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Saturday, February 23, 2013

Semana de Moda de Londres:elegância

                   Victoria Beckham (© RTR)
Kate Beckinsale está sempre elegante, e no desfile da Burberry não foi excepção. O coordenado simples e eficaz, o styling (só mudava o bâton porque pessoalmente, não acho grande graça a lábios pastel, principalmente se o resto da maquilhagem for discreta) o porte de duquesa: quite a lady.
                      Victoria Beckham (© RTR)
Rosie Huntington-Whiteley (Burberry Prorsum) : outra menina que faz brilhar como ninguém toilettes pouco elaboradas, mas sempre bem escolhidas. Quando se é linda e se faz valer o pedigree, não é preciso muito.

                 Victoria Beckham (© RTR)
Ganhei respeito por Victoria Beckham graças ao seu livro, That Extra Half an Inch. Nem sempre prima pela autenticidade no estilo,, mas nota-se que gosta - e sabe - genuinamente de moda e raramente se apresenta menos bem, goste-se ou não. E serei só eu que acho que o novo styling de sobrancelhas lhe tirou 10 anos de cima? Está com óptimo ar, parece que regressou aos tempos de Posh Spice...e optimamente acompanhada  pela sempre elegante Diane Von Fustenberg. O Pequeno Vestido Preto é sempre uma boa opção para estar bonita e composta sem roubar o brilho ao que se desenrola na passerelle.

Vício do dia


                              
Ouvi a canção abaixo há pouco, num filme que está a passar, creio, no AXN White: The Passion Fish, que se passa na Louisiana - um dos lugares onde não me importava de viver, como já vos contei. Foi paixão imediata e desconfio que vou andar o fim de semana inteirinho a trautear isto. Se eu fosse americana, tinha de ser uma Southern Belle, não poderia nunca ser outra coisa...


MaxMara quer que vamos para a rua de robe de chambre e pijama...e esta?

                                       MaxMara - Pasarela
Nada contra big coats; tenho pelo menos uns três sobretudos desses. Adoro camel e materiais fofinhos. E embora prefira as minhas roupas bem moldadas e estruturadas, ao melhor estilo alfaiataria, sabe bem, uma vez por outra, vestir algo do género lounge - ou seja, inspirado nas roupas de usar em casa - e levar algum conforto extra para a rua. De tudo isso se compõem a colecção MaxMara apresentada em Milão. Mas a proposta da imagem acima parece-me um bocadinho demais. Palavrinha de honra que olho para isto e só me lembra robe, pantufas e pijama polar para relaxar à lareira antes de seguir para os braços de Morfeu.


