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Saturday, August 24, 2013

My baby shot me down: do atleta que assassinou a namorada...

                                   

...e deu a desculpa mais esfarrapada de todos os tempos. Oscar Pistorius, apelidado de "Blade Runner" graças às próteses que lhe permitiam correr,  foi o primeiro atleta paraolímpico a concorrer nas Olimpíadas em pé de igualdade com atletas não deficientes. Agora está acusado de assassinar a namorada, a bela modelo Reeva Steenkamp, a tiro, arriscando prisão perpétua. 
 Ele não nega ter disparado a arma: alega que acordou a meio da noite, sentiu ruído, não reparou que a jovem não estava na cama (say what?) e julgando que um ladrão se tinha fechado na casa de banho, PIM, PAM, PUM - quatro balas fatais através da porta. 
 Isso já seria esquisito (no mínimo, pergunta-se "querida, estás aí?") mas pior se torna quando a acusação afirma que para disparar àquela distância, Oscar teria de colocar as próteses, levantar-se e aproximar-se, o que prova que o crime foi premeditado. Vizinhos também ouviram discussões (frequentes, segundo outras testemunhas) na casa antes do homicídio e segundo a mãe da vítima, Reeva teria muito medo do namorado. Ou seja, era uma questão de tempo até o "mau feitio" do atleta levar a um desfecho destes.
 As mulheres que já se tenham relacionado com um homem de temperamento instável sabem o inferno que isso pode ser. Já aqui se falou em violência psicológica, que quando prolongada, leva quase sempre a situações de risco físico. 
 Neste caso concreto, sem querer adivinhar nem generalizar (porque um indivíduo não se reduz à sua deficiência, para o bem e para o mal) parece-me que Reeva confiou e desculpou sucessivamente situações imperdoáveis. Porque gostava dele, porque coitadinho, é traumatizado e talvez porque (afinal, somos humanos) achasse que ele iria apreciar  o facto de uma mulher tão linda o amar e aceitar exactamente como ele era, sem reservas. Só porque um rapaz é , desculpem lá, manquinho, isso não faz dele boa pessoa (nem pior pessoa). E quem diz manquinho diz inadaptado, complexado, vindo de um meio menos privilegiado do que a companheira, ou mais feio do que ela. 
 Conheço mulheres lindíssimas que são joguetes nas mãos de "gordinhos simpáticos" e baixinhos carecas. Mulheres amorosas, bonitas, bem nascidas e abastadas que são maltratadas por namorados...bom, com pouco que os recomende e que ainda se ressentem de terem encontrado um "bom partido". Um canalha é um canalha, e os canalhas não são gratos nem retribuem a devoção de ninguém. Arranjam sempre uma desculpa para descontar os nervos e as frustrações em quem está ao seu lado. 
 Mais uma vez o digo: as mulheres precisam de perder a mania de tentar "consertar" quem não tem arranjo. O apelo dos homens danificados está na mania muito feminina de brincar à heroína, à mártir, da sensação "eu sou tão especial que consigo reformá-lo, ser bem sucedida onde as outras falharam". Percebam: não há nenhuma glória nisso. Ser especial, corajosa e forte não está em resistir, aguentar, perseverar - está em detectar o perigo, correr depressa e mandar o rapaz a um bom psiquiatra que o ature.
 Agora, "confundi a minha namorada com um ladrão"? Seriously? Esse é o argumento mais chinfrim de todos. Não se arranjava uma teoriazita menos disparatada?

Pessoas que se dependesse de mim ficavam sem negócio.

                    

Digo várias vezes que é preciso movimentar a economia, mas gostos são gostos. Não podemos chegar a tudo, ainda bem que há preferências diferentes porque assim o mundo "não se tomba" como diz o povo, mas no que dependesse de mim como cliente, estes negócios não passavam da cepa torta. 

- Os chefs que cobram um balúrdio para nos darem a honra de nos fazer cozinhar a própria refeição: para já, porque embirro com chefs superstar que falam em "reduções" disto e daquilo. Depois porque era só o que faltava, ir comer fora e ainda obedecer a ordens de um cozinheiro snob. Que canseira!

- As pessoas que fazem artesanato urbano com trapos e bijouteria de plástico. Com todo o respeito pelo seu trabalho, que até pode ser fofinho e colorido e treca treca, não consigo achar elegância nenhuma naquilo. 

- As lojas de bijouteria de um modo geral. Conheço pessoas que gastam balúrdios nisso- eu prefiro investir em materiais nobres ou não usar nada, o que me facilita bastante a organização do orçamento para "modas e elegâncias". A excepção é feita a certas pulseiras de metal ou strass de muito boa qualidade.

- Os donos dos solários: nunca na vida me deitava num forno daqueles. Não só porque faz mal e não faço questão de andar bronzeada, mas porque acho a geringonça sinistra.

- As senhoras que fazem nail art. Coitadas, comigo não podem puxar pela criatividade: porcelana, encarnado e rouge-noir, e olhe lá...nem ursinhos, nem bonequinhos, nem verniz caviar, nem verniz magnético a imitar balões dos anos 80, etc, etc.

 - As cabeleireiras que colocam extensões. Nada feito. Se precisar de mais cabelo para uma ocasião extra, há clip ins para isso. Mas geralmente, embirro com postiços.

- As senhoras dos brow corners plantados no meio dos corredores do shopping, para curioso ver ...e os salões envidraçados tipo aquário, pelos motivos que já expliquei aqui. Não sou cobaia, sorry.

- As companhias aéreas low cost. Só se for obrigada por questões de trabalho. Voar já é mau que chegue; fazê-lo apertada, sem mimos e com pouca bagagem é demasiado para mim.

- As empresas de "experiências" chatas vendidas em vouchers. Especialmente para actividades de grupo, porque detesto multidões.

- Os festivais de música: pagar um balúrdio para estar de pé, dormir ao relento, ver "o artista" lá ao fundo que nem com um telescópio se percebe nada, levar pisadelas, etc...parece-me que toda a gente lá está a fingir que se diverte, só porque é tão cool e tão rebelde e tão jovem. Não. Nunca gostei, nem na adolescência. Woodstock só houve um, desculpem lá, e foi o que foi.

