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Saturday, June 1, 2013

Descoberta do dia: golden espadrilles

                             
A mulher que nunca deu cabo de um par de sapatos durante um passeio, que atire a primeira pedra. Hoje sucedeu-me isso mesmo e a única opção viável no ponto de venda mais próximo eram umas alpercatas dourado-fosco, curiosa mistura de caligae romana com sandália de corda. Agora, eu confesso: tive alpercatas antes, andam por aí umas azuis muito bonitinhas, mas não sou grande fã do modelo. Por norma acho-as demasiado instáveis e molengonas para os meus delicados pés (que implicam com tudo e mais alguma coisa, a pontos de eu já ter desenhado tim tim por tim tim o plano dos sapatos ideais, não vá uma fama repentina bater à porta e eu lançar os Sissi Choos que vão mudar a vida do mulherio todo, prometo) e tornozelos (que para se torcerem não precisam de muito). 

Mas estas são em pele extra fofinha, têm atacadores, seguram-se lindamente e estão de acordo com os estranhos designs que temos visto em dourado este ano. Não é por nada, mas quer-me parecer que as vou usar muito no Verão. Não me apetece nada largá-las esta semana, e fala-vos uma menina que nunca repete calçado em dias seguidos - há que seguir os conselhos dos especialistas para não estragar sapatos nem magoar os pés e dar uso a tudo o que se tem, mas a tentação é grande. Se encontrarem um modelo do género, agarrem-no bem, porque vale mesmo a pena. In love! Deixo-vos o registo do antes e depois. Também substituí a carteira por uma de seda indiana: porque quando está calor sabe bem algo leve e porque quando a roupa tem um ar austero, é giro quebrar o visual com algo étnico.




Que vais vestir hoje, Sissi?...


                                              
...perguntaram lá em casa, porque estávamos com pressa para sair.

 Resposta minha: 

EU? Eu quero é vestir um fato de macaco, com um carapuço que só deixe ver os olhos e que tape os ouvidos, para não me aperceber de tanta gente doida à minha volta.

Nota Bene: não tenho nenhuma fatiota que se pareça com isso, mesmo que tivesse estava demasiado calor para sair nesses preparos, mas isto resume bem o modo em que se andou esta semana. Não por minha culpa, asseguro. 

Friday, May 31, 2013

E a crónica Activa desta semana vai para....


...descobrir aqui, pois claro. Amanhã há mais, mas por agora desejo-vos um óptimo início de weekend. Nunca um diabo de uma semana custou tanto a passar. Adorava contar-vos as peripécias mas nem eu acredito nelas, e...noblesse oblige. Digo-vos só que em cima de tudo, de tanto trabalhar e editar textos fiquei com a visão em não muito bom estado, logo é tudo menos aconselhável estar ao computador a escrevinhar disparates (ou coisas acertadas, mas nunca se sabe...). Muito boas noites, senhoras e senhores.

Brilhantes "dixits" da semana


                


" Segue com a tua vida e quem te quiser acompanhar acompanhe,
 quem não quiser que não atrapalhe". 

                                          A minha prima dixit


"Há sempre um depois - e saber FAZER esperar é uma virtude".

                                             Senhora Mãe dixit


Digam lá que não estou bem encomendada, com uma família tão filosófica e dada a máximas úteis para a vida. É que realmente, há sempre quem ande na nossa vida como um tapete chato que se enrola nos pés: nem cumpre a sua função, não fica quieto no sítio e ainda nos faz tropeçar. E por muito aborrecida que uma situação seja, há sempre mais dias, novinhos em folha, em que o jogo pode ser virado. Há que saber amar e esperar, odiar e esperar (como dizia Caterina de Medici) plantar e esperar, mas fazer esperar também dá muito jeito de vez em quando. Nós, as mulheres, sabemos muita coisa. Às vezes fingimos é que não sabemos, ou não vemos...





Palavra do dia: achincalhar



                


 a.chin.ca.lhar
  1. ridicularizar; escarnecer; rebaixar, humilhar.

