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Saturday, May 11, 2013

"Estou mais farta disto do que o Diabo está de almas"

ESTOU FARTO!
A expressão, eloquente, verdadeira e prática de usar, sempre me deixou a pensar com os meus botões. Por estar farto de almas, devemos entender que o Príncipe das Trevas dispõe de  enorme fartura delas (nada mais compreensível, com o mundo como anda) ou que está realmente farto de aturar as almas que tem no Inferno? Porque vejamos, se acreditarmos na última hipótese, não faz muito sentido crer que o Príncipe deste Mundo  ande por aí, empenhado em tentar e perder alminhas para juntar aos seus servidores. Acredito que sendo um cavalheiro sofisticado, o Mafarrico veja como um mal necessário, como chatices que lhe trazem os ossos do ofício, acolher certas pessoas que merecem lá estar. E que por mais departamentos que haja no Hades, tanta alma junta é capaz de fazer mais barulho que sete pobres num palheiro. Ter em casa uma multidão de almas danadas - muitas das quais nem para fazer maldades têm habilidade -  a queixar-se, a arranjar confusão e a fazer intrigas não há-de ser nada fácil. Then again, a ser assim o Inferno tem grandes semelhanças com a vida na Terra. E para quem lá reina não deve ser pêra doce, mas enfim - servir no céu talvez seja pior, como dizia Milton. Cada um sabe de si...

António Variações dixit: toma o comprimido

                        
Há quem que só diga/faça disparates quando toma os comprimidos. E que só diga/faça disparates quando se esquece de os tomar, ou se recusa a tomá-los. Desconfio que não será assim tão condenável roubar os registos médicos de toda a gente que se aproxima, para perceber quem é são o suficiente para se tornar elegível. Diz que a saúde é um negócio da China, mas outros que aproveitem o filão; pessoalmente não estou interessada em abrir um manicómio...nem em que se instale  o que diz a canção abaixo (*não morro de amores pela versão original, mas esta é realmente qualquer coisa*):






