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Saturday, March 30, 2013

Sissi responde: lidar com copiões doentios

                      
A querida A. fez-me chegar um problema aborrecido, com o qual muitos de nós já se devem ter deparado: os copiões doentios.

Querida Sissi,

Para além de gostar muito de ler o seu blog, o que me faz escrever-lhe hoje é (...) sugerir um tema.
Gosto muito dos posts em que fala dos tipos de pessoas com quem nos podemos deparar na vida, pois mais cedo ou mais tarde acabo por constatar aquilo que escreveu. É como se a Sissi nos desse um guia para interpretar essas características nas pessoas. 
Tenho uma "colega" que, sem querer ter a mania da perseguição, está sempre a copiar-me. Se eu gosto de uma coisa, ela também gosta; comento que gostava de comprar determinada peça de roupa, dois dias depois aparece com uma peça "igual"  (...). Além disso tem atitudes terríveis como agarrar os meus pulsos para ver os acessórios que trago (...) e "atacar" a minha bolsa de cosméticos (que estava dentro da minha carteira) para bisbilhotar, não os produtos, mas as marcas dos mesmos, soltando num tom desagradável "é só coisinhas boas". Isto aborrece-me um bocado, porque tenho sérias dúvidas que ela aja desta forma com uma energia boa. E, como sou um pouco supersticiosa, tenho receio que isto ainda se transforme em "olho-gordo".

Para já, fico muito contente por os figurões com que me vou deparando (e caracterizando/ denunciando/sovando impiedosamente aqui no IS) servirem, já que existem, para prevenir outros incautos. 
    Ora, parece-me que a A. está a lidar com um caso típico de má criação passiva...e o que é mais chato, com uma pessoa que é obrigada a ver todos os dias, e que provavelmente terá de tratar com alguma diplomacia. Por muito que até seja lisonjeiro que gostem das nossas coisas, a sensação de estar perante um perseguidor de qualquer género é muito desagradável. E saber de antemão como aquela pessoa vai reagir, copiando-nos dia após dia, é só por si um factor de stress.
  Antes de mais, é preciso ver que a colega em causa pode não ter de facto má intenção: só uma grande falta de chá, uma séria insegurança, um parafuso solto e falta de noção do espaço privado dos outros. Há pessoas assim, e a melhor forma de lidar com elas é dar-lhes pouca confiança e o desconto que se deve aos tolos. Indivíduos desses raramente são perigosos, mas precisam que lhes estabeleçam limites. Isso não significa, porém, que autorizemos outrem a causar-nos situações constrangedoras. Ninguém tem o direito de nos tocar contra a nossa vontade, invadindo o nosso espaço físico; muito menos de remexer na carteira alheia. Essas "agressões passivas" são, quanto a mim, o pior indicador num caso destes. Ficam algumas ideias, que poderão ser aplicadas consoante o grau de "amizade" que se tem com a pessoa em causa:

- Para "medir" a capacidade de imitação da copiona tente conversar com ela amigavelmente, de modo a perceber o que ela detesta. Na posse dessas informações, diga dali a dias, como se já nem se lembrasse da conversa, que "gostava tanto de ter aquelas calças ou aqueles sapatos" que ela considera horríveis. Se aparecer com uns, a obsessão realmente não será com o seu estilo, mas com a sua pessoa.

- Pessoas assim são carentes e alimentam-se de atenção. Se ela a incomoda realmente, limite as conversas e sorria pouco. Quem não respeita os limites toma qualquer sinal de abertura por fraqueza. E faça tudo para que ela ouça o menos possível sobre os seus gostos e projectos. Não tendo eco, talvez arranje outro "ídolo" para copiar.

- Quando a imitação for realmente descarada, pode dizer algo do género "estou a ver que a X gosta mesmo das minhas ideias".

- Se apesar de tudo ela não é má colega, diga-lhe francamente que o estilo que ela usa (sem mencionar que é o seu) não é o mais indicado, e sugira-lhe outras coisas. Já que se deixa tanto levar pelas suas opiniões...

- Se ela voltar a tocar nos seus objectos pessoais, ou a agarrar-lhe nos pulsos, o melhor será fazer (sem exageros) cara feia e dizer com firmeza "Não!" ou "calma aí. Desculpem lá, mas não se mexe nas coisas dos outros". Sem mais. 

- Em relação aos comentários desagradáveis, o bom e velho "que foi?" ou "há algum problema?" nunca falha. As pessoas invejosas e inquisidoras detestam que se inverta o jogo, sendo elas alvo de perguntas. Quando perguntar, feche o sorriso e olhe directamente no rosto dela. 

- Quanto à inveja ou "mau olhado", para quem acredita nisso e quer, ao mesmo tempo, dar uma alfinetada discreta, o melhor é ter na secretária um vaso de arruda (se os colegas não se importarem com o aroma). Ou arranjar umas bijutarias que tenham um olho turco ou um olho de Hórus, amuletos tradicionais contra o olho gordo. Quando ela perguntar o motivo, porque inevitavelmente perguntará, diga "é para afastar o olho gordo e as pessoas que cobiçam o alheio. Dizem que faz bem". Para bom entendedor...








A Rua do Volta-atrás, ou - nem acredito que há um mês e pouco disse...


