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Saturday, June 8, 2013

Dos maus passos

                           
                       

uns meses atrás, Sissi dixit:

" Há muitas maneiras de aprender, e uma delas é responsabilizar-se inteiramente pelas próprias decisões.  Ninguém nos pode proteger disso - por muito que familiares, mentores ou amigos queiram resguardar-nos de eventuais sofrimentos. Só assim se vive. Sou pela bela instituição da cabeçada, de meter o pé na argola, de cometer os próprios erros. Ou como se costuma dizer: não preciso de conselhos, para errar estou cá eu".

As pessoas ponderadas, que mantêm a sua impulsividade natural sob controle, podem dizer esse tipo de coisas porque  geralmente sabem até onde podem ir. Correm riscos calculados. Por muito que eu concorde que a Fortuna favorece os audazes, por mais que acredite no instinto, por muito que tenha mais coragem que miolos, nunca fui adepta de tomar decisões terrivelmente importantes de cabeça quente - ou de o fazer com frequência, pelo menos. Daí eu dizer tantas vezes que tenho pouquíssimos arrependimentos e que os poucos que tenho, são por coisas que não fiz. Mas chegam alturas em que nos cansamos de agir sempre da mesma maneira e decidimos agitar as coisas um bocadinho. Ver como é o mundo do outro lado da fronteira. Virar tudo ao contrário, fazer de propósito para arreliar os outros ou para contrariar o padrão vigente. Fazer como o Capuchinho, ir pelo lado errado da floresta e conversar com o lobo simpático aparentemente tão decente, tão íntegro, só porque os íntimos empertigados que nos rodeiam sempre nos disseram para não o fazer.
    As pessoas ponderadas, que correm riscos calculados, estão habituadas a cabeçadas calculadas também.  Sabem mais ou menos o que as espera, por se terem movido sempre nos mesmos circuitos. Ou seja, por exemplo: sabem que gostam de caril mas são alérgicas a caril. E uma vez por outra não resistem e zás, mandam vir um caril de camarão conscientes de que vão ficar com os olhos a chorar, o nariz a picar e os lábios numa lástima. É chato mas perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe e a desgraça não é grande, amanhã passa. O que não esperam é apanhar uma intoxicação monumental que as deixa de cama porque arriscaram comprar o caril não no sítio do costume, mas num restaurante manhoso na outra ponta da cidade onde usam um ingrediente ultra secreto nada recomendável. Riscos calculados implicam conhecer o território. Quando nos aventuramos em terra de ninguém não imaginamos a gravidade da cabeçada ou o impacto do tropeção em potencial. Maus passos acontecem sempre, e há que aprender com eles; maus passos dados num assomo parvo de rebeldia esses sim, costumam trazer arrependimentos. Porque não é só o trambolhão inicial para dentro do charco mas as ondas que se formam, com repercussões que nunca mais acabam, que comprometem assuntos que não tinham nada a ver, que trazem consequências que ninguém imaginava e que dão uma trabalheira a limpar. É a velha história: se nos afastamos do caminho que os Deuses destinaram para nós, o Universo dá-nos uma valente lamparina para nos pôr na ordem. E é muito bem feito.

Há mulheres mesmo giras: Raquel Prates

                                  
Gostaria de não dizer isto, mas as famosas portuguesas que admiro contam-se pelos dedos das mãos. Temos meninas e senhoras de grande elegância, porém...as  realmente fabulosas são muito pouco mediáticas. Raquel Prates é uma feliz excepção e veja-se, ao receber a newsletter de uma revista da nossa praça lembrei-me que já devia ter mencionado a pequena por aqui, mesmo tendo anunciado que não ia comentar a gala dos Globos de Ouro coisa nenhuma. Nem é pelo vestido (nada de revolucionário que não é preciso e ela está sempre bem, no questions asked) é mesmo por ela, que é lindíssima e mais do que uma beleza original, tem bom ar. Isso sim, ou se nasce com ele ou não se compra. E porte e um aspecto altivo, que é coisa rara e pouco apreciada. Nunca a vi mal vestida ou mal arranjada; tem um  impecável gosto clássico com uns toques trendy aqui e ali. E perfil romano, lábios pintados de encarnado, olhos grandes e madeixas lustrosas que nunca submete a modificações estapafúrdias. Gosto de ver mulheres assim, racé, com o brilho discreto de uma pérola e um estilo simples que não falha. Há que estimá-las, porque estão em extinção. Meninas, ponham os olhos.