E vocês? Em que é que não gastam mesmo o vosso dinheiro?

Friday, August 23, 2013

Provincianos há muitos: bons, maus e os "figurões da terrinha". E eu embirro com os dois últimos.

Este é um modelo genuíno.

Numa época em que muitos portugueses parecem fazer desesperada questão de ser "muito urbanos, muito cosmopolitas,  muito trendy" (o que é algo parolo em si mesmo, já que boa parte nasceu ou tem origem no campo) eu que sou orgulhosamente de Coimbra - logo, para os provincianos que se fazem lisboetas, provinciana e com muita honra - mas vivi parte da vida na nossa tradicional, amorosa e familiar Capital que certos hipsters querem transformar à viva força numa mini e afectada Nova Iorque (outra parolice) e que tenho raízes familiares numa das mais antigas e particulares vilas do nosso país, faço toda a questão de abraçar o meu lado campestre. Tenho mesmo pena de não me poder esconder lá não sei para onde, algures no Norte, num provicianismo elegante e desbragado, estilo "A Cidade e as Serras". Mas lá dizem os espanhóis: pueblo chico, infierno grande. E há "complexos saloios" verdadeiramente insuportáveis.

Porque podemos analisar aqui,  só por carolice, vários tipos de provincianismo. Comecemos pelos provincianismos simpáticos:

- O provincianismo naïve, genuíno, simples e campesino, de quem não é nem quer ser outra coisa (ou "a boa gente do campo").

- O provincianismo cool, blasé, nonchalant, de quem se está perfeitamente marimbando para modernices pretensiosas e vive lindamente retirado, até porque sai "da terrinha" quando quer e bem lhe apetece (e às vezes, nem quer): o género "fidalgote de província" ou provinciano cosmopolita, se quiserem.

- O provincianismo de quem se mudou, ou voltou, para a "província"/campo/terra onde Judas perdeu as botas por opção. Gente empreendedora e desempoeirada.

- O provincianismo algo extravagante, mas inofensivo, de certos hippies que se escondem nas serras a fazer agricultura biológica, a recuperar cottages e outras coisas que os hippies fazem.

 Depois temos os provincianismos péssimos:

- Os tais provincianos que dão mau nome à espécie e que fazem com que o termo seja um insulto. Têm complexo de ser "provincianos". Queriam ser lisboetas ou viver na Linha e não se conformam com isso (como se a "Linha" não fosse, sem desprimor algum, um "arredor", e Cascais não fosse uma vila!). Tornam-se mais lisboetas que os lisboetas, mais parisienses que a gente nada e criada em Paris, o seu sonho é ser nova iorquinos, fazem-de de hipsters, divulgam sushi no instagram quando na realidade detestam peixe. Poseurs, pseudo, wannabes, tudo neles é postiço, deslumbrado, pateta, típico do provinciano que nunca viu nada, a quem falta mundo,  em suma.

- E por fim, os provincianos do piorzinho: os que não renegam as suas origens, mas "evoluem" sem se polir, perdendo a ingenuidade e franqueza que lhes dava algum encanto.
Figurões lá da aldeia, que têm a mania que mandam em tudo: nas "colectividades", na paróquia, na junta, nas IPSS, na filarmónica, no clube de futebol e em todas as organizações  que são o "ai Jesus" desse povo.  Uns porque emigraram com sucesso, voltaram e decidiram "fazer pela terra" com um paternalismo disfarçado de generosidade, ou seja, esperam vassalagem de toda a gente e medalhas do Presidente da Câmara.
 Outros porque são políticos de pacotilha, o verdadeiro "Presidente da Junta", tiranetes de meia tigela. E há outros ainda que foram "tirar um curso", ganhar alguma "cóltura" mas, à parte muita mania de se arvorarem em "pessoas finas" - termo que para eles significa gente civilizada - ou "defensoras da cultura/da Igreja/ da literatura/ do Património", voltaram exactamente na mesma. Para começar ninguém lhes consegue tirar o ar de sopeiras/cavadores de enxada/figurantes de rancho folclórico nem com aguarrás, porque isso do ar que se tem nasce e morre com cada um e por mais que se encaderne, nada feito. 
Eles parecem sempre jornaleiros famélicos ou se forem para o forte, taberneiros. E elas , quando não são Ruth Marlenes da vida com um anel de curso e diploma de catequista, optam pelo tipo "parolinha culta e respeitável". Enchouriçadas nos seus vestidos de missa e penteados rígidos em cada ocasião que se lhes afigure minimamente "especial" , carregadas de base que parece glacé de um bolo, as suas feições algo grosseiras, os seus modos untuosos e subservientes, enteiriçadas em poses que não lhes saem naturalmente, fazem  o tipo "antiga criada de servir que se finge senhora" como se dizia antigamente.
Eles e elas vão fazendo vénias a este e àquele, marcando presença em cada "cerimónia oficial" da terrinha, mandando na Igreja, enfurecendo o pobre do prior de forma passivo agressiva. Forçam amizade com cada "figurão de fora" que visita a terra, fazendo-se sabujos e íntimos, ganhando território e autoridade com muito mel e muita peçonha, juntando-se a sucursais de "clubes internacionais de beneficência" se os houver, entrando em todas as conferências de caridade, dando muita importância a cada porcaria que se passa,  querendo passar por senhoras, cavalheiros, "doutores" e aturando tudo para serem tolerados em casa das pessoas minimamente respeitáveis que por lá haja. Aparecem no pasquim local, organizam soirèes para ofender as musas com péssima literatura, bordam, declamam, escrevem, mandam vir, intervêm,  fazem bolos e procuram passar, essencialmente, por muito boas pessoas. Mas a cupidez aldeã e o chico espertismo estão lá, em todo o seu esplendor e não conseguem passar por pessoas distintas assim que põem o pé fora da freguesia.

São, essencialmente, pessoas assim que fazem com que muita gente fuja da aldeia, ou da província. Mandasse eu neste país e arranjava uma província ultramarina qualquer para enclausurar os provincianos que estragam a província, e os provincianos que querendo ser urbanos, estragam a vida na "cidade". Só cá ficava gente genuína. Era certinho.

