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Saturday, March 9, 2013

Nome a fixar: Maya Hansen

                                       
                              en el estudio de maya hansen
Por vezes acontece passarem-nos coisas giras ao lado, mesmo em temas que nos interessam. Exemplo disso é que não tenha reparado com olhos de ver no trabalho da designer espanhola Maya Hansen, uma das finalistas do prémio Who´s on Next (atribuído pela Vogue, em colaboração com a a Inditex e a Mercedes-Benz) . Bonita, com um atelier que mais parece um boudoir, Maya é conhecida pelos seus extraordinários corpetes e espartilhos, bem como pelo dom de tornar especial cada peça que faz. As suas criações são fantasiosas, mas até os vestidos mais diáfanos primam pela sofisticação, detalhe e rigor, algo que conquista de imediato a minha admiração. É que criar  vestidos de noiva dramáticos (um dos seus ex libris) ou colecções conceptuais que se pareçam com máscaras não é difícil - difícil é dar a roupas inspiradas noutros tempos um ar de coisa séria, usável e actual, sem que se perca o fio condutor. Lady Gaga aprecia, e diga-se que fica muito melhor assim do que com certos disparates que tem vestido...
Acho o trabalho da señorita Hansen um perfeito encanto e é desnecessário dizer que estou completamente fã da menina. Uma das suas colecções 
chama-se, muito adequadamente, Queens of Spain. Juro que ficava com tudo e mais alguma coisa sem me custar nada...

          en el estudio de maya hansen en el estudio de maya hansen
          video01
          

                

Aerofobia ao cubo

A mãe da Sissi vem aí? Accionem medidas de emergência!
                          
Conta a S* que o namorado tem medo de aviões e que por isso mesmo, ganhou o gosto a ver programas sobre desastres aéreos. E quem percebe a contradição muito bem, quem é? A minha pessoa, que já lida com as esquisitas formas de sublimação de uma mãe com caso agudo de areofobia desde que se conhece por gente. Vá lá que a mamã, coitada, até tem desculpa. Tinha ela seis anos, e estava a brincar tranquilamente num cenário idílico da Beira Alta, quando uma avioneta lhe passa por cima da cabeça, bate contra as árvores e vai despenhar-se mais adiante, ficando em fanicos. O piloto, coitado, foi desta para melhor ali mesmo e a criança que viria a ser   autora dos meus dias ficou em estado de choque. Em vez de a levar ao psicólogo -  que naquele tempo não havia cá dessas contemplações com os pequenos -  o avô, que era um grande brincalhão e adorava voar (perdia-se por tudo o que tivesse motores e andasse rápido)  divertia-se a levar a família a espectáculos e festivais aéreos. A coitadinha corria a esconder-se debaixo dos carros logo que se ouvia o rosnar dos jactos e era um castigo para sair de lá, por mais que a família a chamasse literalmente de joelhos. E qual é a coisa mais lógica que uma mulher com uma aerofobia do piorio faz a bem da sua tranquilidade mental? É casar e ter filhos com um oficial da Força Aérea, pois. Mas a fobia da mamã, valha-nos, não é das piores: só é accionada se ela própria estiver no avião. Relativamente aos outros tem um medo normal, pelo que até encorajou o papá nos primeiros saltos de pára - quedas e voos tácticos, via telefone. Chegar-se a coisas com asas é que não. Mas claro, com esse estilo de vida é impossível não viajar uma vez por outra. De modo que eu, ainda sem idade para aturar filmes desses, tive de sofrer maus bocados, vulgo hospedeiras a colocar-se estrategicamente à frente do nosso lugar, para que os outros passageiros não julgassem que aquela senhora estava a choramingar por saber alguma coisa que eles não sabiam, que havia uma bomba no avião ou coisa parecida, e se amotinassem todos. Ou quando uma hospedeira húngara, trombuda como só uma húngara sabe ser e de sotaque esquisito, nos trouxe toalhas quentes para as mãos, a mãe percebeu que eram para pôr na cabeça e zás, achou que íamos todos morrer e que aquele era um último conforto para aguentar a pressão atmosférica ou algo do género. Não, a fobia não desaparece com umas valentes horas de voo. Nem sequer quando um familiar nosso sobrevive a um acidente de avião aparatoso e mediático. Nem acenando com férias na Malásia ou recepções em Marrocos (tudo convites recusados, digam-me se isto são coisas que uma senhora no seu perfeito juízo se negue a fazer para não passar umas horas numa "lata de sardinhas"). Planear uma viagem é uma complicação, em suma. E por mais que eu lhe diga "se cair caiu, que quem morre no ar vai direitinho para o céu" ou "que parvoíce"  não há maneira. Como eu própria não gosto muito de voar (detesto a pressão atmosférica, a desidratação, o facto de estar fechada e sim, há um vago receio de que não corra bem) desenvolvi técnicas: pensar no destino e não na viagem, mentalizar-me de que vou passear, apreciar a comida, ou, como prefiro viajar pouco mas decentemente, os mimos da classe executiva...truques baldados. Tem medo, tem medo, tem medo, e já ameacei que não há mais negas e que da próxima vamos e vamos mesmo, nem que ela se entretenha sei lá, a rezar o terço ou tome meio frasco de valerianas e um cocktail qualquer e seja o que Deus quiser, se tiver um surto finjo que não a conheço e caso arrumado. 
  Há dias então, tivemos aqui uma cena linda. Estava um vento horrível, alerta laranja e até julguei que fossem novamente cair árvores. Eis que passa um helicóptero mesmo por cima da nossa casa, o vento empurra-o para baixo e as pás bloqueiam, com um barulho esquisitíssimo. Ergui a sobrancelha e fui ver o que se passava, porque se caísse não passava do jardim e no pior dos cenários, ficávamos com um decor ao melhor estilo The Walking Dead. Acabou por não ser nada - bom para a tripulação e para o meu sossego, pois se o pior sucedesse não faltavam aí quantos jornalistas há a registar o acontecimento, a espreitar pelas janelas e a pisar-me as alfaces, as roseiras e os coentros, coisa que não me convinha nem um bocadinho. Entretanto, a minha pobre mãe sobe as escadas, branca como a cal, "ai que me vai dar uma coisa, ai que desta vez foi quase"...
...e no meio disto tudo, não há filme, notícia ou documentário sobre desastres de avião que ela não devore, interessadíssima. Mas isso é para quê? Para ficar com mais medo? Para encarar de frente e ao detalhe o cenário dantesco? Para ter desculpas razoáveis e cientificamente comprovadas que a impeçam de voar de todo? Go figure.

