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Saturday, March 2, 2013

Diz que anda para aí uma revolução

                                
Que Março vai ser mês de revolução, e Grândola para cá e o povo que ordena mais que toda a gente para lá, e eu, exceptuando a minha revolução interior entre o fim de Ano e o mês passado, não faço a mais pálida ideia de como é que uma pessoa faz a revolução. Se calhar nem me dava jeito nenhum, porque a revolução é uma coisa que nunca está feita - em Cuba andam há décadas nisso e parece que ainda não terminaram, é pior que as obras de Santa Engrácia - e ainda por cima desarruma e suja imenso.  Não me podem dispensar disso? Se a Revolução for mesmo uma revolução, às tantas ninguém pode faltar. Perguntei cá em casa como é que foi na dos cravos e responderam-me (os meus pais eram tão novos que não podiam ter  grande empenho a não ser expulsar o reitor psicopata que espancava brutalmente os alunos, e nisso acho que fizeram muito bem, eu também o corria e não era à força de cravos) que era só ir com os outros que vieram à rua ver afinal o que era aquilo que se estava a passar, e andar de um lado para o outro e cumprimentar todos os conhecidos que saíram à rua pela mesmíssima razão e estavam tontos a olhar para aquilo tudo e a gritar O Povo Unido a plenos pulmões, não há nada como um mote bem pensado para agarrar uma multidão (mas então a revolução é ir atrás dos outros e pronto? Nesse caso não me venham com coisas, a revolução é só trólaró, com palavras de ordem em vez de croquetes e toda a gente a  berrar união, lealdade e fraternidade ou justiça). Não me peçam para gritar "EU QUERO VER AQUI UMA P*** DE UMA REVOLUÇÃO, VIVA A LIBERDADE, VAMOS BEBER" como ouvi uma vez num concerto de heavy metal onde me arrependi de ter posto os pés, que eu não sou mulher disso, deixo para quem sabe.  E como é que eu sei que estou a  revolucionar bem? Não há para aí um manual da revolução que me possam emprestar, para eu não fazer tristes figuras? Quem tem a receita, que está à revolução à porta e nenhuns preparativos feitos? Não é assim que se organiza um evento ou vá, um fenómeno social. Agarro numa foice, ou num ancinho, E já agora, qual é o dress code para revolucionar em grande estilo (viva a Liberdade!). É à Maria da Fonte? À sans culottes? À Che Guevara? Enquanto não me explicarem o que é que se vai revolucionar afinal de contas, o que vem a ser exactamente esta suposta revolução e como é que isso se faz, não saio de casa. Ainda estrago a revolução aos outros, o que é sempre uma coisa desagradável de se fazer.

Sissi responde: estar bonita quando se trabalha em casa


                              
A querida C., que acompanha o Imperatriz, colocou uma questão que aflige muitas de nós, mulheres, tanto as que exercem a sua actividade independente em casa como  aquelas que optam por ser mães/gestoras do lar (ou ambas, o que vai acontecendo cada vez mais). Quando se fazem opções dessas, as vantagens são várias (nada de correrias, por exemplo...) mas equilibrar conforto inerente a estar indoors o dia inteiro com a a identidade da "mulher de sucesso" e no meio disso tudo, não perder o glamour pode ser um desafio. Afinal, por muito stressante que seja trabalhar fora, sair de casa é sempre uma motivação para investir no visual:


É grave o meu caso e preciso de socorro.
Hoje olhei-me ao espelho e percebi que estou em mutação... É assustador.
(...) a trabalhar remotamente de casa para uma multinacional, raramente saio do meu "covil / escritório" caseiro. E pois que aí está o problema.  
Porque não tenho de sair do meu covil optei por formas diria mais confortáveis de me vestir (nada que chegue ao pijama, como já vi noutras pessoas que trabalham no mesmo regime): calças de ganga, camisolões e (aqui tenho de confessar) pantufas.
A ocasional videoconferência impede que isto se repita todos os dias, ainda assim são mais os dias de downdressing que os restantes. E nos restantes o fato sem graça substitui as coordenações de peças com imaginação e estilo. Acontece que como qualquer outra pessoa tenho (ou devia ter) mais vida para lá do trabalho. E nesses escassos momentos a sensação é de que a manifesta falta de criatividade quanto à indumentária se estendeu a toda a minha existência. 
Não consigo (e é com sérias dificuldades que o assumo) recuperar os meus dias de bom gosto (e já agora bom senso - porque me parece que andam de mãos dadas).  
Para que conste - tenho  30 anos, 1.60m, peso 44 quilos (portanto sou mais para o "fininho"), tenho pele clara e cabelo escuro bastante curto (porque o cortei numa tentativa de simplificar a minha vida e que agora me parece ter sido um valente disparate, dado que o referido teima em assumir configurações estranhas e me dá um ar arrapazado).
Pois que chego ao meu pedido... Alguma arte mágica infalível, remédio para este achaque ou conselho que possa partilhar?

