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Saturday, August 17, 2013

Spice Girls dixit: machismos que não movem moinho

                         

"If you want my future, forget my past".



Há perrices machistas a que eu, good old fashioned girl, dou o devido 
desconto, e que têm mesmo a sua piada. Depois há outras que me fazem espécie, que sempre me puseram doente mesmo eu sendo a pessoa mais anti queima de soutiens que pode haver: uma delas é quando suas excelências, carregadas de pecados, implicam com determinada tecla que já lá vai na vida de uma rapariga (que até pode ser uma santa, mas dá-lhes para implicar com A ou B e nada feito) ou no passado da relação (podendo nesse caso, a tecla em causa ser culpa deles ) e dali não se tiram.

    Massacram, massacram e massacram com o mesmo. Lançam em rosto os piores disparates.

 Atrevem-se mesmo a fazer acusações que não lembram ao diabo mais velho.

Eu gosto da Idade Média, mas não para viver nela. 

Acho graça a uma certa possessividade, é infantil, é fofo, mas quando roça a paranóia e o disco riscado...é o momento de uma rapariga pensar muito, muito bem e pôr os pontos nos ii.
Há sempre uma coisa 

imperdoável, inconfessável e vergonhosa no passado de uma mulher.


Sabem qual é? 

As cenas de ciúmes injustas que aturou. Calada. Ou pior, a julgar "ai 

tanto que ele gosta de mim". Tretas.


















































Zac Posen: de rigueur



A Moda, como a Vida, funciona por ciclos. E de vez em quando, atravessa-se uma fase realmente boa. Depois de anos de "assim assim" as temporadas mais recentes têm-nos trazido colecções maravilhosas, marcantes. Que ficam e realmente determinam as tendências vigentes (trocando de certa maneira as voltas à regra que se tem imposto, de ser a rua a ditar as normas) . Basta comparar os guias de estilo do Outono passado com as edições para 2014: a maioria das tendências, materiais e ideias mantêm-se. E se permanecem, é porque precisamos delas. as silhuetas senhoris, a riqueza de tecidos, a inspiração nas épocas mais glamourosas (anos 40, 50 e 60, Belle époque, anos 20...) os tons Outonais de jóia, as aplicações e uma sensualidade dispendiosa, cuidada, que não podia cair melhor nos tempos algo desiludidos que atravessamos. O glamour, a perfeição, o detalhe e o rigor são - finalmente - de rigueur  outra vez. Trata-se de devolver a Arte à Moda (contrariando a ditadura do casual, do adolescente, do desportivo) mas de uma forma usável, exequível...real. 
 A colecção F/W 13/14 de Zac Posen, smart (não há palavra melhor) e luxuosa é o melhor exemplo desta forma de fazer e de pensar Moda. Todo o foco vai para a alfaiataria e o tecido. As aplicações nos próprios materiais libertam a mulher do uso de joalharia, tornando a roupa que usa adorno suficiente. Nada mais lógico em tempos de crise, em que o próprio luxo se transforma como em épocas idas: concentrando-se no básico e no mais importante... a mão do artista que veste a mulher. E a mulher em si. Épico.
                     







           

Jennifer Lawrence, ou o fato de fazenda de lã perfeito- Vogue US de Setembro



Elegante. Ladylike. Humana. Feminina. Vulnerável. Que maravilha: esta é a imagem (acompanhada de Dolce & Gabbanna, of course)  a cultivar nas próximas estações; aposto convosco e sei que não vou perder. E o tailleur  Rochas estilo fato de montar, abaixo?
 Estou feliz por ter um parecido, em preto, a que não falta sequer o cinto de couro (uma obra de arte daquelas "modistes" de assinatura com etiquetas bordadas a fio dourado, que recebiam sob marcação etc) à espera de vez para o Outono. Senão, sei que já estava a dar voltas à cabeça para encontrar algo que remotamente se assemelhasse. Não será toilette a usar com muita frequência (eu diria eventos no campo ou passeios pela cidade em dias muito frios) mas dura para toda a vida. E no ano das saias de balão, não pode haver coincidência mais feliz.
                   

Friday, August 16, 2013

Get the look: the most beautiful girl in the world, by Pucci

                   
Por estes dias entusiasmei-me com o corte na franja e fiquei aborrecida com isso. Depois reparei nas franjas (postiças) do desfile F/W the Emilio Pucci, com toda uma vibe Jane Birkin, e pensei na velha máxima dos limões e da limonada. Acompanhe-se o dito penteado com um cat-eye iluminado por sombra rosada, para olhos grandes, e uma maquilhagem que esculpa as feições, estilo "cara de boneca" natural, e tem-se um visual eterno (a colecção, essa também é um amor, mas vai ficar para outro post porque tem bastante que se lhe diga...).

