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Saturday, August 10, 2013

Celebrar a amamentação em público? No, thanks.

                           
Por estes dias, houve em Coimbra um encontro que pretendia promover a amamentação. Certo. Puericultura não é o meu forte, mas os benefícios do acto mais natural do mundo são bem conhecidos e por razões de vária ordem, as amas de leite estão praticamente extintas - logo, é escusado entrar por aí. Recentemente, uma senhora que amamentava o filho em público, num museu, foi convidada a recolher-se ao berçário para o fazer, o que levantou grande polémica e se estou bem recordada, uma "amamentação em massa". Pelas mesmas razões, uma dupla portuguesa quer desafiar a Duquesa de Cambridge (que prescindiu das ditas amas) a deixar-se fotografar enquanto amamenta. Vamos por partes: há algum preconceito contra a amamentação em si? Creio que não, e a opinião dos médicos é o suficiente para encorajar as mães que podem fazê-lo a alimentar os próprios filhos, adiando o leite em pó.  O que não consigo entender é a ênfase colocada no direito (ou na desdramatização) de amamentar em público, de peito descoberto perante quem está, e passo a citar "se qualquer um de nós pode tomar uma refeição em público, porque razão um bebé não o pode fazer? Fazê-lo dentro de uma casa de banho ou com pano a tapá-lo é que não faz qualquer sentido»É para tentar acabar com o preconceito que existe em torno da amamentação e mostrar que «dar leite materno» aos bebés é uma coisa «muito bela e absolutamente natural»". 
 Creio que não passará pela cabeça de ninguém, nos tempos que correm,  dizer que alimentar um bebé não seja belo, ou absolutamente natural. Trazer o dito bebé ao mundo - ou "encomendar" a criança à cegonha, salvo seja,  também é belo e absolutamente natural...como tantas outras coisas que pertencem à nossa intimidade.
 Compreendo perfeitamente que por vezes seja necessário alimentar o bebé em público, em locais desprovidos de nursery ou outro aposento apropriado. Creio que ninguém dirá "está a amamentar, blheeeeec!" mas é nessas ocasiões que é de bom tom (pela mesma razão que uma senhora não experimenta roupa fora dos provadores) afastar-se um pouco e sim, usar um xaile, uma écharpe, qualquer coisa que resguarde a nudez de olhares indiscretos. Não é uma questão de se tratar de uma coisa de outro mundo, mas de modéstia, pudor e protecção, que convém a quem está num momento muito seu.
 Pasmo com a ingenuidade destas pessoas. Ou pensarão que não há tarados por aí, que por uma mulher ser mãe um busto nu deixa de ser um busto nu? Conheço senhoras que recebiam piropos na rua quando estavam de esperanças, e com uma barriga bem grande, quanto mais...
 Há uma certa intimidade e inocência associada à maternidade que convém preservar e decerto não convirá perturbá-la com mirones. Por fim, lembremos que nem sempre é muito estético observar o peito alheio, muitas vezes algo maltratado como todas nós, mulheres, sabemos que pode ficar - é escusado entrar em detalhes.
Logo, não é para "proteger a inocência das crianças" ou "fazer da amamentação um bicho de sete cabeças" que as mulheres se cobrem. Cobrem-se como foram ensinadas a fazer em qualquer outra situação em que se dispam. A mania de colocar feminismos exacerbados em tudo é algo que não entendo. Questão de bom senso e decoro, nada mais...

Dois momentos pimba do dia.

                    

1 - Andar bastante para encontrar o costumeiro lugar na areia onde ninguém nos incomoda. Adormecer depois de um banho refrescante  e ter um sonho bonito interrompido por um camião com altifalantes que passa lá ao fundo, na estrada, a berrar " dançando kizoooooomba". Vai-se para o fim do mundo em busca de sossego, mas os flagelos estão por toda a parte. Ainda se fosse outra coisa, mas kizomba? Pior ainda, uma canção portuguesa rústica que faz um ode à kizomba? É o pavor a homenagear o terror. Mau o suficiente para me colocar em modo "vilã que quer dominar o mundo" com o objectivo de trancar os adeptos num campo de reeducação com enxadas na mão de manhã à noite, mais as leggings e as lycras e os sapatos com tachas de que tanto gostam. Afinal, é gente que está habituada a transpirar e até acha isso sensual,  os derrièrres à Kim Kardashian e as coxas grossas à bailarina da dita que essa tropa fandanga adora cultivar devem dar alguma resistência para plantar batatas, o cabelo pintado de preto- graxa resiste ao sol e o bronzeado à Jersey Shore é bom para aguentar altas temperaturas. Os pares de baile dessas meninas, vulgo pintas,  vestem calças brancas à padeiro, e camisas de manga curta também brancas: óptimo para cavar terra sem apanhar escaldões. Podiam trabalhar ao som da kizomba e 
agarrar-se uns aos outros enquanto tratavam do batatal, porque o campo ia ser onde Judas perdeu as meias, logo não me incomodava. Nas horas vagas dirigir-se-iam à sala de recreio para dançar mais kizombada ou, se estivessem cansados, ouvir tranquilamente Tony Carreira ou encomendar bandage dresses e outros trapos do piorio  pela internet. O paraíso de uns é o inferno dos outros....ou vice versa.

2 - Há vários supermercados de que sou cliente, porque cada um tem as suas especialidades. E depois há outros que evito mesmo. Não pela qualidade dos artigos, mas pelos frequentadores. Não se atura pagar compras para sofrer gente aos gritos, famílias aos palavrões, criançada a atropelar-nos, enfim o cenário típico. Hoje trocaram-me as voltas: não sei se o "outro Continente" (quem é de Coimbra percebe) estava fechado ou quê, mas a gente maluca invadiu a superfície comercial do costume. Perdi a conta aos grupos de pessoas desarranjadas a parar à nossa frente, à tapona uns aos outros e a plantar o carrinho no meio do corredor sem o arredar por mais que pedissem "com licença". Por duas vezes, fui eu a pedir licença e eles a ignorar-me como se eu fosse um insecto que para ali estava, e a perguntar uns aos outros "quanto é que custa esta mer***a?". Mulheres com idade para ser avós a falar assim alto e bom som. Não se está seguro em parte nenhuma, e olhem lá que fui a uma hora calma, não era dia de Mega Pic-Nic nem nada....

