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Saturday, March 23, 2013

Frase mais dita e ouvida deste mês

"Oh (espaço) meu (espaço) Deus. Oh. Meu. Deus. Oh. Meu. Deus. "

A brilhante conclusão é de uma das minhas melhores amigas. Não é que uma pessoa tenha por hábito invocar o nome do Senhor em vão (o que, suponho, tem como resultado que o Céu faça orelhas moucas quando é mesmo preciso que nos acuda) mas com tanto disparate, tanta surpresa e coisas tão extraordinárias a acontecerem ou a revelarem-se dia a pós dia, nem se tem tempo para inventar algo mais original, ou para descansar a cara de espanto entre uma exclamação e outra. Ou abreviando e não pecando, OMG, OMG, OMG, como agora caiu em uso escrever-se...

Maior treta, ou a blasfémia mais épica jamais ouvida?

"Mataria qualquer um que ousasse arrancar-te dos meus braços. Nem os Deuses o conseguiriam", disse ele, e ela mandou-o parar com os sacrilégios, não fosse cair ali um raio. Um raio que o partisse, por exemplo.

As canseiras da Moda

Quem corre por gosto não cansa. Mas eu, que em termos de fatiotas cometo poucas loucuras, no que concerne a andanças sinto-me, às vezes, uma pobre vítima da moda. Num só dia assisti a quatro desfiles, cumprimentei amigos, dei cabo dos pés nuns saltos impossíveis, provei o melhor algodão doce de sempre (infelizmente só dei por ele pouco antes de entrar no plateau, salvo seja, e a segurança não permitia doces perto da passerelle, pelo que o destino do infeliz foi o jacó do lixo) andei para cima e para baixo, visitei uma feira vintage e ainda houve um carro rebocado pelo meio, porque alguém no nosso grupo teve um fanico, o outro foi acudir e deixou o automóvel parado sobre a linha do eléctrico. Bonito. Desconfio que não posso pôr os pés no Portugal Fashion sem viver, como diz o outro, incríveis aventuras. Deixo-vos alguns momentos e daquilo que realmente interessa, falaremos esta semana.







  

Frase do Dia: da Fortuna

                                           

Friday, March 22, 2013

Concreto: making of do catálogo e ... desfile




Recentemente tive a oportunidade de acompanhar as equipas da Concreto e da MLV Shoes no making of do catálogo para a colecção de Primavera - Verão. Foi uma tarde agradável entre dicas, questões de styling, muita cor e...muitos, muitos sapatos, como podem verificar pelas imagens abaixo.


E como  está mesmo quase na altura de levar estas propostas à rua, nada como uma um desfile em ambiente requintado para dar as boas vindas à Primavera. O lindíssimo salão nobre do Casino Figueira (local que me traz muitas e boas recordações) foi o espaço escolhido para dar a conhecer as propostas Concreto e MLV a clientes e amigos na Zona Centro, com um evento realmente glamouroso. Afinal, a vida é uma festa...

                     
                       
                       
                 
                                    

J.R.R Tolkien dixit: da Traição


"Os traiçoeiros são sempre desconfiados"

Ou como me avisava a avozinha, "quem é desconfiado não é fiel". Há que desconfiar, pois, de quem desconfia; de quem pergunta uma e outra vez a  mesma coisa, tentando apanhar em falso sinais de uma mentira que não existe, ou apontando como mal contada uma estória que está mais que contada. As pessoas como são, assim julgam. E como quem não faz o mal não vê o mal, quem anda por aí de olhos límpidos, cabeça erguida e a melhor das intenções fica muito surpreendido com o modus operandi de quem vê mal em tudo, pois reflecte nos outros as suas próprias tramoias, enredos e maquinações, cada um mais intrincado que o outro. É como dizem: neste mundo complicado one must be bad or beware

Verdade do dia: dos amigos, e da lealdade



Amandi, nec multi, nec nulli.