                                               

Florence Nightingale dixit: uma senhora, às vezes, tem de ser dura.


"Quando escrevia uma carta amável, recebia uma resposta amável e as coisas ficavam por fazer; quando escrevia uma carta dura, recebia uma resposta menos amável e as coisas apareciam feitas".

Para grandes males, grandes remédios. E até a mais angélica das damas, quase uma santa, uma mulher extraordinária sabe que infelizmente há sempre gente que enrola, burocratiza, complica e abusa da boa educação alheia. Por vezes, é preciso descer do salto se queremos ver obra feita e as coisas a andar. Dentro dos limites da polidez, sabendo que a polidez, quando bem usada, corta como uma lâmina. Mai ´nada. Ora agora, aproveitar-se do excesso de chá de uma senhora. Qual!


"Cavalheiros" totalmente dispensáveis....



....há muitos, como estes ou estes.  Mas dentro dos que parecem aceitáveis, decentes ou elegíveis, há dois que se revelam desilusões de primeira água. 

Os que dizem admirar mulheres assim....

                                                   

Ou assim, vá....

                        

E depois vai-se a ver, o que apreciam é isto, isto, isto e isto. Em suma, mulheres do estilo Ana Malhoa, versão low cost. Não é por nada, mas podiam assumir, logo de início "sou um homem rude!". O que ocultar a verdade " sou um valente rústico, um bruto de preferências básicas" traduz de sórdidas mentiras, de vícios e de coisas feias não tem começo nem fim. Se gostam mesmo é de bailarinas da coxa grossa, de poliéster, de coisas óbvias, e acham realmente que isso não tem mal nenhum, não se finjam sofisticados, boa? Porque podemos tirar o rapaz da barraca das farturas mas não podemos tirar a barraca do rapaz, porque a mentira tem pernas curtas e grossas, bem ao gosto deles....e uma mulher que se preocupa com certos princípios não atura coisas tão...bom, pouco refinadas. Não dá mesmo. É mau demais. Sejam honestos e juntem-se às da vossa espécie. Simples. (Podem sempre contratar alguém com melhor ar para vos acompanhar a sítios remotamente respeitáveis...).

Depois, há os que agem como mulheres. Ou seja, melindrosos, tímidos, assustadiços, cheios de ressentimentos, ciúmes parvos e birras que não levam a lado nenhum, a achar-se cheios de direitos mas com muito poucos deveres. Senhores do Mundo mas a comandar do berço, de roca na mão. Não há paciência para vocês, grandes senhores da treta. Não há. 








A primeira saia- lápis

                                         hobble skirt
A expressão "diabo (ou qualquer outra coisa) de saias" pode ter deixado de se adaptar a muitas mulheres que passam a maior parte do seu tempo de calças, mas eu não sou uma delas. Não dispenso os meus jeans, certo: guardo-os para dias descontraídos ou looks específicos, prefiro certos designers ou as marcas especializadas para isso e são quase um tratado em si mesmos. Também já partilhei diversas vezes a minha paixão pelas calças clássicas de tecido: chino, pantalona, boca de sino (poucas coisas tornam a figura tão fantástica como umas bocas-de-sino pretas de cintura ligeiramente subida) e sobretudo o meu adorado modelo cigarrette
Pencil Skirt Mas continuo a ser, e com orgulho,  um diabinho de saias. (Não se costuma dizer "anjo de saias, talvez porque os anjos não têm sexo, ou porque aparecem sempre de túnica, o que acaba por contar como saia...). Não só porque uso muitos vestidos (há lá coisa mais prática, mais simples, mais feminina?) mas porque efectivamente...também tenho uma grande colecção de saias. Por aqui têm-se feito vários posts a mencioná-las, o que demonstra o papel importante que ocupam no meu quotidiano. Devo vestir pelo menos uma por semana. Há dias, um manual de moda antigo fazia as contas à quantidade de conjuntos diferentes que se conseguem fazer se tivermos, por exemplo, quatro saias. E é totalmente verdade. 
 E por mais que se goste da saia balão, linha A ou de quaisquer novidades, a rainha indiscutível é sempre a saia lápis, em preto ou estampada. Vai estar em toda a parte neste Outono, mas em boa verdade nunca sai de cena, porque favorece praticamente toda a gente, combina quase com tudo (nas últimas temporadas, voltámos a vê-la em pele, em ganga ou em outfits desportivos) e em suma, nunca falha.
 Mas como surgiu esta peça indispensável? 
Em 1908 as primeiras mulheres foram convidadas a passear de avioneta. Para evitar que as saias ficassem presas nas ventoinhas, os pilotos pensaram em atar uma corda abaixo do joelho, prendendo a roda. Os fotógrafos que foram registar o evento adoraram o efeito curvilíneo e original do engenho...e as mulheres começaram a andar assim na rua. A "saia manca" (porque obrigava as mulheres a caminhar aos pulinhos) foi um sucesso de curta duração, mas inspirou os "vestidos sereia" que ainda hoje vemos em certas galas. E seria também a inspiração para que em 1940, Christian Dior (who else?) criasse a primeira saia lápis, que vinha contrariar as silhuetas sem forma das décadas passadas. Acompanhada dos ressuscitados espartilhos e de blusas suaves, foi paixão imediata junto das mulheres ansiosas por abraçar novamente a sua feminilidade, com esse design tão provocador que realçava a curva das ancas*. 
                        Pencil Skirt
Afinal a saia lápis, quando bem escolhida, cai bem à maioria das mulheres. Exige apenas algum cuidado com a barriga ou coxas excessivamente proeminentes (then again, naquele tempo havia  saudável hábito das cintas para as senhoras mais rechonchudas) mas pede ancas femininas: curvas elegantes de Vénus. E não deixa de ser curioso que esteja de regresso numa época em que a figura tradicional de ampulheta volta definitivamente à berra, como já vimos. A Natureza acaba sempre por falar mais alto.