Quentin Tarantino x Avozinha dixit: A melhor vingança

                               
"When fortune smiles on something as violent and ugly as revenge, it seems proof like no other, that not only does God exist, you're doing His will".

Uma Thurman, `The Bride´ in "Kill Bill"

Pop como possa ser, acho que a citação não podia estar mais de acordo com a verdade. Para quem acredita em deuses, ou acredita duvidando um pouco (e observa  o curso da vida) fica claro que se a retaliação flui, alguém lá em cima está ao seu lado. A fronteira entre vingança e justiça é muitas vezes indistinta, sendo que a Justiça, por mais dura que seja,  nunca é mesquinha. A ambas, no entanto, assiste a virtude da paciência.
 Then again, quanto a "vinganças" recordo as palavras da avó Tete, senhora muito religiosa mas com um sentido de honra que já não se fabrica: castigar pertence a Deus, que nunca falha. Para a realizar, o Senhor pode servir-se de muitos instrumentos, inclusive do próprio ofendido... 
 Mas não raro, a melhor vingança é viver lindamente. Não há pior tormento para pessoas malvadas e invejosas, que querem sempre o que é dos outros. Nada pior para elas do que ver os seus planos, as suas conspirações, as suas aspiraçõezinhas sórdidas e os seus castelos no ar a ir por água abaixo. Pior ainda, a ver o alvo das maquinações todo contente, a ser feliz sem se ralar minimamente com a sujeira que ficou para trás. Há pior castigo para quem não pode ver uma camisa lavada a um pobre? A uma pessoa normal isto não faria diferença, mas para um invejoso é pior do que tomar cicuta.
 Depois, factos são factos: se vivermos bem, quem fez o mal fica só com a sua inveja. Tem de ver a própria cara feia ao espelho todos os dias, viver com o seu fracasso todos os dias, aturar a felicidade alheia todos os dias. Não há nada pior. Ou, como dizia a minha avó "primeiro rebentam de raiva, depois murcham para ali". 
 Que isto, o Kill Bill é muito divertido, mas só a trabalheira de apanhar toda a gente naquela lista negra...ufff. Fico cansada e não é nada comigo.





Friday, August 9, 2013

Armani + Cate Blanchett: um casamento perfeito.

                                          Hola!
Tenho uma paixão por Armani: as linhas clean, o luxo understated que emana serenidade, os jeans que alongam as pernas até ao infinito e - como não podia deixar de ser - a alfaiataria perfeita, mas descontraída. Uma mulher que use Armani dificilmente falha. É uma das marcas que conferem a quem usa o brilho discreto de uma pérola, deixando o protagonismo ao indivíduo. E quem melhor para traduzir essa filosofia do que a minha querida quero-ser-como-a-menina-quando- for-grande Cate Blanchett?
 Serenidade, luz e um aspecto polido, dispendioso, fazem parte do seu élan
 A actriz, que é amiga da Casa, assinou um contrato de 10 milhões de dólares para representar os seus perfumes. Estou curiosa para ver como interpretará, salvo seja, Armani Mania, um dos meus preferidos. Fico mesmo contente quando dois elementos que adoro se juntam. Numa palavra, classy!

Beyoncé livrou-se das perucas...(e as "pirucas" de outras épocas).

             Beyonce's New Haircut
...extensões permanentes, postiços, weaves (como se diz "weave" em português? Peruca parcial?) e outros artifícios que há anos e anos lhe andavam, imagino eu, a escaldar o cérebro, a esticar o couro cabeludo ao limite, a dar cabo das raízes, a fazer comichões que eu não desejo à minha pior inimiga (esperem lá- desejo pois!)  e outras torturas que prefiro não imaginar, já que usar uma simples bandelette ou mesmo chapéus, se for por muito tempo, me faz enxaqueca. Aqui entre nós, as extensões clip-in (que se tiram ao chegar a casa)  são as únicas que concebo, e por curtos períodos de tempo.
 A cantora, muito responsável por instituir a moda dos excessos - mais cabelo, mais traseiro,mais coxas, mais mini - e nem sempre da melhor maneira ou dando os melhores exemplos (uma coisa é o que fica giro na Beyoncé, com o barulho das luzes, outra são os desastres das copionas nas ruas) decidiu livrar-se disso tudo, depois de ficar com a cabeleira presa numa ventoinha. Pergunto-me como é que tal incidente aconteceu só agora...
 A influência benéfica da sua mais discreta, it girl e muito fashionista irmã Solange, que assume sem problemas a cabeleira afro que Deus lhe deu, também terá contribuído para a mudança de visual. Antes, já Tyra Banks se tinha libertado dos "capachinhos" e, como dizem os espanhóis, luzido por aí um corte de cabelo muito mais elegante e natural. 
 Não me entendam mal, eu sou a maior fã do cabelo longo (usei-o quase sempre assim) mas não imagino o que seja andar por aí anos a fio com um cabelo que não é o nosso.  Não entendo como alguém torna parte integrante da sua imagem uma característica que não é sua. Porque a cantora não usava perucas só em palco, mas no dia a dia também. Se eu não soubesse, pensaria que era mesmo o cabelo dela. Que sofrimento - até porque só quem nunca viu o estado em que o cabelo fica com extensões permanentes (queimado, "mordido", uma ruína) pode achar que isso é bonito. 
 As mulheres venezianas da Renascença já as usavam, certo - e a tendência conquistou toda a Itália -  mas como acrescento aos seus já  longuíssimos cabelos, que pintavam de "louro veneziano" cuidadosamente sentadas ao sol, nos terraços das duas casas. Não eram "coladas à cabeça" com queratina  ou cosidas, mas mesmo assim os homens da época faziam alguma troça: o efeito era bonito, mas não deixavam de trazer "cappelli morti" (cabelos mortos) a compor o penteado...
                                     
