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Saturday, August 31, 2013

Embirração do dia: já vos disse que...


...odeio, odeio, odeio arranjar as mãos? Não é que seja de todo desprovida de jeito mas não tenho paciência para fazer, nem para estar imóvel como uma estátua à espera que mo façam, muito menos para a ansiedade de pensar "será que desta o verniz já secou?" e mover-me com mil cuidados para evitar o "AAAAAAARGGGGG, pimba, já fiz um rasgão no verniz" ou pior, deitar-me com a manicure impecável depois de esperar horas que seque e de manhã acordar com as marcas da almofada, nem para as surpresas que cada esmalte nos reserva (ou porque passou do prazo, ou apanhou calor sabe-se lá como, ou lhe deu na telha fazer bolhinhas). Felizmente Deus Nosso Senhor não me quer para manicura, apesar de já andar para ali o forno de gel à espera que eu me lembre de encomendar os vernizes 3-em-1 que não chateiam nem lascam, pode ser que seja esse o milagre. Valha-me que me limito às três cores clássicas, sigo o hábito italiano (natural no dia a dia, cores em dias de passeio ou ocasiões) e que me ensinaram que uma senhora se conhece pelas mãos, senão furtava-me mesmo. Diz muito da nossa vaidade de primatas que tenhamos pachorra para enfeitar as extremidades das patinhas. Como é que alguém adere à nail art, prolongando o tormento para exibir bolinhas,  feitiozinhos, estrelinhas, caviarzinhos e *palavrão*zinhos nas manápulas, it´s beyond me. Sofrer para ser bela ainda se atura, sofrer para ficar com um ar...bem, estranho, isso é muita capacidade de sofrimento junta.

Friday, August 30, 2013

Está explicado: que desilusão, Monica.


                         
E pronto, caiu uma santa do altar; desta é que eu descreio do amor de uma vez por todas. 
 Há dias lamentava eu aqui a separação de um dos meus casais preferidos, Monica Bellucci e Vincent Cassel. E afinal, parece que a razão para a ruptura foi a pior de todas. O actor pôs fim à união ao descobrir que a estatuesca Monica tinha um caso com um nababo -um novo rico do mais pindérico que há. E parece que é tão verdade, mas tão verdade, que a belle dame sans merci já está de casa e pucarinho com o novo "namorado".
 Se Monica fosse da minha família, tínhamos aqui um momento dramático à moda italiana, com muitas censuras e nomes feios, palavra. Minha grandessíssima idiota, maledetta, onde é que tinha essa linda cabeça, mas acha que arranja melhor? 
 Que o homem, apesar de extravagante e ter um ar de parvenu do piorio, até pode ser excelente pessoa, não sei, não vi. Mas violar um sacramento, deixar as filhas e trocar este homem....
                  
...por esta amostra, este patusco, é muito pecado junto. E não há dinheiro que o pague. Por muito que as revistas da treta digam "Monica Bellucci tem novo amor" eu recuso-me a chamar "amor" a um desvario destes. Está um casal bem arranjado e uma casa bem montada como diz o povo, não restem dúvidas. Se há coisa que me custa é ver um casal lindo, lindo, lindo 
desfazer-se - principalmente por causa de uma terceira pessoa que ainda por cima não deve nada à formosura. É um pecado contra o amor, contra o matrimónio, contra a beleza. Não sei se perdoe, Monica, não sei. (Mas a menina continua a vestir-se lindamente, I´ll give you that). 

                





Ouvido há pouco, num filme.

               

"You know what you are? You're pronoid.
It means that contrary to all the available evidence, you actually think that people like you. Your perception of life is that it's one long benefit dinner in *your* honor with everybody cheering *you* on and wanting *you* to win everything. You think you're the prince!"

Pronoia  define-se como o estado mental oposto à paranóia. Ou seja, a pessoa que sofre dessa macacoa acredita que TODO o Universo conspira a seu favor. E pergunto eu, que esta não é a minha área (não se pode saber tudo, nem o Google sabe tudo!): será possível que pessoas assim possam oscilar entre os momentos "o Mundo deve-me tudo" e o modo " está toda a gente contra mim?". É que palavra, ia jurar que já vi isso. Then again, eu conheço pessoas bastante invulgares. Algumas não estão escritas em lado nenhum e se as apanham trancam-nas num laboratório e deitam fora a chave, é certinho.


Momento anti crise, 2 - as calças cargo voltaram‏.

                            

Quem não tem calças destas no armário? Há uns seis, sete anos estiveram furiosamente na moda e nunca saíram realmente de cena, mas mantiveram um certo low profile desde então. Confesso que não sou grande fã (prefiro um bom par de chinos, any day!) mas graças a uma certa senhora cá em casa que as acha muito confortáveis (e gosta de uniformes, e do estilo boho...) andam bastantes pares cá em casa. A dada altura, tive mesmo de levantar um embargo às malvadas. Eis que, num ano em que em termos de calças e sapatos se vai ver TUDO e mais alguma coisa (os especiais sapatos e jeans já estão prometidos para breve aqui no IS) as cargo pants regressam. Por isso, quem se entusiasmou com elas e comprou várias na altura em que estavam por todo o lado, tem uma boa desculpa para as reutilizar, que ter roupa parada é um pecado muito feio. Atenção, porém, a dois detalhes:

- Cuidado com os zippers, bolsos e outros detalhes no derrièrre e na zona das ancas (ou pior, coxas). Estes pormenores também vão aparecer (ou reaparecer, para mal dos meus olhos que já se estão a preparar para ver muito desastre nas ruas) nos jeans . Tais fantasias estão reservadas às meninas/senhoras de ancas escorridas, que querem parecer mais "redondinhas" nessa zona, ou às muito altas que desejem uma aparência curvilínea. Todas as outras, mesmo as magrinhas, devem fugir disso como da peste. E claro: as outras peças do conjunto devem ser simples e com o melhor ar possível, para evitar que a toilette ganhe aspecto "de feira".

                       

- Nesta temporada, as cargo pants são interpretadas de forma menos desportiva e mais sofisticada. Não em si mesmas (já que são rigorosamente iguais às outras) mas no styling que se lhes dá. Acompanhá-las com uma blusa bonita, um bom par de scarpins ou kitten heels e um perfecto ou blusão (de couro ou tecido) extra cintado, com detalhes de alfaiataria e pormenores luxuosos, é a combinação mais recomendada por quem sabe. E eu aprovo (de outra maneira sou incapaz de as suportar a não ser para andar no campo... ).





