande e moderna civilização assenta em alicerces e cadeias tão frágeis, que nada podem contra uma tempestade que felizmente, não está a ser tão má como aparentava. Sem modem, telemóveis quase sem bateria porque não contávamos com essa, podia a coisa ser grave que não saberíamos de nada. Da EDP ninguém me atendia, do 117 também não, parecia-me coisa de pouca monta para ligar para a Protecção Civil ou Bombeiros mas foi mesmo de lá que acabaram por me descansar um pouco. 

*Começo a inventar um enredo de filme de acção de série B: homem do piquete de electricidade valente e sem nada a perder porque a mulher o deixou arrisca a vida para devolver a electricidade à freguesia. Os colegas gritam-lhe que não seja doido e não suba aos postes mas ele vai na mesma. Descobre que algo sobrenatural está a provocar a borrasca e torna-se um verdadeiro herói, combatendo a ameaça. Pelo caminho conhece uma bombeira (ou repórter) gira e intrépida que o acompanha na aventura, e há um romance, porque nestes filmes tem de haver um romance algures no percurso* - sem luz, sem internet, querem que eu me distraia com quê?

 E no meio disto tudo, sem saber de que cor era o alerta, se havia riscos, ou que riscos, se teríamos energia para cozinhar (creio que encomendar pizzas num dia destes é capaz de ser uma ideia de mau gosto) a senhora minha mãe lembra-se de ficar preocupada...com os bichinhos que vivem aqui à volta, no bosque.

- Oh Meu Deus, pobres passarinhos, onde é que eles se abrigam?
- Sim...coitadinhos. Sei lá, suponho que tenham tocas.
- Mas os passarinhos? Vivem nas árvores, não têm como se esconder. Morrem todos para aí.
- Sei lá...coitadinhos, realmente, sei lá *a ver outra árvore quase, quase a ir ao chão* faço lá ideia, suponho que tenham mecanismos de defesa próprios desde que o Mundo é Mundo.
- Ó Sissi, fracamente, olha que insensível!
- Fico aflita por cada ser vivo que não se possa abrigar com um tempo destes. Mas se me ponho a preocupar com cada bichinho, esquilinho, raposinha ou javalizinho que viva nas redondezas fico para aqui a chorar.
- Compreendo que seja uma defesa mas sinceramente cai-te muito mal! As aves migratórias tudo bem mas as que cá ficaram, os pardalitos e os corvos, ai ai ai ai ai ai...
Pobre mamã! E lá tive eu, que não percebo nada de ornitologia, de fazer um raciocínio quanto ao instinto dos melros e pardalitos, muito mais aguçado que o nosso, que provavelmente os avisa para se porem a milhas antes de a tempestade começar.
- Mas se a tempestade não for localizada?
- Devem abrigar-se nos beirais dos telhados e anexos que há para aí. Quanto aos corvos, se fazem tocas para esconder objectos brilhantes, devem pensar em esconder-se lá no meio dos seus tesouros quando o tempo está feio.
- Ah. Ainda bem. Já fico mais descansada.

Volta a electricidade. Tudo a carregar telefones, a abrir estores,  a ligar computadores e aquecedores. Os gatos, esses, voltaram ilesos para casa, e tiveram a sua dose de secagem com toalha aquecida (haja paciência).

Entretanto, ouve-se um 

*Grito lancinante* MÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAE.

Nós: Meu Deus, meu Deus, que foi? (a imaginar alguma coisa realmente má)

* Silêncio prolongado, nós escadas abaixo a ver o que se passava com o meu irmão*

- Onde estão as minhas botas?
- Seu este, seu aquele, isso são sustos que se preguem às pessoas????

E nisto uma rajada de vento assobia a meter medo, os alarmes das redondezas disparam todos, um dos gatos sai porque já está seco e almoçado, e não há pitada a perder lá fora...e cai a luz de novo. 

Depois do pôr do sol, fica tudo escuro como breu. Vou à cozinha acender uma vela, a pensar que estou a dar uma grande ajuda,  e volto para o pé dos outros que estão na sala às escuras, a tentar acender a lareira. E ali vou corredor fora, que nem uma alminha o outro mundo de vela na mão.

O meu caro irmão: AIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII, uma luz!!!!
Todos: AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH, que é isso?

Eu: ???????????

Pensavam que a cozinha estava a arder. 

E depois disto caiu granizo, o piquete para lá anda a fazer o melhor que pode com umas lanternitas debaixo desse gelo, e eu acabei por sair para poder publicar alguma coisa e ver luz porque hoje descobri que a carreira de morcego ou de vampiro não me serve. Aquele cliché piroso "só damos valor à luz quando ela se apaga" é a mais pura verdade!

My fine friends, o Imperatriz está  a chegar à 2ª fase da eleição Blogs do Ano 2012 e precisa MESMO dos vossos votos até dia 19! Por isso, se acham que merece o  incentivo dos leitores mais fofos e respeitáveis de toda  ablogosfera, 
continuem a votar até amanhã à meia noite nas categorias "Moda" e "Generalista"aqui e a passar a palavra. Much gratitude!

                           






Vestiste-te às escuras?



Sim. Foi isso mesmo que aconteceu. E digo-vos, não tem piada nenhuma. A ver se amanhã arranjo uma imagem do resultado para vos mostrar. Calha-me cada façanha não requisitada que só a mim.

Friday, January 18, 2013

Pasmem! A nova novela da TVI...