 Nas épocas vitoriana e eduardiana era costume, além dos postiços necessários para "tufar" , guardar "ratinhos de cabelo"  (ou seja, fazer rolos com os cabelos que caiam da escova) para ripar ou dar volume ao look escolhido, de modo a segurar os elaborados chapéus da moda. E do século XVIII nem vale a pena falar...
 Mas voltemos à nossa época e às "tesouradas" da cantora. Com todo o meu amor ao cabelo longo, desde que natural e fugindo de opções de styling algo vulgares, acho que fez lindamente em cortar. Já o pixie cut, não me parece que faça grande coisa por ela, apesar dos traços correctos do rosto. Em geral, mulheres grandes e curvilíneas não foram feitas para usar o cabelo à Sininho, porque, bem...com tão pouco cabelo a cabeça vai parecer muito pequena em relação ao resto! A única mulher curvilínea que já vi usá-lo bem foi a fantástica Morena Baccarin, mas essa estava a interpretar a extra terrestre mais bem vestida à face do Universo, logo tem desconto. Para todas as outras, um penteado estilo Marylin Monroe equilibra muito mais o todo.
 Os fãs apostam agora se a mudança será permanente ou se à semelhança de outras celebridades, o "pixie cut" será uma alternativa às perucas. De qualquer modo, creio que ela se sente muito mais confortável!

                                 

Aqueles dias indecisos em que...

                           

...quero ir à praia, não quero ir à praia, se calhar fico-me pela piscina e se for uma piscina natural com água bem geladinha, melhor um pouco. Estou cansada de estar fechada, mas não quero ver multidões nem povo aos gritos, muito menos encontrar caras conhecidas; precisava de tratar de burocracias, precisava de adiantar assuntos pendentes, quero terminar/arrumar/despachar isto e aquilo, mas também quero estar na água. Depois os dias têm estado pouco apelativos para relaxar na toalha mas não hoje, hoje está mesmo quente. O meu botão "accionar modo férias" avariou-se e nada feito. Logo eu, que não gosto de misturas: ou é, ou não é. Com meios termos não se descansa, nem se deixa de descansar. Desde quando é que comecei a correr atrás do tempo?

Thursday, August 8, 2013

Chatos de galochas

Pessoas que meteram na cabeça que têm de mudar o mundo, porque têm de mudar o mundo, não por altruísmo mas porque lhes dava jeito que todo o planeta se ajustasse às suas necessidades, em vez de serem eles a ter a canseira de se adaptar. Ou porque se acham muito rebeldes e radicais assim, a ser "revolucionários" apesar de já não irem para novos. E depois andam sempre amargos e zangados com o mundo, porque as "utopias" falharam. E o pior é que não os vejo a fazer nada a não ser receitar remédios que já passaram de prazo lá para os anos 80. Será que não lhes entra na ideia que o mundo é muito grande, e tem muitas cabeças a pensar, que continua a girar digam o que digam e que as opiniões deles não contam nem para o mundo limpar os sapatos? Conformem-se, por Júpiter. Ou nadem ao sabor da corrente, dancem ao som da música, para variar. Ou refilem em silêncio, vão cantar o Imagine para outra banda e não chateiem. Que a mim também me maça que certos valores se percam, que o mundo ande para a frente e não para trás mesmo quando deixa para trás coisas que fazem falta, que graças a certas "liberdades" que estes senhores tanto defendem muita tradição e certos hábitos de delicadeza tenham ido por água abaixo, mas aguento-me. E newsflash, o Che Guevara fica giríssimo nas t-shirts, mas se não tem morrido novo ia ficar um chato igualzinho, igualzinho ao Fidel Castro, a obrigar o povo a andar de sandálias de borracha que fazem bolhas nos pés. E isso não é lá muito agradável, por mais que digam que os hospitais em Cuba são excelentes, que as pessoas são do mais culto que há e que se continuam a beber mojitos na mesma. 
Mas Cuba parece-me um bom sítio. Porque não vão para lá viver, em vez de chorar por Portugal não ser, assim, todo revolucionário? Ou se metem (acho que é a primeira vez que uso o verbo "meter" por aqui, que se há coisa que me aborrece é o verbo "meter" mal "metido" numa frase) numa máquina do tempo para os anos 70? Chatos. Chatos a valer. CHATOS!

Armários que eu assaltava: Helena Bonham Carter

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Mencionei por aqui  o meu apreço por Helena Bonham Carter. Tem raça, talento, berço e imaginação acompanhados de uma beleza original, que resiste ao tempo (pele de porcelana, maçãs do rosto maravilhosas e curvas de boneca). E tal como disse, embora por vezes os seus looks ficassem a ganhar com um aspecto mais composto (cabelo, maquilhagem, styling) não se pode negar que tem um gosto esplêndido para a escolha dos vestidos em si. Nada do que veste é aborrecido; relíquias vintage das suas antepassadas ou criações de designers como Vivienne Westwood, Dolce & Gabbanna ou Alexander McQueen (três dos meus favoritos, nem mais...) são quase sempre peças de romance. 
 A minha preferência quanto a ícones de estilo costuma ir para os visuais polidos (Gwyneth Paltrow, Grace Kelly, Marylin Monroe ou, dentro de um tipo mais aproximado, Dita Von Teese) mas Helena é uma classe à parte, como uma amiga excêntrica a quem tudo se desculpa, porque há tantos detalhes bonitos para onde olhar que o resto é descartado. E o que podemos aprender com ela, além do óbvio "usem a imaginação",  "seja você mesma" ou "mantenha-se fiel ao seu estilo"? 

1- Cores sumptuosas, associadas a designs clássicos nunca deixam de fazer, como dizia Eça, um efeito de causar aneurismas; o vestido mais simples, desde que bem modelado, ajustado devidamente ao corpo e numa cor rica, suplanta quaisquer "últimos gritos" que apareçam, com a vantagem de não ficar datado anos e anos depois.