Mais uma para a desgraça: despedidas de solteira muito estranhas.

            boudoir-photos

Esqueçam os strippers oleosos de terras de Vera Cruz e os véus pindéricos de tule cor de rosa com símbolos de fertilidade obscenos plantados na cabeça da noiva. Isso é passé: jura o New York Times que o último grito em matéria de despedidas de solteira, na melhor vibe bridezilla meets " hoje toda a gente faz books fotográficos, até a manicure da esquina", é tirar um retrato de grupo com as damas de honor em roupa interior (passe a rima) ou como vieram ao mundo. E assim se vai tornando verdade que estamos no Faroeste
(lembram-se do estribilho?). Isto tudo com a desculpa de "dar poder às mulheres". Expliquem-me lá como é que uma fotografia pateta dá poder a alguém. Nada contra ter um "retrato secreto" para recordar " que gira que eu era" na velhice, mas isto é levar ao extremo o modismo suburbano de transformar o Sacramento ou vá, o Casamento Civil, na festa da pouca roupa, ou...*inserir nome*.
 Assim como assim, convidadas e noiva também já vão meio despidas para a Igreja, mesmo; por isso já nada me espanta. Se calhar, no meio de tanto "vestido de noiva corpete", salto de stripper e "toilette-prémio-de-convidada-mais-sexy" isto ainda é capaz de ser mais honesto. What you see is what you get e mais nada. Mas tenho para mim que se eu fosse homem, e 

hipótese a) noivo da noiva atrevida.
hipótese b) noivo de uma das damas de honor descaradas.
hipótese c) pretendente de uma das damas de honor.

vendo uma coisa destas, cancelava os planos imediatamente. E no caso de ser irmão ou pai de uma delas, lhes dava um belo puxão de orelhas, no mínimo, e a seguir pintava a cara de preto e dizia-lhe "ó filha, eu não te conheço". Opiniões desse lado?

Momento anti crise: toca a reciclar...

                                              Chloé Leather chelsea boots
                                                              Chloé

...os saltos chunky e clássicos, do mais normal que há, nem finos nem compensados, que ainda andem lá por casa dos  tempos de liceu. Não sei quanto a vocês, mas muito calçado antigo que guardei voltará a ver a luz do dia. 
De vez em quando sabe muito bem usar algo prático, discreto, funcional e...normal. Se me perguntassem, diria mesmo que não sei como é que estes "saltos sensatos" alguma vez passaram de moda.

Vai-te, Afonso.

                      File:PinturicchioAlfonso.jpg
But not me....
Apesar das minhas reservas iniciais, acabei por gostar da série The Borgias. Com esse tema e Jeremy Irons, tinha de arranjar maneira de gostar. Mas também não é preciso abusarem da minha paciência: escolherem para interpretar Afonso de Aragão, segundo marido de Lucrécia Bórgia (acima) e "o mais magnífico jovem que jamais pisara Roma" este mocinho simpático mas enfezado, com ar de rústico que não comeu a sopa toda...é fazer pouco da História. Ou de mim. O amante fictício que lhe arranjaram, Raffaello (inspirado, sem dúvida, no "Príncipe dos Pintores")  tinha muito mais a ver com o verdadeiro Afonso. Pobre Lucrécia - normalmente, é suposto a TV fazer as pessoas mais bonitinhas do que foram na realidade, e não o contrário. Oh, well.
              

Thursday, August 22, 2013

A sensualidade de uma mulher é exactamente como o nosso roupeiro...

                                        



...se estiver desarrumado, com peças fora do alcance da vista, não se chega a dar uso a um terço daquilo que se tem. O investimento em roupas, sapatos e acessórios é desperdiçado. Assim é tudo na vida: o que não vemos, não recordamos, não pomos em prática, não usamos e não exercitamos...atrofia. Torna-se inerte, inútil. 
  Todas as mulheres têm uma sensualidade inerente (mal estaríamos: a Natureza assim determina). É algo que independe da beleza plástica, apesar de ser tão relativo como a própria beleza; também não anda necessariamente de mãos dadas com o carisma (embora o carisma ajude...) ou mesmo com a elegância (se bem que sensualidade acompanhada de elegância seja o supra sumo).
Há mulheres que sabem tirar partido daquilo que Deus lhes deu. Outras que tiram disso o máximo partido, e que nos inspiram a todas. Depois há as que tenho citado muito por aqui: as que confundem "sensualidade" com vulgaridade, esforçando-se demasiado. Ou porque desejam atenção a todo o custo, ou porque têm gostos e referências distorcidos. E no meio de todas, estão aquelas que de forma permanente (falta de hábito, questões de educação, personalidade de "maria rapaz"...) ou temporária ( maternidade, separações dolorosas, desgostos, divórcio, carreira stressante...) relegaram a sua feminilidade para segundo plano. 
 Para pensarmos em "sensualidade" sob o ângulo certo, é preciso olhar para a Natureza, afastando-nos do conceito artificial vendido pelas revistas baratas. Todas as meninas da "pose" do Correio da Manhã afirmam "sou sensual" - quando a maioria possui apenas a funcionalidade inerente a qualquer ser humano do sexo feminino em idade fértil, com a ajuda de um biquini e poses que não têm segredo para um babuíno fêmea (não estou a brincar; essa questão dava um post...o que nos leva de novo à Natureza, mas não da maneira certa). A sensualidade, e o seu exercício, pode e deve ser subtil e revestir-se de civismo!
Christina Hendricks Joan From Mad Men Wallpaper Mad Men Joan                         
 No seu sentido original, "sensualidade" remete-nos para uma ideia mais antiga: Fertilidade. Não só a fertilidade no sentido de ter filhos ou da sexualidade em si, mas no sentido de abundância. Nos Tempos Antigos sensualidade, fertilidade e prosperidade caminhavam juntas: sem elas, não haveria alegria, nem alimento. Era comum um casal apaixonado deitar-se sobre os campos arados para atrair magicamente boas colheitas. Só na nossa época se começou a dissociar uma coisa da outra...ou não. É sabido que "o sexo vende" e não é por acaso que marcas de produtos tão (aparentemente) neutros como bebidas ou carros, por exemplo, recorram a modelos para os seus anúncios. Simplesmente, apesar de toda a vulgaridade que vemos, a alusão é subliminar.
 Em suma, podemos servir-nos de um lugar comum: a mulher "sensual" não é necessariamente a mais bonita, muito menos a mais despida, mas a que está em contacto com a sua Deusa Interior
 E como se descobre essa senhora que vive dentro de nós? A receita não é igual para todas, mas há passos universais:


