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Saturday, April 6, 2013

Bons ventos de Espanha

                          claraalonsoblog553_Snapseed
Tenho mencionado várias vezes a Vogue España e sem dúvida, considero-a uma das edições mais inspiradas, que reflecte bem o estilo e savoir faire de nuestras hermanas. E esta semana, há muito de onde tirar lições. Dos looks witch rock da  modelo/blogger Clara Alonso (acima)...

                                        Street Style en Nueva York
...a este exemplo de street style em NY, que mostra como usar para o dia, e sem compromisso, a difícil combinação casaco de peles de grande efeito + tigresse: muito preto, silhueta despojada e clean, um quê de dourado para acompanhar o tom do agasalho, um ar displicente, e já está...

                Fotos de street style en Paris Fashion Week: estampado multicolor
...passando por outra imagem de rua (Paris) que adiciona um perfecto a um vestido balão com padrão mais que perfeito...

Blanca Suárez en 7días/ 7looks: Vacaciones en Roma                                   Blanca Suárez Look 4 Articulo
...ou pelos looks impecáveis (a lembrar Jane Birkin) da actriz Blanca Suarez...

                                                    Juan Vidal - Pasarela
Juan Vidal - PasarelaJuan Vidal - Pasarela


...até ao desfile goth chic, e totalmente adorável, do designer espanhol Juan Vidal em Moscovo. Já o disse, começo a ter um bocadinho de orgulho na minha remota costela espanhola, e um dia destes salto a fronteira. Salero!
                         
                                 



Coimbra Fashion Madness, parte I



No próximo dia 13 de Abril, Coimbra vai ser revolucionada por uma "loucura pela moda". O emblemático Convento de Santa Clara a Nova recebe um evento que que une estilo, excentricidade e música, e que pretende colocar a cidade na rota fashionista portuguesa.  Com ênfase nos designers e marcas nacionais, na estética de moda,  música,  excentricidade e criatividade, o Fashion Madness apresentará desfiles "isentos de padrões a seguir" com a presença de marcas e criadores como Concreto, Style in a Box,  João Rôlo, Carlos Gil e Carlos Gago (Ilídio Design). Paralelamente, irá decorrer um concurso nacional de jovens designers. No final, a passerelle vai transformar-se numa pista de dança ao som de grandes DJs nacionais. 
  Fazia falta um evento de rasgo e de gosto em Coimbra. Por isso, foi com muito prazer que acompanhei a apresentação, que teve como cenário a belíssima estufa fria do Jardim Botânico de Coimbra. Espero ver por cá muitas caras familiares da blogosfera, pois aguarda-se uma noite de luxo, num local lindo e com um conceito verdadeiramente original. Entretanto, deixo-vos alguns instantes da conferência de imprensa:
Com Vasco Vilão, Helder Baptista (Concreto) e Carlos Gago
  
Com Daniel Casteleira, da Black@White - agência responsável pelo evento. 
 






O regresso do fato

                                  
Desde Setembro passado que se vinha adivinhando: o tailleur de saia (com saia ampla, linha A, ou lápis) e o fato de senhora (visto em Dior, Céline,  Givenchy, Balenciaga) estão de volta, na cauda da tendência ladylike - que pede feminilidade e decoro, mas também poder - e do regresso a um certo despojo espartano. Afinal, nada mais simples do que usar um coordenado de duas peças. Eis uma boa época para adquirir o tailleur perfeito, para compor o "enxoval de roupa para trabalhar" ou simplesmente, para tirar do closet os exemplares que já existem e que têm ficado, timidamente, à espera de uma ocasião de brilhar sem parecerem demasiado pesados. Reciclar, comprar, pedir emprestados os exemplares vintage das tias ou da mãe...valem as opções, cores e tecidos mais surpreendentes, desde que se tenha a elegância como prioridade. Não sei quanto a vocês, mas estou completamente apaixonada pelo azul victoriano de Stella McCartney. E tenho um ligeiro palpite de que me vou divertir grandemente com alguns exemplares que aqui andam por casa, e que mais tarde não ficará tão bem usar. Se dispuserem de fatos guardados aconselho-vos a fazer outro tanto, não vão os ventos virar de repente...

                               abecedario con todas las tendencias de moda de primavera verano 2013: t de traje

Condessa de Gencé dixit: da boa educação


                                  

" Não se é bem educado à força, por compulsão, conveniência ou por mero hábito. É-se bem educado por sentimento, por vontade, por gentileza de ânimo e por disposição de carácter.  Não se deve parecer bem educado- deve-se ser bem educado. Ser bem educado é, porém, uma arte - e uma arte difícil. A (...) naturalidade, desafectação e a maleabilidade das regras de boa educação não significam o seu abandono".


3 coisas que destroem uma história de amor

Falei de quatro venenos fatais aqui. Mas vivendo, observando e reflectindo, é possível reduzir a uma trindade indesejável as coisas que matam as raízes do relacionamento mais promissor. 

1- Segredos
Mesmo numa relação íntima, todos temos os nossos compartimentos fechados e direito à privacidade; porém, manter na sombra factos importantes ou pior, questões paralelas e graves,  condena qualquer relação à partida. Mais cedo ou mais tarde a situação acabará por explodir. Igualmente mau é alimentar rotinas, amizades muito próximas ou hábitos às escondidas do parceiro. Se não é nada de mal, para quê o secretismo? E se há necessidade de secretismo, algo se passa, certo?  

2- Interferências externas
Este ponto mantém-se: a privacidade de um casal é coisa sacrossanta, condição sine qua non. Se um dos elementos permite palpites, flirts ou qualquer influência da parte de pessoas parciais, talvez devesse ponderar o porquê de estar num relacionamento em primeiro lugar.