...isto. E que por uma das extraordinárias e poéticas coincidências do Universo as coisas deram uma volta de 360º, regressaram exactamente ao mesmo sítio ... e após um assomo de rebeldia, de dar pontapés aos princípios mais entranhados e de sacudir as estruturas, estou exactamente na mesma.
                                                        
 Ou mais igual a mim mesma do que nunca - com muita honra. É estranho, mas acaba por ser preferível confiar naquilo em que sempre se acreditou. Nem sempre quando se muda se aprende alguma coisa nova: não raro a mudança só serve para confirmar que tínhamos carradas de razão em primeiro lugar, e para valorizarmos o que existia antes. Já o tenho dito, as revoluções são um atraso de vida porque nunca estão feitas. E na maioria dos casos, andam para trás como o caranguejo. Uma pessoa vira tudo do avesso e larga o seu sossego para aceitar uma coisa diferente, aparentemente muito linda, que prova ser - uma vez sem exemplo, empreguemos um eufemismo - não tão linda como isso. A relva parece mais verde do outro lado - pois. 
As tropelias em modo filho pródigo têm, no entanto, uma grande vantagem: conhecer quem na verdade se importa connosco, e dá provas de coragem (verdadeira coragem, da que não pode confundir-se com ousadia ou atrevimento)  de abnegação, de tolerância e de carinho.  Por estes dias, uma pessoa do meu círculo mais íntimo disse-me "essa sim, é a Sissi que eu conheço". E dali a nada, outra reparou "olha olha, o sorrisinho malvado está de volta".  A Roda gira e volta ao mesmo sítio - praise the Lord.

                                         

O que eles pensam do amor, ou a armadilha

                                      
[O Papa Alexandre) "Não tinha pensado em alertar o filho para a única armadilha do amor: o amor verdadeiro concede plenos poderes à mulher e põe o homem em perigo."

Mario Puzo, A Família

Está certo que  algumas mulheres, em particular as mulheres belas,  têm um certo poder magnetizante; e esse poder revela-se em pleno face a um amor que não seja vulgar.
 Há algum desígnio cósmico que determina as ligações raras - que faz com que fatalmente, irremediavelmente, duas pessoas que se destacam pela beleza, pelo intelecto,  pelo gosto, pela luz da sua alma, reparem uma na outra.  É quase um dever estético e moral que assim seja, que os seus destinos se cruzem, pois é desses momentos, dessas faíscas que são uma amostra do quotidiano dos deuses, que é composta a simetria do Universo, que a Roda gira, que as coisas que valem a pena nesta vida se fazem. São esses os amantes que inspiram as grandes obras, o que não significa que isso seja suficiente. Por vezes, a perfeição não chega - ou é simplesmente desperdiçada. Mas esse receio que assalta o homem que tenta ser muito seguro de si é um engano. O erro de amar demasiado para o seu próprio bem não é um exclusivo masculino. Os que amam sensatamente e com moderação perduram, os que amam demasiado caem - facto. E uma mulher sensível também sabe disso. Quando alguém a faz sentir vulnerável, mas é nessa mesma fraqueza que se encontram todas as forças; quando, por mais independente e forte que seja, está disposta a adaptar os seus sonhos; quando sente medo, mas há uma volúpia nesse receio e uma fortaleza por trás; quando as emoções se sobrepõem a todos os planos anteriormente feitos, a todos os cautelosos cálculos; quando se rebela contra si mesma e sente vontade de entregar a sua liberdade nas mãos de outrem, que protegerá e amará essa liberdade oferecida como se fosse coisa sua. Quando é assim, uma mulher sabe que está o caso mal parado. Muito mal parado. Perante esse cenário, se tiver o pensamento estratégico de um homem, recuará também. Observará o adversário. E só se renderá se vir rendição igual. Se não tiver essa frieza, está irremediavelmente perdida - nas malhas da mesma armadilha que os homens tanto receiam. Ou numa situação pior ainda, por questões de educação e hábitos seculares que todos conhecemos.
 As emoções avassaladoras e perigosas, o acto de se envolver demasiado para o seu próprio bem, não são apanágio de nenhum dos sexos. Simplesmente, o bom ou mau resultado desse encontro de titãs depende da capacidade mútua de entrega - e é a força das duas partes, a força para assumir a fraqueza, que determina o desfecho. Não é uma armadilha: é um teste de valor.

Friday, March 29, 2013

Sexta-feira de Paixão

                                         
Dia de meditação, redenção e penitência. Para os que acreditam, uma oportunidade para entregar os seus sofrimentos, aborrecimentos, contrariedades e orgulho em holocausto. Porque mais do que nós sofreu Jesus.  Cumprindo a tradição, mais velha do que o tempo, dos Deuses que se sacrificam pela humanidade e assim, compreendem as dores dos mortais. Tornam-se um pouco mais como nós. E em troca, exigem apenas que relativizemos o nosso próprio sofrimento, tão mesquinho em comparação. Que nos tornemos mais humildes. Que aceitemos com paciência e esperança aquilo que nos é enviado, mesmo as provações - tudo é aperfeiçoamento. E pode ser oferecido como reparação pelos nossos erros, e pelos dos outros. Tudo verdade, mas difícil de cumprir. Um dia inteiro sem uma única maldade? Sem um único assomo de soberba, de justa indignação, um dia inteirinho de mansidão e humildade? Uma pessoa tenta. E espera que o sacrifício, ou o esforço, ou a intenção contem.