Friday, February 22, 2013

Kitchen: Sissi, a (não) chef

                              
Talvez por ainda não me ter habituado à cozinha desta casa há algum tempo que não fazia uma maratona culinária, coisa que antigamente me divertia bastante. Ou quiçá o motivo tenha sido a febre recente com a cozinha gourmet, de fusão, de autor, com os chefs elevados a superstars (nada contra o reconhecimento dos bons profissionais, mas parece-me uma hype exagerada e pretensiosa e não consigo conter a minha aversão a modismos tontos). O mais curioso é que se tivesse seguido o entusiasmo do pai pelos meus dotes culinários, a despeito das ambições académicas que tinha para mim (e contra a senhora mãe que se arrepiava só com a ideia de ter a filha dela todo o santo dia trancada entre panelas e tachos) talvez eu própria fosse agora uma patroa chef de sucesso (imaginam como seria o Imperatriz? Eu não). Na minha família as mulheres sempre cozinharam lindamente, e os homens que se dedicavam à caça sabiam fazer estupendos petiscos. De modo que já em pequena adorava, literalmente, meter colherada e fazer experiências, mais do que comer - nota bene, eu era a pastelona. O pior foi que a avó, generala lá de casa (e que fazia coisas fabulosas como ovos verdes ou migas doces) não me deixava invadir-lhe o espaço sem mais aquelas: não podia ser aquele tacho, tinha de ser antes aquela caçarola, ai que isso não é assim que se faz, cuidado com a lata de atum que ainda no outro dia cortei um dedo que foi o fim do mundo nesta casa,  ai ai ai que a Sissi 
queima-se, etc,  e eu - que me parecia muito com ela, logo conhecia-lhe as manhas - percebi logo que assim não ia aprender coisíssima nenhuma. Mas nunca fui menina de desistir e decidi trocar-lhe as voltas: como gostava de cozinha oriental, comprei uns quantos livros e lancei-me à aventura. E a avó, coitadinha, que nunca tinha cozinhado tal coisa, ficou desarmada: não me podia dizer como empregar o molho de soja, ou que não usasse um wok mas uma panela, muito menos para que lado se enrolava o sushi. Acabou por dar a mão à palmatória, foi um sucesso lá em casa e mais tarde, tive mesmo ocasião de conviver de perto com uma família de chefs asiáticos que até me ensinaram a fazer gelado frito, ou os segredos para o camarão sair inteirinho e perfeito.  Daí para a culinária africana e brasileira (a madrinha, que viveu em S. Tomé, acabou por me dar a receita de um kalilu que me assombrou a infância) italiana (tinha de ser) doces, saladas, canapés, sopas, cremes e por aí fora foi um ápice, sem esquecer as boas receitas portuguesas que ainda me esforço por absorver - com alguma preguiça, já que normalmente, a cara mamã trata disso, e de que maneira! Encantava-me a ideia de comunicar emoções através da comida e de testar os efeitos das ervas aromáticas tradicionais (esta dispõe bem as pessoas, aquela convida ao amor, etc). Se cozinhar enervada, nada me sai bem. Tenho um olfacto apurado e não preciso de provar para saber quando um prato está perfeito, mas se provar distingo uma série de nuances. Por isso, sou muito crítica quando o assunto são os restaurantes da moda: gosto de conhecer tudo caso me cheire (ou saiba) a pantominice, muita apresentação mas pouca arte, dou o meu dinheiro por mal empregue. Depois de uma sessão de cozinha à séria, sinto-me exausta, dorida das pernas, mas descontraída. Não imagino o que seria fazer o mesmo todos os dias: acho que cada um é para o que nasce, e certas coisas são melhores quando as fazemos em pequena escala, ou só por diversão...

Verdade do dia, ouvida por acaso: frenemies

                 
O amigo do meu inimigo pior inimigo é. Mas o inimigo do meu inimigo é meu amigo, mesmo que tivesse sido meu inimigo um dia. A estratégia, na vida como na guerra, torna tudo mais simples (what´s not to love?). O piorzito é quando uma pessoa já nem sabe para que lado está o inimigo, e acaba a revezar os bombardeamentos como no sketch do Raúl Solnado....haja paz sempre que possível (e o resto só mesmo quando necessário).

Ai Jesus... que vem a ser isto, Marisa Cruz?


                                 Marisa Cruz, Sara Barradas, Pedro Miguel Ramos entre outras estrelas falam do passado, presente e futuro - 1 (© ©Cinéfilos.tv Luís Silveira e Castro)

Estrelas de ontem, hoje e amanhã desfilaram no CCB - 1 (© ©Cinéfilos.tv Pedro Galvão)
A nossa Marisa Cruz é muito linda, não há passagem do tempo que mude isso (desde que use de bom senso e cuidado, como com toda a gente). Mas a menina saberá tão bem ou melhor do que eu que uma rapariga de gosto e que se conheça não pode exagerar nas mudanças de visual. Cada uma de nós tem o seu tipo de beleza e para deslumbrar, convém manter-se fiel a ele.  Ao navegar na net deparei-me com este penteado numa qualquer gala da TVI e não achei graça. Um desperdício...
"Refrescar" é bom, mas poucas são as mulheres que suportam alterações excessivamente camaleónicas. Se encontramos uma receita que funciona, afastar-se muito dela nunca é boa ideia: há uma razão para nunca termos visto Claudia Schiffer de cabelo curto, por exemplo...
 Já Eva Herzigova tentou mudar da água para o vinho e quanto a mim, o resultado foi muito infeliz. 
Quando uma mulher tem curvas, ar de femme fatale, uma estrutura óssea bem vincada e rosto oval, e quando ainda por cima é alta...cortes radicais, rebeldes e arrapazados não são a melhor opção. Marisa Cruz faz o estilo bombshell e ainda bem, porque isso não é para todas. Pode perfeitamente ser-se uma bombshell com classe, pode amadurecer-se ou actualizar o estilo. Pessoalmente, gosto de ver Marisa Cruz com o visual que a tornou famosa: abaixo dos ombros, a emoldurar o rosto e com uma ligeira ondulação...