A Princesa que se casa hoje

                     
Ora, eu tenho muito pouca paciência para acompanhar enlaces reais (ou quaisquer outros) a não ser para espreitar, no final, se as toilettes são bonitas ou feias. Mas o casamento da linda Madalena da Suécia, que deve estar a decorrer já (não estou certa das horas, sou despistada nestas coisas) dá que pensar. Se bem se recordam, ainda não há muito tempo, a menina estava comprometida com outro "cavalheiro" - entre aspas, porque como outros do seu género, o rapazinho não soube viver com o bem que tinha. Em vez de levantar as mãos para o céu por ter a seu lado não só uma namorada linda como uma mulher que lhe era superior numa série de aspectos e de estimar o que a sorte lhe tinha dado, fez o que todos os arrivistas desmiolados fazem: achou-se o máximo. Não lhe bastava estar noivo da princesa e apreciar as coisas boas que daí vinham; não a valorizou por ela gostar dele. Em vez disso, pensou "se a princesa gosta de mim, é porque devo ser o maior. A tola está tão apaixonada por mim que posso abusar". E sem reflectir não só no enorme tiro no pé que ia dar, no sofrimento que ia provocar numa mulher que o amava a pontos de o escolher a ele em vez de optar por alguém mais a condizer consigo e de enfrentar decerto alguma oposição, mas ao menos no escândalo que podia trazer a toda a gente, envolveu-se com uma rapariga insignificante qualquer. Uma atleta sem atractivos, se estou recordada, e que certamente lhe deu atenção não porque ele fosse uma beleza mas por ser noivo de quem era. E os pulhas adoram atenção, nada a fazer. Vergonhaça pública, um desgosto dos grandes, par de patins, e ora adeus. Depois disso, a Princesa Madalena fez o que todas as mulheres deveriam poder fazer numa situação semelhante: apanhou um avião. Novos ares, deixar assentar a poeira e falar quem fala, moving on. Não há nada tão fácil de substituir como um homem idiota. E veja-se: encontrou um irish lad decentíssimo da nobre estirpe dos O´Neill, um homem honesto e bem parecido que deixa o outro a um canto. Ninguém está livre de deixar quem não presta aproximar-se. Felizmente a lei do Universo ainda vai sendo justa, e muitas vezes quem não vale nada faz asneiras e denuncia-se a tempo de evitar males piores - porque os vilões são sempre desastrados. Hoje a Princesa casa-se (diz que o vestido é Valentino, o que me deixa algo curiosa) mas com um noivo adequado. E que fica lindamente no retrato. Nada bate um irlandês, menina. Do us all a favour and live happily ever after.

Crónica Activa desta semana....



                         
...para começar o weekend, aqui.

Friday, June 7, 2013

Don´t kill yourself for recognition

                              

Creio que já contei esta: os romanos, que eram um povo sábio, tinham um hábito de grande sensatez: quando um general alcançava uma vitória retumbante e tinha como recompensa um Triunfo público (ou seja, um cortejo com todos os sininhos e aclamações) era costume o herói ter a seu lado, durante todo o percurso, alguém que lhe gritava " lembra-te de que és apenas um homem!".
Em casa, sempre ouvi "deixa a festa vir ter contigo", "deixa que as pessoas te notem sem fazer alarde"  e fui ensinada tanto a não considerar os triunfos, que são coisa volúvel e falível,  senão como uma consequência natural do talento e/ou esforço (motivo de orgulho, claro, mas nada do outro mundo) como a saber que a pior coisa que se pode fazer é chamar a atenção sobre si mesmo. A modéstia, associada a uma certa atitude displicente, mas respeitosa, são receitas para ser bem recebido em toda a parte. Já a constante procura de protagonismo e da aprovação alheia é uma fórmula expresso para a infelicidade pois (também já os romanos falavam disso) poucas coisas são tão pouco fiáveis como a adoração da populaça. Maquiavel reflectiu no mesmo tema - não podendo ser amado e temido é preferível ser-se temido, pois a multidão esquece facilmente os favores que recebeu. Quem tentar constantemente agradar, tem muitas frustrações pela frente.