3- Separar-se zangados
Se as discussões em excesso são nocivas, pior é deixar que escalem. Nunca sabemos quando será a última oportunidade de recompor as coisas. Nunca se sabe o que pode acontecer, que caprichos do destino podem surgir a partir do momento em que se sai porta fora. Além disso, não há nada pior do que um arrufo que se arrasta por horas, dias, semanas...transformando uma birra  numa questão grave e angustiante, que debilita e desgasta a saúde e o relacionamento. A vida é demasiado curta para prolongar coisas más que podem ser evitadas.


And that´s pretty much it...

Friday, April 5, 2013

Os homens não se querem bonitos - bless your heart, Daryl Dixon...

                              
"A candura fingida é um punhal disfarçado"

Marcus Aurelius Antoninus

Sempre ouvi que os homens não se querem bonitos. Mas dê-se o desconto e subentenda-se que não se querem bonitinhos. Convém que haja neles algo de arisco, de selvagem, de poderoso, de insondável, entre o príncipe e o facínora, que dê vontade de olhar duas vezes; que uma mulher se possa abrigar à sua sombra sem medo de nada. A um homem não basta a suposta beleza, que é por vezes extremamente maçadora; é preciso que provoque nas mulheres o efeito I would run away with you, no questions asked. E ninguém no seu perfeito juízo foge com ninguém pelos lindos olhos, embora os olhos rasgados de Norman Reedus sejam deveras lindos. Há que ser uma fortaleza. Ter uma palavra que valha um escrito. Não ter medo de sujar as mãos. Não ter medo de nada, muito menos das coisas que, não sendo assustadoras, fazem um homem tremer de medo: a verdade nua e crua, o olhar inquisidor da mulher amada, os seus próprios actos. Porque um homem com quem se fuja deve ser corajoso, e não é só para enfrentar monstros. Antes de nada, precisa de ter combater a fera que tem dentro de si, que o puxa para o abismo da cobardia - e mal ou bem, não há homem que não seja colocado perante essa escolha mais cedo ou mais tarde. Também não pode recear domar o lado selvagem na mulher que escolher, se ela for uma mulher a sério. O homem que esquece o guerreiro dentro de si e se deixa dominar apenas pelo lobo, o homem que não tem os instintos rapaces sob o seu domínio, é tão frágil como uma mulher por mais que pareça feroz. E o que esquece o lobo e age como um cordeiro ou uma raposa, há muito que deixou de poder ostentar o título - vencer pela astúcia ainda é apanágio feminino. Ora, eu não conheço Norman Reedus, nem o seu quilate como homem - admira-se-lhe o talento, o aspecto varonil e a legenda de ser o pai do filho da lindíssima Helena Christensen. Mas Darryl Dixon, pela lente de Terry Richardson, transmite tudo o que um homem deve ser. Ou um cavalheiro, quando põe de lado o fato.

                            
                                   
                                         

Querem ver que a Lei da Atracção funciona mesmo?

                             
Dizem os gurus da matéria que se atrai aquilo a que se dá atenção, sejam coisas boas ou más - numa lógica abyssus abyssum invocat. Ou seja, se reparamos em circunstâncias ou pessoas, ainda que com repugnância/ medo/embirração/indignação, estamos a atrair mais disso mesmo.
 Já comentei por aqui que tenho uma crença moderada, baseada no tried and true, em algumas destas ideias, mas não levo a coisa a peito - se uma pessoa exercesse um controlo absoluto sobre a sua mente e se pusesse para aí a pensar só em paz e amor, em assuntos fofinhos, a sentir apenas emoções beatas, sem nunca desabafar, sem nunca encarar a realidade de frente, acabaria ao melhor estilo pateta alegre - no mínimo. 
      Quem muito se contém, algum dia explode. Ou como diz o povo, quem não fuma, não joga nem bebe vinho, leva-o o Diabo por outro caminho. Sou pela instituição do desabafo, porque trancar tudo cá dentro não faz nada bem. No entanto, acho que preciso de rever prioridades. É que - e permitam-me acrescentar um macacos me mordam - das duas três: ou ando a conviver com a multidão errada, ou o mal está espalhado por todo o lado,  ou isso de atrair o abismo é mesmo verdade. Parece que por mais que me esconda, o único tipo de pessoas que realmente desprezo (gente atrevida e metediça) vem ter comigo, ou aparece associada a pessoas próximas, que tenho por incorruptíveis. Mudo de lugar, mudo de perspectivas, e quando vou a ver lá estão os monstros. Com outras caras e outros nomes, mas o mesmo perfil e as mesmas atitudes. Com tanto estilo de gente ruim, podia aparecer-me mais variedade. Tudo o que é de mais...cansa.  Estou perto, perigosamente perto, de me tornar uma hippie zen, a ver se o fenómeno desaparece. Se o IS ficar de repente chato, enjoativo e queridinho, já sabem a razão.

Áreas cinzentas? No thanks

                                         

Áreas cinzentas todos temos. Dúvidas. Zonas da mente em que o bem e o mal, a paz e a guerra, a luz e a escuridão se tocam. Compreendo isso melhor do que ninguém. Mas no que toca ao nosso lado exterior, à nossa relação com os outros, não pode haver áreas cinzentas. Uma ofensa não pode varrer-se para debaixo do tapete, e esperar que passe; abrir a janela, deixar entrar toda a poeirada para dentro de casa, e achar isso normal, não é aceitável; uma meia verdade não pode servir de reparação ou esclarecimento; tudo o que é indefinido, o que não é carne nem peixe, preto nem branco, precisa de ficar na nossa caixa interior. Não lá fora, a arranjar complicações. Mas por mais que se tente expulsá-las radicalmente e de uma vez por todas, elas teimam em aparecer. 