          ... mas o look anos 50/60, liso ou encaracolado, foi feito para ela. Rostos que não sejam bochechudos, agarotados, de narizinho achatado/arrebitado ou pelo contrário, algo Maria-rapaz pedem volume à volta da cara e cortes que acompanhem as maçãs do rosto. Está bem que Marisa já é mamã de duas crianças, que segundo ouvi de relance teve algumas questões de forma que quis resolver... mas ainda é bastante jovem e bonita, com muitos anos à sua frente e zero necessidade de modernices, de looks aborrecidos ou de mexer no que está óptimo, vale?


Odiozinho de estimação: maldita matemática

                       
Eu e a matemática nunca fomos com a cara uma da outra. Em parte porque não tenho paciência para tarefas que exijam desligar a imaginação (ou o sentido crítico) por completo, em parte porque suspeito fortemente de sofrer de uma estranha forma de discalculia operacional que sempre me brindou com a capacidade de chegar aos resultados no ar - força ou fraqueza que os mestres nunca entenderam. Tinha de apresentar os cálculos porque tinha, pronto. O problema é que por mais que eu soubesse as fórmulas de cor e salteado, por mais que papagueasse a teoria toda, a meio de uma operação perdia o fio à meada e ora adeus. Ainda que gostasse do aspecto lógico da coisa, tomei birra à matemática e aos professores bota de elástico que queriam tudo de acordo com a cartilha. O mal entendido mal resolvido degenerou numa aversão das graves.
 Vinguei-me cá à minha maneira, mas isso é assunto para um post sobre os meus tempos de liceu. De modo que ao longo da minha vida fui maltratando ou contornando a maldita matemática sempre que pude. Nem sequer gosto de passar pela famosa Rua da Matemática em Coimbra - hábito que me ficou da infância. Mas achava que as coisas estavam pacíficas entre nós - até esta manhã. Estava eu a tomar o pequeno almoço quando alguém deixa a TV ligada noutra divisão, e a propósito de engenharia automóvel, ouço uma voz a explicar como a mais exacta das ciências é linda e maravilhosa. Mau! Agucei o ouvido como um lince ameaçado. A Matemática faz parte da nossa vida ou coisa semelhante, bla bla bla mimimi rinhónhó...não querem lá ver o descaramento a estas horas? Não conseguia perceber bem o conteúdo, mas disseram o palavrão uma série de vezes. Matemática para cá, matemática para lá, como alguém que tenta impingir colchões ortopédicos pelo quádruplo do preço das lojas, e uma pessoa a topar perfeitamente o esquema. Senti um velho, ancestral e primitivo ressentimento a subir por mim acima, uma antipatia incontrolável, uma discreta repulsa a apoderar-se de mim. E tive de largar o que estava a fazer, tive de me levantar, e tive de desligar a televisão.
 A matemática que seja feliz, que faça muita gente feliz, desde que não me obrigue a privar com ela. Não há meditação que me valha: ódio velho não cansa, lá diz o povo e muito bem.

Prada e Gucci, oh la la

Eu bem disse que os designers ouviram os meus desejos. Continuem os senhores a fazer coisas assim, não só para eu me deliciar com novas aquisições como para dar uso a muitas peças do género que ainda não tive ocasião de vestir. As colecções Fall/Winter 2013/14 apresentadas em Milão são uma pura maravilha. Gucci ressuscitou a sua mulher - inspiração, num luxuoso revivalismo dos anos 70 (mangas amplas, calças boca de sino, fatos pijama, kimonos) em cores e materiais luxuosos, temperado com modelagens clássicas de grande simplicidade mas corte preciso. Já Prada vai ajudar a manter na ribalta a tendência anos 50, com saias balão, lápis ou linha A, casacos cingidos, tweed e decotes amplos. Em ambas as colecções destacam-se as peles ricas, o couro e os tons requintados de coisa preciosa: um look ladylike com um toque edgy, contrabalançado por um styling simples ou mesmo grunge. A consumir com pouca moderação: nem sempre aparecem peças deste estilo no mercado, e são excelentes aquisições para um guarda roupa perfeito...