A confiança serena no nosso valor e lugar no mundo, sem gabarolices nem bajulação, conquista admiração por sua vez;  há que seleccionar o pequeno grupo de stakeholders cuja opinião e presença importa, e o resto do mundo (ou o mundo que interessa) se seguirá. Nada confere uma aura mais agradável do que a certeza inabalável de quem somos, o respeito pelas hierarquias e a suave perseverança. O resto, quando é merecido, vem por acréscimo e sem que seja preciso provocar (ou pescar) os elogios. O homem que se gaba a si mesmo sabe que ninguém mais o fará, e a gabarolice tem um preço: para funcionar, precisa de provas. Em última análise, o segredo é a alma do negócio, e bravata sem provas dadas é um bilhete para cair no ridículo. Há que deixar os triunfos falarem por si mesmos, e aceitar os louvores espontâneos que se seguem.

Poucas coisas me fazem perder o entusiasmo tão rápido como perceber que pessoas que  admirava (e o sexo masculino é particularmente sensível a esse defeito) se rebaixam, adulam, se esforçam, se matam para agradar, para entrar em certos círculos, para ser aceites, tudo isto contrariado por uma furiosa necessidade de respeito, de imposição, de poder e celebridade - fazendo todas as asneiras, pisando a ética e afastando as pessoas que realmente são importantes na vã tentativa de obter a tão desejada aprovação. O desespero e insegurança interiores, a dependência do elogio, da notoriedade postiça, são coisas muito evidentes e acabam por transformar o homem (ou mulher) com maior potencial num palhaço ansioso por palmadinhas nas costas. No fim, a pessoa que procede assim perde tudo aquilo que me poderia fazer admirá-la: o porte, o orgulho nativo, os relacionamentos valiosos...e com os tropeços sôfregos, a reputação que poderiam construir. O arrivismo é uma doença, e movido por um ego desenfreado, pior um pouco - é que sabota os seus próprios objectivos e depois de tanto esforço, de deitar a dignidade por terra, o resultado é zero...com o bónus do patético. 




Emma Watson:passear o Chanel

                                      
"Passear o Chanel" é uma forma mais grifée de se dizer "laurear a pevide" . E Emma Watson fê-lo brilhantemente. A gola, o tweed, o twist dado aos traços distintivos desta Casa provam a mestria de Herr Lagerfeld, mas aplicar o styling certo e ter figura para o usar, já dependem de cada uma. Muito bem!

Thursday, June 6, 2013

A nobre arte da resignação cristã é muito linda...mas tem limites

A Anima Sola (alma do purgatório muito popular na folk magick da América do Sul)
Uma coisa boa de se ter espiritualidade é que nos habituamos a certos exercícios interiores que ajudam a encarar os aborrecimentos do dia a dia com outra temperança. E nesse campo tive uma vivência riquíssima e ecléctica, com bons mestres, excelentes livros e melhores exemplos de campos variados. Mas sejamos práticos: num país Católico como o nosso, não é preciso procurar filosofias exóticas para ter à mão um vasto campo de práticas e devoções que - bem compreendidas e bem aplicadas - arrumam a um canto (com todo o respeito) muito mantra e tratamento New Age que por aí anda vendido como se fosse a Pedra Filosofal...o que acontece é que os santos da terra não fazem milagres. E nem toda a gente presta atenção ao que é familiar, que já se tornou parte da paisagem e mais obrigação social do que outra coisa. O desaparecimento das velhinhas que sabiam rezas mais ou menos autorizadas para tudo e mais alguma coisa também retira alguma magia à fé popular, é um facto - e se ninguém for compilando esses segredos, pior será. Mas divago, e o que eu queria dizer é que ter avós muitíssimo religiosas mas com muitíssima cabeça (uma das quais tinha o hábito delicioso de me trazer pagelas com santos e orações de cada santuário recôndito que visitava, o que alimentou a minha mania de coleccionar essas curiosidades) me ensinou um par de coisas. Quem não teve uma avó católica à moda antiga não sabe o que perde.
 E por causa disso, um dos exercícios que faço diariamente (para além do bom e velho exame de consciência antes de deitar) é o exercício da humildade, da resignação, porque Deus Nosso Senhor é que sabe e não nos dá nenhuma Cruz que não sejamos capazes de carregar. Por vezes, na nossa arrogância e egoísmo (que por sua vez, têm um papel legítimo que não é para aqui chamado) achamo-nos muito injustiçados, mas se pensarmos que até os Deuses desceram do pedestal para se humilharem e sacrificarem pela humanidade (e não falo só de Cristo, como já mencionei noutros posts) se calhar as nossas penas parecem bem menos importantes. Outra parte desse exercício é a velha noção de oferecer os nossos sofrimentos em remissão dos nossos pecados (mesmo que não nos lembremos, havemos de ter alguns...eu sei que ao longo do dia, ainda que sem querer, faço uma data de asneiras) ou pelos pecados de todos, ou para proveito das almas (o facto de dizerem que já não há Purgatório não me convence lá muito; gosto da ideia de um patamar intermédio e das alminhas a quem se pode pedir favores, que intercedem por nós se rezarmos por elas, que querem? O Purgatoriozinho ninguém me tira) ou pelos desacatos e maldades que se vão cometendo por este mundo fora, ou em troca de uma Graça que desejemos obter. Sempre ficamos com a ideia de que as nossas chatices servem por alguma coisa e ainda desagravamos o Céu, o que é sempre boa ideia. Em última análise, as vetustas frases "mais do que nós sofreu Jesus!", "tudo seja por amor de Deus!" ou "seja por amor dos meus pecados!" são chavões excelentes. Por vezes - quando nada mais funciona -  a resignação, a capacidade de delegar num poder mais alto ou a lei do esforço invertido são meio caminho andado para que os problemas se resolvam como que por magia. Quando deixamos de nos ralar e seja o que Deus quiser, o caminho abre-se.  Tried and True. Experimentem.
  Mas (e este texto estava mesmo a pedir um  "mas") tudo isso tem limites. E há situações que têm o condão de me tirar do sério, que me cansam e não vão lá nem com reza mansa, nem com reza brava, nem com dar a outra face, nem à bofetada, nem com o exercício da resignação (ou com o exercício "com os malucos não se discute"). Perante essas, há um exercício espiritual melhor ainda: o exercício de se pôr a milhas, do pó de sumiço, do dane-se e quero que tudo isto se expluda, mas numa daquelas explosões galácticas. Esse também resulta, quando o saco enche. Mesmo que seja um saco com uma boa camada de resignação católica, daquela da velha guarda.


