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Saturday, April 13, 2013

As coisas que eu ouço: como alguém me disse, muito sabiamente...


"As desilusões não se comentam, enterram-se".

Porque quando são realmente desilusões (e não simples mal entendidos) quanto mais se analisa, pior. Mais podres se descobrem. Mais as mentiras se empilham, mais as meias verdades se sobrepõem, mais o lado negro das pessoas fica à vista - e ainda surgem verdades dolorosas, intervenientes monstruosos, que já não são necessários para tirar conclusões. Só para acrescentar mais amargos de boca, lembrar pecados esquecidos, reabrir feridas e correr filmes mentais perfeitamente dispensáveis. Afinal havia mais isto? E aquilo? E provavelmente aqueloutro, desde a data X...bem me parecia que aquilo soou estranho...que fiz/disse/pensei nessa altura?  Todas as pistas fazem sentido, todos os sinais batem certo, e uma pessoa pergunta-se como foi a última a perceber o enredo- num modo now I know your game que nunca é agradável. Enquanto se vai Looking back over my shoulder, como diz uma das minhas canções preferidas, é melhor abrir um buraco bem fundo para fechar o assunto, encontrar um quarto de pânico com porta blindada,  trancar o caso lá dentro e deitar fora a chave. Numa desilusão verdadeira os ângulos, as áreas escuras, os mistérios, são insondáveis e infinitos. Why bother trying?


Tendências que ainda vamos a tempo de usar...ou abusar

                                   
Não sei se vos acontece, mas imagino que eu não seja a única. A cada nova temporada analiso as tendências uma por uma, escolho as que têm mais a ver comigo, as novidades que me surpreendem pela positiva ("tenho de comprar algo assim") as que respondem a uma necessidade ("que bom, vai haver isto nas lojas - ando sempre à procura deste modelo e nunca encontro; vou abastecer-me") e as que permitem compor toilettes com peças que já tenho, ou que estão novamente em voga, ou simplesmente que trouxe para casa e ali ficaram à espera de uma oportunidade. Depois, as exigências do quotidiano, a nossa disposição/preguiça/necessidade de segurança ou as ocasiões acabam por ditar o que realmente levamos à rua, e algumas das tendências que mais nos entusiasmaram vão sendo adiadas. Por vezes, adiamos tanto que acabamos por deixar no armário algumas coisas que gostaríamos de vestir: porque fica demasiado frio/calor, ou porque  (mesmo para quem tem gostos clássicos) certos looks parecem algo datados ou dão demasiado nas vistas, se forem usados quando não estão na berra. A meio de uma crise de criatividade, e a dar uma volta pelo closet, reparei que ainda vamos a tempo de tirar partido do dinheiro e/ou tempo investido. Basta ter capacidade de adaptação, olho, e sair um bocadinho da zona de conforto: 


 Veludo e Brocado
Falei bastante da tendência barroca no Inverno passado, mas não usei, nem de perto nem de longe, todas as peças que tenho dentro desse género- o que é uma pena, pois embora sejam  intemporais é mais interessante tirar partido delas quando estão em voga. Apoiado na tendência oriental ou associado aos brilhos e metalizados que vão fazer sucesso na Primavera o brocado continuará a ver-se, e já não está limitado a ocasiões de grande formalidade. Pode aplicar-se a um traje social mais descontraído, e há mesmo quem se atreva a usá-lo em looks casuais. Pessoalmente, reservo-o para a depois do pôr-do-sol, mas sem a conotação pesada do costume. O mesmo vale para o veludo - que ainda podemos empregar em looks witch rock ou usar em peças leves (como as saias lápis) enquanto os dias não aquecerem muito.














                                                             As peles

Nos primeiros dias de Primavera - particularmente na Primavera invernosa que temos tido - ainda é possível dar uso aos chapéus, acessórios ou mesmo casacos de pele. Estes últimos, alguns de grande efeito (e eventualmente, roubados ao armário da avó) têm sido vistos na rua, quer a acompanhar looks para a noite ( na senda do ladylike e em looks boho) quer sobre jeans, com o ar mais não-te-rales à face da terra, em plena luz do dia. Enquanto houver frio...


                   

                

O tweed
Os looks clássicos vieram para ficar e poucas coisas são tão versáteis como o estilo inglês. O tweed, nomeadamente em casaquinhos, é uma das formas mais práticas de fazer a transição para a Primavera, quando os dias ainda não decidiram que cara vão ter- em visuais para trabalhar ou em combinações mais arrojadas.












 
           
                   









Never fear


"Vinde buscá-las!"