Quando o ego dá jeito


                                     
Ouvi algures I may seem cold and professional, but I do have an ego. E eu sei que prego muitas vezes contra o monstro do ego (ou do ego exacerbado) aqui no IS. O ego, esse parvalhão, é a causa de muitos tormentos na vida: de nos mantermos em situações desagradáveis só por birra. Do espírito de competição gratuito e exagerado, que não leva a lado nenhum. De alimentar rivalidades e picardias. Do ciúme doentio e da mesquinhez. Da falta de auto-análise. Da incapacidade de dar o braço a torcer ou mesmo de arriscar, que só nos prejudica. Da tensão nervosa e de contendas por coisas que não valem um chavo. Do orgulho desmedido. Na maioria dos casos, procuro sacudi-lo como a peste. Mas há situações em que o ego é necessário. Não só numa perspectiva love thyself first, que é essencial para amar bem outrem e ao próximo; mas porque a nobreza de carácter, quando revelada em excesso, é uma excelente desculpa para que os outros mostrem o oposto para connosco. É muito bonito contar com a nobreza de espírito, abnegação e superioridade alheias. E fazer o piorio pensando "ah, fulano (a) é demasiado peneirento (a) para cair em actos mesquinhos. Tem muita classe para isso. Noblesse oblige". Quem é magnânimo não retalia. Procura não levar nada a peito, nem como ataque pessoal. Não se manifesta. Não perde a face. Não desce do salto. Evita pedir explicações que lhe são devidas, ou castigar abertamente quem o ofendeu, para não cair do pedestal. Esse é o conceito que se faz, nos nossos dias, de quem é bondoso,  ou procura ser uma pessoa de brio. Tem um espírito demasiado elevado. Mas olhemos para trás e não esqueçamos: uma coisa é a magnanimidade, outra muito diferente (e que necessariamente, põe limites à elevação moral) é a honra. Por isso, noutros tempos em que as coisas tinham regras,  havia duelos. E o direito de insultar em público o ofensor cobarde que se escusasse a uma reparação.  Muitas vezes o mostrar-se superior a, o deitar ao desprezo, o cinismo ou mesmo a ironia não chegam. Se não nos apoiarmos no ego para agir em nossa defesa uma vez por outra, se não deixarmos que os sentimentos - ainda que de posse ou de orgulho  - falem mais alto, nunca teremos a capacidade de endireitar o que está errado, nem de obter justiça. Ser o ofendido, declarar-se como tal, é legítimo. Ou como diz o povo, quem não se sente não é filho de boa gente


Merle Dixon dixit: I’m a mystery to myself



I don’t know why I do the things I do. Never did.  I’m a damn

 mystery to myself.” 

                                                  Merle Dixon

As personagens de que mais gosto são sempre assim, ambíguas. Com um sentido de humor sardónico, um quê de enfant terrible e um lado negro que as torna, de certa forma, solitárias, mantendo um pé em cada espectro da Força. A caminhar na ténue fronteira entre a escuridão e a redenção, mas movidas por um impulso interior extraordinário. Com mais conteúdo do que aparentam. Duras como pregos, mas capazes de olhar para dentro de si mesmas. Only Merle can kill Merle. Como acontece neste tipo de carácter, ele é movido apenas pelas suas próprias decisões. Mesmo aquelas que possam ser perigosas ou dolorosas para ele mesmo. De Merle, todos temos um pouco - uns mais do que outros. Quem se rege por instinto, pela força necessária para sobreviver numa independência absoluta, é frequentemente um mistério para si próprio. Há muitas vezes em que não me entendo, mas as decisões tomadas de acordo com o instinto nunca me falharam: só aquelas em que se ponderou demasiado, o suficiente para deixar que a voz interior abrandasse, se provaram erradas. Não temos de nos compreender por completo. Muitas vezes é bem mais agradável manter uma relação de certo mistério com a nossa pessoa. A capacidade de surpreender nunca deve ser desprezada. O que difere de não ter auto regulação ou consciência, de agir aos trancos e barrancos ou pior ainda, de agir mal tendo plena consciência dos factos. Isso sim é grave. O mistério, esse, desculpa muita coisa...e tem um certo élan.

Thursday, March 28, 2013

Verdade do dia: Tu quoque, Brute, fili mi?

                                      

“Though those that are betray'd Do

 feel the

 treason sharply, yet the traitor Stands 

in

 worse case of woe”

(Tio Will, who else?) 


ou, num inglês um bocadinho mais à moda de hoje:

                                          

Felizmente as pessoas capazes de agir como Brutus, e de fazer pior -  apunhalar, girar a faca para fazer doer mais e ainda gritar aos esbirros que ajudem -  são raras. E o dano que causam a si próprias é sempre pior do que aquele que infligem aos outros. Valha-nos isso.




Sócrates again?

                  

Já não bastavam os aborrecimentos particulares de cada um.
Não me chegava a neura.
Não me bastava a enxaqueca que não faz o favor de me desamparar a loja.
Não bastava a chuva.
Não bastavam as doidices que tenho de aturar e que não lembram a ninguém.
Não chegava a crise, e as manifestações por causa disso, e a Grândola Vila Morena, Vade Retro, que diz que até o Chipre está às avessas  - e quando um local mitológico, romântico e sossegado como o Chipre está nesse estado é mesmo sinal que o Olimpo anda contra nós; 
Não eram suficientes as pessoas que andam por aí a dizer "o comer" e coisas assim, a destruir os tímpanos e a paciência aos outros.
Não, nada disto era suficiente. Tinha de vir o Sócrates atormentar as almas. E sem mudar de alfaiate, ainda por cima. 
 Vale-me que eu sou uma pessoa que vê pouquíssima televisão, ouvir muito menos, e que consegui escapar à onda de terror geral. Terror, só aquele fato. Passa-se alguma coisa com aquelas ombreiras ou com a falta delas que eu não consigo perceber. Ou há pessoas que fazem questão de parecer um chupa-chups quando vestem fato, talvez para demonstrar que têm uma grande cabeça recheada de ideias para o país. Senhor!

