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Friday, September 13, 2013

As coisas que eu ouço: anúncio de Sexta Feira 13

       

Ouvido numa dessas rádios de província que se apanham quando tentamos captar a estação preferida, e que passam ranchos folclóricos, Toni Carreira e publicidade a funerárias "cá te quero" com musica "europop" como fundo:

" Stand de automóveis não sei quantos...leve o carro e pague depois! Porque isto, pagar e morrer...quanto mais tarde melhor!".

Um ponto pela originalidade, outro pelo sentido de adequação à data. Porque surpreender-me, isso já se prova cada vez mais difícil neste mundo de Deus.

A very perfect dress‏: God save The Queen!

Queen Elizabeth II gown worn for opening of the New Zealand parliament in 1963

Vestido usado por S.M, Rainha Isabel II, para a abertura do Parlamento da Nova Zelândia, 1963. Alguém teria objecções a usa algo tão maravilhoso hoje, caso a ocasião se apresentasse? Eu não. Aliás, fica prometido para um dia destes um post sobre o soberbo estilo de Sua Majestade.

Thursday, September 12, 2013

Meninas, já se sentiram numa fase...‏

                    
...em que a vossa vida parece uma corrida de obstáculos? Ou melhor, uma corrida de obstáculos EM SALTOS ALTOS.
Para cada plano que se faz, mesmo o mais simples, aparecem todos os constrangimentos, todas as chatices, todas as dificuldades, todas as restrições. E uma pessoa contorna um empecilho, resolve outro, livra-se de outro ainda, perguntando-se para onde foi a fluidez habitual no decurso dos acontecimentos. Segue a corrente aos trambolhões, esperando que um percurso menos espinhoso apareça depressa. É uma maçada. Mas sabem que mais? O prazer de cruzar a meta é MUITO maior quando temos de fazer frente a tudo isso. Podemos cortar a fita  um pouco mais cansadas, com os sapatos estragados, mas com mil diabos, sabe lindamente pensar "podem mandar um exército que não me conseguem impedir de levar a minha avante. Nem de partir esta porcaria toda". Ou como se diz nos bairros complicados, em que a vida é realmente dura, eu é que domino a cena. Era só o que mais faltava.

A outra face da moeda.

Condessa de Quintanilla, Jackie Kennedy e Duquesa de Alba

A beleza atrai os olhares, abre portas, facilita o amor e a admiração...mas também causa desconfianças injustas,acicata a competição entre pares,  desperta o ciúme doentio, perturba por vezes a compreensão da alma por trás da cara bonita, da bella figura.

A riqueza dá liberdade total, possibilita gozar todos os prazeres mundanos...mas é um imane para a inveja, a bajulação interesseira, as falsas amizades.

A elegância e o estatuto suscitam respeito...mas também o temor reverencial, o constrangimento, a adulação e o salamaleque.

O amor e a paixão abrem as portas do céu...mas podem levar ao inferno se forem excessivos, sem temperança, contaminados pela obsessão e a possessividade.

O êxito e a glória trazem a realização...mas poucos ficam felizes pelo triunfo alheio, mesmo do melhor amigo - para não falar nos efeitos sobre o próprio, se não houver modéstia e  desprendimento.

Vivemos num mundo em que nada vem sem preço, nada é garantido, nem preto no branco...é preciso uma bússola de precisão para encontrar alguma felicidade mesmo no cenário mais perfeito, é o que é.

Wednesday, September 11, 2013

Conselho aos cavalheiros.


Por favor, por favor, não abusem da roupa desportiva, sobretudo depois dos 20 e muitos. Guardem os ténis, as t-shirts de algodão duvidoso (bom, essas devem mesmo ser substituídas) e os jeans para os dias descontraídos. E conselho de amiga, muito amiga que só quer o vosso bem, façam auto-de-fé com os jeans com lavagens mirabolantes e bolsos a direito ou acabamentos cargo. Bolsos de calça clássica estão reservados às calças chino, que aliás, são as que vocês deviam usar no dia a dia, e as cargo, bom...são mesmo para ocasiões de campo ou de preguiça. Nas calças de linho à padeiro, já nem falo. Usam-se na padaria...ou na praia, se forem muitíssimo confiantes quanto à vossa masculinidade.


(E a culpa nem é só vossa, que isto há namoradas e mulheres que deixam sair as caras metade à rua em cada figura que não está escrita em lado nenhum...não os educam e depois é o que temos!)