                             
                                              
... é sobre duas gémeas, uma rica, outra pobre, que não sabem que são gémeas e trocam de identidade. A ideia para o esquema é, como não podia deixar de ser, da gémea rica e malvada que precisa de se esconder por causa de uma tramóia; nem pensar que fosse a gémea humilde a lembrar-se de tal, pois essa, comme il faut, é muito boazinha e na altura da troca perdeu convenientemente a memória num acidente que veio mesmo a calhar. Os ricos são glamourosos e quase todos mauzinhos que se fartam, os pobrezinhos são praticamente todos fofos, fora um que é bruto e um ou outro que é ambicioso, porque tem de haver desses em todas as novelas. Já se sabe que a gémea boazinha, porque é tão amorosa e santinha, vai conquistar, usurpando com autorização a identidade alheia, o marido e toda a família da gémea má, acomodando-se a uma vida de luxo e lazer. E que a outra, algures lá para o meio da estória, vai achar que  a troca foi péssima ideia e reclamar a sua vida de volta, fazendo a vida negra à irmã gémea usurpadora que não sabe que é irmã; mais tarde descobre mas isso não importa nada, a maldade vai-a tornando cada vez mais maluca até que acaba espatifada num desastre aparatoso ou numa camisa de forças, deixando o caminho livre para a mana- burlona - involuntária ser feliz para sempre. Revolucionário! Do outro mundo! Se já não tivesse visto isso em qualquer parte eu, que não sou grande espectadora de novelas, ia ficar coladinha ao écrã com um argumento tão inovador e espantoso, e saltar da cadeira a cada reviravolta do enredo.
 Já se sabe que as isto das novelas é um pouco como os Contos de Fadas, que são classificados por categorias e números, de tal modo os argumentos, elementos e alegorias se parecem entre si e se repetem em histórias diferentes. Apenas, nos contos podemos imaginar as princesas, as bruxas e todas as outras personagens com a cara que quisermos (ou que o ilustrador se tenha lembrado de fazer) enquanto que numa novela da TVI, temos o mesmo elenco e as mesmas caras produção sim, produção sim...É como se a Rita Pereira interpretasse sucessivamente a Bela, a Bela Adormecida, a Polegarzinha, a Branca de Neve, a Pequena Sereia e mais uma data de heroínas anónimas com destinos horripilantes que não me ocorrem agora (havia de ser giro, queria ver como a TVI descalçava a bota com as versões originais dos contos de fadas, que metem mesmo medo e não são para horário nobre).
 Nada contra, é assim que funciona e os actores precisam de trabalho. Só estou a avisar, senhoras que gostam do formato, para não ficarem à espera de uma coisa muito surpreendente e depois apanharem uma desilusão. É que até os títulos destas produções são quase impossíveis de distinguir uns dos outros - talvez tenham mesmo de as numerar. Destinos Cruzados, acho que é assim que se chama esta - e a única coisa inesperada que tem é a Maria João Bastos, que normalmente é um exemplo de elegância e comportamento modesto, a fazer de cantora pimba ... desta nova "leva" de intérpretes do género que cantam como a  Ruth Marlene mas vestem como a Rihanna se vestia antes de ganhar juízo e mudar de visual. Ora aí está uma coisa que não se vê todos os dias...

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E se o João da Ega tivesse um blog?

João da Ega como Mefistófeles (nessa série sacrílega que fez grandes tropelias 
com o enredo e caracterização d´Os Maias, mas como não encontrei nenhuma ilustração do João da Ega, terá de servir... )
Isto de imaginar como seria se autores ou personagens que adoro tivessem um blog (por obra de qualquer fenómeno que baralhasse o espaço, o tempo, a realidade e a ficção) diverte-me bastante. Já aqui partilhei a delícia que eu imagino que seria, pudessem Eça de Queiroz, Oscar Wilde ou Shakespeare  blogar no seu tempo. Todos sabemos que com todo o seu génio acutilante e cínico, os seus assomos romanescos e a sua excentricidade algo ingénua, o Terror de Celorico nunca chegou a concluir as "Memórias de um Átomo" tão pouco "O Lodaçal", trabalho de escárnio e mal dizer que tencionava publicar para se vingar da sociedade lisboeta, que lhe virou as costas quando foi expulso do baile dos Cohens vestido de Mefistófeles. Sem ofensa a nenhum blogger, a blogosfera é terreno fértil - ou ferramenta útil - para diletantes mais ou menos inspirados. O seu formato presta-se a isso, sem que haja necessariamente mal na coisa, estando o factor qualidade dependente do talento do autor e da linha editorial, se existente, desse canto blogosférico.  Um post pequeno pode ser um excelente post. Blogs não vivem de um enredo, de um número mínimo de páginas, de um encadeamento lógico ou cronológico. Um blog dá trabalho, mas é excelente para quem não pretende escrever tudo de uma vez. Faz-se por gosto e se for dos bons, exige gosto e espírito... e o caro John tinha-os de sobra. Tenho para mim que Memórias de um Átomo seria um estupendo blog, embora me pareça que algures pelo caminho, pela variedade de conteúdos, veria o seu nome mudado para Je suis Mephisto ou algo parecido. Hoje a minha criatividade não está naqueles dias, mas passam-me pela ideia alguns posts mais populares:

- Looks do dia: afinal, João era um dandi e podia ensinar umas coisas a alguns "bloggers de moda" da nossa praça. O mais famoso seria decerto o "extraordinário casaco" vestido com o único intuito de "impressionar o nativo". "Uma sumptuosa peliça de príncipe russo, agasalho de trenó e de neve, longa, com alamares trespassados à Brandeburgo (...) uma rica e fofa espessura de peles de marta"....

- Pilhérias amigáveis dirigidas ao Tomás de Alencar (imaginem a caixa de comentários).

- Publicação, na íntegra, da infame carta do Dâmaso "sou um bêbado, estou sempre 
bêbado...". (E já agora, a Corneta do Diabo do Palma Cavalão também podia ser um blog, odiado, temido e de conteúdo reles...).

- Ditos extravagantes contra a moral e bons costumes estariam fora de questão porque a moral e os bons costumes andam pelas ruas da amargura, mas estou a vê-lo a satirizar todo o status quo da blogosfera e a desafiar descarada e insultuosamente todos os bloggers que considerasse "uns asnos" no firme propósito de escandalizar, e a atacar todas as causas fofinhas que por aí andam.