Como em todas as situações na vida, trata-se de encarar a situação por outro prisma, adoptando um raciocínio - e uma rotina -  diferente.  Aqui ficam algumas ideias:

 - Quem trabalha em casa não tem de suportar o trânsito, os horários loucos e na maioria das vezes, um chefe psicopata aos berros, o que é meio caminho andado para ter boa cara. E boa cara é meio caminho andado para... uma boa maquilhagem. Isso mesmo. Uma coisa é quem trabalha fora de casa optar por ficar sem maquilhagem ao Sábado,  quando finalmente pode gozar o sofá, para variar e para descansar a pele. Outra é quem gere a sua vida profissional dentro de quatro paredes. Está em horário de trabalho, vai para o seu local de trabalho (é a dois passos da cama mas isso não interessa nada) por isso não esqueça a maquilhagem. Não precisa de ser elaborada, apenas o suficiente para ficar com bom ar. Pense nas "donas de casa perfeitas" dos anos 50. A maquilhagem dá outro ânimo e obriga-nos a puxar pela imaginação...para não falar nos brios! Mulheres que não perdem o hábito do makeup dificilmente caem na tentação de se desleixar, porque a maquilhagem exige uma certa disciplina. Além disso, nunca se sabe quem pode bater à porta...

- O mesmo vale para o cabelo: lavagem e brushing como se fosse sair, mesmo que a seguir o prenda num carrapito o dia todo. Faz de conta que tem reuniões importantes diariamente! No caso da C. em particular, eu concordo que essa ideia do "cabelo curto é mais prático" é um mito, para muitas mulheres (eu, eu, eu!) pelo menos. Há quem se adapte lindamente a um corte dos grandes, há quem não saiba o que fazer quando o cabelo está curto. De qualquer modo, o que está feito está feito e é uma questão de aprender a  trabalhar com ele: uma escova de ar quente com um acessório grande (para quando quer usar o cabelo liso) e um redondo e pequeno (se lhe apetecer caracóis e volume) uma placa alisadora pequena (para assentar fios "arrepiados") e alguns produtos de styling e protecção são tudo o que precisa para estar penteada em 10 minutos. O cabelo escuro e curto dá um aspecto sofisticado, especialmente se o combinar com um bâton encarnado ou olhos delineados. Assim estará pronta para trabalhar, mas apta a sair para tomar café com uma amiga (e arejar) quando fizer um intervalo.

- Não há nenhum problema em trabalhar de loungewear se está em casa: mas pode investir em peças bonitas, de boa qualidade e sempre bem combinadas. As pantufas (pessoalmente gosto mais de botas tipo UGG, mas as chinelinhas ou slippers orientais também ficam sempre um amor) são uma coisa óptima, sem dúvida. Mas crie uma fatiota que possa ser coordenada com calçado normal se precisar de ir lá fora num pulo. E tenha à mão, num cabide, roupa de sair para esse dia, mesmo que não saia (pode parecer estranho, mas funciona para manter o estilo acordado). Ainda que não a use, já fica com roupa pronta para quando tiver videoconferências.

- Não se esqueça de usar lingerie bonita por baixo (pode ser lingerie mais ameninada ou desportiva, mas tem de ser bonitinha)  mesmo que vista "roupa confortável e gira de trazer por casa". O dia pode ter surpresas românticas - e acima de tudo, roupa interior boa 
dá-nos uma confiança completamente diferente. Não deixe adormecer a sensualidade e o lado feminino.

- Tire tempo para organizar o seu closet: examine as tendências, o que precisa de comprar, o que deve reformar, o que pode ser usado com outras ideias de styling e o que deve ir embora. Aproveite para criar alguns outfits diferentes (casuais, para um jantar especial, um passeio no campo, uma ida ao teatro) coordenando aquelas peças que comprou mas nunca usou com outras que podem levar outra "volta" e deixe-os já montados em cabides bem à vista. Não só terá vários looks prontos para quando precisar efectivamente de sair como treinará o seu glamorómetro, não permitindo que fique com "o gosto enferrujado". Ainda por cima, vai ficar com vontade de usar esses coordenados o mais rápido possível, o que a motivará  a ter vida para além do trabalho. Eventualmente este processo  demora algum tempo, e a criação de fatiotas pode ser feita periodicamente. É tudo uma questão de atenção e de exercitar a criatividade: esteja atenta aos bons blogs e revistas de moda e street chic, e repare no que lhe apetece vestir. 

- Comece a marcar saídas que lhe permitam efectivamente usar as roupas que organizou: jantares românticos com o mais que tudo, fins de semana fora, ida a uma convenção de trabalho, reuniões com amigas, uma ida às compras com a sua mãe ou a sua tia, levar as crianças a uma exposição, o lançamento do livro daquela sua amiga, qualquer coisa serve: mesmo que ao início não lhe apeteça, é importante que organize a sua vida social tal como organizou o seu closet (e que os dois colaborem na maior harmonia, claro).






