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Netscope

Saturday, April 27, 2013

Quando não há paciência para a moda.


Coisa rara...mas às vezes não há. O que é esquisito, considerando que nas duas semanas que passaram, quando alguém falava comigo não conseguia deixar de reparar no visual, nas jóias, no que trazia vestido. Comecei a achar que por esse andar acabaria muito cansada, que tinha de desligar o olho profissional e tratar os outros como seres humanos lindamente ou pessimamente vestidos, sem pensar em makeovers nem emitir juízos de valor, salvo seja. 
Não sei se este momento anti moda adveio dessa decisão, de não ter aparecido nada de terrivelmente entusiasmante na imprensa nos últimos dias - se há coisa que me desagrada é encher chouriços ou falar de patetices ( corrijo: digo imensas patetices, mas só quando são espontâneas) se é porque estou num mês de transição, ou se calhar porque andei a tirar os casacos mais pesados do charriot para os guardar nos armários do andar de baixo e em verdade vos digo que se o meu dinheiro pesasse tanto como eles, estava neste momento a escrever-vos algures da Isola Bela, plantada debaixo de um guarda sol like nobody´s business. Quando for a vez das sandálias e peep toes, nem quero imaginar. 
Em alturas destas pergunto-me se foi boa ideia ter brincado com Barbies em vez de Nenucos. Mas depois penso que isto amanhã passa. E ainda bem, porque só de pensar no que teria sido a minha infância a brincar às amas, até me arrepio. Credo.

As coisas que eu ouço: cabeçadas

                                     
Uma senhora a outra, na paragem do autocarro ( e calha-me ouvir o disparate alheio porque há uma paragem mesmo em frente ao office):

- Então o seu filho, anda melhor?
- Ai, coitadinho! Tem estado tão aflito por causa da namorada...parvalhona da rapariga...
- Ainda não fizeram as pazes?
- Pois não! Há dias entrou-me em casa tão transtornado dos nervos que desatou à cabeçada contra a parede. Felizmente a parede era de pladur...

Resultado: o apaixonado fez um buraco na parede, que ia custar não sei quanto a repor, mais o homem que arranja paredes e nunca aparece a horas, etc.  Não sei se pense que o mundo está mau por haver para aí muita solução em pladur em casa das pessoas, ou por já não se fazerem homens como antigamente. É que em paredes molinhas e ocas, qualquer cobardolas com a telha faz muros das lamentações sem lhe custar muito...




Acudam, estou a ficar zen.


Confesso que não sou grande adepta de muitas ideias zen, que não ligam bem com o meu irish temper. Algumas (e isto falando muito superficialmente) parecem-me uma grande fiada de lugares comuns, ou nomes pretensiosos para o banal bom senso, e se há coisa que me tira do sério são as patacoadas baratas. A paz a propósito de tudo e de nada (até quando a nossa Verdadeira Vontade, e na Verdadeira Vontade eu acredito mesmo, é espetar um bom, justificado e pacificador par de estalos na pessoa que nos está a tirar a zenidade) o não desejar nada, a renúncia (creio em pôr o coração ao largo e no modo seja o que Deus quiser, mas tudo o resto soa-me a fingimento do grande) e outras ideias fofinhas causam-me alguma irritação, porque ninguém é assim tão bonzinho. Eu não sou, ainda que por vezes dê a outra face. E quando dou - coisa que acontece graças a um auto domínio quase sobre humano a que fui habituada, que queira ou não, me assalta nos momentos mais inacreditáveis, e que já mencionei aqui e ali  - não é por bondade ou gentileza, admito. Acredito que o Divino Redentor, quando recomendou tal coisa, foi uma forma de nos ensinar a dar desprezo nítido, ou a ir para casa e pensar melhor na forma de expulsar os vendilhões do Templo com mais panache, de fazer cair o dito cujo, de secar a figueira ou de chamar as Pragas do Egipto, tudo coisas que não se fazem de cabeça quente.  A impetuosidade e o agir por instinto sempre me assentaram melhor, porque quanto mais depressa ajo mais de acordo estou com o meu Eu Interior, ou lá que nome New Age dão ao miraculoso instinto de que os Deuses nos dotaram, e que sabe sempre a resposta certa. Mas como as minhas crenças são uma alegre mistura de absorver o que é útil, descartar o que não interessa e acrescentar algo meu, como dizia o Mestre Bruce Lee, há pensamentos zen que se coadunam com filosofias que adoptei: um deles é a quietude absoluta. Só é pena que não se compre em cápsulas.