Street style de Paris: ideias

                                              Street style en primavera en Paris
Apesar do desdém pela harmonia e pelas proporções que grassa por aí em muitos looks hiperbólicos registados por publicações ou blogs da especialidade, tenho um enorme fraquinho pelo street style. Mostra-nos (e cada vez mais, aos designers e directores criativos) novas possibilidades, peças inesperadas ou ideias de styling surpreendentes. O street style (ou as figuras que certa (o)s corajosa (o)s se atrevem a fazer)  testa os limites. É divertido de ver e uma excelente inspiração. E algumas imagens captadas pela Vogue em Paris são, mesmo para quem como eu prefere as formas clássicas, fontes impecáveis de ideias:

Street style en primavera en Paris-O blusão ou  perfecto de couro preto é uma peça que traduz certa rebeldia, sem arriscar demasiado já que dificilmente dá um ar "poluído" ao visual. Pessoalmente, acho que favorece quase todos os tons de pele/cabelo (por ser escuro e ligeiramente brilhante, confere aquele efeito "boa cara") e pode ser o toque que falta para animar um look demasiado simples. Gosto muito da ideia de usá-lo com saias rodadas, como vos mostrei, mas já que tem estado frio, acho genial combiná-lo com um chapéu estilo cossaco (outra das minhas manias). E para quem gosta de aplicações ou tachas...bom, creio que esta é uma das maneiras mais aceitáveis - por ser intemporal - de as levar à rua. Nesse caso, recomenda-se um look noir e um aspecto o mais clean possível, para deixar as aplicações falar por si.







     Street style en primavera en ParisStreet style en primavera en Paris
Um velho, clássico, longo e ligeiramente felpudo sobretudo de lã, de uma cor repousante (o rosa é um amor e também ele, dá instantaneamente boa cara) atirado ao acaso sobre uma toilette simples - uma receita fácil para emprestar estilo aos primeiros dias de Primavera, enquanto há frio para isso. Não sei quanto a vocês, mas eu não dei uso a todos os casacos que pus de parte para o Inverno passado e não tenciono deixá-los ir sem luta. 
 Já as pantalonas, acompanhadas de um belo cinto vintage e um blazer de camurça banalíssimo lembram os anos 20, com uma abordagem típica da cidade-luz. Prefiro-as um pouco mais cingidas ao corpo, ainda que largas, mas essa é uma questão de gosto individual. 
On  y va?

Máquina do Tempo, precisa-se

Depressa! Vamos dar boleia à Sissi ou corremos o risco de um colapso de realidades paralelas!!
Sei que prometi um post sobre as épocas que quero visitar quando as férias em séculos passados estiverem disponíveis, mas ainda não é desta - estou à espera de calma e inspiração para planear o meu "roteiro".  Porém, a máquina do tempo do Dr. Brown
 dava-me um jeitaço: seria bom recuar para alterar uma série de pequenininhos disparates que se entrelaçaram no espaço-tempo criando uma sucessão de realidades paralelas aparentemente impossíveis, que não lembrariam ao mais pintado. Um dos meus lemas é nunca me arrepender de nada, a  não ser do que não foi feito. E no entanto...há certas coisas que seria óptimo poder apagar. Delete. Erase. Reset. Esvaziar o cesto da reciclagem. Para que não restasse uma sombra de lembrança que nos pudesse incomodar, nenhum raciocínio, nenhuma conjectura, nenhuma teoria, nenhuma vontade, nenhum diálogo ou acontecimento memorizado em loop na nossa mente. Para não sentir coisa alguma, boa ou má, acerca do assunto. Não ter opinião. Nem ideia de espécie nenhuma. Nem riscos de realidades a chocar umas contra as outras, criando cataclismos doidos no espaço tempo, que ameacem destruir a galáxia. Na impossibilidade de arranjar o DeLorean salvador, explosão galáctica para tudo isto, como costumo dizer. Também serve.

Thursday, April 4, 2013

Acordar em sobressalto...

                                      
...a pensar "ai Meu Deus, ai meu Deus, que coisa horrível, o que é que eu fiz, que grande disparate, que deslize tão grande, o que é que eu estava a pensar, onde é que eu tinha a cabeça, mas - eu -estava- doida -é -que -só -podia..." e depois ver que não foi sonho, foi mesmo verdade. Oh, nãaaaaaaaaaaao***.  Nunca vos aconteceu?

