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Saturday, June 15, 2013

O divertido desafio de fazer malas

                                     
Com os anos tornei-me disciplinada, mas quando digo " vou arranjar um simples weekend bag" continuo a provocar sobrancelhas erguidas cá em casa, porque comigo um weekend bag raramente o é. Não só pela natureza das situações que me mais frequentemente me fazem sair de casa (e que não me permitem exactamente andar de jeans e sabrinas) mas pela minha mania do detalhe. A fórmula uma saia preta, umas calças cigarrette pretas, um par de jeans, um vestido preto, tailleur, vestido de dia, dois vestidos de noite, t-shirt escura, top branco, camisa branca, top de seda, blazer e gabardina, mais coisa menos coisa, costuma simplificar a equação dependendo do passeio/ocasião/eventos incluídos na viagem e do número de dias. Levar os coordenados rigorosamente feitos, também. Mas não esqueçamos o pijama, o robe-de chambre, roupa interior adequada a tudo o que se vai usar, o necessaire (esse desgraçado...os secadores/,modeladores, por mais portáteis que sejam, nunca são pequenos) e acima de tudo os sapatos, que ocupam imenso espaço e não dão jeito nenhum para transportar ou fechar a mala como se deve. Sim, os meus zippers sofrem. E acima de tudo, sou uma rapariga prevenida, que leva sempre um outfit extra, calçado incluído, num porta fatos, por causa da lei de Murphy de que já vos falei. A vantagem? Nunca me vi numa aflição, do género ai que me caiu uma malha/partiu-se-me um salto/rasguei a alça do vestido. Não contente com isso, ainda sou excelente a arranjar a bagagem de quem me acompanha. Comigo não há happenings. Nem bagagens ultra leves, por mais que me esforce. Não se pode ter tudo. Cá vou eu organizar a  "pequena malinha" que o tempo não pára. Wish me luck.

Achei! Achei!

                                  
Lembram-se de ter falado neles aqui e aqui? Eu sou como Picasso, não procuro, encontro; demoro é um bocadinho, porque as coisas boas levam o seu tempo a deixar-se ver. Há meses que andava em busca do scarpin encarnado perfeito, e não estava a ser nada fácil: não os queria demasiado altos (a cor já é chamativa que baste) nem baixos demais, nem muito arredondados (para não se confundirem com um pump, que num tom desses me parece sempre algo vulgar) nem muito bicudos;  tinham de ser estáveis, o material havia de ser forçosamente macio, sem brilho que verniz escarlate é o cúmulo e por fim, não queria investir demasiado neles, porque...bem, por muito criativa que eu consiga ser as ocasiões para usar sapatos encarnados não são tantas como isso. Mas o meu radar nunca falha e lá encontrei, numa sapataria da Baixa e em promoção ainda por cima, o scarpin dos scarpins,  100% pele macia, salto alto mas não escandaloso, do mais clássico que pode haver, tão confortável como um sapato alto q.b não compensado consegue ser e decididamente mefistofélico. Agora só me resta inventar umas toilettes para os passear, provavelmente já amanhã. Nada como algo encarnado para afastar as energias cinzentas. Dos dois pares nude (uns pumps altos, outros mais discretos) que ando a perseguir feita peregrina é que nem rasto. Mas a Sorte é assim: nem sempre se consegue tudo de uma vez. Persistência, certeza do que se procura e olho aguçado nas compras e no resto é a chave da felicidade, I guess.

Violência sobre as mulheres, de novo: breaking the girl

                                 
Ontem tivemos mais um caso vergonhoso de violência doméstica (neste caso, violência sobre as mulheres...) levado ao extremo. Outro crime passional de um homem sobre a ex companheira, com consequências trágicas. Isto deixa-me gelada por dentro porque só quem nunca sentiu de perto a violência doméstica, na pele ou observando os casos de pessoas próximas, pode desvalorizá-la ou olhar para o lado. Dizia eu há dias que nenhuma mulher - por mais psicologicamente forte ou menos "vulnerável" que seja, por bem preparada que esteja pela informação ou pelo exemplo- está livre de se envolver com um agressor. Não sou especialista na matéria, mas é sabido que pessoas assim procuram a todo o custo qualquer tipo de fragilidade que possam explorar. Ou porque a mulher é economicamente frágil, ou fisicamente fácil de dominar, ou está de alguma maneira isolada, ou tem pouca auto-estima ou porque é ou parece permeável por ter saído de outro relacionamento há pouco tempo. É uma questão de domínio, de controlo, e em certos casos de ciúmes, porque ainda há muito rapazinho por aí que não vê as mulheres senão como santas ou prostitutas, sem meio termo; e se aos seus olhos a mulher que diz amar tem um comportamento que lhe desagrada, por mais injusto ou delirante que isso seja...merece, na sua cabeça, tudo o que lhe possa acontecer. Há sempre alguma coisa que um agressor em potência fareja, mas não se julgue que só escolhe raparigas tímidas, inseguras, sem ninguém que as proteja ou outras opções amorosas. Muitas vezes é o simples acaso que determina fatalidades destas; noutras, para um agressor narcisista, pode ser interessante testar os limites e procurar precisamente dominar alguém que constitua um desafio, que lhe alimente a vaidade, só para repetir o mesmo padrão de comportamento por que se regeu toda a vida. E isso pode correr ainda pior, porque a violência não começa de repente, nem com gestos dramáticos. A pequena, subtil e discreta violência psicológica vai-se instalando aos poucos, tão lentamente que nem se dá por ela. E muitas vezes, a vítima só a reconhece como tal quando está demasiado envolvida. Então poderá parar o ciclo antes de a  violência se tornar física mas as marcas estão lá, e não são menos dolorosas do que as equimoses. São mais difíceis de situar, de identificar. Há cerca de um mês escrevi a short story abaixo, mas decidi só a partilhar convosco agora. Antes porém, há algo que soube recentemente, uma pequena subtileza na Lei que acho importante divulgar: a difamação, agressão verbal, insultos e maus tratos psicológicos, ainda que entre namorados ou ex namorados, qualquer que seja a idade ou o tempo de relacionamento, é violência doméstica e constitui crime público. Por vezes não nos apercebemos que mal ou bem, os mecanismos legais funcionam. Estão lá quanto mais não seja para dissuadir, para impedir males maiores antes que o palavrão, a desconfiança, as acusações, os gritos, a calúnia, o insulto ou a tortura psicológica evoluam para algo mais visível ou mais perigoso. Nenhuma mulher (e para sermos justos, nenhum homem, mas os leitores que me perdoem - nós ainda somos a minoria e temos menos força física; não me venham dizer que uma rapariga do meu tamanho pode grande coisa contra um homem grande, por mais técnicas de auto defesa que conheça) tem de aturar isto. Não deve. Não pode. Isto diz respeito a todas nós. Nunca sabemos quando é a nossa vez ou a de uma amiga, prima, irmã. 

