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Saturday, May 25, 2013

Audrey Hepburn dixit: uma verdadeira senhora

                              

E hoje está um lindo dia para pensar nos ensinamentos daquela que foi realmente uma grande senhora, dentro e fora do ecrã mágico: pelo berço (podem ver um excelente resumo do seu background aqui) pela beleza, pelo porte aristocrático, pelas boas acções e acima de tudo, pela serenidade que sempre a caracterizou. "Gentileza" , "não fazer um espectáculo de si mesma" e "colocar sempre os outros primeiro" eram as suas máximas de vida. Que tudo isso se reflectisse no seu estilo icónico não era mera coincidência. Quando vejo Ms. Hepburn citada a torto e a direito em blogs de moda, ocorre-me sempre se quem a admira pelo que está à vista ( as toilettes Givenchy, a ascese do preto, o visual sure-and-simple) terá em mente o essencial, as qualidades sem as quais não há roupa janota que valha: a beleza da alma, o respeito às raízes e a rigorosa disciplina a que se submeteu desde pequena para ser como era. Porque um visual impecável ajuda muito, mas o mais importante não se vende nem se compra. E agora vou correr, aliás, caminhar tranquilamente porque uma rapariga bem comportada não anda em correrias nem que esteja com pressa (e eu tenho muita, que a agenda está prenchida para hoje). Um bom Sábado e até logo, Imperatores e Imperatrices.

Friday, May 24, 2013

Escolher os inimigos, como se fosse possível


"Um homem deve dar toda importância à escolha 

dos seus

 inimigos: eu não tenho um só que não seja idiota".

            Oscar Wilde

     Esta manhã demos pancada na gente feia que cita o magnífico tio Oscar a esmo, e por causa disso ocorreu-me outra frase sua que tem muito de verdade. Ou teria, se  as  antipatias fossem questão de escolha. Não são: ou porque a citação só se aplica aos homens e as mulheres são aselhas nestas coisas (não me atirem pedras, estou só a pôr essa hipótese) ou a pessoas desbocadas que fazem inimizades por desporto mas que sabem o que é bom para elas, logo escolhem cuidadosamente quem é seguro provocar. Cá eu...nunca provoco ninguém ou antes, muito dificilmente abro hostilidades (embora seja óptima a fechá-las, como já disse). Sou essencialmente dada à paz, embora desconfie bem que seja dona de um dos blogs mais embirrentos que para aí andam, por mais serena e menos explosiva que seja a linguagem aqui utilizada. Palavrinha, cross my heart: sou mesmo dada à paz. O tipo de pessoa sossegada, metida no seu canto, que não faz mal a uma mosca até a mosca se meter comigo. Não me intrometo nos assuntos de pessoa alguma, não cobiço o alheio, detesto a mania de ser competitiva porque sim, não complico, trato toda a gente com respeito e a menos que tenha sido gravemente ofendida não me ouvirão dirigir-me a ninguém em termos desagradáveis. Seria de esperar que me deixassem tranquila, mas vivemos num mundo que é uma selva e há sempre gentinha difícil que quer o lugar/sucesso/qualidades/companhias dos outros, pelo que de antagonistas ninguém está livre. Isso eu percebo: lá dizia Eça de Queirós que todos precisamos dos inimigos necessários para confirmar uma superioridade.

 O que me escapa, o que não entendo mesmo, é o tipo de adversários que me calha, principalmente no que diz respeito às mulheres. Que nunca conheci um que não fosse idiota, é certo - nisso sou, involuntariamente, fiel a Wilde - mas idiota no sentido mau e irritante do termo.