Oficialmente, o pior ex-namorado de sempre. Com distinção.

                   
Acham que o vosso ex namorado é um flagelo da humanidade, o terror de *inserir localidade de residência do cavalheiro*, o tinhoso em figura de gente? Think again: o top dos tops, prémio Pior Ex Namorado de Todos os Tempos, já está atribuído.  Parece que o tiranete que não governa nem deixa governar a Coreia do Norte (a esse sim, pode chamar-se "o Flagelo da Coreia do Norte")  mandou executar a ex namorada sumariamente com a desculpa mais esfarrapada de que há memória. Ó homenzinho ressabiado e "desinfeliz", como diz o povo.
 Por cá, a uma escala mais pequena, um homem traído decidiu candidatar-se ao posto, ateando dez fogos por ciúmes de um bombeiro. Como se os bombeiros não tivessem já desgraças que chegue.
 Tarados.


Thursday, August 29, 2013

10 coisas essenciais para uma mulher

                              

A Revista Allure, que adoro ler, tem uma rubrica giríssima: alguns dos mais famosos designers recomendam 10 coisas bonitas que, na sua opinião, todas as mulheres deveriam ter. De essenciais do guarda roupa a livros, passando por perfumes ou o homem perfeito, vale a pena dar uma olhadela nas respostas. 
 Fiquei a pensar quais seriam para mim os "belos básicos" (não que a minha opinião interesse ao Menino Jesus, mas a ideia de um blog é partilhar, certo?). Como é muito difícil escolher só dez, ou listar coisas que não se podem comprar (um grande amor, família, personalidade, educação de raiz) decidi optar por indispensáveis que dependem dos nossos meios e escolha. Ora aqui vai:


1- Um bom "enxoval"

Seria complicado enumerar um ou dois básicos, como o trench coat ou a camisola da cachemira, porque pessoalmente não passo sem nenhuma destas coisas nem consigo vê-las isoladamente.  Tenho-o dito mais que uma vez: na era da "moda descartável" muitas meninas e senhoras não pensam a sua colecção de roupa, calçado e acessórios como um todo que funcione. É uma pena, pois aquisições inteligentes e bem organizadas (de acordo com o estilo individual) conduzem a um guarda roupa completo, com peças de qualidade para as diferentes ocasiões. Comprar e arrumar estrategicamente poupa muito stress, despesa...e garante confiança e tranquilidade face às situações mais exigentes, como eventos especiais ou entrevistas de emprego.

2-Uma modista capaz
Um paradoxo dos nossos dias que me custa a entender é como muitas mulheres são capazes de gastar balúrdios na manicure, cabeleireiro - mesmo que se limitem a lavar e secar, que é algo que se faz em qualquer lado - ou em pilhas de sapatos baratos (gosto tanto de sapatos como qualquer uma e nas marcas low cost encontram-se achados, mas há que ser sensata) e no entanto, torcem o nariz quando se trata de ajustar/moldar na perfeição aquilo que trazem vestido. Roupas que não caiam bem, mesmo que sejam caras, nunca terão bom aspecto. Uma costureira competente, devidamente orientada por uma cliente conhecedora, é capaz de fazer mais pela sua auto estima do que muito Prozac. 

3- Uma lavandaria de confiança
Dizem os italianos que o segredo para estar sempre impecável é "engomar, engomar, engomar". Estes e outros serviços prestados pelas senhoras amorosas da lavandaria asseguram que o seu guarda roupa estará sempre bonito, como novo e pronto a usar.

4- Um bom sapateiro
Pelos mesmos motivos: manter os seus adorados sapatos impecáveis, ou adaptar pares "difíceis" (sou uma grande adepta de acrescentar fivelas ou mesmo alterar ligeiramente os tamanhos) não tem preço. Mas hoje poucas casas prestam esse serviço (a maioria limita-se aos pequenos arranjos) por isso, se tem um bom profissional à moda antiga, conserve-o.

5 - Um bom treino de guerrilha.
Bom, pelo menos é o que eu lhe chamo. Podemos não ter poder sobre a coisas desagradáveis que nos aconteceram no passado, ou mesmo sobre muitas que nos vão suceder, por mais destreza que a vida nos obrigue a ganhar. Mas escolhemos como reagir a elas: aprender a dizer "não", decidir que não deixaremos que ninguém nos trate mal, não ser apanhadas sem resposta, treinar reacções pronto-a-usar para enfrentar pessoas que gostam de amesquinhar os outros...em suma, ter um manual simbólico de auto defesa é meio caminho andado para a serenidade.

6- Sentido de humor.
Há pessoas que nascem espirituosas, outras precisam de aguçar essa capacidade. Mas ela é essencial não só para estar bem em sociedade, mas para circular agilmente pela vida. Ser modesta e brincalhona  o suficiente para rir de si própria e dos outros, não levar tudo demasiado a sério, ser graciosa, não se ofender à mínima contrariedade e levar as coisas com um sorriso é muitas vezes a melhor resposta.

7 - O arsenal de beleza certo
Repito o que disse no item um: é impossível escolher um só produto, mas qualquer mulher beneficia de conhecer bem o kit/rotina de maquilhagem e cabelo que funciona para si...e tê-lo à mão. Já falei aqui dos meus preferidos, e se tiver de escolher à pressa o que levar na bagagem, faço-o em cinco minutos. Mulher prevenida...

8 - Uma boa instrução
A educação não se pode comprar, mas a instrução sim. E quando acompanhada de um espírito elevado, de muita vontade de aprender e da exposição a bons exemplos, faz verdadeiros milagres, colmatando mesmo certos defeitos aprendidos em casa. O Ensino Superior, só por si, acrescenta muito pouco: investir em leitura, algumas viagens, em aspectos como a postura, as boas maneiras, a forma de caminhar, de saber estar ou falar em público e acima de tudo, aprender máximas úteis para a vida, que lhe permitam saber sempre como agir, ganhar algum "mundo"... isso sim faz a diferença.

9- O perfume da sua vida
Bom, não tem de ser só um...podem ser dois ou três. Mas poucas coisas marcam tanto a nossa identidade como um perfume que nos caracterize, que seja a nossa assinatura invisível.