(Amigos, nem muitos, nem nenhum

Em casa sempre se disse que é no hospital e na prisão que se conhecem (ou antes, reconhecem) os amigos. Quem diz condições extremas dessas, diz males menores que nem por isso doem menos. Nos maus momentos, é a família de sangue e a família de coração (pois amigos são família que temos oportunidade de escolher) que nos dá colo, que nos agarra, que não nos deixa fenecer nem que seja à custa, a dada altura do processo, de um valente  abanão. A amizade também se coloca à prova no auge do sucesso - quando vemos quem é o verdadeiro amigo e quem se deixa toldar pela inveja, pois como afirmava o tio Oscar Wilde, há poucas coisas mais difíceis de suportar do que a Boa Fortuna de um amigo. E como amigos são família, não é lógico que se introduza no clã todo e qualquer conhecido, como faz muita gente. Quando assim é  a lógica de irmandade é desvirtuada, há o risco das segundas intenções, dos mexericos fatais, das ligações perigosas, dos esquemas, das confidências maldosas, das interferências desnecessárias e da intoxicante multidão. Quem conhece a nossa intimidade, ouve as nossas alegrias e desventuras, tem proximidade para nos ver fazer planos, sonhar e chorar se for preciso, quem opina, aconselha (mesmo que depois de muito ralhar e avisar, nos deixe dar cabeçadas na mesma)  consola e acompanha, tem de ter provas dadas. A amizade exige lealdade; por vezes requer escolhas difíceis ou tomada de partidos. Em muitas situações, é mesmo impossível ficar neutro. Quem é amigo de todos, não é amigo de ninguém. E a amizade, a amizade verdadeira, é um pergaminho, um selo, um privilégio. O resto nada tem de real - no melhor dos cenários, é simpatia, conhecimento social ou aliança temporária por mútuo interesse. Num cenário mais negro, é vespeiro. De amigos nem muitos, nem nenhum: os necessários.



Looks da semana a copiar - e como - segundo a British Vogue

                                           
A augusta revista chamou a atenção esta semana para alguns looks interessantes que pela sua simplicidade ou factor surpresa, nos dão algumas ideias de styling a tentar. Sejamos nós clássicas e resistentes à novidade, early adopters,  trend setters ou mesmo taste makers, é sempre boa ideia tirar inspirações - seja da rua ou das celebridades - por mais que nos pareçam estranhas ao início.


tenho mencionado a imaculada Eva Mendes, que nunca tem uma fatiota mal escolhida ou um cabelinho fora do lugar, além de ser um exemplo para todas as silhuetas-de -ampulheta deste planeta, passe a rima, e de ainda lembrar a gloriosa Sophia Loren (é muita coisa, hein?). Desta feita a menina (ou a Rachel Zoe por ela)  fez uma escolha algo risqué: tigresse encarnado Dolce & Gabbanna, casaquinho de tweed e botas de plataforma. Há muito para analisar neste visual: pessoalmente sou cautelosa com o animal print e se for colorido, mais ainda. Pode facilmente dar um ar barato à toilette e causar demasiada informação; se for coordenado com outro padrão, como é o caso aqui, mais perigoso é. Então como é que funciona tão bem? Simplesmente, mantendo o resto simples: as botas acrescentam descontracção ao look. Alguns tons do casaco estão em harmonia com o calçado e com o vestido. E mais importante que tudo, bom ar, quilos dele. Cabelo impecável e solto, nada de penduricalhos, maquilhagem natural e um aspecto super descansado e limpo. Regra importante: se vai usar tigresse, não deixe o brushing para o dia seguinte, nem descure a makeup. Por fim, o decote-jóia (fechado e bom para usar sob colares) é algo arriscado para quem tem um busto volumoso. Mas este está muito bem calculado e resulta graças às mangas-bispo, que são lindíssimas, equilibram a figura e ficam bem a quase toda a gente. Elegante mas edgy, quase boémio,  e acima de tudo, pensado para quem o vestiu. é assim que se faz e mais nada...
                                   
Rosie Huntington-Whiteley é linda de morrer e ter pedigree é meio caminho andado, nada a fazer. É outra menina que nunca tem que se lhe aponte. Camisa ou blusa  + calça cigarrette ou skinny preta é sempre uma combinação vencedora, mas trocar o clássico branco por nude, ou rosa chá, e usar sandálias no mesmo tom, é garantia de parecer um amor...e de ter um aspecto super repousado, mesmo que se tenha dormido mal ou saído de casa para o evento às corridas.

Helena Bonham Carter raramente aparece na lista das mais bem vestidas, apesar de ser super bem nascida, talentosa e de ter boa figura. É uma original e se em termos de styling temos de dar o desconto às suas excentricidades, há que lhe gabar a escolha das peças. Este sheath dress com decote-retrato de Vivienne Westwood é de causar desmaios. Styling? Que importa?
Diane Kruger, again: combinar a blusa cortada Carven, estilo anos 50, uma saia de cabedal encarnada Vanessa Bruno de cintura subida e os saltos certos não é para todas, não cai em todas as figuras, mas é uma ideia de mestre.