*** Não é grave. É só um faux-pas, e passa.

Eu embirro com...danças afro-latinas

                           
Ou danças latinas, ou o que quer que lhe chamem. E não me venham esclarecer, tenho o Google para isso mas não me apetece agora informar-me. Clarificando: não é com as danças em si, que apesar de eu não ter a mínima pachorra concordo totalmente que é de bom tom uma pessoa não pisar os pés do parceiro (principalmente se for de cerimónia) ao tentar arranhar danças decentes como a valsa, o cha-cha-cha, o fox-trot, o quickstep ou vá lá, muito vá lá, o tango num salão apresentável, numa reunião honesta. Somos um bicharoco social e umas quantas lições, de preferência privadas, não fazem mal a ninguém. Acima de tudo, creio que uma menina bem educada deve ter as suas noções de ballet, que felizmente ainda se vai mantendo igual ao que era: dá boa postura para o resto da vida e continuando, garante uma silhueta impecável sem que seja preciso recorrer a personal trainers com segundas intenções num ginásio que por mais luxuoso que seja será sempre um bocado abafado ou pior, pejado de engatatões sem noção  e cortesãs (estou a ser simpática) do outro hemisfério que podem pagar a inscrição, credo . Fiquei para sempre grata à minha aterradora, mas com um bom ar que tomariam muitas, professora de ballet, que tinha sido uma dançarina de renome na sua juventude. Fazer disso carreira terá os seus quês, mas já foi pior. O que me dá arrepios nem é tanto isso - embora kuduros e kizombadas entrem na categoria do inenarrável, inconfessável e socialmente mortal - mas o ambiente medonho do culto aos antros (estúdios?) de dança e as pessoas que os levam a sério, além de boa parte dos seus frequentadores. São as roupinhas de lycra. Os seguranças brutamontes que dançam nas horas vagas, vestidos de linho branco. Os affairs rotativos. As apresentações aqui e ali, todos ao molho e a competir para ver quem é o casal-maravilha. As MILF que para lá vão arranjar namoro com os tais que se vestem de branco. Os enredos à Dirty Dancing, versão reles, com namoros e casos e traições e ai, fugi com o Carlão porque ele dançava melhor do que o Rúben. Os mexericos. O dançar por dançar sem ligar à música. O suor peganhento e ai, estamos tão agarradinhos mas como é a dançar está tudo bem. A meia luz para a kizombada. Pronto, admito que aqui sou um tudo-nada preconceituosa. Mas embirro mesmo. Uma coisa é dançar, outra é fazer disso telenovela, levar tal ambiente a sério e ainda pretender ter gosto, ou estilo. Volta, karaoke, estás perdoado.

Piada do dia - anúncio de emprego

                              

Ontem no jornal: 

precisa-se de assistente bem educada e com excelente apresentação para empresário. Disponibilidade total. Enviar CV com várias fotografias.

Já ouvi falar de empregadores que são inundados com CV acompanhados de retratos em bikini, tipo book da treta, mas um anúncio tão descarado é novidade. Talvez o senhor devesse ter levado a sinceridade um pouco mais longe e pedir logo uma "namorada para todas as ocasiões, que também trabalhe". Ficava o cliché completo, mas eu, que não gosto de eufemismos, podia rir-me um bocadinho mais. Não sei se diga " a quem não pede, não ouve Deus", se dê um ponto pela desfaçatez ou se leve as mãos à cabeça por isto estar cada vez mais bonito...

Scarpins e clarividência

                       Tendencias zapatos de salon primavera verano 2013: Jimmy Choo

Já tenho mencionado por aqui o regresso do mais clássico dos sapatos, mas este Jimmy Choo (que é mais um stiletto, mas vamos lá...) entre outros modelos de uma pessoa perder a transmontana, lembra-me que ainda não encontrei o scarpin encarnado perfeito. E que outro par em preto para juntar à colecção também vinha a calhar. Infelizmente verifico que tudo, rigorosamente tudo, o que escrevi neste post, é absolutamente verdade. Ando com uma clarividência tal que preciso mesmo de investir no jogo. Um dia escrevo-vos de algum lugar realmente extravagante, verão.

Ensaio sobre a "feiura"

                              
Entre as ideias que mais defendo está a de que poucas coisas são tão relativas como a beleza - bem como a diversidade dessa mesma beleza, que pode vir com uma variedade enorme de tamanhos, traços ou cores, e que por vezes depende mais do carisma, ar e charme que se tem do que de questões meramente plásticas. 

Sempre me ouvi dar grandes sermões a amigos que - sem se olhar ao espelho nem aos sentimentos alheios - classificavam, de forma ligeira, esta ou aquela rapariga como feia. E a reprovar as mulheres que atiravam esse insulto umas às outras, mesmo sem ser verdade. Porque a "beleza" depende tanto dos padrões individuais de cada um, porque ninguém é perfeito, e em última análise, porque nascer "feio" ou "bonito", mesmo na era das makeovers e da cirurgia estética, é algo que só ao acaso se deve. Logo,  nunca foi palavra que gostasse de usar para classificar alguém. A avó ensinou-me sempre que ninguém se deve ufanar, nem deitar os outros abaixo, por coisas que fogem ao controlo de cada um: o nascimento, a saúde, a beleza ou a falta dela. Deus castiga, e não faças aos outros...

                                                            
*No entanto* (tinha de haver aqui um "mas" como ponto de viragem, estava-se mesmo a ver que o texto já estava fofo demais e eu só sou amável quando quero ou quando não tenho de dizer verdades...) constato que as pessoas que mais chatices me têm causado ao longo da vida não só são inegável e indiscutivelmente desagradáveis à vista- de caras de gárgula ao "feinho assim assim", a cabeçudos de Torres Vedras passando por gigantones, peles de sapo, fuinhas e ratazanas, tem-me aparecido de tudo - como são medonhas por dentro. Ou seja, por vezes quem vê carantonhas também vê corações. Há aqui um complexo de pescadinha de rabo na boca, ou de círculo vicioso. Se calhar andam por aí pessoas supostamente muito feias, mas que, como têm carácter e bom coração, desenvolvem um encanto tal que nem nos lembramos de as caracterizar como desagradáveis fisicamente: muitas das que achamos horrendas são, muito provavelmente, feias por dentro também. E contra ser feio por dentro, não há extreme makeover que valha.
                                        