2- Quando se tem um bonito colo, não há que cair em novidades: decotes, sempre. Sem exageros e de forma adequada à idade/ situação, como é óbvio... Reparem que Helena deixa quase sempre a zona da clavícula e os ombros à vontade. Uma senhora com ombros e busto de estátua não ganha nada em apertá-los sob camadas de tecido - ou se o fizer, terá de ser cuidadosa para garantir que não lhe achata a figura. Na sua maioria, os decotes fechados inventaram-se para favorecer meninas ou senhoras menos dotadas nessa zona do corpo. Tem de haver algo para todas, certo?

3- Quando encontramos um modelo que nos assenta bem, é sensato comprá-lo em várias cores, ou ter várias versões da mesma toilette. Rodados ou lápis, os vestidos da actriz obedecem quase todos ao mesmo desenho.

4- Essa "pouca variedade" é compensada por acessórios. Helena não usa muitos, preferindo (nisto estou com ela) investir nos essenciais utilitários que têm de acompanhar uma mulher em ocasiões destas: uma clutch original (afinal, precisamos de levar alguma...) um chapéu/fascinator ou um bonito agasalho.

Simples, não é?




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A carteira ideal...é "da Amante".

                                   
Já comentei convosco que tenho alguma reserva quanto a plataformas como o Lookbook. Se por um lado é giro partilhar ideias, por outro há uma pressão para a exposição que não me agrada, e...gabo a paciência de quem se fotografa diariamente, registando ao pormenor todas as suas toilettes. Seria interessante fazê-lo para me lembrar de cada combinação que invento - quando se têm muitas peças, é fácil esquecer aquele coordenado que resultou bem. Muito invejo quem o faz, chegando a criar cartazes para pôr no armário organizando assim, ao milímetro, toda a sua colecção. Mas há sempre aquele dia em que ou não temos tempo, ou a luz está má, ou não há paciência, e por aí fora. 
 Porém, quando se encontra a carteira perfeita, há que registar o momento. E uma das minhas decisões pós-organização-definitiva-do-closet foi a de dar uso às minhas carteiras, o que equivale mais ou menos a decifrar a caverna de Ali Babá e os 40 ladrões! No quartinho das carteiras tinha umas tantas de pele de cobra (antiguidades, comme il faut, pois como tenho dito sou um tanto exigente quanto à qualidade das marroquinarias e actualmente só as marcas de topo vão a certos níveis de detalhe) mas quase todas clutch, ou pouco mais. Andava há anos em busca da "todo o terreno" perfeita com padrão de cobra. Por isso, quando me deparei com esta preciosidade estruturada q.b, mas maleável, de pele macia, com uma cor linda e um  pormenor que as carteiras vintage têm muito mas que agora é tendência - a opção de alça a tiracolo ou "mala de mão" - não resisti. O formato é o da clássica Birkin, e por dentro tem uma excelente arrumação. Comprei-a nova mas pelos meus cálculos será uma relíquia dos anos 80 que ficou perdida na estante da loja. O mais curioso é que já não é o primeiro modelo desta marca portuguesa (com o curioso nome de "Malas Amante") que me chega às mãos, sempre com um requinte do tempo da outra senhora, pormenores sofisticados e materiais que...bem, já não se usam, pelo menos a preços não estratosféricos.  Tentei contactar o fabricante para saber mais, mas não tive sorte (se há coisa que me diverte, é saber a proveniência de certos achados...). 
 Para um passeio, achei que estava mesmo a pedir um visual ladylike (saia solta também vintage, sandálias da Wholesale e uma das mil camisas que literalmente, "andam cá por casa" - tenho-as de todas as marcas à face do planeta e em tudo quanto é cor, porque nunca se sabe o que se consegue inventar com a camisa certa). Mas um bag deste género cai igualmente bem com jeans, emprestando um ar polido à mais casual das fatiotas. 
 Alguém conhece esta très chic marca nacional? Fiquei curiosa, embora dizer por aí "esta é uma carteira Amante" me pareça um tanto ousado. E no entanto, tenho para mim que o nome, bem promovido estrategicamente, era capaz de pegar. Just thinking like a marketeer.


                      
                         

Sinceridade x delicadeza

A Princesa Grace e Jackie Kennedy
 Por estes dias falou-se aqui de elegância, sendo que para mim, o aspecto mais difícil da mesma é equilibrar saudavelmente o sentido de honra (sem dignidade e pundonor não pode haver elegância) com a indulgência para com os outros e a capacidade de relativizar as ofensas, rindo delas se for preciso. Afinal, quem não se sente não é filho de boa gente, mas ninguém gosta de estar perto de pessoas amargas, rezingonas, que guardam rancores por tudo e por nada. Só quem se tem em demasiada conta se melindra com facilidade. Usar de graciosidade, magnanimidade e o poder de não levar as pessoas (incluindo a si mesmo) demasiado a sério sem no entanto se tornar num alvo fácil é um equilíbrio delicado, que custa muito a conseguir. 
 Mas volto à mesma reflexão - a elegância, ainda que possa ser inata, exige exercício, prática e atenção constante. Antes de observar o comportamento alheio, devemos ser duplamente exigentes com as nossas próprias atitudes, o que requer modéstia e auto análise. "Sede vigilantes", diz o Bom Livro...e isso também se aplica ao saber estar no quotidiano.