Regra geral, dou-me lindamente com as pessoas do meu sexo: sou uma boa camarada, das que levantam a auto estima às colegas e primam pela solidariedade feminina. Já se sabe que há algumas fêmeas que nos envergonham a todas e quanto a essas, nada feito. Ainda assim, essa parte eu compreendo. O que não me entra é porque é que, sendo eu uma pessoa que selecciona os ambientes e as companhias, raramente me aparecem antagonistas de qualidade. Do tipo que eu possa respeitar e até admirar, quase frenemies, e detestar com sentimentos nobres, do estilo "noutras circunstâncias podíamos ter sido amigas". Do tipo de adversárias que ficam bem no cartaz, que são giras e articuladas, que vestem bem. É que no quesito inimigos, e inimigas mais ainda, nunca me aparece uma alma que se lhe diga benza-te Deus! ou que seja uma honra desfeitear de volta. Qual quê! São sempre os camafeus, os trambolhos, as pindéricas e os saloios que vêm embater na minha realidade ou atravessar-se no meu caminho, seja sob a forma de mulheres da luta ou de gente francamente reles, a quem não abriria a porta nem para mandar engraxar o calçado. Até envergonha uma mulher de bem, que não se mete nessas misturas. Palavra de honra: de cabeçudos carnavelescos a travestis tresloucados, de autênticas múmias desesperadas a pipas com pernas movidas a Duracell, parece que os circos de aberrações não gostam mesmo de mim. Pior ainda, quase todos têm olhos de tubarão, ou seja, um olhar burrinho, inexpressivo, de quem tem ar e vento na cabeça (o que condiz com os disparates que lhes saem pela boca fora, ou pelos facebooks da vida fora...) e sinceramente, acho isso sinistro.
   Que se tenha de lidar com gente que se detesta, é um facto da vida; que além disso seja incomodada por pessoas que desprezo, já é mau demais.
 Resta-me um consolo: já que não posso ser selectiva nos desafectos, ao menos 
agarro-me ao facto de só vilões que nada devem à harmonia estética ou ao gosto se atreverem a chatear-me a molécula. Com os outros está tudo bem, ou lida-se com civilidade.

Confissão fenomenal e inaudita...

                                        

....não contem a ninguém, mas tenho sérios problemas em viver sem post it. O Dr. Spencer Silver (curiosidade do dia, fui googlar de propósito) não sabe o bem que me fez quando inventou estas folhinhas autocolantes e coloridas que me marcam os livros, acrescentam espaço à agenda, me organizam o caderno de trabalho (e só eu sei a quantidade de informação que preciso de ter em ordem ao longo da semana) mantêm a lista de coisas - a -fazer actualizada e até servem para me lembrar dos posts que quero escrever aqui para o Imperatrix. Não é raro lembrar-me de algum tema perto da hora de ir dormir, escrevinhar uns tópicos, colar num dos espelhos do quarto e no dia seguinte, voilà! é só desenvolver a ideia. É isso, e escrever notas (normalmente siglas) nos pulsos. Não fica nenhuma beleza, volta e meia tenho pessoas cuscas a perguntar o que é que lá está anotado (não queriam mais nada, tenho códigos para tudo e mais alguma coisa) mas não falha. Que isto é assim: existem as pessoas que são 100% organizadas, as que são 50% e o resto é esforço (eu, eu, eu) e as outras. Não há que fiar na minha memória: é demasiado preciosa e convém guardar espaço no disco rígido para assuntos não perecíveis.

O sexo, o amor, a paz e o perdão...

E o tio Oscar diria "parem de invocar o meu nome em vão, pindéricas desprezíveis!"
...são as coisas mais maltratadas, mais estafadas, mais fanadas e mais vitimizadas à face da Terra. Não há temas que sejam alvo de tanta foleirada junta: prestam-se a poemas de mau gosto, citações pindéricas,  pseudo prosa poética erótica de terceira categoria (daquela com imagens horrendas a querer passar por subtis, que falam em suor e outros fluidos, blhec!) imagens com ursinhos e pores - do-sol com legenda em brasileiro para passar adiante no Facebook, livros light e outros terrores da vida dos nossos dias. Em suma, o sexo, a paz, o amor e o perdão estão mesmo a jeito para as partilhas de mulheres da luta feiosas em estado de desespero e necessidade urgente  de acasalamento, para os delírios pretensiosos de escritores wannabe que não têm nada para dizer mas acham que se encherem um texto de palha, palavras caras e voltas que o tornem terrivelmente maçador e incompreensível a coisa passa por algo de "profundo" , para fazer a alegria das pessoas com pouca cultura e menos imaginação,  para gurus espirituais que querem passar por muito zen a dizer o óbvio, para que todas as personagens atrás citadas passem por santas, e outras hipóteses igualmente intragáveis. São poucas as pessoas que conseguem escrever ( ou não querendo/ sabendo escrever, citar) alguma coisa de genuíno, ou que jeito tenha, sobre estes assuntos. Quando alguém partilha frases genéricas sobre a paz, está quase sempre a regar, a falar por falar, a mencionar a paz lá nos confins de África, lá longe, onde não chateia ninguém com as suas exigências (porque a paz, como a amizade, dá trabalho). 

