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Saturday, July 27, 2013

Em sérios riscos de me tornar uma maluquinha do eBay, salvo seja.


A minha conversão às compras pela internet é recente, mas tenho ficado satisfeita. Claro que cada consumidor poderá aderir a esta modalidade por razões
 diferentes: pessoalmente, as minhas motivações são a raridade e qualidade. Considero-me uma compradora parcimoniosa e sensata; dificilmente consumo por impulso, e procuro pensar holisticamente na hora de sacar do cartão, ou do porta-moedas. A tudo - livros, cosméticos, jóias, maquilhagem, etc - aplico as minhas boas regras do smart shopping...sendo que a primeira de todas é só trazer para casa aquilo que acrescenta valor e/ou tem utilidade a curto ou longo prazo, sendo sempre de boa qualidade e com apreciável valor-por-uso. Um produto pode sair barato, mas se for raro, é um luxo...logo, vale a pena.  Acho que o risco (por mais seguro que o site seja, fico sempre um pouco apreensiva) e o trabalho da busca só compensam para adquirir coisas que não encontro tão facilmente, ou pelo mesmo valor, por outros meios. 
  Apesar de ver muitos testemunhos de compradoras no eBay pela blogosfera, o conceito sempre me pareceu algo confuso. Mas negócio é negócio e lá me convenci a tentar esta nova forma de fazer aquisições. Agora estou a ficar bonita: toda contente quando ganho um leilão (eu diria que é masoquista ficar contente por uma coisa dessas, mas a economia tem de avançar) a desenvolver a raivinha de estimação à idiota que lá onde Judas perdeu as botas se atreve a licitar sucessivamente mais do que eu por uma coisa que eu quero mesmo, no firme propósito de me chatear - e a planear estratégias para fintar a concorrência; a ganhar ódio aos vendedores parvos que têm a mercadoria que eu procuro mas "só enviam para o Japão, Austrália e Estados Unidos" (porquê, por Júpiter, porquê??? Haviam de encontrar muitas cascas de banana no caminho ao longo da vida, malvados). Acredito que estas emoções exageradas fazem parte do entusiasmo de principiante, que vocês já sabem que sou old fashioned e demoro um pouco a aderir a modernices. Estou certa de que passará e em breve estarei a tratar disto com frieza e esperteza de caixeiro. Mas entretanto, meninas e meninos experientes nestas andanças, tenham a bondade de partilhar comigo as vossas dicas e testemunhos. Afinal, quem tem boca, vai a Roma...quem não sabe, pergunta, etc.

Friday, July 26, 2013

É preciso dizer que adoro esta mulher? Perdão, Dama.

                     2011
Que também faz anos, e a quem a Vogue Portuguesa presta uma merecida homenagem. Gira, sexy q.b, cheia de joie de vivre, com uma silhueta e um estilo que tomariam muitas meninas de vinte. Uma senhora, portanto. E olhem que não é fácil entrar em produções como Calígula e manter um imbeliscável estatuto de senhora. Quem pode, pode. O vestido cinzento Vivienne Westwood (acima) que usou nos Oscars em 2011 é apenas um dos muitos da sua colecção que eu não me importaria de copiar indecentemente. E já agora pedia-lhe umas lições, porque tem de haver algum segredo para parecer divina a caminho dos 70. Way to go, Dame Helen Mirren.

Happy B-Day, Sir Mick!




Por chegar os 70 anos, tendo passado por algumas das épocas mais fabulosas de sempre, e manter um bom ar - de rockstar, é certo, mas bom ar na mesma - incrível.

Por ter sido casado com dois ícones de moda incontornáveis: Bianca Jagger e Jerry Hall, tornando-se por sua vez pai de três lindíssimas it girls: Jade, Lizzie e Georgia May Jagger. (O devaneio com a aventureira de terras de Vera Cruz foi feio, mas uma pessoa desculpa. Afinal, é de Mick Jagger que estamos a falar, e até um deus do rock faz disparates). 

Porque por vezes, uma pessoa fica mesmo Out of Tears. E é verdade que You can´t always get what you want, mas...sometimes, you get what you need. E e às vezes, como somos humanos, temos uma certa Sympathy for the Devil. Como se não bastasse, o tio Mick escreveu uma das minhas canções de amor preferidas: Old Habits die hard

Porque continua a fazer escola. Luminoso como só os filhos de Leão sabem ser. Nunca passa de moda. Porque nobody Moves Like Jagger. Digam o que disserem. Happy B-day, Sir Mick.