Se a moda pega...pixie

                             
Contra todas as escolas tradicionais de sedução feminina, o corte pixie (e suas variantes) parece estar a conquistar mulheres por todo o planeta. A ideia é refrescante: embora não seja fã, compreendo o apelo e é bom que haja variedade; opções chic para quem prefere ou tem necessidade de cortar as madeixas (ninguém está livre de ter  o cabelo torrado por um cabeleireiro doido e precisar de uma saída airosa, por exemplo). As versões com franja, estilo Twiggy, dão muita graça a uma cara laroca.  Aparentemente, é menos complicação e menos que pentear. Porém, não é um look tão fácil de manter como parece (por vezes, o cabelo longo dá menos trabalho a moldar) nem assenta bem a qualquer uma - exige uma cara fresca, corpo esguio, ar gaiato e feições suaves para funcionar. Numa cabeleira com tendência a frisar, pode ser o inferno. Além disso, usar este visual requer coragem, porque uma mulher fica sem nada para se refugiar, nada para mover com o vento, depende só de si mesma.   Embora haja mulheres que ficam muito melhor de cabelo curto e o usam com um glamour incrível, acredito que daqui a uns meses o horrendo negócio das extensões exageradas voltará em força, agora que começávamos a livrar-nos delas e a deixar de ver meninas ou senhoras com cortinados na cabeça, colados à força de clips de keratina...

Friday, March 8, 2013

Diana de Poitiers dixit

                                                 

To have a good enemy, choose a friend: he knows where to strike'
Ou repetindo um dito italiano que uso muito, " Deus me guarde dos meus amigos, que dos meus inimigos cuido eu". E fecha-se a semana em modo conspiração, mas só por graça...


The leather dress: a ponderar algo diferente...

                             
...para um evento este fim de semana. No início da temporada tinha-vos falado nos vestidos de couro muito semelhantes a este Versace (Jessica Alba, em cima) e ao Michael Kors de Angelina Jolie (abaixo) que trouxe para casa o ano passado, num assomo de clarividência. Achei surpreendente como um material tão arrojado pode compor um look de discreta elegância. De modo a obter esse efeito (e não um aspecto demasiado "alternativo")  é preciso que todo o drama se centre no vestido, prescindindo de jóias, acessórios ou maquilhagem demasiado forte. Estou indecisa entre a vontadinha temperada de razão (ou uso agora, ou nunca se sabe quando uma coisa tão impactante volta a ser tendência) e a minha resistência à novidade. Já levei à rua as calças e saias de cabedal de várias cores e feitios, mas atrever-me-ei a um look total? A ver vamos, que nisto de visuais não gosto de fazer juras...

                             


Casaco perfeito

Perfeito para looks desportivos, descontraídos ou casual chic, sem deixar de lado, nem que seja por um segundo, a sofisticação. De couro macio, com corte retro - se puderem deitar a mão a qualquer sobretudo linha A vintage
 façam-no, não se arrependerão - e ainda por cima, com capuz.  Este é Burberry - what else? - e uma autêntica fonte de suspiros. Um verdadeiro candidato ao título de kido casaquinho. Não tenho wishlist, mas se fizer uma, este está lá de certeza. Fingers crossed.

Get the Look: boyfriend jeans with a twist

Vi esta imagem inspiradora no amoroso 40 e Fashionista, e deu-me que pensar . E porque é que esta toilette, que aparentemente não tem nada de especial, me chamou a atenção? Porque apresenta uma estupenda sugestão de styling para usar boyfriend jeans no Inverno. Por norma, os jeans- que-parecem-roubados-ao -armário-dele (mesmo que o rapaz seja tão grande que isso se torne de todo impossível, é sempre uma imagem romântica) são mais fáceis de vestir nas estações quentes, com uma sandália compensada ou, se nos sentirmos especialmente habilidosas, com um salto alto e fino e uma camisa ou top que quebre o ar rebelde do coordenado, conseguindo um contraste interessante. Nesta altura do ano é mais complicado, já que jeans largueirões sob casacos tendem a dar um ar demasiado masculino, a criar uma figura em bloco que não é de todo desejável e ainda por cima, não são fáceis de coordenar com botas. Mas se não estiver a chover demasiado, porque não enrolar as bainhas e usá-las com um pump amoroso? Equilibra a silhueta e dá ao conjunto um aspecto chic, mas divertido. Uma ideia óptima para pôr em uso as boyfriend jeans que por ali andam, a aguardar os dias de sol...já experimentaram?