                                           March 21 2013
Yasmin Sewell: plataforma de boneca, vestido de balão que todas temos no armário de há umas temporadas a esta parte. Não é preciso mais nada - um bâton vivo e está um encanto.
                                          
Alexa Chung: o visual chamou-me a atenção por um motivo simples. Geralmente não sou fã de tecidos irisados, mas há dias um coordenado semelhante veio parar cá  a casa e estava a pensar em modos de o usar com estilo. Não tem nada que saber: um sapato com  classe, eventualmente uma camisa ou lenço branco, atitude e cabelo algo rebelde, para desconstruir o ar demasiado pesado, e está feito.


Thursday, March 21, 2013

Sun Tsu dixit: da utilidade das coisas



(...) se não é vantajoso, nunca envie as suas tropas; se não lhe rende ganhos, nunca utilize os seus homens; se não é uma situação perigosa, nunca lute uma batalha precipitada.

Na vida, como na guerra, há que despir-se das emoções excessivas - por muito que a ousadia tenha os seus benefícios, deve ser temperada - usar de pragmatismo e medir a utilidade das coisas. Há esforços, cedências, investimentos, canseiras, palavras, deslocações, aborrecimentos, pessoas, relacionamentos, projectos e situações que não nos trazem qualquer vantagem, que estrategicamente valem zero, que não farão mais por nós do que causar baixas e desbaratar recursos. As "tropas" são preciosas, devem empregar-se no momento certo, nas batalhas que realmente valem um espólio considerável. Tudo o resto vem do ego, é demasiado pequeno, demasiado baixo, demasiado básico. Muitas vezes é mais sensato ficar na fortaleza, observar a escaramuça, sorrir da poeirada e consultar o mapa. Com olhos para o que realmente vale a pena conquistar. Cidades vazias, sem saque que se veja,  é o que mais há, por mais imponentes que as muralhas pareçam. E nessas, não vale a pena gastar pólvora, nem soldados, nem cavalos.



Brilhante conclusão do dia: dividir os doidos pelas aldeias

                                         

Hoje assaltou-me uma ideia deveras estranha. Por vezes uma pessoa pensa "isto não pode ser, os loucos varridos vêm todos ter comigo! Será que tenho alguma coisa que os atrai? Será que sou a única? Não me aparece gente normal?". Mas reflectindo (em parte por wishful thinking, pois quero acreditar que não tenho à porta de casa um letreiro que diga "manicómio de acolhimento temporário, larguem-nos aqui" ou que a tragédia é só minha)  creio que não será assim. Imagino que a cada pessoa minimamente normal neste planeta seja atribuída uma quota de loucos para aturar, precisamente para dividir o mal pelas aldeias. A sequência, velocidade de aparecimento ou número simultâneo de gente que bate mal, que não joga com o baralho todo ou que não fecha bem a tampa que surge para nos atormentar são factores que podem variar consoante a fase que se atravessa, a nossa disponibilidade, o perfil (ou não) de Bom Samaritano ou de vítima -  mas quer-me parecer que ninguém está livre de apanhar um ou dois, nas mais diversas situações da vida. Ora, considerando a lista de taradinhos-canta-monos que tenho suportado, creio que já ultrapassei largamente a minha contribuição. Mais do que isso e corro sérios riscos de ensandecer também, entrando para as quotas de obrigação-de-aturar-malucos de um inocente qualquer. Haja misericórdia!