Mulheres diabólicas

Oh yes, Sir, we are the Devil. 
Há alguns anos uma amiga emprestou-me o livro Millenium Girl, sobre as aventuras de uma espécie de cortesã do século XXI que acaba por encontrar o amor enquanto procura a fortuna. Posso dizer sem injúria que foi um dos poucos livros "leves" (se bem que seja demasiado dark para ser considerado light) que apreciei. A história vale o que vale; não é uma obra prima mas tem alguns pontos de interesse, nomeadamente as técnicas de profiling da protagonista para caracterizar as pessoas que encontra. O momento alto do livro acaba por ser o instante em que Bodicea, a anti-heroína, cansada daquilo a que chama O Jogo (leia-se, as técnicas milenares de sedução e interacção entre os sexos) tem uma epifania, ajudada por uma grande bebedeira, e descarrega os nervos com um discurso libertador. Ora, tenho pena de não dispor de nenhum exemplar - ando há anos para encomendar a versão original e foi-me sempre passando - mas há muita verdade no monólogo de Bodicea. Não me recordo palavra por palavra e se calhar não seria bonito da minha parte transcrevê-lo, mas passa essencialmente por "todos os homens querem posse, querem as mulheres que amam ou desejam para eles, mas depois culpam-nos a nós por isso". 
Esqueçamos a sua profissão, esqueçamos a realidade sórdida em que vive, deixemos por um momento a linha que separa as mulheres "honestas" das menos "virtuosas" porque chegada a hora, quando entram em jogo os sentimentos de propriedade, de direito, de posse, de ciúme, em suma, se uma mulher, com mais justiça ou menos justiça, de forma mais ou menos concreta, ainda que seja de forma imaginária, lhes fere os brios -  todas valem o mesmo. A mulher que foi sua, ou que não foi mas era suposto ser na sua cabeça, a mulher sobre a qual se sentem com direitos, a que lhes devolveu os desgostos ou as provocações, a que os tenta, a que ousou olhar para o lado depois de tudo estar perdido e encerrado, a que se rebela, a que se atreve a ser dona de si mesma, é sempre uma Lillith, é sempre uma Maria Madalena, é sempre o piorio ou o Diabo de saias, se preferirem. Porque consentiu, porque não consentiu, porque ama, porque não ama, porque mentiu, porque disse a verdade, porque escondeu segredos, porque se antecipou a contá-los, porque foi frontal, porque foi dúbia, porque chamou as coisas pelos nomes, porque fez jogos ou porque não os fez. Nisso atrevo-me a dizer que poucos cresceram: pelo bem que nos querem, até os olhos nos tiram. Podia agora separar os tipos de homem que uma mulher pode amar e que na hora H, se comportam assim, mas é acessório. Acontece com aquele que se vê fundamentalmente como amante e companheiro - o homem forte que impõe o seu poder de tal forma que a única coisa que uma mulher deseja é estar à sua sombra. Ou aquele que é simultaneamente um amante, um irmão de armas, um amigo, que é capaz de ler almas, com uma ligação tão profunda que nenhum sismo pode romper. Ou com aquele que, além das facetas companheiro/amante/alma irmã parece puxar pelas melhores qualidades da mulher que tem ao seu lado. Tanto faz, não interessa por onde a ligação começa - pelo corpo, pela alma ou por um milagre caído do céu - no momento errado a mulher certa é sempre a pecadora (com todas as palavras associadas) por mais santa que seja, por mais razões que tenha, por muito que tenha aturado. Acontece, em suma, com o todo poderoso Alfa que se tenha a pouca sorte de enfurecer. E isso não muda, por mais que se faça. Por mais feminista ou menos feminista (aqui me acuso) que se seja. Por mais que se tente compreender o inimigo. Oh they love us, allright. Too much. E lá diz a cantiga, too much of something is bad enough.

Friday, May 10, 2013

A parábola da carteira*

                       
Imaginai, irmãs, que vos oferecem uma carteira de um grande designer, novinha, com todos os embrulhinhos, selos e números de série. Ficais, como é natural, todas contentes. É linda, sofisticada, veio mesmo e calhar e...bom, não foi preciso nenhum esforço para a obter. E então (agora vou passar a um discurso normal, porque hoje estou preguiçosa e a semana foi longa) vocês, muito vaidosas da vossa boa sorte, colocam lá dentro os vossos bens preciosos, as vossas coisas privadas, confiam-lhe tudo,  levam-na sempre convosco. Toda a gente vos elogia a carteira, que bem que vos fica, etc. E depois, do nada...descobrem que não passava de uma cópia muito bem feita. Andaram imenso tempo a passear orgulhosamente um produto de contrafacção, que não vale um chavo e ainda serviu para financiar terroristas e trabalho infantil. Inclusive, recearam que vos roubassem a carteira, pensando que tinham ali uma grande coisa. Ligaram às amigas a contar o belo presente que vos tinham dado, e agora não sabem como lhes dizer que foram enganadas na medida grande, com uma cópia barata. Agora imaginem que a carteira não é uma carteira. (É por isso que gosto de moda: não há problemas que o caixote do lixo não resolva...).

* Obra de ficção: felizmente nunca me ofereceram uma carteira falsa, mas há pior na vida, I guess.

E porque estamos no Mês das Noivas...é assim que uma noiva se apresenta, ponto‏.