O Dia da Mulher, segundo o Povo

                                              
Vox populi, vox dei. Os contos populares são um registo de costumes inestimável, que nos permite ver como era a realidade de outros tempos, muito para além do status quo. Como foi dito no post anterior, em dadas épocas havia a ordem estabelecida (o Homem era o chefe de família, a Mulher a hábil gestora e de preferência, submissa como mandava a Igreja e a sociedade) mas o que se passava entre portas era, muitas vezes, outra história. Mesmo nos casos mais graves, a astúcia levava amiúde a melhor sobre a força - ou arranjava modo de pagar na mesma moeda. E o conto abaixo, que reproduzo de memória, é um excelente exemplo: ninguém interferia na bela ilusão masculina de mandar em tudo mas a dinâmica real era de equipa (quando não andava tudo às avessas, o que pessoalmente também não me parece lá muito bonito...nem oito, nem oitenta).

Era uma vez um prior muito cioso da paz doméstica na  paróquia. Como no seu entender havia uma certa sublevação das mulheres na freguesia, quis chamar a atenção para a sacra autoridade do esposo, premiando o marido mais capaz de impor ordem em casa. Assim, no final do sermão de Domingo, o Sr. Prior fez um anúncio: como tinha muitas nogueiras e a colheita fora excelente, iria oferecer um grande saco de nozes ao homem mais machão (e mandão) que se encontrasse entre os fiéis. Mas atenção - reforçou - só darei às nozes ao homem que provar que não é comandado pela mulher
Ora, entre a assistência havia um homenzarrão que se achava o cúmulo da autoridade. Em casa, o galo era ele. A sua palavra era lei e ninguém soltava um pio. A mulher e as filhas andavam direitinhas como um fuso e senão, já sabiam...
 - As nozes já cá cantam! - pensou o bruto - a minha mulher não manda rigorosamente nada, toda a gente sabe que eu sou o marido mais obedecido cá do burgo. E certo da sua supremacia, apresentou-se em casa do Padre no dia seguinte.

- Muito bem, meu filho! - disse o Padre - já contava que cá viesses. Bem sei que em tua casa quem dita as regras és tu. Deixa cá ver o saco, para levares as nozes.

Qual não foi a surpresa do Prior ao ver que o homem trazia consigo não um alforge (do tamanho de um saco de batatas actual) mas um saquito pequeno. 

- Então?  - perguntou espantado - porque diabos não trouxeste um saco maior? Eu 
disse-te que eram muitas nozes!

- Ah, Sr. Padre, sabe...eu bem queria, mas a mulher começou com coisas, que era vergonha trazer um saco muito grande, que o Sr. Prior havia de julgar que somos uns gananciosos e uns mortos de fome, e tal...e lá acabei por trazer antes este.

Escusado será dizer que o Padre ficou zangadíssimo e que o homem não levou noz alguma. E que há muitas formas de "mandar"...métodos que as mulheres sempre dominaram como ninguém. A autoridade é muito relativa...





O Dia da Mulher, segundo as avós

                            
aqui e aqui se deu o meu parecer acerca do Dia da Mulher ... apenas por uma questão de reforçar ideias, pois este é um blog onde se fala muitíssimo de nós, mulheres - sem desprimor para os cavalheiros gentis que acompanham o IS. Recentemente mencionei como acredito que as mulheres sempre governaram o mundo subtilmente, por detrás do pano, usando os seus encantos e uma maravilhosa astúcia (Lívia Augusta, Átia, Anne Boleyn, Diana de Poitiers, Agnès Sorel) ou uma grande nobreza associada a um ânimo varonil (Santa Isabel de Aragão, D. Leonor de Távora) embora se faça a devida vénia às que, de caras, dominaram o cenário (Caterina Sforza, Iolanda de Anjou, Leonor de AquitâniaCaterina de Medici, Isabel I) e não se esqueçam as que de forma mais ou menos honesta, com mais ou menos moral, moldaram o seu próprio destino (La Paiva, FrinéiaLa Belle Otero, Veronica Franco) e tiveram os homens mais poderosos, os movers and shakers do tempo, aos seus delicados pés. O tempo não me chega, com muita pena minha, para me dedicar a todas as figuras femininas que gostaria de abordar aqui, mas vai-se trabalhando para isso. E o motivo é que há histórias, e detalhes da História, que nos recordam o que somos, e como devemos conduzir-nos, melhor do que qualquer frase feita bonitinha, melhor do que jantarinhos "de mulheres" ou qualquer canção porta-estandarte que pregue as alegrias de "ser mulher". Prefiro inspirar-me no exemplo daquelas que muito antes de nós se impuseram pelo estilo, o espírito, a beleza, a sensualidade, os neurónios, a pena, a linhagem ou a espada, ou uma combinação de vários destes factores. 
  Quando me sinto mal, costumo pensar que as mulheres que mais admiro passaram por muito pior. Ou recordar os conselhos da avó Tete, que era uma verdadeira senhora, daquelas que vão rareando, e provavelmente a que mais me influenciou. Já vos contei várias estórias e máximas dela, de uma época em que se falava muito pouco em dias dedicados à Mulher. Elas tinham de se defender a si próprias, e não detendo poder oficial, conspiravam ardilosamente nos bastidores (como sempre foi, afinal de contas) ora de forma amorosa, ora para impor a sua vontade: primeiro para dar a volta ao pai, depois para escolher marido, a que teriam de dar a volta mais tarde se queriam uma vida feliz. Era assim que as coisas se faziam naquele tempo, mas como carácter sempre foi coisa que independeu do sexo, havia bons e maus relacionamentos como há hoje - a capacidade de resposta feminina é que era diferente. Como tal, as raparigas solteiras tratavam de observar os exemplos das que já estavam casadas, na tentativa de evitar  passos errados. E uma das formas de distinguir um homem bom de um mau era, segundo a avó, reparar no ar da mulher. " Vê-se pela cara da mulher o tratamento que o marido lhe dá", dizia ela. Ou seja, as que tinham a  seu lado homens que as mimavam em todos os aspectos, que lhes proporcionavam um ambiente pacífico e tranquilo em casa, que eram carinhosos e fiéis, irradiavam serenidade e segurança. Andavam com boa cara e bem arranjadas, não só porque eles não permitiam que lhes faltasse nada (coisa que na maioria dos caso, dependia deles...) mas porque tinham orgulho nelas e em que se embonecassem. Não eram, portanto, maridos dominadores, agressivos, ciumentos e sempre a pular a cerca. As que tinham casado com brutamontes, pelo contrário, mostravam sempre um aspecto inseguro, amedrontado e, como se dizia ao tempo, infernizado. As meninas casadoiras tratavam, então, de olhar com desconfiança os irmãos, primos ou amigos solteiros desses maus maridos. (Diz-me com quem andas...).  Mesmo nessa época, as mulheres sensatas sabiam valorizar-se e só por muito azar se sujeitavam, com medo de ficar sozinhas, ao que as mulheres de hoje não devem 
sujeitar-se. Infelizmente, bem sabemos o que é a realidade, e que a falta de amor próprio é a raiz de muitos males. E já que se festeja hoje a igualdade, o conselho também vale para os homens: ser maltratado, ninguém merece.