Breaking the girl


Ele virá com bela figura, belas palavras, mãos grandes e o coração nelas, como uma fortaleza, como um escudo. Vai jurar, não recitar, o Cântico dos Cânticos e proferir blasfémias, colocá-la num altar e selar as promessas com o nome, com os lábios, com os olhos. Vai fazê-la amá-lo com todo o ímpeto e urgência de que só os loucos e os cobardes são capazes, enchê-la de incensos de santidade, mesmo quando descer aos mais mundanais impulsos. Como podes amar-me tanto se és tão bela, aqui está a nossa casa, o meu coração, toma-os, mais dia menos dia partes, que não sou digno de ti, que farei sem ti? E  a seguir vai esperar em troca disto infinito silêncio, infinita condescendência, nenhuma vontade própria, nenhuma indignação, possuir-lhe os  pensamentos, devassar-lhe o  passado, ser dono do seu presente, sem nada oferecer a não ser o bonito teatro. Vai fazê-la amá-lo, não como devia, mas em permanente estado quero que ele me ame, que mais posso fazer para manter a mesma adrenalina, o mesmo sétimo céu; vai jogar todos os jogos, vai confundir-lhe a mente para a quebrar e a tornar fraca por mais forte que ela seja, vai virá-la do avesso e ferir como puder; virá com silêncios, virá com injúrias, virá com toda  a sua força e tamanho e supremacia, até que o domínio seja completo, território conquistado e fértil para todos os desmandos porque já não se sabe para que lado está a verdade, a mentira, o certo ou o errado, e quando tudo isso falhar haverá a desconfiança, a calúnia, seguida de calmaria e das belas palavras, mãos grandes e o coração nelas, o chão está a girar ou é a minha cabeça? E o que se pretendia era isto, breaking the girl, mas há quem não tenha nascido para quebrar, ainda que sucumba a feitiços transitórios. Virago crudelíssima, pois. Paciência.

Friday, June 14, 2013

Mean Girl: se eu fosse um esterótipo...

                                       
...queria ser sempre a anti-heroína, ou a vilã com estilo. Sabem,  aquela rapariga de cabelo escuro, ruivo ou louro platinado, que tem sempre um visual simples, clássico, super composto e matador, que fala assim baixinho, faz o que lhe apetece, que elabora planos maquiavélicos infalíveis e geniais, que mexe os cordelinhos todos, tem uma aura dark, é poderosa, subtil e má como as cobras mas com um lado soft, espécie de César Borgia,  ou Don Corleone de saias. É que francamente, são sempre as que vestem melhor, as que têm um decor de morrer, os melhores adereços, um élan victoriano e as falas mais decentes, mesmo quando o filme ou o livro não valem um chavo. Palavra que até não sou má pessoa (desde que não me macem) mas pendo inevitavelmente para aí. Que posso fazer? Ninguém é santo e a pôr um pé (ou uma mão...) no Caminho da Mão Esquerda, que seja com decência e só para armar aos cucos. Inegavelmente, evil is cool. Deus Nosso Senhor também não me há-de castigar lá por causa disso, com tanta gente- que-não-é-má-só-para-inglês-ver a pipocar por aí. Acho eu.


Gala AmfaR: o bom, o bonito e o *cof, cof* menos bonito.


Uma Thurman, ireland Baldwin e Jennifer Lopez, entre outras caras famosas, marcaram presença na Gala AmfaR, que se realiza sempre em cidades diferentes para apoiar a luta contra a SIDA. As imagens chamaram-me a atenção por três motivos:

- O lindíssimo Atelier Versace de Uma Thurman: não sou a maior fã de Versace, mas está provado que num vestido de gala, o corte é tudo; um modelo clássico bem executado nunca falha. Não sei bem o que se passou na zona do busto, mas são piquenos happenings a que qualquer uma está sujeita.