                       Gucci - BackstageGucci - Backstage
                       Gucci - BackstageGucci - Backstage
                        Gucci - BackstageGucci - Pasarela
                         Gucci - PasarelaGucci - Pasarela
                          Gucci - PasarelaGucci - Pasarela
                         Gucci - PasarelaGucci - Pasarela
                          Gucci - PasarelaGucci - Pasarela



Prada - Pasarela
               
Prada - Pasarela                           
Prada - Pasarela




Prada - PasarelaPrada - Pasarela
Prada - PasarelaPrada - Pasarela
Prada - PasarelaPrada - Pasarela

Prada - PasarelaPrada - Pasarela

Prada - PasarelaPrada - Pasarela
Prada - PasarelaPrada - Pasarela

Prada - Pasarela
















Thursday, February 21, 2013

Segunda brilhante conclusão do dia: Pax Romana (?)

              
Há pessoas que só hão-de ficar em paz quando Israelitas e Palestinianos se entenderem. Ou quando as galinhas tiverem dentes, o que vai dar mais ou menos ao mesmo. Acredito em giving peace a chance, mas prefiro tomar umas valentes lições de Krav Maga pelo sim, pelo não. É que já se sabe do que a casa gasta...been there, done that.

Ando noutro planeta

Ainda não percebi exactamente o que vem a ser o Harlem Shake (não sei se quero saber, ainda estou a tentar descobrir o que penso do Gangnam Style...). Já a polémica dos bloggers que ofereceram iphones que afinal não existiam (entre outras situações esquisitas com a mesma engenhoca) passou-me totalmente ao lado. Está bem que por vezes eu tenho uma forma algo blasé e desligada de estar mas confesso que me confunde quando toda a blogosfera fala de algo, e eu para ali a nadar na maionese...

Joana Vasconcelos, "artista do povo", dixit...e Sissi também dixit, de rajada

O povo, meninos, está cada vez mais chic. A valer!
Ontem a talentosa Joana Vasconcelos, que tem enchido os portugueses de orgulho do bom, afirmou em entrevista  querer ser lembrada como "artista do povo". Debruçada sobre uma chávena de descafeínado tardio em boa companhia, olhei-me para aquilo e sem pensar que a pessoa ao lado me apanha os chistes todos, sai-me um "oh... essa é boa! Os artistas do povo têm nomes patuscos e não nomes caturreiros... e fazem artesanato e não exposições em Versailles! ". O que tu foste dizer, Sissi! É que não é por nada, mas em termos de posicionamento não bate a bota com a perdigota. Não que ser "artista do povo" ou para reduzir a discussão à moda de Dâmaso Salcede, "uma artista chique" seja melhor ou pior, tire ou ponha, faça de alguém mais ou menos. Tive ocasião de entrevistar e por isso de privar com alguns dos maiores artesãos portugueses. Na sua maioria, gente de poucas letras mas de enorme génio, grande sentido de humor, com uma tradição de gerações. E por questões de família, toda a vida convivi com artistas plásticos de renome. Em comum, têm o talento, a sensibilidade, mas o registo é outro. Não sei o que Joana Vasconcelos considera  "artista do povo" -  se foi uma graça, uma manifestação de modéstia (que é sempre uma intenção de louvar, vá) um momento envergonhado que soou a snobismo invertido, do estilo "quero ser acessível a toda a gente" mas em boa verdade, para ser apreciada pelo povo português, Joana Vasconcelos não tem de ser aquilo que se entende por artista popular. Há coisas que são transversais - lembrem-se da tia Amália. Em última análise, pergaminhos e meios à parte, povo somos todos, mas até o povo mais povo, o suposto povão, sabe apreciar brioches, desde que tenha acesso a eles: há ocasiões para tudo, e dar a  conhecer bons brioches, ou boa arte, é o caminho para que o que é "bem" também seja "pop"...e para que nos tornemos novamente um povo podre de chic, como éramos no tempo do senhor D. Manuel I, em vez do povo pelintra que somos hoje.

Brlhante conclusão do dia: os malfadados ténis compensados

                                
Ontem, numa volta pelos últimos saldos, concluí que os sneakers compensados vão sair de cena mais dia menos dia e que acabei por não calçar nenhuns. Ora porque os únicos que testei me desiludiram, ora porque tinham sempre cores estranhas e um ar demasiado desportivo (ou pelo contrário, demasiado compostinho para ténis) ou porque não sabia exactamente que uso dar àquilo, fui adiando. O que eu gostava que tivesse ficado na moda eram uns da Adidas que saíram aqui há uns dois anos, que tinham de facto a altura invisível e alongavam a figura sem se notar que o faziam, mas que nunca chegaram a pegar. Assim, não sei se tenho pena. Se se provar o contrário e continuarem por aí em modelos discretos e bonitinhos, talvez ainda pense no assunto. Mas até ver não senti falta, et vous?