Thursday, March 7, 2013

Bonito serviço.

           
A minha pessoa entusiasma-se com o exercício.
Exagera.
Dá mau jeito a um braço - o direito, ainda por cima, quando de canhota não tem nada.
Fica com a asa derrubada e não consegue escrever à velocidade habitual. 
O trabalho da menina sofre com isso. 
Também não consegue pentear-se nem secar o cabelo sem sofrimento, o que é um atraso de vida, principalmente quando tem compromissos mais logo.
Nem é capaz de pendurar e pôr em ordem os casacos e vestidos que tirou do armário antes de se lesionar. O closet fica num estado pouco recomendável, o que é irritante q.b. Isto é um exemplo, porque qualquer tarefa doméstica fica seriamente comprometida.
Toma um analgésico e reza para que passe, ou terminar a semana como planeado vai ser uma complicação.
 Ou seja, por causa de um movimento em falso, metade do dia foi, passe o trocadilho, para o maneta (expressão que já não ouvia desde o tempo dos Afonsinhos e que me recordaram por estes dias). Ainda dizem que a preguiça é que é pecado, e que merece castigo, etc. Pois.


Stand up to your devils or they'll walk over you

Acredito que o indivíduo sensato deve harmonizar ousadia (mais coragem do que prudência é uma velha receita) com astúcia. Escolher as batalhas, nunca adiando as que é necessário travar. Obter toda a informação possível porque conhecimento é poder, mas seleccioná-la para não se deixar turvar por ela. Ver as pessoas e as situações exactamente como são, não como gostaríamos que fossem.  Conhecer  - ou antes, aceitar - as paixões, fraquezas e impulsos humanos e agir de acordo. E de igual forma, estar ciente do seu próprio lado negro, para o domesticar e usar a seu favor. Não deixar que o ego ou a soberba prejudiquem o curso de uma demanda - por vezes é preciso saber perder uma batalha para ganhar a guerra, ou colocar o idealismo de parte por um bem maior. Ter valores presentes, manter um estilo próprio, ser fiel a si mesmo e seguir as próprias regras. Conhecer, por golpe de vista, o que vale a pena e o que não merece o nosso investimento. Estas são algumas máximas inestimáveis. Mas é preciso que ao cumpri-las, nada fique por enfrentar ou purgar. O adversário que se evitou  estrategicamente no passado poderá saltar ao caminho mais adiante. Com outra forma, com outro rosto, noutro cenário. Mas a causar as mesmas dificuldades e constrangimentos. E por menos vantajoso que seja perder tempo com ele, por pouco que  convenha pensar no assunto novamente ...voltar-lhe as costas, dar o cold shoulder, espantá-lo para longe ou deixá-lo banquetear-se com o espólio para proceder tranquilamente à conquista a cidade  nem sempre é solução. Se uma situação se repete uma e outra vez, se detectamos um padrão, pode ser que essa sombra esteja dentro de nós. E disso é impossível fugir. Mais cedo ou mais tarde, teremos de a encarar de frente. Pode ser difícil, quando o oponente é a nossa kryptonite e tem a capacidade de trazer à tona os nossos piores demónios. Mas tem de ser feito, sob pena de se transformar num medo oculto. E os receios que não conhecemos bem, ou cuja existência não toleramos nem admitimos, são os piores inimigos: stand up to your devils or they'll walk over you, é o que dizem.