  Outro ponto sensível do comportamento elegante é a sinceridade, a franqueza, a honestidade. Tem sido dito aqui no IS que poucas coisas dizem tanto da educação de alguém como o saber estar à vontade em toda a parte (mesmo em meios muito diferentes daquele que habitualmente se frequenta) sem acanhamento, espanto, deslumbramento, entusiasmo ridículo, temor reverencial ou pelo contrário, arrogância, atrevimento, excesso de ousadia ou atitudes defensivas. É sempre de evitar chamar a atenção sobre si próprio. A simplicidade - desde que discreta - e a serenidade caem bem em qualquer lado. Quando na dúvida, um silêncio gracioso, um gesto de assentimento ou responder a uma pergunta com outra pergunta inócua podem afastar a mais desagradável das gaffes. Revelar demasiado é desaconselhável por várias razões.
 O que nos leva ao cerne da questão: quanta sinceridade é recomendável?
Quem diz a verdade não merece castigo. Porém, em ocasiões sociais de alguma superficialidade, a melhor orientação será "se não tiver nada de agradável para dizer, remeta-se ao silêncio". Emma, a personagem de Jane Austen, dizia invariavelmente da rival com quem embirrava, Jane Fairfax "se me perguntarem, digo apenas que ela é elegante". Problema resolvido; não faltava à verdade, não caía mal e ninguém perguntava mais detalhes...
 Se for mesmo impossível mascarar o que pensa sem que isso constitua uma mentira óbvia, uma resposta sincera, mas curta, que não entre em maledicências, é a única saída. Com sorte, tê-la-ão por uma pessoa espirituosa, que diz sempre o que pensa...
 Caso numa circunstância igualmente superficial uma senhora diga mal de si mesma, por brincadeira, esperando obviamente ouvir o contrário ("fico tão gorda neste vestido", por exemplo) ou tenha o mau gosto de apontar falhas a outra pessoa presente ou não, o remédio é procurar, sem contradizer, um aspecto agradável que possa ser realçado...ou mudar de assunto. "Essa cor é tão rica, gosto tanto, vai tão bem aos seus olhos..." porque não há quem não fique contente por ouvir falar de si próprio nos melhores termos!
 Com os nossos amigos chegados, a história é mais complexa. 
Quando dizer a verdade, e quando cair na boa e velha "mentira piedosa?"
Não pretendo ser um guru na matéria, mas a experiência ensinou-me que a única resposta possível é "ambas, quando for preciso". 
 É de evitar magoar os nossos amigos com excesso de franqueza, mas a longo prazo, fugir à verdade não traz nada de bom a ambas as partes. Como dizem os sicilianos, "só os verdadeiros amigos nos avisam quando temos a cara suja". Muitas vezes, a única abordagem é arranjar a forma mais delicada e carinhosa de mostrar à pessoa que de facto...

- precisa de dieta
- não está a agir correctamente.
- foi ofensiva para connosco.

etc.

As verdadeiras amizades resistem às opiniões honestas ou mesmo a raspanetes, desde que haja tacto. E se não resistirem, bem...é porque não são amizades que valham a pena, trazendo desgostos mais cedo ou mais tarde.

A melhor unidade de medida para saber quando falar ou não é perguntar-se: quão insuportável é esta situação? Já dei todas as indirectas que podia sem ferir? Se sim...é altura de ser brutalmente honesto (a)!

La está: equilibrar tolerância e honestidade, perdão e jogo de cintura é um exercício complicado. Mas a tudo se impõe o bom e velho bom senso...








Wednesday, August 7, 2013

Hiroshima, Nanking, Karma: os pesadelos são relativos.

           
Ontem assinalou-se a efeméride do horror de Hiroshima. Dia 9, será Nagasaki. Dias negros que ceifaram milhares de vidas inocentes num cenário de pesadelo e que fizeram a humanidade dizer "nunca mais". Mas que - sem querer comparar horrores - puseram fim à loucura imperialista do Japão. É impossível, com justiça, falar de Hiroshima e Nagasaki sem recordar o ataque cobarde a Pearl Harbor,  Nanking ou a ocupação da Manchúria, cujas atrocidades não me atrevo sequer a detalhar. Sem julgamentos, só posso dizer que por esses anos, a humanidade enlouqueceu. 
 Os dantescos dias que trouxeram o "nunca mais" enchem-nos de silêncio e de espanto. O que veio antes, também. E quem acredita em karma, ou nos fluxos de energia que regem o universo, sabe que chega uma altura em que não se pode escapar ao dia da cobrança... com toda a destruição que daí advenha. Hiroshima não pertence só ao Japão, não envergonha só os Americanos, por mais que até se acredite no "mal necessário" ou na consequência; é um monumento aos pecados do Homem. É uma cicatriz na pele da nossa civilização. Mas também um aviso sinistro: não voltem a fazer uma destas. 
 Recordo-me que em pequena, tomei contacto com este triste episódio através de três fontes: a II Guerra em BD (colecção do senhor meu pai, que li de foi a pavio) e duas animações japonesas (uma bem conhecida, outra rara) que me deram pesadelos. Ainda dão. Partilho aqui, porque acho que só através de desenhos animados se consegue imitar um pouco do que Hiroshima terá sido. Com aviso aos mais sensíveis.


                                   


Excentricidade sim, mas...calma.