A icónica frase acima foi, como saberão, dita pelos 300 espartanos quando o gigantesco exército persa lhes exigiu que depusessem as armas. É lema de várias forças militares, de equipas desportivas -  e também um dos meus, por genética e por simpatia. Vinde buscá-las ... se vos atreveis. Em bom português, haviam de encontrar mulher. Coragem não é ausência de medo (embora a adrenalina, ou a alegria da batalha, possam camuflar uma inevitável insegurança, de tal forma que nem damos por ela). Coragem é borrifar-se para o medo e dizer à fatalidade "hoje não" ou, em caso grave,  "hoje é um dia tão bom como qualquer outro". Atirar-se com unhas e dentes. Não temer nada, excepto que o céu nos caia em cima da cabeça. Não ter medo, nem admitir medo, de coisíssima nenhuma. Claro que a prática ajuda. À medida que se vão ultrapassando, derretendo e escangalhando barreiras, bloqueios, adversários e obstáculos uns atrás dos outros, as chatices vão perdendo a capacidade de nos impressionar: "digo ao Diabo não te temo, ó camafeu: conheci piores infernos do que o teu"*.

*Sérgio Godinho


Friday, April 12, 2013

Coisas que sucedem quando se está muito, muito, muito cansada.

                                 
                                                    

- A tentar jantar, ter alucinações com uma folha de alface, que por mais que se faça parece de elástico e se enrola à volta do garfo. Passar cinco minutos nisto e ninguém dar por nada, até que se exclama "mas esta alface é estranha, é de borracha ou quê?!". Nessa altura lá reparam que eu não estou boa, que o prato está na mesma e como não se discute com quem não se encontra no seu estado normal de sanidade fazem a fineza de me chegar outro garfo sem reparos, uma vez que estou incapaz de um raciocínio tão básico.

- A cair de sono, precisar de ajuda para preparar a fatiota para o dia seguinte  - ou seja, pedir com jeitinho à mãe que tenha a caridade de me servir de aia (uma vez por outra não faz mal contar com o auxílio e o olho aguçado da venerável autora dos meus dias) e o meu caro irmão pôr-se com filosofias: "é vaidosa desde que nasceu e ainda não aprendeu a desembaraçar-se sem camareira?". Obrigadinha.

- Concluir que quando algo de bom me acontece, fico tão entusiasmada que a minha criatividade costumeira vai pelo cano abaixo. Nada de ideias divertidas. Por muito que a capacidade de me concentrar num assunto a fundo seja útil, preciso da versatilidade a que me habituei, faz favor. Será que sou alérgica às boas notícias, ou ando a aprender com certas pessoas que como diz o povo "não cabem com o bem que têm"?. Mau, mau.



Verdade da noite: Broken vow

                         
        "Vows are spoken to be broken"

Para muitas almas por este mundo fora, at least. Para quem nem as piores acções têm consequências, para quem todas as ofensas são como cinza e fumo. Mas os votos, como o tango e tantas coisas nesta vida, precisam de dois lados. E a quebra dos ditos também: se uma das partes desonrar o contrato, não se crê na validade do mesmo, ou crê? Digo eu, que faço pouquíssimos votos e os que faço estão escritos na pedra, pois tenho terror de responsabilidades tão grandes, e a trouxe-mouxe muito mais...



Afinal não sou só eu que falo em seitas...

...e que embirro grandemente com as seitas dos colchões, dos produtos absolutamente maravilhosos para emagrecer, pergunte-me como que ando aqui com um pin pavoroso, e com os esquemas super motivadores que exigem pagar formações pejadas de disparates para trabalhar (cof, cof) "por conta própria" à comissão.  Bruno Nogueira lembrou-se de mais uma: a seita do empreendedorismo. E eu conheço tanta gente assim, que é cada tiro cada melro, blá blá blá que eu sou empreendedor, blá blá blá que eu trabalho muito, blá blá blá os objectivos constroem-se com trabalho...(e graxa, e esquemas, e trampolinices). E uma vez sem exemplo, eu que detesto palavreado pequeno burguês e reles, ide mas é trabalhar, mas a sério, boa? Boa.


Quando duas das minhas musas se juntam...

                                          Kate Moss at the amfAR Inspiration Gala in Sao Paulo, Brazil
...o resultado só pode ser inspirador. Cada uma no seu estilo próprio - e as duas lindas, de maneiras diferentes -   Dita Von Teese e Kate Moss conseguem um feito: estar sempre imaculadas. Assim se usa um vestido comprido para uma gala, sem cair em exageros nem em desleixos. Ou como dizia mademoiselle Chanel, vista-se mal e notarão o vestido. Vista-se bem e notarão a mulher. 