(*Podem ler mais detalhes na fonte). 

Thursday, August 15, 2013

"Quem canta antes do pequeno almoço, chora antes do Sol Posto"...

                       

...a avó tanto me martelou com esta que passei a morder a língua antes de tomar o primeiro café, porque mesmo não sendo muito supersticiosa as crenças das minhas avós tinham a terrível mania de bater sempre certo. Se me escapava um dó, era sabido que antes do lusco fusco acontecia alguma que me pusesse triste. Gostar muito de cantar não foi a única razão, mas contribuiu para que eu ganhasse o saudável hábito de não saltar a refeição mais importante do dia. 
 No entanto, nenhuma tradição familiar me advertiu quanto ao que acontece quando se chora antes do pequeno almoço, quando uma pessoa fica assim...mais sensível, ou a pensar na vida, ou acorda de algum sonho menos agradável ou com alguma música triste na cabeça e pronto, lá vai disto. Péssimo hábito. Péssimo. Atrai chatices para o dia todo. Fica o aviso.

Scarlett: a heroína perfeita.

Os ideais tradicionais retratavam, nos livros e nos filmes, a típica Donzela em Apuros, ou a Mulher Fatal: ora a "boazinha"  - a menina frágil, bonita, coquette ou singela mas sempre feminina, que dependia do braço masculino para tudo ( a Escrava Isaura é o exemplo que me vem à memória assim de repente) ora a mulher sedutora, perigosa, de mil ardis (como a Milady de Winter dos Três Mosqueteiros, por quem sempre tive alguma simpatia).  Ambas dependiam da sua beleza, vulnerabilidade e no fundo, da sua sexualidade para ser salvas ou triunfar - mesmo tendo miolos. 
 Os ideais pós feministas, que se têm imposto até nos filmes da Disney, ditam o contrário: a heroína é bonita (Jane Eyre terá sido uma das poucas protagonistas feiotas a ter sucesso) mas quase tão masculina como o rapaz que a acompanha na aventura,  que se vê e deseja para estar à altura da tarefa. Ela é uma artista marcial, uma estratega, uma mulher de negócios. Ser salva, nem pensar; obter o que deseja por meio da sedução, esqueçam - e diz muito dos tempos que atravessamos, e da mudança de mentalidades, que no meio disso tudo seja considerada a heroína e não uma "virago crudelíssima" como Caterina Sforza. 
 A meu ver, os dois extremos têm que se lhe diga. Poucas heroínas,  embora dando desconto ao facto de serem testemunhos do seu tempo, ou retratadas por homens, de um lado ou do outro são completas: ou dependem da sua beleza, ou da sua fragilidade, ou da sua força. 
 Muito poucas traduzem a complexidade feminina, que é feita de um pouco disso tudo. Mas Scarlett O´Hara (só por acaso, fruto da pena de uma mulher) consegue-o. Usa a sedução, o cérebro, a força. É tão resistente como um homem, suporta provações que deitariam abaixo muito cavalheiro, mas não deixa de admitir que precisa de um homem ao seu lado, ou de fazer o possível para encontrar um bom casamento como qualquer mulher do seu tempo e do seu meio. Equilibra o seu espírito independente com a educação patrícia que recebeu. Só é revolucionária na medida em que se atreve a ganhar dinheiro, coisa mal vista no seu círculo. É boa, má, doce, cruel, colérica, generosa, egoísta, honesta, manipuladora, calculista, impulsiva. Pode ser um anjo ou um demónio, conforme a necessidade do momento.  
 Claro que para "domar" uma mulher como ela, é necessário um homem igualmente forte, que a aceite tal como é, na sua caleidoscópica densidade. Não se entendem à primeira, nem à segunda, e o livro termina em aberto: afinal, são dois adversários de respeito. Mas para uma Scarlett ou Rhett, ou nada. Afinal, uma mulher assim sabe muito bem desembaraçar-se sozinha. Apenas tem consciência de que é muito mais agradável fazê-lo acompanhada do herói certo.
 Ou como ouvi a uma certa protagonista italiana de um filme, os homens estão para a vida de uma mulher como a almôndega para o spaghetti: sem almôndega, a pasta não deixa de ser pasta.