A Verdadeira Beleza dura...(e o contrário também)‏

                                           
Ainda nem olhei bem para os títulos, mas ver a minha querida Helena Christensen na capa da Elle Portuguesa é motivo para me fazer comprar só porque sim. Por muito que a indústria tenha mudado... tops são tops e a verdadeira beleza é assim: quem a tem, com um mínimo de cuidado continua a ser linda aos 20, aos 30, aos 40 e por aí fora. Quem nunca foi bonita, bem...com o avanço da idade dificilmente o será, mas pode sempre recorrer ao estilo, ao carisma, ao espírito ou à elegância. E se não tiver estilo, carisma, espírito nem elegância? Sei lá, pode tentar ser muito meiga, muito boa pessoa e não prejudicar os outros, assim a beleza interior reflecte-se cá fora e ninguém dá por nada. E se além de tudo não for boa pessoa, e tentar compensar com descaramento e falsidade o que lhe falta em formosura, a ver se tem sorte? Não me façam perguntas complicadas, que eu não quero ser maldosa, está bem? Mas adianto que só nascendo de novo, ou pedindo muito perdão a Deus Nosso Senhor, e arranjando muito espelho e muita modéstia, coisas essenciais a todos os seres humanos bem formados, sejam bonitos ou menos bonitos. Lições de moral à parte, o que se trata aqui é que Helena Christensen continua linda. Nos bancos de escola achava-a a beleza mais exótica à face da terra. Uma espécie de Adriana Lima dessa altura (Adriana que por sua vez, nessa época também andava na escola, provavelmente de totós e saia rodada). Mas se Adriana é uma rapariga magra com cara de boneca, Helena era uma Deusa, com busto, a barriga e o resto de estátua. Uma beldade. Fico contente por ver que assim continua, e olhem lá que ela nem é das mulheres vaidosas por aí além. Tem um quê de hippie e preocupa-se mais com o filho lindo que Deus e o fantástico Norman Reedus lhe deram, e com o seu trabalho de fotógrafa, do que em repuxar a cara. Mas com uma cara destas, para que é isso? A verdadeira beleza é assim, eterna. E como outras coisas, ou se nasce com ela, ou então, nem com dinheiro. Ninguém disse que a vida é justa.