                                  Kate Moss at the amfAR Inspiration Gala in Sao Paulo, Brazil

Thursday, April 11, 2013

Duas conclusões dignas das 1001 Noites


                                           
1 - A transferência de culpa......é capaz de ser o mind game mais útil e mais retorcido que existe. Pelo menos, a julgar pela tranquilidade e frequência com que algumas pessoas são capazes de a empregar. Fazem o diabo, mas a responsabilidade é do outro que, coitado, passou as passas do Algarve, mas não do Algarve turístico - o Algarve da mourama, quando se apanhavam cristãos dentro das muralhas...E os pecados mais negros tornam-se brancos como a neve, e os inocentes são culpados, vira-se a situação ao contrário com uma perícia que nem o melhor jogo de espelhos conseguiria imitar...há por aí bons ilusionistas a perder uma carreira no circo.

2 - Já tinha comentado, aqui e além, que andam a passar-se coisas das Mil e Uma Noites por aqui. São uns a ganhar poderes divinatórios capazes de rivalizar com o oráculo de Delfos (que não tem nada a ver com as Arábias, mas não me recordo de nenhum oráculo para essas bandas) e outros a ver materializadas coisas que dizem da boca para fora. Pensa-se num disparate totalmente extravagante e fora de propósito, descreve-se o cenário/objectivo/impropério na brincadeira...para dali a dias a situação aparecer à porta, com um laçarote e tudo. Vou tentar não verbalizar pragas, nem por troça: ando um perigo feito.

Acontece a todos: momento gagá da semana

                                    

Em casa de ferreiro, espeto de pau, lá diz o povo - eis que eu, a pessoa que habitualmente destina/aconselha/inventa/critica (construtivamente, que eu até me esforço por ser um amor) as fatiotas de meio mundo, me acho na necessidade de estar janota no fim-de-semana, e...imaginação, zero. Está certo que não faço a coisa por menos e já tenho uma série de hipóteses devidamente ordenadas em cabides a sobrecarregar o manequim que vive nos meus aposentos (mais dia menos dia ele ganha vida, faz greve, sai porta fora e estou desgraçada); é verdade que prefiro a elegância à surpresa, vulgo "fotografem aqui o meu outfit" por isso não preciso de um momento Andy Warhol ou coisa que se pareça: mas que está a ser complicado, está. 
É o resultado de numa semana só, acontecerem uma série de coisas inesperadas e - desta vez digo-o sem qualquer metáfora - cósmicas e fenomenais que me viraram a vida de pantanas, no bom sentido do termo.  Não há serenidade para tudo, nem criatividade que resista a tanta agitação.  Desconfio que opto por qualquer coisa vintage e estamos conversados. Sophia Loren continua a ser uma melhor inpiração do que Lady Gaga - que não é nada o meu estilo, certo, mas tudo pode acontecer quando estamos com a cabeça à razão de juros. Sissi goes gaga, não me faltava mais nada...




Wednesday, April 10, 2013

Dica de estilo inestimável #2: auto maldade construtiva


Por vezes uma rapariga tem de ser exigente (ou um bocadinho má) consigo própria. 

Entretanto, na Austrália...



...há looks assim.  Como este coordenado very corseted, very tailored, Camilla and Marc - a demonstrar que um look clássico não precisa de ser pesado, e que há roupas (como vimos no post anterior) que vão lindamente do dia para a noite. Inveja da branca por aqui, e muita vontade de copiar...

Verdade do dia: pelas costas

Os anglo saxónicos têm uma forma bastante desencantada de pensar, e isso é uma das coisas que aprecio neles. Ter uma visão menos apaixonada, menos emocional dos factos é meio caminho andado para não ser surpreendido. Como gosto pouco de imprevistos, elaboro sempre um mapa mental rascunhado, uma visão de relance das situações, ainda que entre nelas de cabeça e decida fazer orelhas moucas ao instinto. Assim, o desapontamento, se surgir, continua a ser grande - mas  já não é uma surpresa de cair para o lado. 

...If your having doubts about whether you can 
actually trust a person...chances are you can't. 



Sissi responde: looks formais para trabalhar, dia e noite


                                    

Olá, sem duvida que o post ajudou muito. Vou começar a trabalhar num emprego em que exige dress code, não tem de ser muito formal, mas não é permitido o uso de calças de ganga, as unhas têm de ser com cores básicas (vermelho, nudes, translúcidos), e (...) estava com muita dificuldade em montar um guarda roupa e em combinar as coisas que tenho.

Será que poderias fazer um post com ideias de looks formais? É que por exemplo, não sei como conjugar umas calças azul marinho clássicas em termos de casaco para o inverno (...)
Agradecia muito.
Beijinhos

Miss Kazinha


Ora bem, muito do que é exigido num ambiente de trabalho com dress code já foi dito aqui. Mas há sempre dias especiais - reuniões extraordinárias com clientes, almoços de negócios, etc - em que é preciso um bocadinho mais de rigor. Nesses casos convém que uma mulher se apresente bem, com elegância, sem que a fatiota  distraia o interlocutor do verdadeiro objectivo.