- A linda filha de Alec Baldwin e Kim Basinger, uma mistura perfeita entre o papá e a mamã, com um bonito nome. E nada feito, os decotes a lembrar o século XIX, principalmente num dramático e simples vestido preto, prendem-me sempre a vista.


- O vestido medonho de Jennifer Lopez. Não é Zuhair Murad como pensei, é Tom Ford (que bicho lhe terá mordido para se dedicar aos vestidos tatuagem?). J-Lo, querida, vamos ver se nos entendemos. Apesar de a menina ser from the block, houve uma altura em que se vestia muito bem. Desde que se faz acompanhar por esse peralvilho pavoroso a quem dá o título de namorado está a desgraça que se vê, que isto as más companhias nunca nos puxam para cima. Primo, um vestido tatuagem por ano (ou por reencarnação) já é demasiado. Vimos, está visto, não nos bata mais. Secondo, vestido tatuagem versão glitter em azul...só me ocorrem bolas de Natal e ainda estamos em Junho. Terzo, quando se tem curvas há maneiras mais elegantes de as realçar e mesmo não havendo volumes fora do sítio, tecidos colados ao corpo não são uma delas. Quarto, golas tão fechadas não são a primeira escolha para mulheres com formas: não é impossível fazê-lo bem, mas exigem um cálculo apurado para resultar. Quando se tem mais anca do que peito, então é mesmo má receita. Parece que temos ancas ambulantes em vez de uma mulher. O mesmo vale para o cabelo colado à cabeça: funciona em raparigas altas e magras ou petite, com ossos de passarinho e ar de bailarina, mas não tão bem em corpos mais femininos, sejam mais ou menos cheios. Ponha os olhos em Sophia Loren, Monica Belucci, Marilyn Monroe, Penelope Cruz. Alguma vez as viu de toutiço ou com este penteado ghetto style? É possível prender o cabelo sem cair no visual "casório lá dos subúrbios". Boa? E já agora arranje um cavalheiro decente para a acompanhar, que aquele não se pode apresentar em público.


Contem-me tudo!!!

                                   
O meu emprego e o resto dos projectos exigem concentração, o meu computador dá comigo em doida, a minha internet (e cheira-me que não é só a minha) anda à manivela e armou-se um caos privado por aqui que leva o seu tempo a arrumar. Ou seja, o Imperatrix rages on, mas é uma luta e não tenho conseguido acompanhar a blogosfera como gostaria. Só hoje soube que uma das minhas bloggers preferidas voltou ao activo - o que é uma excelente notícia por várias razões - mas de resto estou a leste do paraíso. Qual é a última moda parva, a última vendetta entre bloggers (esperem lá, dessas nunca me apercebo nem quando estou atenta, quanto mais) o último mexerico (idem) enfim...o que é que eu ando a perder? Que nisto temos de ser uns para os outros. Tenham dó da vossa amiga, que anda presa à terra por um fio, Sissi versão balão espacial, a flutuar algures e a vir cá abaixo só quando tem mesmo de ser.

Don´t know, don´t care...‏


                       
...não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe, olhos que não vêem, penas que não se sentem, frankly my dear I don´t give a damn, do I look like I bloody care? e por aí fora. Nunca compreendi as pessoas que continuam a obcecar-se por assuntos que já não têm ponta por onde se lhes pegue, que não está na sua mão resolver  ou que se encontram numa fase em que o que está feito está feito e mais vale pensar noutra coisa. Conhecimento  é poder, keep your friends close and your enemies closer  também é uma estratégia razoável em alguns casos, mas demasiada informação não traz nada de bom. Sou o tipo de rapariga que salta por cima dos problemas e que vira as costas a quem os provoca, deixando-os enredar na sua própria confusão: o que não tem remédio remediado está, you´re own your own, baby, estou-me nas tintas e o resto que expluda para aí desde que os estilhaços não venham bater na minha janela. O meu lado misantropo dá-me muito jeito, às vezes. É uma equação simples: não podemos, nem devemos, controlar tudo só porque o nosso ego diz que sim e não queremos que nada nos escape. Em muitas situações, é preciso que as coisas fujam ao controlo de quem quer que seja; é como libertar o elástico de uma fisga, ou um truque de kung fu em que a força do ataque alheio é suficiente para lançar o adversário para fora do ringue com o mínimo esforço. 
 Também nunca entendi quem faz o possível, por simples teimosia, espírito de competição ou vaidade, para ver quanto tempo aguenta uma situação insuportável. "Eu lutei o mais que pude"..."eu ainda resisti x meses naquela situação"...masoquismo, anyone? Por vezes o nosso valor não se mede pela resiliência (olha a palavrinha da moda) perante circunstâncias extremas, e sim no golpe de vista que permite identificar uma situação que cheira mal desde o início, que não vai trazer nada que preste, e saltar fora dela quanto antes. Nenhum homem de negócios bem sucedido coloca tempo, dinheiro e esforço numa coisa que sabe à partida que será um péssimo investimento e na vida, como nos negócios, tempo é dinheiro. O poder sobre as situações tem o seu encanto - mas é preciso avaliar a  recompensa. É melhor reinar no inferno que servir no céu - facto. Mas uma coisa é reinar no inferno outra é ser um rei da sucata, por exemplo. Ter muito de uma coisa que não vale nada equivale a ter um negócio que só dá prejuízo. O melhor é trespassá-lo habilmente e seguir adiante. Sem pensar mais nos prejuízos causados, nas pendências que a Justiça não resolve, no ganhar ou perder - porque há coisas que são como os fregueses de lista (palavras de um merceeiro lá da terrinha): mais vale perdê-las  do que tê-las...