Gwyneth Paltrow: a `snob´ mais bela

                               
Uma das mulheres que mais admiro no panorama internacional foi eleita a mais bela do ano pela revista People. Para mim, Gwyneth tem muito mais do que beleza: possui classe, porte, elegância e um ar racé cada vez mais raro nos dias que correm. Na era do silicone, leggings, lycras, calções e formas grosseiras, das feiotas-que-tentam-passar-por-boazonas, em que qualquer moçoila com pinta de varina é considerada "bonita" desde que se dispa, a verdadeira beleza torna-se exótica. Mulheres como ela, como Kate Blanchett, Jessica Chastain, Emma Stone, Dita Von Teese ou mesmo (noutro género, e com um toque mais risqué) Angelina Jolie ou Monica Belluci, que mantêm na segunda juventude a mesma beleza da primeira e estão sempre impecáveis, são uma espécie em extinção. Os traços finos, a pele luminosa, o cabelo brilhante e em suma, um ar ´régio`, o gosto, a distinção e outras características que separavam as mulheres de fino trato das aventureiras  e as colocavam num patamar à parte para serem admiradas, perdem infelizmente muito terreno para as guidettes, kardashians e mulheres da luta deste mundo. Honra seja feita às meninas ou mulheres que se podem apresentar em todo o lado. A César o que é de César, e coloquem-se as verdadeiras damas no seu devido lugar. Ainda assim, Gwyneth não se livra da acusação de snob. Nestes tempos negros, beleza e distinção confundem-se com aquilo que o povo vão, habituado aos Big Brothers e às exibicionistas das redes sociais da vida, gosta de classificar como elitista, peneirento ou, mais vulgarmente, nariz empinado. Tanto pior para as resistentes. Valha-nos que ainda vai havendo gente de requinte e sensibilidade na imprensa, capaz de pôr o trigo para longe do joio... 





Maldita cafeína









Tomei um café maldito ao pequeno almoço, que caiu como uma bomba. Ainda por cima um café de bolha, com ar de santinho, que parece que não faz mal a uma mosca e afinal tem o diabo lá dentro. Quais cápsulas expresso não sei quê, qual carapuça. Em resumo, e só para avisar, não me responsabilizo por nada do que diga, faça ou escreva ao longo do dia de hoje. Hate to say I told you so.

Friday, April 26, 2013

What´s a girl to do?


Por vezes uma rapariga tem uma carreira, uma vida social e toda atenção que pode desejar. Está satisfeita com o seu aspecto. Está contente com o seu esplêndido guarda-roupa. Tem uma família óptima e amigos com quem pode contar. Dá graças por ter todas as bênçãos essenciais à vida. E no meio disto tudo há um tropeço  que faz com que falte qualquer coisa, com que a felicidade não seja completa, com que algo doa ou incomode onde não devia. E pela primeira vez começa a
perguntar-se sobre quem é, afinal. Se as pessoas que estiveram ao seu lado não lhe roubaram um bocadinho da identidade, não a terão tornado um pouco dócil demais, se o seu papel de mulher perfeita, de companheira ideal, não a terá posto num lugar de submissão velada - fazendo com que agora não se reconheça. Quando somos fortes é agradável, por vezes, fazer o papel de fracos: deixar-nos ir, parar de dissimular, baixar as defesas, entregar o volante e os pontos, mostrar, em suma, vulnerabilidade. Mas o jogo da vulnerabilidade nem sempre corre bem - é entregar uma granada a um aliado que nunca é totalmente confiável. Se a granada explode, apanha-nos sem escudo. E como nunca se lutou sem ele, o impacto é muito pior. Os passeios pelo território relaxante da fragilidade, da vulnerabilidade e da entrega pagam-se caro. Uma pessoa sabe disso, e só não se arrepende porque agiu em consciência, fez o que lhe apetecia, quis parar de desconfiar, quis parar de liderar, desligar a estratégia e agir com a maior pureza possível. Os actos puros nunca merecem remorso.
E depois uma rapariga sacode isso tudo. Porque olha para o seu nome, e pensa em quem é e de onde veio, e que não precisa de mais nada para se conhecer em detalhe, nem para saber para onde quer ir. Não precisa de ninguém para polir, quanto mais definir, a sua identidade. Acima de tudo, não precisa de nada que a faça sentir-se - ou pior, querer sentir-se - vulnerável.  Por mais cor-de-rosa que isso pareça. Se queremos algo cor de rosa não faltam vestidos, bâtons, carteiras, sapatos. Ou certos tons de rubi - melhor ainda. 