Alain Delon, Brigitte Bardot e Jeanne Moreau
Talvez por ser uma pessoa dada à criatividade e, apesar dos meus valores vincados, ter uma mente aberta com tolerância aos fracos de cada um, sempre tive amigos algo excêntricos. Lá em casa costumamos dizer que temos um íman que atrai pessoas com o seu quê de fora do vulgar: ou porque os privilégios de nascimento e de meios lhes conferem uma certeza tão grande do seu lugar no mundo que se dão ao luxo de agir conforme lhes apetece, ou por serem dotadas de grande talento/beleza/whatever, ou por terem uma forma sui generis de se expressar e não saberem ser de outra maneira. Ouço muito "mas tu só tens amigos «com pancada», que não fecham bem a tampa?" - e por vezes, não há realmente grande maneira de os defender sem cair em contradições. Mas cada um é como cada qual: quase sempre a originalidade, o talento ou o carácter são argumentos suficientes para merecer a minha estima. A desculpa ressabiada "esse é cheio de mania" que tanto agrada aos portugueses quando querem detestar gratuitamente alguém nunca pegou comigo - pois são precisamente os que acusam os outros de "mania" ou "peneiras" que mais gostariam de estar no seu lugar... por isso sempre contei entre os meus amigos os enfant terribles, os estetas, os cínicos, os elegantes,  os diletantes, as dondocas, as belezas trágicas, os dândis, os artistas, os poetas desenquadrados (a estes últimos dou-lhes bastante nas orelhas, porque embirro com utopias, mas somos amigos na mesma) e outras figuras românticas.
  Como já disse, o único preconceito de que sofro é o "racismo" contra a boçalidade, a pretensão, as ideias pequeno burguesas e o arrivismo; tudo o resto tolera-se desde que haja um fundo de bondade e acima de tudo, muita educação. É verdade que as pessoas quadradas, chatas, politicamente correctas, essas sim me aborrecem. 
  Porém, há que notar que uma coisa é ser um excêntrico, um original com os pergaminhos e salvo condutos todos, mas funcionar social e emocionalmente...e outra coisa é ser desgovernado. Posso ter paciência com as tolices das pessoas que estimo (e espero em troca que sejam pacientes com as minhas) mas essas pessoas têm de merecer a minha confiança, ser leais, constantes e fazer algum sentido. Porque se a excentricidade não é motivo para antipatizar com alguém também não é, por outro lado, desculpa para tudo. Muito menos para atraiçoar as pessoas queridas, envolver-se com gente indesejável , agir pelas costas, dizer tudo o que lhes dá na gana sem se importar se magoam ou causar incómodos. Quando as pessoas começam a não fazer sentido, traço a minha linha aí. Quando me demonstram que não se pode contar com elas, que falham o mais elementar dos compromissos ou das questões de honra,  que tanto acendem uma vela a Deus como outra ao Diabo prejudicando quem os rodeia, acabou-se. Se a sua loucura saudável deixa de ser saudável, toca nos meus limites. E acima de tudo se num dia estão por mim e no outro não se sabe, a minha consideração morre mesmo
 Cada um tem as suas extravagâncias, e a minha é só esta: ou César, ou nada. Para o resto? Para o resto há paciência. De génio e de louco, todos nós temos um pouco...
 

Comprei umas "it sandálias"...sem saber. E agora? Usar, claro.

                               
Comprei-as o ano passado. Estavam numa montra a olhar para mim, sabia que me lembravam alguma coisa, só não me recordava onde tinha visto aquilo. Eram umas sandálias amorosas estilo Carmen Miranda. Serviam, trouxe, usei uma vez (S. João na terra dos avoengos) e como não são exactamente a coisa mais democrática para saltitar por aí, guardei-as no departamento-dos-sapatos-de sair.  Em boa verdade, acho que as classifiquei mal: sandálias com sola de cortiça, por mais altas ou chic não deixam de ser casuais;  devia tê-las posto na estante do calçado somewhere-in-between, para onde olho mais vezes (separo os sapatos por modelos de sair, quotidiano e assim-assim, o que às vezes tem que se lhe diga...). 
   Confesso que fiz a feia coisa de me esquecer um pouco delas, porque embora adore cunhas e plataformas a ponto de as coleccionar (reflexo dos tempos em que eram muito difíceis de encontrar nas lojas)  cada vez mais prefiro os modelos delicados - para ir alternando, pelo menos. Meses depois, eis que desata todo o mundo a falar nas sandálias da Miroslava Duma, as Super Dombasle cork platform sandals de Christian Louboutin, que andavam esgotadas em toda a parte menos nos pés das celebridades. Que a blogger Lovely Pepa tinha criado um modelo semelhante, que por sua vez estava a ser um enorme sucesso. Que andavam as fashionistas do planeta a descabelar-se por causa delas, e de quantas cópias havia. Não foi uma maluqueira tão grande como as Litas e companhia, graças aos céus, mas andou lá perto: algumas toilettes usadas pelas irmãs Kardashian e afins com a sandaloca quase me tiram a vontade de a calçar, lagarto, lagarto...
 E no meio do sururu eu, que às vezes sou do mais distraído...esperem lá, tenho umas sandálias assim. Aqui compradas ao pé da porta, sem esforço nenhum. Por mero acaso. Não sei se ter visto as Louboutin quando apareceram na imprensa influenciou de alguma maneira a minha compra, mas...agora há que calçá-las. Afinal, seria pecado não o fazer quando, um ano volvido, ainda há pessoas à procura delas. 


                                            Christian Louboutin Super Dombasle Cork Platform Sandals Profile Photo
       

Tuesday, August 6, 2013

Estouvadas deste mundo, preciso da vossa ajuda!






Isso mesmo. Leram bem. Há cerca de um ano disse isto, que às vezes me dava jeito ser cabeça oca. Vejo que continuo a achar o mesmo, o que pelo menos me concede a virtude da coerência. Com todos os meus defeitos, sempre me tive por uma pessoa de bom senso, que só perde o tino depois de muito pensar e ver que a abordagem instintiva é a mais acertada. Não é que não faça o que me dá na gana (postura honesta e saudável) mas peso os prós e os contras como qualquer mulher sensata. Só que depois de anos a ser ajuizada, recebendo muitas vezes exactamente a mesma recompensa a que teria direito se fosse uma estouvada de marca maior, uma doidivanas, uma valente tonta, acho que mais vale ter fama, proveito e tocar os sininhos. O problema é que não sei minimamente por onde começar a minha preparação para o estouvamento*. Alguém que me explique?

*s.m. Característica, particularidade ou qualidade de quem é estouvado.
Maneira de agir da pessoa estouvada; acção de estouvado; travessura.
(Etm. estouva(r) + mento)

Isto diz-se, Net - a -Porter?


"Prepare o seu guarda roupa: as últimas colecções estão quase aí. Caro cliente registado, clique nas suas peças favoritas e nós avisamos quando elas chegarem". 

Assim. Simples

Com o país em crise e uma pessoa a querer ter juízo? Não olhes para o monitor, não olhes para o monitor, fecha essa janela, olha que te desgraças. É em alturas destas que louvo a Deus pela educação que me deram, de me alegrar com as alegrias dos outros, por haver quem faça, use, venda, compre e movimente coisas bonitas por aí. Olha se eu fosse uma ressabiada a estourar de inveja e com discursos pseudo socialistas de pobrezinhos contra quem pode fazer os clics que quiser no Net -a -Porter sem fazer contas de cabeça nem pensar duas vezes, hein? Era gracioso? Não era.

(Acima e abaixo: Alexander McQueen, Adam Lippes, Antonio Berardi).