Thursday, June 13, 2013

E se fosses ao...Big Brother?

                                    
Ai não me fotografas??? Toma!!!!
                      
A semana passada uma menina minha amiga, muito baixinho para ninguém ouvir a sua má criação (mas má criação justa) disse uma das maiores verdades que tenho ouvido nos últimos tempos "Fulano de tal...devia ir *a uma certa parte* com um cestinho roto, para não voltar tão cedo". Não vos posso dizer como achei graça a esta singular forma de mandar alguém para determinado sítio, e de desejar que se demore por lá. 
 Mas como por mais que me apeteça não me cai bem mandar certas pessoas à...bom, à ...you know, lembrei-me de outra. Qual é o sítio mais detestável à face da terra? E o sítio que está mesmo a calhar para pessoas que se dedicam ao attention whoring, publicitando cada passinho que dão, cada minúscula distinção que lhes cabe, ou quando não lhes cabe, fazendo mundos e fundos para as arranjar? Que se matam por um aplausozito e que apesar de se fazerem muito respeitáveis gostam é de barraca, e de se rodear de gente vulgar? O Inferno? Não, meus queridos, diz que esse é debaixo da Terra. Falo do Big Brother, claro, que para mim é um cenário Dantesco mas para algumas pessoas está perfeito. É publicidade, notoriedade, celebridade, recortezinhos manhosos de imprensa para a posteridade, colegas com pinta de stripper, manchetes, é o ego nos píncaros pelos melhores ou piores motivos. O mais mau é que algumas destas pessoas são capazes de jurar que o preto é branco e que o branco é preto, e mesmo com "a Voz" ou lá quem é a jurar aos pés juntos "foi você que comeu o último iogurte, nós temos as imagens para o provar" eram bem capazes de inverter o cenário, e jurar que foi "a Voz" quem comeu o iogurte, a culpa é toda tua pá, não aguento tantas acusações e desatar ao pontapé a tudo, e tínhamos outro Marco (sim, até eu fiquei a saber quem era o Marco). Em todo o caso, ainda bem que fujo da televisão e dos reality shows como o Diabo da Cruz, não vá essa gentinha lembrar-se de se inscrever. Desde que não contem a ninguém que os conheço, bom para eles. Assim como assim, há seres que só estão bem fechados entre quatro paredes e bem vigiados.

Santo António, I love you


"Santo Antônio Pequenino, 
Amansador de burro brabo
Quem mexer com Sto Antônio, 
Ta mexendo com o diabo!"

(Popular brasileiro)


A minha ligação a Santo António é quase umbilical. Afinal, nasci na Paróquia de Santo António, fui baptizada na mesma Igreja da comunidade onde ele se tornou Franciscano, e o nome António (ou Antónia) repete-se a minha família há gerações. Uma das minhas birras é não me terem chamado Antónia, na melhor tradição romana ("filha de António"). É um nome lindíssimo e soa bem em português, inglês e numa data de outras línguas, embora me veja obrigada a reconhecer que Sissi Antónia ia parecer no mínimo estranho. Outra razão para eu gostar dele é que, como a maior parte dos Santos da minha devoção, não é propriamente um Santo "santinho". Não me perguntem porquê, mas tenho inclinação para os Santos guerreiros ou aguerridos: S. Miguel Arcanjo, S. Jorge, S. Sebastião, Santo Expedito, Santa Marta, Santo António. Talvez porque eu própria possuo, assumidamente que graças aos Céus de hipócrita não tenho nada, um lado bom e um...menos amoroso. Gosto das figuras ambíguas, como eu.


Santo António é único não só pela sua rápida Canonização (uma das mais céleres de sempre) que ocorreu menos de um ano após a sua morte, motivada pelos muitos milagres que lhe sucederam, mas sobretudo pelos feitos extraordinários que realizou em vida - alguns com sabor a lenda, outros confirmados pela Santa Madre Igreja. E não há nada a fazer, os Santos místicos têm inevitavelmente o meu apreço.


A sua grande bondade e a sua cultura só são superadas pelos prodígios que deixavam abismados os que tiveram a felicidade de privar com ele...ou a audácia de o desafiar. Reza a tradição que possuía o dom da ubiquidade, sendo capaz de continuar tranquilamente o seu sermão em Pádua, ao mesmo tempo que corria a Lisboa para livrar o pai de morrer injustamente na forca; que duvidando um marido ciumento de ser o pai de um recém nascido, Santo António fez o bebé falar, atestando a honestidade da mãe; que falando às autoridades da Igreja, cada um dos presentes o ouviu na sua própria língua, espantando o Papa.