O desastre da castanha

                                    
Segundo a revista Visão, crianças até aos cinco anos não devem comer frutos secos, devido ao risco de asfixia. Eu que o diga, embora já tivesse cerca de cinco anos quando me deparei com um problema semelhante. Certo dia fui com a mãe, a pé,  à mercearia. Ia toda contente porque tinha estado a chover, e levava umas galochas encarnadas para saltar em todas as poças. No regresso a casa, levava umas castanhas cruas para me entreter (sempre gostei de castanhas cruas, doces, assadas, cristalizadas e sei lá as hipóteses que não me ocorrem agora...). Mas pelo caminho também decidi fazer uma monumental birra. Foi uma grande cena de má criação, muito invulgar na minha pessoa, porque estava a comer e a fazer birra ao mesmo tempo, mas pecados todos temos. Bingo, um pedaço de castanha foi para o local errado. A mamã, coitada, pegou-me imediatamente pelos pés e fez quantas manobras de primeiros socorros se lembrou, porque eu já estava verde, roxa...mas continuei sem conseguir respirar como devia, e lá fui passar a noite ao hospital pediátrico. Diagnóstico: castanha alojada no pulmão. Para adicionar a desgraça ao aborrecimento, na sala de operações os médicos assumiram que eu tinha medo de agulhas (não tinha) e quase me sufocavam de vez quando me agarraram, quatro ou cinco ao mesmo tempo, uns monstros vestidos de verde-pastilha-elástica, para me ministrar a anestesia. Só me lembro de berrar "não é preciso apertarem-me!" e de cair para a banda. Mas as aventuras ainda não tinham ficado por aqui: tive alta no dia seguinte mas um contratempo fez  os meus pais  atrasarem-se para me ir buscar. Por causa disso, tive de me esconder de uma Irmã que me dava catequese e que andava  a levar os pequenos todos para o banho. É que me tinham contado que no hospital as pobres crianças tomavam banho de água fria, e eu já tinha terror disso, mais do que das agulhas, devido às febres que me assaltavam na primeira infância...coitadinha, bem instou comigo que a água era quente; insisti que só tomaria banho em casa, na minha banheira, e assim fiz. De modo que estou plenamente de acordo: frutos secos, só a crianças bem comportadas. Já há tantos riscos de se morrer engasgado com alguma coisa, deixemos isso para quem merece...

Ostara, ou antes, Primavera

Thomas Brock, Eve, 1900.
Tempo de renascer. Tempo de sacudir os últimos vestígios de escuridão antes dos Fogos de Beltane, na festa do Maio.  No Equinócio de Primavera os jovens Deus e Deusa descobrem o amor, que aumentará de intensidade nos dois meses seguintes. Surpreendem-se com a beleza um do outro. Beijam-se pela primeira vez, numa aprendizagem lenta de todos os segredos. Abraçam-se pela floresta, dando vida aos animais e às flores. Afrodite nasce da espuma do mar, novamente uma donzela e mais deslumbrante do que nunca, maravilhando Citera. As divindades que desceram aos Infernos regressam cheias de Força e Poder. Toda a Terra está mergulhada numa energia pujante mas suave - reinício e redenção, purificação definitiva, promessa de fertilidade, alcance do verdadeiro Eu. Na Primavera, a Roda do Ano já girou o suficiente para que se deixem cair as máscaras do ego acumuladas ao longo dos doze meses anteriores. Mostramo-nos como realmente somos. Os outros mostram a sua verdadeira face. Ou antes, tornamo-nos quem somos na realidade, pois temos ao alcance os meios para a completa transformação. É uma fase de promessa, de esperança. Mais do que as roupas leves e coloridas - que acompanham a energia sensual, limpa e vibrante que nos rodeia - esse poder deve vir de dentro, e manifestar-se para fora. Porque em Beltane nada poderá restar oculto, é o momento em que os Deuses se unem definitivamente e a Terra pára por segundos para escutar. Ostara é o caminho, e convém que nos preparemos por dentro e por fora. Os visuais de Primavera, as colecções de Primavera-Verão que tanto nos entusiasmam são apenas a ponta do véu. Para ilustrar esta ideia, escolhi a escultura de Eva, que podem ver acima. Mas a energia desta altura o ano terá mais efeito nas mulheres que, como eu, se identificam mais com Lillith: a mulher completa, com domínio sobre si mesma, e que não se deixa enganar. Não é apenas, como Eva, uma mulher bela e frágil -  mas uma Deusa segura de si, que só age com fragilidade se achar utilidade nisso, e que apenas cairá nos braços de um Deus que prove ser digno e mais forte do que ela. Mesmo que seja necessário pisar alguns espinhos para chegar às rosas mais bonitas. Boa Primavera a todos.