 

Friday, March 1, 2013

Acessório - indispensável - para - carrapitos

                                     
Tenho a sorte de ter um cabelo dócil, que se presta a ser (e manter-se) alisado, ondulado ou encaracolado. Mas como cada cabeleira tem os seus quês, o facto de ser sedoso (raramente tenho falta de brilho) também o torna muito...escorregadio. Já em pequena era o fim do mundo para fixar o cabelo apanhado em cima. No ballet, com as minhas tranças pelas costas abaixo, nem as redes me valiam. Era preciso muito gancho, muita laca e bastante paciência para garantir que o penteado não se desmanchava. Sempre invejei as raparigas que davam duas voltas às madeixas sem olhar sequer para o espelho e puf, lá ficavam com um toutiço todo fofinho, ou um rabo de cavalo cheio de estilo que não descaía nem por nada. Não se pode ter tudo... para o conseguir preciso de alguns produtos e acessórios de styling e embora tenha jeito para cabelos, quando se trata de apanhados costumo precisar de ajuda. 
 Em geral não gosto de ter muita coisa no cabelo e as bandelettes magoam-me horrores mas um ponytail alto, um bun, chignon, uma banana ou um top knot são bonitos de ver, dão bom ar e mantêm o cabelo fora da cara. Já desesperava de o fazer sozinha quando reencontrei estes bun holders (fixem o nome porque são complicados de arranjar por aí e não se encontram à primeira pesquisa por hair clip, por exemplo) que não via à venda desde a meninice, na Claire´s, a cerca de cinco euros:


                         Plastic Bun Holder Decoration or Expanding Pony Tail Holder  bigger version
Embora com outro tipo de clips não costume ter resultados por aí além, fiquei esperançada e lá trouxe um. Bom, foi um descanso: seja para fazer um top knot ou um rabo de cavalo à séria (podem enrolar-se algumas mechas à volta de modo a ficar mais perfeitinho) para segurar o cabelo em cima ou simplesmente para o afastar  dos olhos, é um verdadeiro milagre. O melhor uso que lhe dou é quando preciso de sair de casa cedo já com o brushing feito mas tenho de o manter impecável porque há um evento à noite: depois de penteada prendo-o cuidadosamente com o bun holder (a.k.a aranhiço) e já está. 
Segura-se quietinho, mantém as raízes levantadas e arejadas. Perto da hora é só soltar, dar uma escovadela e está óptimo, até com uns caracóis extra se o tiver enrolado com mais firmeza.  
 Fiquei desapontada, porém, ao ver que com meia dúzia de utilizações o clip se partiu. Para minha surpresa, alguns bazares chineses também os vendem, por sensivelmente 75 cêntimos: quando encontro compro uma data deles, para mim e para oferecer a amigas, e a duração é exactamente a mesma. Ando sempre com um ou dois na carteira. Até aqui tudo bem, certo? O pior é que de vez em quando escasseiam em toda a parte e não se arranja um para amostra. Da última vez trouxe uns coloridos e com pedrinhas porque havia poucos pretos, e até esses já foram à vida, de modo que estou reduzida a um e só um aranhiço-de-fazer-toutiços. Não sei se esgotam por serem tão eficazes, ou se há falta de conhecimento da engenhoca. Mas que resulta, resulta.



Get the look: ladylike com tartan

La La Anthony In Michael Kors  - NY Live
A menina La La Anthony (gosto-lhe do nome, mas não faço ideia de quem seja e ao que vi prefiro continuar assim) usou este delicioso look para marcar presença num programa de TV em Nova Iorque. O sobretudo tartan com ar retro de Michael Kors é uma pura maravilha: a apostar num casaco estampado  - e ainda por cima, de um tom vivo -  o escocês é uma escolha segura; clássico e sempre elegante, dá cor sem perder de vista a sobriedade, cai bem em todo o lado e é fácil de coordenar. Como a imagem mostra, tanto se adequa a um visual arrojado como ao mais modesto e bem comportado dos outfits. Ou seja, podemos vesti-lo para uma reunião de família formal ou para um concerto de rock, o que é que se pode pedir mais? Óptimo investimento.  Quanto a estolas, boás e golas de peles sou suspeita, porque se trata mesmo de uma perdição pessoal. La La pôs o agasalho sobre um vestido Stella McCartney também encarnado. Com uns pumps pretos bonitinhos ficou a toilette feita. Very classy . Eu cá dispensava a tatuagem naquele sítio, mas isso é uma daquelas coisas que só dizem respeito a cada uma...