Ó Cristianinho, haja paciência


                                       
"Cristiano Ronaldo tem espelhos no teto e uma foto sua nu na parede do quarto, na casa que comprou por 6,5 milhões de euros em La Finca, a nove quilómetros do centro de Madrid, revelou o arquitecto espanhol Joaquín Torres à revista ‘Vanity Fair’.
"Cristiano Ronaldo tem todos os clichés que possam imaginar. Um aquário, uma foto dele nu e até um piano de cauda. Também tem os espelhos no teto de que se falou na imprensa. Para que é que ele queria um piano de cauda? Acho que isto deve-se às carências que algumas pessoas passaram desde pequenas. Deve ter visto estas coisas nos ricos, em séries como ‘Miami Vice’", ironizou o arquiteto". 

Eu não sou de intrigas, mas que querem? Como recebo as actualizações de todos os jornais via Facebook, deparo-me com pérolas destas - um hábito terrível que devia perder quanto antes, a bem da minha sanidade e capacidade de articular coisa com coisa. E o menino Cristianinho faz questão, mas mesmo questão, de ser citado aqui no Imperatriz volta, não volta.
   Não conheço o trabalho de Joaquín Torres nem faço ideia o que o arquitecto foi fazer a tal casa  (há pessoas que gostam de sofrer, pode ser isso) mas palpita-me que deve ter sido a única cabeça de bom senso, e isenta de vontade de engraxar, a alguma vez ter entrado chez Cristiano Ronaldo: é que a família sempre a pedinchar dinheiro, as groupies que querem impressionar (em ambos os casos, tudo pessoas de gosto e sinceridade questionável) colegas da bola, amigos de estúrdia ou jornalistas ao estilo Yes Man ansiosos por ganhar intimidade com tão augusta personagem não me parecem os melhores conselheiros. E desconfio que se o menino Cristianinho (e companhia limitada...) não decorou a casa como bem lhe apeteceu, deve ter contratado mesmo o maior yes man (ou woman, às tantas...)  à face da terra para o fazer, que isto de dar bons conselhos nem sempre é lucrativo...
 Ouça, Cristianinho, que aqui ninguém lhe quer mal e a única coisa que me faz urticária é que este pobre país que já anda pelas ruas da amargura seja representado  mundo fora  por um estereótipo com pernas: o menino não tem culpa de ter nascido pobrezinho e de ter recebido a educação...que foi possível. Não tem mesmo culpa que a Sra. Dolores dissesse" deixem lá a escola e os vidros partidos dos vizinhos, ele tem é de treinar para ser um grande jogador". Pelos vistos a receita até deu certo e quem sou eu, que não percebo nada de bola (muito menos do ratio  bola-desenvolvimento intelectual/cultural/cívico necessário para ser uma estrela do futebol) para a pôr em causa, embora ache que um bocadinho de gentileza, chá e meia dúzia de letritas não tivessem tirado qualidade à sua performance, antes pelo contrário. Cada qual nasce onde nasce com o berço que Nosso Senhor lhe destinou e quanto a isso nada a fazer. Mas lá porque nasceu carenciado, tem de se portar como uma caricatura do novo rico? Um fato novo não faz de um carroceiro um cavalheiro e quando não se tem o gosto treinado, pedir ajuda é sinal de inteligência. O dinheiro não compra educação, mas compra instrução. Não compra gosto, mas pode pagar aconselhamento adequado. Não muda as origens de ninguém, mas bem aplicado pode ajudar a tirar o melhor partido dos dotes naturais, em vez de acentuar os defeitos. O menino Cristianinho já tem tanta coisa, tanto brinquedo, tanta mulher, tanto carrinho, tanto espelho, mire-se num deles com olhos de ver e considere este conselho amistoso, que é grátis (vê? eu até sou amorosa quando quero): no próximo Natal, em vez de colocar uma árvore em cada divisão, que isso fica feio, não faz sentido nenhum e gasta imensa luz - já agora, podia oferecer-se para pagar as contas da luz a meia dúzia de famílias  em dificuldades lá na Madeira, isso era fofo, muito natalício e ficava bem no retrato -  considere arranjar um professor Higgins da vida. Contrate, que quem pode pode, uma equipa de consultoria de imagem que jeito tenha para não fazer figuras destas. Lembre-se de que representa o país lá fora e que não me convém nadinha dizer "sou portuguesa" para ficar associada a gente que decora a sua casa como se fosse o Motel Paraíso ou se mostra em público vestida à trolha bebedolas a quem saiu a taluda (sem ofensa aos trolhas sóbrios e trabalhadores que eventualmente se saibam apresentar). Passe muito bem, e juizinho.