Segredos da Elegância, segundo Colette Cotti

Burberry, 1960s

"Uma pessoa pode tornar-se rica, mas tem de nascer elegante"

Beau Brummell


Já vos contei que tenho um fraquinho por antigos manuais de beleza, boas maneiras e elegância. Certamente é preciso filtrar alguma informação datada mas não só têm imensa graça, pitoresco até, e deliciosas fotografias vintage, como realçam alguns aspectos básicos do saber-estar que as novas (e escassas) versões descuram. E se os compêndios forem franceses, melhor ainda: há que ter em conta o lendário je-ne-sais-quois das parisienses e não só, esse tão invejado chic sem esforço sobre o qual já se escreveram inúmeros tratados.
 Sem querer maçar-vos com um post muito longo, não resisti a transcrever algumas citações que acho preciosas, e que não podiam ir mais ao encontro da minha forma de pensar. Porque ao contrário do que possa julgar-se à primeira vista  nestes tempos de materialismo desenfreado, a elegância está muito mais ligada ao auto domínio, à atenção, disciplina, discrição, indiferença e graça do que ao "luxo" ou mesmo à beleza, sempre conceitos subjectivos e mutáveis. 

"O dândi do século XIX ostentava uma suprema elegância, tanto nas maneiras como na apresentação. «O dandismo não é um gosto imoderado pela toilette e pela elegância material. Estas coisas não passam, para o perfeito dândi, de um símbolo da superioridade aristocrática do seu espírito» dizia Baudelaire. Que procurava o dândi? Antes de mais, opor-se ao espírito burguês, à noção do proveito material".

A elegância independe de aspectos materiais, superficiais, que vão e vêm. Uns sapatos Prada são bonitos, são elegantes e todas gostamos deles...mas são também acessíveis à mais trapalhona e desagradável das mulheres, desde que dotada de meios. Quem é elegante serve-se desses artifícios  mas não se prende a eles, não deixa que eles se sirvam de si, tendo presente que "do mundo nada se leva". O materialismo foi e será (ainda que nesta época de valores diluídos) um conceito burguês, associado ao alpinismo social e às ideias estreitas.

"É impossível que uma mulher invejosa e cúpida, que um homem trivial ou vulgar tenham uma real elegância no seu comportamento; o inimigo da elegância é o espírito pequeno, mesquinho, o interesse pessoal".

"É curioso pensar que a elegância (...) nos faz pensar no passado. Esta palavra evoca o garbo (...) porque ter garbo não é simplesmente ter classe, mas também não dar demasiado apreço à sua vida, a si mesmo. Dar a vida pela honra". 

 Mesmo num fato coçado, ou de camisa amarrotada, um cavalheiro é sempre um cavalheiro. E uma senhora elegante não precisa de espavento, antes pelo contrário, para se fazer notar. Tão pouco a elegância se desvanece com o tempo, como certas belezas, embora exija cuidados. 

"Não há graça possível sem uma bela silhueta. Se for demasiado gorda nunca poderá ser elegante, mesmo usando o mais belo vestido. Evidentemente há vários tipos de mulheres e os manequins diáfanos que apresentam a moda nas revistas não são o ideal a desejar para todas. É absurdo estereotipar-se e conformar-se com a moda actual  O que é necessário é manter-se na melhor forma de si mesma.(...) Como se conserva esse peso? Querendo-o. Querer ser esbelta é consegui-lo. Não se esqueça que engordará se se desleixar e que emagrecerá se o quiser...".


O sentido de honra  temperado com a indulgência para com os outros é um dos aspectos mais espinhosos da elegância de espírito. A mundanidade, o porte, a tranquilidade blasé, a gentileza para com toda a gente, uma certa altivez que não agride a que se mistura o genuíno desejo de não incomodar, de se colocar em último, constituem a fórmula delicada da elegância.


"Saibamos adaptar-nos, pôr-nos ao nível dos que nos falam, nos recebem. Respeitemos as formas de viver dos outros(...) . A elegância de espírito ajuda a comportar-se 
decentemente e com nobreza, a graça ajuda a comportar-se esteticamente, para seu prazer e dos outros. Que é realmente a graça? É uma espécie de encanto, de adorno, que está ligado ao à vontade."

"Se gostar acima de tudo da beleza, da harmonia e da discrição: se fugir da vulgaridade, se souber conservar indulgência, bom senso e humor, a elegância reinará em todo o seu lar".

"O século XVIII, elegante como foi, põe em primeiro lugar o espírito, um espírito que  exige grande domínio, posse de si mesmo, respeito pelos outros, que faz com que as pessoas não se tenham em conta, se pretendam leves, para nunca serem pesadas aos outros. A tolerância, o sentido de humor, a indulgência, assim como o sentido de honra são grandes motivos da elegância porque exigem uma justa noção da pouca importância que representam a nossa pessoa e as nossas dificuldades em face da morte. E onde nos conduz a essa reflexão? A um respeito pela vida, (...) pela pessoa humana, à preocupação pelos outros, à generosidade, ao desinteresse, ao desprezo pelo que é baixo e vulgar...".

 É um exercício diário, uma disciplina constante, com fontes tão diversificadas como as referências de cada um, o berço, a educação em casa e porque não, a formação religiosa. Os ensinamentos Católicos são uma excelente escola de saber estar para quem está atento, por exemplo. 
 O que importa é ter presente que ou o refinamento vem de dentro, ou não há arrebiques que valham. E vigiar-se diariamente, com humildade e poder de observação, até que os reflexos se tornem automáticos. Afinal,

" Não há elegância no comportamento e no vestuário sem elegância de espírito".











                                       
                       

E em tempo de saldos...closet organizado = menos problemas!

Não queremos esta cena todos os dias, pois não?