- Desabafos mais ou menos velados e odes ao "Lírio de Israel", Raquel Cohen, melhores quanto mais "entornado" e desgostoso estivesse o Terror de Celorico.



Síndrome Lance Armstrong

                            
O ex ciclista superstar admitiu, com a maior transparência (ou desfaçatez?) ter recorrido a substâncias ilícitas para optimizar o desempenho durante boa parte da sua carreira. Segundo o próprio, o doping parecia-lhe, na altura, a coisa mais natural deste mundo. E por estranho que pareça, acredito perfeitamente que nesse aspecto esteja a dizer a pura verdade. 

O que mais tenho visto é gente a boicotar os próprios objectivos (a carreira, o casamento,uma relação, uma meta...) fazendo tudo o que pode para os arruinar e regalando-se a cometer, uma e outra vez, erros que vão contra as regras estabelecidas para lá chegar, sem respeito algum por quem está à volta...nem pelo que é bom para si mesmo (a) . Não pensei nisso; uma coisa não tem nada a ver com a outra; toda a gente o fazia; sou um bode expiatório; a intenção era boa; tinha tudo controlado...são as desculpas mais comuns. E depois admiram-se muito com as consequências, ou dizem que os outros é que são exagerados. É como se alguém quisesse perder peso fazendo uma dieta de fritos, bombons, bolachas e hidratos de carbono e no fim, ainda se queixasse de "engordar com o ar". 

O doping é algo que não consigo compreender. Não sou ingénua a ponto de pensar que tudo se faz honestamente neste mundo. Por exemplo, que uma editora compre milhares dos próprios discos para que cheguem ao Top - e assim fazer com que sejam ouvidos pelo público - não é louvável nem honesto. É batota sim, uma forma de corrupção num sistema cheio de lacunas. Mas o disco em si não se torna pior nem melhor por causa disso, é na forma de o promover que está a desonestidade. No caso de um atleta, em que o que se pretende provar é a sua força, resistência, destreza...é paradoxal alterar precisamente as características que estão em jogo, justamente as que os classificam como atletas de topo. No mundo da música, o doping equivaleria a um caso Milli Vanilli.  É desonrar a própria farda, desvirtuar a sua arte, cuspir sobre tudo o que se defende.

E no entanto,  há quem o faça a todo o momento, em todas as áreas da vida, e não ache nada de confuso ou contraditório nisso - não repare sequer que está a mentir, ou reconheça que o que faz é da sua responsabilidade, errado e contra as regras do jogo que representa com tanto alarde.  Há muitos Lance Armstrong por aí...e é dificílimo falar com eles, negociar com eles ou chamá-los à razão.  A falta de consciência é mesmo uma coisa complicada.

Atenção, lo and behold!


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Thursday, January 17, 2013

Flash, ah-aaaah!

                              
Ontem revi, ao fim de muito tempo, Flash Gordon - uma das películas que marcou a minha infância, apesar de ter sido feita antes de eu nascer. O meu primo tinha o vídeo e era um daqueles filmes que acarinhávamos e repetíamos vezes sem conta.  Nunca fui grande apreciadora de ficção científica, mas Flash Gordon tinha um ambiente quase de Swords and Sorcery, tinha a música dos Queen...e claro, Sam Jones parecia-me um dos rapazes mais bonitos do mundo. Com aquele ar de betolas simpático, all american boy, corajoso e de bom coração eu achava-o, na minha inocência, o mais próximo de um príncipe (encantado, não dos normais) que já tinha visto. Depois havia a Princesa Aura, bad girl que eu achava simplesmente o máximo: era lindíssima (Ornella Mutti, nem mais) ardilosa e manipulava os homens à sua volta como peões num tabuleiro de xadrez. 

Até ontem mantive a impressão de Flash Gordon ser um filme que só tinha graça para crianças, mas foi uma agradável surpresa vê-lo com outros olhos - até porque há certas alusões que, por estarem feitas com certo bom gosto, só os adultos entendem (falo por mim...naquela idade 
passaram-me despercebidinhos de todo os momentos mais sexy do filme). Na sua estética muito kitsch e própria (o cinema tinha outra graça antes de o malfadado exagero do CGI transformar todo e qualquer enredo com efeitos especiais num videogame barato...) é totalmente despretensioso, tem uma excelente direcção de actores, bons diálogos e um elenco que inclui Timothy Dalton  - giríssimo como Príncipe Barin, e com uma química incrível com Ornella Mutti -  Topol e o actor shakespeariano Brian Blessed. Também confirmei a minha opinião quanto ao bom parecer de Sam Jones, o Flash -ah -ahhhh! *com vozes a imitar as dos Queen*. O ar inocente e um bocadinho tonto, a aura de herói perfeito e os olhos dourados faziam realmente dele um verdadeiro Príncipe Encantado. Só uma coisa mudou: desta vez achei que a Princesa Aura ficou melhor com o Príncipe Barin, que no quesito Encantado não ficava atrás e ao menos, já lhe conhecia as manhas e impunha alguma contenção. O pobre Flash Gordon, nas mãos dela, ia ser um infeliz. Mas isso são perspectivas sensatas, que ganhamos quando começamos a tomar os factos da vida com um grão de sal.

Por favor, meus anjos, lembrem-se de ser queridos e votar hoje no Imperatriz aqui, nas categorias "Moda" e "Generalista" . Se acham que esta vossa amiga desenvolve um bom trabalho, deixem também o vosso voto aqui, onde se vai eleger a (o) blogger de mente mais trabalhadora, cósmica e fenomenal. Muito obrigada :*****

Quando eu for grande...