Chatices que o Google poupa: música mistério

                      
A internet foi uma invenção inestimável. Lembro-me de em pequena imaginar como seria bom que existisse algo parecido que nos desse, com o simples carregar de um botão, acesso a tudo o que precisássemos de saber, ver, aprofundar, explorar,  comparar, recordar ou descobrir. A única desvantagem será que, com acesso fácil e imediato a "auxiliares de memória" se perca o hábito de saber as coisas de cabeça, vício muito mau que evito a todo o custo. Contratempo insignificante se pensarmos que os aborrecimentos (ainda que menores) que o amigo Google nos poupa são uma coisa sem preço. Uma das maçadas que recordo de pequena era ouvir uma canção que me deixasse encantada na rádio, como música ambiente em qualquer lado, ou num filme e não fazer a mínima ideia de quem era, ou não me lembrar. Sempre fui muito sensível à música, com um verdadeiro ouvido de tísica, e quando um tema me fica na cabeça é um caso sério. Preciso de ouvir outra vez, de reparar na letra e na melodia, de apanhar todos os detalhes, e de voltar a ouvir até me cansar. Hoje basta fixar um pouco da letra, vai-se ao Google et voilà, mistério resolvido: temos acesso ao nome, intérprete, significados, teorias da conspiração, história e nota bene, o Youtube trata do resto porque há sempre uma alma que tem os mesmos gostos que nós por mais exóticos ou raros que sejam. Agora, amigos melómanos que cresceram nos anos 80/90, lembrem-se lá de como era ainda há pouco tempo: uma pessoa ouvia, gostava e tinha de se lançar numa verdadeira caça ao tesouro, perguntar a fulano e beltrano, se calhar ligar para a rádio, ir a uma loja de discos e eventualmente, se não soubéssemos mesmo nada sobre a canção trauteá-la, o que era sempre embaraçoso; e com sorte havia o CD (que com um pouco mais de sorte trazia a letra) se não houvesse tinha de se encomendar e por vezes nem assim - pior ainda, às vezes mandava-se vir e gastava-se um ror de dinheiro num álbum que ia-se a ver, só tinha uma canção que se aproveitasse porque o resto estava lá colocado para encher chouriços. Como sempre fui muito picuinhas quando o assunto era música isso irritava-me sobremaneira  (lembro-me da chatice que foi comprar um disco do Ryuichi Sakamoto que veio directamente de Tókio. Demorou meses e felizmente esse valeu bem a pena, ainda o tenho). Para não falar na facilidade em comparar, por exemplo, diversas versões ou interpretações dos mesmos temas (para quem gosta de ópera ou música folk, por exemplo) que hoje é a coisa mais fácil que há mas antes deste admirável mundo novo ficar acessível a todo o planeta, facilitando assim a partilha de informação, exigia uma data de cautelas para não se comprar gato por lebre. Acho que por vezes nos esquecemos de apreciar os pequenos confortos e facilidades, mas eu gosto de contar bênçãos: e o fim das músicas mistério que me torturavam semanas a fio é definitivamente uma delas.

Thursday, February 28, 2013

Get the look: encarnado, para que te quero

                                          
Melissa George usou este look H&M adorável com os sapatos metalizados que já foram abordados aqui e com um casaco branco que apetece abraçar. Combinação inesperada: usar encarnado de forma tão óbvia é um desafio que nem todas suportam bem, mas com bom styling e um ar "I couldn´t care less" tudo é possível. Sei de um tailleur griffé na mesma cor e de uns dois pares de sapatinhos assim mortinhos, mortinhos para saltar do closet lá de casa e tentar a ideia. Não sei se me atrevo mas estou tentada, e eles a sorrir para mim...em caso afirmativo, conto como foi.

My love songs: Porque me olhas assim

    Anne Vyalitsyna e Adam Levine
  (Vogue Russia)                                    
Considero Fausto um dos grandes compositores e intérpretes portugueses. Adoro o seu trabalho, mas confesso que conheci esta canção tardiamente - não sei como me escapou - num dia de reportagem intenso e cansativo. Estava exausta, contrariada por me ter calhado um serviço de fim de semana muito exigente em que precisei de correr como doida de um lado para o outro, de um evento para o outro, numa verdadeira roda viva. Mas fazia um lindo dia, com um sol ameno e dourado como está hoje, e entre os meus compromissos para a tarde tinha um concerto infantil, realizado numa pequena quinta, sob as parreiras. Cenário bonito, pausa agradável na correria. E no intervalo entre as duas partes o professor de música, os Deuses o abençoem, pôs Fausto a tocar como música ambiente. Eu não sou por natureza uma romântica, não no sentido tradicional, como já vos tenho dito. Não me emociono com duas palavras - pouca coisa me comove. Mas os meus olhos humedeceram-se, fui transportada não sei para que nostalgia ou que sonho, e fiquei dividida entre uma melancolia atroz e a certeza de que qualquer mulher venderia a alma para sentir algo  tão arrebatador como a relação que a letra descreve. Aliás, eu que não sou romântica acho que quem nunca sentiu nada assim, se contenta com "amores" sem graça ou se esconde disso anda a praticar crimes contra si mesmo. Em suma, é uma das minhas canções preferidas e uma descrição verdadeiramente genial do estado de paixão - que de canções que tornam o amor ridículo já basta o que basta. É preciso ser Fausto ou Mefistófeles para entender estas coisas e cantar sobre elas...