                      
Logo, meninas que estão a pensar contrair o Sagrado (ou mundano) Matrimónio, sugiro que ponham os olhos nisto e fujam como o Diabo da Cruz às fantasias de certos criadores que acham que para a noiva estar bonita deve parecer-se com uma caricatura brejeira, e que convidados, padrinho e todos os santinhos têm de ver aquilo que pertence aos olhos do noivo.  Passar todos os dias por uma loja de vestidos que conseguem a proeza de ser demasiado espampanantes para o civil e muito reveladores para a Igreja tem o condão de me arrepiar. Corpetes transparentes pertencem à lingerie para a noite de núpcias, não ao vestido em si. Uma noiva deve ser discreta, modesta e angelical dentro do bom senso, o que não retira em nada a feminilidade necessária à ocasião. Só eliminava os brincos que a meu ver, roubam protagonismo ao resto. Há que lembrar que a cerimónia dura só um dia, mas os retratos ficam para a posteridade e não deve ser nada agradável pensar "que figura a minha, o que a moda faz" ou ouvir os netos dizer "que indecente que avó ia" daqui a umas décadas...

Thursday, May 9, 2013

A H&M que me desculpe, mas...

                                   

...não acho que a menina Beyoncé, com quem até simpatizo apesar de termos as nossas divergências,  tenha ficado favorecida em algumas imagens da campanha. Achataram-lhe a figura, a cintura desapareceu e o mais estranho é que foram precisamente as piores fotografias a ser escolhidas para os mupis ( God knows why porque algumas, ao estilo pin up, ficaram bem mais bonitinhas, ora vejam):

                            

Quanto ao spot...o que é aquele bandage dress horrendo de ...segurem-me que eu estou a ter uma síncope...de LYCRA??? Pela última vez o digo, que já vi que não vale a pena pregar aos peixes, quem quiser seguir o culto à vulgaridade que se dane, os bandage-dresses-foram-feitos-para-mulheres-de-ancas-estreitas-e-pouco-derrièrre- precisamente - para-dar-a-ilusão-de-formas-um-pouco-mais arredondadas. NÃO favorece coxas abundantes ou traseiros voluptuosos, e faz as pernas parecerem curtas e tortas se forem usados no comprimento errado, STOP. Uma mulher com corpo tipo ampulheta ou pêra não pode usar cava americana, STOP. As curvas são para favorecer com subtileza, não para serem aumentadas e exibidas, estilo presuntinho. E aquilo não são poses em que se esteja. Já estou a tremer a pensar nas meninas que vão copiar a Beyoncé, e todo o mundo a achar isto aceitável. Agora chamem-me antiquada ou sem sal, vá, a ver se me ralo muito. 

                  

Dois flagelos do dia

                                     

Esperemos que fiquem por aqui, porque se aparecem mais oito pragas estou fora. Senão, reparem:


- Ouvi na rádio que vem aí um acréscimo inusitado de pólen e de outras coisas que fazem disparar as alergias a pessoas delicadas e sensíveis. E onde está, jura a fonte fidedigna, a maior concentração da praga? Em COIMBRA, pois claro. Não bastava a cidade do avesso com a Queima das Fitas, ainda aparece mais esta.

- Mal começam os primeiros raios de sol, ainda com uma brisa gelada a espreitar aqui e ali, e certo tipo de *cof, cof* meninas, ansiosas por se livrar da roupa que é uma coisa que cansa imenso, começam a mostrar braços, pernas, e tudo quanto há, no maior manifesto da frase mais rústica de todos os tempos ou seja, "o que é bom é para se ver"  - e se não for bom paciência, uma pessoa tem de se governar com o que Deus lhe deu. E rematam a brincadeira com a malfadada chinela - seja havaiana ou outra. Valha-nos que ao que parece, algumas faculdades decidiram restringir o dress code e proibir nas instalações tops descapotáveis, corpetes e chinelinha de enfiar no dedo, entre outras coisas que são mais adequadas a diferentes lugares. Não que sirva de muito, que eu tenho para mim que o ensino superior por si só nunca conferiu nada a ninguém e como não se filtra lá muito, a maioria sai de lá tão malcriada e baratucha como entrou, ou pior ainda. Ou como dizem os ingleses, the types they let in these days...

Serei só eu que estou amuada com Valentino?