Não significa isto que devam adoptar o estilo vendedor de automóveis ( não há nada mais deprimente do que maus fatos, camisas manhosas e gel no cabelo). Ou que um belo blusão de cabedal, o uso do preto e dos bons e velhos jeans clássicos não tenham o seu encanto em quem os sabe (e pode) usar. Tão pouco que se tornem num Beau Brummel da vida. Mas portem-se como pessoas adultas, instruam-se um bocadinho e abram os olhos para o maravilhoso mundo da alfaiataria e do smart casual.

E sabem porque digo isto? Porque para além de as vossas chefias agradecerem, de simplificar o vosso guarda roupa e de enfim, um cavalheiro bem apresentado caber em toda a parte, os tecidos molinhos, fofinhos, são coisa de mulheres. Por mais que se democratize, por mais que se faça, por mais que se modernize. A figura masculina, sendo sólida e forte, pede formas e tecidos consistentes, mais pesados e rígidos do que aqueles que nós podemos usar. Acreditem que há um apelo de segurança, de contraste,no toque de um belo blazer, pólo, sobretudo, gabardina, camisa engomada, etc.  É algo que se vê, mesmo que não se note. Que mostra à mulher ao vosso lado um pedacinho do universo masculino. Que traça a linha entre os homens de gosto e os meninos que ainda não se encontraram. E acreditem: se uma mulher se está nas tintas para isso, se vos recomenda as roupas muito casuais, a marcar os músculos e os glúteos, enfim, se ela própria não é muito cuidadosa com o seu aspecto...pensem duas vezes. Provavelmente será pouco refinada noutros aspectos também. Quem avisa...

A minha "modiste" dixit...‏

                                                      

...ao ver que as provas feitas às saias que lá deixei foram inúteis, pois as malvadas continuavam a flutuar à volta da cintura (é o stress e a má raça, fazer o quê?):

- Olhe lá não emagreça mais! Se uma mulher não tem curvas, um homem não se estampa!

Bem dito, bem dito...sou toda a favor da silhueta hiper-feminina, embora "estampar-se" não seja o primeiro verbo que me ocorre. Será que a ambicionada figura em "S", com as três curvas primordiais causadoras daquele efeito va-va-vooom que felizmente voltou a estar na moda, são uma ancestral armadilha feminina para subjugar os todo-poderosos cavalheiros à força de choque? Se é...bela e subtil partida que vos pregamos, meninos.
Just thinking.

Há homens que são eternos meninos.

                           
A gíria "és um menino!" aplica-se a muitos espécimes que conheço, com idade para ter juízo e usar "as calças compridas" como se dizia no tempo em que as calças eram privilégio dos rapazes crescidos, símbolo de iniciação, coming of age. Se o traje reflectisse o que vai lá por dentro, veríamos muito marmanjo de bibe por aí, a conduzir, em cargos de responsabilidade, a brincar aos adultos.
É que vejamos...bom, como é de criancinhas que falamos, o melhor é contar uma historinha para ilustrar o comportamento destes rapazotes. 

Era uma vez um menino chamado Toninho, que era muito mimado e por isso fazia imensos disparates. Como os pais não tinham tempo para o aturar, deixavam essa responsabilidade à sua competente ama que, coitada, em todos os seus anos de carreira nunca tinha visto um pequeno tão malcriado.

- O Toninho tem tão bom coração! - dizia ela. - Se ao menos tentasse ser mais bonzinho!
Mas o Toninho não queria saber.
- Sou mau, gosto de ser mau e serei sempre mau! - respondia, fazendo caretas, dando pontapés nas latas e portando-se mil vezes pior só para provar a sua supremacia.

A ama, que ganhava o mesmo quer o Toninho se portasse bem ou mal, encolhia os ombros e lá tentava assegurar o melhor que podia que ele fazia os trabalhos de casa, não se sujava todo e acima de tudo, que à noite os pais o encontravam inteiro, sem ter sido atropelado, mordido por um cão feroz ou caído de uma árvore abaixo.