Esta manhã explicaram na rádio a origem deste termo, que não podia vir mais a propósito. Sucede que achincalhar ("enxovalhar" é um sinónimo bastante expressivo) vem do jogo do chinquilho, passatempo das classes mais desfavorecidas. Quem se prestava a jogar ao chinquilho em público, no meio do "povão", rebaixava-se ou seja, achincalhava-se
 Claro que a forma mais comum é empregar-se o verbo para dizer que alguém achincalhou terceiros, mas a fórmula original é muito mais ilustrativa. São mais as pessoas que se achincalham a si próprias, rebaixando-se a comportamentos de vilão, do que aquelas que se atrevem a achincalhar os outros na cara. Ou antes, abundam aquelas que, tentando achincalhar outros, se achincalham a si mesmas. Assim de repente, ocorrem-me várias formas de alguém se achincalhar: a lisonja baixa, a graxa, a bisbilhotice, a sabujice, a adulação, a bajulação (que vai dar ao mesmo, mas sempre me pareceu uma palavra mais forte) o virar de casacas, o mexerico de comadre, a provocação histérica em público que só humilha quem começa, o desespero que não se consegue esconder...o que me leva a concluir que conheço muita gente fã de jogar ao chinquilho. Estou com o povo, e entregue ao povo...ou à bicharada, se quiserem.
 

Thursday, May 30, 2013

Considerações que os sapatos nos obrigam a tirar: single sole pumps...

                                           
...em todas as versões. E scarpins. Ninguém gosta deles mais do que eu - para alternar com os modelos compensados, como já contei - e quando bem escolhidos, são tão ou mais confortáveis, porque permitem uma maior flexibilidade do pé.
 O regresso do kitten heel e dos sapatos com salto mais baixo também é muito bem vindo para quem, como eu, precisa de estar elegante para trabalhar sem cair em exageros do estilo O Diabo Veste Prada. Eu que normalmente uso sapatos para sair (logo, nas alturas) fui desenterrar quantos modelos havia lá em casa com salto kitten, médio ou...mais ajuizado, vá. 
                                                 Jimmy Choo 
E preciso de comprar mais alguns. Mas por alguma razão, os sapatos para ocasiões especiais são mais fáceis de encontrar neste país do que calçado para o dia a dia, o que poderá dizer alguma coisa acerca do carácter do nosso povo. Somos um país de mulheres que só pensam em divertir-se, ou de mulheres que não se ralam de ir trabalhar com os pés massacrados? Que eu acho que há ocasiões para tudo e sapatos para tudo, farto-me de pregar isso....
Mas o que realmente me faz confusão é usar kitten heels, ou quaisquer saltos finos, na calçada portuguesa. Já me tinha esquecido a estranha sensação de pôr os pés com cuidado para não ficar com o salto preso nos paralelos. Ou acabar descalça no meio de uma festa ao ar livre, com dois ou três cavalheiros prestáveis a oferecer-se para arrancar o sapato do chão, e uma rapariga ao pé coxinho. Mas sobre a analogia homens-sapatos já se lavrou aqui. And it rages on!

                       Jimmy Choo                   Nicholas Kirkwood 

Um dia daqueles...ao ataque, por S. Jorge!

                           
Ai que dia que dia que dia que dia que dia que dia que dia que dia que dia que dia  que dia que dia que dia que dia que dia que dia que dia que dia que dia que dia  que dia que dia que dia que dia que dia que dia que dia que dia que dia que dia (e podia continuar por aí abaixo) em que só me deu vontade de gritar " Por S. Jorge!" como os  cavaleiros medievais. Ou por Santa Marta, ou por qualquer santo que saiba lidar com bichos de muitas cabeças. Com trabalho a multiplicar-se como um dragão mitológico a quem se corta um pescoço e aparecem logo sete, a lidar com situações que não lembram ao Menino Jesus, a ouvir disparates do outro mundo e no meio disto tudo, quase a adormecer apesar da agitação, do barulho do vento e do café. Em verdade vos digo que se vejo esta semana pelas costas não vou acreditar na minha sorte. Queria fazer uns posts todos janotas para esta noite mas se isso não acontecer, já sabem o motivo: caí do cavalo abaixo, com armadura e tudo, e fiquei onde aterrei, a dormir o sono dos justos.