Tia Pureza Teixeira da Cunha dixit: conservadorismo

                                  
Ainda a propósito de ligeireza de valores e elasticidade moral, duas das coisas que mais me irritam neste mundo, lembrei-me de um trecho da mui talentosa Ana Bola, no seu livro (ou excelente comédia de costumes) Absolutamente Tias. Já tenho dito que explicar verdades a brincar exige génio, e é bem o caso. O politicamente correcto, a tolerância a tudo, a vista grossa aos pecados alheios, a ausência total de julgamento ou juízo de valor, o laissez faire laissez passer, frequentemente não passam de desculpas para permitir as próprias asneiras enquanto se posa com uma aura de santidade. Por vezes, "tias" à parte que isto aplica-se a toda a gente que tenha dois dedos de integridade, é realmente preferível ser um nadinha bota de elástico, um bocadinho old fashioned. Com muito prazer.

" (A Tia verdadeira) é com certeza uma conservadora porque não só conserva os objectos como conserva uma maneira de pensar que (...) pode ser um bocadinho discutível. Mas ouça, diga-me lá francamente, o que é que é melhor? É andar por aí vestida de logotipos de alto a baixo e ter uma cabeça, digamos, mais aberta ou ser uma pessoa muito mais discreta, mesmo que um pouco antiga na maneira de pensar? Olhe que não sei, tá a ver? Numa altura em que toda a gente fala em crise de valores...já não sei se não é melhor manter alguns, e tentar passá-los de geração em geração".

Sacrilégio, lesa-majestade, ou a privacidade invadida

            
Há coisas que são sagradas e entre elas estão os segredos que - não sendo nada de transcendente - pertencem, única e exclusivamente, ao foro privado de cada relacionamento. As suas fragilidades, os seus pontos fracos, as preocupações de cada elemento em relação ao outro são o aspecto mais íntimo, o alicerce em que a confiança se baseia. E já se sabe: não pode haver amor, nem amizade, onde não há confiança. O maior tesouro de um casal (ou mesmo de dois amigos realmente chegados) é a preciosa certeza de não haver surpresas de maior, de acreditar acima de tudo na integridade de quem está ao lado, da lealdade, de colocar as mãos no fogo pelo que se tem, de saber "ele (a) não faria isto", de cada um se sentir resguardado, defendido e protegido pelo outro.
 Em caso de crise alguns aspectos privados e incómodos poderão, eventualmente e de forma superficial, ser partilhados com pessoas muito próximas (a melhor amiga, a mãe, o confessor ,o terapeuta, o "irmão de armas") que tenham provas dadas de isenção, de boas intenções, de querer o bem das duas partes ou pelo menos, de não ter interesse especial na matéria. 
Tudo o que fuja a isso - o encorajamento de "ombros" de ocasião, as confissões- relâmpago a tutti quanti, o badalar de conversas ou questões muito pessoais -  é uma lança envenenada. 
 Seja por que motivo for - raiva, vaidade, mágoa, desorientação, necessidade de atenção, flirt fútil - fazê-lo é desmerecer o outro a olhos maldosos, 
expô-lo, dar a terceiros poder sobre a pessoa que se devia proteger acima de tudo, deixar à vista, perante potenciais adversários ou detractores, as suas feridas ou fraquezas, abrir as fronteiras do  pequeno mundinho que se construiu ao invasor; permitir a devassa, permitir que pessoas de fora entrem, sujem e destruam tudo aquilo que foi cuidadosamente erguido. 
 As ligações de hoje não vêm, necessariamente, com um sacramentum, um juramento formal desde o seu início. Mas talvez devessem - a ligeireza com que se encara tudo, nos nossos dias, é de facto uma doença.

 

Wednesday, March 27, 2013

Save me!

                                    
Uma mulher tem dias em que a assalta uma daquelas dores de cabeça estilo balão de hélio. Mais uma neura do piorio que chega por arrasto. E ainda tem de tratar de coisas sérias, e reunir com pessoas, sorrir e usar os neurónios. Tem de ser ágil, tem de ser capaz, quando a única coisa que lhe apetece é deixar-se levar. Precisa de chamar a si quanta racionalidade e siso há - quando o instinto exige o contrário. E por mais forte que seja, por mais independente que seja, tudo o que realmente desejava era ser salva, arrebatada dali para fora, e não pensar nos detalhes. Esquecer as partes más, os ângulos assustadores, e olhar para a parte boa da questão. Para aquilo que o coração lhe pede. Bloody hell, uma mulher faz tudo isto, pensa nisto tudo, sente isto tudo, e a única coisa que a impede de ficar maluquinha é, mais uma vez, concentrar-se nas calças  realmente fabulosas que tem vestidas. Como se fossem uma porcaria de um farol no meio da tempestade. Como um ponto de foco antes de um salto fatal. Porque não podemos contar com ninguém para nos salvar - the knights in shining armour estão em extinção; ou o fazemos nós mesmas, ou estamos bem arranjadas. Mas se estamos bem arranjadas, andemos literalmente bem arranjadas. Valha-nos Deus - mas para não lhe dar muito trabalho, acuda-nos S. Valentino, Santo Armani, Santa Prada e por aí fora. Ou St. Freddie Mercury, que tal como os espartanos, sabe sempre o que dizer.