10 - Conhecer o próprio corpo
Mais magras ou mais gordas, elegantes ou nem tanto, todas as mulheres têm  complexos que (se forem raparigas sensatas) não confessam a ninguém (sim, porque "mendigar elogios" é muito feio!). Mas com o tempo, bastante atenção e muita, muita disciplina, qualquer uma tem a possibilidade de aceitar, dominar e favorecer ao máximo a sua silhueta. Aceitar é essencial porque se é uma gazela de 1,80 e queria por força ser como a Eva Mendes, ou é cheiinha e gostava de ser a Giselle, isso nunca vai funcionar, por mais que se mate com dietas ou se endivide com plásticas. Melhor fará se aprender a vestir e exercitar-se para tirar partido do melhor que Deus lhe deu. Atenção e disciplina porque ao longo de anos de cuidados alimentares, passagens por ginásios, muita leitura e eventualmente, conselhos profissionais, acabará por perceber o seu próprio organismo. Algumas pessoas são intolerantes a certos alimentos ou fármacos, outras têm tendência para a retenção de líquidos, umas precisam de musculação outras dão-se melhor com o Yoga, e por aí fora. Sabendo aquilo de que o seu corpo precisa, é só ter disciplina para o manter como gosta. E não vai entrar em pânico se engordar uns quilinhos, porque já sabe o que fazer para recuperar. Isto só se ganha com a experiência e algum esforço.

(E já agora, desafio as meninas que por aqui passam a enumerar os seus 10 básicos...)

Momento enamoramento do dia: porque Valentino e McQueen não erram.

                      red valentino autumn winter 2013 2014 fashion trendsred valentino autumn winter 2013 2014 black velvet womens' suit

Red Valentino, F/W 13/14: um fatinho de veludo de corte clássico a lembrar os pagens e as bonecas. Amoroso mas facilmente adaptável a visuais muito,muito dark com um toque vitoriano. Consigo imaginar dezenas de combinações para fazer com ele, junto ou em separado. Dificilmente o usaria com bailarinas, mas gosto da ideia das rosas que o criador tem colocado aqui e ali. E o casaco é uma perfeição.

Nicole Kidman In Alexander McQueen - Cannes Film Festival Jury Photocall

Este vestido junta 3 dos aspectos que mais aprecio: modelagem sheath, decote amplo e mangas longas de grande efeito. Apesar desta reinterpretação algo barroca (what´s not to love?) das bishop sleeves, é tão simples no formato e no tecido que permite mil visuais diferentes. Um vestido eterno e que molda o corpo como uma luva. De vestidos assim, há que ter três no armário: dois pretos e um branco. Recomenda-se o investimento ou a clonagem. Priceless!

Wednesday, August 28, 2013

Amor fati

                      

" Só a falsidade premeditada pode dar uma impressão de perfeição...a verdadeira sinceridade apresenta sempre, ao mesmo tempo, qualidades e defeitos".

Alberto Moravia, in A Romana


" O sábio estóico é aquele que consente na sua pertença ao mundo, porque 'o destino guia quem consente e arrasta quem recusa'." 

(Fonte não confirmada)

No fim de semana passado, consegui finalmente deitar a mão a um exemplar de A Romana, de Alberto Moravia. A mão e os olhos, porque este era um romance que andava há anos para ler e por isso - e pela prosa quase perfeita - não o larguei mais. O livro foi adaptado às telas por duas vezes: no cinema, com a magnífica Gina Lollobrigida como protagonista, e na televisão, desta feita com Lollobrigida no papel de mãe da heroína, Adriana. Linda de morrer aos sessenta, a contracenar com uma das mulheres mais belas que já agraciaram o ecrã: Francesca Dellera. Sou suspeita, vero, mas acho que o dito "Deus disse: haja pessoas sensuais...e depois fez os italianos" é mesmo real.
 A quem não leu não vou contar nada, mas segundo alguns críticos literários, o romance versa sobre a temática do Amor Fati: o amor ao Fado, a aceitação blasé, indiferente, do Destino, de que só os espíritos superiores são capazes. Ou como dizia o outro, que isto tudo o que envolva italianos e romanos tem sempre máximas dignas de nota "um homem deve abraçar o seu destino, ou ser destruído por ele".
 É uma ideia que foi defendida por várias Fés e escolas de pensamento em diferentes épocas. Como filosofia não é o meu forte apesar de eu ter o detestável hábito de pensar muito, recorramos a essa fonte fidedigna que é a Wikipedia:

Amor fati (do latim amor, nominativo singular de amor, óris: 'amor a algo' e fati genitivo singular de fatum,i, 'destino') é uma expressão latina que significa 'amor ao destino', 'amor ao fado'.  No estoicismo e em Nietzsche, significa aceitação integral da vida e do destino humano mesmo nos seus aspectos mais cruéis e dolorosos (...)
(...) o estoicismo propõe a indiferença em relação ao que é externo ao homem; o amor fati é compreendido como (...)  indiferença ao sofrimento e a tudo aquilo que ao homem é acidental, como forma de anular o conflito. 
Já disse algures por aqui que não tenho opinião formada sobre o destino; a ideia que melhor me satisfez até hoje foi obviamente a de Maquiavel: há que usar a Virtù, que está na nossa mão, para tirar o melhor partido da Fortuna (que não controlamos) e assim subjugá-la à nossa vontade, torná-la nossa amiga. Mas essa Virtù pode muito bem passar, em dadas ocasiões, por não nadar contra a corrente e aceitar com mansidão de observador as directrizes dos Deuses. Why not? Quando o destino nos prepara um amor que parece tudo menos correcto, um estilo de vida que foge completamente ao planeado, uma mudança repentina de estatuto ou qualquer outra coisa que escapa à lógica, mas a que todas as circunstâncias parecem conduzir e o coração não nega, será isso Virtù? Eu que tendo a calcular ao milímetro, a ver os ângulos todos, a pensar estrategicamente apesar da impetuosidade que não consigo reprimir, estou como o sábio: "nada sei". Mas chego a considerar se haverá verdade no que me disseram por estes dias: não faças planos para a vida, que ela já tem planos para ti





Porque é que todas precisamos de amigos gay, porquê??

                        
Simples. Porque os outros homens fazem coisas destas:


1- O meu melhor amigo (que é dos poucos rapazes que até tem pachorra para apreciar trapos).

Como é que se chamam aqueles teus sapatos? Michoo-Michoo? (mistura híbrida entre Miu Miu e Jimmy Choo).