Wednesday, June 5, 2013

Sandálias para fashion-nerds apaixonadas por mitologia

                                      €160, ancient greek sandals, shoescribe.com

Ao longo da vida, o meu lado fashionista e o meu lado nerd conviveram numa estranha harmonia. Sissi, o rato de biblioteca em busca do sartorial splendor, Vogue numa mão e calhamaço na outra, muito prazer. Como acho impossível gostar realmente de moda sem ter referências culturais, acabei sempre por incorporar algumas das que para mim eram mais importantes na hora de criar um visual. Muito do que escolho, independentemente das tendências que estejam na berra, é inspirado numa determinada época, tema, cultura, corrente artística, romance ou personagem. Era inevitável que a História e a Mitologia acabassem por ter um papel relevante na escolha das minhas fatiotas. As blusas de camponesa, os cinturões, os corpetes, os materiais naturais, as capas, os capuzes, são apenas alguns elementos recorrentes no meu guarda roupa. Escusado será dizer que o mesmo acontece com o calçado, e que sendo a Roma Antiga um dos meus assuntos de eleição (nada de novo para quem acompanha o Imperatrix) fiquei apaixonada pelas sandálias acima e por mais umas quantas "gladiadoras" desta galeria aqui. As gladiadoras são dos poucos flats que uso com agrado (e quando encontro gladiadoras altas, mais feliz fico!) por serem graciosas, elegantes e prestarem-se a inúmeras toilettes de Verão. Por incrível que pareça, quando se é criteriosa com o calçado escolher os pares baixos é ainda mais complicado do que fazer a selecção dos saltos e plataformas certos. É preciso que amparem devidamente o tornozelo e o calcanhar, que as tiras não magoem os dedos e que, sendo rasos, o seu modelo ainda assim alongue visualmente a figura. Mas quando se encontram uns bons, tornam-se indispensáveis. Pessoalmente não resisto a este género de sandália mas ando mortinha, mortinha, por arranjar umas com asinhas, em homenagem a Mercúrio - que só por acaso, é o Deus do meu Planeta regente. Mesmo que não voem, fazem um efeito fantástico (e se voarem, tanto melhor...*embora imagine que o lançasse o pânico na rua nos primeiros dias, enquanto não aprendesse a andar nelas*).

Salvem os pirilampos.


                              

Ontem houve certa preocupação cá em casa quando alguém ouviu nas notícias que os pirilampos correm o risco de se extinguir.
Não encontrei a  fonte para partilhar convosco, mas de acordo com os especialistas na matéria é mesmo verdade:


"Em relação aos pirilampos, o excesso de luz artificial impede animais nocturnos que utilizem sinais luminosos de se encontrarem [e consequentemente, de se reproduzirem]. A luz artificial em excesso inibe a produção de luz nestes animais". 

Como tenho a sorte de morar num reduto campestre onde a abóbada do céu está visível em toda a sua glória e o escuro ainda é mesmo tenebroso- não obstante os dois minutos que me separam da zona mais movimentada da cidade - não dei pela falta de nenhum desses bichinhos que anunciam o início do Verão. Mas convenhamos, há que fazer alguma coisa (não faço ideia o quê) para não dificultar a vida amorosa dos coitadinhos, porque Junho sem pirilampos não tem a mesma magia. Olhar para eles transporta-me para a infância na quinta dos avós, quando preparava com os primos as caçadas (salvo seja) aos pirilampos. Não lhes fazíamos mal, mas ter permissão para andar no mato fora de horas a inventar sabe-se lá que aventuras criava um ambiente fantástico. O mundo já anda tão sem graça que é preciso não comprometer futuras gerações de pirilampos. Mais do que isso, é importante não impedir as crianças de futuras gerações de desfrutar de expedições nocturnas para observar pirilampos. Tudo bem que a maioria dos pequenos está infelizmente tão urbana, tão resguardada, tão super protegida, tão longe da família alargada que julga que um pirilampo é um peluche com olhos esbugalhados que todos os anos se vende para fins solidários; está entregue à Playstation ou outro brinquedo da moda e dificilmente tem liberdade para sair em bando depois do pôr do sol. Mas mesmo assim (ou por isso mesmo) salvem os luzi-derrièrres, se faz favor. 

Tuesday, June 4, 2013

A futilidade é relativa

"Mataria para ser como tu" diz Mr. Ripley
"Fútil": eis um adjectivo pouco simpático que é atirado a esmo contra qualquer pessoa ligada à moda, às artes, que viva lindamente ou que tenha alguma aura vagamente glamourosa susceptível de provocar despeito. Não me interpretem mal: eu não posso com gente verdadeiramente fútil. Embirro mais do que ninguém com os blogs de trapos sem conteúdo, ou com quem não arranja nada mais elevado para fazer senão ir ao cabeleireiro ou aos nails corners da vida, e mais ainda com quem só se entretém no comentário da vida alheia porque (pobre ou rico, com berço ou sem ele) não tem coisa mais útil para passar o tempo. Then again, o "glamour" nisso tudo é algo discutível.