Todas estas peças podem ser coordenadas entre si. Se o visual ficar demasiado monótono, podemos avivá-lo com lenços do tipo Hermès, uma pulseira larga (de pérolas, por exemplo...durante o dia os brilhos são de evitar)  ou um statement necklace de material discreto. Se estiver frio, basta um sobretudo largo ou um trench coat, que se tira ao chegar ao escritório.  Não esquecer que para o dia, a regra dos saltos mantém-se: stilettos ou pumps muito altos não são confortáveis nem adequados. Este ano haverá grande variedade de kitten heels, que são uma opção segura para muitas mulheres. É preciso saber escolher o par certo, porém: se o molde não for bom, e se a parte frontal do pé não estiver apoiada, tornam-se desconfortáveis e podem dar a ilusão de a perna ser mais forte do que é na realidade.

                                   


Para a noite  - jantares, entregas de prémios ou festas  da empresa - podemos usar algumas das mesmas peças, combinando-as com decotes um pouco maiores, blusas sem mangas e /ou estampados mais garridos, saltos mais altos e jóias mais brilhantes (strass, diamantes, pedras semi preciosas) sendo mesmo possível usar um bocadinho de brilho (tecidos acetinados ou aplicações). É de recordar, no entanto, que por ser uma ocasião especial não deixa de ser um compromisso profissional - logo, não usaremos o mesmo que escolheríamos para uma saída com amigos, nem cairemos num look excessivamente festivo. A excepção é feita às galas, quando é realmente necessário fazer honra à ocasião. Regra geral, essa é uma oportunidade de usar um vestido de cocktail bonito, que não seja demasiado romântico. Raramente as empresas organizam galas na verdadeira acepção do termo, que exigem vestido longo: se desconfia disso, informe-se antecipadamente do dress code para não se enganar. Em todo o caso são de evitar as transparências, as mini saias, os decotes que não deixam nada à imaginação e os "vestidos fru fru". E lembre-se: se tem de ajudar na organização da festa, arranje umas sabrinas bonitas e só calce os sapatos altos poucos minutos antes da chegada dos convidados. Aviso de amiga. Been there, done that...







Olimpia de Epiro: keep your friends close...

Descender de Aquiles (o da Guerra de Tróia, nem mais) em linha directa, ser filha e neta de Reis e  mãe de Alexandre, o Grande, é um excelente cartão de visita. Mas Olimpia (nome de "baptismo" Polixena, nome de casada, Myrtale, e mais tarde, Stratonice, em honra de uma retumbante vitória contra a sua pior rival, Eurídice) era - mau grado os métodos questionáveis em voga no seu tempo - uma mulher extraordinária, capaz de se mover como uma serpente (o seu animal simbólico) num mundo de homens. E já se sabe: quando uma mulher é capaz de pensar como um homem, levar a melhor sobre os homens ou até usar estratégias vistas como masculinas, é rotulada de bruxa, no mínimo. No entanto, como sacerdotisa do culto ao Deus da Fertilidade, Dioniso, é possível que houvesse algum fundo de verdade na sua reputação. Ciumenta, vingativa e capaz de lutar como uma tigresa pelos direitos dos seus, a sua personalidade chocava com o carácter volúvel e tempestuoso do marido, o Rei Filipe da Macedónia. Seria uma relação de amor - ódio, tingida por acusações mútuas de infidelidade.  A corte macedónia, pejada de intrigas palacianas,  olhava-a com desconfiança, por ser mística e estrangeira. A obsessão pelo filho adorado - que para desgosto do marido, que viria a repudiá-la, anunciava aos quatro ventos ser filho de Zeus ou de Dioniso - deu-lhe rédeas à ambição. Não descansaria até o ver no trono. Até hoje, o seu envolvimento na morte do marido continua por esclarecer. Certo é que vendo-o finado, mandou assassinar, com requintes de tortura psicológica,  a nova esposa do defunto marido e os filhos desta.
 Desforrava-se assim de todas as humilhações passadas: a infeliz Eurídice deve ter lamentado o dia em que se cruzou no seu caminho.  Apesar das tentativas de Alexandre para a manter afastada dos assuntos políticos, actuou como regente - de forma não oficial na Macedónia, cimentando inimizades, e também na sua terra natal, Épiro, em nome do primo Aecides.  
 Após a morte súbita do filho tentou proteger os direitos da nora, Roxana, e do neto, Alexandre IV - mas Cassandro, um dos generais de Alexandre, conspirou contra ela. Dizem que morreu como uma Rainha. Com a intensidade, altivez e violência com que viveu. Goste-se ou não dela, uma mulher que dorme com cobras, faz do filho um Rei e um semideus e é capaz de esmagar os que se lhe opõem tem um certo élan. Ninguém caracteriza o seu assassino, Cassadro, como infame - para ser infame, é preciso ser mulher.  Uma mulher que se atreva a vestir as calças, ou a desembainhar a espada, e que cometa uma crueldadezinha ou duas, daquelas de nada...a História não é justa, às vezes.