                   


Por mais que se aprecie Valentino, ainda não vi ninguém a quem os seus Rockstud pumps de PVC assentassem como devem. Não detesto a ideia do PVC (embora não me entusiasme por aí além, o que é normal para quem embirra com tudo o que lembre plástico) mas estes parecem-me algo mal acabados e têm um ar barato, que é a última coisa que se quer em qualquer sapato, quanto mais num Valentino. O pior é que, a julgar pela adesão, vamos ver muitas versões realmente baratas e realmente mal acabadas por aí - preparem-se. Tem tachas? Tem. Tem PCV? Tem. É espampanante? É. O que noves-fora-nada equivale a dizer que os veremos por aí versões "acessíveis" em muita menina de ar pouco recomendável, coordenados com o calçonito que nunca mais tem a bondade de sair de cena.
 Dentro da mesma tendência, confesso-me muito mais agradada por este modelo da Chanel. Invisível sim, mas com tudo no lugar e com um aspecto super adequado: é edgy por ser PVC, mas continua a parecer elegante. Quanto ao conforto em dias quentes, já não juro nada...

chanel pvc pumps
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Momentos em que gosto MESMO de ser mulher



Entrar num evento com um trólei pesado e um distinto cavalheiro português tirar-mo da mão e insistir em levar-mo escada acima. À saída, acontecer o mesmo, desta feita por um gentleman inglês daqueles que andam quase extintos. E entre as duas ocasiões estar a abafar numa sala cheia, com um calor de derreter o Pólo Norte e as senhoras, sem outro remédio, tirarem o blazer, que por menos desejável que seja estar de vestido ou blusa sem mangas não nos cai o protocolo na lama por causa disso. Os cavalheiros, coitados, nem sequer se podem dar ao luxo de aliviar a gravata, ou ficar em mangas de camisa. Ainda se fala nas vantagens de ser homem...e fazem-se citações pindéricas para o Facebook a dizer "ser mulher é viver não sei quantas vidas e ter não sei quê de um tesouro que não interessa a ninguém dentro de si". Qual frases feitas, qual carapuça. É por coisas destas, poder tirar o casaco se me apetecer e contar com o cavalheirismo de quem ainda o vai mantendo, que agradeço à Deusa pertencer ao sexo fraco

Tuesday, May 7, 2013

Float like a butterfly, sting like a bee

                 
E este serão voltamos a Muhammad Ali : primeiro, porque a frase não podia ser mais verdadeira. Uma versão recente da shakespeariana "look like the innocent flower, be the serpent under´t". Segundo, porque por ossos do ofício, nunca falei com tanto Mohammed, Muhammad e quantas versões pode haver do nome do Profeta na minha vida. Era difícil  tirar o nome da cabeça, por isso fui buscar o meu Maomé preferido. Afinal, it´s not bragging if you can back it up. Desejo-vos uma noite descansada, que amanhã tenho um dia agitado, com uma viagem cansativa pela frente...e ainda por cima começa muito cedo, o maroto. Sleep tight.

As blusas perfeitas

                   


Pouco se tem falado aqui de Vivienne Westwood, o que é uma injustiça - a constância no estilo e a perfeição do corte são apenas dois dos motivos que me fazem adorar o seu trabalho. Para além dos sheath dresses e vestidos de noite com uma modelagem de outros tempos (Dolce & Gabbanna é uma das poucas casas capazes de rivalizar nesse quesito)  sou uma apaixonada pelas suas blusas. Em boa verdade, sou uma apaixonada por blusas - peça muito desprezada pelas marcas "acessíveis", o que é uma pena pois poucas peças são capazes de conferir um ar dispendioso e cuidado com tão pouco esforço.  Mas as de VW, com o seu toque vitoriano, são realmente lindas. E quem diz blusas, diz tops espartilhados ou camisas de laçada, ou...tudo muito delicado, muito prendado, muito riquinho e feminino, mas com sem perder uma certa dimensão edgy, podendo ser usadas por adeptas de estilos algo alternativos ou pela mais clássica das damas. 