Recomenda a Net a Porter...


                                    
...que se coloque um obi belt de couro sobre um vestido de gala, rendado de preferência - uma excelente forma de aproveitar subtilmente a tendência japonesa numa abordagem edgy do traje de noite. Sou uma grande fã de obis, quando bem usados (o fraquinho pelo Oriente nunca me abandonou) . Já tinha dois de seda e há dias, ofereceram-me um lindíssimo em pele. Ainda só me atrevi a usá-lo sobre vestidos algo casuais, mas confesso-me curiosa para experimentar o truque de styling, numa vibe gótico-chic-rebelde. Et vous?




Thursday, April 25, 2013

Get (or get back)the skirt!

                                    

Lembram-se das vossas saias lápis de ganga? Cá em casa há uma certa pessoa com uma paixão por elas, principalmente das marcas clássicas - Lee, Lois , etc - pelo que tenho umas quantas guardadas, mas desde meados do início do milénio que não as via nas ruas. Esta estação, com a tendência do blue jeans em todos os formatos (bermudas, vestidos, ou até em look total (coordenando dois tons diferentes de denim na mesma toilette, por exemplo) esta peça está de volta, e pede para ser usada de uma forma menos teenager do que no passado: o ideal é aplicá-la a looks clássicos (até para o trabalho, se o dress code permitir) e eventualmente, dar-lhes uma volta com uma camisa, carteira ou sapatos tradicionais no formato, mas ousados na cor - como os Blade da Casadei, por exemplo. Um visual aparentemente bem comportado, mas casual e com um toque de rebeldia. Se ainda têm as vossas denim-pencil-skirts, corram atrás delas. Além de elegantes e democráticas, são muito confortáveis para os dias quentes. 


                                              

Da "liberdade"

Livre?
Hoje, que se comemora a data que todos sabemos, assinala-se em Itália o fim da ocupação alemã. Com o meu irmão em Roma, feriado como cá é feriado, a rezar por nós na terra dos nossos antepassados em pleno Monte Palatino e no Vaticano entre o caos que são os transportes públicos em dias assim na Cidade Eterna, não há melhor local, data e desculpa para reflectir (Circus Maximus, remember) na questão da liberdade. Porque nenhuma liberdade - seja pessoal, ou a de um povo - foge ao aspecto de ser relativa, ou vem sem custo. O preço da preciosa liberdade (e a liberdade é uma coisa que ora queremos, ora lamentamos) é a autonomia, com tudo o que ela comporta, o lidar com as consequências das próprias opções e por vezes, uma certa solidão; a auto responsabilidade, o prescindir da segurança, do conforto, das certezas. A liberdade de agir conforme nos dá na gana obriga a escolhas, obriga a cisões, a abrir mão, muitas vezes, daquilo que mais amamos, a magoar pessoas que nos são queridas, a ferir-nos a nós mesmos. A liberdade exige frequentemente que se caminhe sozinho; it makes you be your own man (ou `woman´, conforme o indivíduo que almeja a ela). Implica não ter quem pense por nós - ou connosco - quem cuide das necessidades por nós, faz com que cada um se lance no seu próprio caminho, com todos os abismos que isso comporta. E nem sempre se encara a liberdade da mesma maneira. Há alturas em que temos uma força em nós que nos impele para a aventura, para a independência absoluta, como se uma luz brilhasse lá dentro. Queremos correr, voar, empunhar a  espada, cruzar montes e vales, embriagados por essa sensação de total possibilidade. 
Noutras, maldiz-se a desorientação que a liberdade traz - porque quem é livre depende de si, e as Fúrias, Deusas de longa memória, sopram ao ouvido do homem ou mulher livre as acções que trouxeram essa independência, e desdobram adiante o mapa que mostra as escarpas e fossos que a liberdade trará  daí para a frente. Muitas vezes, a maior liberdade é ser capaz de abrir mão - por escolha própria - da liberdade total. O que exige maturidade e certeza de quem somos. Cada indivíduo nasce, hoje, com a liberdade como um direito: mas não pode escapar à sua própria consciência, nem aos seus próprios erros e em última análise - para quem crê nisso - ao seu próprio destino. Speaking like a roman, allright.