 2- O Papá
Foi a Edimburgo e pedi-lhe que desse uma espreitadela às lojas vintage e "de trapalhadas". Ele deu. Entrou mas saiu logo a seguir de mãos vazias porque....(tcharam, tcharam...)  só havia "corpetes e velharias dessas". Tipo, PAIIIIIIIIIIII! 
O que é que ele esperava encontrar numa loja assim, que tinha mesmo a minha cara? A última criação da Desigual? Pronto, é desta que tenho um fanico. Morri.
(E atente-se que o autor dos meus dias nem é dos mais ignorantes no quesito moda; como não serão os outros?).

3- O meu irmão
É daqueles que fez voto solene de NUNCA, jamais, voltar a entrar numa loja. Compreendem, ele cresceu comigo, logo está traumatizado. É injusto porque até sou bastante arrapazada na forma de fazer compras - não tenho paciência para lá estar muito tempo a não ser que seja necessária uma meticulosa pesquisa ou caça ao tesouro. Mas pronto: ficou assim e é deitar as mãos para o céu ter encontrado uma namorada paciente como  Job- porque eu, por minha vez, fiz voto de nunca, jamais em tempo algum dar troco a um pretendente que seja como ele. Era pequena quando jurei "só me apaixono se encontrar alguém que seja paciente como o avô e vá às compras comigo".  E tenho cumprido - era só o que me faltava.

Mas não há nada que pague o amigo do peito gay que percebe tanto ou mais do assunto do que nós, que é capaz de dizer na cara que algo fica péssimo, que é tão sensível como nós mas tem a percepção masculina (embora mais aguçada) da beleza das mulheres. Não tem preço!




As relações são como as obras em casa...



...ou, para usar uma analogia mais grata às mulheres, como fazer a maquilhagem.  Pensem lá comigo: onde já se viu querer remodelar a casa e
 pintá-la de fresco sem retirar todos os móveis, fazer uma limpeza a fundo, esfregar bem o chão e as paredes e possivelmente, uma raspagem na pintura? Colocar canos novos sem antes tirar os velhos?
 Ou aplicar maquilhagem sobre um rosto todo sujo? 
Antes de fazer (ou refazer) qualquer uma destas coisas é preciso limpar quaisquer impurezas  - deixar uma tela branca para trabalhar. Sem limpeza, sem purificação, é impossível começar, recomeçar ou restaurar seja o que for.
 Sempre achei que com os relacionamentos é o mesmo - mas há muitos homens (e se calhar mulheres, não faço ideia) que parecem não concordar com isto. Agem como algumas criadas de outros tempos, que varriam o lixo para debaixo do tapete e esperavam que a "senhora" não reparasse.

Uns fazem uma asneira e em vez de tentar esclarecer o problema ou pedir desculpa, calam-se bem caladinhos. Dali a dias aparecem com um convite irresistível, ou um bonito presente, com ar de criança-apanhada-no-pote-das -bolachas, como quem diz "por favor não me fales mais nisso". E está claro, até a mulher menos maternal é inconscientemente algo sensível a tudo o que lembre crianças. Espertinhos, a usar a genética a vosso favor!

Outros, em casos mais graves, esperam recomeçar ou restabelecer um relacionamento, reatar, fazer as pazes ou o que seja, aos poucos. Conseguindo tréguas falsas, um relacionamento cordial que leve eventualmente a outra coisa. Mas desculpem lá: só relações que esfriaram e morreram permitem relacionamentos "cordiais", "amistosos" ou "civilizados" -  o resto é falsidade, engolir sapos, "ver no que dá" ou meio para chegar a um fim. E torna-se mesmo insultuoso transformar nisso uma relação que foi intensa. Antes morrer bem do que viver sem graça...

Acham-se demasiado importantes para  arriscar a atitude (de homem! cavalheiresca! que as mulheres adoram!!!) de dizer " fui um idiota, errei, tenho saudades". Ná. É muito melhor ir conversando, estabelecer pontes para um "a ver vamos" sem perder a face, sem se comprometer muito, sem se expor a uma possível  rejeição. Afinal, a maioria das mulheres hoje em dia quer tanto um homem que a ature que se lhe dão um pé, ela agarra logo no braço. Facilitam a vida e ainda correm atrás a oferecer cama, mesa e roupa lavada. Claro que a essas tanto lhes faz oferecer isso tudo ao Manel, como ao Jaquim, como ao Roberto ou ao Ricardo. Tudo lhes serve, desde que as carregue; entram e saem de relacionamentos como quem bebe água, não se ofendem com nada e aceitam todas as migalhas. O que é fazer batota: homens habituados à atitude das mulheres desesperadas podem confundir rejeição com simples bom senso.

Mulheres desesperadas pintam a casa e a cara sem limpar e tratar antes.

Mulheres de bom senso, não.

E os homens que "varrem para debaixo do tapete" esperam essas facilidades todas, porque se habituaram a não valorizar nada e por sua vez, a estar com mulheres que não lhes dão grande valor. Eles ou outro é o mesmo. Então, as suas frases preferidas são "não se fala mais nisso", "deixa lá esse assunto", "esquece isso" . Esperam construir alguma coisa sem esclarecer o que está para trás. E se possível (isso é o jackpot!) mantendo os mesmos comportamentos, maus hábitos e atitudes que levaram ao colapso da relação. Ou seja, sem trabalho nenhum. Sem reflexão. Sem prescindir de nada. 

É claro que não dá bom resultado. Tal como dormir com maquilhagem. Ou pintar sobre paredes salitradas.






Tuesday, August 27, 2013

Não detestam aqueles sonhos...


...que vão desenterrar mágoas esquecidas, vos fazem acordar tristes e a pensar que afinal não está tudo bem como julgavam? Devaneios nocturnos desses deitam abaixo as resistências que uma pessoa constrói. Deixam-nos indispostos dias a fio. Por vezes invejo os sortudos que nunca sonham com nada.

La vie en rose, ou a história do Magnífico Casaco.