Embirração do dia: países com a mania

                                      
Ontem concluí que embirro com países que passam a vida a mudar de nome. É decerto uma mania inventada para pôr à prova a paciência e destreza das pessoas que querem por força passar por supé cultas, supé actualizadas, supé em sintonia com o que se passa no mundo (e já vos tenho dito, na maioria das vezes não me podia estar mais nas tintas para o que acontece para aí, quero mais é que me deixem sossegada e não tenho pretensões whatsoever de me dar ares de quem sabe todas as novidades, pois acho isso uma foleirada que não está escrita em lado nenhum). Para já, é um hábito horrivelmente terceiro mundista. Um novo líder (à custa de bombas e granadas ou de  meios mais fofinhos, à Ghandi, daqueles que caem bem na cena internacional) chega e pimba, declara-se imperador/presidente/ditador. A primeira coisa que faz é mudar o nome ao reino, república, principado (ou a designação que entendam) consoante os seus gostos ou as suas peneiras. E o povo pactua, o país pactua, o resto do mundo pactua... jornalistas, políticos, os movers and shakers das organizações internacionais, todos se repenicam a chamar o país pelo novo nome, por mais que tenha mudado à custa de batotas e de sangue, por mais pindérico que o nome seja, e ai de quem não tenha percebido que aquela minúscula-nação-recém-reformulada no meio de nenhures, lá atrás do sol posto, de quem nunca se ouviu falar por motivo que se visse, mudou de nome. É que é um sacrilégio, e quem não sabe é um  inculto que só pode andar fora da Graça de Deus. Isto por mais vezes que a indecisa nação já tenha mudado de nome antes. É que há um limite para a credibilidade nestas coisas, sabem. Uma pessoa pode mudar de nome quando casa, mudar porque houve uma chatice no registo e se ficou com uma graça que convém menos ou até arranjar um nome artístico, mas não convém que isso aconteça constantemente, a bem da imagem pública de cada um -  e para salvaguardar problemas de identidade. Pois com os países devia ser o mesmo. Lá porque lhes apetece
 baptizar-se e reinventar-se a torto e a direito, muitas vezes para pior, não quer dizer que isso faça deles países sérios. Ou que alguém tenha a obrigação de os levar a sério. Ou que a comunidade internacional, a imprensa e os incautos que lêem jornais, vêem televisão ou ensinam nas escolas tenham constantemente de actualizar a  Geografia, só por causa da inconstância dos outros. Não sei quanto a vocês, mas eu acho que quem não sabe quem é não sabe para onde vai e não merece grande troco ou crédito para começo de conversa. 

Chuva, parte I : Água de beber

                        
Não tenho nada contra a chuva, mas começa a incomodar-me que seja tanta, até porque em casa tenho uma clarabóia  - criada por um arquitecto iluminado com o romântico objectivo de deixar entrar o sol e proporcionar o fundo muito feng shui da água a cair lá fora...modernices - que deixa ouvir tudo, ou antes, amplia trinta vezes o som de chuveiro. Uma pessoa acorda a meio da noite com aquela barulheira. Levanta-se de manhã e lá está o céu a carpir. Minha Nossa Senhora, parece que as nuvens estão com um desgosto, daqueles que não passam nem com Prozac, que duram e duram e duram e quanto mais se pensa neles, mais vontade há de desatar num berreiro. Alguém ou algo partiu o coração ao céu, e cada pedacinho partido do dito cujo tem lágrimas para largar. Depois acalma-se mas dali a pouco lembra-se de mais não sei quê, repara que lhe dói algures e começa de novo com a choradeira. Eu já não tenho paciência para tanta lágrima a cair-me em cima, é humidade por todo o lado; ontem até a electricidade foi abaixo e não tarda o jardim, ou o que resta dele por este andar, vai ficar num lindo lamaçal. Se Abril cumprir a tradição, isto vai ser bonito. Está certo que as coisas não andam famosas, vai por aí uma crise, mas não é com ataques de choro, nem a alagar a terra, que as coisas se resolvem, eu acho. A continuar assim, vai haver uma escassez de kleenexes, e para os pobres mortais destas bandas, de guarda chuvas e de galochas. O mais curioso é que daqui a nada já ninguém se lembra disto: aposto que vão andar para aí a dizer que as barragens não têm água, como de costume. Eu, que sou uma pessoa com muita Terra, algum Fogo e só uma pequena dose de Água na personalidade, não sei lidar com esta fluidez toda. Oh, well.





Tuesday, March 26, 2013

A piadinha dos estágios profissionais. Ou a Expo-escravo.