Quando um jovem veio confessar-lhe, arrependido, ter dado um pontapé na mãe, Santo António terá desabafado "o pé que fez tão feia acção devia ser cortado!". O jovem ouviu aquilo e impressionado, ao chegar a casa decepou o próprio pé. A mãe aflita correu a chamar o Santo, que logo tratou de lho pôr no lugar, como novo. Menos sorte teve um fanfarrão que para testar Santo António, se fingiu de cego: colocou uma venda sobre os olhos e pediu-lhe que o curasse. Zangado, o Bom Frade retirou-lhe a venda...e os olhos vieram atrás, perante o horror da assistência - não me recordo se lhe voltou a colocar os olhos no sítio, mas o episódio retrata o carácter (humano, afinal) de Santo António, capaz de se encolerizar e de castigar, como todos nós. Por essas razões, a sua figura cercou-se de um riquíssimo folclore e caiu no carinho popular. Muitos milagres relatados já depois da sua Canonização são espantosos, mas dão-se perante as angústias dos fracos e os dramas do quotidiano. Conta a lenda que um pai arruinado tinha uma filha muito linda, e que o seu maior credor desejava, em troca o perdão da dívida, os favores da jovem; desesperada, a moça lançou-se aos pés da imagem de Santo António. Comovido, o Santo atirou-lhe uma das suas sandálias...quando lhe pegou, esta era de ouro e pedrarias. Assim saldou a dívida da família, livrando-se da desonra.


O fervor popular de portugueses, italianos e espanhóis espalhou-se para as colónias, e a devoção a Santo António propagou-se nas tradições mágico-religosas da diáspora Africana e não só. No contexto da Umbanda, Hoodoo, Santeria e outras é sincretizado com Ellegua, Exu (a divindade que abre caminhos, viaja entre mundos e pode simultaneamente, ser benévola ou cruel) ou Ogum, o Deus da Guerra. 


E como seria de esperar, ganha contornos menos ortodoxos...

A imagem do Santo, tão familiar, tão camarada, é mesmo alvo de brincadeiras, no intuito de o "obrigar" a fazer milagres: são muitas as "simpatias" que incluem virar o santo ao contrário, pô-lo de castigo ou fechá-lo num lugar desagradável, como o frigorífico, até obter o resultado desejado. Neste cenário livre e pagão, o seu nome é invocado para os mesmos favores que nos habituámos a associar-lhe (recuperar objectos, empregos ou amores perdidos, questões de saúde, fazer casamentos) mas também para mudar a sorte, abrir caminhos, trazer oportunidades, amarrar maridos ingratos e castigar inimigos. Um Santo com muitas faces, mas sempre poderoso e próximo de nós. Como não gostar dele?

A nobre arte da honestidade interior‏

                                 
Já falei por aqui da Verdadeira Vontade, uma ferramenta espiritual (ou mental, se quiserem...) essencial para acelerar o sucesso ou apressar a realização de um desejo, mas também para a nossa felicidade quotidiana. Identificar o que realmente queremos é meio caminho andado para o obter, mas é mais difíccil do que parece. No entanto, sentarmo-nos um bocadinho connosco e ter a  coragem de isolar e estudar a nossa vontade é um processo importante. Muitas vezes, não temos isto ou aquilo porque não sabemos onde procurar, mas se não sabemos o que procuramos não temos por onde começar, e vai-se lidando com o que aparece e adiando o mais importante. 
Agora, a bem da nossa realização pessoal e tranquilidade interior, convém que saibamos ser honestos, ao menos com o nosso Eu. Não custa nada parar de mentir a si mesmo (afinal, é a mais privada das conversas...) e estar em contacto com as próprias emoções e desejos. Ser um bocadinho hedonista às vezes facilita muito o processo,  resolve muitos conflitos interiores que são um atraso de vida. 
 Por exemplo, se está com uma vontade que não aguenta de comer um sundae de chocolate, por todos os santinhos, vá e coma o sundae. Não é um bocadinho, nem uma colherita, nem substituir o gelado por outra coisa: saboreie-o sem culpa, porque merece. Assim fez a vontade ao corpo no momento em que realmente precisava, e provavelmente não precisará de outro tão cedo. Os sundaes perigosos são os que se consomem porque sim, não aqueles que vêm preencher um desejo real, a Verdadeira Vontade (uma pequenina, mas pronto).
  E quem diz guloseimas, diz outra coisa qualquer. Uma vez preenchida a necessidade, caso arrumado. Ser honesto com as nossas emoções e desejos também impede que traumas ou mágoas se transformem em distúrbios mais graves. Se gosta de algo, assuma-o, ao menos para consigo. Se detesta alguém, se está realmente zangado, não seja hipócrita. Não somos obrigados  a ser sempre diplomáticos, a gostar de toda a gente. Ceda às suas vontades, mas só às verdadeiras. E como se distingue uma vontade verdadeira? É fácil. A Verdadeira Vontade não é um capricho. É uma presença real, irresistível, que parece ter todos os caminhos abertos para se proporcionar, que faz realmente sentido. E quando a seguimos (geralmente, quando conseguimos "limpar" a confusão e os desejos acessórios ou impostos por terceiros) todos os meios são facilitados. "O que é que realmente me apetece?'" é uma pergunta que devíamos fazer a nós mesmos todos os dias, agir de acordo e não nos contentarmos com substitutos. Don´t go for second best, baby.

Wednesday, June 12, 2013

Difamação, violência psicológica e coisas que já eram velhas na China do século XVII



"(...) às vezes bastam poucas palavras difamatórias para comprometer as boas relações entre duas pessoas que teriam todos os motivos para estar sempre de acordo. Pode tratar-se de um príncipe e do seu mais fiel ministro, ou um pai e um filho, ou um marido e uma esposa, ou um irmão ou uma irmã;  as coisas acontecem sempre da mesma forma. Uma insinuação maldosa de uma terceira pessoa pode trazer rapidamente o rompimento. Como poderia um fútil mexerico de alcova separar Hsi-Men da sua (...) esposa, mulher digna e acima de qualquer suspeita?"