                                                  
...quero ser como Jane Seymour. Aos 61 anos continua linda de morrer, com um corpo que tomariam muitas de 20 e um visual jovem sem, no entanto, ceder à tentação de se vestir como uma jovenzinha. A actriz conseguiu um equilíbrio difícil - ter uma pele óptima sem aparentemente recorrer a intervenções estéticas que só fazem pior, manter o mesmo look mas actualizando-o com o passar dos anos, sem se transformar numa matrona nem numa caricatura de si própria. E quem disse que depois de certa idade uma senhora tem de cortar ou prender o cabelo? Acho que uma pessoa deve avançar no tempo graciosamente e o melhor possível, sem no entanto acordar um belo dia e ver ao espelho uma avó de totó e óculos na ponta do nariz...

Dress code: look profissional sem constrangimentos

                                 
 Os figurinistas de séries como "Body of Proof" e "Bones" fizeram um excelente trabalho. Ambas  são inspirações óptimas  para looks profissionais chic e actuais, sem nada de "pesadão" ou desleixado.

Sempre que vou ao banco, há algo que me salta à vista: a falta de graça e de aprumo no visual da maioria das funcionárias. Embora o dress code as obrigue a usar tailleur ou algo que remotamente se pareça com isso, o resultado raramente é satisfatório. Outro caso  dá-se em profissões como a advocacia, em que "é suposto" vestir de forma "elegante" e "clássica" - o que pode ser interpretado de muitas maneiras - sendo que em vários casos, a fatiota traduz tudo menos a discrição e seriedade que o ofício exige que se aparente.

 Muitas vezes existe um código de vestuário, mas (salvo no caso dos uniformes) longe vão os tempos em que a forma de o utilizar era alvo de inspecção por parte das próprias organizações. Assim, um (a) colaboradora (a) poderá ser avisado (a) se vestir roupa demasiado casual em certas empresas ou instituições, mas dificilmente lhe será apontada a melhor maneira de se apresentar correctamente nesse estilo. A tarefa fica ao critério de cada um e quem não foi habituado, não se interessa por moda ou prefere um estilo muito descontraído pode sentir algumas dificuldades em apresentar "o ar certo" e sentir-se mesmo desconfortável. E estar desconfortável é a pior coisa que se pode fazer em termos de visual, porque não só incomoda o próprio, como se nota à distância.



  Há ainda quem não esteja acostumado a usar tailleur, fato ou mesmo traje sóbrio e caia no erro de o fazer, à pressa, quando começa a ir às primeiras entrevistas de emprego.

  O look maçarico "esta é a minha 1ª entrevista e nunca vesti um fato na vida" é das coisas mais fáceis de detectar: por exemplo, maquilhagem pesada, tailleur demasiado rígido ou largo e/ou de má qualidade acompanhado de cabelo esticado, mas não como deveria (para elas) fato estilo vendedor de  banha da cobra e demasiado gel no cabelo (para eles).
   Pior, pessoas assim costumam desleixar-se quando conseguem o emprego desejado e logo que o stress do mesmo as assalta; o visual "esforcei-me demasiado" passa facilmente a roupa amarrotada, sapatos escolhidos ao acaso, camisolas de malha estampada sobre tailleurs e outros faux pas que dão um aspecto pouco cuidado.

Desastres comuns...e dicas para os evitar:

- "Fazer o enxoval" de roupa-adequada-para-trabalhar todo de uma vez, às três pancadas e à pressa, vulgo "começo para a semana!". É má receita porque fica caro, dificilmente encontrará o que procura (principalmente se não souber exactamente o quê, nem onde procurar) está sujeito (a) à oferta que houver nas lojas nesse preciso momento (o que é dispensável quando se trata de roupa clássica, que não passa de moda tão facilmente) não tem tempo para mandar adaptar certas peças na costureira... e muito menos, de as usar um par de vezes para se adaptar a elas.

- Sempre ouvi dizer que uma pessoa deve vestir-se não para o lugar que ocupa mas (dentro do razoável) para o lugar que ambiciona. Considere o seu guarda roupa como um investimento a longo prazo. Vá estando atento (a) à oferta das diferentes marcas, a dicas de pessoas cujo estilo aprecia, observe revistas ou consulte mesmo um personal shopper com provas dadas. Depois, de acordo com o seu tipo de corpo e estilo, vá comprando uma camisa agora, um fato mais tarde, um sapato aqui, um vestido ali, e habitue-se a usá-los (pode ir treinando quando tiver um evento que exija traje social, já que certas toilettes, com as devidas adaptações, se prestam a ambas as circunstâncias). Os saldos e promoções são óptimos para se abastecer de peças assim.                                                       
        
- Saltos demasiado altos: para quem trabalha numa revista de moda poderão ser aceitáveis consoante as tendências, mas em geral há que evitar sapatos que usasse para uma recepção, gala ou para sair à noite. Stilettos ou pumps assassinos no local de trabalho não só são desconfortáveis, provocando um andar estranho (principalmente se não estiver habituada) como transmitem um ar de pouca seriedade, estilo secretária totó de filme para adultos que se transforma em vamp mais minuto, menos minuto. Se forem muito bonitos e relativamente simples, pode usá-los nas festas da empresa. Pumps ou scarpins razoáveis são uma escolha mais sensata para dias normais. Os kitten heels, desde que ligeiramente compensados, também ficam amorosos com calças cigarrette e certas saias, para quem tem pernas elegantes.

- Igualmente comum, e muito mau, é ver senhoras usar um fato com mocassins rasos de camurça ou com botas grosseiras. (Não é impossível incorporar botas numa toilette clássica, mas é uma escolha arriscada). Se optar por flats ou outro calçado confortável, escolha umas bailarinas, uma plataforma elegante quase invisível (semelhante à do peep toe abaixo) ou outro modelo delicado. Formas ligeiramente bicudas alongam sempre a figura, mesmo que o salto seja baixo.
                                                     

- Tailleurs ou fatos de má qualidade: se há peças em que um material menos bom pode passar despercebido, esta não é uma delas. Nunca me hei-de esquecer de uma certa Relações Públicas algo rechonchuda que usou um tailleur verde-musgo de tecido elástico e calças curtas, ligeiramente brilhante ao sol, que enrugava e marcava todas as curvas e gordurinhas.