Ora, estávamos nas férias de Verão e o Toninho adorava passar o dia a brincar junto à piscina. A ama pegava no seu tricot, nas suas revistas e lá ficava a vigiá-lo. É claro que o pequeno ditador aproveitava a deixa para a arreliar ainda mais: fazia "torpedos" no firme propósito de a encharcar,  atirava-se da prancha mais alta, arremessava bolas, incomodava os outros miúdos que por acaso lá estivessem...uma lástima! Mas o pior era a sua mania de correr e deslizar de propósito à beira da piscina.

- Toninho, não corra, que o chão é escorregadio! - avisava a ama. - Olhe que cai e magoa-se! Estou a avisá-lo!

- Cala-te chata, velha rezingona! Corro porque posso e me apetece! -respondeu o malcriadão sem respeito nenhum, correndo ainda mais depressa.

Noutro dia qualquer, a senhora teria ido trás dele: mas primeiro, já estava até à ponta do toutiço (desculpem lá, mas esta história é minha e decidi imaginar uma ama de toutiço e touca, estilo Sra. pimentinha) com o pupilo, e a pensar  aceitar outros desafios profissionais; até já tinha recebido uma proposta de emprego mais aliciante que estava seriamente a considerar. Depois, mesmo que quisesse correr não podia: tinha torcido o pé no dia anterior, quando tentava impedir o Toninho de fazer mais uma das suas partidas. Por isso ficou sentada a apreciar o espectáculo. E o circo não tardou: o Toninho escorregou, bateu de cara no chão e caiu dentro da piscina.

Foi preciso chamar gente para o tirar de lá com o nariz amassado, o lábio rachado, um pé a sangrar, um galo na cabeça e outras mazelas. 

Mas julgam que ele aprendeu? Qual quê! Como tinha dores e estava incomodado, mas era incapaz de perceber que a culpa fora dele e só dele, fez uma grande birra, chorou que nem uma Madalena, deu pontapés a todos e ainda acusou a ama de não saber fazer o seu trabalho. 
   Quando a ama se foi efectivamente embora para tomar conta de crianças mais bem agradecidas, sentiu-se muito infeliz e atraiçoado porque gostava muito dela, ainda que não o demonstrasse da melhor maneira. Durante imenso tempo, mandou e-mails à antiga ama a acusá-la de traidora e desalmada, que era a sua maneira de dizer "sinto a sua falta!".

                         
E assim agem muitos homens feitos: pensam que as mulheres na sua vida são uma espécie de Mary Poppins com paciência de Santa, sorriso permanente nos lábios e soluções mágicas para tudo, sempre disponíveis não importa o quão mal se comportem. São avisados, fazem mil vezes pior e mesmo assim esperam carinho, desconto e compreensão. Não percebem quando lhes dizem "esta é uma linha que não podes ultrapassar", não respeitam os limites e ainda se espantam quando a Mary Poppins decide voar para longe deles. Então invertem as culpas e acusam a Mary Poppins de tudo quanto há - traidora, falsa, interesseira, rígida, tirana, exagerada, injusta, leviana, etc. Justo justo, era dar-lhes uma chapelada. Mas há que dar o desconto às criancinhas...

Tuesday, September 10, 2013

Que dizia eu sobre "sit there and look pretty"...

CZ Guest
                         

...aqui há uns tempos?

Pois, é basicamente isto.

            Photo: Modernices, no thanks...
E...um pouco disto também.


Gostava de perceber quando é que as mulheres perderam o jeito. Quando deixaram de saber levar a água ao seu moinho sem dramas, de seguir a natureza, de usar a graça e a persuasão, de ser delicadas, bonitas e femininas sem berrar aos quatro ventos "ai que poderosa que eu sou?", de seduzir sem vulgaridade, etc. É que só se saiu a perder, e ainda têm a hipocrisia de se indignar quando um homem não lhes abre a porta, não lhes compra flores e ainda acha bem que ela trabalhe dentro e fora de casa enquanto ele relaxa no sofá. 

"See how they achieve what they want from their

 men, not by stamping their little feet but by 

allowing men to believe that they, indeed, are in

 charge. That is the art of being a woman".





Bellville Sassoon, Diana de Gales, ou momento "aqui há fantasmas" do mês.

H.R.H Diana of Wales, usando Bellville Sassoon
Por estes dias, juntei à minha colecção alguns vestidos - daqueles que estão religiosamente guardados num requintado armazém no meio de nenhures até uma revendedora atenta os seleccionar, embarcar e trazer para uma compradora sortuda (eu!). Veni, vidi, vici, depois de uma escolha preliminar reparei que entre eles estavam criações de Bellville Sassoon (já da fase em que o irish lad Lorcan Mullany tomou conta da Casa). 