Da "barriguinha" da Duquesa


Eu que ando sempre a leste do paraíso  e que  - apesar das minhas simpatias e amor à tradição - não tenho a mínima paciência para os sururus que se seguem ao nascimento de um "bebé real"não me tinha apercebido que pela blogosfera se comentava apaixonadamente o trajar dos Duques de Cambridge à porta da maternidade, tão pouco a barriguinha saliente de Catherine Middleton.   Isto porque todos os bebés se parecem, pelo que tanto faz ser o futuro Rei de Inglaterra como o filho da senhora da mercearia, e por não se falar de outra coisa quando uma destas crianças vem ao mundo, o que é francamente maçador.  Quanto à simplicidade, nada a dizer. Pese embora a obrigação inerente a mostrar o recém nascido o momento não era de grande formalidade, nem se pretendia que assim fosse - eram escusados muitos arrebiques. Haverá outras situações para isso. Pessoalmente (não estou certa quanto ao que o protocolo recomenda nesta circunstância específica, e tenho sinceramente preguiça de ir procurar aos compêndios) achei  prematuro que a jovem mãe aparecesse assim de repente, com o pequeno a apanhar poluição e aragens e o aspecto de quem estava a fazer um grande esforço para se manter de pé . Não sou especialista na matéria mas dez horas em trabalho de parto não são brincadeira nenhuma. Muito bonita estava ela...nada a apontar.  Quanto à "barriguinha" há aqui dois pontos:

- Muitas mulheres, embora não todas como certas defensoras de que "ser mamã é desculpa para tudo" querem fazer crer, mantêm alguma barriga logo a seguir ao parto. Varia de pessoa para pessoa, mas é normal. E o papel de uma Duquesa, apesar dos vestidos bonitos, etc...não é exactamente ser um ícone de moda (embora isso possa vir por acréscimo) nem fomentar ideais de beleza impossíveis. É fazer o seu trabalho e dar bons exemplos, ponto. Logo, a sua obrigação não seria aparecer esbelta como se nada se tivesse passado. 

- Mas vamos devagar com o politicamente correcto, está bem? Usar uma boa cinta, que segure tudo no lugar, não só se recomenda esteticamente  como é aconselhável em termos de saúde. Para ser franca, fez-me alguma impressão vê-la levantada e com toda aquela zona a notar-se - até o umbigo algo dilatado, o que nunca é bonito de se ver. Um tecido mais espesso, ou um casaquinho solto como usou enquanto esteve de esperanças, teriam dado um ar mais composto. Simplicidade com certeza, mas há que salvaguardar a dignidade que o momento exige. Ou seja, não é que ficar um bocadinho barriguda seja algum sacrilégio, mas também não é preciso exibi-la...just my two cents here.


Sabemos que a humanidade vai péssima quando...

                                        

...os nossos sapatos nos merecem bastante mais consideração do que algumas pessoas. Ao menos são bonitos, elegantes, fiáveis, estão caladinhos, não fazem mal a ninguém e dificilmente nos atraiçoam. O pior que nos podem fazer é torcer-nos um pé na calçada portuguesa, mas isso é culpa nossa que os levamos para lá sabendo que não é boa ideia. Entre viver rodeada de péssimas pessoas ou de excelentes sapatos, não olho atrás nem adiante.  Depois, os humanos desagradáveis só em caso extremo nos ocupam o pensamento: já com sapatos elegantes, o caso é outro...quem nunca perdeu o sono por um par de pumps fabulosos, que atire a primeira pedra. (Os cavalheiros escusam de responder a esta, mas percebem a alegoria, certo? É só substituir "sapato" por carro, futebol ou coisa que o valha).

Justiça pouco poética

     

O pobre gato não sabe por onde anda e aterra debaixo dos meus pés. Piso o desgraçado, que fica triste e ofendido que só visto. Corro a casa toda na tentativa de o consolar enquanto ele foge de mim, coitadinho, coitadinho do gatinho. A mãe (minha e por adopção, do gato) pergunta que cena é aquela. 
 - Pobrezinho do Farinelli...pisei-o sem querer.
 -  Paciência...mas é bem feito! Ainda há pouco me mordeu, e foi de propósito!

Sempre achei que se o karma existe, nós somos muitas vezes o instrumento dele. Ser assim a "Mão de Deus" ou o "instrumento da Justiça Divina" como se diz nos livros e nos filmes quando é preciso uma desculpa para desancar o mau da fita como se não houvesse amanhã sem parecer mal. Mas se é assim, prefiro exercer o karma de gente realmente má. Then again, como o Universo fala por sinais, às tantas foi-me atribuída a tarefa de justiceira e eu não dei por nada. Preparem-se, inimigos da verdade e da justiça! A vossa hora vai chegar! (Ou outra frase à super herói que entendam...).

Thursday, July 25, 2013

Da forma como uma mulher caminha (Ó Eça, venha cá ver isto!)