As pessoas chatas vão para o Céu ou para o Inferno? Só para saber.

                           


Recentemente, dediquei um post aos pseudo revolucionários com esquerdite aguda que, não tendo nada melhor com que se entreter, se dedicam a maçar as almas. Pois bem, se calhar fui algo injusta ao focar apenas esse tipo de CHATO. Há chatos em todos os quadrantes políticos, religiosos ou sociais. Até chatos...oh Senhor, aqui vai a palavra que abomino pronunciar, coragem Sissi..."reaccionários". 

 Indivíduos absolutamente convencionais, que não dizem senão as mesmas abobrices e balelas de todas as vezes que os vemos; que têm SEMPRE opinião sobre alguma coisa, nem que seja o pior lugar comum que pode haver; que querem ver "toda a gente contente" mas de uma maneira que soa a falso; que se envolvem em tudo o que é associação, evento ou quermesse visando a promoção social, intrometendo-se em tudo e não tendo bem a noção do seu lugar, fazendo-se úteis, sempre com um sorriso untuoso e muito, muito salamaleque. 

    Pessoas destituídas da consciência "estou a mais" e que não sabem quando é o momento de abrandar as graxas, as vénias e as confianças...mas sempre com ar de beatitude pegajosa, de pateta alegre, que só apetece bater-lhes mas sabemos que não dá porque seria uma coisa muito feia dar um pontapé como quem não quer a coisa em alguém tão inofensivo e supostamente bem intencionado. Há cobardia maior do que provocar uma raiva incontrolável nos outros e ser tão "bonzinho" que as vitimas se vejam impedidas, por cortesia, de ripostar? Há coisa mais passivo agressiva? Creio que não.

  Este tipo de chato é muito comum no "saloio amante da cultura", que aprendeu umas coisas e se acha dótor.
 Eu que até ando a fazer por não reparar nos outros, em modo não julgues para não seres julgada, por mais que faça tenho um pé no Inferno - se ter capacidade de observação (e rir-me que nem uma perdida das figuras que os outros nos obrigam a tolerar) é coisa que precipite alguém no Caldeirão de Pêro Botelho.

Por falar nisso, pergunto: para onde irão os chatos depois de bater as botas? Porque se até aqui sempre considerei que existisse o tipo "chato, mas boa pessoa" agora começo a duvidar. Não sei mesmo se é possível ser-se um chato de galochas, um chato acaciano, e continuar a ter boa índole, pois afinal os maçadores provocam a quem está indizíveis sofrimentos. De maneira que vou ter de perguntar esta a um Director Espiritual competente e com paciência de Santo. Ora vejamos. 

Hipótese a) os chatos que são boas pessoas em tudo o resto vão para o Céu, tornando o Paraíso uma maçada monumental, onde nenhuma alma dotada de um mínimo de espírito se pode sentir em casa, quanto mais em bem-aventurança. Se assim é tenho de tratar desde já de ser muito má, malvada mesmo, uma peste. Não consigo suportar a eternidade rodeada de chatos.