Wednesday, April 24, 2013

O merceeiro

                      
Thomas Lipton, mais tarde Sir Thomas Lipton - o fundador da célebre marca de chás - subiu a pulso. O percurso da mercearia dos pais até ao estatuto de multimilionário,  baronete, rei do chá (que democratizou a bebida para a classe trabalhadora) e de grande velejador - apaixonou-se pela vida a bordo quando começou a trabalhar em navios aos 14 anos - foi uma alucinante aventura, própria da sua época. Uma vez rico e estabelecido, Lipton dedicou-se à sua paixão, patrocinando eventos náuticos e tentando impor-se na sociedade à força do ouro e de um fairplay que lhe garantiu o cognome de "the best of all losers". Mas se o patrocínio de competições lhe tornou o chá famoso nos EUA, não o ajudou a ser aceite entre a "gente bem" do circuito britânico. Apesar da amizade do Rei Eduardo VII, que adorava passear na sua companhia, o seu pedigree humilde the self made man fechava-lhe portas: por mais que injectasse rios de dinheiro no Royal Yacht Squadron, os yachtsmen que tão prodigamente financiava só lá o aceitaram perto da sua morte, e reza a lenda que nunca chegou a tomar uma bebida no bar do `templo´ que lhe sorveu somas astronómicas. Quanto ao Kaiser, sobrinho de Eduardo VII, não via com bons olhos a amizade entre o seu parente inglês e o empresário: cada vez que sabia o Rei na companhia de "Tommy" Lipton, barafustava "lá vai o meu tio de barco com o merceeiro!". Certo é que o Kaiser era conhecido pelo seu snobismo, que os alemães não são universalmente famosos pela elegância, que o Rei tinha companhias algo questionáveis e que por sua vez, Sir Thomas Lipton não se livrava de uma condenável ambição de impressionar quem não tinha vontade de ser impressionado...um verdadeiro "quem é quem" ou mini case study do snobismo em vários quadrantes, como entenderem.


Fico contente...



...ao ver que um texto meu é o mais lido no portal da Revista Activa. On the other hand, o que a popularidade do post indica deixa-me apreensiva: ou há por aí muitos namorados e namoradas péssimas, ou muita gente já se escaldou e anda com medo de tropeçar num desses exemplares novamente, ou ouviu falar e tem medo. No que eu puder ajudar a prevenir a maleita, aqui me têm à disposição, que o que uma pessoa vai vendo, ouvindo e aprendendo tem de servir para alguma coisa...


Crónica Sissiniana, na Revista Activa esta semana...


            


                              ...a ler AQUI.

Alucinação do dia

Só me faltava esta!

Imaginem que têm  hábitos oníricos tão mirabolantes como os meus. E que depois de uma noite com os sonhos à filme do costume, numa semana de grande tempestade mental, acordam e vão todos contentes trabalhar.  
Chegam ao elevador e sem que haja vivalma por perto está um vaso com uma samambaia  gigante (ou lá o que é aquilo) lá dentro a ocupar tudo, tranquilamente à espera de subir. 
 Olham em volta e do  dono da planta, nem rasto. Pensam se terá sido a senhora da limpeza a mover o vaso pesadíssimo por algum motivo... e nada.  Conclusão: será que ainda estou na cama a sonhar que o dia já começou, ou ando simplesmente a ver coisas? Com sonhos ou visões não se discute, não vá tratar-se da realidade e uma pessoa 
atrasar-se. Com planta ou sem planta, o dia não pára.
Como não há outro elevador disponível, lá se espremem ao lado do estranho companheiro não resistindo à tentação de dizer um "bom dia"  porque já que estamos a alucinar pode ser que ele responda e é sempre curioso saber o que uma samambaia pensa da vida. Não há resposta, o que nos deixa relativamente mais descansados...mas também desiludidos. Seria divertido.
Depois vai-se a saber e diz que o hábito de pôr a planta a viajar para cima e para baixo já é velho  - parece  que há uns brincalhões anónimos no  prédio que se divertem com a partida de vez em quando. Não sou eu que alucino-  é o mundo à minha volta que está doido. Good to know.