 Volto a bater na mesma tecla: não é possível entender de moda nem de "assuntos de sociedade" ou o que seja sem ter um bocadinho de cultura, conhecer algo de arte, de história, de literatura, e sobretudo sem ter um pouco de chá e  de mundo. E mundo, e chá, é o que falta a muito boa gente (mesmo a quem foi "comprar cultura" à faculdade) que atira o argumento da futilidade a torto e a direito sem justiça, a par com o da "falta de humildade" (do qual também saca imenso). 

 O fundamento para chamar fútil aos outros nunca varia muito: "esse nunca precisou de trabalhar" (leia-se, só eu é que sou uma grande pessoa porque tive o azar de não nascer rico; claro que caso se pilhassem no lugar de quem criticam, fariam mil vezes pior) "é uma menina do papá" (idem...e se fossem mas era trabalhar e deixassem os pais dos outros?) e por aí fora, no melhor modo de quem é invejoso e não pode ver uma camisa lavada a um pobre. Por mais culto, refinado e caridoso que seja o alvo do "projéctil da futilidade" está sempre condenado.

 E o mais giro é observarmos quem critica. São honrados lavradores, irmãs de caridade, eremitas estoicos? Não, minha gente. Daí ainda podia vir alguma lição de moral. E essa é a parte interessante. Quem tem a língua mais afiada é a gente que faz leasings (ou espera vir a fazê-los assim que puder) para não andar de pandeireita, porque Deus nos livre que o verniz muito recente se note se circularem num carocha (como muita gente bem nascida que conheço e que não precisa de passear numa bomba para se afirmar); é a seita que estoura o ordenado a recibo verde nos restaurantes ridículos "da moda" cheios de gado bravo que não interessa a ninguém nem que não goste da comida, só para ver e ser vista; que dá tudo e mais oito tostões para aparecer nas páginas "do social"; que faz instagrams cada vez que come sushi; que até prefere Coca Cola bem fresquinha (tal como eu!) mas faz-se passar por connoisseur e só bebe certos vinhos, e não fuma senão charutos embora deteste fumo. No fundo gosta dos passatempos "do povão" que se sabe e nem o esconde, mas...o pretensiosismo pode muito!

 Em última análise quem mais critica a futilidade (ou “mania”, outro termo preferido) alheia, com ganas tais como se de ofensa pessoal se tratasse, são os mesmos aspirantes a novos ricos que lambem as botas, que fazem todos os salamaleques quando um dos "fúteis" está por perto, e que venderiam a alma ao diabo para serem convidados por um deles para sua casa - e contar aos amigos, claro, que tinham estado com "fulano de tal", que de repente passa a ser uma óptima pessoa. Criticam o que tentam imitar, não passando nunca de uma cópia contrafeita, baratucha e amarga
 Se apesar de tudo isso tanta concentração em criticar o alheio os fizesse ser melhor do que os outros no seu ofício, ainda se admitia. Mas não. Na volta, cometem gaffes até na sua área de especialidade. Pior que a futilidade, desde que seja uma futilidade consciente, só a pálida imitação da mesma: a imitação invejosa e ingénua, tingida da parolice mais absoluta. E futilidades, como snobismos, todos temos.

Fujam das pessoas- polvo!

                         
                          
                           (Ó grande Cthulhu , livra-nos dos polvos!  Cthulhu R'lyeh! )
                           
Há gente que tem o seu quê de polvo. Estende os braços (curiosidade: as lulas é que têm tentáculos; polvos têm braços) a distâncias inimagináveis, é capaz de alcançar e enrolar coisas que ninguém imagina para o que lhe dá jeito  - ou para furar bolos - e tem o condão de largar tinta preta, que deixa o ambiente pesado num raio de quilómetros. Estes polvos de duas pernas carregam atrás de si uma nuvem negra e como não são felizes (não sei se os polvos verdadeiros são felizes, mas viver com medo  de acabar à lagareiro, num soberbo arroz ou em salada é para deixar qualquer um deprimido) inventam o que for preciso para deixar os outros no mesmo estado. Entre as pessoas polvo e os polvos a sério existem algumas diferenças:

Polvos verdadeiros são caladinhos, ninguém os ouve...já as pessoas polvo falam muito, muito, muito. Para o que não devem: o mexerico, a provocação, a graxa, a calúnia, o insulto, ou mesmo para o que não lhes convém. Se for preciso usam um braço para agarrar um telemóvel, outro para mandar SMS num segundo aparelho, outro para abrir quantas janelas de chat haja com gente disponível para lhes ouvir as queixas e a peçonha, e mais um para abrir a janela e insultar quem passa na rua. Polvos têm oito braços, pessoas polvo têm oito bocas. Não sabem guardar um segredo, privacidade não lhes diz nada e até contra si próprias são traiçoeiras, porque muitas bocas a falar ao mesmo tempo...todos sabemos que dá asneira. E algumas pessoas polvo falam alto - um luxo a que os polvos não se podem dar, para não serem descobertos.