- Dizem que os povos mais sensuais vivem em países onde há alegria de viver, culto à beleza, boa comida e bons vinhos (Itália, França...) e/ou contacto com os elementos (povos tropicais, Escócia...). Preocupações exageradas com a linha, com a saúde, com a comida biológica, etc, etc, etc são muito chatas. E pessoas chatas não são sensuais. Tenha joi de vivre. Há muitas forma de queimar calorias e uma delas é andar ocupada, ter uma vida que a entusiasme. Goze a comida, o prazer sensorial de um belo vestido de seda, a chuva na pele, a luz dourada do sol de madrugada (sim, quando se levanta a resmungar e à pressa). Sensualidade está associada a todos os sentidos, e sentidos apurados! É impossível emanar uma aura sedutora se não repararmos no que está à nossa volta com olhos, paladar, olfacto, tacto e ouvidos atentos. As pessoas mais atraentes são vibrantes, como se vivessem realmente.

- Exercite os requintes do espírito, o luxo interior: um pouco de espiritualidade cai sempre bem, desde que não se exagere; música, arte e literatura sem pedantismos, também, sempre que se fuja da afectação e do estilo "enciclopédia ambulante".

- No plano visível, comece por descobrir o que lhe fica bem. Não irá a lado nenhum se estiver permanentemente insegura quanto ao seu aspecto ou infeliz porque não se parece com a it girl do momento: apure qual é o seu tipo de corpo e o seu tipo de beleza. Depois, oriente o seu guarda roupa, a sua maquilhagem, rotina de ginásio, penteado e visual de acordo com isso. Tome a decisão de não usar nada que a faça sentir feia ou assim-assim. Ponto final.

- Nem todas as tendências nos servem, ou são desenhadas tendo em vista a feminilidade. Procure equilibrar aquilo que agrada ao sexo oposto com os looks que apelam ao gosto feminino. No meio é que está a virtude...e o sex appeal!

- Tenha pensamentos românticos, agradáveis ou voluptuosos ( pensar em chocolate ou naqueles stilettos que lhe tiram o sono também conta). Não precisa de ir tão longe como a sex Goddess suprema, Marilyn Monroe, que afirmava pensar em marotices 24 horas por dia (com ela resultou, mas bem, ela era a Marilyn!). No entanto, alguns especialistas afirmam que essa prática não só atrai sorte ao amor, como conduz ao sucesso no campo material. Não, não tem de verbalizar os seus pensamentos ou agir de acordo, muito menos no local de trabalho. Guarde-os para si. O efeito far-se-á sentir em si própria: pessoas bem dispostas são mais atraentes. Experimente isto quando tiver um dia importante pela frente. Também há quem use lingerie especial quando vai fazer, por exemplo, uma apresentação difícil. Ninguém vê...mas você sabe.

- Por falar em roupa interior...compre-a para si, para seu uso. Se tiver quem  aprecie consigo as rendas e as sedas, óptimo, mas para quê fazer depender esse pequeno luxo do facto de ter companhia? Bem sabemos que soutiens rendados são uma maçada porque se notam debaixo da roupa, mas quem a impede de dormir todos os dias com um negligée de outro mundo? As avós francesas ensinam isto às jovens: nunca se sabe se há um fogo, Deus nos livre, e uma rapariga precisa de ser salva pelos bombeiros com um pijama de ursinhos ou pior, um camisolão velho. Habitue-se a pôr beleza na sua vida

- Faça por estar contente (se não estiver, fake it ´till you make it...o sorriso também precisa de prática e ninguém tem de saber as nossas desditas!) . Aprecie as pequenas coisas: as pequenas compras, as pequenas gulodices, as pequenas vitórias, as pequenas vaidades e alegrias. Pratique a arte de apreciar...

- ...mas esteja em contacto com as suas emoções. Subtileza, discrição e contenção fazem parte da arte de ser mulher, mas há um certo "picante" na mulher levada da breca que diz o que pensa, chora quando não o pode evitar, que precisa de ser consolada (velho truque de coquetterie) que se enfurece de vez em quando, que é, em suma, vulnerável

-Lute pelo sucesso - o poder e o êxito são afrodisíacos intoxicantes - mas com uma atitude relaxada, de quem pode. Os gatos são sensuais: já viu um gato mostrar que se esforça? Nem pó!

- Por falar em gatos...cultive um belo andar, uma boa postura. Não só um porte bonito é mais saudável como muda completamente o nosso estado de espírito...que é totalmente visível para os outros. Dizem que é impossível entrar em depressão se caminharmos direitas.  Experimente andar "à vontade" e minutos depois, endireitar as costas como se um alfinete a picasse no derrièrre. Faça isto num dia em que vá bem arranjada e veja a diferença.

- Por fim, seja feminina. Podemos perfeitamente chegar onde queremos sem feminismos bacocos. Onde já se viu que provar a todo o custo "sou tão poderosa como um homem" contribuísse para a felicidade de alguém? Filosofe menos e viva mais. Vivacidade = sensualidade.



Tigresse: sim ou não e...como usar com classe?

Betty Davis
                           
O eterno tigresse (ou com mais justiça, leopardo) nunca passa totalmente de moda: mantém-se entre as fantasias "aceitáveis" no guarda roupa feminino, aparecendo de novo como "tendência" ano sim, ano não . E nesta estação faz mais um desses regressos periódicos - até a discreta Burberry Prorsum apostou forte no temido estampado-  para alegria das mulheres arrojadas e dilema das que colocam a elegância em primeiro lugar.

Goste-se ou não dele,  o tigresse é um dos poucos "clássicos arriscados": ao contrário do Pequeno Vestido Preto ou do trench coat, que cabem em toda a parte e ficam bem a toda a gente,  este padrão pode resultar fantástico ou, pelo contrário, "sujar" o visual e parecer vulgar. 