                           Fall/ Winter 2013-2014 Color Trends - Vivacious Fuchsia

Cor-de-rosa e Inverno não são duas ideias que costumem caminhar juntas. Porém, eu sei por experiência que uma cor ao mesmo tempo alegre e doce pode trazer luminosidade aos dias frios: e nesta temporada, o Rosa foi uma presença forte em várias colecções: Miu Miu, Gucci, MaxMara, Marchesa, Diane Von Furstenberg, Balmain, Stella McCartney e Vanessa Bruno, entre muitas outras. 
pink-vanessa-bruno Embora não seja uma escolha imediata, uma peça para o frio numa cor rica pode ser um bom investimento. Talvez não o use todos os anos, mas se for um artigo de qualidade poderá desfrutar dele por muitos Invernos.  É o caso do meu sobretudo de faux fur rosa: nem rosa claro nem rosa escuro, num tom de rosa inglesa, muito justo ao corpo e com um fecho invisível, parece extravagante à primeira vista - e de facto será das peças mais vistosas que tenho, já que faux fur e cores vivas não costumam ser a minha primeira opção. Mas é tão simples na forma que se adapta a quase tudo: usei-o sobre vestidos de noite, com toilettes divertidas, sobre preto integral. 
 Vi-o na loja de uma designer portuguesa onde comprava bastante roupa na altura, e que tinha coisas encantadoras...foi amor à primeira vista. Também existia em preto, que seria a escolha óbvia, mas achei que o rosa tinha outra graça. Veio comigo e anos volvidos, mantém-se impecável, como é apanágio das coisas de boa qualidade.  Não sai à rua todos os Invernos, mas ando sempre à procura de uma boa desculpa para o usar...e desta feita posso fazê-lo à vontade. Que prego eu sobre indoor shopping?


Detesto histórias de amor que acabam mal‏.



Uma das mulheres mais belas de sempre e um dos homens mais charmosos do planeta puseram fim a um casamento de 14 anos. Eu adorava este casal, dentro e fora das telas. A beleza de ambos (ela uma deusa grega, ele com aquele ar entre príncipe e facínora) harmonizava-se na perfeição. Pareciam ter uma química fulminante, do tipo que não se consome facilmente. Não sei o que aconteceu (a vida às vezes é mesmo estúpida) mas espero que a decisão não seja, passe o trocadilho, Irreversível
Tenho conhecido pares como este: perfeitos. Daqueles que iluminam uma sala e viram as cabeças por onde passam, não só pela superioridade física dos dois ( casais onde ambos os elementos sejam lindos não são tão comuns como isso) mas pela paixão e felicidade que irradiam. Sabem, aqueles de quem se diz "que lindo casal! E nota-se tão bem que estão apaixonados!" mesmo que a sua atitude em público seja do mais discreto. Há algo que se nota: na forma como se entreolham, nos gestos de cumplicidade, na atitude protectora dele para ela, e carinhosa dela para ele. E os simples mortais que os contemplam sentem inveja, mas também esperança por ainda existirem histórias de amor dessas. São os casais que têm tudo: amor,  beleza, êxito, elegância. Depois acontece uma porcaria qualquer. Um , ou ambos, têm um momento de pouca lucidez, como se coisas tão raras, tão maravilhosas, pudessem ser deitadas à rua assim como assim, como se andassem por aí ao pontapé. Não andam. 

Monday, August 26, 2013

Lady Ellenborough: amar perdidamente, a este, aquele ao outro e toda a gente.

                 File:Stieler-Jane Digby.jpg

Florbela Espanca não conheceu Lady Ellenborough (nome de baptismo, Jane Elizabeth Digby) mas este verso da sua autoria aplicar-se-ia lindamente à bela e escandalosa aristocrata inglesa. As suas aventuras românticas, dignas da Maria Monforte d´Os Maias, escandalizaram a sociedade Georgiana, não sem uma certa razão: quatro maridos, muitos amantes e uma vasta prole com vários pais dariam nas vistas em qualquer altura, quanto mais tratando-se de uma menina bem nascida, de quem se esperava um bom casamento e uma vida discreta.
 Mas tal como a personagem de Eça de Queiroz, Jane Digby era de natureza romântica, tempestuosa, descontrolada: honra, nome, fortuna, conveniências, tudo sacrificava às suas caprichosas paixões. O "sentimento" e a aventura eram o móbil da sua existência. 
File:Jane Digby.JPG A estonteante Jane, chamada "Aurora" pelos admiradores graças à sua luminosa beleza (era escultural, loura, com um rosto perfeito de grandes olhos azuis e uma pele de "rosa brava") nasceu num lar opulento e confortável, não destituído de uma certa aura romanesca. O tesouro de um galião espanhol consolidara a fortuna do seu pai, o Almirante Henry Digby. A sua mãe, Lady Jane Elizabeth Coke, filha do 1º Conde de Leincester, era uma famosa beldade.
 Estavam lançados os dados para uma existência delicada e tranquila, mas Jane tinha outros planos. Ou talvez não planeasse nada: seguia a natureza, acumulando casos amorosos como uma cerejeira dá cerejas.