Diz-me agora o teu nome
se já dissemos que sim
pelo olhar que demora
porque me olhas assim
porque me rondas assim

Toda a luz da avenida
se desdobra em paixão
magias de druida
plo teu toque de mão
soam ventos amenos
plos mares morenos
do meu coração

Espelhando as vitrinas
da cidade sem fim
tu surgiste divina
porque me abeiras assim
porque me tocas assim
e trocámos pendentes
velhas palavras tontas
com sotaque diferentes
nossa prosa está pronta
dobrando esquinas e gretas
plo caminho das letras
que tudo o resto não conta

E lá fomos audazes
por passeios tardios
vadiando o asfalto
cruzando outras pontes
de mares que são rios
e num bar fora de horas
se eu chorar perdoa
ó meu bem é que eu canto
por dentro sonhando
que estou em Lisboa

Dizes-me então que sou teu
que tu és toda pra mim
que me pões no apogeu
porque me abraças assim
porque me beijas assim
por esta noite adiante
se tu me pedes enfim
num céu de anúncios brilhantes
vamos casar em Berlim
à luz vã dos faróis
são de seda os lençóis
porque me amas assim



Wednesday, February 27, 2013

E em Coimbra NUNCA neva porquê, raios???

                  
Neva em Bragança, neva em Lisboa, já nevou no Algarve, neva em quantas serras há por este País de Deus, neva onde Judas perdeu as meias porque as botas ficaram para trás, neva para lá de Marrocos, mas em Coimbra nunca neva por mais frio que faça, e olhem que não costuma fazer pouco. É de uma pessoa dar em doida, é uma injustiça. Ameaçar já ameaçou várias vezes, e ai que há neve, ai que há neve, vão ver que há neve desta vez e neve, viste-a. Nem um floquinho para amostra. Já não é a primeira vez que fico de barrete russo na mão à espera, eu que tenho tão lindos agasalhos mesmo a pedir um nevãozito, coisa catita. Nada.
Lá isso um gelo de uma pessoa ficar feita sorvete, geada, chuva que S. Pedro a dá, e saraivadas de granizo, isso temos, porque aqui só calham as partes chatas, nunca as partes boas. E eu que queria tanto brincar com bolas de neve, pegar no trenó, tirar uns retratos todos fashion aqui para o Imperatriz com casacos e gorros de peles que até davam um header tão giro, mas já sei que não tenho sorte nenhuma: a última vez que a neve se dignou a cair por cá foi há tanto tempo que já nem me lembro e perdi as últimas esperanças quando há uns dois anos se falou que ia nevar em todo o país, incluindo Pombal (onde eu trabalhava) e Coimbra. Fez mesmo cara de neve, palavra de honra: o ar denso, um silêncio nas ruas que parecia mesmo verdade...e nicles batatóides, não caiu nem um pózinho que fosse. Tudo bem que a neve é chata quando começa a derreter e suja o calçado todo a uma pessoa, enlameia as ruas, etc...mas uma vez por festa era justo, não era? E não fazia mal a ninguém, pois não?
 Bem sei que o remédio para o meu desapontamento seria ir para um lugar onde realmente nevasse. E eu faria isso, se não desconfiasse de que no momento em que me dirigisse até lá, a neve largava tudo o que estava a fazer, fugia de mim e ia fazer o que tinha a fazer para outra freguesia qualquer. Acho que a neve embirra comigo. Não se faz.