Veste-te, que ainda te constipas: Rihanna em modo attention whore, ou quando a ordinarice calça Prada

                                   
Prada ofereceu umas botas personalizadas a Rihanna, esta menina que tem aparecido bastante por cá (ora por se portar bem, ora por lhe escorregar o pé para a chineloca). E o que fez a cantora (para além de, suponho, mandar "customizar" as pobres botas da forma mais ordinareca à face da terra, que aquelas Prada nem o diabo as calça) no sentido de agradecer o presente, e dar à respeitável casa o devido retorno?  Atirou a roupa para longe, foi à casinha e retratou-se para o Instagram nestes preparos. Mai´nada. Está certo que não se pode comprar este tipo de publicidade, mas tenho as minhas reservas se interessará à Prada associar-se a imagens destas, vulgo girls-gone-wild- nas-redes-sociais-que-tiram-fotos-seminuas-no-espelho-do-wc (por outro lado, quem lhas deu devia ter adivinhado o que ia sair dali...). Também é verdade que a rapariguinha emagreceu e está em esplêndida forma, mas sendo já demasiado-famosa-para -seu-próprio-bem só posso concluir que sofre de um caso agudo de exibicionismo. É que é na Rolling Stone, em tudo quanto é editorial, em cada videoclip que faz...nem sei porque não anda nua por aí e pronto. Julgará que vive no Faroeste, como na cançãoSuponho que aceitar de volta um namorado que lhe deu uma tareia também tenha ajudado, ou seja um sinal de que algo não bate certo por ali. Ou antes, repito o que disse esta semana acerca dela: a barraca de Rihanna pode ficar nos Barbados, mas não deixa de ser uma barraca, e não sai de dentro da menina por mais que se faça

Muito recomendável: blush Catrice Jelly Cheek Tint

                                       

Tenho referido que os lip stain, lip tint e cheek tint (ou seja, qualquer produto com textura de "tinta" que mancha e dura horas a fio) fazem parte dos meus cosméticos indispensáveis. Não transferem, permitem dar uma corzinha (lembram-me o efeito da maquilhagem usada pelas mulheres medievais) criar um efeito mais dramático ou servir de base de cor para a boca, de acordo com a quantidade e a forma de emprego. Embora haja alguns em cores nude lá em casa, prefiro o encarnado, que é o mais versátil e o que vai melhor com os meus tons naturais. E desde que me converti ao uso ocasional de blush, esta é uma das minhas opções preferidas para emprestar colorido às maçãs do rosto. Ontem vi este da Catrice: nunca tinha usado tint em geleia, mas testei e gostei tanto que veio logo comigo. A caixa é minúscula, porém basta uma gotinha para animar as faces e os lábios. É uma pena ser uma edição especial - tint ou stain, como o lip plump e as boas bases, deviam estar sempre à mão de semear. Há por aí mais adeptas da maquilhagem que "mancha"?


                                   

Wednesday, March 6, 2013

Não é preciso ir para o Rossio para se ser pantomineiro. Basta ser-se pantomineiro.

                                     
Um país onde Pessoa é citado a propósito de tudo e de nada, porque cai bem citar Pessoa e é o primeiro nome que vem à cabeça, como se (não desmerecendo o luminoso amigo de Aleister Crowley, autor da visceral tradução de "Hino a Pã") não fôssemos um país entre os melhores do mundo o que diz respeito a autores. Um país com uma mentalidade aburguesada e chinfrim, sem os hábitos de trabalho inerentes à burguesia, acostumado ao jeitinho, à indisciplina, à falta de aprumo e ao desenrasca; um país que vai inevitavelmente em cantigas, mas só se os outros forem todos, e geralmente sem saber porquê; um país que adora modismos, mas não se dá ao trabalho de saber de onde vêm nem tão pouco se lhe assentam; um país que já teve estilo, nos tempos áureos, mas que o foi arrastando e estafando até ficar pelintra de todo, e agora faz gala de ser muito amiguinho da justiça, muito amiguinho da igualdade, mas não diria que não a um belo tacho e só condena quem tem mais do que ele, e só se levanta quando as maçadas lhe batem à porta, porque até aí o vizinho era um malandro que vivia à grande, um vampiro que se aproveitava do "povo" (essa sacra entidade que ninguém sabe ao certo o que é). Um país assim está é a pedir dois berros, a precisar de acordar com um Manifesto Anti Dantas Almada Negreiros style que ponha no lugar os  pantomineiros, trampolineiros, patos bravos, poseurs, inimigos do gosto, da honra e da beleza. 
O que faz falta a este país, mais do que resolver a  crise -  porque crises vão e vêm -  é educar o estilo.  O gosto pode ser inato, mas também se educa. Vejam os japoneses, franceses e italianos,  povos que sabem fazer as coisas com cachet. Alguém fala no estilo português? Como querem vender a marca Portugal aos mercados (essas sacras entidades que ninguém sabe ao certo o que são; há quem diga que os mercados somos todos) se não temos um posicionamento, uma imagem definida, cuidada, que não seja de um povo sempre a emigrar, sempre pobretanas e desnorteado, sempre a fazer vénias? Há o ser e há o parecer. Antes de mais, urge arranjar para este país um personal stylist. Acompanhado de um alfaiate e de uma engomadeira de grande competência, para lhe tirar este ar afadistado e anémico de uma vez por todas. Assim, PIM PAM PUM.