Polvos verdadeiros só largam tinta em legítima defesa. Pessoas polvo conspurcam tudo porque sim, pelo mero prazer de contagiar quem está ou de sabotar a felicidade alheia.

Por fim, a semelhança:

- Polvos verdadeiros são moles, pessoas polvo também...
deixam-se levar por tudo o que lhes digam (e que por sua vez, transportam para despejar noutra parte) desde que quem fala lhes dê atenção e aplauda. Essa é outra coisa que as pessoas polvo adoram: aplaudir quem lhes possa potencialmente interessar para "lhes dar o tentáculo" (nem que detestem o orador em causa) e ser aplaudidas, de preferência por outros polvos, que é para as palmas serem muitas. 

Felizmente eu, que até sou apreciadora deste molusco, tenho o bom senso de evitar as pessoas polvo. Contra estas, é uma pena que não se possa, sem mais aquelas, invocar Chtullu, o polvo-mor da mitologia de Lovecraft: tínhamos o caos e a destruição por uns dias, mas ao menos o mundo ficava limpo. Cthulhu R'lyeh! (Tentar não custa...)

Monday, June 3, 2013

Brinquedo para este Verão, ansioso por sair do armário....

                                                    
As imagens são roubadas dos lookbooks de alguém, para eu me lembrar de tirar do closet uma relíquia vintage igualzinha a esta, que é realmente especial. Como sou moderada nos padrões e prefiro manter a silhueta o mais simples possível, de vez em quando sabe bem uma peça de cor forte, à volta da qual se construa o look - e encarnado é das poucas a que me permito. O corte ousado dos anos 80 exige atenção mas os últimos anos têm trazido uma liberdade nos formatos, permitindo uma série de ideias de styling que brincam aos clássicos de uma forma muito cool (as ombreiras grandes continuam a exigir corte e costura, todavia). E é claro que tem graça trazer aos ombros um bocadinho de história da moda. A usar com ténis não me atreveria porque não faz de todo o meu género, mas para começar ocorre-me testá-lo com umas calças pretas afuniladas e um scarpin nude, preto ou metalizado. E se estiver virada para o look total, posso atrever-me com a saia que faz parte do tailleur (ao melhor estilo Pretty Woman, mas em versão decente) acrescentando uns pumps compensados para quebrar o ar "máquina do tempo" e uma simples t-shirt branca ou preta. Isto é o que me ocorre agora para brincar com um dos fatos que andam lá por casa, já que estamos em ano de fatinhos, smokings e tailleurs. E as meninas? Já correram aos armários da família, vão investir num novo exemplar, ou passam? Tell me.