Wednesday, March 20, 2013

Do regresso à realidade, e das serpentes

                                 
                                                            
Eu bem preveni que o Ano da Serpente seria complicado. Mas sendo a Serpente tão subtil, tão silenciosa, pode apanhar sem guarda mesmo quem está de sobreaviso. Mostrar as suas bonitas cores, fazer a sua dança ondulante, mergulhar-nos no seu universo sedutor e diabólico  - só para nos hipnotizar e atacar a seguir. Quando o veneno nos toma o sangue, é um bruxedo para sair. Primeiro caímos por terra com a dentada, depois ficamos atordoados, sem saber para que lado está o chão nem o tecto, e a perguntar que diabos nos atingiu, se foi todo o exército troiano ou um cometa. Num ano assim, todas as ilusões são demasiadas, é preciso medir bem cada passo por mais brilhantes que sejam as aparências.  
If you look in the face of evilevil's gonna look right back at youNão é que a Serpente seja necessariamente má - pois nada nesta vida é apenas preto ou branco -  mas como  tudo o que é poderoso e intenso, precisa de ser manuseada com cuidado. E ao olharmos para ela, deixa a sua marca. Quando o veneno se desvanece, algum poder é transferido para nós. Tornamo-nos, também, ondulantes. E aprendemos a fluir. Colocamos os pés na terra e regressamos à realidade, como se a víssemos pela primeira vez. Quando a dança acalma, tudo parece mais brilhante, mais lúcido. Não é que a  gira tenha parado, somos nós que giramos com ela. De volta ao trabalho que precisa de ser feito, e com as presas mais afiadas do que nunca, just in case.

Os "ombros" interesseiros

"Calma, vai ficar tudo bem. Vais ver que ainda reatam. (Se eu não puder impedir, claro)".
                               
Se há coisa feia, canalha e de esperteza saloia, é o "ombro interesseiro". Ou seja, uma táctica muito usada por engatatões das dúzias e mulheres da luta e que consiste, muito simplesmente, em dar apoio a um amigo  que está a sofrer com o fim de uma relação - um apoio carregadinho de  segundas intenções. 
 Cenário: um casal tem um arrufo, ou termina o namoro. Ainda a poeira nem assentou e é ver a interesseira (ou o interesseiro) feito hiena, abutre ou chacal, à cata do seu quinhão. É likes no Facebook a cada suspiro que o alvo dá, principalmente se o suspiro for para dizer mal do (a) ex ou para colocar canções de final, como "The End", dos The Doors. É mensagenzinhas fofas, vulgo "então amigo (a)? Estás menos tristinho (a)? Estou aqui para o que precisares..." ; é convites para os copos, "a ver se te animas" pejados de frases do estilo "vais ver que vocês reatam..." mas a torcer pelo contrário, e pelo meio a introduzir apartes do género "se fez isto assim assim, não te merecia..." no firme propósito de causar confusão. No caso da mulher da luta que dá o ombro, quanto mais feia é, maior o atrevimento - porque a necessidade aguça o engenho, e encontrar um diabo que a carregue não é fácil, logo vale tudo. Se a namorada-que-ainda-nem -ex-é se sentir afrontada pela marcação cerrada, tanto melhor - mais achas para a fogueira! Nem tem receio de dar nas vistas, ou de fazer tristes figuras. Os oportunistas masculinos que dão o ombro são mais manhosos, e o seu "apoio" passa  por tirar partido da fragilidade feminina para passar uns momentos agradáveis. Em ambos os casos, pessoas assim pautam pelo oportunismo barato, por um aproveitamento deplorável e sórdido da amizade e da vulnerabilidade alheia, pelo atrevimento e capacidade de intromissão no território que não lhes diz respeito. Não são amigos nem amigas de ninguém, não querem o bem do outro e não têm a dignidade de procurar alguém que realmente goste delas. Tudo lhes serve, qualquer resto é bom para elas. Como as hienas, os abutres, os chacais e os cucos. Afinal, a vida em sociedade imita a natureza.

Tuesday, March 19, 2013

O meio termo faz muita falta

                                                 