Update - calças desta tarde

Não resisti à curiosidade e acabei por aproveitar uma volta que tinha a dar esta tarde para passar pela H&M, a fim de experimentar as  calças cigarrette de que vos falei. Pois bem, confirma-se a minha opinião inicial: corte e modelagem muito recomendáveis, cintura impecável, excelente fitting  - assentam impecavelmente -  o tecido ...q.b. Peca por ser fino demais, talvez por serem calças pensadas para o Verão. Se fossem de algodão espesso, como outras que tenho, e o gancho estivesse um bocadinho-inho-inho mais no lugar, teria trazido mais um ou dois pares. Assim, não fiquei 100% convencida e acabei por comprar só um, decisão de que espero não me arrepender. Nada como usá-las algumas vezes para ter a certeza - e rezar que haja mais caso goste mesmo delas. Em todo o caso, servem lindamente o propósito a que se destinam e para quem está interessada numas calças clássicas todo-o-terreno, fica a dica.

Calça cigarrette H&M


                                         

                           





















Se há básico que não dispenso é a calça cigarrette (preta, se possível) de bom corte e cós masculino, forrado.
Uso-as com tudo o que se possa imaginar (stilettos, sob botas de cano alto, com blusas ou camisas...) em toilettes descontraídas ou de maior formalidade. O problema? Muitas vezes esta peça tão simples (à qual se exige apenas a trindade "bom tecido que não seja brilhante, acabamento razoável e cintura ligeiramente alta, porque se for descaída não funciona como deve") não aparece nas lojas. Tenho uma série de pares, mas por vezes mando apertar modelos vintage, que por incrível que pareça são mais fáceis de encontrar. Um disparate, já que esta é uma peça-panaceia que fica bem a quase toda a gente -  às meninas mais fortes recomenda-se apenas um tamanho algo folgado. Em suma, nunca tenho exemplares que cheguem e quando encontro trago os que posso, porque já sei que fico muito tempo sem ver tal coisa à venda. Estas da H&M 
chamaram-me a atenção e espero que estejam de facto disponíveis em todas as lojas. Ainda não as experimentei mas parecem bem modeladas, com a cintura no lugar certo e  a bainha curta o suficiente para serem usadas com sapatos, sabrinas, botas ou botins. Para quem gosta, existem versões coloridas ou estampadas. Muitas fantasias em calças não me seduzem (é coisa que gosto mais de ver nas outras pessoas) mas as de brocado bourdeaux abaixo são uma excelente opção para compor looks algo elaborados sem muita canseira, e o tecido (à vista, pelo menos) é lindíssimo. Vou procurar e logo vos dou a minha opinião. Se já as tiverem comprado/ experimentado, let me know...





                                   







Pensamento do dia: amor e realpolitik

"Os partidários incondicionais  e dedicados, quando desiludidos, tornam-se os piores adversários: na política, como no amor, não se suporta ser decepcionado".

Edouard Balladour, in "Maquiavel em Democracia"

A vingança é terrível: prepara-te, gato.

O gato Chiquinho não anda bom da cabeça. É o amor, é o prelúdio da Primavera, não sei a causa mas algo o está a pôr seriamente maluco. Mia para sair, mia para entrar, mia por miar, com os trinados mais estranhos e elaborados que imaginar se possa; e quando pensamos que está sossegado no seu canto, que dorme como um bebé e não vai chatear ninguém até de manhã, lembra-se de acordar a meio da noite e armar um berreiro para que lhe abram a porta. Por mim podia choramingar até deitar a casa abaixo, pois é literalmente para o lado que durmo melhor. Tenho o sono pesado e costuma ser preciso muito para me arrancar aos braços de Morfeu. Já a mamã não pode dizer outro tanto: se se esquece de fechar a porta do quarto, acorda e acorda mesmo  - ai que isto faz um eco no escuro que não se pode, mas o gato não se cala, shhhhht, passa...e ele na mesma, que quer é ir à sua vida, a noite é uma criança - e não descansa enquanto não se levanta para pôr Sua Excelência na rua, a seu passeio. De modo que há duas semanas que não dorme como deve, e está a ficar deveras fora de si com a brincadeira. 
     Estava eu distraída, minding my own business, quando a ouço gritar: "TAMBÉM GOSTAS QUE TE ACORDEM, HEIN? GOSTAS??? QUE TAL? É BOM, NÃO É, MEU PATIFE?". Virei-me para ver a causa do desacato e lá estava ela a sobressaltar o gato (que dormia como um prelado no sofá) de propósito,  ele a olhar para ela, assarapantado, como quem diz "a minha dona ensandeceu" e a senhora mãe a prometer mais vinganças do estilo até que a mania passe. Realmente, a falta de sono é um mal daqueles. Ou a tonteria é contagiosa. Vou fechar-me a sete chaves, pelo sim pelo não.

Tuesday, March 5, 2013

Isso de consciência é alguma coisa que se coma...ou chá que se tome?




"(...) isto de consciência é uma questão de educação. 
Adquire-se como as boas maneiras; sofrer em silêncio por ter traído um amigo, aprende-se exactamente como se aprende a não meter os dedos no nariz. Questão de educação...no resto da gente é apenas medo da cadeia, ou da bengala."

     




 Ou, como costumo dizer, o chá, tomado ainda de fraldas e pela vida fora, é uma panaceia. 

Eu que não sou de "feminismos"...