Hipótese b) - e que me parece a mais razoável - ser chato é uma das culpas que conduz ao Purgatório. Um chato bem intencionado precisará de expiar a sua chatice por umas eras, para não contaminar o Paraíso. Caso esta seja a opção correcta, há que fazer tudo ao meu alcance para não pôr lá os pés. Chamas espirituais eu suporto, demónios profissionais a fazerem-me cócegas também, a companhia de alguns pecadores com piada eu aguento (sempre me distraía a ver as suas tropelias) mas mais do que um dia na companhia de chatos é muita penitência junta. Ninguém merece.


Hipótese c) os chatos vão para o Inferno, por uma questão de contabilidade de culpas. É que entre um assassino que mata uma pessoa, só uma, e um chato que aborrece de morte centenas delas ao longo da sua passagem pela Terra, olhem que não sei...

 Os Antigos Gregos acreditavam que havia várias zonas do Inferno, consoante os pecados de cada um. Dante disse que os lugares piores estavam reservados aos que escolhiam a neutralidade em momentos de crise. Mas nunca encontrei nada sobre a distribuição logística dos maçadores. Vá-se lá saber se o castigo para quem odeia chatos em vida é ser colocado junto deles no Outro Mundo?

Não sei quanto a vós, mas eu cá não arrisco. Quem é chato neste Mundo só pode ser capaz de continuar a sê-lo no outro. Ou então são flagelos que Nosso Senhor nos manda, para expiação das culpas cá na terra. Lá dizia Sartre que o Inferno são os outros. Pois.






Wednesday, August 14, 2013

Momento místico da semana

              
Planeamos ir a um sítio, e sucessivamente...três carros ficam fora de combate (seguidos: nem um, nem dois, mas TRÊS).  E um dos convidados tem um completo fanico, outro entra em modo "fusíveis queimados" por causa disso e já não quer sair, enfim, um simples passeio que não tinha mal nenhum torna-se uma Odisseia.  Isto entre outros disparates, percalços e coisas que não lembram a ninguém, que até parece bruxedo. Pelo sim, pelo não, uma pessoa queima um incenso daqueles tipo aguarrás, para matar a urucubaca, reza longamente antes de dormir, a avaliar se terá feito alguma maldade nos últimos meses, alguma partida  que tenha escapado ao crivo do exame diário de consciência, e pede  a Nosso Senhor que nos oriente para corrigir o erro. Acorda de manhã e dá-se conta que a inspiração que se recebeu foi..."foste boazinha demais e devias ter agido com mais esperteza" o que, a nossos olhos, parece "devias era ter feito umas valentes maldades". Isto quando não se é uma Joana D´Arc fica-se na dúvida se é inspiração divina, ou a imaginação a falar mais alto. Certo que Deus Nosso Senhor não quer que a gente seja palerma o Bem Sempre que possível, o Mal quando necessário fazem parte das verdades em que acredito, muitíssimo mencionadas no Imperatrix, mas quando se anda à procura de aperfeiçoamento espiritual acontecerem coisas destas, e ter "revelações" destas? 
É que se as circunstâncias conspiram para fazer de mim uma santinha de pau carunchoso,  esqueçam. Comigo é tudo ou nada, que nunca tive paciência para hipocrisias...

Ainda não gosto de pensar no Inverno, mas....

....estou ansiosa por usar isto:

Ralph Lauren Chalk-Stripe Caitlyn Pant



Calças "pantalona" com riscas de giz Caitlyn, Ralph Lauren.

Falou-se neste tipo de calças ontem, são um investimento recorrente no meu armário e não há nada como a versão riscas de giz para nos colocar na pele de "mafiosa, mas com bom ar", nem quem iguale Ralph Lauren quando se trata de dar um aspecto polido a uma peça tão simples. No entanto, como já foi falado aqui, algumas marcas de fast fashion estão cada vez mais sofisticadas no que a cortes, moldes e materiais diz respeito: o tailleur abaixo, da Zara, está igualmente à espera dos dias frios para dar um ar da sua graça. E já tem um sapato a condizer, para um outfit "oh la la" com toque retro. Oh well, uma rapariga diverte-se. E as meninas? Já estão "de olho" nas toilettes para os dias mais fresquinhos?

                                



Tuesday, August 13, 2013

Senhoras com mais de 50, evitem...