É menos "democrático" do que os seus irmãos mais discretos (cobra e crocodilo) que têm sempre uma certa patine. Afinal, por ser tão...sensual (pensemos em Roberto Cavalli e Dolce & Gabbana, griffes marcadamente sexy que têm o leopardo constantemente presente nas suas colecções) é muito reproduzido em contextos ou materiais menos recomendáveis, acabando por se banalizar. 
   E com isso, quase nos esquecemos que animal print pode sim ter bom ar ou mesmo fazer parte do mais sofisticado e senhoril dos visuais . Tigresse não é antónimo de um aspecto polido: se dúvidas houvesse, basta ver que a Santa Trindade da elegância depurada ( Grace Kelly, Audrey Hepburn e Jackie Kennedy) não deixou de a usar. E o que estas três senhoras vestiram não pode estar errado porque não pode, pronto, não é cientificamente possível debaixo do Sol. 
             
 Um vestido ou casaco assim podem ser a solução perfeita para os dias "não sei o que vou vestir" porque sozinhos, fazem um outfit. Ainda assim, usar tigresse ou leopardo sem erro exige alguns cuidados:

- Na dúvida, fique-se por sapatos ou acessórios: chapéus, écharpes, carteiras ou calçado
permitem "dar o toque" sem grandes arrependimentos. E por favor, um apontamento tigresse numa toilette chega  e sobra!
                                    
- Escolher peças que durem para a vida: tigresse é um padrão statement, certo; mas para compensar o investimento não deve ser visto como uma fantasia momentânea, já que volta à ribalta de tempos a tempos e dá sempre jeito tê-lo no armário. As opções clássicas são preferíveis às mais divertidas porque, bem...o padrão em si já é "vivaço" que chegue. Saias lápis ou de inspiração anos 50, casacos e vestidos estilo Diane Von Fustenberg são opções simples e sensatas para animal print. Neste momento não compraria mais nada tigresse, porque o uso tão raramente:  uma saia primorosamente feita (Cavalli, nem mais) uma camisa de seda, umas calças italianas que comprei por impulso (não é o meu costume, mas acontece) uma ou duas carteiras, dois vestidos camiseiro, lenços, sapatos, um vestido preto de musselina com forro visível de leopardo e um casaco de faux fur com manchas muito ligeiras são as peças que me ocorrem de momento e que sobreviveram ao teste dos anos. Ando há muito tempo com vontade de ter uma gabardine curta em leopardo (o clássico dos clássicos) mas nunca me atrevi. No entanto, esta é a peça a comprar se não puder/quiser ter mais nenhuma. Use-a sobre um vestido preto, com uns bons stilettos, e está pronta.

- Bom ar, bom ar, bom ar: tigresse não perdoa ser combinado com peças de qualidade duvidosa ou aspecto velho; muito menos com nail art, cabelo sujo, raízes à vista ou maquilhagem esborratada. Guarde-o para os dias em que está com boa cara/pele/cabelo.

- Styling bom e simples: coordene o padrão com roupas de qualidade, mas deixe-o brilhar. Os scarpins, stilettos e linhas simples que estão em voga este ano são a opção perfeita.  Combiná-lo com chunky heels, plataformas, jeans com lavagem extravagante,  folhos e tudo o que seja chamativo fazem passar a mulher mais bonita de um look "quinta Avenida" para "Buraca" num ápice.

- Peças de qualidade: isto é válido para tudo, dentro do orçamento de cada uma; mas se um vestido azul marinho escapa sempre, mesmo que o tecido e confecção não sejam lá grande coisa, num tigresse o caso muda de figura. Cuidado com tecidos sintéticos, faux-furs que pareçam de brincar e "liberdades" semelhantes.


Wednesday, August 21, 2013

Só faltava esta: o grunge está de volta.



O estilo ladylike das últimas temporadas não pode agradar-me mais. Temos as pencil skirts, os tailleurs, o New look revisitado com saias balão e cinturinhas minúsculas, casacos magníficos, todo o tipo de calças clássicas e sapatos que não eram "permitidos" há imenso tempo.
Pela primeira vez em anos,boa parte da roupa que se encontra nas lojas tem corte de alfaiataria. Vão aparecendo os vestidos túnica e os vestidos saco (sinais da crise) mas uma rapariga ignora-os. O glamour regressou, at last. E eis que no meio de uma viragem que tanto custou a alcançar, alguém se lembra de trazer de volta o grunge. Avisa a Elle e a Net-a-Porter até dedicou uma edição ao assunto. A tendência já tinha dado um ar da sua graça com os primeiros sinais de recessão económica, e é natural que numa estação marcada pelos visuais ultra femininos e clássicos uma estética alternativa, mais adolescente e livre, apareça. Afinal, os anos 90 já são vintage e algum saudosismo, ou uma escolha de visuais menos compostos é absolutamente normal. 
 Ora, eu não tenho nada contra o grunge em si. Embora não chegasse a aderir às Doc Martens (achava-as demasiado pesadonas e com um value-for-money duvidoso) e tremesse só de pensar m cabelo sujo diverti-me com este estilo quando era uma tween-de Ragazza-na mão- a imitar as adolescentes; além disso, nada como uma boa camisa de xadrez quando estamos em modo nonchalant e zangadas com o mundo. Mas em geral, quanto a relíquias dos anos 90, fico-me pelos jeans de cintura subida/ lavagens estranhas muito para de vez em quando e o intemporal minimalismo. 
  Pessoalmente, espero que seja apenas uma  contra corrente. Porque se toma de assalto os designers (e por conseguinte, as grandes marcas) vai ser difícil gostar da oferta das principais lojas. Para um visual grunge mais vale reciclar o que todas temos em casa, vulgo camisolões velhotes e coisas assim. Digo eu.

O Universo é do contra. E a Nobre Arte de reconhecer isto.