(*A quem procura versões low cost de boa qualidade aconselho a francesa Jennyfer, de quem já falei aqui).






Vícios privados, públicas virtudes...

                                             
...mas convém que os "pequenos" vícios não firam a vista, nem distem demasiado da imagem de santidade que se pretende fazer passar. Ou que não dêem cana, para usar uma expressão do povo. Uma pessoa alegremente viciosa ainda se atura, com o desconto que se dá aos loucos; um indivíduo que esconde a sua sordidez para revelar sinais de degradação aos bocadinhos, aqui e ali, é simplesmente sinistro. Perfume misturado com um certo odor a podridão é pior do que os pântanos, porque esses sabemos onde estão e podemos contorná-los se não nos apetecer passar por lá.  Mis dos centavos, que valem o que valem...

Monday, May 6, 2013

A Louis Vuitton quer vender...menos.

Há que ter decoro, pois.
                       
Segundo a Dinheiro Vivo, a Louis Vuitton deseja apontar ao topo, para evitar a banalização. Para tal vai adoptar uma estratégia que permita subir os preços, equilibrando-os com os praticados na Ásia (e que incluirá evitar a abertura de mais pontos de venda) travando assim o apetite ostensivo das classes médias-altas de economias emergentes e dos novos milionários. O crescente desejo, de há uns anos a esta parte,  de manter a exclusividade e o perfil do consumidor de acordo com o posicionamento original da marca é comum a outras casas, como a Burberry, a Dolce & Gabbanna ou a Hermès. Afastar os clientes com poder económico mas pouco gosto parece ser, finalmente, uma prioridade. Numa altura em que certas griffes tentam ressuscitar a malfadada logomania, há outras que preferem perder algum dinheiro, mas ficar fiéis ao seu espírito e clientes de origem. É de louvar quando a arte, a sensatez e o amor à estética se sobrepõem ao desejo de lucro desenfreado. Porque afinal, o luxo deixa de o ser quando se torna vulgar. E por vulgar, leia-se demasiado acessível, demasiado na moda ou realmente...grosseiro.

Don´t bite off more than you can chew (ou dos passos maiores que a perna)

                     
                              

Há pessoas que querem muita coisa: um corpo melhor. Um carro melhor. Mais dinheiro. Um cargo prestigiante. Relacionamentos de qualidade. Status social. Ou seja, andam mortinhas por fazer um upgrade em um ou mais sectores da sua vida - o que pode ser  legítimo, dependendo das qualidades que possuem, e de expectativas realistas. Algumas destas pessoas  roem-se de inveja de quem possui "de mão beijada" tudo o que ambicionam, e não descansam enquanto não arranjam igual para si. Até aí, desde que não atropelem os outros para lá chegar, tudo bem: ser competitivo não é necessariamente mau. Depois, dentro destes indivíduos há alguns que de facto, têm (ou parecem ter) mérito para obter o que desejam, e se esfalfam para lá chegar. E quando lá chegam, tudo parece impecável: substitui-se a lata velha por um reluzente Mercedes, o ordenado magrinho pela abundância, a barriga de cerveja por um six-pack, o relacionamento com aquela pessoa que se arranjou só porque estava à mão por outro com alguém fantástico; o emprego da treta por uma carreira à séria, cerveja e tremoços no café da esquina (nada contra, mas percebem a ideia...) por convites exclusivos. E em muitos casos, como diz o povo, aí é que são elas. Porque estes ambiciosos querem sol na eira e chuva no nabal, para citar de novo a vox populi. Ou seja, querem os benefícios mas não estão interessados nas responsabilidades. Acham-se com direito às belas aparências, mas fazem questão de manter a boa vida (ou má vida...) que tinham antigamente. O que se traduz, grosso modo, por:  ficarem muito chateados porque os belos abdominais não se mantêm continuando em comezainas e bebedeiras; darem ao Mercedes o mesmo tratamento que davam ao calhambeque, não reparando que as revisões são mais caras; terem um cargo de topo, mas continuarem a entreter as horas como faziam num emprego que dava pouco, logo, exigia pouco;  tratarem o novo relacionamento como o antigo, ou seja, com todas as faltas de respeito, não reflectindo que uma pessoa que valha a pena terá decerto dois dedos de auto estima e não estará para sofrer o mesmo que sofre uma pessoa que, coitada, não acha quem a carregue; dissipar o ordenado chorudo em quantos disparates há, danificando a carteira e a imagem; e, em vez de aproveitar as companhias melhores que os rodeiam, continuarem a  comportar-se como carroceiros, pensando que lhes acharão muita graça, ou comprazendo-se mesmo em chocar  quem está, porque afinal, " detestam peneiras". Traduzindo, querem este mundo e o outro, nada lhes chega, mas são incapazes de fazer um esforço para estar à altura.
 No fundo, é muito simples:  as coisas boas da vida são como a Cavalaria. Leves de ter e pesadas de manter...