 No caso das mulheres (já que em relação aos homens o caso torna-se mais complexo ainda) há uma questão de acção e consequência: uma rapariga desengraçada desenvolve naturalmente alguns complexos. E das duas uma: ou os combate e investe em si por dentro e por fora (passando à categoria das "pequenas sem grande beleza mas com um certo je ne sais quois") ou se torna uma ressabiada de primeira água. E o grande mal do ressabiamento é que contamina o sangue, faz os traços torcerem-se e a pele esverdear-se, estilo Juliana de O Primo Basílio. Zás, mais feia vai ficando. Depois, a rapariga feiota percebe desde cedo que terá de  esforçar-se muitíssimo mais que as outras, de recorrer a outros artifícios, uma vez que não obtém atenção masculina: o resultado natural é tornar-se uma tremenda mulher da luta. Ou seja, desenvolve um descaramento nada senhoril, deita fora a ética, o pudor, a dignidade e a solidariedade femininas; atira-se, oferece-se, põe o carro à frente dos bois, arranja intrigas com os namorados das outras se for preciso,  toma as iniciativas todas, dá todas as facilidades, tudo o que vem à rede é peixe -  aproveita qualquer janela de oportunidade, já que são tão poucas. Faz o papel da amiga, da confidente, do ombro aproveitadorde pneu suplente, aguenta tudo, tolera tudo, sofre as humilhações necessárias para não ficar a ver navios. Uma rapariga acostumada a ter atenção sabe que não precisa de suportar certas coisas, mas uma mulher "feia" está por tudo. E como ouvi por aí, é muito complicado lutar com pessoas feias, pois elas não têm nada a perder. Em qualquer área da vida, os indivíduos mais perigosos são os mais desesperados: recorrem aos piores truques, não desistem, matam e esfolam se for preciso. E como a necessidade obriga, são assim em tudo: no amor, no local de trabalho, nas amizades. Acabam por dar tanto nas vistas com as suas maldades que a falta de encanto se torna por demais evidente, e aí sim, justifica-se dizer "Meu Deus, que é medonha por fora e por dentro! Pobre pequena!". Afinal, contra certos males, só rezando...



Wednesday, April 3, 2013

Interpretar os sinais: um péssimo partido


There's a threat, you end it, and you don't feel ashamed 

about enjoying it.

The Governor

Rapariga indefesa é salva e acolhida por rapaz de belo porte. Rapariga sente-se enfeitiçada pelo que parece ser um dos poucos machos alfa disponíveis num mundo apocalíptico. Rapariga e rapaz apaixonam-se; rapaz faz dela a rainha do seu castelo. Os amigos da rapariga torcem o nariz a tanta amabilidade junta e acham que algo não bate certo; rapariga diz que eles estão a ser uns desmancha prazeres. As evidências parecem confirmar essa sensação desconfortável- mas a nossa heroína, que normalmente até desconfia de tudo e todos ou não andasse há meses a fugir de mortos vivos, faz vista grossa. Deixa passar uma. Deixa passar duas. Também era mau demais o rapaz sair um vilão, com aquela carinha de príncipe encantado. Rapaz faz cada vez mais maldades. Rapariga desculpa-o. Rapaz dá sinais claros e evidentes de não jogar com o baralho todo. Ela fica confusa e culpa o fim do mundo, a chacina e os mordedores pelos problemas dele, pobrezinho do meu querido, quando está bem faz-me tão feliz.  Rapaz tem um zombie no armário, cabeças de zombie em aquários de formol e quase desanca a melhor amiga da namorada. Rapariga fica feita parva mais uma vez, ai coitadinho que anda traumatizado. O super namorado, que parece cada vez menos super, é apanhado em flagrante delito de malvadez - a namorada ingénua vira-se do avesso para estabelecer a paz. A família aconselha-a a fugir enquanto pode e a acabar com a ameaça. Rapariga fraqueja de novo. Por fim, lá ganha juízo e tenta escapar de uma vez por todas. Rapaz flipa e vai atrás dela. A heroína dá luta, mas ele é mais forte e tranca-a numa sala com um morto vivo, sem nenhuma consideração pelos bons momentos que passaram juntos. Traição feia, muito feia. Péssima. Estava-se mesmo a ver, não estava? Nos seus últimos momentos, a protagonista finalmente percebe que ele era completamente apanhado do clima, um verdadeiro sociopata, e que se devia ter livrado dele nas várias oportunidades que teve - ser, afinal, um bocadinho mais como ele: na presença de uma ameaça, dispara primeiro e pergunta depois. *GAME OVER* .

Raios parta a programação das mulheres para a paciência interminável, e para acharem que podem consertar tudo, salvar tudo, até gente estranha.



Decisão do dia: exigências

                        “A Guerra dos Tronos” de volta! - 1 (© © HBO)
Quando faço uma lista de critérios, de objectivos ou de desejos (é uma mania minha, e costuma funcionar lindamente) há que segui-la à risca. Se deixo passar um  ou dois aspectos em branco para me despachar mais depressa, dali a nada temos problemas pois assim que ponho ideias no papel, estas tendem a proporcionar-se ou a tomar forma e às vezes não há tempo para pensar muito, o que leva a graves equívocos. O "vai assim mesmo" é um verdadeiro saco de sarilhos. Don´t go for second best, baby. Um dia ponho o temperamento a trabalhar para mim e deixo de ser coração mole, deixo. 

Lei de Murphy: SMS chatas

                                      
É trigo limpo, farinha amparo: se temos pressa de receber uma SMS importante (ou porque aguardamos boas notícias ou porque precisamos dos dados que ela contém para tratar da nossa vida)  tudo quanto é porcaria se lembra de nós. Quando não esperamos comunicação nenhuma o telefone anda sossegadinho que é um gosto, mas basta ficar algo pendente para começar o circo. São as mensagens de corrente parvas que uma pessoa julgava extintas desde o advento do Facebook, os descontos do Jumbo, os avisos da PT ou da Vodafone, promoções de perfumarias, discotecas que vá-se saber por obra de quem nos têm na mailing list, e até uma mensagem de parabéns enviada por uma óptica qualquer cujo destinatário é um tal...Gustavo. Haja paciência.