Wednesday, May 29, 2013

Eu ia elogiar o visual de Asia Argento em Cannes...



                                              
...porque o look total anos 20/30 estava realmente bonito, simples, bem conseguido sem parecer carnavalesco. Esta silhueta não cai bem a todas, mas na actriz resultou lindamente. E também ia mencionar a maquilhagem. A menina desleixou-se um pouco nos últimos tempos mas estava fantástica na gala de encerramento. Pois, eu ia dizer isso, não ia? Mas quando procurava uma imagem para ilustrar o post reparei que a menina Asia fez....

                              A atriz italiana Asia Argento faz gesto ofensivo para fotógrafos no tapete vermelho para o evento de exibição do filme 'Zulu'. O longa é o último a ser exibido no festival, que começou no dia 14 de maio e termina neste domingo (26), quando será conhecido  (Foto: AFP PHOTO / LOIC VENANCE )
...isto. Assim do nada, sem quê nem para quê. Tudo bem que ela sempre teve o seu lado rebelde, mas que dizia eu há pouco? Há gracinhas que não caem bem, mesmo a quem faz o tipo enfant terrible. E ocasiões para tudo. Ó Asia, por amor de Deus!

Paparazzi de esquina, ou o aviso do dia

                                
Após uma vida inteira dedicada à instituição da Prudência, Moderação, Temperança e Serenidade (excepto nos casos em que a Ousadia se impõe para contentar a Fortuna) serve o presente post para informar que mais dia menos dia vou começar a fazer disparates. Pasmem, contemplem e desesperem, como dizia a outra. Porque de facto não há paciência para as tonterias que algumas almas me atribuem sem sequer me consultar. É demasiado surreal para ser verdade.  Eu que sempre fui pouco dada à mediatização da vida privada sinto-me uma celebridade, com pessoas tão interessadas no que digo, no que faço, no que penso, tão preocupadas comigo sem se darem a conhecer, a seguir-me para ver se eu estou bem, a fotografar-me em segredo (para garantir que não desapareço?) ... uns amores. E como (apesar de se darem ares disso ) não estamos a falar de espiões de alguma inteligência secreta, nem de detectives profissionais devidamente acreditados, nem sequer de jornalistas estagiários de um qualquer tablóide, falta-lhes método (fui jornalista, sei do que falo).

 Não há nada pior do que espiões aselhas. Lembram-se de coisas que nem a minha imaginação ultra fértil era capaz de conceber. As if. É que podiam perguntar-me; era mais divertido e uma pessoa até se ria, antes de lhes arrancar as orelhas. Como reza a velha frase, "se quiserem falar mal de mim, perguntem-me: sei coisas terríveis a meu respeito". Ou se não são terríveis, são pelo menos verosímeis. 
 Confesso que sempre ouvi gente a queixar-se das pessoas bisbilhoteiras que levam e trazem cordilhices ou arranjam intrigas, mas nunca me tinha apercebido da dimensão do fenómeno ou dos estragos que (se deixado à solta num círculo próximo) pode fazer.  Sempre me pareceram questões demasiado desprezíveis para que gente ocupada, ou que não se dedique a vender na praça (o que é um ofício muito maçador e obriga quem lá está a dar à língua para passar o tempo, suponho) reparasse nelas. Ainda assim, não é coisa que me aflija. O único aspecto que me chateia é ter fama sem proveito. Anda uma rapariga a ter uma vida de autodomínio, a  fazer tudo para se portar bem (o que nem sempre é divertido) e acusam-nos falsamente de cometer actos com imensa piada? Isso é que não pode ser.
 Estou sinceramente a considerar adoptar um comportamento de pirata daqui para a frente. Afinal, evil is cool. 