A idade de uma senhora nunca deve ser objecto de comentário. Manter um espírito jovem e alegre é essencial, e reparos maldosos a quem gosta de se divertir com bom senso, ou tem um visual mais garrido, são de um extremo mau gosto...ou mesmo maldade. Há que respeitar as preferências e espírito de cada um (a), tendo presente que tudo se pode fazer/usar dentro do gosto e da sensibilidade.  No entanto, vejo senhoras a quem por vezes parece faltar alguma noção do que é adequado, e noto que além de certos vícios de estilo comuns, muitos desses faux pas se manifestam após certas crises da vida, como por exemplo um divórcio complicado. Sei muito pouco mas aprendi ao observar bons exemplos que quanto maior a crise, maior deve ser a compostura. Quando na dúvida, ser extra discreta numa fase difícil é melhor do que o contrário, e volto a citar Madame de Maintenon: é preferível passar por circunspecta do que por tola
 Sendo certo que hoje é mais complicado determinar esse conceito da "meia idade", que as mulheres mantêm bom aspecto até cada vez mais tarde  e que muitos modelos de roupa ou sapato disponíveis no mercado se adaptam a toda a gente, convém notar que uma mulher que ronde os cinquenta poderá, a bem de um visual bonito e apropriado, abster-se de:

- Abusar de artifícios como nail art, lentes de contacto coloridas (que raramente resultam naturais) ou extensões de cabelo mal feitas. Pessoalmente, creio que são "fantasias" que precisam de muito cuidado para resultar com classe; "sujam" o visual e  numa senhora "respeitável" não caem mesmo bem.

- Tatuagens, principalmente se forem muito visíveis, indiscretas ou em zonas do corpo que tendam a ganhar flacidez. Pode parecer um sinal de "rebeldia" ou "juventude" mas  onde está o desafio se hoje em dia qualquer pessoa se tatua? Parece estranho - a não ser que se tenha um estilo completamente alternativo e/ou um ar muito jovem - e francamente, popularizou-se demasiado. Antes de passar pelo salão de cabeleireiro da sua rua e marcar o corpo com a data de aniversário dos filhos, uma frase feita estilo "Carpe Diem" ou um desenho estrambólico cujo significado desconhece, pense duas vezes. Não é melhor empregar o dinheiro numa peça de roupa realmente bonita que dure anos, numa massagem que a faça sentir bem, num óptimo creme, num tratamento de beleza ou noutro mimo que assinale " estou numa fase nova da vida" sem fazer estragos?

- Se lhe apetece fazer um disparate dos grandes, uma extravagância, uma grande maluqueira, invista em roupa de designer, de griffe, realmente boa, mas discreta, ou em jóias. Primeiro, porque as tira ao chegar a casa e os danos não são permanentes. Depois, porque pode sempre reaver o dinheiro.

- Cores de cabelo fantasiosas (como violinos, ruivos muito vivos, violetas, madeixas às cores ou acajous) exigem bastante cautela, por parecerem artificiais e não resultarem em todas as peles. Ruivo com bronzeamento artificial é o fim - poucas coisas envelhecem tanto. Tons bonitos, ricos e neutros (louro, caramelo, acobreado, castanho claro, castanho café ou preto natural) ou madeixas suaves dão um ar muito mais "limpo" e repousado ao rosto.

- Os cabelos curtos e espetados, à anos 90. Sabe as mudanças de visual do Correio da Manhã? Fuja disso como da peste, por mais que a sua cabeleireira, com um olho em si outro no Big Brother, insista que lhe vai tirar anos de cima. Há muitas formas de usar o cabelo mais curto que não a farão parecer uma senhora mascarada de delinquente juvenil. Na dúvida, o brushing natural ou caracóis suaves caem bem em qualquer idade. Vá pelas soluções simples. É sempre mais fácil dar vida a um penteado clássico com um vestido ou acessório alegre do que "encadernar" o mau ar que um penteado desses dá.

- Cortar obrigatoriamente o cabelo: a ideia "uma senhora não pode usar cabelo comprido" é um mito, e muita gente parece mais velha do que é por acreditar nele. Pode perfeitamente manter o cabelo abaixo dos ombros se esse é o seu visual de eleição, desde que o use bem tratado e com um corte actualizado, que favoreça o rosto.

- Maquilhagem brilhante: os bâtons nacarados (especialmente num tom mais claro do que a pele) e as sombras azuladas deixaram de estar na berra por uma boa razão: dificilmente favorecem quem quer que seja, e numa pele marcada por algumas rugas o resultado é de tremer.

- Esforçar-se demasiado: faça exercício, mantenha-se em forma, vista coisas bonitas mas não tente recuar anos e pensar "não usei mini saia quando era nova porque o meu marido não gostava, mas agora vingo-me". Há ocasiões que passaram; paciência. Tanta roupa que ainda não usou a chegar às lojas todas as semanas e tem de competir com as colegiais? A idade também traz sabedoria de estilo. Uma mulher linda é sempre linda, e águas passadas não movem moinho. A ideia é parecer bonita, bem arranjada e não tonta.