Tuesday, April 23, 2013

Coisas que uma pessoa ouve quando tem de almoçar à pressa...

                           
...numa pastelaria qualquer e se sujeita a que nos calhe na mesa ao lado uma técnica de superfícies muito insatisfeita com o seu trabalho e desbocada como tudo. Poucas vezes uma inocente sanduíche de pão com sementes se viu acompanhada de tanto palavrão junto, de tanta maledicência e de tanta peçonha, tudo dito aos altos berros e com a pronúncia mais cerrada que imaginar se possa. Uma verdadeira (mal) criada, daquelas que nos faz ter pena da patroa que lhe confia as chaves (then again, como não conheço os dois lados e quem está no convento é que sabe o que vai lá dentro, talvez a senhora da limpeza tivesse as suas razões, mas sofresse de uma maneira esquisita de se expressar) e pensar uma, duas, três vezes no pessoal doméstico que se mete em casa. Mas isso, já a minha avozinha me recomendava que as "ajudas do lar" se querem velhotas, feiotas e de poucas falas, por causa das coisas...

Heathcliff dixit: Nothing



"Nothing that God or Satan could

 inflict would have

 parted us;

 you, of your own will did it".


Perante certos estados de sítio os livros falam melhor que os humanos - afinal, são imortais e sabem mais um par de coisas, como drive me mad! only do not leave me in this abyss where I cannot find you! Ouvi hoje que a alma de uma pessoa pode saltar do corpo, e que são precisos uns tratamentos assaz estranhos para a devolver ao dono. É novidade para mim, mas Emily Brontë já devia saber disso, quando escreveu "I cannot live without my life, I cannot live without my soul". As coisas que uma pessoa ficava a saber, se não tomasse como romance tudo o que lê desde a adolescência.

Uma santa ... dominadora


                                                
Santa Marta é uma das santas da minha veneração e para a maioria dos seus devotos mais do que uma Santa, é uma boa amiga. 
 Venerada igualmente por católicos romanos, nas religiões ou práticas mágicas afro americanas/caribenhas (voodoo, hoodoo, santeria, palos, umbanda, etc) e por várias facções do neo - paganismo,  foi considerada desde sempre uma santa amiga das mulheres e ligada às tradições mágicas. Nos processos da Inquisição espanhola e portuguesa constam vários encantamentos dirigidos a Santa Marta Marcelica ou Marta, a Perdida, uma entidade bela, nem boa nem má,  com poder sobre o amor, a fortuna, a sorte e o inferno - pois por amor a um homem terá ido ao inferno, à semelhança de deusas pagãs como Ishtar.
Para os italianos tem uma conotação semelhante: os camponeses, e não só,  chamavam-lhe Donna Marta ou Bella Marta, uma santa-fada-deusa que vivia na floresta e ajudava as pessoas, principalmente os jovens e as moças casadoiras, a realizarem os seus desejos de paixão e boa sorte. No Haiti aparece como uma mulher negra e sensual que brinca com cobras, e chamam-lhe " Lubana".
                                                            
Estas atribuições algo versáteis - para usar um eufemismo -  acabam por se confundir na figura geral de Santa Marta, mas por todos é conhecida pelo título de Santa Marta a Dominadora. Marta seria irmã de Lázaro (e segundo alguns teólogos, também de Maria Madalena, ambas membros de uma nobre e proeminente família que possuía o castelo de Magdala): a amiga de Jesus,  que O recebia em casa com todas as honras. Na Bíblia, Marta aparece sempre como uma mulher prática, valente e frontal: ao ver Madalena ungir os pés de Jesus com perfume, Marta ralhou-lhe por não estar antes a ajudar nos deveres de casa, sem temer a reacção do Mestre; mais tarde, quando Lázaro morreu, Marta não ficou em casa à espera, como seria próprio de uma mulher naquele tempo; foi ao encontro de Jesusadmoestou -o por não chegar mais cedo, quando algo ainda podia ser feito - dando assim o mote para um dos milagres mais surpreendentes do Divino Redentor. As Sagradas Escrituras não nos dizem muito mais sobre Marta, mas a lenda reza que depois da morte de Jesus ela escapou com Maria Madalena para a Gália.  Lá se instalou e com os seus poderes, venceu o dragão Tarascon, que aterrorizava uma aldeia: actualmente, a povoação jura albergar o corpo da Santa e ganhou o nome de Tarasque devido a esta história. 