                         As raparigas do Salão Automóvel de Genebra de 2012 (© Microsoft/Magic Car Pics)
...e que percebo perfeitamente que as modelos/hospedeiras precisem de ganhar dinheiro, assim como a inegável eficácia em termos de marketing da associação de ideias, mais velha do que os montes, "compro um carro poderoso = arranjo mulheres espampanantes" que se faz na cabecinha de muito candidato a macho alfa a precisar de algo mais (é antropologicamente explicável e básico, nada a fazer) acho isto um papelinho tão ingrato...
                        As raparigas do Salão Automóvel de Genebra de 2012 (© Microsoft/Magic Car Pics)
Já não falo no ar e nas fatiotas de muitas moças neste Salão de Genebra, que isso enfim...há que fazer o tipo que se procura para o efeito, sem ofensa. Mas por muito que se goste de automóveis e se junte o útil ao agradável; ainda que algumas sejam engenheiras mecânicas com um QI de 180 a fazer uma "perninha" para pagar as propinas, e que isso não tenha, em boa verdade, mal nenhum; por mais que eu até defenda que sim, uma mulher bonita não precisa de negar que o é para se fazer respeitar e que a feminilidade é um dom dos deuses (ou uma arma, em muitos casos) tão útil como outros dotes quaisquer... a função decorativa da mulher, como enfeite, adereço ou extra (imagino que tenham de ouvir com um sorriso parvo bocas do estilo "se comprar o carro, oferecem-me a menina?" todo o santo dia) 
faz-me um bocadinho de confusão. Uma inquietaçãozinha cá dentro. Ou um eco dos homens cá de casa a berrar "filha/irmã minha nem pensar!". Tenho direito aos meus momentos à antiga portuguesa, I guess, ou não fosse este um blog old fashioned.
                    As raparigas do Salão Automóvel de Genebra de 2012 (© Microsoft/Magic Car Pics)
                    As raparigas do Salão Automóvel de Genebra de 2012 (© Microsoft/Magic Car Pics)
                  As raparigas do Salão Automóvel de Genebra de 2012 (© Microsoft/Magic Car Pics)
                   As raparigas do Salão Automóvel de Genebra de 2012 (© Microsoft/Magic Car Pics)
                   As raparigas do Salão Automóvel de Genebra de 2012 (© Microsoft/Magic Car Pics)
                     
                    
                   
               


Há pessoas que deviam comprar casa aqui:

Imagem retirada daqui.
na Aldeia dos Macacos. E outras que julgam que lá vivem, que a macacada é toda a mesma e estamos a atravessar o seu fim, logo tudo é permitido. Eu cá tenho as minhas reservas quanto à evolução macaco - homo sapiens, não sei se é assim tão certo que lá por sermos todos primatas seremos todos primos, mas vejo gente tão estranha que já não digo nada...Isto para não falar nos entes que fazem figura de Macaco do Rabo Cortado (fica aqui uma versão de António Torrado, para quem não se recorda dessa delícia de conto). A todas essas, que tal irem pentear macacos, hein? Boa?

Fujam: a logomania está de volta

Rihanna In DKNY for Opening Ceremony - LAX
O alerta laranja já tinha sido lançado em meados do ano passado, apesar das vozes sensatas como a do director criativo da Hermès: a logomania do início do milénio, essa moda horrorosa que encheu os bolsos a algumas marcas para as prejudicar logo a seguir, que encheu as ruas de terrores de styling e de cópias contrafeitas, que demorou séculos a desvanecer-se e mesmo assim é o que se sabe, está a tentar voltar. Em relação a tendências sou do mais laissez faire laissez passer que há, se não gosto ignoro; mas uma vez sem exemplo apetece-me gritar "busca, busca, mata, mata, queimem tudo, kill them all, não façam prisioneiros". Não só porque é feio esteticamente falando, não só porque vai contra os meus valores pessoais ( marcas são para usufruir da qualidade, não para ostentar a etiqueta como se tivéssemos a roupa do avesso) mas porque desvirtua totalmente a  ideia de requinte, ao trazer uma visão de parvenu para a indústria de moda, destituída de classe e de bom senso. Se as roupas são pensadas para arrivistas de caricatura ou gangsters que fazem corar de vergonha os verdadeiros gangsters como D. Corleone, então venha roupa de marca branca, simples e honradinha. Quem é que se quer parecer com pessoas assim? Como se não bastasse, estamos em crise - e se vestir com um luxo e cuidado aparentes é uma forma positiva de contra atacar, exibir marcas caríssimas, por sua vez, é de um extremo mau gosto. Péssimo. O fim dos tempos. Andei eu a elogiar a makeover de Rihanna, mas está visto que a menina tratou de me desiludir e zás, apareceu com este jumpsuit (Donna Karan,  como é impossível não perceber)  acompanhado de botins Alexander Wang. Ou é das más companhias, ou prova-se (once again) que podemos tirar a rapariga das barracas, mas nunca podemos tirar as barracas da rapariga. Mesmo que a rapariga em questão seja bonita e a sua barraca fique lá para Barbados, no meio das palmeiras.