Lívia Drusilla Augusta: viva a Imperatriz

                     
Ela era casada, mãe de um filho e com outro a caminho. Ele também - mas isso não importou nada. Reza a lenda que quando César Augusto pousou os olhos em Lívia Drusilla decidiu imediatamente divorciar-se da sua segunda mulher (que por sua vez, também esperava uma filha) para casar com ela. Ao matrimónio apressado e altamente civilizado (o ex marido de Lívia esteve presente, entregou-a ao noivo e deu a sua bênção ao enlace) não terão sido alheias razões políticas. Mas foi uma união feliz, que durou 51 anos, apesar de o casal não ter tido filhos em comum. Ainda assim ela foi mulher, mãe, avó, bisavó e trisavó de Imperadores:  Tibério (filho do seu primeiro casamento e adoptado pelo marido ao casar contra vontade com Júlia, a filha do padrasto) Cláudio, Calígula e Nero. A forma como estes chegaram ao poder em detrimento dos netos do marido levanta hipóteses sombrias (e muito exploradas na ficção) sobre o carácter de Lívia, mas podemos apenas especular. 
 Sabe-se, no entanto, que ela estabeleceu o padrão de virtude e comportamento para a matrona romana, e que quando o adorado marido se tornou Imperador, Lívia passou a  ter um estatuto privilegiado de companheira e conselheira pouco habitual para a época: os dois formavam um casal modelo, ela tinha voz activa nas suas decisões políticas, protegia as suas próprias causas e aparentemente, os dois estavam sempre de acordo. Apesar da opulência e poder da família, ambos eram pouco dados à ostentação; o Imperador estabeleceu leis sumptuárias e tomou medidas para combater a decadência e imoralidade, mas ele próprio se sujeitava a esses mesmos princípios, apoiado pela mulher: continuaram a  viver com modéstia na casa de sempre. Lívia aparece-nos como uma verdadeira senhora, de nascimento ilustre e devotada à família: modesta, serena, sempre fiel, de porte majestoso. Tinha bom gosto, mas evitava a extravagância nas toilettes e desdenhava pretensões. Certa vez quiseram condenar à morte um grupo de homens que, não se sabe porquê, apareceram à Imperatriz sem roupa. Ela perdoou-os, dizendo "para uma mulher virtuosa, homens neste estado não passam de estátuas". A paciência, carinho e tolerância de que cercava o marido, não ouvindo nem dando importância às suas fraquezas e dando exemplos de comportamento "casto" terão sido decisivas na enorme influência que tinha sobre ele.
                         
Com a morte do marido, porém, estas belas qualidades atenuaram-se, acentuando a sua altivez e sede de poder. Tibério -  traumatizado quer pelo divórcio dos pais quer por ter sido forçado a separar-se da mulher que amava, Vipsania, para casar com Júlia - nunca terá perdoado Lívia completamente, seguindo-se contendas palacianas entre mãe e filho. Tibério desprezava honrarias e no seu posto de avó da Pátria, Lívia não as dispensava. A paz podre entre mãe filho era tão intolerável que o Imperador se exilou em Capri, regressando apenas quando a progenitora já não fazia parte do mundo dos vivos...só com o neto, Claúdio, as honras que lhe eram devidas foram restauradas, incluindo o título de Divina Augusta.
 Não há mulheres perfeitas, nem mesmo as que ostentam o título de Divina: mas reinar nos bastidores de um  mundo dominado por homens até aos 86 anos sem nunca perder a compostura nem a vida é um verdadeiro feito. Isto sim, é uma Imperatriz.







Tartarugas Ninja, em modo vulgar

           
E pronto, outro remake para estragar recordações da minha infância: Michael Bay fez as pazes com Megan Fox. Para selar a reconciliação, Michael Bay deu à menina o papel de April O´Neill, a repórter ruiva que acompanhava as tartarugas nas suas aventuras. Não é que eu fosse grande fã da personagem, mas não estou a imaginar o resultado e embirro um bocadinho com Megan Fox: seria um milagre eu não implicar com uma starlet com mau ar, sempre a fazer caretas de protagonista de filmes com bolinha e que só diz disparates a cada entrevista que dá...a vulgaridade é daquelas coisas  que não perdoo, é mais forte do que eu. Pelo caminhar da coisa, nem quero ver quem vai fazer de Shredder (mea culpa, eu torcia sempre pelo vilão). Pior ainda, que desenhos animados se lembrará o realizador de levar à tela a seguir? Masters of the Universe? She- Ra? Os Cavaleiros do Zodíaco? Bia, a Pequena Feiticeira? (Estou mesmo a ver que tipo de actor iam escolher para fazer de Xoné, o espião do País dos Feitiços...cruzes!) Nerds, nostálgicos e simpatizantes deste mundo: tenham medo, muito medo.

Tuesday, February 26, 2013

Musas altamente pouco cooperantes

Nós, Musas, fazemo-nos esperar quando os artistas mais precisam de ajuda.

Vou ali rezar a Apolo a ver se me ilumina, e volto já.

A crónica do Oscar...




...já está na Activa. (E aqui assinalo que esta é a minha primeira "análise" deste evento a ter o carimbo de uma grande revista! Ocasião para celebrar, com ou sem discurso de vencedora...).

Um "derrièrre" grande é sinal de saúde?