 Isso nunca pode funcionar: prefira as cores básicas (preto, cinza, azul escuro) e modelagens simples, sem fantasias (calça cigarrette, calça solta e saia lápis) e materiais de confiança, sem brilho nem elasticidade. Poderá ter um blazer mais curto e outro mais longo, um fato claro e um escuro. A quantidade dependerá do seu orçamento e do valor-por uso, mas se possível, escolha alguns que possa coordenar entre si e que condigam com as suas blusas, tops e camisas. O mesmo vale para os cavalheiros: evite materiais estranhos e jamais compre fatos sem os mandar ajustar na loja ou num bom alfaiate. Estes são uma ciência em si mesmos - e a abordar noutro post,  - mas em geral há que evitar tons demasiado escuros (que exigem qualidade, prática e experiência para resultar como devem no uso quotidiano) ombros demasiado largos ou justos e bainhas mal calculadas, como é óbvio.

- Cingir-se ao fato de duas peças, no caso das senhoras: é sempre limitado e para quem o usa diariamente, é necessária uma quantidade razoável. Vestidos elegantes (óptimos porque não precisa de coordenar tantas peças) com uma écharpe, se tiverem mangas compridas, ou sob um blazer, saias lápis ou linha A com um bom casaco (o estilo Chanel ou belle époque é óptimo) e blusas femininas são exemplos de roupas que pode combinar para fazer toilettes clássicas e aceitáveis.

- O efeito "hospedeira de classe económica" ou seja, blazer escolhido ao acaso, que fica largo nas costas, e um lencinho amarrado ao pescoço em laçarote. Lenços e écharpes são dos melhores e mais versáteis acessórios, mas têm de ser de boa qualidade. Se forem e parecerem sintéticos, o efeito é atroz. Também há muitas maneiras graciosas de os usar, com naturalidade - fuja do  visual "caricatura de senhora bem", especialmente se esse não é o seu estilo habitual.  

- Cuidado com as calças: além da qualidade do tecido, fatos, blazers e calças têm de cair na perfeição. É preferível comprar dois fatos melhores a vários de qualidade duvidosa. As calças, mesmo as compradas separadas, são das coisas mais complicadas de escolher e nem sempre as grandes cadeias são a melhor opção, porque têm o péssimo hábito de fazer calças clássicas com cinturas muito descaídas. Resultado: não servem para nada. Exigem cinto para não cair (o que só complica e faz volumes por baixo da roupa) não seguram as camisas e muitas vezes, especialmente nas senhoras mais fortes, esborracham, comprimem e multiplicam toas as gordurinhas. Se o tecido for fino demais, pior ainda. Prefira calças de gancho normal a subido (sem exageros que nem sempre estão na moda e a impedem de sentar-se) para acomodar tudo no lugar.

- Malhas no local errado: não há necessariamente erro em usar um pullover elegante sob um blazer (para os cavalheiros) uma camisola fofinha em vez de uma camisa sobre uma saia para as senhoras, um twin set ou mesmo um cardigan para substituir o blaser ou casaquinho de tweed. Mas não caia na tentação de usar uma camisola qualquer sobre um calça casaco e pronto, está salva a honra do fato. Se gosta de malhas escolha-as finas, de excelente qualidade, que não piquem e de preferência lisas, para que tudo bata certo. Mantenha-as sempre em bom estado. Pode acessorizar com um colar de pérolas. 

- Boa cara: é certo que a roupa clássica compõe um visual elegante sem muito esforço, mas o reverso da medalha é que se quem usa tiver o cabelo descuidado ou cara de quem saiu da cama o contraste é muito maior. Há dias fui atendida por uma jovem muito simpática, de fato...e com o cabelo sujo apanhado num rabo de cavalo. Maquilhagem (básica) cabelo, pele, sobrancelhas e unhas devem estar imaculados, com simplicidade. Nail art exagerada, e tudo o que distraia quem fala consigo, também não é boa ideia.





Wednesday, January 16, 2013

Dancing in the street



Parece que agora é moda pôr-se a dançar ao som do Ipod no meio da rua, perante a indiferença, espanto ou simpatia de quem passa, gravar a brincadeira e colocar no Youtube.
  O vídeo fez-me sorrir, porque a ideia de fazer coisas inesperadas num cenário banal do dia a dia sempre me divertiu. Nunca participei numa flashmob (há algumas com graça, e se isso existisse quando andava no liceu talvez aderisse) mas já me aconteceu estar com outras pessoas numa festa chata, começar uma música de fazer saltar o pé, abana-se um, 
abana-se outro, um não resiste, eu não resisto e por causa disso mais alguém se atreve, pois a dança é como o riso; e dali a  nada o bicho da bailação parece contagioso e todos, novos e velhos, convidados e pessoal, desatam numa animação que quase faz voar mesas, bandejas e louça, e eis que uma reunião chocha se transforma num divertidíssimo motim, tal e qual o conto infantil

Apenas, no caso destes vídeos não há um instrumento mágico, mas um aparelhinho minúsculo...
 Quando estudei na Holanda espantou-me o à vontade daquela gente, que não se ensaiava de cantar no meio uma loja, ou em plena rua se lhe apetecesse, acompanhando a cantoria com uns passinhos de dança. Talvez seja essa descontracção, que os portugueses só têm de vez em quando, que faz falta a este país - embora os tempos não vão oficialmente para folias, um pouco de vá de folia e de trovas não fazem mal a ninguém... You can dance if you want to, you can leave your friends behind, ´cause your friends don´t dance and if they 
don´t dance well they are no friends of mine...