O complexo Pigmalião - o mal do verniz...

                                          
..é que estala facilmente. E não me refiro só ao das unhas, que é um bruxedo por mais inovações que se inventem. Fugir ao fundo que se tem, aos velhos hábitos, às formas de pensar entranhadas, é tarefa ingrata que não se resolve com a educação formal. E por mais que se mudem a farpelas, os  penteados, o discurso (é impossível disfarçar sotaques quando se está irritado, dizem os ingleses) que se multipliquem os diplomas, é preciso muito esforço  para evoluir realmente. Mesmo aos olhos das pessoas que, estonteadas com boa vontade e afecto, tentem fazer vista grossa a essas escorregadelas.  Há sempre algo - a tolerância com deslizes alheios,  os gostos, as companhias, a defesa de procedimentos duvidosos, o ressabiamento - que traem a imagem que se procura compor. Não se pode fazer passar verniz por patine assim como assim. O mal é de quem, feito Pigmalião, desculpa uma vez, duas vezes, três vezes, julgando que à força de teimosia, pode tirar um diamante de um pedregulho. Como se os acasos da mitologia se reproduzissem por aí. Yeah, right.


Eu embirro com...seitas

                              

Apesar de ser uma pessoa vá, tolerante ("indiferente desde que não me macem" seria um termo mais adequado) relativamente aos hábitos e crenças de cada um, um dos chás que me deram à baciada desde pequenina foi o chá de espírito crítico. 

Tenho cá a minha espiritualidade e os meus lemas, mas muito dificilmente engulo que certa banha da cobra vendida pelas esquinas é miraculosa, que determinada pessoa descobriu a pedra filosofal e vai guiar os incautos à iluminação ou salvação (já existem pelo menos duas religiões estabelecidas e com gente minimamente séria para o efeito, não são precisas caras novas) ou que o líder de um partido/organização é o Grande Líder, título assaz cómico (e viu-se o resultadão que deu na China; para mais, acho o culto ao líder uma pinderiquice).


 A minha formação em marketing não ajudou muito: as "vendas agressivas" e os esquemas de pirâmide eram abordados com certo desdém - o que prova que, mal ou bem, entrei em cursos de gente minimamente ajuizada; não se pode tropeçar sempre em quantos loucos há, felizmente...

Logo, é claro como água que embirro com pessoas que acreditam, fazem formações para acreditar e/ou fingem que acreditam em todo e qualquer tipo de esquema.

 "Religiões" que prometem milagres a penalti (acredito que certos métodos de auto ajuda até possam resultar, mas tudo o que envolva grupos a gritar num pavilhão assusta-me) ; sistemas "enriqueça rápido" que se baseiam em ar e vento, ou seja, em ter pessoas a vender para si coisas que nunca se sabe bem o que são (gambuzinos?); produtos iguaizinhos aos que estão disponíveis nas lojas, mas incomparavelmente mais caros e que, vá-se lá saber porquê - que isto nunca é explicado, faz parte do "mistério" que é a primeira coisa a caracterizar uma seita - só podem ser vendidos junto de um super distribuidor autorizado ultra-secreto, com o cérebro devidamente lavado; produtos que precisem de uma cósmica e fenomenal apresentação para serem vendidos, de preferência com os "clientes" em potência amarrados a uma cadeira; artigos ou serviços tão bons, tão ultra secretos, tão de primeira necessidade e de tal maneira exorbitantes relativamente aos seus congéneres que precisam de um contrato diabólico para a sua aquisição - sem insulto, porque os contratos com o Diabo, nos filmes, costumam incluir a man of wealth and taste, logo têm um certo cachet... em suma, coisas tão esquisitas, de que ninguém precisa, que exigem muita lábia, muita "formação", muita brainwashing para continuarem por aí, num mercado paralelo, a atormentar as almas. 

Estas seitas, e quem se mete nelas, trazem sempre consigo uma aura de pulhice e malandrice, um perfume reles a desespero e a burla, e mesmo quem jura por elas fala como se se estivesse a convencer a  si mesmo.

                                           

São as super panelas que fazem tudo e mais alguma coisa, os mega aspiradores, o fabuloso time sharing /apartamentos que funcionam não se sabe bem como, método que proporciona a famílias do mais classe média que pode haver férias em locais "exclusivos" com o devido almoço de culto pelo meio, os colchões milagrosos, os clubes de dança/ginásios onde se passam coisas esquisitas e de onde só se sai renegociando o contrato com o demo, as "bolhas", os produtos milagreiros para emagrecer ou engordar com fórmulas que se vendem em qualquer ervanária mas que obrigam os desgraçados dos vendedores a colocar pins e autocolantes do mais medonho que há na lapela e no carro, as super caixas para guardar comida que só podemos adquirir mediante um cultozinho em casa, e por aí fora. 

Quem se envolve nelas aspira a:

a) Beneficiar/ ganhar uns trocos, e se for uma pessoa honesta acaba por fugir a bom fugir sem ganhar grande coisa, depois de aborrecer devidamente família e amigos para aderir à seita;

b) Enriquecer rápido, e se for uma pessoa um pouco menos honesta fica com o juízo toldado para o resto da vida, caindo em quantas complicações há, moendo o juízo a família e amigos para aderir à seita (estes dão o desconto e deixam-no andar) e descarregando  os nervos despedaçados nos infelizes com quem se cruza;

c)Beneficiar/ ganhar uns trocos, enriquecer rápido e sem dúvida, a juntar-se a organizações secretas, ou menos secretas, daquelas à séria, para subir na vida -  mesmo as que olham de cima para as seitas realmente foleiras que vendem isto e aquilo à bordoada; mal ou bem o discípulo vai treinando para uma divertida carreira de malandro, e aprendendo a acreditar nas próprias endróminas e retóricas, o que dá sempre jeito. Poderá ser um membro um pouco baratucho da organização, mas é preciso uma fuinha em todas...