Tuesday, April 9, 2013

Do desperdício

"The world is yours. Take it! "
Uma dificuldade minha é simpatizar com pessoas que, no dizer popular, "se queixam de barriga cheia" ou pior ainda - as que sendo abençoadas com as melhores coisas da vida, inventam tudo para as destruir.  É o caso de muitos herdeiros que levam uma vida dissoluta; não lhes faltando rigorosamente nada, criam dramas, envergonham a família e muitas vezes, são eles a causa da infelicidade das gerações futuras...
 Mas este complexo não se aplica só a questões puramente materiais. No amor, ou noutros sectores da vida, tenho visto muita gente dar pontapés na sorte, expulsar chances preciosas, despedaçar as dádivas da Fortuna. Os céus abrem-se e algo maravilhoso é -lhes entregue de bandeja, num cenário perfeito, que enche de inveja quem os rodeia. E em vez de aproveitarem ao máximo o cálice de ambrósia enchem-se de vaidade, mostram-se ingratos, arranjam todos  os meios e pretextos para arruinar o que têm, fazem tudo o que sabem que não devem fazer, numa curiosa dança de destruição - sua e dos outros. Atiram pela janela o que seria, muitas vezes, a sua oportunidade para a redenção, a felicidade, o triunfo ou a paixão - sem compreender como as verdadeiras brechas são raras. Sem pensar que muita gente nunca terá, nem sonhará sequer, sorte semelhante. Não olhando ao facto de tantos procurarem, a vida toda, uma pálida sombra do mesmo que lhes é oferecido sem reservas. Nem à inconstância do favor divino - que é esquivo e poucas vezes se repete. Eu, que gosto de contar as bênçãos que a vida me dá, inatas ou adquiridas, pequenas ou grandes, não percebo aqueles que sendo bafejados pela Fortuna, não usam a Virtù a seu favor. Ou ainda lhe dão pontapés. Está certo que é preciso maltratar a Fortuna de vez em quando, mas só quando ela nos maltrata a nós. O resto...nem tem classificação. 

As coisas que eu ouço: máxima a lembrar, a colar no frigorífico, a pôr em post - its, etc


                     
   Diz uma pessoa cá de casa  (que não gosta de perder uma discussão,       principalmente quando está certa das suas razões):


"Custa-me tanto dar razão a quem não a tem! Mas que hei-de fazer? Ainda hei-de aprender que com os malucos não se discute! "


Conclusão do dia: moda de ontem...e de hoje



Todas as roupas de antigamente eram feitas para TORNAR as mulheres elegantes. Na sua maioria, as roupas de hoje são feitas ESPERANDO que as mulheres já sejam elegantes...e fé em Deus.
(E quando não são e há falta de noção do que lhes fica bem, vai-se qualquer esperança...). Resumindo, grande liberdade exige grande responsabilidade.

O Diabo é de boas contas

                             
Uma crença que vai caindo em desuso, ou tendo cada vez menos popularidade, é no papel justiceiro da figura do Diabo - tanto para quem crê nele (e por conseguinte, em Deus, pelo menos no sentido cristão do termo) como para quem o encara metaforicamente. Actualmente, ainda se diz "Deus castiga" (embora tenha para mim que boa parte da humanidade não se podia estar mais marimbando para tal cenário) ou, de forma mais comum e mais fashion, "o karma nunca falha" - pois o conceito oriental e algo indefinido do karma veio, para a nossa sociedade tão cosmopolita e impessoal, substituir de certo modo a figura mais familiar do Pai da Mentira, do Príncipe deste Mundo ou do (título indubitavelmente cool) Príncipe das Trevas. Não sei quanto a vós, mas pessoalmente acho muito mais graça à ideia de uma entidade inteligente, cheia de estratagemas, super bem vestida, com o seu papel no Grande Esquema das coisas e ordens divinas não para arrebanhar ovelhas inocentes do rebanho, mas para arrumar as ranhosas no seu devido lugar. Uma espécie de super anti herói ajudado por legiões de anjos caídos ou deuses antigos com pouca sorte - cuja decadência não prejudicou em nada os seus super poderes específicos sobre todos os desejos ou impulsos dos mortais. 
 Por isso, não é raro que eu utilize a velha e obsoleta forma "vais ver que o Diabo te castiga por tantas maldades" ou, melhor ainda "o Diabo cobra sempre pelos seus favores mais cedo do que se pensa".
Não sei se é o Diabo ou o Karma, ou uma forma menos personalizada de Justiça Divina, mas o Universo tem um modus operandi deveras poético - e detalhado - de inverter as situações. Já mais do que uma vez usei a sentença acima para avisar pessoas que se deleitavam em abusar dos "favores diabólicos" - ou seja, em fazer maldades e trampolinices, umas atrás das outras, sem reparar que o plafond do Diabolic Express estava a ficar algo espatifado. Invariavelmente, recebi respostas do género "hei-de pagar por isso, se calhar, mas é quando for velho e nessa altura já não quero saber". Pois. A questão é que o Karma, ou o Diabo, ou o Universo, a Sabedoria Divina, os Deuses ou o que lhes queiram chamar não gostam de dívidas pendentes. E na sua natureza algo retorcida, adoram surpreender e apresentar a conta mais cedo do que o esperado - o que invariavelmente acontece, e de formas tão teatrais que quase parecem encenadas. Daí eu não achar que seja obra do Karma - o Karma não teria tanta arte, nem tanta pressa. Não é ganancioso nem se delicia com as partidas que prega - isso são características inconfundiveis do Mafarrico. É preciso manha para fazer Justiça Divina com alguma piada. Isso, e vestir Prada, para acrescentar algum cachet à coisa. A Vingança a Deus pertence, mas os meios divinos podem ser do mais colorido...