Queria ver essas pessoas tão "pacíficas" a lembrar-se de tais citações quando estão viradas do avesso. É o lembras...

    E se partilham sobre o "amor" raramente se dão  à canseira  de seleccionar uma frase que tenha algo a ver com o que realmente sentem, ou sequer de lhe corrigir os erros de ortografia. O perdão é outro desgraçado: toda a gente fala nele, toda a gente faz Likes a coisas fofinhas sobre o perdão com coelhinhos e passarinhos, mas quando as ofensas lhes  tocam  está o caldo entornado, quais coelhinhos, qual Cristo, qual Buda, qual cabaça!
A mania de debitar larachas só porque sim é um ataque aos próprios neurónios (e quem faz coisas dessas não pode abusar, porque não foi abençoado com muitos) e ao cérebro/sensibilidade alheios. Os atentados ao bom gosto e ao refinamento do espírito são tantos, mas tantos, que urge criar uma Greenpeace da vida para isto. Se Oscar Wilde fosse vivo, muito teria que dizer - mas esperem lá, nem Oscar Wilde escapa a ser citado da pior maneira, por pessoas que ele desprezaria profundamente. Que época esta, mon Dieu.



Thursday, May 23, 2013

Eu bem digo, cuidado com Roberto Cavalli: Irina Shayk em Cannes

                                  
Como não quero repetir o que disse há dias sobre o senhor, uma imagem vale mais que mil palavras. Messere Roberto faz coisas tão bonitas quando quer... mas é inegável, os seus vestidos mais comerciais são deste género. Quanto a Irina, mais decote menos decote costumo achar-lhe melhor gosto na forma de vestir do que na selecção de namorados, por isso inclino-me para que tenha dado ouvidos às cunhadas e escolhido uma fatiota para lhes agradar, que isto as más companhias são um bruxedo e água mole em pedra dura tanto dá até que fura, t´arrenego, espiga-rodrigo.
 O look de stripper pode garantir a atenção dos fotógrafos mas não favorece ninguém, por mais bonita e elegante que se seja. Deu-lhe um ar cansado, acrescentou centímetros onde não devia (se nela é assim, imaginem o desastre numa pessoa "comum") e da vulgaridade já nem falo porque se adivinha o discurso.  As rendas e um visual edgy-gótico para galas/ eventos públicos estão entre as tendências deste ano, mas não são a opção mais fácil de suportar. Não combinam com uma pele bronzeada e exigem todo um styling montado à volta para que não resultem em "toilette de casamento lá para os lados de Chelas" (se tenho leitores de bom gosto em Chelas, desculpem qualquer coisinha...). A menina Irina é tão gira, não precisava disto. Na dúvida, um Oscar de La Renta ou um Valentino magnífico, de grande efeito, iam fazê-la brilhar dentro do tipo clássico agora que já não é tão desconhecida que precise de atrair desesperadamente os holofotes. Digo eu, porque Cannes, se ainda é a única passadeira encarnada digna do nome, costuma albergar extremos: o melhorio e o piorio, consoante o estatuto (e o bom senso) dos convidados....
                                         
                       

Liz Hurley dixit...uma frase que podia ter sido escrita para mim

                                

"I'm not all peaches and cream, you know. I do have

 a

 darker side and believe me, it's not pretty". 


Isto não será novidade para quem por aqui passa ou para quem me conhece bem, mas...explica tudo de uma forma amorosa e não demasiado assustadora. 









Esta semana temos duas crónicas na Revista Activa...e inauguramos uma rubrica no Imperatrix!

                             

Podem ler o segundo devaneio Sissiniano da semana aqui. Aproveito para vos contar que Anjinho x Diabinho é a nova rubrica cá da casa, além d ´as coisas que eu ouço, isto só comigo, a nobre arte de..., a tonteria nossa de cada dia, it girls, eu embirro com, fulano de tal dixit e outras. Porque realmente, o meu anjinho e o meu diabinho interiores (tal como os vossos, suponho eu que tenho a mania de supor coisas acerca dos outros e raramente me engano) entram muitas vezes em conflito. As tentações deste mundo são de facto imensas e...ninguém é perfeito. Alea jacta est!