Audrey Hepburn e Grace Kelly

"(...)Nada mais significativo que o seu modo de andar; veja-se o andar de uma inglesa, firme, direito, acentuado,  sereno, prático; sente-se a saúde, a personalidade bem afirmada, a coragem, os instintos positivos. Veja-se o andar de uma menina portuguesa, arrastado, incerto, balançado, hesitante, mórbido: 
sente-se a indecisão, a fraqueza e a incoerência."

Eça de Queiroz (sobre as meninas de Lisboa) in Farpas

Se Eça viesse ver as portuguesas a caminhar em 2013, ficaria surpreendido...ou não. A postura correcta e o andar elegante foram dois tópicos que fizeram por me obrigar a absorver desde muito nova (e ainda bem, porque se numas coisas sempre fui muito feminina noutras era uma verdadeira maria rapaz). Livros em cima da cabeça, disciplina militar e uma professora de ballet que impunha respeito ao mais afoito ajudaram a moderar essa má tendência -  afinal, só há uma coisa mais feia do que uma rapariga que se mexe como um torpedo, ou que anda por aí a corcovar: é o terrível hábito de abanar as ancas. Mas já lá vamos. 
    Hoje, poucas coisas são tão importantes para mim, ao apreciar (porque nós, mulheres, temos a tendência inata de nos avaliar umas às outras com mais ou menos simpatia) a beleza e a classe de uma mulher como o seu porte e a forma como se move. E talvez essa postura perfeita me chame tanto a atenção por não ser, infelizmente, a norma, tanto nas mulheres na casa dos 20/30, como nas adolescentes. 
   Creio que o andar incoerente e preguiçoso que tanto irritava Eça foi substituído, no nosso tempo, por por três fenómenos:

- As meninas que caminham como rapazes, mercê do hábito dos ténis;

 As meninas que caminham como rapazes, mercê do hábito dos ténis, mas que decidiram, de repente, usar saltos vertiginosos ou pior ainda, tacões "confortáveis" que permitem, passe a expressão, galopar sobre andas;

- As meninas que usam saltos assassinos mesmo durante durante o dia - lamentavelmente acompanhados dos trapos inenarráveis (hotpants, leggings e por aí fora) - que tenho massacrado muito por aqui. Meninas essas que balançam as ancas e o derrièrre quando andam, numa tentativa pateta de chamar a atenção. Isto mercê das Rihannas, das Beyonces e Shakiras, dos brasileirismos pouco recomendáveis, das kizombadas, latinadas e de outros terrores que se banalizaram. Se no tempo das nossas avós o ideal de beleza era Grace Kelly ou Elizabeth Taylor, hoje os exemplos são outros...
   Diz-se curto e brutalmente lá para as terras dos meus avoengos, Cuannu ‘a fimmina camina e u’ culu ci abballa, si nun è buttana, falla” ...ou seja, "uma mulher que balança o traseiro quando anda, se não é uma prostituta, anda lá perto".  Exagerado, próprio das perspectivas algo machistas de outros tempos, mas com um fundo verdadeiro: a genética feminina, ajudada por um bom par de sapatos, já nos dá todo o requebro necessário; é escusado e ridículo tremelicar por aí, dando uma imagem pouco abonatória a quem passa. 

Dito isto, parece-me que o grande autor se queixava não sabendo que vinha por aí muito pior: o espartilho podia esborrachar a figura grega que ele tanto admirava, sufocar a vivacidade e tornar as mulheres murchas, mas ao menos mantinha as costas direitas e tudo no lugar. Quanto aos saiotes, caudas e criolinas, já nem falo: muito gostaria eu de ler Eça a pronunciar-se sobre os mini calções!







Wednesday, July 24, 2013

As coisas que eu ouço: estado de sítio

                         

Uma rapariga com muito bom ar, numa estação de serviço para quem a quis ouvir: não sei o que faça à minha vida. O meu ex namorado é um flagelo da humanidade! O meu trabalho dá comigo em doida!  A minha mãe tem a mania que é zen, a minha melhor amiga é hippie, o pai ainda acha que manda em mim, estou apaixonada por um homem que é um terror, o meu irmão é ranzinza, o meu melhor amigo está à beira de um fanico e os meus parentes apunhalaram-me pelas costas. 

(E isto resumido, que eu não gosto de decorar detalhes da vida dos outros...)