 Bonita, prendada (viria a falar fluentemente oito línguas) apresentada à sociedade aos 16 anos, não tardou a ficar noiva do primeiro cavalheiro que a cortejou, o Barão de Ellenborough, viúvo e 17 anos mais velho. Apesar de a união não ter defeitos a apontar, a família da noiva, que lhe conhecia o carácter ingénuo e caprichoso, achou que não havia necessidade de tanta pressa. Mas Jane começava a provar ser uma daquelas mulheres que, tal como as cortesãs, amam o amor em si, e não os homens. Adorava a ideia de estar apaixonada...e casou. O enlace foi razoavelmente feliz ao início, mas os afazeres políticos do marido obrigavam-na, muitas vezes, a comparecer sozinha a convites. Além disso, veio a descobrir que o Barão mantinha uma amante na mesma cidade onde o casal passara a Lua-de-Mel. Isso foi demais para ela: pensou em vingar-se, e não procurou muito longe. O eleito foi o seu primo, o Coronel George Anson. Foi uma paixão fulminante...e em breve achava-se a braços com uma criança fora do casamento. O primo acabou por provar que não a amava, e Jane teve um horrível desgosto. 
 Em breve, porém, outro homem surgia na sua vida: o Príncipe Felix Shwarzenberg. A início Jane estava demasiado infeliz para lhe prestar atenção, mas ele foi tão atencioso, tão insistente na sua corte, tão pródigo em carinhos e consolações, que em breve a rebelde dama embarcava num affair mais escandaloso do que o primeiro, encontrando-se despudoradamente com o seu novo apaixonado. Esta foi a machadada final no casamento - o divórcio foi verdadeiramente sensacional -  e trouxe-lhe mais dois filhos ilegítimos. Mas a morte de um deles ditou o afastamento do casal: com a desculpa de que sendo católico, não poderia casar com ela, o Príncipe tentou afastar-se aos poucos - um golpe doloroso para o coração de uma mulher.
 Para escândalo da família, saiu do país e foi no encalço do amado para a Suiça, no desespero de o reaver: sem êxito. Seguiu-se então Ludvig I da Bavária e pouco depois, um casamento de conveniência com o Barão Karl von Venningen...e mais dois filhos (por esta altura, começo a perder-lhes a conta, confesso).  
O novo matrimónio não foi suficiente para a sossegar: em breve, apaixonava-se pelo Conde grego Spyridon Theotokis. O marido descobriu, desafiou o grego para um duelo: foi ferido, mas o casal acabaria por se separar amigavelmente...e Jane, ainda sem estar legalmente divorciada, casou-se pela Fé Ortodoxa com o seu novo apaixonado. Porém, mais uma vez a tragédia acabaria por ditar o fim do romance: o filhinho de ambos, Leónidas, de seis anos, o único que Jane conservava perto de si, despenhou-se fatalmente de uma varanda. O casamento não sobreviveu à desgraça - e às infidelidades do Conde. 
 O seu próximo amante seria o Rei Otto da Grécia - nem por acaso, o filho do seu antigo amante, Ludvig. Uma campanha negra para manchar o nome da bela Jane não se fez esperar. O escândalo precipitou-a numa nova paixão, desta feita com um herói da Revolução Grega, o General Chatzipetros ( acompanhando o seu exército como "Rainha" dos revolucionários, a monte, a dormir em cavernas e a caçar nas montanhas) . Mas o aventureiro também não era homem de uma mulher só...e Jane afastou-se mais uma vez. 
 A sua sede de emoções fortes impeliu-a para o Médio Oriente: com 46 anos, mas ainda deslumbrante e cheia de vivacidade, capturou o coração do Sheik Abdul Medjuel el Mezrab, vinte anos mais novo. Casaram segundo a Lei Muçulmana e finalmente, Jane acertou. A união durou até à sua morte, 28 anos depois.  Apesar de não se ter convertido ao Islão, aprendeu árabe e viveu de acordo com os costumes do marido - adoptando as vestes Sírias e pintando o cabelo de preto, já que as madeixas louras eram consideradas "de mau agouro". O casal dividia o tempo entre as tendas do deserto e uma luxuosa villa em Damasco. Foi um final feliz - após dois Barões, um primo, dois Reis, um príncipe, um Conde e um Sheik (uffff, esqueci-me de algum?). 
 Curiosamente, a sua sobrinha-bisneta, Pamela Harriman, viria a ser uma das últimas "mulheres galantes" do século xx, com artes só comparáveis às cocottes da Belle Époque. Mas isso é outra história.




As coisas que eu ouço: Impulse de baunilha, ou quando os homens têm razão.


Quem cresceu durante os anos noventa deve lembrar-se do bodyspray Impulse de baunilha: e se um desconhecido te oferecer flores? Isso é Impulse!  Junto com o meu adorado Oui Non de Kookaï (sou uma das sortudas que conseguiu deitar mão a uma embalagem, cujo aroma se mantém impecável...guardo-o para ocasiões especiais) o desodorizante adocicado marcou a minha passagem da infância para a (pré) adolescência. Na altura não havia tanta abundância de marcas e produtos pensados exclusivamente para os adolescentes, e o que aparecia tornava-se mais especial. Eu não era de "ir com o rebanho" mas já na altura adorava moda e tudo o que se relacionava com o tema, além de  ter uma pequena marketeer a trabalhar cá por dentro. Embora não me faltasse acesso aos melhores perfumes ( já que era um presente que gostavam de oferecer lá em casa, quando alguém viajava) achava que enfim, os aromas criados para as raparigas da minha idade tinham outra piada.
  Mas ao contrário dos outros, que foram bem recebidos, o Impulse de baunilha não ganhou simpatias na minha família. Eu achava-lhe graça, mas foi uma sorte ser barato: para começar, a senhora mãe nunca suportou aquele "cheirete enjoativo" perto dela. Sempre foi esquisita com perfumes e tenho de reconhecer, aquilo cheirava *mesmo* a concentrado de baunilha. 
 Ainda assim, teimei na minha. Eu...e a escola em peso, ou a crowd fashionista da escola em peso, vá.  O Liceu onde estudava era muito bem frequentado nesse aspecto (foi uma pena não haver "Sartorialists" nessa altura) e as meninas puxavam pela cabeça para inventar a toilette do dia seguinte. Por sua vez, havia rapazes muito betolas, muito fanfarrões, muito brutamontes e descarados: do tipo que joga rugby e diz chalaças. Não sei se alguma menina se convenceu com a promessa da publicidade e acreditou que um deles nos ia oferecer flores por causa do Impulse, mas se acreditou...que grande barrete!
 O Impulse de Baunilha provou, um dia, ser um repelente do sexo oposto, isso sim.
Porque após alguns olhares de soslaio e fungadelas um dos cavalheiros, que estava numa roda de marmanjos (cobertinho de razão ao sentir o recreio com um aroma a fábrica da Dancake que não se podia) observou em volta como que a tentar descobrir a culpada e gritou bem alto:

- Mas que porcaria é esta...aqui cheira às bolachas!!!

Enterrámo-nos todas pelo chão abaixo, e vi-me aflita para conter o riso. É que não havia como apurar a criminosa que assim perfumava o ambiente. Foi remédio santo: ali fiz voto de nunca mais usar tal coisa. Nem tudo o que está na moda nos serve, as promessas da publicidade nem sempre se realizam, as mães têm sempre razão. E uma vez por outra, os homens também: há que admitir.


Loafers: not my cup of tea....ou será que sim?



A imagem de Audrey Hepburn e Grace Kelly de loafers diz tudo sobre a intemporalidade deste sapatinho. Mas até aqui, confesso que me restringi à versão " mocassim raso extra fofinho de camurça para os dias preguiçosos" (coisa mais clássica e confortável não pode haver) e a dois luxuosos loafers de salto alto:

                               
Porém, é inegável que raso, de salto agulha, de salto chunky, masculino ou masculino com salto largo (entre outras fantasias ao gosto dos designers) o loafer está por toda a parte. O modelo usado por Kate Moss (abaixo) e as opções de salto baixo e grosso não são as mais democráticas para todas as mulheres: caem melhor às silhuetas arrapazadas de ninfeta. 