Wednesday, May 22, 2013

Crónica da semana: nós, as mulheres (mais a paixão, geishas e um conselho...)

                   

Para ler aqui, na Activa. E a propósito do tema desta crónica, recordei-me da cena do romance de Arthur Golden em que uma geisha experiente previne a aprendiza: "passion can quickly slip over into jealousy, or even hatred. I certainly can't afford to have a powerful man upset with me. (...) if a powerful man makes up his mind to destroy me, well, he'll do it! You must be sure that men's feelings remain always under your control". Este ainda é um mundo masculino, gostemos ou não disso. E eles podem ser muito coca bichinhos, muito faz como eu digo não faças como eu faço, muito vingativos e mais mesquinhos do que as mulheres quando movidos pelo ciúme, pelo orgulho ou pelo machismo puro e duro. As escolhas de uma mulher nunca são fáceis. Por outro lado, por mais tradicional que uma rapariga seja, não é uma geisha, logo não ganha a vida a servir chá e a ouvir disparates. Tem sempre a opção de não aturar um ser de calças a quem tenha de pegar com pinças, ou de não tolerar quem a obriga a pisar ovos. Seja o homem furioso em causa poderoso, ou só com a mania que é poderoso. 

Aquela fase super maçadora...

                             
...em que uma pessoa se vê obrigada a declinar convites interessantes, ou a evitar locais/eventos/circunstâncias de que gosta, para não tropeçar em personas non gratas. Em verdade vos digo que é um aborrecimento terem acabado com a bela instituição do algodão e penas...
  Deus Nosso Senhor nos livre dos maus encontros. Valha-nos que invariavelmente, gente assim descabela-se por uma migalhinha de protagonismo que seja e só falta andar com um altifalante a anunciar a tutti quanti cada insignificância que lhe acontece. Eu, que se não fosse a senhora mãe e os meus amigos a insistir era capaz de faltar às minhas próprias festas e não guardar nenhum dos meus artigos nem página de imprensa onde aparecesse, nunca julguei que o attention whoring alheio tivesse alguma utilidade. Mas no mundo em que vivemos, é um excelente GPS para saber que sítios se estão a tornar mal frequentados. There goes the neighbourhood, é o que é.

Tuesday, May 21, 2013

Momento auto hipnose do dia.

                                           

Anjinho: Repita consigo...um, dois, três...Sissi...a menina já tem muitos coletes bordados. Até tem dois dourados. Um marroquino, outro que veio lá da Sérvia ou de Montenegro, tão giro, tão folk chic. E quantas vezes é que usa coletes? Vá, vamos lá a ser sinceras...duas, três vezes por ano? Quantas vezes é que adopta o estilo hippie de luxo? Só quando lhe dá para um certo romantismo, certo? E mesmo assim, nunca tende muito para o hippie.

Diabinho: Ah, mas imaginem os looks a aludir à Renascença que não podia criar com isto!

Anjinho: Quais looks Renascença, qual cabaça. Não faltam farrapos lá em casa para se inspirar na Lucrécia Bórgia, não precisa agora de se pôr a suspirar por um colete de 3000 euros. Ainda se fosse outra coisa! Agora um colete! Haja paciência!

Diabinho: mas é tão liiiiiiiiiiiiiiiiindo. E é Vera Wang. Aquela mulher nunca erra!

Anjinho: A pensar na porcaria do colete desde manhã. Mas a menina não tem contas para pagar, trabalho para fazer, assuntos sérios em que pensar?

Diabinho:  Cale-se, seu malcriado. Não sabe que é vulgar falar em dinheiro?

Anjinho: Mas estamos em crise, e ser espartano está na moda. Mudemos de assunto, que há coisas mais importantes para tratar.

Diabinho:  Mas tem brilhinhos...e com aplicações tão delicadas...

Anjinho: Caluda, mafarrico. Não andes aqui a tentar uma rapariga ajuizada. Vade retro, Satanazes e Belzebuzes.

Diabinho: Sabe o que é que você é? Sabe? É um desmancha prazeres, um pequeno burguês, um comunista de marca maior, invejoso, politicamente correcto, inimigo de tudo o que é bonito neste mundo...