Bom, o nome pode não ser muito familiar por cá, mas trata-se uma etiqueta com a sua própria magia. A griffe, especializada em vestidos de noite 
(tornou-se muito conhecida pelos chiffons) foi fundada em Londres, 1953, por Belinda Bellville, que se inspirou na loja de modas para senhora que a sua avó geria na década de 1920. O designer iraquiano David Sassoon juntou-se à marca em 1958, com enorme sucesso entre as senhoras de sociedade e celebridades da capital inglesa. 

Os vestidos de David apareceram nas capas da Vogue e Harpers Bazaar e entre as suas clientes contavam-se Audrey Hepburn, Jackie Kennedy, Elizabeth Taylor, a Princesa Michael de Kent, Ivana Trump, Madonna, a Duquesa de York, Jerry Hall, Helen Mirren, a Princesa Margarida...a lista é impressionante. Já idoso, David afirmou ser "provavelmente o único designer que vestiu todas as mulheres da família real com excepção da Rainha". E nos seus primeiros anos de casamento, Diana de Gales teve-o como designer de eleição.
        Satisfeita com o meu achado histórico, o dia seguiu tranquilo. Horas depois estava muito bem em casa quando a minha prima entra com um cestinho cheio de coisas boas, em modo Capuchinho, e se lembra de me devolver um porta chaves que eu tinha deixado em casa dela (e de cujo paradeiro não sabia há meses). Nada de especial, certo? A não ser que o porta-chaves é um souvenir da Princesa Diana. Guardo-o porque mo ofereceram e porque tem a minha data de nascimento estampada, o que se diz que é de bom agouro. 
Coincidência ou não,  fiquei toda arrepiada...oh well, desde que sejam vestidos do outro mundo...who cares?
                                                     
                                     Vestido de cocktail Bellville Sasoon-Lorcan Mullany, 1989



Ooh, if I just wasn't a lady, WHAT wouldn't I tell that varmint.

                                      

E eu que não tenho paciência para gente coca bichinhos......nem para descompreendidos, teimosos, papa-açordas, muito menos para gente que não vive e deixa viver...e sou tão castigada, hein? 
Sabem a vontade que tenho? É dar saltos furiosos, como os desenhos animados, atirar bombas e granadas e fazer assim uns barulhos terríveis, daqueles que na banda desenhada aparecem com uns balões de cobras e lagartos.
 Ou citando Miss O´Hara, se eu não fosse uma senhora...o que eu não diria neste momento!


Monday, September 9, 2013

George Bernard Shaw, olhe para a Rússia.

                           

Por cá é uma sensaboria; apesar de ninguém me ter perguntado se queria nascer numa República com uma bandeira que não me diz muito (mas um Hino majestoso, não pode ser tudo mau) sou patriota e nunca deixei de visitar as urnas. Mas sinceramente, a julgar por tanto tesourinho deprimente (até já há uma página muito popular sobre o assunto, como devem ter reparado) estou tentada pela primeira vez a não cumprir  meu dever cívico e a dar ouvidos a George Bernard Shaw, que dizia....

                       



No entanto, parece-me que na Rússia o caso está complicado: Alexei Navalny pode ser um pato bravo do piorio, mas tem ar de estrela de cinema. E se as mulheres russas concordarem com George Bernard Shaw e forem superficiais para escolher pelos lindos olhos (o perfil de blogger, activista e justiceiro também deve contar pontos para as mais impressionáveis)  não precisam de sair de casa para lhe garantir uma vitória esmagadora. Até o nome do cavalheiro é glamouroso, nem parece nome de gente,  nota bene: A-le-xei Na-val-ny. Podia inventar-se um jingle com isso. 

Dilema realmente grave.

                                                 

Gostemos ou não disso, o Outono não faz segredo da sua chegada. E eu, que sou uma rapariga que prefere fazer limonada com os limões que a vida atira a queixar-se do inevitável, não consigo decidir-me entre a vontade de calçar botas não tarda e a preguiça de usar meias. Como se eu não tivesse coisas realmente sérias em que pensar. Já disse aqui que quando tenho um monte de assuntos de gente crescida para resolver, a minha mente resvala para o nonsense, a superficialidade e a parvoeira. Deve ser um mecanismo de defesa, só pode.