                 

Lá dizia Mestre Bruce Lee: sê como a água. isto porque nadar contra a corrente é a pior ideia de todas, e o Universo é caprichoso. Por vezes decide ser nosso amigo e dá-nos um toque de Midas: já me aconteceu pensar vagamente em algumas coisas; imaginar "era tão giro se..." e eis que sem esforço algum, nem grande empenho, as ideias se materializam. Vou imaginar um exemplo simples, sei lá: penso em cerejas e durante duas semanas não param de me chegar a casa caixas de cerejas sem motivo plausível.  Outras vezes, penso: não quero mais cerejas; gosto muito mas já tive a minha conta e neste momento não preciso. Quero é sossego. Já apanhei uma dor de barriga esta semana, etc. E o Universo faz orelhas moucas: continua a dar-me cerejas, cerejas e mais cerejas, de tal maneira que sou obrigada a fazer compotas, tortas e chamar todos os amigos para levarem cestos para casa (por acaso nunca fiz torta de cerejas, é só para ilustrar).
Mas quando o Universo decide que não quer cooperar, não quer mesmo e não muda de ideias nem com papas nem com sovas. Tried and true. Quanto mais se faz força, se insiste apesar de tudo conspirar para o lado contrário, pior. Quando eu digo "quero cerejas" e o universo me responde "pois hás-de comer ameixas" não vale a pena argumentar. Quando muito,o que se pode fazer é dar uma resposta torta: se não me dás cerejas, podes guardar as ameixas, ora essa
 Mas para obter as cerejas, ou qualquer outra coisa importante,  é melhor esperar que a maré mude. Quando vejo o Cosmos a fazer cara feia, não confronto: desvio. Por assim dizer, deixo passar as ameixas. Ele é como nós, tem os seus dias não e é escusado provocá-lo, não vá ele lançar-nos uma chuva de marmelos ( quem não cresceu no campo não vai perceber esta: um marmelo arremessado a grande velocidade é um projéctil perigoso, e se o Universo vos atirar marmelos, isso equivale a uma série de infortúnios). 
 A única hipótese é fechar os olhos, fazer-se leve, fluir com a corrente. Reconhecer que naquele momento a Fortuna não está para aí virada e usar a Virtù para dançar conforme a música. No dia seguinte, o vento pode estar de feição e levar-nos ao porto desejado. Até lá, não vale a pena crispar-se, que isso faz mal à pele. Sejamos graciosos com o Cosmos, porque ele pode ser mesmo mauzinho com gente teimosa.

Sandálias de Mercúrio..low cost‏.

?1075, giuseppe zanotti design, colette.fr?160, ancient greek sandals, shoescribe.com

Recordam-se de eu ter mencionado as sandálias acima (Giuseppe Zanotti e Shoescribe, respectivamente) há uns meses atrás? Por estes dias, descobri, recomendado por outra blogger da nossa praça, este site que me parece ter algumas opções interessantes para compras acessíveis. Às vezes, antes de investir muito num modelo que nunca usamos, que sabemos que vamos vestir/calçar só para variar ou que é uma tendência passageira, é preferível comprar um artigo de inspiração para experimentar se resulta connosco. Sou completamente contra produtos contrafeitos, mas não há nada de mal num modelo semelhante. 
 Porém - e deixo questões éticas ao vosso critério porque este ano já estou servida de flats - a sandália abaixo, por um preço de brincadeira, é uma réplica quase perfeita da gladiadora Giuseppe, um plágio fashion. Quanto aos materiais de uma e de outra já não sei, mas fica a dica para quem é apaixonada por este tipo de calçado.

Tuesday, August 20, 2013

"The boy that you loved is the man that you fear".

                   

Numa fase em que tinha o hábito de escrever em cadernos,  e de desenvolver, por exercício,  contos "aos retalhos" (alguns dos quais não completava, limitando-me a  desenrolar certos cenários e diálogos) criei uma história de amor horrivelmente romanesca. Os contornos falham-me, mas envolvia uma mulher linda apaixonada por um homem poderoso que sofria de dupla personalidade (sempre tive uma certa fixação por enredos Dr. Jekyll/Mr. Hyde). Como a ligação entre os dois durava há muitos anos e ela conhecia o homem bom que ele era capaz de ser - ou antes, o homem que ele fora - mantinha-se ao seu lado, testemunhando horrorizada e em silêncio as atrocidades que o amado ia cometendo...quando as maldades não sobravam para ela (não, não era uma história bonitinha). À espera de melhores dias. Ou por um estranho instinto de protecção, de preservação, de arranjar o que está estragado, que todas as mulheres têm em maior ou menor grau.

 Quanto mais sua personalidade se fragmentava e a relação se tornava perigosa, mais a obsessão entre os dois crescia. Volto a lembrar que isto era mais um conto de terror que outra coisa, que (achava eu)  ao contrário do que acontece na vida real, os vilões nas histórias podem continuar giros, apenas assustadores o suficiente para se tornarem interessantes mas nada mais do que isso. A relação entre as personagens era absolutamente destrutiva, mantendo-se  porque a crueldade dele "só" (reparem no "só", como se fosse pouco) se manifestava em relação a ela numa possessividade descontrolada.
 Nunca fiz por dirigir a heroína da história, nem tinha mão nos disparates que ela fazia, ou um sentido moral. Dava por mim a pensar como é que uma mulher sofisticada poderia ser tão estúpida, deixar-se escravizar daquela forma por alguém que claramente não estava em si, mas deixava a ficção correr por puro entretenimento: não havia naqueles flashes saídos da minha imaginação qualquer sentido moralizador. Divertia-me a inventar desgraças, sem preocupações de estilo, explorando as sórdidas emoções das personagens e tendo um certo prazer maléfico em 
levá-las ao limite, fazê-las agir de forma contrária a todo o bom senso.
 A vida, no entanto, é capaz de ser mais elaborada do que a ficção. E tal como na ficção, por vezes o rapaz malvado continua a ser sedutor, por mais que se assista à desintegração da sua mente, da sua personalidade. Por muito que o rapaz doce que se conheceu, que tratava bem a cara metade, passe a tratá-la mal.  Perdi a conta às mulheres que vi assistir à transformação do rapaz que tinham amado no homem que passaram a temer. Não necessariamente por actos extremos ou violentos (os lados negros têm muitas nuances) mas ordinariamente por uma completa degradação do carácter. E seria bom se a racionalidade de uma mulher, a sua educação, o seu orgulho ou a sua auto estima levassem a melhor nesta batalha, desligassem automaticamente os sentimentos acumulados. Nem sempre é assim: anda que haja um afastamento físico, prático, total, a mulher que tenta consertar tudo não pode fugir ao que se passa dentro dela. Assistir à ruína de perto ou contemplá-la a uma distância segura determinam apenas a sua sensatez. 
 Depois há os casos que têm remédio: nem sempre a descida aos Infernos é irreparável. Ou sou eu, que como nunca dei conclusão ao conto ainda acredito em finais felizes. O romantismo às vezes estraga tudo, além de fazer má literatura.