Minha querida: de mulher para mulher, aqui no Imperatriz que ninguém nos ouve, só lhe posso aconselhar o que eu própria faria, porque às vezes o caos instala-se mesmo na nossa  vida e mais vale esperar que passe sem se afligir muito, que isso é péssimo para a pele. Pegue-se com Deus Nosso Senhor e entretenha-se com o seu armário, assim sempre relaxa. Não sei quanto a vocês, mas quantas mais chatices aparecem mais a minha imaginação voa para disparates, que se eu fosse a escrever tudo o que me passa pela cabeça a mil km/hora isto até parecia um egoblog "de moda" com "quero isto, quero aquilo" todos os dias, Vade Retro Satanás. Deve ser um mecanismo de defesa para não estourar os neurónios ou coisa assim. 


Tenho para mim que...

                                          
...cozinheiros que estragam o arroz doce pondo-lhe baunilha, ou o leite creme acrescentando-lhe limão mereciam ter um badagaio quando se aproximassem da panela. Pior, só quem põe erva doce em tudo, que se há erva aromática que não tem piada nenhuma e camufla os sabores todos é a erva doce, eu acho. Não há paciência para gente que não sabe que em equipa que ganha não se mexe. Vai uma pessoa a contar com uma coisa e sai-lhe outra? Não há imensas receitas para aí que levem limão, baunilha (e eu gosto de baunilha, atenção, mas não no arroz doce que é suposto saber a leite e não precisa de mais misturas) para se entreterem? Nada contra "a doçaria de fusão" mas desvirtuar o creme brulée tradicional, ou o arroz doce que é arroz doce desde o princípio dos tempos não se faz. E isto sou eu que não me perco por guloseimas, que faria se perdesse...

Quando precisar de um vestido frufru, já sei qual hei-de escolher.

Zac Posen, Primavera 2013

As ocasiões de usar um verdadeiro vestido de noite são cada vez mais raras, nestes tempos desgovernados em que pouca gente, e poucos locais, se dão ao trabalho de cumprir (ou fazer cumprir) o dress code. Por vezes, nem a passadeira encarnada escapa. E se falarmos num vestido de baile ou de gala, as oportunidades de usar algo tão dramático ficam ainda mais reduzidas. Eu sou uma rapariga de vestidos, logo não me faltam vestidos de noite, cerimónia e cocktail (estes são os mais comuns) e já tive a oportunidade de usar algumas criações realmente bonitas no que toca a traje formal (um dia mostro-vos um retrato com aquele que me tocou mais a alma...long story). Mas ainda não tive necessidade de algo tão...bom, espampanante, até porque a linha que separa o espectacular do piroso é *um bocadinho* ténue. A minha ideia de algo dramático, impactante e realmente fabuloso é mais ou menos o que aparece em Cannes, não mais. Tecidos consistentes e algo pesados, brocados, alfaiataria perfeita, cores sólidas, nada muito esvoaçante. Mas caso a necessidade de um fru fru com tule e musselina se apresente, o meu ideal é este Zac Posen. A delicadeza da cor, a mestria do corpete, o piscar de olhos com uma reviravolta ao século XVIII, o aspecto feérico. Às vezes é preciso desligar o lado racional e apreciar a beleza pelo que ela é. Pessoalmente, usá-lo-ia apenas com uma cuff: um vestido assim é uma jóia tão grande que não precisa de mais nada. 

Monday, July 22, 2013

Este post vai auto destruir-se em 40 segundos. A tua missão começa agora. Good luck, Sissi.



Parece-me que a próxima semana terá algo de filme do 007, ou de um episódio de Os Anjos de Charlie. Tinha-me preparado para comparecer descansadinha a alguns compromissos. Mas eis que aterra para os nossos lados uma personagem a quem tenho forçosamente que entregar um chip ultra secreto. Não há mais nenhum agente disponível para desempenhar a missão. Estamos em contra relógio. E ninguém, nem o meu contacto, nem a entidade que tutela o meu assignment,  sabe ao certo qual o itinerário da pessoa - nome de código, O Sombra. Tenho de o localizar e assegurar que a informação lhe é entregue sã e salva - o destino do planeta e a paz mundial dependem disso -  enquanto cumpro escrupulosamente o resto da agenda. Por isso, se virem por aí uma rapariga a correr de vestido de noite e saltos de 10 cm, a saltar de uma moto para um camião, devidamente acompanhada da banda sonora da Missão Impossível "ta-ta-ta-ta-taa-taaaaaam tam tam tam, tiririiiii, tiririiiii"... já sabem de quem se trata. Se eu não vos disser olá, não estranhem: a missão não pode ser posta em risco por nada. The World is not enough...quem é que foi o esperto que se lembrou desta? 

Brilhante conclusão do dia: o que acontece nas redes sociais...

A Liberdade é muito relativa. 
     