"Ou tudo ou nada, mulher do diabo", dizia-me a avó muitas vezes, um pouco para mim, um pouco para ela própria, já que ambas éramos dotadas do feitio siciliano-irlandês levado da breca daquele lado da família. Por sorte, herdei a temperança do lado materno, o que fez com que curiosamente, e felizmente, poucas coisas me tirem do sério. 
  O auto domínio a que a educação me obrigou sobrepôs-se quase sempre a essa minha faceta tempestuosa. É comum ver todo o mundo em pânico, a perder o controlo, e eu ficar tão calma como se não fosse nada comigo, a resolver o assunto com uma precisão cirúrgica. Ou enfrentar gente  malcriada e grosseira com a tranquilidade de um Clint Eastwood, uma altivez e uma impassibilidade zen que adoraria ter todos os dias. Como raramente me irrito, ou antes, as coisas com capacidade de me fazer perder as estribeiras são tão limitadas, dou por mim muito surpreendida quando de facto o mau feitio ancestral se manifesta e toma conta de mim. Porque tomar conta de mim é o termo exacto. Quando me assalta, tenho de dizer, porque tenho e tenho mesmo, o que me passa pela cabeça. É, nas palavras da avó, uma onda a subir por mim acima, que leva tudo à frente. 
Assim de repente, gente metediça que quer o que é dos outros, mulheres da luta atiradiças e pessoas repisadoras, que batem na mesma tecla over and over, insistem, insistem e insistem, discutem e discutem e discutem, ralhando sem parar até um cristão perder os seus princípios são talvez as três coisas que mais me enervam, a pontos de trespassar as muralhas de indiferença  tão cuidadosamente erguidas.
Já o tenho dito: o meu saco de paciência é quase infinito, mas quando rebenta é tarde demais para medir as consequências, ou para me importar com elas. E embora não rode exactamente a baiana, como dizem os brasileiros (o factor educação tem demasiado peso, não consigo fazer cenas assim tão libertadoras...) enquanto não tiro o peso do peito, enquanto não liberto o que me incomoda, não fico satisfeita. Utilizo, dentro da decência, os termos menos simpáticos para caracterizar os envolvidos, uso-os como um trapo vil, digo-as boas e bonitas. Por vezes, prefiro afastar-me mesmo do cenário, e deitar  a perder coisas, ligações ou planos importantes só para não ter de lidar com aquilo que me faz ferver. Ou tudo, ou nada. Ao olhar para trás, é de valorizar as pessoas que (apesar das suas asneiras) não só tiveram paciência para este meu lado, como até lhe achavam graça. A culpa nunca morre solteira. É-me mais fácil quebrar do que torcer, e analisando, dava-me muito jeito encontrar um somewhere in between a utilizar quando se me deparam exemplares daquilo que considero insuportável. Alguém tem um meio termo que me venda?




Post assumidamente fútil, uma vez sem exemplo.


                     
Por mais desapegada dos bens materiais que se seja, por menos que se encare a moda como fútil ou superficial, não há que negar: as coisas belas têm o melhor dos efeitos sobre nós. Uma rapariga pode estar irritada, numa má fase, maldisposta ou mesmo a sofrer o castigo divino por deixar que lhe escorregasse o pé do stiletto para a chinela (é bem feito e acontece às melhores) mas deixemo-nos de tretas politicamente correctas, fashion makes it all better. Poucos aborrecimentos resistem ao contacto de pérolas, caxemira ou seda, de  uma peça de designer magnificamente feita, de um vestido bem acabado ou à elevação perfeitíssima que o sapato certo confere.  Poucas lágrimas existem que não possam cristalizar em diamante ou diluir-se em perfume de qualidade. São raros os segredos incómodos que não possam ser amarrotados e arrumados no canto de uma carteira realmente luxuosa. Qualquer maçada se atenua face a uma imagem impecável. Nenhuma mulher está realmente em maus lençóis se tiver o essencial, acompanhado de dois dedos de testa e um guarda roupa magnífico. Ponto. 