Eu embirro com expressões politicamente correctas

                      
Tenho mencionado isto por aqui: sou pessoa que se abstém de palavrões; não digo disparates a não ser em casos muito específicos em que seria chinfrim usar um substituto, mas faço-o em surdina e em privado. (Há quem escreva lindamente com palavras fortes, mas eu não tenho jeito nem graça para usar esse estilo de discurso). Por outro lado - e isto poderá soar estranho a quem olha para mim e me acha uma florzinha de estufa - abomino eufemismos, pelo menos os standard; tenho os meus próprios eufemismos, muito obrigada. E prefiro uma palavra mais expressiva, mais veemente, mais antiga ou mais rude a um insulto/praga ou exclamação assim assim, que não faz bem nem faz mal. Caramba, não se falece, morre-se, batem-se as botas, os paus ou estica-se o pernil (se bem que dizer a alguém "e se falecesses?", como o outro, tem lá a sua piada; "vai-te finar",  que me ocorreu agora, também deve ser giro). No quesito insultos, também não gosto de poupar. Ou bem que se insulta, ou bem que se mata com gentileza (e a condescendência pode ser o pior dos venenos). Mas se é para descrever jocosa ou insultuosamente alguém, uma pessoa que pelos seus actos e forma de estar perdeu o direito ao respeito que em geral atribuo até à mais remota das criaturas de Deus, temos o caldo entornado. Só em última instância injuriaria alguém na cara, porque quem não me merece respeito não me merece conversas, muito menos confrontos (não me dou ao trabalho de abrir hostilidades; quando muito, fecho-as pela porta grande). O ser, ou sujeito (a), passa à categoria de intocável, a quem não se fala e para quem não se olha sequer. Em boa verdade eu não insulto: caracterizo, quando se fala ou pensa no (a) visado (a). É certo que tudo vai da forma, do tom e do volume com que se dizem as coisas - no meu caso, quanto maior a indignação ou o desprezo, mais se tende a sibilar. Não se grita, silva-se. Ou atira-se a palavra: dos mais soft alminha, criaturinha, infeliz, escroque, pato bravo, desgraçado (a), pulha, pindérica (o), vulgar, vigarista, ordinário (a), (....inserir termo) reles - eventualmente acompanhados da proveniência do mostrengo: de baixo de uma pedra, do fundo da sarjeta, daquela baiuca - aos mais incisivos, como galdéria (o) ou estrangeirismos que querem dizer o mesmo - troia, tart - a nomes de bicharada de presépio, ou que anda pelos ares e grasna, que aplicados em português não são lá muito simpáticos e no último dos últimos casos, duas asneiras que agora não digo (essas, proferidas mesmo em surdina). Há que chamar os animais que puxam o arado pelos nomes, passe o eufemismo.

Monday, March 4, 2013

Os "mouros" regressam ao Algarve


http://www.arqnet.pt/imagens2/ph_afonso3.jpg
E perguntaria El-Rei D. Afonso III: Tanto trabalhinho para isto?!              
O Sheikh saudita Samir Mirdad, conselheiro de várias famílias reais e um dos homens mais influentes do Médio Oriente, ficou encantado com o Algarve. A participar no Vilamoura Atlantic Tour, o homem de negócios, que manipula milhares de milhões como se não fosse nada com ele, manifestou interesse em que se invista "muito dinheiro" não só no reino do al gharb (se calhar é melhor 
habituarmo-nos novamente a chamá-lo por esse nome...) mas também noutras zonas de Portugal. Rico como Creso, o distinto sportsman teve um discurso opulento, que só poderia vir de um nababo oriental: dinheiro, dinheiro, dinheiro, de fazer uma pessoa ficar de cabeça à roda - principalmente nos tempos que atravessamos, com toda a gente a falar em crise, recessão, penúria e austeridade. "Nós temos muito dinheiro, milhão para aqui, bilião para ali..." numa autêntica conversa das mil e uma noites. Sempre me ensinaram que discutir esse tema tão abertamente é vulgar mas por mais horror à ostentação que se tenha, é refrescante ouvir alguém falar nesses termos.  Ainda assim não deixa de soar desusado, um pouco como encontrar um tesouro das mouras encantadas desses que as lendas rezam que ainda há lá para baixo. Venha o dinheiro, porque o que eles têm a mais tem Portugal a menos e assim como assim, não fica em terra estranha: com todo o respeito, tão ilustre mourama há-de sentir-se em casa. Não deixa de ser esquisito, porém, pensar na canseira que foi convidá-la educadamente a sair, para agora a receber de braços abertos...



Burberry Prorsum: em equipa que ganha...

                                            Burberry Prorsum - Pasarela
Não sou uma grande fã de surpresas. Gosto da novidade, mas o que realmente me fideliza é saber com o que conto, a antecipação de algo fantástico. Assim é Burberry Prorsum: uma casa de confiança, nem mais. Sabemos que dali só podemos esperar o melhor e que as inovações a nível de cores ou materiais servirão apenas para realçar a perfeição dos seus cortes precisos, das modelagens intemporais, dos acabamentos impecáveis. Pode não ser a mais criativa ou inovadora das marcas, mas não precisa disso: tem a elegância discreta, o estilo smart que nunca desilude nem compromete e a qualidade para falar por ela. A colecção F/W 2012-2013 é mais um exemplo disso, e uma verdadeira lição de como usar tigresse, estampados ou materiais brilhantes sem fugir, nem por um milímetro, à classe absoluta. Um caso sério de posicionamento eficaz - e uma griffe que oferece, a cada temporada, verdadeiras lições de estilo. 
                                       Burberry Prorsum - Pasarela
                                     Burberry Prorsum - Pasarela
                                        Burberry Prorsum - Pasarela
                                           Burberry Prorsum - Pasarela
                                               Burberry Prorsum - Pasarela
                                              Burberry Prorsum - Pasarela
                                           Burberry Prorsum - Pasarela
                                             Burberry Prorsum - Pasarela
                                             Burberry Prorsum - Pasarela
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                                            Burberry Prorsum - Pasarela
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                                         Burberry Prorsum - Pasarela

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