Os poderes do "sófá"


Ouvido ontem à noite: 

O sofá atrai o sono, e eu já tenho sono suficiente para atrair o sofá...

Lógica fabulosa de alguém completamente dominado pelos poderes de Morfeu. O abismo atrai o abismo, e o sofá aproxima-se malevolamente das pessoas cansadas, como magnetizado. Pois.

My best friend dixit, III: choque




"Quando vou ao Continente do...***centro comercial assaz mal frequentado de Coimbra, em certos horários pelo menos*** apanho sempre choques eléctricos nos carrinhos de compras. Pudera, com tanta gente feia por metro quadrado!!!"



Mas eu, que sou eu, e Deus sabe que não sou santa nenhuma, terei capacidade de encaixe para tanto snobismo junto? Depois ai, que a Sissi é má e isto e aquilo. Com mentores destes...



Monday, April 8, 2013

My best friend dixit, II: tudo tem limites


"(Fulano de tal...) bate o limite do tolerável!"

Isto pronunciado de olhos em alvo entre a exasperação, o desprezo nítido e o cansaço motivado pela exposição prolongada às radiações nocivas de tais personagens. E topete? E paciência? E caridade cristã para isto? N´a pas!




A nobre arte de reduzir os incómodos

Lord Byron
Quem cultiva algum gosto, algum espírito, e ideais de certa elevação, tem por vezes de fazer um exercício exigente: o desprendimento. O olhar para os factos com um pouco de ironia, com ausência de emoção, com uma frieza prática. Por mais que o temperamento de cada um se incline para o artístico (o que tendo panache, pode ser um atraso de vida) o poético (que convida a uma morbidez algo inestética) ou o excessivo (que não deixa de ter a sua graça, mas pode roçar o mau gosto num ápice) é preferível exercer o spleen sem analisar demasiado, sem levar as coisas muito a sério, arranhando só a superfície. 
Muitas coisas que parecem, à primeira vista, um desgosto, uma grande contrariedade, devem ser encaradas como simples maçadas, deslizes, tropeços, incidentes, aborrecimentos, canseiras, disparates ou mesmo erros ridículos. Há que conceder o colorido título de desgosto aos factos ou tragédias que - Deus nos livre delas, batam na madeira, etc - são importantes, no mau sentido. A chatice de cair num erro, por exemplo, pode ser vista sob uma perspectiva estética - foi um erro com certa graça, ou um acto de ingenuidade inconfessável? Valeu a aventura, ou os intervenientes e as circunstâncias ficam mal no retrato? Se ficam, descreva-se o episódio - a quem perguntar, ou a nós mesmos - como a most unpleasant incident. Evite-se mesmo os termos unfortunate, ou esta desgraçada questão, demasiado dramáticos para o que a ocasião exige, e encolham-se os ombros ou ergam-se as sobrancelhas. Se o facto é  socialmente condenável, mas não grave, só resta rir contidamente; fazer dele, eventualmente, uma private jokeAs nódoas são chatas, mas não são uma desgraça, mesmo no mais belo tecido: um giro à lavandaria e nunca mais ninguém se lembra. 