                                    

A todas as outras meninas, mesmo às mais elegantes, o seu uso exige alguma atenção às proporções. Não sendo um tipo de sapato que use com frequência, fiquei renitente em experimentar. Mas convenhamos - e esse assunto vai ter destaque aqui no IS esta semana - que nunca se viu uma temporada tão democrática em termos de sapatos como esta. Vamos poder comprar e usar rigorosamente tudo sem virar cabeças na rua. E o loafer algo masculino, num visual cool-andrógino (outro tema que será tratado em breve) que vai estar muito em voga, não pode fazer mais habilée. Convençamo-nos: vai haver loafers para todos os gostos, de todas as cores e feitios. Será difícil ignorá-los. Então, que fazer?
 Bom, o mesmo que faço sempre que duvido da utilidade de uma tendência: esperar pela pechincha certa. E ela lá apareceu, numa pele fantástica de acabamento crocodilo. Com  mais ou menos este aspecto:

                                The Best Shoes From Fall 2013 Fashion Week
Stella McCartney Corrine Tortoise Heel LoafersCHIE MIHARA 'Talasac' heeled loafer
                                   ASOS STRIDER Heeled Loafers
Depois conto o que vou fazer com eles. E as meninas: loafers, yay or nay?

Sunday, August 25, 2013

Duas pinderiquices do dia

                     

1- Que o estilo da Duquesa de Cambridge (que é aquele que compete à sua posição, nem mais nem menos, sem que a meu ver haja ali algo do outro mundo) chame a atenção pela positiva, considerando toda a cobertura mediática que lhe é dada, eu entendo. Catherine Middleton é bonita, simpática e desempenha o papel que deve desempenhar. Agora, que cada farrapito que veste esgote nas lojas... isso já me ultrapassa. Diz que o vestido púrpura normalinho, normalinho, que usou nos retratos "oficiais" com o pequeno ao colo, provocou uma corrida louca aos pontos de venda da marca para mamãs que o fabricou (aliás, bastante acessível). Por sua vez a Séraphine, assim se chama a empresa de pronto-a-vestir, agora coloca no seu site um carimbo "usado por Kate Middleton" sobre cada exemplar que a Duquesa levou à rua. Já o vestido às bolinhas que "luziu" à saída da maternidade tinha causado o mesmo sururu, e o azul de noivado, e...bom, percebem a ideia.  Eu que acredito que a mulher do herdeiro do trono inglês deve ter popularidade, sim, mas não é exactamente uma rock star ou coisa que se pareça,  acho que este aproveitamento comercial não é nem um bocadinho digno e muito menos elegante, mas enfim: há que movimentar a economia de alguma maneira, já que não se pode evitar a falta da imaginação do povo. 
   E a julgar por isto parece-me que as britânicas, ou pelo menos parte delas, são totalmente destituídas de criatividade. Tal histeria já não é apreciar o estilo de alguém: é idolatria bacoca e carneirada. O síndroma pindérico também quero ser "princesa". Que se ache graça e se compre um vestido semelhante, eu entendo. Mas o mesmo vestido, na mesma cor? E com tanta corrida vão fazer o quê, usar o vestido todas ao mesmo tempo? Mesmo que não lhes fique bem? Aliás, vestidos desses tenho-os visto aos montes nas lojas mais comuns. Só repararam no modelo agora? Se há coisa que me tira do sério, são popularuchices e imediatismos reles. Por muita simpatia que se tenha pelo Trono Inglês, e eu tenho, não há mesmo paciência para tanto deslumbramento barato.

                                             

2- Tenho o maior respeito pela Avon e gosto muito de alguns dos seus cosméticos, mas a sua especialidade não é exactamente alta perfumaria. Vai daí, apostam em Megan Fox para uma fragrância "selvagem" e colocam a menina, com o mau ar que a caracteriza (a despeito de ser realmente bonita, mas já se sabe: beleza e bom ar nem sempre andam juntos) num vestido tigresse que parece mesmo, mesmo da lojinha do chinês lá do subúrbio. Megan Fox sempre teve um ar baratinho, baratinho, anyway, mas enfim, fez a Armani há uns tempinhos atrás. Isto parece-me que foi uma má jogada quer para a marca, quer para a actriz. Se a Avon precisava de um nome de primeira água para se promover, era preferível apostar numa celebridade com outra classe, subindo a parada, e colocá-la na campanha de um perfume mais bem pensado, mais clássico, menos...óbvio. Olho para ali e ocorre-me imediatamente "perfume de stripper". E Megan Fox não tem uma reputação tão sólida que a sua imagem não perca pontos com uma associação deste género. Isto é a marketeer que há em mim a raciocinar, e também a minha embirração com raparigas que tenham o aspecto dela, por isso sou suspeita. Mas que não acho requintado ou que acrescente alguma coisa a ambas as partes, isso não acho, pronto.

As coisas que eu ouço: say what?

                       

Até há algumas semanas, amigos meus que se preocupam com a Astrologia andavam numa aflição porque Mercúrio estava retrógado - o que significa que nada atrasa nem adianta, como o Timex, que os negócios não se fecham nem deixam de fechar, que as pessoas não se entendem, etc. 
 Não faço ideia se o planeta das comunicações decidiu continuar a andar para trás sem dizer nada a ninguém, mas nos últimos dias tenho assistido a equívocos sucessivos:

1- Todos os dias sou atendida por uma simpática moça africana, com ar de voodoo queen, num café perto do meu local de trabalho. É aquele tipo de empregada de café sorridente e despachada que facilmente imaginamos numa estalagem antiga, sempre com uma palavra simpática, um "bom dia, querida" e uma história ou resposta torta na ponta da língua para os clientes mais chatos. Mas num dia mais atarefado esta semana em que lá fui a correr, e em que ela se encontrava rodeada de habitués desocupados a querer isto e aquilo, o nosso diálogo foi este:

- Bom dia, minha querida, o que deseja?
- Olá, está boa? Bem...queria um néctar...pode ser de pêssego. E...tem pastilhas?
- Tenho, quer de quê?
- Pode ser um pacote de chiclets de morango.

Dali a instantes voltou. Com um néctar de pêra e uma, só uma, pastilha de mentol. Eu embirro com pastilhas de mentol, mas como tinha pressa, nada disse. Ok...


2- O meu irmão liga-me:

- Avisa a mãe que não janto em casa.
- Então? Onde vais?
- Vou com o C. às papas.
(E eu a julgar que ele estava na brincadeira).
- Papas? Papas de quê?
- Papas! Vamos comer papas!
- Céus, está bem, mas que papas? Quem é que vai fazer as papas?
- Ó desentendida, TAPAS. Vamos comer ao TAPAS.