Wednesday, February 20, 2013

A tua cara não me é estranha? Estou chocada, isso sim!

                                       
                                               
Anda uma pessoa arredada de tudo quanto é televisão, ou revista da dita cuja, e quando volta a pegar numa percebe que de facto, quanto mais longe melhor. Estava eu na fila do supermercado quando vejo uma cara familiar e amiga, acompanhada de títulos muito pouco simpáticos. Nada que me surpreendesse, já que ultimamente esta é a regra; mas por mais exemplos que me ponham à frente, não aceito que a propósito de um formato que goste-se ou não dele, é perfeitamente inofensivo - quem participa vai lá para cantar e não para expor a sua vida privada - se publiquem conteúdos ao nível do pior dos reality shows. Tal como a Inês Santos (que se estreou um pouco antes de mim nas inocentes andanças musicais daquela altura) sou do tempo em que o cúmulo da invasão era perguntar "tem namorado?" ou coisa assim. E eu era tão piquena que até dessa me livrei ... o que não aconteceria agora, já que até a crianças de dez, doze anos que tiveram a infelicidade de entrar num programa musical qualquer aqui há uns tempos os caros jornalistas se lembraram de atribuir namoros. Um escândalo. Enfim, abri a revista porque conhecendo minimamente a Inês e o seu background, não a estava a ver a alimentar tais circos. E de facto, nem precisou...o mais caricato é que até uma questão clínica perfeitamente corriqueira que ocorreu na sua família há uma série de anos serviu à revista para gritar, em letras encarnadas "A cantora SOFREU!!!" ("dor" , "miséria" e "sofrer", em frases quanto mais pirosas melhor, são as expressões favoritas destes folhetins...). É extraordinário o trabalho de Inspector Colombo a que se dão para compor uma capa que cheire a tragédia a partir das coisas mais normais do mundo. A tia que sofre de reumático, a casa que teve uma inundação, uma dívida insignificante ao IRS, a avó que teve um badagaio aos 99 anos, o namorado bem relacionado (ou mal relacionado) enfim, coisas que só a cada um dizem respeito, bem cozinhadas, apimentadas a trouxe-mouxe e bem investigadas junto de vizinhos abelhudos ou conhecidos de imparcialidade duvidosa servem para compor uma autêntica ária da calúnia....ou desculpem, antes que me processem a mim, se não é calúnia é licença poética, ou liberdade criativa, ou um não deixa de ser verdade complicado de enquadrar legalmente. Cada um tem os seus sonhos, as suas necessidades e o seu poder de encaixe. Eu, que sou uma rapariga à moda antiga, digo que por muito engraçado que possa ser o programa, por muita vontade de cantar que haja, é preciso ter estômago para aguentar devassas destas. Porque uma revista não desaparece simplesmente nos dias de hoje, e haja falso testemunho que não haja, é sempre desagradável. Ao menos que o mediatismo, bom ou mau, valha a pena para quem luta por uma carreira. Mas ainda não há muito tempo havia outra classe. E outro respeito. Soa ao tempo da Outra Senhora? Temos pena.

Pensamento do dia: Cinderela ao contrário

                                      
Uma mulher, não. Uma alpinista social. Isto se considerarmos as versões novas e açucaradas, em que se ignora que a Gata Borralheira era uma distinta jovem bem nascida, isenta de cálculos e cheia de pouca sorte até a Fada Madrinha colocar as coisas nos seus devidos lugares à força de abóbora. Que isso de perseguir a rapariga pela cidade toda com um sapato na mão nunca me pareceu coisa de um príncipe certo do miolo, mas pronto. Prefiro a Bela Adormecida, que é um conto mais obscuro e mais honesto. Mas isso sou eu...

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