E com isto me calo, não vá a minha casa ser atacada com caixas de comida, cocktails molotov de chá verde com pirulitos, ou raptarem-me para uma reunião onde se vendam colchões com picos que fazem bem à saúde. A tortura uma pessoa ainda aguenta, tanta piroseira junta já é demasiado para as minhas capacidades...








Tuesday, April 2, 2013

"Procuro um homem", lá dizia o outro



                         
Por outro entenda-se Diógenes de Sínope, o Cínico, o senhor que perante a soberba de Alexandre Magno, que lhe prometia mundos e fundos, respondeu "a única coisa que eu quero é que saias da frente do meu sol". E que andava pelas ruas da cidade com uma lanterna acesa em plena luz do dia, no meio da multidão, gritando "procuro um homem!" (variante: procuro um homem verdadeiro, ou honesto). As anedotas sobre a sua vida não contam qual era a reacção do povo; provavelmente ser-lhe-ia dado o desconto devido aos excêntricos, aos sábios e aos profetas. A maiores verdades saem da boca dos loucos, sempre ouvi.

  

A "patroa" do Facebook não deixa de ter razão: paciência a mais



                                         
Não me identifico de todo com a personalidade agressiva da "mulher executiva" (o temperamento que herdei basta-me, não preciso de inventar mais nada) nem com a maioria dos mitos a tender para o feminista que rezam que uma mulher tem de parecer-se com um homem se quiser ter êxito, muito menos com a figura detestável da generala que manda em casa (sempre acreditei que mulheres bonitas e inteligentes deixam aos homens as suas ilusões, casais saudáveis equilibram os poderes e a mulher realmente dotada de espírito dirige os acontecimentos sem alardes). A minha abordagem do assunto flutua algures entre usar a feminilidade a nosso favor em vez de a esconder, e temperá-la com atitudes menos passivas - ou dignas de tigresa -  quando necessário. Dos poucos livros de "estratégia feminina" em que pousei os olhos aproveitam-se, de ambos os lados da barricada, The Rules, Why Men Love Bitches, e Good girls don´t get the corner office. Sheryl Sandberg, braço direito de Mark Zuckerberg, também lançou um livro que já está a causar certa polémica - e se em alguns aspectos, nomeadamente nos clichés " não me odeiem porque sou poderosa"  discordo inteiramente dela, noutros assino por baixo. Quando achou que era injusto não haver lugares de estacionamento para grávidas, Sheryl exigiu um e a empresa (à data, a Google) aplaudiu a ideia, e perguntou como ninguém se tinha lembrado disso antes. Ninguém gosta de patetas nem de cobardes que sofrem em silêncio, sexo à parte. Também estou de acordo com ela quanto ao terrível desejo de agradar - ou medo de desagradar -  um dos defeitos femininos por excelência. Desse tento ao máximo livrar-me, porque é um vício perigoso.  E por muito que eu defenda a feminilidade, reconheço que nós, mulheres,  sorrimos demais, somos amorosas demais, toleramos demais, tentamos demasiado consertar o que não tem arranjo. Falo por mim, que sou uma pessoa de reacções rápidas e pouca paciência - que não será com mulheres mais medrosas ou tímidas? O impulso da criação é demasiado forte em nós. Fomos inventadas para cuidar e manter, não tanto para destruir, e educadas há séculos nesse sentido. E isso é o nosso grande problema, não só no sector profissional como nos relacionamentos e na vida doméstica. Aquilo que nos deixa desconfortáveis, infelizes ou inseguras, em qualquer sector da vida, não deve ser mantido, por um segundo que seja. Os homens não conservam nada que lhes desagrade. Têm a  virtude (ou o treino de milénios na caça e na guerra) para atacar ou bater em retirada antes que a tempestade se levante. Nós, mesmo as que queimam pontes e são capazes de destruir quando é necessário, tomamos essa iniciativa a passo de caracol.  Ainda que nos antecipemos, quando finalmente o fazemos já se passou um mau bocado, tudo à conta da mania de não levantar ondas. Não é que não se deva ser doce ou feminina - mas no que respeita à paciência, precisamos de ter menos. E de arranjar reflexos mais rápidos. 





Regras antigas de vestuário...que dão jeito hoje


Audrey Hepburn e Hubert de Givenchy


A propósito do post desta manhã sobre o know-how e elegância de outros tempos, lembrei-me de algumas regras do antigamente (já abordadas à ligeira aqui) que podemos perfeitamente aplicar hoje, ou usar como inspiração. Para colocar alguma ordem no caos de superabundância que são os nossos armários, tirando mais partido daquilo que temos,  para planear (e usar) melhor as nossas toilettes ou mesmo para evitar gaffes em circunstâncias mais formais .                     
Noutras épocas o dress code era, como sabemos, muito mais rígido; certas peças ou acessórios tinham usos determinados e exclusivos. Embora "tendências" e "modas" surgissem sempre, não se pensava tanto em adquirir peças com  frequência, mas em compor um “enxoval” de qualidade, que com a ajuda de profissionais competentes durava anos e incluía o necessário para as diferentes ocasiões (missa, jantar, visita, baile, idas ao teatro, lazer, passeios) horários ou locais. Mesmo com a flexibilidade nos hábitos e opções de styling de que, para o bem e para o mal, gozamos hoje pode ser útil -até porque em certos meios, alguns destes costumes continuam em vigor - lembrar que:

- Para a noite estavam reservados os decotes reveladores, os tecidos brilhantes, as aplicações, as cores mais escuras e ricas, os tons de ouro e prata, os diamantes e o strass, as jóias pesadas (mais convenientes para as senhoras casadas)  as luvas longas e a partir de certa época, os vestidos compridos, de baile ou de gala -  exclusivamente para eventos formais. 