- Grandes decotes e outras peças reveladoras: as regras ditam que uma senhora madura não deve usar decotes demasiado atrevidos. Then again, decotes demasiado atrevidos não ficam bem nem às raparigas...logo, esta questão é mesmo de gosto e bom senso. O visual Samantha Jones não é para todas: exige uma personalidade extrovertida, muita confiança e um corpo fantástico. Repare-se que apesar de Samantha ser ousada, nunca deixa de manter uma certa classe nas suas fatiotas. Mas noutras mulheres, o seu look seria um desastre. Se tem uma bela figura e um rosto fresco pode atrever-se um bocadinho, mas pense sempre "o que diria eu se visse a minha pior inimiga nestes reparos?". Se acha que não teria nada a apontar, siga.

- Se aumentou de peso ou a sua pele não é firme, sabe que terá de se cobrir um pouco mais: roupas de bom corte, boa roupa interior (soutien, soutien, cinta, soutien...provavelmente estará na hora de visitar uma casa especializada e voltar a escolher a lingerie da sua vida, que suporte tudo no lugar)  bons tratamentos/exercícios/cremes são os seus melhores aliados. Mostre o que tem de bom e esconda aquilo que não faz nada por si.

- Tops de alcinhas e a temível cava americana são um negócio arriscado em todas as idades. Evite os modelos demasiado descapotáveis, desportivos ou juvenis, a não ser que esteja mesmo a fazer desporto.  Com o soutien à vista, pior um pouco. E em geral, há que ter atenção aos braços: ou faz por os manter bonitos e firmes, ou talvez seja melhor ideia cobri-los com mangas soltas ou a 3/4.

- O visual/atitude "sexy e desesperada": não adopte nada (visual, comportamento, hobbies ou locais) que diga "quero refazer a minha vida". Se o fizer, pode arranjar um pretendente rapidamente. Ou dois, ou mais. 
Mas garanto-lhe, e o exemplo de mulheres que conheço não me deixa mentir, que será o tipo errado de candidato:  um sujeito que não recomendaria às suas amigas e para quem não olharia noutras circunstâncias. Há que não cair em exageros: uma mulher de "meia idade" pode ser sensual sem roçar o ridículo.

                                   Dana Delany
A simplicidade e o seu look habitual com um ligeiro "upgrade"  nunca a deixarão ficar mal. O aspecto dispendioso, luminoso e intemporal, que com as devidas actualizações fica bem dos 25 em diante, é sempre o mais seguro. Os elencos de séries como Bones, Body of Proof ou Desperate Housewifes têm óptimos exemplos de visuais elegantes, sexy e "à prova de idade". Num estilo clássico ou ultra elegante com um "twist" mulheres como Nati Abascal ou Carolina Herrera são uma excelente inspiração, porque nunca erram. 






Bons investimentos para o Outono

Com as lojas ainda em saldo e as novas colecções já a apetecer, é boa ideia ir olhando para as peças que - se ainda não vivem no nosso armário - podem vir a fazer jeito para a estação fresca. O Refinery 29 fez uma selecção e esta vossa amiga, que gosta de filtrar a informação útil, escolheu algumas que têm estado presentes nas últimas temporadas, reforçado a presença e não vão sair de cena tão cedo: umas porque são básicos que não podem faltar em qualquer guarda roupa, outras porque regressam sazonalmente, acrescentando "aquele toque" ao visual. Se vos falta uma full skirt, ou uma calça cigarrette curta, preta (ou como eu, nunca têm demasiadas) esta será uma boa estação para adquirir esses essenciais sine qua non. Se *à semelhança de certas pessoas, cof, cof* têm uma grande colecção de lenços e cintos bonitos, este é um excelente ano para lhes dar uso. Já a saia "trumpet" ou túlipa, ainda pouco vesti as minhas mas estou ansiosa e recomendo: favorecem imenso a figura e basta um top preto para um visual fofinho, elegante e romântico. Happy quest!
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Voltem, escolas de charme e "Formação Feminina"