                           
Ia jurar que já fiz um estágio profissional de um ano, mas ao que parece é notícia terem passado para doze meses. Que sei eu, que nestas coisas sou como os snobs: do mais distraído que pode haver. Não do género que deixa as contas acumularem-se até ser recebida pelo próprio gerente do banco, mas enfim, percebem a ideia. Ao que parece - e repito que não percebo nada disto, nem quero, pois quando algo não me agrada prefiro varrer os detalhes da memória para sempre, Amen  - as regras continuam, em essência, as mesmas. Ou seja, uma empresa ou organização pode "contratar" sucessivamente estagiários sobre estagiários, pagando uma ninharia, enquanto cada "eleito" só tem o augusto privilégio de fazer um, não beneficiando mais da dança das cadeiras, perdão, "apoios do Estado". Os estagiários trabalham um aninho a eito sem direito a férias - já não falo em férias pagas, mas uma "pausa lectiva" seria bem vinda e produtiva ao longo de doze meses em que se faz tudo menos estagiar ou brincar aos empregos. É vergar a mola, para usar a expressão mais literal, e ver o chefe muito cansadinho a tirar quatro semanas de férias depois de ter estado fora ainda no Natal. A ter a lata de achar muito estranho que o sortudo do estagiário ande exausto, e zás, a atirar o discurso  "quando comecei a minha carreira fiquei muito feliz de ter feito um estágio profissional" e uma pessoa a fingir que acredita mas com vontade de lhe dar chicotadas. Se preciso for - vi acontecer e não gostei - ainda se fazem quantas manobras há para roubar os poucos dias de folga a que se tem direito por horas extra ou incómodas (trabalho em fins de semana ou feriados, etc). Para não falar de - também vi acontecer, também não achei piada - entidades que "acolhem" (reparem no palavrão: acolhimento a pobres meninos carenciados que não têm lugar para ficar) estagiários sem condições para os receber. Ou seja, o escravo vem com extras: computador próprio, câmara própria, carro próprio. Melhor do que isto, nem no melhor stand da República Romana em dia de Expo-Escravo: oportunidades imperdíveis para qualquer paterfamilias, compre dois e leve três, oferecemos os acessórios. A diferença, já o disse por aqui algures, é que o escravo representava um investimento considerável, logo era muito mais caro de substituir, fazia parte da mobília. Pondo as coisas nestes termos, se calhar não é tão mau como isso que cada empresa possa usar estagiários e mais estagiários, mas cada estagiário só possa voluntariar-se para o mercado uma vez: uma vez chega.

Crónica na Activa: mentira, mentirinha, mentirola...

"Sou um rapaz sério. Piu!"
Ainda faltam uns dias para o 1º de Abril; mas como Dia das Mentiras, infelizmente, é quando o Homem quiser, aqui fica a crónica desta semana na Revista Activa. É que a mentira tem muitas faces e formatos: a omissão, a treta, o enganar com a verdade, a meia verdade, o esquema completo, e sabe-se lá mais as hipóteses que uma alma desconhece. Happy April fool´s day!

Unworthy, ou do abrir os olhos

                                             
Glaber: Why? Ilithyia: Because you are not worthy of an heir. You are not worthy of me. Glaber: Have we drifted so far? From the love we once held? Ilithyia: It’s a speck upon distant shore. Too small to draw notice. Glaber: I will hold my child in my arms. And you will play part of dutiful mother and wife. Ilithyia: I will not. Glaber: You will do as your husband commands! Ilithyia: Then I pray Varinius gives them with softer voice! Glaber: Varinius? Ilithyia: My father dissolves our marriage in favor of more promising opportunity. I return with him to Rome at the close of the games. Glaber: You conspire against me? Ilithyia: We do what we must in face of growing disappointment. Glaber: I’ll have words with your father- Ilithyia: To what end? He allowed you my hand only because I begged with teary eye, wet with thoughts of love. They now stand dry. A desert deprived of rain. Glaber: Is there nothing left between us? Ilithyia: Memories, only. Yet, they too shall fade.
Glaber: Why? 
Ilithyia: Because (…) you are not worthy of me
Glaber: Have we drifted so far? From the love we once held? 
Ilithyia: It’s a speck upon distant shore. Too small to draw notice. 
Glaber: You conspire against me? 
Ilithyia: We do what we must in face of growing disappointment. 

Glaber: Is there nothing left between us? 
Ilithyia: Memories, only. Yet, they too shall fade. 


Ou como diria o nosso grande bardo Sérgio Godinho,

às tantas, aos poucos
 às tantas, aos poucos 
eu fui percebendo 
às tantas eu lá fui tacteando 
às cegas eu lá fui conseguindo 
às cegas eu lá fui abrindo os olhos.


Por vezes, por mais que se desenrole um novelo, o fio continua, e continua, e continua. Levando a pontas, áreas do labirinto e nós górdios que uma pessoa não imaginou nem nos seus sonhos mais febris. Ficção? Quem precisa dela? A realidade é bem mais complexa, e já não se sabe o que imita o quê, quem imita quem, nem quem foi o dramaturgo. All the world is a stage. Right.



A bela Simonetta



                                                 