Ainda dizem que " a moda é fútil".



O que me dizem a tanto sururu e tanta tinta por causa de um beijinho de nada? Certo, não sou apologista do número "lesbian chic para inglês ver" mas encontrar activismos bacocos em tudo é, desculpem, não ter mais que fazer.
 Se vamos ser superficiais, ao menos que a futilidade se limite às coisas bonitas e boas da vida, que até movimentam a economia e tudo. Desocupados. Embirrentos. Uma pessoa já não se pode entusiasmar por ter ganho uma medalha, não? Se tivessem feito um strip tease em cima do pódio era pior, digo eu. Ou se calhar aplaudiam. 

Oscar de la Renta:let the dress do all the talking.

Elizabeth Moss
                               
O verde-esmeralda é uma das minhas cores de eleição quando recorro aos tons de jóia para fugir ao preto. Não só porque classicamente, vai bem à minha paleta (cabelo, pele, maquilhagem) mas porque o verde-irlandês não poderia fazer mais sentido nas minhas escolhas, dado o meu background e gostos célticos. Quando a isso tudo se junta a mestria Oscar de la Renta num sheath dress tão perfeito que parece moldado em cera, o meu único comentário só pode ser " como é que não reparei nesta beleza antes?". Porque a imagem já tem quatro anos, e dei com ela por mero acaso.
 Vestidos de um ombro só, mesmo sendo sheath, não são a minha primeira escolha porque exigem mais trabalho para que tudo fique no seu lugar, mas abro uma excepção para obras de arte como este Oscar. Tenho um cinzento neste modelo exacto que funciona às mil maravilhas - e para ser assim, é necessário ajustá-lo à medida. Reparem na cinturinha minúscula, no perfeito realce da linha das ancas e dos ombros. O vestido fala totalmente por si, e os pumps nude Louboutin estão ali porque...enfim, há que levar alguma coisa nos pés, certo? Volto a dizer que quando uma mulher tem figura de ampulheta, um vestido deste tipo numa cor rica é tudo o que precisa: quanto menos complicação, melhor. 



Remember this blazer?

                                  

Há tempos mencionei aqui e aqui  o que me apetecia fazer com esta relíquia. Finalmente, ontem atrevi-me a tirá-la de casa, para um visual "day to night" que não precisasse de qualquer alteração ao longo do dia ou seja, que fosse simultaneamente profissional, clássico (scarpin nude, blazer) e cool para um barbecue com amigos, mais tarde. A reunião foi no campo mas só passei perto do milho para registar a imagem - se a ocasião fosse outra este tipo de saltos seria impensável. De forma que ainda não foi desta que me atrevi a tentar sapatinhos prateados com uma cor tão vibrante (lá chegaremos). Deixei todo o protagonismo ao casaco e combinei-o com umas Guess, também elas vintage (num tecido que já não se vê muito nas lojas mas que é ultra confortável e à prova de bala) pois com calças pretas afuniladas a margem de erro é sempre mínima, e com a mais banal das t-shirts pretas, que deve existir às dezenas no guarda roupa de uma mulher prática e sensata, pois presta-se a tudo o que imaginar se possa. Esta é da H&M - vou regularmente comprá-las lá porque esta marca  tem o bom senso de fazer um modelo longo q.b, decotado q.b, 100% algodão e muito confortável nas zonas chave. Clássico meets rock star que se está nas tintas, and there you go....






Monday, August 19, 2013

Gong Li para a Piaget: ainda há estrelas que nos fazem sonhar.

                                   
Quando uma beleza lendária se une a uma marca com acentuada tradição de requinte, o resultado só pode ser assim. Durante anos, a actriz foi o rosto da Shangai Tang , o epíteto do luxo oriental que é um pecado ainda não ter sido mencionado aqui e que pertence ao grupo Richmond, detentor da Piaget (e de outras griffes como Chloe, Net-a-Porter e Montblanc); logo, este era um passo lógico. Confesso que olho mais para Gong Li, e para o fabuloso vestido dourado que está a usar, do que para as jóias. Mas tudo se conjuga num sentido perfeito, e é isso que interessa numa campanha deste género: a capacidade de fazer sonhar. São poucas as celebridades que mantêm uma aura intocável de perfeição, e não convém substitui-las. 

Sunday, August 18, 2013

O último dia de férias...

                  
...é sempre um bocadinho melancólico. Está-se entre a preguiça que insiste em colar-se e o entusiasmo de quem adora o que faz. Afinal há negócios para fechar, coisas para acontecer, aventuras ao virar da esquina e dinheiro para ser ganho (ideia burguesa e algo vulgar, certo, mas não é com boas maneiras e olhos bonitos que se pagam as fatiotas, fora o resto). Agarremo-nos também à ideia das novas colecções que vão apetecer daqui a pouco, e às compras que esperam até a mais ponderada das consumidoras. Não me lembro de um Verão que não acabasse com os preciosos suplementos Outono/Inverno, a única coisa que me dava ânimo para enfrentar o odiado Regresso às Aulas (sim, as promoções do Continente ainda hoje me deprimem; não acho encanto algum nas filas de mochilas e cadernos inflacionados). Vira-se uma página, e zás, lá estão botins iguais àqueles Balenciaga ou sapatos iguais aos Jimmy Choo que ainda não viram a calçada (vão arrepender-se de pisar as pedras portuguesas que são do piorio, but...too late). Que melhor motivo para andar alegre e contente até ao Outono? 
  Os aborrecimentos de uma mulher com sentido estético duram pouco, felizmente, e para quem dá valor às coisas bonitas  não é difícil gostar da vida .Juro que há instantes tive uma video conferência dentro do meu closet com um amigo fashionista que está para os lados da Prússia e me deu a indicação das lojas mais incríveis: isso foi o suficiente para me pôr bem disposta. Por isso, como diz uma grande amiga minha, levantemo-nos e vamos ganhar tostão. Graças a Deus, já não tenho de aturar o Regresso às Aulas. (Isso sim, é mais do que consigo aguentar, não há Vogue que me faça engolir tal pastilha...).