Havia na terra

Um homem que tinha
Uma gaita bem de pasmar
Se alguém a ouvia
Fosse gente ou bicho
Entrava na roda a dançar

Um dia passava
Um sujeito e ao lado
Um burro com louça a trotar
O dono e o burro
Ouvindo a tocata
Puseram-se logo a bailar

Partiu-se a faiança
Em cacos c'o a dança
E o pobre pedia a gritar
Ao homem da gaita
Que acabasse a fita
Mas nada ficou por quebrar

O Juiz de fora
Chamado na hora
"Só tenho que te condenar
Mas quero uma prova
Se é crime ou se é trova
Faz lá essa gaita tocar"

O homem da louça
Sentado na sala
Levanta-se e põe-se a saltar
Enquanto a rabeca
Não se incomodava
A sua cadeira era o par

Pulava o jurista
De quico na crista
Ninguém se atrevia a parar
E a mãe entrevada
Que estava deitada
Levanta-se e põe-se a bailar

Vá de folia
Vá de folia
Que há sete anos
Me não mexia

Virar o jogo, parte I: encarar a crise com estilo

                               
Se a vida nos dá limões há que fazer limonada ... e se possível, juntar-lhe champagne. Acredite-se ou não que a fé, o pensamento positivo, a astrologia, a sorte, o condicionamento mental, a iniciativa e outras "ferramentas" mais ou menos misteriosas nos dão um certo controlo sobre os acontecimentos, há ocasiões em que não temos outro remédio senão seguir a corrente, contar as bênçãos e fazer o melhor possível com o que temos. Há males que vêm por bem, certos milagres chegam disfarçados de chatices, não há crise que não esconda uma oportunidade, certos desejos têm maneiras esquisitas de se realizar (e causam muitas maçadas até que isso aconteça) quando se fecha uma porta abre-se uma janela (e às vezes, vice versa, o que é melhor ainda) Deus escreve direito por linhas tortas...e para quem crê nisso, uma má fase pode ser o Universo a falar connosco ou a apontar-nos outro caminho. Haja saúde que o resto faz-se!
   Tudo na vida pode ser bem ou mal utilizado, cabe-nos decidir a volta que damos às coisas. Até podemos não escolher as circunstâncias, mas temos poder sobre a nossa reacção a elas. Assim, sem querer armar em guru (havia de ser bonito...) aqui ficam algumas ideias para encarar os aborrecimentos por outro ângulo. Comecemos pelo aborrecimento número um, que tem o condão de incomodar tudo e todos: a malfadada e assustadora 

Crise
Poucos  são os felizardos que não se sentem afectados pela crise mais chata, peganhenta e mediática desde 1900 e bolinha. É deprimente ver todos os casos dramáticos que as notícias vão mostrando (ou que se desenrolam diante dos nossos olhos incrédulos, afectando mesmo famílias de classe média) e pensar que tão cedo, não nos livraremos dela. Mas também isso há-de passar. Para alguns, esta é uma excelente oportunidade de investir, mas para quem não tem essa possibilidade, há formas mais acessíveis de lidar com a situação. Numa época de materialismo desenfreado, é bom lembrar que:

- Muitas personagens ilustres passaram por situações parecidas, ou piores, e sobreviveram.  Pense em reis exilados ou nas famílias sulistas do antebellum que perderam tudo na Guerra Civil: a tradição era tudo o que lhes restava, por isso faziam "festas da fome" em que reuniam os amigos para beber chá aguado nas chávenas rachadas que tinham sobrado das suas ricas faianças. Como já não podiam sustentar carruagens, deixavam-nas para os novos-ricos rapaces que tinham lucrado  com o conflito: as senhoras da melhor sociedade iam orgulhosamente a pé para toda a parte, usando botas rijas e levando na mão elegantes "sacos para transportar sapatos" para calçar os pares delicados dentro de portas. Até tudo se recompor, andar de carruagem, estrear vestidos caros e fazer extravagâncias passou  a ser mal visto e de mau gosto: ninguém o queria fazer mesmo que tivesse dinheiro, para não ofender os amigos em pior situação. Solidariedade, sentido de comunidade e do próprio valor, um certo "heroísmo fingido" e adoptar uma moldura mental que lhe recorde quem realmente é e para onde vai são estratégias para não se afligir tanto.

- Ficar sem emprego é terrível. Mas se a situação não é desesperada, pode ser de facto uma ocasião para reflectir sobre a sua carreira, procurar algo que valha a pena, fazer novos contactos, trabalhar por conta própria, organizar um portfólio ...em suma, ter tempo e disponibilidade para investir na carreira ou área que realmente o (a) apaixona, e onde as suas capacidades sejam  apreciadas. Já que as circunstâncias obrigam a isso...a necessidade aguça o engenho. E se tinha um chefe horrível ou colegas que lhe faziam a vida negra...pense que já não fica a tremer quando se aproxima a Segunda-feira, apoie-se na vantagem da tranquilidade mental e vá à luta!

- Relativamente à imagem pessoal, o melhor look é o simples, elegante e cuidado - e isso não é necessariamente dispendioso. Deixe as tendências um pouco de parte, aposte em visuais e silhuetas que não passam de moda e ninguém dirá que "está falida", apenas que adoptou um  polido, eterno e very smart estilo Bon Chic Bon Genre, com desprezo por todas as modernices supérfluas. Ponha em uso as roupas de griffe que usou só uma vez ou duas, o relógio de designer que lhe ofereceram e em que raramente repara, ou aquele vestido especial - preste atenção ao que já possui, e usufrua disso antes de se lançar em busca de coisas novas. O minimalismo, o zen, o snobismo rebelde de quem se está nas tintas, a ascese e o chic pauvre são outras ideias que pode interiorizar e aplicar para imprimir verdadeiro estilo e motivação à sua "operação poupança".

- Aprenda a maquilhar-se, pentear-se e outros procedimentos estéticos. Em muitas culturas, isto fazia parte da educação de uma dama (mesmo que mais tarde pudesse contar com aias, convinha sempre saber). Não quer dizer que prescinda completamente dos serviços do seu cabeleireiro... mas se souber fazer o básico, estará apresentável todos os dias, mesmo quando não visita o salão, e evitará gastos desnecessários. Usar uma placa de alisar não é exactamente física quântica.