                                 
Esta notícia anda a percorrer as redes sociais: alegadamente, um derrièrre vistoso faz 
bem à saúde, ou é sinal de saúde. Não pude confirmar a autenticidade da afirmação, mas fiquei curiosa. Quão vistoso é necessário ser para nos deixar tranquilas quanto a badagaios e fanicos? Isso do "grande" é muito relativo. Sou apologista de umas linhas de Vénus sem abundâncias excessivas, se bem que há mulheres que suportam lindamente formas mais voluptuosas. Então vamos lá ver: volumoso estilo Kylie Minogue, Raquel Welch, Brigitte Bardot, Marilyn Monroe basta? Um pouquito mais - Monica Bellucci, Sophia Loren? Entramos na categoria Shakira, J-Lo, Christina Hendricks e companhia? Ou tem de ser maiorzito tipo, vá, mulher fruta?
E para que a receita resulte é preciso que a curva seja bonita, bem tratadinha e no lugar, a combinar harmoniosamente com o resto, ou só o tamanho é que conta? Porque se assim for, tenho cá as minhas reservas...


Em Roma sê romano, por mais triste que isso seja



É neste mundo que ele tem de actuar, e é com os homens deste mundo que ele tem de lidar e por isso, deve conhecê-los como eles são e procurar adaptar o seu comportamento ao comportamento dos outros.
 Esforçar-se por ser bom quando todos os outros são maus é procurar a própria ruína.

(O tio Nicolau tem sempre razão, ou de como ser boa pessoa neste mundo é muito complicado. Que eu sou tudo menos idealista mas considero a arte de viver no mundo, ter mundo e agir consoante o mundo sem se deixar contaminar por ele  uma das mais exigentes e extenuantes que existem...)

Obrigada, Alberta Ferretti.

Alberta Ferretti - Pasarela
Por criar uma colecção tão bonita com influências orientais, victorianas e da Belle Époque. Ainda não tirei o máximo partido dos vestidos de veludo longos e quanto a blusas de cambraia bordadas à moda dos bons tempos, nunca tenho demasiadas. E o que dizer dos sobretudos, para uma pessoa se abafar à saída de uma soirée abrilhantada pelo génio de Oscar Wilde (como ainda não se inventou a máquina do tempo, posso sonhar)? Primorosos. Será que nas próximas temporadas começaremos a ver as antigas regras de vestuário a impor-se nas ruas? Não posso falar por toda a gente, mas adoro ver uma menina ou senhora bem vestida, com certo rigor. Sem chegar ao exagero do espartilho, mas com a elegância de antigamente. E se houver muitas peças assim no mercado, dou-me por satisfeita (se mais ninguém quiser podem ficar todas para mim, que nunca me canso disto...).
                               Alberta Ferretti - Pasarela
                              Alberta Ferretti - Pasarela
                               Alberta Ferretti - Pasarela
                                 Alberta Ferretti - Pasarela

                                    Alberta Ferretti - Pasarela
                                  Alberta Ferretti - Pasarela
                                  Alberta Ferretti - Pasarela


Monday, February 25, 2013

Manias de trazer por casa

                               
Serei a única que por mais lounge clothes que tenha (leia-se, fatiotas minimamente apresentáveis para andar à vontade por casa) acho sempre que nunca é de mais? Até porque nem sempre aparecem nas lojas as peças de que gosto, embora as grandes marcas se vão esforçando por investir em gamas especiais para relaxar, preguiçar, arrumar o castelo e outras actividades indoors, que permitam abrir a porta ao carteiro sem lhe pregar um susto. Um cross between entre roupa de yoga, traje desportivo e coisa híbrida que parece um pijama (outra mania minha) sem o ser, a roupa de trazer por casa não deve ser desprezada. Recordo-me de uma vizinha muito benzoca, que ia para a rua no último figurino em modo árvore de Natal, mas que em casa (vá-se lá saber porquê) usava os robes de chambre mais velhos, as camisolas mais cheias de borboto e de nódoas, toda despenteada, um disparate. Felizmente os vizinhos eram gente discreta, porque se falassem...
 Por muito que gostasse é-me insuportável fazer grande toilette em casa: assim que chego (e quem me lê sabe que insisto sempre no conforto da roupa e calçado, mas mesmo assim) fico aflita com costuras, fechos, anéis e tudo o que remotamente aperte, pique, pese ou comprima. A primeira coisa que faço é mudar para algo fofinho/ inofensivo para me sentar, dobrar, mexer, etc. Mas desleixos não acho de todo conveniente. As minhas louge clothes são uma mistura entre yoga apparel, calças de veludo (ou de caxemira e mohair, as minhas preferidas) leggings  de algodão (coisa que só uso mesmo por casa) tops, casaquinhos, polares, parkas vulgo kispos para jardinar, túnicas indianas ou outros balandraus de paragens exóticas que adaptei para o efeito. No Verão posso usá-los como alternativa aos vestidos leves.  Se eventualmente andar lá por fora,  boyfriend jeans. E botas pantufa, montes delas - ténis se estiver pelo jardim a plantar ervas aromáticas ou a arranjar modo de correr com os caracóis para sempre. Embora se esteja em privado, convém que os coordenados compostos por peças destas batam certo - juntando-se, claro, o cabelo arranjado e um jeitinho ao rosto (bálsamo colorido, BB cream...) para estar com bom ar, não vá a felicidade bater à porta e uma pessoa recebê-la com cara de sono. Para as senhoras casadas, meninas que dividam casa com o mais que tudo ou para quem namora e corre o risco de ele aparecer sem avisar e uma pessoa num estado de meter dó, cruzes canhoto, mais importante é andar bonitinha...mas de qualquer forma, uma pessoa sentir-se composta o dia todo não tem preço. E as meninas, que lounge clothes preferem?