Ninguém está acima da boa educação

                                  
Toda a vida ouvi dizer que quem é muito bem educado, pode dar-se ao luxo de quebrar as regras que tão bem conhece uma vez por outra. E sou toda por uma certa aura de enfant terrible, por um comportamento de Lord Henry, pelo charme de um certo cinismo, da fleuma ou da indiferença, pelo uso da ironia, do sarcasmo ou de uma franqueza desconcertante - figuras de estilo que no local/ocasião/circuito certos acrescentam espírito e graça. Eu própria venho de uma família em que arreliar os outros, usar de um certo humor negro, enfrentar pessoas desagradáveis com uma subtileza acutilante ou entrar em modo "bicho do mato" não é pecado nenhum, por isso tenho elevada tolerância aos Viscondes Reinaldos desta vida.
Tudo isto faz parte de uma certa forma de estar e não vem por aí mal ao mundo, desde que não se exagere - a linha que separa uma certa rebeldia elegante e a atitude "estou-me nas tintas" da má criação pura e dura é muitas vezes ténue. Para começar, porque ninguém gosta de palhaços de serviço nem de caricaturas sentadas à mesa. Quem recorre constantemente a brincadeiras, chistes, alfinetadas e alusões, sem nunca falar a sério, acaba mesmo por não ser levado a sério e crispar os outros. É enervante, no mínimo,  estar perto de quem a toda a hora troça, aponta, imita, hiperboliza e exagera, a pontos de já não se perceber onde começa o teatro e onde acabam as conversas de gente normal. Depois há as pessoas que - ou porque se acham tão folionas que tudo lhes é desculpado, ou tão sofisticadas que podem cometer crimes sem castigo -  levam a troça, as partidas e as brincadeiras longe demais. É escusado dizer (porque isso a vida vai ensinando) que às vezes essas brincadeiras acabam muito mal: pessoas assim estão-se borrifando para a sua segurança e para a dos outros. Peguemos então no argumento do mau gosto: há coisas de tal maneira grosseiras ou inconvenientes que por mais bonita, poderosa, elegante, benzoca ou foliona ou que a pessoa seja, não passam em branco; antes, desmerecem e mancham quem as faz. Ou são indignas de quem as comete. Não é o autor que branqueia a atitude, mas a atitude que rebaixa o autor...
 Se é verdade que as pessoas muito bem educadas, que tomaram muito chá em pequeninas, podem permitir-se ser malcriadas quando a ocasião o exige... também é verdade que por terem tido tão boa educação, têm a obrigação de dar o exemplo; que recebendo da vida certos privilégios, deveriam levantar as mãos para o céu e zelar para não estragar os dons que lhes foram dados fazendo papelões decadentes. Porque à lei ainda se escapa, mas às figuras tristes nem por isso.

O homem mais sexy do mundo...


                                         
...não é o italiano, o português, o highlander da Caledónia ou o lad irlandês, nem mesmo o amant francês. É o cavalheiro com vontade de ferro, personalidade a condizer e uma alma de puro quilate, altivo e seguro de si, que domina em vez de se deixar dominar, imune à lisonja barata, à manipulação e às manifestações grosseiras - sejam de raiva, de admiração ou de pseudo sensualidade. Nada o detém, nada o amedronta, nada o faz vacilar. Ou seja, mais ou menos o que está aqui (e que inclui alguns tópicos extra, para quem anda esquecido). Eu falo, falo, mas lá está, é um longo caminho dos lábios (ou da caneta) de uma mulher para os ouvidos masculinos. 

Tuesday, May 28, 2013

Truque de maquilhagem do dia: para ruivas e outras caras pálidas

                                         
                               
Já contei que sou apaixonada por BB Creams e que tenho um fraquinho pelo da L´Oreal -  que tem primer, funde-se na pele, dura o dia todo e dá aquele ar de base profissional e caríssima. O problema é que a cor mais clara...é pelo menos um tom acima do que deveria ser para mim. Nada de novo. 
Acontece-me com todos os BB creams (estão aqui duas ou três embalagens  de marcas diferentes que não me deixam mentir) e com a maioria das bases (muita gente dá prioridade à textura; eu por muito que gostasse de o fazer, escolho o fond de teint pela cor e grau de tolerância). Mas arranjei uma forma de contornar o problema, gastar os exemplares que por aqui andam e não deixar de usar a minha fórmula preferida. Basta misturar ao kido BB creamzinho um pouco de primer (ou pigmento) branco, para obter o tom certo e usufruir do efeito mate, bem acabado e ultra rápido desta fórmula que reduz para metade o tempo gasto a fazer a maquilhagem. As morenas poderão fazer o mesmo - sem exagerar - se quiserem obter luminosidade extra. 