Crónica de hoje na Activa: coração de leão

                        
A ler aqui. (Não é um texto fofinho de auto ajuda, mas é uma lição que me tem dado um jeitaço ao longo dos anos...).

Sunday, May 5, 2013

Cobardias (sim, estou chateada)

                              


Tenho-vos dito, correndo o risco de me tornar repetitiva (mas enfim, o blog ainda vai sendo um fenómeno pessoal, logo está sujeito ao que nos ocupa o pensamento) que a cobardia é das coisas que me tira do sério. Em parte porque nasci com dois dedos de coragem - coisa que cabe à genética de cada um - em parte porque me incutiram de pequenina o valor da integridade (que se recebe de berço, ou nada feito). A integridade é um dos bens mais preciosos, uma espécie de multi-tarefas das qualidades humanas. Encerra em si a honra, a bravura, a dignidade, a modéstia, a reserva, o pudor, o respeito, o sentido de justiça e a empatia.  É um barómetro interior, que nos coloca limites - e supera a ética, porque vem de dentro. Reparem: uma pessoa pode ser sarcástica, vingativa, arrogante, de língua afiada, antipática mas se apesar de tudo isso tiver integridade, não será de todo má. Onde há integridade, não há cobardia. Quem é íntegro, toma sempre responsabilidade pelos seus actos
 Agora que já pintei o cenário, vamos à estória que o título anuncia. Por razões que ainda estou para perceber ( Deus Nosso Senhor lá sabe a cruz que dá a cada um, e porquê) volta não volta, eu que tenho os meus defeitos mas nunca me intrometo na vida alheia, não me envolvo em mexericos e sou do mais low profile que pode haver,  deparo-me com gente atrevida. Gente mais ou menos assim. Ou seja, exactamente o tipo de (passe o termo) escumalha que desprezo. 
 Por razões que não importam agora, que este blog não pretende ser o Mercado da Ribeira, uma pessoa assim achou por bem atravessar-se no meu caminho. E sabendo, como não é segredo nenhum, que eu não sou menina de deixar passar ofensas em branco, agiu como agem os abutres e hienas- pois como diz o povo quem tem cauda, tem medo. Ou seja, decidiu atingir uma pessoa minha amiga totalmente inocente, usando os argumentos mais dolorosos. E como opera um abutre? Nas costas, pois claro, ou seja - pasme-se da maturidade desta gente - comprando um cartão de telefone descartável para pregar uma partida que se não fosse tão cruel, seria cómica pela infantilidade. Claro que percebemos imediatamente quem era o autor da brincadeira. Claro que estamos completamente informados e dispostos a devolver a gentileza com as honras merecidas. É espantoso como pessoas assim, com tempo de sobra e pouco miolo, se dão a tanto trabalho para fazer planos infalíveis  baratuxos, sem pensar em encobrir o rasto. Estamos a falar de adultos, mas para muita gente isto continua a ser a hora do recreio. Valha-nos que,  como eu dizia há dias...a paciência, também ela é uma virtude.