 Lanling Xiaoxiao Sheng, Chin P´ing Mei (1610)

Gosto de romances de costumes. E este de que já vos falei, e que todo o mundo devia ler em vez das 50 Sombras de Não sei quem, está recheado de lições para bem viver (e de cenas para adultos, para quem aprecia). É acima de tudo um livro muitíssimo bem escrito, com personagens deliciosamente desenvolvidas (como a minha vilã preferida, a incompreendida Lótus de Ouro) e com reflexões que, como se pode facilmente comprovar, não passam de moda. Está claro que os mexericos, a difamação e a violência - inclusive a violência psicológica, que ao contrário dos mitos urbanos não é mais "fofinha" e "inofensiva" do que a física - sobre as mulheres têm hoje outro enquadramento. Nenhuma mulher, por mais firme que seja a sua personalidade, está livre de encontrar um Hsi-Men da vida ou coisa pior, que lhe transforme a existência num inferno, ou um apaixonado volúvel que acredite em tudo quanto o vento lhe traz, com consequências dramáticas. Mas os tempos são outros e os meios de defesa também, por muito que as coisas tristes não mudem com a paisagem, nem com o passar dos séculos.












A importância dos julgamentos (não tão) superficiais

                              
Tenho mencionado vezes sem conta por aqui a importância que dou ao instinto, aos sinais de alarme, ao profiling. Olhando para trás, e para uma das maiores e mais chatas argoladas que já cometi, confirmo e deixo o aviso: não importa o quão superficiais, parvos ou estereotipados os nossos julgamentos ou impressões pareçam. Muito menos importa a leitura  que os outros possam fazer, por sua vez, dos nossos julgamentos. Se parece errado, se temos uma sensação desagradável, por alguma razão é. E é arriscado (ou mesmo perigoso) deixar que nos convençam do contrário, com as velhas desculpas "que motivo mais superficial para antipatizar com alguém", "não é por aí que se avaliam as pessoas" ou "que antipático/ fútil/disparatado da tua parte". Há um grande perigo em  abafar as nossas primeiras impressões, que são as mais isentas, ainda não toldadas pela convivência ou outros factores que se vão avolumando. Ser "simpático", "tolerante" ou "polido" é um erro que se pode pagar caro.

 Porque são os traços fúteis, as pequeninas coisas, que nos dizem imenso das pessoas: do seu background (ou pedigree, se quisermos) da sua educação, das suas convivências, valores intrínsecos, personalidade e experiências de vida. Por muito que alguém possa querer fazer-se passar pelo que não é - copiando modos, gostos adquiridos, formas de vestir ou hábitos - são as pequenas preferências, os minúsculos tiques de linguagem, os hábitos insignificantes que as traem. E esses não se conseguem ocultar completamente porque estão demasiado enraizados, assentes em alicerces que quanto mais se escavam, mais medo metem. Logo, há que prestar atenção de início não ao que a  pessoa mostra, mas ao que ela revela sem querer. E o que se revela sem querer pode deixar escapar muita coisa: de um snobismo inofensivo e ingénuo (querer parecer mais do que se é) a problemas realmente graves. Muitos dos grandes males advêm de um desejo furioso de "subir na vida" e em todo o caso isso não costuma ser um bom indicador mas enquanto se tratar de, por exemplo, ter maneiras menos que impecáveis à mesa,  não é realmente grave: formalidades podem ser aprendidas. Valores e preferências enraizadas ..isso é outra coisa. E frise-se antes de mais que há por aí pessoas "simples" que são muito bem formadas, ainda que não sejam cultas ou sofisticadas. Vir de um meio "humilde" não implica necessariamente vir de um meio ordinário, nem ter hábitos "de bairro" - salvo seja.

 Por muito democrático, equalitário ou " espírito livre" que se queira ser, por muito que se viva e deixe viver, é preciso aceitar factos: há gostos que as pessoas bem formadas não têm, vocabulário que não utilizam nem mortas, raciocínios de malandrice e pulhice que não fazem, fronteiras que não lhes passaria pela cabeça ultrapassar, questões de gosto e de moral que não lhes são indiferentes e comportamentos/posturas/gostos que pessoas de valores não toleram: seja por serem moralmente ou socialmente duvidosas, seja por revelarem uma proveniência ordinária ou hábitos (desculpem lá o termo) reles. 
E se a pessoa à nossa frente, por muito requintada, sofisticada ou inocente que pareça, revela simpatia por tais coisas...algo não bate certo. Se alguém não vê mal absolutamente nenhum em, digamos, apresentar-se assumidamente em público com "senhoras" de aspecto suspeito com a desculpa "eu não julgo por aí; o hábito não faz o monge" perdoem a superficialidade, mas não estamos perante nenhum Bom Samaritano que não gosta de julgar. Se revela, com ar guloso, achar bonito tudo quanto é visual rasca numa mulher e não guarda isso para os momentos privados, tenham paciência mas não se trata aqui de uma pessoa que não percebe nada de moda. Eu convivo lindamente com pessoas que não entendem nada disso, mas uma coisa é "moda" ou "ter estilo" ou mesmo borrifar-se para isso tudo, outra muito diferente é ter decência. E por decência já não falo de "bom ar", mas no sentido literal do termo. Se convive maioritariamente com pessoas que não se coadunam com o perfil que pretende fazer passar, algo não está certo. (Diz-me com quem andas....). Um "mau gosto" aparentemente inofensivo pode ser um indicador de personalidade viciosa e rasteira e quanto a isso, meus amigos, não há lições que valham - a vontade vai sempre inclinar para esse lado. Outras pequenas coisas como a elasticidade moral, já mencionada recentemente - como uma infinita tolerância a esquemas ou trampolinices para ascender socialmente  são igualmente perigosas. Porque quem condescende, quem não impõe limites e não se respeita a si próprio, nunca saberá o que é respeitar os outros. Mas mais do que isto tudo, são as pequenas contradições em que as pessoas caem de início, como por exemplo "eu não vou ligar a fulano para dar os parabéns" e depois  anunciar que afinal o fez com a maior naturalidade, sem explicar sequer por que mudou de ideias. Quem mente nas pequenas coisas, não é de confiança nas grandes. E embora ninguém esteja livre de contar uma mentirinha de vez em quando, mentir em coisas parvas, sem importância nenhuma só porque sim, é um STOP bem grande.