- As pessoas vestiam-se para jantar no quotidiano, encerrando assim as "roupas de dia".


- Durante o dia usavam-se decotes mais fechados, tecidos simples, pérolas, jóias discretas, luvas curtas, até ao pulso e chapéus (que por sua vez, são assunto para um post...). Vestidos para festas diurnas podiam ser um pouco mais decotados (sem mangas, por exemplo) mas os tons suaves e com pouco brilho continuavam a ser preferíveis.

- Roupas mais escuras, estruturadas e elaboradas eram apanágio da vida de cidade. Para estadias no campo ou na praia, a bagagem incluía sobretudo cores claras e alegres, para melhor suportar o sol, trajes de viagem elegantes mas confortáveis e materiais/texturas como a palhinha (em carteiras e chapéus) renda, bordado inglês, algodão e cambraia. No Inverno, eram bem vindos materiais como a lã e texturas ou padrões como tweed e tartan. Desses costumes derivam muitas das roupas estilo preppy ou countryside que vestimos ainda hoje.






Às vezes queria ser o Sartorialist, ou o Alfaiate.

                                                  
Mas falta-me a descontracção e enfim, este não é um blog de streetstyle. Talvez um dia eu ganhe coragem e crie uma rubrica dessas aqui no IS porque, os deuses sejam louvados, ainda vai havendo  gente com um estilo divino por aí. E não é preciso viajar para Londres ou Milão, basta passar pela Coimbra dos amores para ver algumas amostras do melhorio que se pode fazer com um guarda roupa. Curiosamente, muitas vezes são as pessoas com respeitável idade, os avós, a apresentar os exemplos mais interessantes. As senhoras de boa sociedade de outros tempos com esplêndidos casacos de  peles, os seus lencinhos, o cabelo sempre tratado, as suas pérolas e as toilettes de lojas giríssimas que já lá vão, como O Último Figurino, que dão o seu giro ao Pingo Doce, à pastelaria ou ao mercado logo pela manhã; os maridos destas, sempre aprumados, com fatos que se nota terem sido encomendados, e mais tarde ajustados, no alfaiate à medida que passavam os anos, figuras típicas da paisagem Coimbrã; e não raro, senhores do campo que lá por tratarem da terra que lhes pertence, não descuram um aspecto bonito de se ver.
 Ontem vi um casal lindo, e cujas fatiotas me deram vontade, se eu não fosse uma pessoa honesta e respeitadora, de pedir emprestadas. Ela tinha a gabardina em linha A mais bonita que já vi, com um grande carapuço (e eu que me derreto com carapuços) forrado a preto sobre bege, que segurava com uma grande laçada à frente. Janotíssima, a senhora! Recentemente, numa visita à aldeia, deparei-me com um cavalheiro governando o seu tractor (nem mais). Bonita e alta figura, cabelo comprido e barbicha como um gaulês, samarra de peles e boina, um encanto. Dir-se-ia uma personagem da Bretanha, ou um fidalgote rural que por desenfado, se entretinha a jardinar, esperando o retrato que ia inevitavelmente saltar por ali mais minuto, menos minuto.
 É que pessoas assim vêm de outro tempo, com outros hábitos de vestuário  - bons hábitos, assinalemos - que não se perderam. Têm o costume de conservar as roupas e o propósito com que as usam. Certa vez, estava eu numa mercearia com um trench coat vintage que já vos mostrei aqui, quando uma bonita avozinha me aborda a elogiar o feitio, a execução e o tecido da gabardina. Rompemos numa animada conversa que passou, essencialmente, por "já não se fazem coisas destas". É que a senhora, imagine-se, tinha sido modista numa das melhores casas de Paris... o conhecimento é tudo, e o estilo não envelhece. Há muito que as "pessoas mais velhas" nos podem ensinar sobre verdadeira elegância e savoir-faire na arte de bem vestir...e estar.  Talvez por isso, tenha surgido um blog que vale a pena  espreitar dedicado às pessoas "de idade" com estilo para dar e vender. Essa é a maior beleza do street style: transcende idades e padrões. Só a elegância interessa.
  

Monday, April 1, 2013

Marilyn Manson + YSL: The Beautiful People


                               

Os anos 90 estão definitivamente em voga, e a tendência traz consigo coisas que se não são impossíveis - afinal, Marilyn Manson já tinha recorrido a Jean Paul Gautier para o ataviar em alguns dos seus vídeos - não deixam de ser surpreendentes. Certo, o cantor sempre assumiu que havia muita teatralidade na sua rebeldia e o seu lado de esteta nunca foi segredo para ninguém, ou não teria casado com a belíssima-e-sempre-super-bem-arranjada Dita Von Teese.  Ainda assim, é curioso vê-lo a passar-se para o lado da Beautiful People. Mas Hedi Slimane conseguiu-o e fez de Manson o rosto da próxima campanha masculina da Saint Laurent Paris. Sou suspeita porque sempre tive um enorme fraquinho pela irreverência, talento e imagem misteriosa do Anti Christ Superstar, mas acho que foi uma cartada muitíssimo bem jogada. Num mundo invadido pelos Justin Biebers da vida, as rockstars com conteúdo fazem falta. E coisas que não sejam "bonitinhas" também.



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