Dois infalíveis outfits "não estou para me maçar"

                   
                                             
Esta semana desencantei no armário uns flare jeans que passaram o crivo da minha apurada selecção, mas que ainda não tinha vestido. Apaixonei-me de tal maneira por eles (há gangas assim, perfeitas) que desde aí, usei-os duas vezes naquilo que chamo "toilettes não te rales" - leia-se, looks que resultam sem canseira. E eu, apesar de ser muito rigorosa com o corte, a modelagem e o material de tudo o que uso, no que toca a montar um visual quanto menos ruído, melhor. Prefiro cingir-me a apontamentos chave para dar cor ou tornar o conjunto elaborado q.b. E se estiver com preguiça (como foi o caso este fim de semana) mais simples a fórmula se torna - porque um dos maiores erros que se podem cometer é tentar vestir-se de forma ornamentada quando estamos cansadas. Uma "receita" que adoro, e que nunca falha se as peças forem de boa qualidade, é o flare jeans favorecedor, t-shirt ou camisa e saltos. Basta adicionar uma carteira com óptimo ar et voilá. Muito clean, muito correcto e fresco. As que não vivem mesmo sem um bocadinho de brilho podem juntar-lhe umas pulseiras ou uma cuff - ou, se o decote do top for amplo, um colar bonito.
 A versão para a noite desta fórmula simples é o pequeno vestido preto, curto ou a 3/4 (o meu preferido!) e uns stilettos. Cabelo solto - para quebrar um aspecto exageradamente formal - uma clutch e poucas jóias (porque quanto maior o contraste entre a pele e a cor do vestido, mais dramático é o efeito) e pronto. Kate Moss que o diga, ela que ao longo dos anos nos tem apresentado inúmeras versões destes dois looks "salva inspirações".

Artículo Kate Moss y el baile

"Trovejou, trovejou, mas não caiu uma gota de água"

                                  
Esta expressão chinesa aplica-se a situações que não atam nem desatam, embora pareçam prometer grandes emoções ou resultados; ou àquele tipo de pessoas que espantam mais do que matam, que ladram mais do que mordem (salvo seja) ou que enfim, não se percebe o que querem. São como os garotos que tocam às campainhas e fogem a correr. Uma outra tradução portuguesa seria " a montanha pariu um rato". A frase  também pode ser usada quando alguém barafusta com grande basófia *para não dizer outra coisa* que vai pôr tudo na ordem, que quem manda ali é ela, etc, mas depois se acobarda, deixando-se manipular pelos envolvidos. De resto, há que não esquecer que na cultura chinesa "fazer chuva e vento" ou "o jogo das luas e dos ventos" designa o acto amoroso - por isso, quando se diz isto em relação a uma pessoa, significa que ela saiu uma grande desilusão. Por exemplo, quando há uma química enorme mas depois...enfim, o rendez-vous falha redondamente as expectativas. Ou alguém promete mundos e fundos mas não é capaz de cumprir um décimo, quanto mais ser o melhor do mundo. Não sei quanto a vocês, mas eu tendo a tropeçar em pessoas que trovejam muito, em diferentes sectores. O que é uma maçada, porque eu sempre preferi trovejar pouco e apresentar os "raios" quando ninguém espera. Não sou uma grande fã da antecipação. Antecipar demasiado não causa senão stress e expectativas difíceis de igualar. E esperar seja pelo que for por demasiado tempo, ou prolongar uma guerra por um período longo demais, não traz benefícios a ninguém. Sabem a inquietação que se sente antes de uma tempestade, com toda a electricidade no ar? É exactamente isso.  

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