Manias minhas: a incontornável camisa branca

                                 
                  


A camisa é uma das minhas peças-chave. De corte masculino (ou mesmo roubadas ao armário do "inimigo") de camponesa, engomadas, enrugadas, justas, largas, à pirata...  não sei dizer quantas tenho, mas uma coisa garanto: reservo um espaço grande  só para os exemplares imaculadamente brancos (as outras cores têm o seu próprio lugar) . Tal como o Pequeno Vestido Preto e o trench coat, vulgo gabardina, a camisa branca é um básico indispensável, mas também uma pequena obsessão minha. Nunca tenho demasiadas, pois poucas peças são tão versáteis e comprometem tão pouco a correcção de uma toilette. Os truques de styling que surgiram, ou reapareceram, nos últimos dois anos, permitem uma variedade ainda maior no uso que se lhes dá, tornando mesmo possível substituir a t-shirt (outro básico) ou a blusa que pode ser, por vezes, mais formal ou exigente na hora de combinar. 


                                                   


 A camisa é como uma tela em branco: podemos usá-la por dentro de calças cigarrette, soltas ou boca de sino de cintura subida ( prolongando a vida das camisas que encolheram apesar dos nossos melhores esforços) para um visual sofisticado; possibilitam usar com estilo, e sem comprometer o bom ar, peças algo extravagantes, como os jeans com aplicações ou saias /calças de couro; solta, sobre umas calças skinny escuras, só precisa de um bom par de sapatos, uma clutch elegante e um bâton que se veja para um visual inegavelmente cool; coordenada com saias de grande efeito e uns pumps, faz uma toilette que cai bem em eventos de relativa formalidade, sem o peso de um vestido ou fato; se estivermos em modo preguiçoso, basta adicionar um cinto bonito e uma saia lápis...as possibilidades são inúmeras. A camisa branca pode ser feminina ou andrógina, poderosa ou romântica: ícones como Grace Kelly, Audrey Hepburn ou Marilyn Monroe juravam por ela, e se está bem para senhoras assim...está bem para nós, I guess.


Na Revista Activa, hoje...

                                 
...mais uma crónica made in Sissilândia, para ler aqui. 

Humildade ou basófia?



“Dinari e santità, crìdìtinni mità”

(Riqueza e santidade, acredita em metade)

Provérbio siciliano

Poucas pessoas são dotadas de verdadeira modéstia. Vão rareando a arte de não se levar demasiado a sério e de saber estar serenamente em toda a parte, a consciência do próprio valor e do lugar que se ocupa, que faz com que alguém se sinta igualmente à vontade - e proceda de acordo com as normas vigentes, sem melindrar ninguém -  num palácio ou na cabana de um caçador e a atitude despida de desafio /bajulação aos mais poderosos ou de arrogância perante quem está abaixo. Numa sociedade em que os valores andam pelas ruas da amargura, em que as tradições já não são o que eram e em que o êxito material, a fama ou o augusto título de doutor! obtidos por meios mais ou menos condenáveis se sobrepõem a critérios de categorização social considerados obsoletos, venera-se o self made man, o chico esperto, o "mãozinhas" que faz pela vida (termo detestável que parece desculpar tudo). 
  Mas atenção: tudo se desculpa, desde que acompanhado do chavão da humildade. "Humildade" deve ser a palavra mais estafada, mal empregue e incompreendida do léxico português É que a desgraçada da humildade serve para tudo, menos para caracterizar o que deve. Quando ninguém sabe o que dizer de si mesmo, é certo e sabido que - com zero criatividade e muita vontade de passar por santo - dirá "ah, eu sou uma pessoa muito humilde" caindo automaticamente nas boas graças de certo público. Como se diz lá em casa, quando um rústico se apresenta (num reality show, por exemplo) afirma automaticamente:

" Sou humilde, amigo do meu amigo e vivo cada dia como se fosse o último"
o que, analisado, se traduz sensivelmente por:

" sou um saloio de marca maior, logo não se sintam ameaçados pela minha presença"

Curiosamente, são esses os primeiros a sacar da ostentação, das peneiras, dos "tiques de vedeta" que o povo, tão amiguinho da suposta (falsa?) humildade, detesta e combate a todo o custo, mesmo que não existam. O maior benemérito, a mais educada e amorosa das criaturas, passará à partida por persona non grata se tiver um ar minimamente altivo ou vá, civilizado, e se não anunciar aos quatro ventos que é...adivinhem, humilde.