- Trate de gastar até ao fim os cosméticos, produtos para o cabelo e maquilhagem que andam por ali a ocupar espaço, a ganhar pó e a passar do prazo, antes de ir comprar outros. Hoje há tantas opções, algumas boas e baratas, que a tentação de experimentar a novidade sem de facto usufruir dela é enorme. Mas tudo isso, mesmo que pareça pouco, representa dinheiro. É bom saber e utilizar o que se tem. Aproveite a ocasião para fazer uma lista dos produtos que realmente não dispensa e que fazem milagres por si. É preferível não variar tanto, mas ter um "arsenal" de confiança.

- Já que não pode ir tantas vezes ao shopping, invista no "indoor shopping": se cortou nas compras e saídas de fim-de-semana, aproveite esse tempo para reorganizar de alto a baixo o seu closet: retire o que já não usa, já não serve, separe o que realmente quer usar, o que deve reformar na costureira (se tem jeito para a costura, melhor) e o que, vejam só, voltou a fazer parte das tendências vigentes e pode lindamente vestir-se agora. Assim mata dois coelhos de uma vez: livra-se da tralha e fica com um guarda roupa "novo". Ter coisas fora de circulação afecta a qualidade de vida e para quem acredita em feng shui ou magia, "sufoca" a sua capacidade de receber mais prosperidade, boa fortuna...e roupas novas. 

**** De há uns anos a esta parte surgiram (ou voltaram) formas e silhuetas diferentes, que permitem usar novamente peças postas de parte: os cintos sobre tops, blusas ou camisas (impensáveis em tempos, mas que agora reciclam partes de cima "largueironas") cinturas mais subidas, ideais para usar por dentro camisas ou tops que ainda são bonitos mas que encolheram inevitavelmente; camisas com nós ou sobre tops sem alças; saias de todos os comprimentos; camisolões largos; casacos oversized; roupas brilhantes dos anos 70/80; carteiras clássicas (na moda desde que a Birkin, considerada antiquada no início da década de 90, saltou para os holofotes pela mão de Carolyn Bessette Kennedy e outras celebridades...) jeans clássicos dos anos 90 que  eram considerados sacrílegos e de repente são "fashion"...tudo isto, e mais, são peças que muita gente ainda tem "arquivadas" em casa, ou em casa de parentes. Também há maior liberdade nas misturas de padrões e nas formas dos sapatos. Inspire-se nos blogs de street style internacionais e veja de que modo pode adaptar as suas tralhas. O vintage, o retro, a reciclagem, e as vendas de garagem ou solidárias são outras maneiras de arranjar tesouros, ou de dar destino ao que já não usa mesmo. O que estiver em bom estado mas já não quer, doe ou ofereça. 

- Faça algo parecido com os seus livros, móveis antigos, utensílios de cozinha...pratique a reciclagem, a reforma de objectos, o do-it-yourself,  a troca e a reutilização: livra-se dos monos inúteis, arranja espaço para as coisas que realmente aprecia e enquanto o faz não cede à pressão de "comprar, comprar, comprar". 

- Se teve de dispensar a senhora da limpeza...bom, isso é chato para si e muito mais chato para a dita senhora. Mas o que não tem remédio, remediado está, e assim como assim há questões de organização que não podem ser resolvidas por pessoal especializado: aproveite para proceder às operações acima, e para deixar a sua casa o mais operacional possível ...o que facilitará tirar o máximo partido quando puder voltar a contratar ajuda.

- Se tem espaço, jardine: plante um canteiro de ervas aromáticas (assim não tem de gastar combustível porque de repente se acabaram os coentros) e algumas árvores de fruto no jardim. Tomate cherry, limões, mirtilos, physalis...não exigem muito trabalho.

- O sushi (inventado pelos pescadores japoneses para conservar o peixe mais tempo) a pizza (criada pelas mães italianas para aproveitar "o que houvesse em casa") a bola de carne (feita pelas mesmas razões por donas de casa portuguesas) e a açorda (fazer milagres com pão duro, coentros e o que estivesse à mão) foram só algumas das iguarias  que surgiram não por luxo, mas por necessidade. Se não pode ir jantar fora tantas vezes, ponha à prova os seus dotes culinários, desenterre o livro de receitas da sua avó e receba os amigos em casa. Também é boa ideia experimentar coisas novas (acompanhar as refeições com vegetais salteados ou grelhados em vez de batatas e mais batatas, pão e mais pão) fazer bolos em vez de comprar pastéis e reduzir a compra das guloseimas que só engordam. A crise é uma desculpa tão boa como qualquer outra para enxugar gordurinhas.

- Se tem de reduzir as saídas à noite, faça como antigamente e "receba" ou seja "recebido" por amigos. Porque não reviver as tertúlias e soirées do século XIX em que se fazia música, se conversava, e se usufruía da casa?

- E por falar em usufruir da casa ... porque não passar mais tempo no seu cantinho, onde investiu tanto? Lareira, TV Cabo, lençóis fofinhos, internet...tudo isso são coisas que lhe custaram ou custam dinheiro. Tem realmente tempo para as gozar?

- Ter menos dinheiro não é necessariamente uma despromoção social (nesta altura do campeonato toda a gente está mais pelintra, por isso ninguém pode fazer pouco de ninguém...) e não deve ser uma desculpa para tornar-se menos gentil ou mais egoísta. É nas conjunturas feias que se vê realmente quem tem educação, chá e bons sentimentos. Uma pessoa "refinada" não deixa de o ser por uma questão tão transitória como o dinheiro. Aliás, é de má educação andar sempre a falar no vil metal, por isso, antes de mais, não deixe que essa questão lhe provoque mau estar (já chega o stress de pagar as contas!).

 (CONTINUA...)