Adenda ao texto desta tarde: uma história de amor a sério...e verdadeira

                          

A propósito do post de hoje, disse o nosso bom amigo Sérgio:


Parece-me uma bela história de encantar, em que o príncipe vai atrás da sua princesa para viverem felizes para sempre.
Na vida real não sei se a coisa seria assim, ou se antes corria mais pela variação de novela mexicana em que macho que é macho não vai atrás nem se rebaixa perante a fêmea, sob pena de ela perder o interesse nele, afinal está a mostrar parte fraca.

No final ele até a poderia encontrar, mas nessa altura ela já teria um amante daqueles barrigudos e bigode saloio que engatam miúdas à conta do seu descapotável de alta cilindrada, enquanto o coitado andava de transportes públicos. Quem sairia a ganhar no duelo?

Eu que não sou dada a romantismos bacocos (ou antes, nisso de romantismo sou bastante específica e rejeito certos clichés de velas e flores pelo chão) perto do Sérgio sou uma autêntica Pollyanna. Também discordo do argumento "homem que é homem não se rebaixa" porque, tenho-o dito vezes sem conta, homem que é homem é um caçador -  ponto.  Não fica à espera que uma mulher (frágil e tímida...ou pelo menos devia
 aparentá-lo...adiante!) faça o trabalho que lhe compete, ou dê mais que o empurrãozinho necessário porque afinal a um homem não cai tão mal apanhar bebedeiras, trepar às janelas, ameaçar tareias nos rivais e por aí fora.  Mas siga a Marinha, que desse tema já se tratou noutras ocasiões. Apesar de tudo eu acredito em histórias de amor daquelas de folhetim ou de novela, pelo simples facto de uma delas ser a responsável pela minha  peculiar existência. Se não fosse uma história de amor desesperado muito parecida com a da canção que partilhei esta tarde, eu não estaria aqui a escrever estas linhas. Ou estaria -  mas com outro nome, outra cara e outro blog, o que não era a mesma coisa.
 Quando era moda para pobres e ricos procurar ou aumentar fortuna no Brasil, por volta de mil oitocentos e setenta e picos, o meu trisavô apaixonou-se perdidamente por uma donzela muito acima da sua condição social, uma menina de boas famílias. Ele era um homem honrado, bem parecido, mas o sogro em potência não o podia ver nem pintado de ouro. Que fez o avozinho? Prometeu casamento à namorada, pediu-lhe que esperasse e ela esperou. Esperou vinte anos. Vinte anos a ouvir rogos, ameaças, ralhos, a ver as outras casar, a rejeitar propostas, a ser acusada de maluquinha, constantemente à espera de carta,  sem vacilar, contra toda a lógica. E ele por lá ... trabalhava e pensava nela. Nunca perdeu a cabeça com outras mulheres, nunca desanimou, nem mesmo quando um criado lhe roubou a melhor parte da fortuna (um resgate de rei) que tanto lhe custara a juntar. Mesmo assim, voltou "brasileiro" e rico.  Claro que o sogro ficou na sua, a não o poder ver nem pintado - para ele continuou a ser sempre um arrivista e à conta de casar com ele, a minha trisavó foi praticamente deserdada. Mas não se importou. Nunca se arrependeu da sua "teimosia" de rimance medieval. Por isso, eu que não sou de romantismos ainda vou acreditando que há histórias que valem a pena e que dão beleza à vida. Mesmo que hoje se substituam as cartas pelas SMS que chegam mais rápido, ou que o pombo correio seja uma rede social qualquer, ou que coisas como a palavra dada não tenham o peso de outrora. Assim como assim, o que realmente vale a pena neste mundo sempre foi raro - não acredito que mesmo naquele tempo, uma história daquelas fosse o pão nosso de cada dia. 