Anjinho: Vá à Zara! Também lá há coletes!

Diabinho: Vá você, seu ordinareco!

Conclusão:mais uma vez o digo. Receber certas newsletters faz mal à nossa sanidade, pois faz.






Chinelice do dia

                           
Octave Mirbeau, no seu romance Diário de uma Criada de Quarto ( um dos meus livros preferidos, nem mais nem menos) conta, através da criada Celestine, o caso típico de uma "senhora" - filha de antigos lacaios subidos na vida à custa de trampolinices - que, à conta do dinheiro sujo dos pais, tinha casado com um homem cheio de pergaminhos, mas pobre como Job. O infeliz fidalgo via-se e desejava-se porque a mulher, apesar de muito linda, não tinha um pingo de educação, tornando-lhe impossível impô-la à sociedade. Ainda por cima era dotada de um mau feitio e de uma língua afiada que fazia a vida do jovem casal num inferno. Por sua vez, à criada, rapariga esperta e habituada a servir amas de maior categoria, não passavam despercebidas as más criações e o péssimo gosto da senhora, que nunca perdera os hábitos rústicos de casa do pai. Numa das suas tiradas típicas, desabafava Celestina, que passo a citar, com licença da linguagem:  "gostava de couves e toucinho cozido, a porca..." mas tudo servido em salvas de prata, entenda-se . Couves e toucinho terão as suas virtudes e agora a cozinha campesina até está na moda, mas percebem a ideia. É muito complicado a quem toda a vida apreciou couves acostumar-se a outras coisas, por mais que pregue que é gourmet e faça vénias a chefs todos pretensiosos como agora se usa e até pague para cozinhar com eles ( o Céu me proteja) ou faça por frequentar locais "in" daqueles que Deus nos livre, cheios de gente dessa ansiosa por aparecer. Voltará sempre às couves, because there´s no place like home. Sentir-se-á sempre mais à vontade perto de gente que não tem nada para ensinar. Por mais que até lhe tentem puxar os brios para cima, ou que a vontade seja muita. Acredito que tudo se aprenda nesta vida, que se possa polir qualquer diamante em bruto, desde que o diamante esteja para aí virado e não seja um zircónio a fazer de brilhante. Mas quando se é assim e se gosta de ser assim, quando se faz questão de, como diz o bom povo, ir de cavalo para burro, não há milagres que valham. Nem fadas madrinhas capazes de transformar repolhos em carruagens. Com uma abóbora ainda se faz alguma coisa, mas não abusem.

Lição de moral do dia: os amigos, como as roupas...

                      
Ainda a propósito do texto de ontem, fica uma notícia que não podia vir mais a propósito, ou uma lição de moral para miúdos e graúdos. Uma multidão de amigos pode dar jeito para fazer monte num evento que se organize (e mesmo assim, é preciso que haja croquetes e bebidas à borla, senão...) mas são mais os incómodos e os mexericos que provoca do que a utilidade que tem ou as alegrias que traz. Os amigos são como as jóias e as roupas: é preferível ter menos, mas de qualidade superior...

Vestir a roupa "deles"





Um dos meus looks de eleição (sem os exageros abaixo, à direita, feitos para figuras andróginas) é aquele que parece roubado ao armário dos rapazes.

 Seja numa versão descontraída para o dia -a-dia (calças masculinas,camisa branca, scarpins) num visual power suit para trabalhar (um blaser longo a direito, sem as horrendas ombreiras dos anos 80 e acompanhado de calças igualmente soltas, num bom tecido, ainda é das combinações que não falham e  dá boa cara à mais cansada das mortais, se acompanhado de uns belos saltos altos) ou com um twist festivo (smoking de senhora, tailleur a imitar as obras de alfaiataria de antigamente, ou simplesmente elementos tradicionalmente masculinos, como peças ou luvas em cabedal). 

É clean, fácil de montar e imprime uma elegância austera que querendo, se desconstrói facilmente com um detalhe colorido - como uma clutch - ou inesperado (uma bela jóia antiga, por exemplo). Às vezes é preciso deixar a feminilidade brilhar por si, através das formas aparentemente rigorosas. Desde que não se exagere nos moldes excessivamente largos ou rectilíneos (atenção aos ombros e à cintura, para que tudo fique no lugar) há um certo encanto subversivo em passar a mensagem "assaltei o closet do meu mais que tudo".