Dolce & Gabbanna did it again: fit for a Queen

                            
Depois de uma colecção de Inverno absolutamente memorável e de continuar na mesma linha luxuosa e marcante para o próximo Verão, Dolce & Gabbanna augura que na estação fria 2013/2014 o espectáculo vai prosseguir. A promessa de, com o abandono da segunda linha D&G, investir tudo na etiqueta original e na Alta Costura parece estar a ser inteiramente cumprida: e o resultado, mais que sumptuoso, é sublime. Uma autêntica festa para os olhos e para o tacto, verdadeiro luxo e tradição italiana onde a imagem tradicional das mulheres da Sicília (o negro, o branco, o cinza sóbrio, as rendas, os sheath dresses típicos desta Casa e os tailleurs retro) se associam a elementos bizantinos e a uma explosão de encarnado e pedrarias. Estetas deste mundo, banhai os olhos. Perfection.
                    
                       
                         
                      
                       

Estou como a outra, isto é uma casa muito farta.





É que estou farta de uma série de situações, de coisas, de pessoas, e acredito que em alguns casos o sentimento seja recíproco. Parece aquela anedota em que todos estão fartos uns dos outros, vade retro. É à fartazana, palavra muito feia mas que ilustra lindamente o que se passa. Deuses, sejam simpáticos comigo. Blessed be.

Aquele momento fabuloso



Em que uma pessoa se sente cheia de energia e quer adiantar horrores de trabalho, está pendente de uma data de respostas para fazer isso e as contas de e-mail decidem não funcionar, porque não querem funcionar, porque isto é um país livre e elas não têm nada que trabalhar se não lhes apetece, como os comboios. E mais tarde, quando finalmente se dignarem a abrir, já as tarefas se acumularam até ao tecto, e esta menina tem de gastar tempo extra a fazer o que devia estar concluído de manhã. Lindo. Vale-me pensar como os ingleses: aquilo que não ficou feito não valia a pena ser feito em primeiro lugar. Não é grande consolo mas enfim...

Diz que isto é uma espécie de Oscars...

         
...mas esta manhã, ao sentar-me para apreciar as toilettes (nunca tive paciência para ver a red carpet em tempo real) fiquei cá com as minhas dúvidas. Supostamente, esta cerimónia é la crème de la crème no seu género, o local para vestidos sumptuosos, para os looks de cortar a respiração. Eu continuo a defender que é em Cannes que vemos verdadeiro requinte, magnificência e glamour mas enfim, os Oscars têm uma reputação a defender. E num ano em que os designers colocaram cá fora os decotes mais impressionantes, as cores mais ricas, bordados, brocados e estampados maravilhosos, cortes de modelagens de uma precisão impressionante que fazem uma mulher como uma escultura,tanta sensaboria é imperdoável. Palavra de honra que ao ver - once again - cai cais sem graça,  vestidos nude deslavados ou shift dresses coleantes com lantejoulas perdi toda a vontade de comentar em detalhe. É que já tenho visto coisas mais bonitas em festas privadas cá do burgo. A minha querida Fan Bing Bing (abaixo, em magenta) foi uma das poucas a respeitar o ambiente do evento, goste-se ou não do Marchesa que vestiu (eu gosto). Digo "querida" porque a menina é uma salva-passadeiras-encarnadas. Está sempre magnífica, como se deve nestas ocasiões, com todo o look planeado ao milímetro e nada fora do lugar: a perfeição. Ter um porte lindo conta imenso, mas o diabo está nos detalhes.
 Oscars 2013, Best Dressed: Helena Bonham Carter, Salma Hayek, Fan Bingbing, Melissa McCarthy
Também Olivia Munn escolheu um lindíssimo Marchesa cerise, a meu ver um dos vestidos mais interessantes que por lá apareceram: pena foi que tivesse sido escolhido e provado, se é que foi provado, às três pancadas - e por isso não lhe assentasse como devia. Repito, o diabo está nos detalhes: em vez de criar uma figura de ampulheta linda, tirou-lhe metade da altura, a modelagem do corpete não se nota, o drapeado não está no sítio certo e a cauda anda para ali numa confusão, embrulhada debaixo dos pés. Uma pena. Um lindo vestido sem uma stylist competente e uma costureira mais competente ainda, nunca me canso de insistir nesta tecla, é dinheiro deitado à rua. Ou neste caso, vestido emprestado para não beneficiar ninguém.


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