True Love



If I had the power the storms for to rise
I would blow the wind high and I'd darken the skies

I would blow the wind higher and salt seas to roar
For the day that my darling sailed away from culmore

The Maid of Culmore é uma das minhas baladas irlandesas preferidas, e fica mais bela ainda na versão dos Celtic Thunder (que podem ouvir no vídeo acima). Infelizmente, a realidade dos jovens portugueses do século XXI está cada vez mais próxima dos dramas dos irlandeses  no século XIX, com muita gente a zarpar para outras paragens em busca de um futuro digno. The maid of Culmore conta precisamente a história de uma rapariga lindíssima que parte para a América, deixando o namorado tão desolado que este lamenta não ter o poder de levantar tempestades para impedir o barco de levantar ferro. E como naquele tempo as separações eram dolorosas como são hoje mas não havia Skype, nem Facebook, nem telemóveis, o rapaz não aguenta e mesmo sem notícias parte atrás dela, jurando peregrinar até se reunir à amada, nem que nunca mais regresse a casa. Não sei se é dos meios de comunicação que às vezes facilitam, facilitam, a pontos de atrapalhar tudo, mas quer-me parecer que amores destes são cada vez mais raros. 

O efeito Kill Bill

                      
Quando Kill Bill saiu, fiquei logo encantada: tinha artes marciais, era cartoonesco, tinha uma banda sonora fabulosa, era Tarantino, piscava o olho aos filmes antigos de kung fu que faziam as minhas delícias e...contava a clássica história da boa menina (ou não tão boa assim) que faz as vezes de Conde de Monte Cristo. Estava ela em busca de redenção quando um fantasma do passado decide acabar-lhe com a existência. Mas ela sobrevive, como é apanágio das pessoas levadas da breca, e acorda do longo coma muito chateada. Mexe um dedinho, mexe o outro, levanta-se e apesar de saber que são muitos contra ela, com os poderes todos, a partir daí é um festival, com "a noiva" a revelar que também tem o seu saco de truques. Os maus da fita não tardam a perceber que se meteram com a rapariga errada. E isso nunca é boa ideia. Mesmo que a rapariga pareça estar deitada, depois de uma tareia, completamente xoné. Vaso ruim não quebra.

Monday, May 27, 2013

Dica da Sissi na Closet Magazine: rubrica nova!

Início

A partir de agora, vão poder ver regularmente os meus conselhos e sugestões na nova rubrica do portal Closet Magazine, "A Dica de...". 
A primeira já está online aqui, é mui old fashioned comme il faut,  mas sigo-a regularmente porque dá imenso jeito e poupa muita confusão no armário. Descomplicar é meio caminho andado para fazer menos disparates, errando menos uma pessoa não stressa tanto, e não stressando tanto andamos muito mais felizes, estando mais felizes andamos com boa cara, e...por aí fora. Estou muito feliz por fazer parte deste projecto e espero contar com as vossas visitas. Podem também acompanhar as novidades da revista aqui, no Facebook dos C.C Dolce Vita.

Sunday, May 26, 2013

Cannes, 3

lea seydoux, em armani, e Adele Exarchopoulos, em balmain
Lea Seidoux (Armani) e Adele Exarchopoulos (Balmain): esta última, com uma toilette tão simples como fabulosa. Jóias de grande efeito com um vestido austero, de corte perfeito. 
Numa edição  menos expressiva do que o ano passado, me thinks - Cannes continua, apesar de tudo, a ser a passadeira encarnada. Pela variedade, pelo élan, porque ainda é o único red carpet com o glamour de outros tempos.

                                             11 Stacy Keibler.jpg
Stacy Kleiber: não morro de amores pelo decote-laçarote, mas este Zac Posen é tão perfeitamente moldado, e a cor tão rica, que se desculpa o detalhe algo caricatural. Esta é a única forma de um vestido  "sereia" funcionar sem parecer ridículo. E quando se tem ombros de estátua, há que mostrá-los. Não esconder uma cintura fina por dinheiro nenhum, nem por moda nenhuma, é outra regra a não esquecer.