Olhem para este rosto. Ela tinha pele de porcelana, fartos cabelos acobreados, um nariz romano, lábios cheios, olhos amendoados e pálpebras em meia lua, emolduradas por delicadas sobrancelhas. Tinha pescoço de cisne e um corpo de acordo com as proporções clássicas. Ela podia - mais retoque, menos retoque - iluminar as capas de qualquer revista no século XXI. Mas também poderia inspirar Praxíteles ou Apeles, se a sua beleza tivesse surgido nas areias da Antiga Grécia. Nasceu tarde para isso (c. 1453 ) - mas Botticelli, que a pintou como Afrodite (ou Vénus) Anadiómene , e a voz do povo, que à falta de dados mais concretos atribui a Porto Venere (Porto de Vénus, na região de Génova) a honra de figurar como seu berço sobre as ondas do mar, encarregaram-se de adensar a lenda. Simonetta é, provavelmente, a primeira imagem que nos vem à ideia quando se pensa na Deusa do Amor e da Beleza. Foi-o, sem dúvida, para os artistas e estetas do seu tempo. Simonetta era  considerada a mais bela de Florença, a mais linda mulher da sua época e para muitos, é a mulher mais deslumbrante do Renascimento italiano. Passou à história como la bella Simonetta, nem mais nem menos, e era a it-girl por excelência.  Os génios queriam retratá-la, os homens queriam amá-la, as mulheres desejavam ser como ela.  
Curiosamente - ao contrário do costume - a beldade não era uma flor anónima de nascimento humilde, catapultada do anonimato para a eternidade pelo talento de um pintor apaixonado. Nasceu Simonetta Cattaneo de Candia, uma senhora das nobres Casas de Volta e  de Candia (logo, aparentada com outra beldade, Vanozza, por sua vez, mãe da belíssima Lucrécia Borgia).  Aos quinze anos, em Génova, casou por amor com Amerigo Vespucci - amor da parte do marido, pelo menos - bem relacionado em Florença com a família Medici, e deslumbrou de imediato a corte florentina.
Sandro Botticelli
Por essa altura encantou vários pintores, incluindo Sandro Botticelli, de quem se tornaria musa incontestável. Todos os nobres locais estavam apaixonados por ela -  mas o formoso Giuliano de Medici foi o eleito. Num famoso torneio, usou mesmo a imagem de Simonetta no seu estandarte, pintada por Botticelli como Pallas Atena, com a divisa A Sem Par, na melhor tradição (ou revivalismo...) do amor cortês
Vénus e Marte: alegadamente, Simonetta e Giuliano terão inspirado a obra.


 Infelizmente a celebridade, o amor e a alegria não durariam muito: la Bella Simonetta morreria de tuberculose inesperadamente, com apenas 22 anos de idade. Toda a cidade a chorou. Dali a dois anos o belo Giuliano segui-la-ia, barbaramente assassinado. O Nascimento de Vénus seria completado por Botticelli - possivelmente in memoriam - nove anos depois. Continuou a pintá-la, obra após obra, figura após figura, com a obsessão que só um artista inspirado pode sentir. Três décadas mais tarde, quando o pintor deixou este mundo, o seu último desejo foi cumprido: ser sepultado aos pés da bela Simonetta, na Igreja da família Vespucci, em Florença. 
A Beleza pode não ser tudo - mas é fundamental, o alimento do amor, da arte e de todas as coisas imortais neste mundo. E quando é verdadeira, perdura para sempre.

                                          

Monday, March 25, 2013

Concreto: intensidade e paixão no Portugal Fashion




            
Como vos contei, Sábado estive no Portugal Fashion a convite da Concreto. Tive o privilégio de acompanhar de perto algum do styling da colecção e não podia perder a oportunidade de ver a sua apresentação. Sob o mote " Intensidade e paixão" Helder Batista sugere um Inverno 13/14  opulento e acolhedor, que viaja entre harmonias delicadas (brancos, cremes e dourados)  a tendência vencedora do preto e branco e a riqueza do encarnado, dos amarelos vivos e dos verdes. Tons sofisticados que marcam uma silhueta elegante e flexível, equilibrando linhas simples, justas e clássicas com a ousadia e colorido a que a marca já nos habituou. Gostei especialmente do fio condutor de toda a colecção – fiel ao posicionamento da Concreto, mas de acordo com as tendências internacionais, não faltando mesmo um piscar de olhos à vaga nipónica que tomou a indústria de assalto (nota bene os obi belts de couro) e um certo quê de medieval nos vestidos túnica compridos, muito Game of Thrones chega à cidade;  irreverente, mas fácil de usar; chamativa, mas com algo de Bon Chic Bon Genre. Para quem já conhece os meus gostos, não será difícil perceber que me perdi de amores por esta statement skirt. Acho que será um must-have, e todo o look é fantástico.
 Foi uma tarde agradável entre amigos, com a inevitável visita ao backstage.  Resta-me dizer que para o meu visual nesse dia, escolhi, o mais possível,  um anti-look. Sinto falta de ver a assistência composta, simples e de preto como nos bons velhos tempos;  e de litas, calções, tachas e de looks so last season que procuram ser trendy a todo o custo já basta o que basta ( se quem lá não esteve não acredita, não estou a ser repetitiva, nem me falta imaginação para exemplos; as tachas, litas e calções não morreram mesmo…).
                     
 





                                           
                                           
                                             

Regresso aos anos 90

                                     
Cover Portada Abril 2013
A capa de Abril da Vogue España (com Candice Swanepoel retratada por Mariano Vivanco) e o editorial em que a modelo reencarna  o minimalismo, o grunge, a alfaiataria e as silhuetas de Giorgio Armani, é uma verdadeira homenagem às tops e aos tempos áureos da indústria de Moda nos anos 90. No look, no styling, no próprio filtro e enquadramento da fotografia. 
A tendência  para o regresso ao glamour de quando a Moda reinava sem estar na moda já se tem manifestado aqui e ali, para o bem e para o mal - os classic jeans subidos, as sweatshirts, os  boyfriend jeans, regresso das curvas , os bomber jackets e a própria logomania característica do millenium - mas a década mais eclética de todas (antes da que vivemos, pelo menos) parece estar definitivamente de regresso. Espero que volte, mas com uma nova abordagem. Se assistir ao fim do reinado do gloss, voltar a usar bâton e eyeliner sem medo e ressuscitar jeans vintage ou formatos que não lembram a  ninguém tem sido muito divertido, algumas silhuetas e looks desse tempo ainda estão demasiado presentes na memória do ensino básico para que me apeteça 
olhá-las como objecto de desejo. What about you?