                        
A tradição das encantadoras "finishing schools" ou "charm schools" na Suiça está praticamente extinta e para não desaparecer de todo, precisou de se adaptar aos tempos. Se antigamente (graças à localização central, estabilidade e beleza do país) as famílias distintas da Europa confiavam as suas filhas a estes estabelecimentos para acabar de "polir" a sua educação - daí o nome -  o que lhes permitia brilhar em sociedade e as preparava para o papel de esposas perfeitas, hoje boa parte das receitas dos institutos sobreviventes advém de novos públicos (alunas árabes, chinesas ou da América do Sul) idades e formatos (cursos de protocolo para profissionais das Relações Públicas, por exemplo). Mudanças de cenário, como a "libertação" da Mulher e o consequente acesso generalizado do público feminino à educação regular - faculdades, etc - acabaram por tornar démodé a ideia de "escolas de graça senhoril". 
 Por cá, os pais que por qualquer motivo não confiavam as filhas como internas em escolas estrangeiras encontravam alternativa nos bons colégios de religiosas, no acompanhamento de "mademoiselles" disciplinadoras, em cursos específicos oferecidos por alguns estabelecimentos ou no próprio seio do lar, onde mães ou tias atentas se encarregavam da tarefa. É errado pensar que a educação da mulher não era coisa levada a sério em tempos idos: era-o, e bastante, mas com um currículo específico que (se não deveria ser o único) dava bastante jeito hoje, como complemento. Os rapazes, por sua vez, eram preparados em escolas como o Colégio Militar, o que nos diz algo da "democracia" existente apesar da clara separação de papéis.
                         
Não vamos mais longe: a minha querida avó, vendo que tinha uma filha com o péssimo hábito de ser maria-rapaz (influência dos livros "Dos Cinco") não foi de modas e fez marchar a filha para um curso desses, para grande desgosto daquela. Não houve birras que a demovessem. Sinais dos tempos, eu hoje guardo os livros desse curso como um tesouro e tiro daí bastantes ideias úteis. Mas alguma coisa ficou: quando chegou a minha vez, foram tomadas medidas...embora menos rígidas. No meu caso, essa preparação foi feita pela família, com a ajuda de bons professores de quem já falei, mas não me importaria nada de ter estudado disciplinas dessas na escola, em vez de muitas "cadeiras" que eram mais do mesmo...afinal, como se concebe que num Curso Superior de Relações Públicas as alunas (dos rapazes já nem falo) se licenciem sem uma mínima noção de protocolo, por exemplo? Essa parte é completamente deixada ao background de cada um...o que a meu ver, não vem trazer "igualdade" alguma.
Compreendo que as aulas de bordado fossem detestáveis (para mim, que me impaciento com lavores) mas será de esperar que a Educação se limite a currículos científicos? Que não prepare o espírito, o saber-estar, a postura, a civilidade? E isto, para raparigas e rapazes...
 Uma das minhas bisavós não recebeu educação formal no sentido moderno do termo. Não porque os pais não tivessem possibilidade (os filhos rapazes foram estudar) mas porque achavam que uma menina não podia "meter ideias na cabeça": enviaram-na para uma modista francesa (o que lhe viria a dar um jeitão durante a II Guerra) que era, simultaneamente, uma escola de saber estar feminino. Aprendia não só pelo currículo, mas pelo exemplo. Podia não ter grande "cultura" mas foi sempre uma senhora. Outra das minhas bisavós  educou-se em casa, com "mestras" - e foi igualmente uma senhora mesmo nas circunstâncias mais árduas. Hoje, o que temos? 
 Meninas com um currículo académico razoável, mas que não fazem a mínima ideia de como andar, vestir, falar ou dirigir-se às pessoas. Raparigas que vão para a faculdade em certos e determinados preparos. Dizem palavrões, falam aos gritos, atropelam professores à porta das salas. Pessoas que receberam instrução (e a aproveitam ou não conforme querem e podem) mas não educação. Não sabem pôr uma mesa, ter uma conversa, receber adequadamente uma pessoa que visite, por exemplo, a empresa onde trabalham. E isso é mau porque o treino formal nesses aspectos não só é importante para ocasiões de maior exigência como corrige defeitos de carácter, como a timidez ou atrevimento excessivo. Se não nos habituamos a reparar nos detalhes, deixamos gradualmente de prestar atenção ao essencial - coisas tão óbvias como dizer " obrigada", "dá licença", "faça favor" ou dar a passagem a senhoras ou pessoas mais velhas. Temos um povo mais instruído, mas não necessariamente bem educado: um povo de serigaitas e brutamontes, muitas vezes. O "tocar piano e falar francês" pode não ser tudo na vida. Ser "prendada" pode estar fora de moda. Mas instrução não é, de todo, educação; e sem educação não há instrução que dê frutos. 






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