Eu tenho sempre razão, ou o complexo de Cassandra



Por vezes sinto-me como Cassandra, a princesa troiana amaldiçoada com um dom da profecia em que ninguém acreditava.  Para quem está esquecido, Apolo, o Deus da Verdade e da adivinhação (entre outros atributos) concebeu uma paixão ardente pela jovem, que era uma ruiva lindíssima, e prometeu que em troca do seu amor lhe ensinaria a ver o futuro. Ela concordou, mas depois (vá-se lá saber porquê) teve a impertinência de mudar de ideias. O Deus já não podia retirar o dom que lhe tinha concedido, por isso inventou um castigo muito mauzinho: ninguém acreditaria nas suas previsões, que se provavam sempre correctas...depois de as desgraças terem sucedido. Ela avisava, avisava, mas todos faziam ouvidos moucos. E depois ia-se a ver,  quem tinha razão o tempo todo? A  pobre Cassandra, claro.  Não só a infeliz era atormentada com visões terríveis, como não podia evitar o desenrolar das tragédias  - e para piorar tudo, ainda era tratada pela família com o desconto que se dá aos maluquinhos.
Eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas, ou se preferirem...  eu tenho sempre razão. Vou colocar a premissa de forma mais modesta: só falo quando estou certa de ter razão; se estiver na dúvida remeto-me ao silêncio. E acima de tudo, nunca me queixo sem motivo. Quem convive comigo tem aprendido isto da maneira mais chata. Quando era pequena, apesar de ter as minhas birras como todas as crianças, raramente me queixava. Se eu dizia "doi-me isto" ou "estou maldisposta"  o caso era sério. As poucas vezes que acharam "isso não é nada", "estás é a fazer fitas para não comer" ou coisa semelhante, tiveram de marchar comigo para o hospital, até porque as minhas febres nunca foram assunto para brincadeiras...
 Ao longo da vida, isto foi acontecendo aqui e ali. Sucede-me avisar, avisar, na posse de todos os dados e mais alguns, com as certezas em papel selado, e certas pessoas acharem que estou a brincar, a exagerar ou que tenho um motivo obscuro qualquer para me alarmar com dada situação/pessoa. É claro que a seguir batem com o nariz na porta, a chatice acontece com consequências para todos incluindo para quem avisou (eu, eu, eu) e depois vêm dizer-me "olha, afinal tinhas razão" o que não é consolo absolutamente nenhum. É que se há vitória que dispenso é o prazer de dizer " hate to say I told you so". Tão escusadinho!

I want your ugly, I want your drama...ma non troppo

                            
Não há relacionamentos perfeitos, mesmo quando as condições reunidas são ideais. Para  amar de facto alguém há que fazê-lo na totalidade: com as birras, os dramas, as dores, as tempestades, os destemperos, os picos e os vales. Por vezes, é preciso mesmo amar o Mr. Hyde que se esconde atrás da fachada bonita. Ter mais apreço pelo demónio que se dissumula lá dentro do que por tudo o resto, querer-lhe com mais ímpeto do que ao aspecto luminoso, ser louco o suficiente para aceitar o outro como ele se apresenta porque quando dois destinos caminham juntos não importa os furacões que surjam, por alguma razão é. Tantas vezes é mesmo esse abismo que precipita a vertigem, que alimenta a chama, por mais estranho que isso pareça. A dificuldade está em deslindar a  fronteira entre os precipícios que fazem sentido, que levam a  um caminho, e os que representam perigo. Essa é a ténue diferença entre o exequível e a verdadeira ameaça, entre as paixões de horário nobre que marcam, mas florescem e as que conduzem ao inferno e destroem tudo o que tocam.   All is fair in love and war. E no entanto...

Sunday, June 2, 2013

"Mentira galhofa", como diz o Joaquim Monchique*...



(...*aqui, para verem que não inventei).

Esta menina cometeu perjúrio. Prometeu que ninguém arredava pé de casa este fim de semana sem colocar ordem no closet e sobretudo, no quartinho dos sapatos e dos casacos. A culpa não é minha, se quase em Junho ainda se tem andado de botas e ainda não foi possível pôr o calçado de Inverno onde não atrapalhe as almas. E depois veio um sol muito lindo, e vem um e convida para aqui, e vem outra e desafia para ali, e...amanhã é Segunda e tenho as minhas coisas nuns preparos que não me agradam nada. Eu que normalmente sou do mais organizado e frontal que pode haver *gaba-te cesto, mas factos são factos*  uma vez sem exemplo fui uma grande mentirosa e fui laurear a pevide em vez de cumprir os meus deveres. Shame on you, woman. Shame on you.

Se há coisa que não é my cup of tea, é...



...peixeirada. E por incrível que pareça, contra todos os estereótipos, os homens -  debaixo de certas circunstâncias -  são muito mais dados a essas coisas do que nós, mulheres, com os nossos chiliques e vozes fininhas. Eles provocam-se, entram ao despique e dali a nada, temos cenas com linguagem muito pouco cristã a meter toda a gente ao barulho, vulgo aldeia do Asterix. 
E se fosse andar à pancada enfim, não era lá muito bonito mas sempre era de homem. Qual! Vão buscar as piores cordilhices como um bando de comadres,  desenterram pecados esquecidos e privados, eriçam-se como as aves de capoeira, usam-se como trapos vis e ainda espalham estilhaços sobre as mulheres que estejam eventualmente associadas ao desacato. Ou eu tenho andado neste mundo de olhos vendados e só descobri certas realidades recentemente, ou já não se fazem homens como noutras épocas, quando as ofensas eram desquitadas limpa e honradamente, à bengalada ou ao varapau. Que sempre fazem menos barulho e não incomodam tanto...

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