Manter o guarda roupa actualizado, organizado e funcional é uma grande canseira. Exige atenção constante, arrumações periódicas, reflexão, idas e vindas a costureiras e lavandarias e alguma capacidade de abnegação: ninguém que goste de trazer para casa peças novas com certa regularidade pode manter as suas coisas ordenadas se não se desfizer daquilo que já não utiliza de tempos a tempos. É sempre melhor ter um closet completo, mas limitado, que se conheça bem, do que um monte infinito de tralha que não está à vista, nem em perfeitas condições, entupido de peças que não se sabe se servem ou como assentam. 
 Fazer um esforço sazonal para ter toda a colecção de roupa, calçado e acessórios em ordem é meio caminho andado para um estilo fabuloso no dia a dia, sem precisar de pensar muito nem perder tempo pela manhã
 Poupa stress, repetições e fashion faux pas que se cometem quando não olhamos devidamente para determinadas toilettesA surpresa e a falta de atenção nunca são boas conselheiras.

Não há nada mais agradável do que ter fatiotas bonitas à espera de ser usadas, e vestir-se em menos de um fósforo. E com a reentrée (por mais que nos custe) à porta, mais necessário se torna ter tudo à vista e à mão.

Além das limpezas profundas (uma ou duas vezes por ano) é muito útil fazer um refresh nas férias e/ou na entrada de estação. Principalmente antes da ida aos saldos (ou se a preguiça levar a melhor, depois da dita ida...) quando invariavelmente chegam algumas coisas novas. Roupa nova, se não for devidamente organizada, causa mais confusão, e não tiramos dela o devido partido...e não é isso que se pretende.
 Esta semana fiz algumas alterações a nível logístico para acomodar melhor certos artigos que me andavam a tirar o sono: é o caso da minha colecção de écharpes. Recomendam-se os cabides próprios para o efeito, pois se forem muitas corremos o risco de não as ver. E peças que não se vêem, corpo que não as veste! Ninguém quer um armário ou quarto de vestir cheio de coisas lindas que nunca vão à rua. Isso não só conduz a vícios de estilo como é um desperdício de espaço e de recursos que nos tempos que atravessamos cai muito mal. 
 Muito já foi dito sobre o assunto por aqui, mas nunca é demais lembrar que:

- Não pode ter pena de se desfazer do que está estragado.

- Uma má compra que anda há séculos a ganhar pó só tem três destinos: a venda de garagem (ou eBay, etc) o saco da roupa para oferecer a amigas ou instituições, ou a estante da lavandaria onde coloca a roupa que precisa de ser arranjada/adaptada. Se não tem uma estante dessas, mas tem muita roupa em  estado de caos, aconselho-a a arranjar uma lá em casa - longe da roupa que está em uso! Assim saberá exactamente o que precisa de intervenção.

- Fazer adaptações está in, e tingir roupa voltou a ser moda. Fazê-lo em casa (pessoalmente, não me atrevo a tal operação) ou encomendar esse serviço numa lavandaria competente pode salvar alguns maus investimentos, como "aqueles jeans Versace com um tecido tão macio, mas que são às cores". O preto nunca compromete, lembre-se...

- O que já não serve tem de ser posto impiedosamente de parte: se emagreceu, mande apertar as peças de que gosta mesmo. Se engordou e espera emagrecer, guarde num caixote, longe da vista, as coisas que por enquanto não consegue vestir, até nova ordem. Para quê torturar-se e ainda por cima, desarrumar mais? Algumas mulheres que conheço, e que costumam ter flutuações de peso, guardam as suas "calças de magra" num  lugar específico . É uma forma bem humorada de lidar com a situação, embora exija espaço extra!

- Verifique se os seus casacos estão em condições impecáveis, porque estes representam quase sempre o maior investimento no nosso guarda roupa. Peças boas (sobretudos, calças clássicas, camisas, vestidos de noite) que não passam de moda podem precisar de ir à lavandaria, para engomar ou impermeabilizar.

- Mantenha à vista só, e apenas, aquilo que a faz sentir-se linda e que tem vontade de usar. Há dias ofereci a uma amiga um vestido de que gostava bastante, e que estava em excelentes condições, mas que não era muito prático de usar para mim. Sempre que abria o armário, lá estava ele a ocupar um cabide, mas acabava por não o vestir. Começou a fazer-me uma certa impressão bater com os olhos nele e optei por dar-lhe outro lar. A vida já tem situações repetitivas e chatas que chegue. Se algo não tem uso, não está a acrescentar nada à sua existência. 
 Claro que não tem de se desfazer de todas as peças que andam "em suspenso" no armário: muitas vezes ponho-as de parte para as mandar alterar mais tarde, principalmente se o material e o preço justificarem o investimento.

- Assegure-se de que TUDO o que tem está pronto a usar. Bainhas, fechos, medidas, botões. Não se atura lançar a mão a um vestido e pensar "bolas, não posso levar este porque se descoseu" e voltar a guardá-lo no mesmo sítio, para dali a semanas acontecer o mesmo. Perca a preguiça, junte o que não está bem num saco, coloque-o no carro e visite a costureira. 

- O mesmo vale para a roupa nova, principalmente em altura de saldos quando acontece sempre trazer "aquela saia de sonho que só havia em 38"...e você veste o 34! Regra de ouro: NADA entra no armário até estar perfeito para vestir. Não tire as coisas dos sacos, nem corte as etiquetas. Leve-as logo a quem sabe arranjar, junto com as compras feitas em promoções anteriores que "para ali ficaram" sem uso (been there, done that). Assim vai lembrar-se da quantidade de roupa nova, ou semi, que tem, e valorizá-la antes de se perder nas lojas outra vez. Provavelmente descobrirá coisas que já nem se lembrava que tinha...E como os arranjos não são exactamente baratos, se tiver muita coisa para reparar/adaptar, isso dirá alguma coisa de si: não andará a comprar demasiado? Reflexão e atenção é tudo.

- Por fim, outra chave mestra: muitas vezes, em vez de gastar tempo e recursos a comprar coisas novas, é melhor empregá-los em alguns dias de arrumação e/ou em ajuda doméstica de uma senhora competente e despachada que lave, passe a ferro, etc e/ou em incursões regulares à lavandaria mais próxima. Não vale de nada ter imensas coisas bonitas se nunca as vê, ou até se esquece delas, porque estão imenso tempo para lavar/passar/etc.




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