Love?

                                           

Se alguns cavalheiros entendessem como as suas atitudes impossibilitam as mulheres que eles dizem amar de lhes retribuir esse "amor"...tinham de ir a pé à Terra Santa para lavar tanto pecado junto. 
 Não percebem, porque não está na sua natureza, que uma vez destruída a inocência num relacionamento, uma vez quebradas as ilusões que lhe deram forma, aquela mulher nunca mais será a mesma nem os verá com os mesmos olhos. Dizia a minha avozinha, o escândalo aparta amor. Ou como diria a outra, If  were a boy...

E se é verdade que...

                 

...porque é que não param de o confundir com fixação, obsessão, possessividade ou arma de arremesso, e deixam os dramas de cordel para os filmes, hum? É assim tão complicado? I think not. 

Sunday, September 8, 2013

Peças de museu...que eu usava de boa vontade.

Boudoir Slippers
1865-1885
The Metropolitan Museum of Art
Chinelos de quarto (1865-85)
         
Sempre que passo por este blog, perco-me. O seu arquivo está recheado de imagens de roupas, sapatos e acessórios de épocas diferentes (a maioria, alojada em museus) e é tudo tão sumptuoso que tenho vontade de ficar com a maior parte. Recomendo-vos uma visita e deixo-vos com uma ínfima selecção de exemplos das toilettes que podiam lindamente habitar o meu closet...e que não ficariam limitadas ao Carnaval, juro. A maioria podia perfeitamente integrar um guarda roupa do sec. XXI. Com um toque retro e muito, muito feminino. *Olhos a brilhar*.

                             Jacket
1600-1625
The Metropolitan Museum of Art
                                                       Blusa e casaco, sec. XVII


Stays
1620-1640
Manchester City GalleriesJacket
1600-1625
The Victoria & Albert Museum
                                           Blusa e casaco, sec. XVII

Robe à la Française
1760s
The Los Angeles County Museum of Art                                        Robe à l’Anglaise
1780
The Metropolitan Museum of Art
                                      Vestidos de estilo inglês e francês, sec. XVIII

Banyan
1750s
The Los Angeles County Museum of ArtDress
1780s
Museo del Traje
                                        Casaco e vestido, sec. XVIII

Robe à l’Anglaise
1740-1760
The Metropolitan Museum of ArtGloves
early 19th century
The Museum of Fine Arts, Boston
                                          Vestido, sec. XVIII e luvas, sec. XIX


Ball Gown
Rouff, 1889
The Kyoto Costume InstituteEvening Dress
Charles Fredrick Worth, 1887
The Metropolitan Museum of Art
                                Vestidos de baile e de noite, sec. XIX


Evening Dress
1885
The Metropolitan Museum of ArtEvening Dress
1885
The Metropolitan Museum of Art

                                                Vestidos de noite, sec. XIX



Evening Dress
Pierre Balmain, 1950-1955
The Victoria & Albert MuseumDress
1950s
Timeless Vixen Vintage
Vestido de noite Balmain e vestido de cocktail,  anos 50

                                 Evening Dress
Christian Dior, 1949-1950
The Metropolitan Museum of Art
                                              Christian Dior, anos 50


Frase do dia: elevação.

                                        

O que quer que a Fortuna nos traga, o mais importante é saber quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Suportar com igual graciosidade o bom e o mau. Acumular tesouros onde não podem ser roubados. Não são as circunstâncias que determinam o indivíduo: é a capacidade de reagir a elas com serena indiferença. As situações terrenas  são mutáveis, e pessoas da categoria mais elevada sofreram revezes humilhantes sem perder a grandeza. Há que saber viver bem, morrer bem, ganhar com elegância e perder com fair play. Não se deslumbrar com a felicidade e as honrarias, não se impressionar com os desaires. Aceitar com um sorriso as lisonjas e os elogios, desviar-se tranquilamente das flechas. 

Tudo isso é um privilégio de quem sempre soube - ou conseguiu encontrar - o seu lugar no mundo. De quem está tão certo dele que nenhuma convulsão, revolução, conspiração ou injúria pode abalar essa pacífica garantia. E sobretudo, das pessoas que estão prontas a pagar o preço dos privilégios que o Céu lhes concedeu: que vêem nas honras mundanas não a benesse, mas a responsabilidade; não a possibilidade de satisfazer a vaidade e a cobiça, mas a maior necessidade de servir os outros e de não deslustrar o papel que lhe foi dado representar; não a confirmação da sua superioridade, mas uma missão a desempenhar. 