O que nos impede, então, de cortar a convivência pela raiz, quando ela ainda é recente e pessoa não nos faz falta? O que é que nos leva a dar segundas chances? Por vezes, a curiosidade em saber mais, porque o jogo de aparências de facto engana ("mas é uma pessoa tão bonita, parece ser tão santinha, será que não foi só má impressão?", etc). Noutras,  é a culpa social. A  mania do século que nos foi imposta, de não julgar ninguém, cada um é como é, etc. Tudo bem, há que tratar todos com respeito, cada um é como é e não vamos mandar para um Gulag as pessoas que não são como nós, mas podemos escolher levantar-nos da mesa e não conviver com elas sem mais desculpas, sem mais análises e sem remorsos. Até porque, vão por mim - gente assim não tem remorsos de se aproximar dos outros com segundas ou terceiras intenções, nem de fazer o piorio se lhe der jeito. Sermos os bonzinhos de serviço nunca é boa ideia. E a vida ensina que por vezes é preferível passar por antipática (o), preconceituosa (o), extravagante ou francamente parva (o) a cair nas garras de gente sem escrúpulos. Assim como assim, a opinião de quem não é honesto não interessa mesmo. Venha a antipatia, any day.

Tuesday, June 11, 2013

Qual dama das Camélias, qual...

                                 

Equilibrar uma educação prática, a puxar para a assertividade (ou mesmo para uma certa fleuma) com um temperamento artístico e tempestuoso tem os seus quês. Adicione-se a isto uma paixão por tudo o que diga respeito ao século XIX (para não falar de épocas mais recuadas) e veja-se a complicação que foi ter, por um lado, o meu horror ao melodrama e ao "romantismo" barato (coraçõezinhos, frases feitas e luz de velas com saxofones como música de fundo tendem a enervar-me) e por outro, o fascínio por um tempo em que as senhoras desmaiavam, eram acometidas de febres emocionais provocadas por desgostos de amor, a morbidez ultra romântica estilo O Noivado do Sepulcro estava na moda e "entisicar" era encarado com pavor, mas também como afirmação de estilo. As meninas enchiam-se de pó-de-arroz, bebiam vinagre e petiscavam barro ou areia para ganhar um ar devidamente "consumido" e etéreo, a fazer lembrar a lânguida Dama das Camélias. 
A "peste branca" grassava por toda a parte e parecia preferir vítimas jovens, bonitas ou talentosas - Balzac, Chopin, os irmãos Brontë, John Keats, a Princesa Amélia, e tantas outras - o que associado a certos sintomas, como uma sensibilidade extrema, lhe conferia uma aura de glamour. As histórias de noivados desfeitos pelas garras da terrível doença eram muito comuns, dando origem a canções e poemas trágicos que celebravam as núpcias rompidas no auge da paixão pelo inimigo silencioso. Só com o auge da Revolução Industrial a tuberculose perdeu um pouco do seu dramático élan.
 Costumo dizer que nasci na época errada, mas que se calhar foi sorte porque se tivesse vindo ao mundo nesse tempo não havia de durar muito. O mais certo era acabar como heroína de um romance de cordel qualquer, vendido pelas esquinas. Não sou afecta a desmaios (creio para isso precisaria da ajuda do espartilho, como as senhoras da altura) com certa pena porque uma pessoa vê coisas que mais valia desmaiar logo e não pensava mais nisso. Em compensação, um dos meus poucos achaques é tiradinho de 1800 e pico: se tenho um desgosto, zás, já se sabe que a febre não tarda e não há médico que me acuda (foi sempre assim, é feitio e em pleno século XXI só conheço outra pessoa como eu, também ela dramática que chegue). E naquele tempo não havia Ben-u-rons nem nada parecido, era sofrer e fosse o que Deus quisesse. As doenças psicossomáticas eram bem mais ameaçadoras do que hoje, olhem lá a Luizinha d´O Primo Basílio.
      Claro que agora não tem o mesmo chic dizer-se, com os olhos em alvo e ar espiritual "tive uma febre cerebral, não vou trabalhar hoje...preciso de umas semanas a caldinhos e chocolate quente para me restabelecer". O mais certo é pregarmos um susto a alguém, sermos dados como maluquinhos ou pior, despedidos. Quanto mais uma senhora desmaiar; querem lá saber que desmaie, que é coisa associada a velhotas cheias de maleitas e não a jovens vigorosas, na flor da vida.  Em última análise as meninas de hoje já não sabem desmaiar com decência- o cenário inevitável era caírem com uma perna para cada lado, de boca aberta e olhos virados, uma coisa feia que só visto.
O sofrimento não é propriamente glamouroso nos dias politicamente correctos e com solução para tudo  que correm. Exceptuando a depressão, que já esteve mais na moda do que agora e que com a crise se banalizou o mais possível, ou a gota que ainda vai sendo a doença dos lordes, não há espaço para badagaios elegantes. Experimentem lá dizer "oh Meu Deus, ando tão desgostosa, sinto-me a morrer por dentro, a entisicar". Tão correcto como eu estar aqui, pensariam que moravam nalgum lugar infecto, mandavam-vos, literalmente, desinfectar e tomar uma carga de antibióticos, que graças a Deus a tísica hoje tem cura nos países desenvolvidos. Valha-nos que se descobriram os malefícios do sol e a pele pálida, se não ficou "em voga" pelo menos tornou-se aceitável. Claro que estadias prolongadas em Itália ou na Madeira, para "refazer forças" estão um pouco fora de moda para o comum dos mortais (e mesmo para os outros: a vida é cada vez mais frenética e há pouca paciência para passar um Verão inteiro no mesmo sítio). O nosso século pode ser mais saudável (se descontarmos certas "modas" excessivas no que respeita à forma física) mas também muito mais sem graça. Claro que podemos sempre evocar, numa vibe gótica, o romantismo do século XIX, mas não tem a mesma piada. Tragam-me lá o caldinho, ou já não sabem o que isso é, ao menos?