Quando alguém me diz "sou uma pessoa humilde, a minha família é humilde, tenho muito orgulho nas minhas raízes humildes, ai, gosto tanto de fulano porque é tão humilde" desconfio de imediato. Primeiro, porque a humildade é como o oxigénio: não precisamos de reparar nele para saber que existe. Quem verdadeiramente a possui, ou a aprecia, não a menciona.  A obsessão pela humildade, sua e dos outros,  traduz, regra geral, um complexo de inferioridade social, e uma consequente atenção obsessiva (tingida de inveja e bisbilhotice)  para com o estatuto alheio. 
 Segundo, porque quem se diz muito humilde, geralmente não faz ideia do que isso é, a não ser no que respeita a um certo atrevimento ou brejeirice que confunde com "simplicidade". 
 Terceiro, porque quem muito gaba a humildade, só a espera dos outros para não se sentir atingido nos seus sensíveis brios.
 Algumas das pessoas mais bem nascidas e com maior relevo social, económico ou o que seja que conheço são também as mais "humildes"...naquilo que realmente interessa. No respeito para com os outros; na forma como tratam os mais velhos ou necessitados; na forma de estar; na capacidade de perdão, de se despir do orgulho, de voltar atrás, de estender a mão, de reconciliação; no relativizar das ofensas; na maneira flexível e amorosa como gerem os relacionamentos; na faculdade de reconhecer o erro e procurar repará-lo; e - bem vindo mas não essencial quando se trata de pessoas próximas - na nobreza de pedir, aceitar ou esboçar desculpas. Tudo o resto é basófia, orgulho ressabiado e vão, vontade de aparecer, falta de noção e santidade da treta. Para se acreditar em metade, ou menos. Porque quem é rico, santo ou humilde não reflecte nisso, nem se gaba disso: é-o assim como uma cerejeira dá cerejas; naturalmente...

Que dizia eu sobre fatos...


Alexander McQueen e Yves Saint Laurent




...há uns dias atrás? O power suit, o tailleur, o smoking de senhora, o saia casaco estão de regresso, em todas as suas vertentes: saia lápis; saia balão ou linha A; pantalonas; calça cigarrette; calças boca de sino...as variantes são infinitas. Com o requinte da alfaiataria mas novas opções de styling, para usar em versão duas peças ou criar combinações inesperadas. Transformar um blazer demasiado largo apertando-o com um obi belt, coordenar um casaco de tweed com calças de pele, usar um fato completo em organza ou shatung irisado, ou mesmo recuperar os calça-casaco brancos de pantalonas soltas...o céu é o limite. (***Mais sugestões altamente inspiradoras aqui).


  YSL e Stella McCartney




Sunday, April 7, 2013

Nunca digas nunca: tecidos brilhantes

             Burberry Prorsum - Pasarela

Em moda nem a mulher de gostos mais clássicos, mais definidos, poderá dizer desta água não beberei. E confesso-me perante um perjúrio: sempre fugi dos tecidos irisados (organza, shantung) como o diabo da cruz. Por mais bonita que a fatiota seja, por mais qualidade que tenha, associo sempre esse efeito às toilettes para casório sintéticas estilo Modas Cilinha, noivas, baptizados e traje de cerimónia
 Em termos de brilhos gosto de brocado, eventualmente algum lamé, de aplicações ou quando muito, do metalizado, visto nos casacos de jacquard que anunciaram, no ano passado, o início desta tendência
abecedario con todas las tendencias de moda de primavera verano 2013: e de electricidad No entanto, por artes de compras aventureiras, vieram parar cá a casa três outfits que, apesar de feitos no tecido proibido, me chamaram a atenção. A saber, um tailleur  verde lima made in England com o decote de geisha que eu adoro, e que tanto vai estar na berra; um vestido preto que me seduziu pelo corte a pontos de eu fazer vista grossa ao material de que era feito (certas roupas são como as leis e as salsichas, é melhor não saber muito sobre elas) e uma saia Adolpho Dominguez, do lilás mais etéreo que pode haver. Lá ficaram, sem que eu soubesse muito bem o que fazer com eles. Poderes de vidência: nesta temporada o brilho cintilante, feérico ou plástico, que resulta bem nos filmes mas na vida real parece algo baratuxo, o temido brilho vai estar por toda a parte, e não vai ser reservado a uso nocturno, parece-me. De Christian Dior, com as suas amplas saias  de cintilação quase eléctrica às saias e casacos  incandescentes de Jonathan Saunders, passando pela genial colecção Burberry Prorsum com   lamé, brilho plastificado ou cabedal pintado em tons metálicos, os efeitos nacarados ou simplesmente glossy prometem invadir as ruas. Cabe a quem quiser arriscar apostar num styling simples e jovial, que desconstrua um pouco o ar "pesado" ou futurista associado a peças assim. Há que enfrentar todos os medos, mesmo os medos de moda.



Alberta Ferretti Burberry Prorsum Metallic coated-cotton shirt Burberry Prorsum Metallic textured-leather trench coat
                           Burberry Prorsum (esq); 

(dir) Alberta Ferreti, blazer em Shantung e saia de cabedal pintado, Joseph.
Alexander McQueen Tailored silk mikado jacketJonathan Saunders - PasarelaJonathan Saunders - Pasarela

                                                    Casaco Alexander McQueen; desfile de Jonathan Saunders








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