MAX MARA 101801: as melhores roupas são as que não têm "nada de especial"

Tenho imensa pena que entre os tesourinhos vintage que há cá em casa, nunca tenha aparecido um sobretudo  101801 MAX MARA. Ou melhor, dois: o clássico camel e o luxuoso preto.  Não só por ser de cachemira, eterno e dar com tudo, mas porque a data em que foi criado é especial para mim. Está definitivamente na minha lista de peças de culto a trazer para casa no momento certo. A mãe bem insiste que há vários casacos do género e de óptima qualidade por ali pendurados: gosto muito deles, certo, mas andar vestida com um ícone, mesmo que um ícone seja um casacão tamanho família, tem outra graça. "Mas olha lá que o sobretudo nem tem nada de especial, é só um sobretudo igual aos outros, e bem grandalhão por acaso".
 Mas é mesmo assim: as melhores roupas não têm nada do outro mundo. São fiáveis, intemporais, perfeitas.


Cult coat from MaxMara
Cult coat from MaxMara


As boas "lojas de modas" de Coimbra

                                                   

Vamos imaginar que eu, com a minha grande paixão pela moda e moderado faro para o negócio (saio ao meu avoengo dândi com, graças a Deus, um bocadinho mais de juízo) me tornava, de repente, um nababo de saltos altos. Que me saía assim, sei lá, um daqueles jackpots mesmo grandes do euromilhões (não seria sensato aplicar um primeiro prémio "normal" numa grande aventura, não tenho espírito para derreter fortunas, o meu dandismo e desprendimento não vão tão longe que os tempos são outros). Sabem um investimento que eu achava genial? Era ressuscitar o bom comércio na minha cidade. É uma dor de alma passear pelo Chiado, ou pela Baixa do Porto, com o seu charme old fashioned, e voltar à Baixa de Coimbra para a encontrar no estado em que está. Em rodas de amigos, tenho dito que urge chamar à Baixa algumas boas cadeias de lojas e restaurantes, além de, como é óbvio, entregar parte dos fogos existentes a pessoas jovens e empreendedoras. Fazer uma chiadização ou prínciperealização da Baixa coimbrã. Pô-la no mapa ou, para usar um termo que não é my cup of tea, torná-la in
 Afinal, são tantas as recordações das boas "lojas de modas" de Coimbra - umas minhas, já dos seus últimos anos, outras relatadas por pessoas da nossa família ou amizade. Adorava acompanhar os meus pais às compras ou abrir os sacos que traziam dessas casas que primavam pelos bonitos espaços de vários andares e secções e pelo serviço mais atencioso: o Eldorado, que no final dos anos 60 trouxe para Coimbra ( tal como a Loja das Meias em Lisboa) as marcas tradicionais de jeans, com enorme sucesso, e se tornou um verdadeiro e inovador "templo da moda". O que aquelas empregadas, quase todas com formação em costura (o último andar era um atelier para os arranjos) percebiam de denim! Quando andava na escola, ainda cheguei a comprar lá boa parte dos meus jeans e peças com as marcas do momento. O mesmo proprietário abriu a Infinito, com um conceito semelhante mas mais arrojado e alternativo. Olhando para trás, era um pouco como uma Bershka em versão chic. As Modas Veiga, que eram um mini Harrod´s cá do sítio, não estou a brincar (vide a reportagem). Não tinham artigos tão adequados à minha idade, mas achava o máximo ver as estantes dos chapéus e os vestidos de cocktail, ou observar,  fascinada, enquanto o alfaiate marcava a giz os fatos do papá, que se iam buscar uns dias depois. Hoje poucas lojas (a referida Loja das Meias é uma delas, e mesmo assim creio que o serviço está reduzido à moda masculina) têm a dupla componente de confecção e prêt a porter - ou, como por cá se dizia orgulhosamente, "pronto a vestir!". Havia também o mítico  Último Figurino, espaço elegante que fazia as delícias das senhoras bem da nossa praça e da qual ainda guardo alguns sacos (e roupas, incluindo casacos de peles, com etiqueta própria) . O nome era uma delícia, mais retro não podia ser, e a loja também. Para enxovais e cerimónia, a crème de la crème era a sucursal da Tito Cunha, onde a senhora minha mãe comprou a tiara, o tecido e as luvas para o casamento. Tinham adereços lindos, conta ela, e os vestidos eram uma maravilha. Fechou quando eu era pequena e as "lojas de noivas" de hoje não têm nem de perto nem de longe o mesmo cachet. Havia também a Loja das Meias local, que, tanto quanto sei, não tem relação com a cadeia lisboeta mas continua a vender marcas de confiança.
 Se queríamos roupa de designer com um toque avant garde, a Aba Larga era o sítio onde procurar. Essa loja sim, ainda existe no mesmo local (mantém também o espaço na Cruz de Celas, perto de outros excelentes pontos multimarcas da cidade) mas com muita pena minha, não está presente, por exemplo, nas redes sociais nem tem loja online. Digo isto porque é de lamentar que um ponto de venda icónico da cidade não tenha uma relação mais emocional com as consumidoras. Passaria por lá mais vezes se me lembrasse, nesta época de constantes estímulos e fast fashion à mão de semear. Recordo um dos meus primeiros Little Black Dresses, que veio de lá (rodado, estilo "New Look") dois conjuntos dos quais quem me dera não me ter desfeito e as manobras da minha melhor amiga para que a avó lhe oferecesse um vestido Jean Paul Gaultier com motivos egípcios que estava na montra. Veio, claro.
  Não passou assim tanto tempo, mas a  forma de comprar era outra: não se ia às lojas num pulo, as compras por impulso eram mais raras e nada saía do estabelecimento sem ser provado e adaptado à medida. Tudo era mais personalizado e com todo um ambiente. Por vezes ia-se almoçar e regressava-se à tarde para apanhar as compras, o que constituía  um ritual - que as idas ao centro comercial reproduzem, mas não com a mesma graça. 
 O Chiado provou que em Portugal ainda podemos ter o melhor dos dois mundos: as compras "de ontem" complementadas com as "de hoje". Porque não aqui?




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