...ou nos blogues, ou em qualquer outro formato, não é como o que acontece em Las Vegas. Ou seja, não fica ali paradinho, esquecido. Lá por estarmos numa plataforma virtual, não quer dizer que o velho adágio " a flecha atirada, a oportunidade perdida e a palavra dita não voltam atrás" caia por terra. Meaning, porque uma senhora deve sempre querer dizer exactamente o que diz, que ao publicar um post, ou status, ou conteúdo, somos responsáveis por ele - e estamos sujeitos a opiniões, a impressões, a julgamentos. Este blog é meu, não é uma democracia, eu aqui sou a patroa, etc, etc - certo. Tenho dito isto várias vezes e não retiro uma vírgula. Cada vez mais, pelo número de amigos, bloggers e visitantes que têm a gentileza de se associar a ele, o IS é de todas as pessoas (fofas e respeitáveis, bem entendido) que gentilmente cá param, mas não nos enganemos: a responsabilidade do que aqui se escreve é minha e só minha. Suponhamos que um dia, num rasgo de parvoeira que espero que nunca me aconteça porque me tenho por uma rapariga ajuizada, ofendo deliberada, clara e inequivocamente alguém, como tem acontecido a outros bloggers. Ou inadvertidamente, mas citando nomes. Vou culpar os leitores? Pois claro que não. Um líder, ou um responsável de qualquer coisa, nem que seja de um blog como este, assume o que faz/diz/escreve para o bem e para o mal. O blog é isso mesmo: um lugar para partilhar devaneios, crónicas, estorietas e anedotas do dia a dia. E mais adequado a isso do que formatos mais leves e mais pessoais, onde os nossos amigos não têm a opção de escolher abrir ou não abrir uma página, levando com um status que lhe pode ser desinteressante, agressivo ou desagradável pelos olhos dentro. Mas nem por um segundo nos devemos iludir que lá por o blog ser nosso, não estamos sujeito ao julgamento alheio. A partir do momento em que tornamos algo público (seja um texto, um retrato ou outra coisa qualquer) estamos sujeitos ao aplauso e à crítica, que até pode ser infundada ou disparatada. Podemos desactivar as opções de comentários, podemos retribuir a alfinetada respondendo ( valha-nos que a cobardia da internet não passa impune, temos sempre a opção de dizer "você é um asno! Um verdadeiro cepo! Vá para o diabo que o carregue e não volte mais aqui, etc" ") podemos ficar muito chateadinhos, injustiçados e melindrados, mas o poder de dizer coisas tem o custo de poder ouvir coisas
 Logo, é infantil e disparatado ver o blog, ou uma rede social, ou qualquer formato onde se diga da nossa justiça, como um diário secreto que foi roubado, lido e criticado em público. Se não escrevemos só para nós, não podemos contar com o conforto da nossa opinião isolada, ou da opinião de pessoas escolhidas que concordam connosco. Ou haverá pessoas que adoram o poder de ventilar cá para fora, mas esperam que o mundo esteja de acordo com tudo o que se lembram de dizer, nem que seja o pior disparate? Que eu ainda vou defendendo até à morte o direito de cada um dizer as asneiras que lhe passam pela ideia, mas defendo igualmente o meu de dizer " isso é a maior parvoíce que já ouvi". A liberdade tem disto - além de ser desculpa para tudo, é sempre chata quando está na mão dos outros.

Eu embirro com...Conselheiros Acácios.