                                                 
Santa Marta é tida como uma protectora feroz das mulheres no amor, na família e no trabalho, doméstico ou outro. Padroeira das donas de casa, é também invocada para relacionamentos complicados, conjugues violentos, defesa e castigo,  filhos indisciplinados, desafios profissionais, vencer situações difíceis e ultrapassar quaisquer obstáculos. Confere às mulheres domínio, confiança, vitória, poder pessoal  e - nas tradições africanas -  sensualidade. Juram os devotos que Marta é uma aliada fantástica para aqueles que acolhe sob a sua protecção, sem julgamentos de valor. Para a obter, há que lhe fazer uma novena, começando numa terça feira, com uma vela encarnada, ou rezar todas as terças feiras. Em algumas tradições, são-lhe feitas oferendas de vinho branco, fitas coloridas (pois dizem que foi com as faixas dos seus vestidos que dominou o dragão) flores brancas ou café. 
 Acredite-se ou não em milagres e santos, Santa Marta é interessante de observar porque tem um perfil bastante particular no seu género e representa um tipo feminino que escapa aos padrões ideais na sociedade judaico-cristã: menos passivo, menos gentil, com uma voz e capacidade de domínio.

Monday, April 22, 2013

O mal de MUITOS homens...(post com ressalvas, por causa das coisas...)

                                   
...é que medem TODAS as mulheres pelas mulheres vulgares que conheceram. As interesseiras, as que não tinham auto estima, as que tomavam todas as iniciativas, as que pediam todas as desculpas mesmo quando a razão estava do lado delas, as que não tinham gosto, as banais, as reles, as que se humilhavam, as que se declararam sem que isso representasse o mínimo esforço para eles e a seguir iam dizer isso a outro porque quem diz a um diz a cem, as que se oferecem de bandeja, as que se deixaram apunhalar porque eram demasiado inseguras/preguiçosas/amigas de fazer o mesmo pelas costas para se defenderem, as que correram atrás porque não arranjavam outro que as aturasse, as desesperadas, ou por outro lado as que eram incapazes de  dar o braço a torcer mesmo quando a razão estava do lado deles,  as que os apunhalaram a sangue frio, as indiferentes, as levianas, as egoístas, as infiéis, mas em suma  as tontas, as desengraçadas, as assim assim, as que não deixam marca, as que tanto faz no historial de alguém logo que viram costas,  as ordinárias,  as que não se podiam levar a lado nenhum, as que não se fizeram respeitar, as que não os respeitaram, as que dizem "amo-te" como quem diz "pão" e para quem tanto faz o André, o Miguel ou o Roberto.

E quando estes homens - que de tanto se estragarem acabam por cair na categoria dos maus rapazes -  encontram algo com significado ... ou amor verdadeiro, para usar um termo explícito...quando se apaixonam por uma mulher digna, capaz de sentimentos delicados, de se dedicar  sem se humilhar, de amar sem cálculo mas também sem abusos, gerem (salvo seja) o relacionamento pelos mesmos princípios caóticos. Com os jogos, as defesas, os esquemas, a ausência de respeito, a retaliação constante, a maldade gratuita, a desconfiança, a raiva, a culpa. 