Dos tristes, dos desvalidos, dos que não têm nada a oferecer, não se exige o que não podem dar: aqueles que receberam do céu alguns dons e bênçãos, esses sim, têm muito a fazer, e tudo se espera deles. E maior obrigação lhes cai sobre os ombros. Quem não vive para a vaidade, não se ufana de coisas ou dons que só ao acaso se devem; não se considera uma grande pessoa, logo está à vontade em toda a parte, sabe desculpar-se, assumir que errou, aprender com os outros; não se ofende com ataques de quem não compreende a sua delicadeza de sentimentos ou tem uma forma diferente de pensar. Perde a capacidade de se indignar, antes tem compreensão para com o seu semelhante, porque quem ofende injustamente, não tem capacidade para fazer melhor. O velho "perdoai-os, porque não sabem o que fazem" não se resume à bondade; é uma fórmula para passar pelo pântano sem sujar a  fímbria das vestes. E para a paz de espírito, que hoje é Domingo.

Massive shoe attack: sapatos bonitos ou feios, estão todos em voga.

                  image002
Esta  reflexão já estava prometida desde a semana passada, no seguimento do post dos loafers. Desde meados de 2012 que os formatos no calçado começaram a tomar um rumo diferente. Depois de anos de pumps arredondados, plataformas e saltos chunky (que vieram aliviar as contas de sapateiro pobres vítimas da calçada portuguesa, embora não as livrassem de entorses) as biqueiras aguçadas, os stilettos, kitten heels, d´orsay e os saltos sem compensação regressaram.  Os sapatos delicados retomaram aos poucos o seu lugar no nosso armário, mas as mulheres estavam demasiado habituadas a andar minimamente confortáveis para que houvesse (e ainda bem, digo eu...) uma viragem completa. 

                  image008
 Adicionemos a isto os revivalismos dos anos 40, 50, 60 e 90, a contra-corrente do grunge e a tendência da androginia cool...e temos como resultado a maior variedade de modelos que me recordo de ter visto. Dos stilettos mais elegantes às solas espessas e masculinas aos saltos largos com formatos geométricos dos anos 90,passando pelos pumps compensados que prometem não sair de cena; de todo o tipo de flats aos "sapatos de avozinha", o status quo do momento dá-nos autorização para explorar visuais que seriam impensáveis há dois anos atrás. Os "ugly shoes" de todos os feitios são alegremente exibidos e fazem a lista dos must haves. Em suma, há possibilidade de ousar, reciclar, experimentar ou ficar longe de toda a novidade, agarrando-se aos bons e velhos clássicos, e algo para todas as tribos, todas as mulheres, todos os estilos. 
Miu Miu 6Miu Miu 8

Quanto a mim, que não assino pela tribo "man repeller" nem sou uma trend-setter mas não me importo de arriscar um bocadinho se me der jeito, acho toda esta liberdade muito inspiradora. Sem exageros, porque confesso - os sapatos estilo Lita ficaram trancados no armário e tão cedo não me permito atrevimentos ou entusiasmos, tão pouco habituais em mim. Et vous?

(Sigam os links ao longo do texto para as galerias de calçado mais esclarecedoras...)

Bianca Brandolini: no equilíbrio é que está o ganho

                                           
Confesso que ergui uma sobrancelha quando olhei para a GQ deste mês: como é que uma it girl com tantos pergaminhos como Bianca Brandolini posa para uma revista masculina e - aí é que está a questão - como se faz isso com graça e o devido decoro? Bom, é assim mesmo: com graça e o devido decoro!
 Reconheço que a capa escorrega um bocadinho e não faz justiça à produção - despretensiosa, divertida e no equilíbrio certo entre o photo shoot de moda e a quantidade de pele necessária para agradar ao público-alvo da revista. As imagens no interior são muitíssimo melhores e a entrevista foi bastante bem conduzida. Que vá, a GQ é a  publicação masculina com mais preocupações de estilo, mas é preciso ter o je-ne-sais quois italiano, raça (e como diz a gíria popular, pinta) para manejar uma iniciativa destas com graciosidade e sem descer do salto. Bravissima!


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