É a segunda vez numa semana que o Conselheiro Acácio, esse chato de marca maior do imaginário Queirosiano, é mencionado por aqui. Tenho-me lembrado dele por estes dias, porque para mal dos meus pecados há muitos: gente pouco brilhante, de um convencionalismo tal que só dá nas vistas pela maçada que provoca,  que faz da mediocridade apanágio, que dá mais valor à forma do que ao conteúdo, que adora "meter palha", ouvir-se a si próprio, fazer perder tempo aos outros, que fala, fala, fala (ou escreve, escreve, escreve) sem dizer nadinha que se aproveite e que mete colherada em tudo quanto seja "assunto de interesse público" para não acrescentar uma vírgula que interesse. Alguém disse que Deus deve gostar de medíocres, porque fez imensos - e como os medíocres são uns asnos, uns burros vestidos cujo único talento é dar graxa, acabam sempre por prosperar, se forem espertos e não questionarem o status quo. Claro que um Acácio raramente questiona alguma coisa: faz monte, faz coro, sempre com palavras "bonitas", caras e incompreensíveis, para parecer que o discurso tem alguma qualidade, que é erudito. Não fala, papagueia. Na escola era aquele colega irritante que decorava tudo e dizia a tudo que sim, para agradar, mas que era incapaz de criar fosse o que fosse pela própria cabeça.
 Podia descrever aqui os vários tipos de Acácio que conheço (o acácio político, o acácio doutor, o acácio alpinista, o acácio inócuo, o acácio chico esperto, o acácio malvado e por aí vai) mas essa não é a minha intenção. O acácio, qualquer acácio, é sempre um pseudo: pseudo intelectual, pseudo escritor, pseudo de esquerda, pseudo monárquico, pseudo bem, pseudo rebelde, sempre de acordo com o que lhe dá jeito.  E é muitíssimo dado a salamaleques, coisa que abomino. Talvez soe estranho, já que insisto tanto na tecla das "boas maneiras" e dos valores tradicionais, mas haja tino: uma coisa é a  necessária formalidade que determinadas ocasiões/ambientes/pessoas/circunstâncias exigem; a educação, o respeito que é devido. Outra é a babujice, a pretensão, a vénia, que se manifesta tanto na bajulação que soa a falso, como na moda de escrever textos  supostamente profundos, poluídos por vocabulário bacoco e peneirento. Na China Antiga, media-se a qualidade de um mestre-escola ou escrivão pela capacidade de camuflar ao máximo um texto com metáforas, alegorias, figuras de estilo e lugares comuns, de modo a tornar o conteúdo incompreensível. Também havia vénias para todas as circunstâncias e quanto mais educada uma pessoa era, mais depressa se caracterizava como "humilde" ou "indigna". Era uma forma de mostrar respeito - outra cultura, outro tempo, outro paradigma. Mas nos tempos que correm, dispensa-se tanta "chinesice". Gosto tanto de gente que fala claro, escreve claro e está à vontade em toda a parte, sem servilismo nem atrevimento, que quando vejo alguém assim lhe voto logo a minha simpatia. Uma coisa é ser old fashioned, outra muito diferente é ter mofo e cheirar a naftalina. 


Sunday, July 21, 2013

Must haves de Verão muitíssimo recomendáveis



Isto de fazer listas de must haves, independentemente das tendências e da imparcialidade que queiramos ter, é sempre algo tingido pelas preferências individuais de quem escreve. Ainda assim, atrevo-me a frisar que as peças seguintes vão dar um jeito enorme para estes meses (e um bocadinho mais além).

A Statement Skirt 

                                           

O tema das saias já foi abordado várias vezes por aqui. Alegra-me que  tenham vindo para ficar e com abordagens frescas, que muitas vezes fogem ao convencional. Gostaria de ter tempo para elaborar toilettes com todas as que tenho, porque as opções são realmente infinitas! O mais interessante é que são permitidos todos os formatos: lápis, balão, linha A, túlipa, com folhos, para o dia ou para a noite em tecidos brilhantes ou com aplicações....o que importa é que tenham impacto suficiente para conferir carácter a todo o visual. 

Carteira de verniz 

                                                   Celebrity-Inspired Ways to Update Your Office Wardrobe for Spring
Não é uma clutch, mas é o tamanho que se segue. Uma satchel bag ou carteira pequena em verniz - lisa ou texturada; pessoalmente adoro o efeito pele de crocodilo - empresta um chic instantâneo ao visual.  Sou suspeita porque tenho uma certa paixão por carteiras pretas de verniz, mas talvez por isso recomendo a aquisição. Não só são elegantes e leves (algo muito importante...ninguém quer andar bem arranjada e com as costas tortas e doridas) como permitem uma grande versatilidade: podemos usá-las durante o dia, de jeans, para um ar "simples mas polido" ou numa saída que exija um look smart casual (tudo o que não se preste a clutches de cerimónia, portanto). 

Stilettos
Não há muito a acrescentar ao que tem sido dito - há que arranjar uns, seja comprando novos ou reciclando os modelos de 2000 e bolinha. Vão estar em toda a parte, alongam as pernas e dão um aspecto de delicadeza e sofisticação a qualquer fatiota.

Casaco curto (varsity, casaquinha, perfecto)

Zara oriental bomber jacket, £119Jaeger suede biker jacket, £399

Para além dos blazers, que já se tornaram indispensáveis, os perfectos (até em tons pastel) as casaquinhas estilo Chanel e os varsity jackets associam-se a diferentes looks: os modelos clássicos tomam um aspecto rock n´roll e os mais desportivos assumem uma nova elegância, combinados com saias lápis, saltos delicados e padrões femininos. É tudo muito estranho, inesperado, mas divertido e o mais cool possível. *

*Faz como eu digo, não faças como eu faço: ainda não pus em uso nenhum dos meus varsity jackets. Mas juro que é por esquecimento!






Manias "de pobre", salvo seja.