Não são TODOS os homens, atenção. (Esta é a nota número 1, estão a ver que sou justa?). Alguns têm critérios de selecção e não olhariam duas vezes para as mulheres de quem falo. Porque a maioria delas distingue-se bem, logo a culpa não morre solteira. Mas por vezes os homens que não distinguem as mulheres não são, por sua vez, fáceis de detectar. 
Logo, não sei quanto às meninas que por aqui passam, mas começo a ficar cansada das mulheres que estragam os homens, ou dos homens que se deixam estragar por mulheres vulgares e que por sua vez vêm causar estragos nas raparigas bem intencionadas - que por seu turno - reparem bem na nota número 2 - vão descontar isso nos bons rapazes deste mundo, num trágico, muito trágico, efeito borboleta. 


That's life, but I don't like it. At all.


  

Uma dor cura a outra?

                   
Lembram-se  daquele episódio em que o Dr. House, para se distrair das insuportáveis dores na perna, dá uma martelada na mão no firme propósito de se magoar a sério? É que não há como uma dor nova para nos fazer esquecer a outra. É um exercício bastante idiota, mas funciona. Nunca deram por vós a mandar vir com algo como se não houvesse amanhã, a alimentar uma discussão já fanada - em suma, a dar troco a um assunto que não mereceria um ai noutras circunstâncias - só a ver se vos passa a doer outra coisa  qualquer, só para  descarregar a adrenalina, para não meditar no que realmente vos estava a atormentar lá por dentro? Pessoalmente nunca experimentei andar à martelada, partir coisas ou atacar a parede, porque dá muito nas vistas e as paredes não replicam, logo não tem o mesmo efeito - ou ainda, porque cai mal andar por aí aos tombos; dá assim um ar a tender para o psicótico...***

* Tenho para mim que usar de subtileza constante é capaz de não me fazer bem à sanidade mental, mas pelo menos as mãos ficam intactas*

Sunday, April 21, 2013

Três coisas sobre o Big Brother, incluindo uma regra de styling muito maltratada

                                               

Aqui a fazer zapping (no intervalo do Spartacus, what else?) deparei-me com essa bela coisa do Big Brother (Vip? Famosos?). E tirei três belas conclusões antes de esconjurar aquele horror e lamentar cinco minutos que ninguém me devolve:

1- Eu embirro com reality shows, e este foi o pai deles todos no nosso país. A partir daí a paixão portuguesa pela brejeirice aumentou exponencialmente e nunca mais houve sossego com tanto panis et circenses . Mas será que ainda não havia pouca vergonha que chegasse, para falar como os antigos? Era preciso ressuscitarem um formato fanado? Por amor da santa, estava com uma bela salada de morangos na mão quando ouço a Teresa Guilherme falar em...coragem, Sissi, vá lá...desembuxa....não, não sou capaz. Um piropo que era qualquer coisa sobre fazer um pijaminha de ADN a alguém. Blhec. Decoro, minha gente, mas que mal vos faz o decoro?

2- Que os "famosos" que não têm onde cair mortos ou precisam de cumprir o contrato com a estação/ promover/ relançar a carreira por meios menos agradáveis se sujeitem à devassa da vida privada ainda se entende - cada um sabe a moral que recebeu e a crise está brava. Mas que alguns que (a julgar pelo que os tablóides que fazem o favor de ir avisando as almas de coisas que não interessam ao Menino Jesus, via redes sociais, vão dizendo) não estão tão mal na vida como isso se prestem a coisas destas...escapa-me. Vontadinha de aparecer? Brejeirice? Digam-me vocês, eu cá não sei.

E last but not the least, aqui vai a regra de styling que o povo teima em ignorar:

3- Meninas e senhoras, por favor: quando engordam um pouco deixem de lado os bandage dresses destapados no decote e nas pernas, reservados a mulheres magras e de  busto discreto. Assim parece muita mulher para tão pouco vestido. Devem igualmente evitar os decotes demasiado fechados e  as alças fininhas ( que engordam visualmente os braços) os cabelos apanhados à dominatrix (que realçam as bochechas) a maquilhagem excessiva e os vestidos ameninados com a cintura no estômago, que parecem rebentar pelas costuras. Não é assim tão difícil encontrar formatos que favorecem as curvas extra sem mostrar a combinação pernão, bração, grande traseiro, peito mal apoiado, mulher a sobrar por toda a parte. 

E com isto me vou. Não acredito que o Big Brother me está a inspirar palpites de styling. Good Lord, ao que uma pessoa chega.