                                      14 Ulyana Sergeenko.jpg
Quando se trata de caras novas no quesito designers, sou sempre algo desconfiada. Mas é impossível não adorar o trabalho de Ulyana Sergeenko, que tem feito das coisas mais adoráveis a agraciar as passadeiras encarnadas por este planeta. O seu gosto clássico e ao mesmo tempo fantasioso, com laivos victorianos, é muito, muito, my cup of tea. Ainda por cima, a menina não é daquelas que dizem "façam como eu digo, não façam como eu faço". Veste lindamente as outras mulheres e faz outro tanto por si própria *aplauso*. O vestidinho pode ficar para mim, se faz favor, se faz favor, mlle. Sergeenko.

                     
E quem melhor para vestir Ulyana Sergeenko do que um dos meus ai-Jesus, a sempre fantástica Fan Binbing? Azul-gelo é sempre uma cor vencedora, principalmente quando se tem pele de porcelana. Fujamos ao estilo grego que normalmente acompanha este tom e façamos algo espartilhado. E temos uma toilette de sonho, digna de um romance de Balzac. My, oh my. 

                isabeli fontana
Sou a maior fã de jumpsuits para as ocasiões que o permitem (a estreia de um filme é um deles, formal mas não tanto como uma gala) e este Elie Saab cai na perfeição a Isabeli Fontana. Pena a bainha não ter sido subida um pouquinho. Gosto mais do que ninguém de bainhas compridas porque alongam as pernas, mas devem terminar no meio do salto do sapato. Suponho que tenha chegado ao fim da passadeira com as calças numa lástima, mas fora esse pormenor...tudo perfeito.

                  jessica chastain em givenchy couture
Jessica Chastain fez muito bem em não esconder a cinturinha neste requintado Givenchy Couture. Com a toilette saint Laurent abaixo (que tem uma cor lindíssima)  já não se portou tão bem. Quando se é uma ruiva pequena (contra mim falo...) vestidos com pouca forma nessa zona não são uma boa opção. Continuo a gostar muito de si, Jessica.

                                            

                                        liu wen em roberto cavalli
Liu Wen levou um Roberto Cavalli dos decentes, mas não consigo ultrapassar o facto de ter havido tantos vestidos transparentes na zona das ancas nesta edição. Qual é a utilidade? Expliquem-me, que não percebo o apelo...

                             chiara ferragni em emilio pucci
Chiara Ferragni, em Pucci: se é para levar um mini dress, que seja um como deve ser. Gosto.

                                    rosario dawson em marchesa
Rosário Dawson tem-se desleixado, o que é pena pois tem uma figura fantástica. Este Marchesa, no entanto, é um amor. Ficava a ganhar com mangas mais curtas, ou abaixo do cotovelo, mas mesmo assim...


                  emma watson em chanel couture
             Emma Watson, Chanel Couture. Simples, bonita, graciosa e já está.

                      Nieves Alvarez em Ralph & Russo Couture
          Nieves Alvarez, Ralph & Russo Couture. Breathtaking, não há outro termo. Ufffffff.

                                 sharon stone em roberto cavalli
Sharon Stone a confirmar que Cavalli lançou mesmo o terror. Tão bonita...e tantos vestidos bonitos...

                       
Para redimir Cavalli, só mesmo Olivia Palermo. Talvez por ser italiana, talvez porque tudo lhe fica bem, goste-se ou não da menina. Adoro o modelo romano, quanto à tigresse não estou certa. É tão inesperado que não sei o que pensar. E vocês?

                      paz vega em stéphane rolland couture
Paz Vega, Stéphane Rolland Couture. Outra mulher linda a ceder a tonterias desnecessárias.

                            bianca balti
Bianca Balti: sou toda pelos visuais clássicos e discretos, desde que não envelheçam. Esconder uma beleza arrasadora atrás de um penteado destes e de um vestido tão folgado é um crime.




Get the look: Victoria Beckham

                                   

Já dei aqui a minha opinião sobre Victoria Beckham, e há que reconhecer que WAG ou não WAG, a senhora sabe estar, sabe do que fala e polido tem  o seu estilo a cada ano que passa. Eu que não sou a maior fã de calças coloridas (mas em compensação, tudo o que tenha corte de alfaiataria "ponha-se na minha senhora" como dizia a avó) estou fascinada com este coordenado. Nada de groundbreaking, mas impecável. Impecável. Impecável.

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