Das conversas da treta

                                 
Everybody lies, lá diz o outro. Há as white lies, ou em bom português, as mentirinhas piedosas. Há a omissão - figura de estilo que pode ser usada em maior ou menor medida para bons ou maus fins, e que exige inteligência para utilizar apenas os ângulos certos da verdade. Existe também a complicada arte de enganar com a verdade, que precisa de  grande destreza mental e sangue frio. Temos ainda, claro, a mentira pura e dura, que pode ou não ser compulsiva, que nasce da necessidade, do desespero (estas são as "perdoáveis") ou do propósito vil e firme de obter algo por meios sujos. Todas as modalidades, para "funcionar" requerem uma coisa: que quem mente esteja certo daquilo que diz como se fosse verdade e de preferência, que haja um fundo de verdade na mentirola, mentirinha ou mentira horrível que se conta. Pessoalmente abomino a mentira, embora possa, por vezes, desculpá-la uma vez esclarecidos os motivos. Não volto a confiar, mas posso tentar compreender. Uma das razões por que a mentira me choca é que, embora eu não confie facilmente em ninguém, não sou tão desconfiada como muitos colegas jornalistas. Esta característica, por estranho que pareça, facilitou-me bastantes  trabalhos: as pessoas sentiam que eu confiava nelas, que não as estava a tentar virar do avesso (um pouco na lógica good cop, bad cop) e acabavam por se abrir mais facilmente comigo. Não era algo propositado, mas acabava por ser uma técnica excelente. Contra mim, confesso que não o faço por bondade ou ingenuidade, mas simplesmente por não me debruçar demasiado sobre as pessoas, a não ser que haja realmente necessidade disso ou que o meu instinto de profiler dê sinal. Parto do princípio que por norma, as pessoas não contam mentiras só porque sim. E quando descubro que mentiram, que mentiram por mentir, que quiseram enganar-me com esse firme propósito, enfureço-me - não só pelo gesto, mas por saber que nada do que me digam a partir daí, ou mesmo outras coisas que me tivessem dito com toda a firmeza, com os olhos mais limpos e as intenções mais carinhosas, é garantia de ser verdade.
 Porém, pior do que a mentira, e do que todos os esquemas que se possam esconder atrás dela, é a conversa da treta. Os elogios cheios de peçonha e mel,  as bonitas palavras para convencer ou para ficar bem no retrato, os propósitos elevados só para inglês ver, a transferência de culpa, a fiada de petas de quem ficou tão enredado nas suas próprias teias que já nem sequer acredita naquilo que diz, antes não faz ideia para que lado está a verdade, tantos são os disparates,a  instabilidade, a fuga ao verdadeiro problema e a camuflagem do fundo sórdido da questão. A mentira é má, mas como uma lança, atinge um ponto específico que pode eventualmente ser sarado. Já a conversa da treta é como uma arma química - espalha-se por toda a parte, contamina tudo, destrói até aquilo que podia ser salvo. Um mentiroso ainda se tolera, um smooth talker é muito pior.

Monday, March 18, 2013

Flor da Murta: as meninas más...

                                              
Portugal sempre foi um país de gente com decoro (ou pelo menos, antes era, hoje vai rareando cada vez mais) e por cá a ideia da maîtresse-en-titre, da amante real de carácter oficial ou semi, não era tolerada  - ou mesmo, encorajada com entusiasmo por boas famílias ansiosas de favores régios e dotadas de filhas bonitas - como acontecia noutros reinos por essa Europa fora. As ligações adúlteras, ainda que em leito real, eram salvaguardadas sob um véu de discrição e quando tornadas públicas, causa de desonra ou pelo menos, vergonha e desconforto. A belíssima D. Luísa Clara de Portugal, que passaria à História como uma das amantes do muito namoradeiro Senhor D. João V, foi um dos poucos vultos femininos a chegar até nós com retrato e rumores mais ou menos confirmados. Casada e mãe de três filhos, o marido, D. Jorge de Menezes, nunca recuperaria do golpe que foi saber a sua linda mulher nos braços do soberano. Não podendo fazer outra coisa, o infeliz retirou-se para a província com toda  a dignidade que conseguiu reunir, deixando-lhe completa liberdade. Mais tarde, a beldade 
atrever-se-ia  mesmo a atraiçoar o monarca com um dos primeiros jovens fidalgos do Reino, prova provada de que só os amores na duplicidade lhe faziam bater mais forte o coração. Homem infiel, mas intolerante à infidelidade alheia, D. João V ficou louco de furor com o capricho da favorita: ele que dividia as suas atenções entre tantas mulheres, deu-se à canseira de lhe  prender o amante - que só por muita intercessão se salvou de ser mandado castrar por vontade régia. A loura e voluptuosa D. Luísa Clara deixava um rasto de escândalo, mas escândalo perfumado, por onde passava.
 Admire-se ou não a figura, há que reconhecer que estamos perante uma mulher que não seguia outra vontade que não a sua, que não era comandada pelos desejos ou prazeres de outrem, mas por si mesma. Indiferente ao ciúme, à polémica ou mesmo ao perigo que daí adviesse. Afinal as raparigas más vão para toda a parte, e diz-se que os homens são um pouco como os autocarros (ou neste caso,  como as carruagens): se uma pessoa se distrai e perde um, aparece outro logo a seguir...


Sabem aqueles dias...