Monday, May 20, 2013

Só os verdadeiros amigos...


Tenho dito muitas vezes que acredito em "colher o que se semeia" embora ache o karma um conceito chatíssimo, por ser um tanto cegueta e desmancha prazeres (e eu relego convenientemente para o armário das vassouras tudo o que acho injusto ou maçador). 
  Mas que as recompensas se vão acumulando para receber na hora certa, disso não duvido. E no meio dos defeitos de que o céu me dotou (mau feitio...ninguém é perfeito) 
deu-me também algumas qualidades. Duas delas são uma palavra que vale ouro, e a capacidade de ser uma boa amiga. Talvez por isso tenho muitos conhecidos a quem estimo, mas poucos amigos - porque como mencionei há dias, a amizade é uma canseira. Dá trabalho. Dá muito que fazer. E eu sou uma boa amiga, não uma boa samaritana. Quem diz "tenho muitos amigos" ou se cansa imenso ou é hipócrita, porque na hora H não acode a nenhum deles. Para ser um verdadeiro amigo é preciso investir tempo, ter pachorra de santo, aturar as conversas e lamentações que não interessam ao Menino Jesus, levar a canja de galinha, regozijar-se com os triunfos alheios, ser o ombro, fazer coro, declarar guerra aos inimigos do nosso amigo, conspirar em conjunto, entrar em modo ou César ou nada e muitas vezes, dizer duas verdades dolorosas ou fazer avisos que doem tanto a quem avisa como a quem recebe. E acreditem, tenho feito isto tudo. Pelo que os Deuses me recompensaram com um punhado de amigos fabulosos, que são mais família que outra coisa. E que me retribuem em dobro as canseiras todas ou são capazes, como se diz na minha terra, de me avisar se eu tiver a cara suja. Sendo certo que é depois de os amigos dignos desse nome fazerem a fineza de nos avisar, e depois de lavarmos a cara, que vemos claramente a verdadeira face dos que ficaram calados a gozar o panorama, enquanto proclamavam aos quatro ventos a devoção que nos tinham. Mas para esse tipo de "amizades" ou parentelas, há outro provérbio na Sicília: Deus me guarde dos meus amigos, que dos meus inimigos cuido eu.

Se a minha vida fosse um livro...



Autobiografia de cair para a banda.
...(nesta fase do campeonato, pelo menos) era decerto uma mistura de Les Liaisons Dangereuses, Código da Vinci e Gossip Girl. O problema é que de todos os citados,  só gosto realmente do primeiro. (E com um pouco de sorte, daqui a nada os capítulos tinham umas entradas poéticas ao melhor estilo Florbela Espanca. Isto para não mencionar os laivos de romance histórico que para aqui andam). Mas já que estamos a falar de livros eu preferia mais Eça de Queiroz, mais Oscar Wilde, Shakespeare ou um bocadinho de Jane Austen - não sou grande apreciadora mas o bom senso dá sempre jeito - e se calhar Tolkien, tudo em versão drama free. Hão-de vir para cá com frases feitas a dizer que a vida é um livro e nós é que o escrevemos e rebebebéu pardais ao cesto...pois sim!
 Posso sempre ir juntando elementos para o romance autobiográfico mais extraordinárioo e inacreditável de todos os tempos. Isto se conseguir eliminar-lhe todos os traços de ficção urbana e light (blhec) ou contar a coisa com um mínimo de seriedade, o que não vai ser fácil, com a minha mania de troçar de tudo, até de mim própria. Por outro lado, há certas coisas que ninguém no seu perfeito juízo é capaz de levar a  sério. Seriously.

(Resta-me perguntar como seria o livro da vossa vida...)