Conta a Sábado que agora é moda, num dos bairros mais pobres do Reino Unido, os jovens alugarem grandes bólides - Ferraris, Bentleys and so on - para os seus bailes de finalistas, com o propósito de "chamar a atenção". Chamar a atenção para o contraste entre as suas vidas reais e uma noite de extravagância, só pode. Digo eu que isto será uma versão low cost (salvo seja) e mais preocupante do efeito MTV  - horrores como " My super sweet sixteen" tinham de dar nisto -  e que só espero bem que a ideia brilhante não pegue por cá. Nada contra alugar um carro específico para uma ocasião especial: o que só se usa uma vez, se não é algo muito pessoal, pode perfeitamente ser alugado. Nunca me esquece um senhor do Porto, que com a maior simplicidade me disse "vou trocar o jeep por um Mercedes porque parece mal ir assim aos casamentos!". A muitos casórios devia ele assistir!  E se calhar, para quem está no desemprego, dar uma volta num Ferrari até pode ser uma boa estratégia de motivação, de mudar perspectivas, de ver o mundo com outros olhos. Tudo é possível. Mas ostentação é outra coisa. E se cai mal em quem tem meios, muito pior fica em quem passa necessidades. Tenho para mim que nunca foi tão urgente educar para o gosto,a qualidade, a singeleza, e menos para o materialismo feroz, que reza "tudo o que reluz é ouro". É certo que isso será esperar muito, já que brilhar discretamente é apanágio de quem recebeu determinada educação, mas olhemos para outras épocas, em que o "pobrezinho mas honradinho" ou o "simples mas de boa qualidade" eram a norma em casa das famílias de maiores ou menores posses. Creio que a crise, se outra virtude não tem, está a obrigar toda a gente a uma certa modéstia e reflexão acerca do que realmente importa - a forçar um certo "chic pauvre" que se não se cair no miserabilismo nem na sovinice, é bem mais gracioso do que a extravagância grosseira. 
 Este exemplo é um extremo, claro, mas vêem-se por aí coisas igualmente feias e o que é pior, cometidas sem moderação: a carteira contrafeita, o estourar de cartões de crédito para disparates que não se podem pagar, o fotografar do sushi, a compra de roupas de três e quatro zeros quando se vive única e exclusivamente de um ordenado que não é tão redondo como isso...atitudes que muitas vezes denunciam mais o mau gosto, a falta de polidez e de hábitos delicados do que outra coisa.  Pior do que novo riquismo, só a pobreza disfarçada de...de...olhem, nem sei de quê. Juízo!

A mania dos "dótores"


De uma maneira muito íntima e pessoal, que vale o que vale, atrevo-me a dizer o que já tenho mencionado aqui e ali: Portugal, se teve estilo em tempos, um certo panache conferido pela aura de portuguesinhos valentes à espadeirada ao mouro e a fazer negaças a Castela e companhia (bons tempos, brava gente) pela imponência do Império (no tempo do Senhor D. Manuel I, verdadeiro árbitro das elegâncias e uma estampa de homem) ou, mais recentemente, nos anos em que espiões, cabeças coroadas e a crème de la crème assentavam arraiais por Lisboa, Cascais e Estoril, hoje, como País, como povo, Portugal tem "A MANIA" - termo querido do português -e pouco mais. Estivemos lá perto, mas não estabelecemos a nossa marca como os italianos, britânicos ou franceses . Talvez pelo eterno complexo de parentes pobres, talvez pela fraca veia ou dimensão das classes dominantes, que não souberam educar o povo na cultura das coisas belas. E perdoem-me, meus caros, o português é um povo maniento. Gosta da lata polida a imitar prata, do arrivismo, do jeitinho, de engraxar com uma faca atrás das costas, do ressabiamento, do show-off, do inglês ver. É demasiado deixa andar para se polir em profundidade: quer tudo para ontem, uma engraxadela basta; e ao contrário dos italianos (desculpem se puxo a brasa à minha sardinha) que podem viver rodeados de ruínas a cair aos bocados e não tomar conta delas, mas mal ou bem os testemunhos do passado bonito são tantos que não têm outro remédio senão absorver a ideia da sprezzatura ou da bella figura, no nosso caso um bonito castelo aqui outro dali a 100 quilómetros não chegaram para apurar o instinto, o gosto e a vista. Em resumo, Portugal tem mania, tem boas intenções, tem peneiras, tem matéria prima,  mas
 falta-lhe disciplina, rasgo e impulso. Ainda estou à espera de ver o estilo português. Lá chegaremos. 

Mas por ora, poucas coisas exprimem tanto o complexo de inferioridade do português, ou o status postiço e a martelo, como a mania de ser DOUTOR!