300, Parte II? Yessssss

    
Um dos meus filmes preferidos dos últimos anos vai ter sequela, e eu aqui na santa ignorância. Juntar a temática dos espartanos, coisa de que eu não gosto nadinha, a Eva Green (senhora com queda para produções épicas e de uma beleza arrasadora) e Hans Matheson, um dos homens celtas mais belos deste mundo de Deus (e que fisicamente falando, anda muito perto do que considero ideal) é uma ideia tão boa, tão boa, que quase se torna maldade. É quase certo que Esparta propriamente dita vai ter um papel mais reduzido, com Atenas a liderar as operações, e que gritar "This is Athens" não tem o mesmo impacto, mas o espírito e o ambiente do primeiro filme devem manter-se. Fingers crossed, e molon labe!

Da vulgaridade, da beleza, e de fossos



"No crime is vulgar, but all

vulgarity is crime”

(Oscar Wilde)


Cada ser humano tem os seus limites, os seus medos ou mesmo fobias, em menor ou maior grau: coisas, situações ou imagens que o fazem saltar da pele, arrepiar-se, ficar perturbado, deixar mesmo de ir a determinados locais ou de desempenhar determinadas tarefas.

 Embora fosse educada para considerar o medo um atraso de vida, tenho os meus receios como toda a gente: os naturais e lógicos, úteis para a sobrevivência (que nem vale a pena mencionar pois suponho que sejam iguais aos vossos) e os que me ultrapassam. Factos ou pessoas que me roubam a serenidade, que me tiram do sério e que me impedem de raciocinar ou agir com a tranquilidade e sangue frio do costume. 
 E a vulgaridade, que tenho abordado bastante aqui no IS, é a maior das minhas fobias. Eu, o João - sem -Medo de saias, que me intimido com muito pouca coisa - entrevistas, falar em público, voar, escapar a algo perigoso, alturas, etc, etc - dou por mim aterrorizada - não é hipérbole -  quando me encontro na presença de comportamentos ou gostos ordinários, que revelem baixeza, brejeirice, grosseria ou pior ainda, boçalidade - que é algo mais profundo e permanente do que brejeirice. Isto não significa que me sinta mal num ambiente mais pitoresco ou descontraído, que não tolere um gracejo, que seja too uptight (antes pelo contrário - o pretensiosismo enerva-me quase tanto como a boçalidade). Mas a vulgaridade não é descontracção, modos menos refinados à mesa ou um palavrão ocasional. A vulgaridade é feia, monstruosa: abre portas para todos os vícios, para toda a sordidez. É um atentado à estética, à delicadeza, aos sentimentos elevados, a tudo o que é belo e valioso neste mundo. Ou se é vulgar ou não se é, ou se tem inclinação para exercer/ apreciar a vulgaridade ou não se tem, por mais que se tente disfarçar, que se façam esforços por proceder de outra maneira, que se finja gostar de outras coisas. A vulgaridade é uma tendência interior e não tem cura - pode tentar superar-se, mas há sempre réplicas. Perante a vulgaridade e a sordidez torno-me irritadiça, insegura, assustada. A minha vontade é fugir e esconder-me. É algo que não consigo desculpar ou ignorar.  É uma fobia para mim porque tem a capacidade de cavar um fosso intransponível.
                               
E o receio que a vulgaridade me provoca faz-me queimar a ponte levadiça. Posso gostar muitíssimo de uma pessoa, mas se ela me submeter a provações que envolvam a minha fobia, se me expuser a ela, se me desiludir com procedimentos, palavras, raciocínios, companhias ou gestos desse género, sou incapaz de voltar a vê-la com os mesmos olhos, de confiar da mesma maneira, de a admirar como antes, de sentir o mesmo. Há sempre aquela coisa pequenina: vulgar. Tu és vulgar, que me magoa, confrange e assustaO que é estranho pois sou capaz de compreender e tolerar, senão de desculpar, fraquezas que outras pessoas considerariam imperdoáveis. A raiva, os actos extremos, a própria deslealdade (que está no meu Top 3 do imperdoável) ainda posso tentar atingir, racionalizar. A vulgaridade, jamais. Cada um tem os seus medos. Cada um tem os seus fossos e conhece o limite que o leva a queimar as pontes, o seu ponto irreversível - este é o meu.





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