Sunday, May 19, 2013

Pinderiquice (e questão) do dia: Globos de Ouro

                   

Não vi, não vou ver e - a não ser que apareça na nuvem e me entre pelos olhos dentro alguma coisa maravilhosa ou escabrosa, que vocês já sabem o que penso de ver televisão -  não vou comentar as fatiotas, pelos motivos que enumerei no ano passado. Não fosse pelo status facebookiano de uma amiga, nem me recordava que tal coisa estava a passar num canal da nossa praça.
    Isto lembrou-me a ideia que tive ontem, ao dar um pulo ao quiosque: é impressão minha ou a profissão de apresentadora de TV perdeu o glamour? Não que alguma vez tivesse colocado estas profissionais da comunicação nalgum pedestal, mau grado os ossos do ofício ( sou capaz de ter estado mais horas ligada à televisão em trabalho do que no acto passivo de ver TV generalista) mas mesmo assim...não sei se é das execráveis revistas de TV com os seus mexericos sórdidos, se é dos "novos talentos" de postura duvidosa que vão aparecendo, se dos formatos idem aspas, se uma pessoa vai crescendo e torcendo o nariz, se é sinal dos tempos. Hoje o ambiente é, todo ele, sem graça. Abrir uma revista para ver pessoas que não me inspiram minimamente, cujo background e segredos pouco invejáveis andam por aí na boca do povo não é my cup of tea, nem se disfarça com umas galas feitas à pressa, nem com vestidos para as ditas, mesmo que estes sejam remotamente decentes. 

Quando um pressentimento bate (infelizmente) certo

                             
É escusado repetir o sermão, já tantas vezes abordado aqui, de prestar atenção à nossa voz interior, e das consequências de não o fazer. Em muitos casos, as dicas e os sinais de alarme estavam todos lá, as respostas também, nós é que escolhemos ignorá-los porque "também era pouca sorte acontecer uma coisa tão estranha". Mas as coisas estranhas acontecem e é melhor que nos habituemos à ideia de que não são tão raras como isso. Ou que algumas almas, vá-se lá saber porquê, têm uma propensão para atrair novelas mexicanas, cada um com a sua cruz, e acontece amiúde que ninguém - mesmo perante factos que são vox populi -  tem a bondade de nos prevenir, ou porque (compreensivelmente) não quer meter-se onde não é chamado, ou porque a nossa sociedade anda cada vez mais desligada e ninguém está para se ralar com os outros, mau grado a proximidade oferecida por redes sociais e outras engenhocas que supostamente deviam fomentar o sentido de comunidade. Em todo o caso mea culpa, mea culpa, que isto...quem confia está sujeito a ganhar afectos ou lições para o resto da vida, como li há bocado por aí. Lembram-se de ter falado nisto, e  nisto, e nisto? Verdade, tudo verdade, com contornos mais extravagantes do que podia ter imaginado. O lado positivo (se é que isso existe) é saber que nada poderia ser feito, que não havia poder para mudar a situação, que não há verdadeira culpa no enredo e que no meio de tudo, houve um bom anjo da guarda a evitar males maiores. O lado mau é a tristeza da situação em si e a confusão dolorosa que deixa. Há coisas que não podem ser reparadas, nem salvas. Deal with it.


A Chave do Verdadeiro Poder

                            
Não tenham medo, este blog não se está a tornar um espaço maluco de auto ajuda (embora ache a maior das graças aos livros "esotéricos" dos anos 70 que prometiam mundos e fundos a quem usasse o poder da mente - ou outros -  com as suas capas maltratadas e testemunhos miraculosos). Mas é bem verdade que o verdadeiro poder não está no dinheiro (conheço pessoas ricas que são verdadeiros capachos) no status social (idem) na beleza (ibidem) ou noutra característica óbvia. Tenho visto por mim, prova provada, que está tudo na nossa cabecinha. A capacidade de se fazer respeitar pode ser ajudada pelos factores externos citados atrás ou por outros ainda, mas sem coragem, sem altivez, sem uma dignidade à prova de bala e sem a consciência do bom e velho "eu não tenho de aturar isto" ou melhor, "eu não preciso desta porcaria para nada", ou ainda "eu mereço melhor"  por mais que aparentemente isso não seja verdade, não se vai a lado nenhum. Quem é tapete, vítima ou marioneta, sê-lo-á pelo resto da vida, por mais que a Fortuna o favoreça, a não ser que faça um esforço mental para virar o jogo. Quem se sente oprimido, usado, amesquinhado, etc... é melhor que comece a repetir para si mesmo, até acreditar e proceder de acordo, o mantra "Eu não quero, eu não tenho e eu NÃO preciso de aturar isto". Experimentem e depois digam-me alguma coisa.

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