Enfim, tapas ou papas, é tudo papa mesmo...

Espero sinceramente que esta incompreensão generalizada alivie e as coisas voltem ao normal. Olhem lá se em vez de trocar tapas por papas ou pastilhas de morango por pastilhas de mentol, há confusões com alguma coisa importante. Olho vivo, ouvido atento e pé ligeiro. Que baralhada, credo.




Bravo, Zara!



Confesso: a minha relação com a Zara, e com a fast fashion em geral, é algo complexa. Se adoro o hi-lo fashion, tenho para comprar neste tipo de cadeias as minhas regras do smart shopping e por vezes, acho preferível fazer um investimento maior num artigo mais especial do que, digamos, gastar €60 numa peça da estação que vai fazer a cabeça de meio mundo.

Estas são questões de equilíbrio que cabem a cada consumidora, de acordo com o seu estilo, meios e necessidades.

 Pessoalmente, a não ser que apareçam por lá

a)  as famosas calças cigarrette de que já falei.
b)  vestidos do modelo que passo a vida a procurar porque nunca tenho demasiados
c)  algum artigo que seja igualmente um essencial recorrente no meu guarda roupa, ou que me deixe de tal maneira abananada que não possa viver sem ele

ou ainda

d) precise de t-shirts.....

....deixo o giro pelas cadeias acessíveis para os saldos, até porque dou preferência às peças clássicas que se mantêm por muito tempo. 

Mas é inegável, e já o disse antes, que o gigante espanhol se tem aprimorado - no posicionamento, na qualidade dos materiais em algumas linhas, nos moldes, no styling, até na confecção (que em tempos foi o seu calcanhar de Aquiles) e veja-se, na comunicação. Ontem passei pela loja e fiquei de olho em dois sheath dresses - bom, não é segredo para ninguém que eu não resisto a sheath dresses venham de onde vierem - e apesar de investir em duas peças da estação num padrão imediatamente reconhecível não ser exactamente a minha ideia de uma compra inteligente (se não resistir, devo fazer o truque de os calafetar no armário e só os usar quando ninguém se lembrar deles) fiquei muito tentada.

 Zara trabalha com boas modelagens no que respeita a vestidos de alfaiataria abaixo do joelho, e tem o bom senso de as repetir de colecção para colecção. 
 Depois, ao fazer o exercício diário de correr a internet para ver em que param as modas, deparei-me com a campanha acima. Palavra que julguei que fosse Ralph Lauren, Gerard Darel ou no mínimo, Karen Millen. Mas não. Era Zara, minha gente!
 E que bela maneira de interpretar o power dressing e a androginia cool desta temporada.
Reparem também na capinha tartan de aspecto dispendioso:

              

                    

O sobretudo preto retinto agrada-me. Não sei do que é feito (vou tentar descobrir a composição) e sobretudos longos deste género não faltam cá em casa, mas parece-me que será um bom investimento para quem queira comprar um sem danificar a conta bancária:



No minimalismo (90s, again):




Há também a piscadela de olho ao grunge, com os vestidos baby doll, ou longos e floridos:





Way to go, zara. Way to go!



Os corpetes estão de volta




Versão adulta dos bustiers estilo lolita deste verão, os corpetes/espartilhos, que estão entre as minhas peças preferidas de todos os tempos, fazem agora um regresso algo tímido, mas muito bem vindo.  
 Os espartilhos fizeram as minhas alegrias quando começaram a chegar às lojas generalistas por volta de 2004/2005. Antes tinha de dar voltas inacreditáveis (só me rendi às compras pela internet recentemente) para os conseguir arranjar. Dito isto, hoje tenho uma colecção apreciável de tops- espartilho, alguns por estrear. Comecei a cansar-me um pouco deles quando se popularizaram, com mulheres a usá-los com jeans, a propósito de tudo e de nada e de forma pouco elegante. Afinal, o corpete é uma peça que nos remete para os estilos rocócó e vitoriano, para (segundo o formato) o séc. XVIII ou a Belle Époque, a instituição do boudoir, o Moulin Rouge, as cortesãs glamourosas, fidalgas sedutoras e heroínas trágicas. Podemos adaptá-lo aos tempos mas banalizá-lo com fantasias demasiado práticas, demasiado actuais, é desvirtuar esta peça icónica.
                                              Alexander McQueen autumn winter 2013 2014 gold and white pearl applique corset

  Porém, num ano ladylike, num ano New Look, nada poderia fazer mais sentido. Seja uma adaptação moderna (digam o que quisere o fecho éclair foi uma grande invenção) ou tradicional (para quando temos paciência) simples ou elaborado, vale sempre a pena ter ao menos um. Isabel Marant e Alexander McQueen, entre outros, apresentaram versões minimalistas ou requintadas - para um power dressing que lembre Marlene Dietrich ou um look de conto de fadas com um twist sexy. 
Usado em toilettes formais e muito femininas (como parte de vestidos de noite ou coordenado com chiffons, pencil skirts e saias de balão) ou a complementar fatos, calças clássicas afuniladas e smokings de senhora, o novo espartilho pode ser cool e chic, acrescentando uma nota minimalista de feminilidade a um look andrógino, ou elaborado e romântico. 
 Uma coisa que gosto de fazer com os meus, para multiplicar as utilizações,  é vesti-lo sobre camisas brancas de alfaiataria - visual "masculino, ma non troppo" - ou blusas românticas, o que funciona lindamente sobre saias lápis. Acompanhe-se de saltos altos q.b.  Não esquecer que os melhores terminam um pouco abaixo da cintura, para evitar marcar o que não devem, e nunca podem estar demasiado largos. A ideia é vincar uma cinturinha de vespa e não "dançar" por ali. 
 O investimento sensato para este ano será nos espartilhos de tecido grosseiro, tipo fazenda. Mas as aficionadas que queiram acrescentar exemplares à sua colecção vão ter, possivelmente, um maior leque de escolhas. Entre os criadores especializados e versões acessíveis*, mas cada vez mais perfeitas, o corpete vai-se democratizando. Exige apenas a silhueta certa e bastante gosto: um top duvidoso e molengão em forma de corpete NÃO é um espartilho.


* Descobri esta loja low cost com alguns exemplares elaborados, do género do que alguns anos só se encontrava em pontos de venda específicos. Não sou cliente, mas fica a sugestão:



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