        
...em que se pegam em três ou quatro tarefas em simultâneo, depois chega outra pessoa e pede ajuda não sei para quê, entretanto aparecem visitantes inesperados que precisam da nossa atenção, o telefone não se cala, toca e lá se perdem 20 minutos preciosos que ninguém nos devolve;  e nós vamos tentando fazer o que podemos mas não se escreve uma linha de jeito nem se adianta coisíssima nenhuma, e quando algo avança minimamente vem alguém e sabes onde está isto ou aquilo? - Está ali, já te disseeeeee! 
- Não está nada, que eu já viiiiiiiiiiii, anda lá que eu tenho pressa, ai a minha vida que ninguém me ajuda!
 E uma alma lá tem de se levantar da cadeira com a concentração recém-adquirida feita em cacos.
Está-se para ir tomar um café às três, a ver se a espiral  de doideira se interrompe, mas depois já só dá às cinco e quando vamos a ver só à noite é que vamos, e uma pessoa corre de um lado para o outro, de um lado para o outro, e as tarefas na mesmíssima a olhar para nós com ar de gozo. Valha-me  S. Magnésio e S. Omega-3, que as minhas celulazinhas cinzentas não aguentam tudo. 

Dúvida parva do dia, que podia ir confirmar ao Google mas não vou porque não me apetece e prefiro deixar à vossa consideração

Será isto um "ameaço" ou uma ameaça?
                         
Porque é se diz "ameaços" disto ou daquilo (ameaços de enxaqueca, por exemplo) quando o significado é exactamente o mesmo? Dá a ideia de que um ameaço é uma ameaça mais piquena, mais subtil, que surge antes, ou ou uma ameaça de ameaça...

Sunday, March 17, 2013

Sorte malvada?

                                     
Não é que eu seja exactamente supersticiosa - só me fio remotamente em crendices cuja origem faça sentido para mim - mas na minha família há uma série de tradições, de modo que é impossível escapar a algumas. Cresci com elas, fazem parte do quotidiano e quem nos frequenta a casa primeiro estranha, depois entranha e acaba por se contagiar, o que não é lá muito boa ideia. Mas embora haja alguma piada ou conforto em tradições familiares, por vezes são um atraso de vida e não acho que tenha mais sorte ou menos lá por causa disso. Acredito, aliás, que por vezes é preciso sacudir as coisas, mandar tudo às urtigas e fazer tudo ao contrário daquilo que é costume para obrigar as energias a mudar de rumo. Um dia destes borrifo-me para toda essa traquitana e palavrinha de honra, começo a não mudar a roupa num minuto se a vesti do avesso, a colocar a carteira em cima da cama, da mesa ou no chão, a pôr dinheiro sobre a mesa (o que além de supostamente afastar a fortuna é uma grande porcaria, por isso talvez mantenha essa) a fazer a manicure ao Domingo, a virar o azeite e a não lhe atirar sal para cima, a 
chatear-me quando entorno vinho tinto, a virar o pão ao contrário, a dar pontapés nas latas e a escangalhar espelhos (mais sete, menos sete, haviam de encontrar mulher) a deixar as facas cruzadas, a mandar o lixo fora à noite, a não me ralar se pico o dedo indicador ao colocar alfinetes ou pregadeiras (os outros tudo bem, esse traz desgosto), a dizer o palavarão Az...xxxx (Credo, Santo Nome de Jesus - diz-se "pouca sorte") e o nome da Peça Escocesa, etc, etc, etc. Só a avisar.

Midi Skirt, I *heart* you

                                            


Num ano de visuais ladylike, a saia midi é incontornável. Se não fosse um clássico, seria um must-have.  Relegada durante anos a cenários mais formais, algumas novas opções de styling recordam, em versão actualizada, o uso desta peça na cultura rockabilly;  outras tiram o máximo partido da elegância eterna deste comprimento, que favorece quase todas as mulheres. Em ambos os casos, a usar sempre com  saltos altos e elegantes (pumps, scarpins, stilettos, sandálias, saltos chunky) e carteiras pequenas. Nas duas versões, pode fazer-se uso de t-shirts, camisolas, perfectos ou blusões de aviador (para uma versão fresca e rebelde) e blazers, tops luxuosos ou  blusas, para um look intemporal. Não esquecer ainda a opção de um vestido, que bem escolhido pode acompanhar incursões fashionistas durante anos a fio...


Roksanda Ilincic Brandt paneled crepe and gazar dressZero+MariaCornejo Stretch-leather midi skirtL'Wren Scott Striped canvas and silk pencil skirtBottega Veneta 

Roksanda Ilincic, Zero + Maria Cornejo, L´Wren Scott, Bottega Veneta



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