Notícias escandalosamente boas...


                       
...aceitam-se. Daquelas que nos espalham adrenalina pelas veias e nos deixam num estado de felicidade imparável, com uma certa sensação de culpa, vulgo " o mundo anda como anda e eu para aqui toda contente". Essas mesmo. Quero estar tão feliz que seja indecente, obsceno, ostensivo, que meta nojo às almas. Como quem procura acha e eu não gosto de deixar créditos por mãos alheias....fingers crossed.

Monday, June 10, 2013

Só a mim, só a mim, só a mim.

                            
Ter um passeio planeado, fazer toilette, sair toda contente....e apanhar um susto daqueles que Deus nos defenda com uma pessoa de família, chamar o 112 e ir passear sim,  mas de ambulância (uma ambulância que já conheceu melhores dias) para o Hospital, a chorar que nem uma Madalena....E em cima de tudo ainda ter , depois de passado o susto, médicos simpáticos a fazer-nos a corte. Realmente, não há como uma mulher vestir bem e chorar bem. O papel de donzela indefesa nunca falha; fica a confirmação, se dúvidas houvesse. Mas no estado de pânico em que me encontrava, não ia dar por nada nem que o dótor que nos coube em sorte (e que muito gentilmente se ofereceu para chamar alguém da psiquiatria, quando viu tanta lágrima) fosse o Dr. Chase ou coisa assim. Com  tudo isto, os posts que tinha pensado para hoje terão de ficar para o dia seguinte. Tomorrow is another day. E há que dar graças por isso, e pelas coisas que são realmente importantes. Tudo o resto, colocado perante um susto assim, é reduzido à sua insignificância.

Sunday, June 9, 2013

As coisas que eu ouço: telemóvel?

                          
Uma senhora de certa idade, minha amiga, tem por hábito atender o telemóvel quando o rei faz anos. Há dias, precisando nós de um recado que ela tinha para nos entregar e não a encontrando em casa, tentámos, tentámos e tentámos telefonar-lhe, sem sorte. Só nessa noite - quando lhe ligámos para o número fixo - conseguimos contactá-la.

- Então, D. X, que se passou, que nunca nos atendeu?

- Ah...é que tinha deixado o telemóvel em casa, e tinha saído...

- Mas então...o telemóvel não é para andar consigo, até para o caso de acontecer alguma coisa?

- Bom...mas é que se o trouxer para a rua, perco-o! - respondeu, toda convicta da sua lógica.

Realmente...diferentes gerações têm ideias bem díspares quanto ao uso a dar às engenhocas do nosso século. Se o telemóvel só serve para estar em casa, para que o quererá a senhora? Para o acrescentar aos 1001 bibelots que já lá andam? Para trocar SMS com as amigas enquanto vê televisão no sofá? Cada uma...


Frase genial do dia

                        
Vá lá, eu sei que prego imenso contra a partilha de coisas parvas que para aí pululam nos facebooks da vida, e regra geral limito-me às citações de Sun Tzu, Maquiavel e meia dúzia de mestres escolhidos. Mas ter uns quantos amigos de paragens exóticas com uma espiritualidade muito própria (o Caminho da Mão Esquerda tem os seus encantos, e eu não estudo para santa...) dá-me acesso a algumas páginas que primam pela honestidade, criatividade e espírito, três das coisas que mais aprecio neste planeta. 
 E como a honestidade é uma coisa rara, o que mais há para aí são pessoas que nos apresentam um lado muito bonito mas só depois da explosão se dar, quando se faz o controlo dos estragos, é que começamos a conhecê-las. É no rescaldo (com o arremesso de culpas, as discussões que duram mais do que a parte boa, as vinganças mesquinhas e as tentativas vãs de perceber que raio foi aquilo) que se conhece realmente a personagem. Não há nada como um posto seguro de observação: para reflectir, e para o resto.

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