Statement T-shirt, ou a T-shirt de luxo. Como usar?


Michael van der Ham 
Michael Van Der Ham
T-shirt couture, de tecido luxuoso e /ou guarnecida de aplicações, rendas e bordados, é uma das sugestões interessantes dos últimos tempos para acrescentar brilho a um look para a noite. Descontraída e mais bem comportada do que um top, a rainha das peças informais ganha agora uma surpreendente dimensão de requinte.
A usar por dentro ou por fora de saias lápis (em couro ou tecido) saias balão coloridas, calças de pele, calças cigarrette ou clássicas. O limite é a imaginação, tendo sempre em conta as proporções da silhueta. Indispensável - como na maior parte dos visuais que giram à  volta de uma peça statement - a clutch simples, mas sofisticada, e os scarpins ou sandálias de salto fino mais elegantes que tiver no armário. 

Temperley London Francine appliquéd silk and cotton-blend topMichael van der Ham Embellished silk-dupioni top

Conselhos para que resultem: quem tem cintura estreita e busto saliente sair-se-á melhor com os modelos cingidos ao corpo (como o de Michael Van Der Ham acima) ou usando a t-shirt por dentro. Os decotes um pouco mais abertos costumam ser a melhor opção. Se quiser, acrescente um cinto. As mais cheiinhas poderão fazer a mesma coisa, optando por um tamanho folgado - que disfarce os excessos sem, no entanto, anular as formas do corpo. Mulheres com figura rectilínea ficam graciosas com os modelos largos, menos decotados e soltos, que caiam a direito. Na maioria dos casos, opte pelas mangas realmente curtas, ou cap sleeves: quanto mais curtas,  mais elegância dão aos braços.


                                 
Bottega Veneta 
Bottega Veneta
Oscar de la Renta 
Oscar de La Renta





Derek Lam 
Derek Lam
Temperley London 
Temperley London
Michael van der Ham 
Michael Van Der Ham
Lanvin 
Lanvin
Christopher Kane 
Christopher Kane
Temperley London 
Temperley London

Love is a battlefield, lá dizia a outra

                 
Um dos melhores conselhos que já me deram, e que costumo transmitir a amigas atingidas pelo Cupido: 

"Lembre-se, no início de uma relação, o homem é o adversário (isto é, se realmente gostar dele!). Ele tem o poder de a magoar (...). Também é verdade que você o pode rejeitar.  Mas o facto é que é ele que repara em si (...) é ele que conduz o espectáculo.  A melhor maneira de se proteger é não se deixar envolver demasiado depressa".

Fein e Schneider

Ou numa versão radical que ouvi há uns anos, "a mulher sábia, que gosta de si mesma, ama o amor e não os homens"


Sunday, March 24, 2013

Ópera - bufa, nem mais nem menos.

                                          
Segundo a Wikipedia: Ópera-bufa (italianoopera buffa) é o termo usado para descrever a versão italiana da ópera-cómica. Outros dos seus apelidos são dramma bernescodramma comicodivertimento giocosocommedia per musicadramma giocosocommedia lirica. A sua origem está ligada a desenvolvimentos musicais e literários que ocorriam em Nápoles na primeira metade do século XVIII, de onde a sua popularidade se espalhou para Roma e para o norte de Itália.

Segundo o Livro cá de casa: comédia; fantochada; descaramento; atrevimento; pouca vergonha; vigarice; falta de hombridade e cavalheirismo; peripécia ridícula; forma desonrosa de proceder; falta de palavra; mascarada; palhaçada; circo; pantominice; situação destituída de nobreza e seriedade; falta de noção; trampolinice; acto ou efeito de agir como um pato bravo; vergonhaça; coisa indigna; atitudes que ofendem o pundonor alheio; acto ou efeito de se expor ao ridículo; baixaria; parolada; pinderiquice; ir, como diz o povo, de cavalo para burro; rebaixar-se a situações feias ou condenáveis; exagerada elasticidade moral; efeito grave do arrivismo e cobardia; lata; topete; ladroagem; fazer, ou obrigar outrem a fazer, figuras tristes;  em suma, aborrecimento que nem merece menção, de tão ridículo que é.




No me gusta, Princess Charlene

                                 
                                                
Eu sei que elogiei esta ideia de styling há uns meses atrás. Um perfecto ou bomber jacket sobre um vestido de noite longo pode funcionar em certas situações, desde que:

                                                        Trucos de estilismo para vestir en Navidad: Ralph Lauren
a) o blusão em si tenha algo de festivo (brilhos, por exemplo);
b) o evento seja descontraído e se queira aligeirar a formalidade do vestido.
c) ambas as situações.

Com tantas ocasiões para experimentar um look tão irreverente, escolher precisamente o Baile da Rosa não me parece a melhor opção. Há que considerar também o formato e fitting do perfecto, os acessórios, o penteado e também o visual de quem acompanha. Quanto a mim, neste caso foi uma opção sem grande sentido. Tantos boleros, casaquinhos e capas lindíssimos por aí...em certas situações, é melhor não inovar. O que acham?

              

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