Se repararem, verão que ao mencionar-se o augusto título o visado se ergue ligeiramente, num reflexo mui Acaciano e mui emproado. E vindo eu da cidade dos ditos, em que Deus nos livre que uma pessoa não seja tratada por doutora (ou licenciada, ou mestre, e ai de quem falhe no título) mesmo que não seja doutorada ou engenheiro (a), que enfim, quanto a isso não há como chamar doutor a um engenheiro, sei do que falo. Quer-me mesmo parecer - desculpem lá o modo desmancha prazeres - que com a minha cidade elevada a Património da Humanidade, pior ficaremos. Tem a sua graça entrar num evento cá do burgo onde todos são invariavelmente, ou fazem por ser, doutores, e ver como se repenicam ao anunciar - à falta de títulos mais pomposos, que se aterrar aqui um Embaixador, Bispo, Conde ou mesmo Secretário de Estado se calhar cai tudo redondo -  o Sr. Dr. fulano de tal, e se for mesmo doutorado ai Jesus, é o cúmulo, ou a tratar-se por Sr. Dr. Fulano uns aos outros com tanta mesura que dá vontade de rir. 

  Em Coimbra será pior (ou levado mais a sério) mas é inegável que ser doutor é a ambição, o êxtase, o sonho do português. Assim que o país se viu mais vá, moderno e desenvolvido, qual foi a prioridade na educação? Não criar uma nação produtiva, forte, capaz, com uma sólida instrução para a vida prática - mas facilitar o acesso universal ao almejado Dr. atrás do nome. Criar doutores que superavam as encomendas - não fosse alguém ofender-se - sem mesmo arranjar um filtro vocacional para ver quem tinha, de facto, cultura e saber estar (que as notas não são tudo, e em algumas "escolas superiores" nem notas se exigem) para luzir o título. E como cinco anos era muito trabalho para uma coisa tão essencial para a sobrevivência como ser doutor, aderiu-se a Bolonha porque senão podia vir outra vez o Terramoto. Era certo que tínhamos o sismo, a revolução e a peste se Portugal não facilitasse aos portugueses uma "licenciatura" expresso.  Quem aproveitou o negócio encontrou um filão inesgotável. 

Se noutros tempos se dizia a graça "foge, cão, que te fazem barão - para onde, se me fazem visconde?" - hoje é o dótor, o horrendo dótor a martelo, a trabalhar na caixa do Continente porque não há postos chic que cheguem para tanto dótor junto, que merece o dito.

E o resultado são "doutores" burros como um urso, como se diz por cá; banalizou-se tanto o licenciado (que faz questão de ser doutor) o mestre (Mestre só Nosso Senhor Jesus Cristo e meia dúzia de iluminados) e o verdadeiro Doutor que ser tudo isto já não é garantia de se ser instruído em coisa nenhuma, quanto mais refinado ou educado, que isso vem de casa e a faculdade pouco pode fazer. As regras de conduta e de exigência - salvo alguns professores da velha guarda que ainda vão impondo respeito - aligeiraram-se de tal maneira que há quem se atreva a sentar-se perante os lentes de chinelas de praia. E os próprios "lentes", bem...digamos que eu, que sou uma pessoa respeitosa, preciso de mais do que um título académico para sentir verdadeiro respeito por alguém. E conhecendo o background, o pedigree e os actos de muito pantomineiro que vê no doutor um símbolo do seu alpinismo social, então podem crer que só lhe dou o "Dr:" entre dentes, para não ser malcriada. 

Em jeito de detective, ou de graça, digo-vos mesmo que quanto maior o anel de curso, pior os antecedentes. E muitos andam por aí com uns cachuchos horrendos que mais parecem um anel de Bispo, proporcionais em tamanho à mania das grandezas e ao complexo de "carroceiro que se fez doutor".

 Considerando a pouca selecção que é feita, o género de alunos que tem entrada franca e certas faunas, não sei mesmo se ter ensino superior é selo de alguma coisa ou exactamente o contrário, já que muito boa gente sai de lá mais pateta do  que entrou, apenas com maiores ilusões de grandeza e pouquíssima noção do seu lugar
  Com duas licenciaturas e um mestrado a meio (tinha coisas mais urgentes a tratar e estou cada vez mais selectiva nos luxos intelectuais que me saem do bolso) embirro grandemente que me tratem por, vá, Dra. Sissi. Era só o que me faltava. Não sou doutorada, médica tão pouco.   Mas num país sem meios termos, uma mulher ou é tratada por "tu" em público, ou por dótoraMaior favor me fazem se me tratarem como convém que uma senhora seja tratada - respeitosamente pelo nome, ou por menina, ou, em questões mais formais em que o estado civil não vem a  propósito Sra. D., que é como eu trato as senhoras que merecem todo o respeito. Dispenso grandemente ser colocada no mesmo saco de dadas "dótoras" de primeira viagem. Mas isso dá muito trabalho, que descortinar títulos é coisa do tempo da outra senhora, não é? 


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