Sê-lo ou parecê-lo: expensive x cheap

                       
Uma frase muito usada por stylists, personal shoppers e produtores de moda é "it looks expensive!", elogiando uma peça de roupa que, tendo um custo elevado ou não, pareça luxuosa e bem acabada. A expressão também pode aplicar-se a um look, ao cabelo ou a alguém que no todo tem bom ar. Certas pessoas parecem sempre impecáveis, distintas e sofisticadas usem o que usarem, mesmo a passear o cão ou a fazer compras no supermercado pela manhã, com roupas que aparentemente não têm nada de especial. Nem todos podemos ser como Grace Kelly (a 100%, pelo menos) mas por trás do visual composto de certas celebridades ou indivíduos com estilo há mais que boa genética e berço - atenção, conhecimento e um pouco de disciplina são ingredientes chave para um aspecto "dispendioso" e elegante. Além disso, todos sabemos que dinheiro não compra gosto: como qualquer forma de poder, os recursos financeiros ilimitados agem como uma lupa, e se quem os tem for desprovido de sentido estético, é pior a emenda do que o soneto...

            
      Natalie Portman, Gwyneth Paltrow e  Angelina Jolie são mulheres que, cada uma no seu estilo, 
     fazem as roupas mais simples parecer  dispendiosas. 

 A frase batida "há quem use Zara e pareça Prada, e vice versa" é cada vez mais verdadeira. Há quem por ter gosto, know-how e uma figura graciosa consiga fazer milagres com um orçamento controlado...e as figuras públicas que integram sistematicamente as listas das  mais mal vestidas, mesmo com acesso a toda a ajuda de profissionais. Por um lado, as marcas acessíveis têm-se aprimorado, oferecendo opções de maior qualidade. Por outro, embora griffes prestigiadas sejam (ou devam ser) um bom indicador para comprar produtos de confiança, é preciso ver que por questões de lucro, de criatividade ou para agradar a determinados públicos, cedem por vezes aos materiais sintéticos ou a designs algo...experimentais, para não dizer duvidosos. Recordo-me de um vestido Dior que me entusiasmou muito...até o ver de perto e perceber que o tecido era muito fino e sem forro. Por fim, a Moda é um negócio - e como tal, importa alimentar a máquina das tendências, gerando constantes novos "objectos de desejo"  passageiros que não favorecem toda a gente.

Por desleixo ou falta de sensibilidade para o seu tipo de corpo, Britney Spears, Christina Aguilera e Alicia Keys não tiram partido do acesso privilegiado a roupas fantásticas.

 Assim, roupa, calçado e acessórios sofrem do complexo Mulher de César: não basta que seja caro, é preciso parecê-lo. Ou antes, mais do que ser caro, convém que pareça caro...e acima de tudo, que dentro do seu preço, tenha a melhor qualidade possível
 Por parecer caro, não se entende, antes pelo contrário, o uso de logótipos, monogramas ou publicidade à marca de forma visível. O que se procura são peças com caída perfeita, confortáveis ao toque - a qualidade sente-se, nota-se à distância. Quem sabe usar coisas boas da forma correcta  projecta uma imagem de confiança inabalável, sem se esforçar demasiado. De que serve gastar uma fortuna em roupa se ela continua a parecer barata?

Para evitar maus investimentos e manter um aspecto polido, é boa ideia: 

- Reparar nos detalhes e acabamentos (botões, costuras, bainhas...).
- Arranjar uma boa costureira. Nada cai tão bem se não for adaptado a si.
- Não complicar: peças simples e bem acabadas são a base de tudo. É muito mais fácil acessorizar um look básico, imprimindo-lhe estilo, do que suportar com elegância um visual kitsch. Poucas pessoas o conseguem.
                              
Gwen Stefani suporta muito bem looks irreverentes, ao contrário de Nicki Minaj: manter a base simples, ter boa pele e cabelo, evitar o ruído visual e guardar o impacto para as peças chave, mantendo a harmonia, são o segredo para dominar visuais impactantes sem cair na caricatura.

- Atenção à roupa interior: nada pior do que soutiens a marcar ou esborrachar o busto, alças descaídas, rendinhas sob t-shirts justas...se a lingerie está velha e gasta, livre-se dela e substitua-a por peças simples em preto e cor de pele, que dão com rigorosamente tudo. Não faz sentido ter um vestido de designer e um soutien que não segura nada por baixo! A confiança vem de dentro, não se esqueça...

- Descubra o melhor visual para si (cabelo, unhas, maquilhagem), que seja fácil de manter em casa ou num salão acessível. De nada lhe vale ir ao melhor stylist da cidade se só tem possibilidade de passar por lá "quando pode" e anda despenteada ou com a coloração atrasada. Manicure, maquilhagem e cuidados capilares básicos são coisas que fazem a diferença entre um um aspecto pouco cuidado e um ar realmente fabuloso, mas não têm de ser caras: o lendário cabelo de Giselle Bundchen era pintado por um amigo aspirante a cabeleireiro, na banheira e de cabeça para baixo!

Kate Beckinsale devia
 pouco
 ao bom gosto há uns anos
atrás: hoje é uma perfeição
- Evitar os exageros: extensões de cabelo e de unhas, demasiados acessórios, demasiadas jóias, demasiados brilhos, demasiada maquilhagem, demasiado largo, demasiado curto...

- Apostar em bons cortes, modelagens e tecidos. Evite tudo o que tenha fibras sintéticas mais do que estritamente necessárias e fuja dos materiais brilhantes, pouco firmes ou que sejam desconfortáveis ao uso.


- Observar as celebridades de que gosta, que se parecem consigo, e que estão sempre elegantes: veja quais são os designers que as vestem e sem copiar cegamente parta daí, comprando nas mesmas marcas ou noutras mais acessíveis que sigam uma linha criativa semelhante.

- Conhecer o seu tipo de corpo e divertir- se criando coordenados que se adequem realmente a si - a escolha é imensa quando se sabe o que procurar.

- Seguir as boas regras do smart shopping.


  






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