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Saturday, October 5, 2013

De risos e rodeios


"What happens when presented with

 circumstance


you cannot laugh or fight your way clear of?"



Há pessoas de tal maneira raras (ou bicho raro, para ser mais justo) que se costuma dizer que "quem as fez partiu o molde". 
 E ainda bem, porque se houvesse muitas o mundo estava pior do que já está. Os exemplos são imensos, mas pessoalmente, tenho dificuldade em
 entender-me com aquelas que brincam demasiado, ou são incapazes de expressar, preto no branco, o que pretendem.

 O sentido de humor e o espírito são das qualidades que mais me cativam, e uma certa aura misteriosa não pode ter mais apelo. Mas há sempre um momento em que é preciso falar a sério, deixar os jogos, o orgulho, os rodeios e as fanfarronadas de lado. Ou simplesmente arriscar dizer claramente o que se deseja, pôr as cartas na mesa e desmistificar as nuances da situação. Nem sempre o quebrar do gelo, ou uma aproximação informal, brincalhona, resolvem seja o que for. Há circunstâncias que são graves e que devem ser tratadas sem contornar, sem andar em círculos, sem abordagens fáceis, sem jogo de cintura, preto no branco. 

 Ir ao dentista é desagradável (por mais modernices que se inventem para tornar a  experiência menos penosa) mas uma vez sanado o problema, o alívio é enorme. Uma casa nunca estará limpa se passarmos a vida a varrer o lixo para debaixo do tapete. 

 Uma situação pendente, uma mágoa guardada, uma confissão por fazer dissimuladas sob camadas de simpatia, de brincadeiras ou de remendos, acabarão mais cedo ou mais tarde por explodir. 
 Tendo sido educada para encarar os problemas de frente em vez de fugir deles e para chamar as coisas pelos nomes, não me é fácil lidar diplomaticamente com meios termos, com áreas cinzentas que só complicam a comunicação. Gosto de rir descansada, depois de ter o problema solucionado de forma permanente - em vez de rir uma vez, sempre a olhar por cima do ombro com medo de uma nova tempestade.
 Muito riso, pouco siso, lá diz o povo. Ou de repente ficou na moda fazer piadas de tudo, arranjar restauros mal feitos para todos os males e ninguém me avisou?
          Mania de tapar o sol com a peneira. Não tem outro nome.

As coisas que eu ouço: o desespero ridículo

                                                

                                    
 Ouvido esta semana


 "O desespero é como um perfume barato: tresanda, e só quem o traz é que não nota o cheirete...."

Bom, eu diria que nas mulheres o desespero é a coisa mais feia que existe. Num homem, desde que ele mantenha um mínimo de compostura no meio da desesperação toda, até é romântico. Não é à toa que sempre foram os homens a travar duelos, e não o mulherio. Havia de ser bonito - qual honra, qual carapuça: puxar de cabelos, arrancar de camisolas e o público masculino a aplaudir a cena patética com grande entusiasmo. Isto porque a eles a aflição  dá-lhes para beber e fazer bulha - nelas, o desespero manifesta-se sob a forma de figura de babuíno fêmea na Primavera, em público, vulgo "olha para mim, olha para mim, escolhe-me, larga que é meu!". Mais ou menos assim:


                                      
Mas claro, quem está em modo desesperado não vê as figuras de circo que faz...o gáudio (ou a vergonha alheia) é sempre da assistência. 



Dalila: the Temptress.


                                

Em todas as culturas, épocas, partes do mundo, mitologias, universos e civilizações, as personagens femininas (sejam humanas ou divindades) tendem a dividir-se em três arquétipos: a Donzela, que pode ser inocente, ansiosa por ser salva ou ferozmente independente, com poderes especiais associados ao seu estado "impoluto" (Joana D´Arc, Diana, Minerva, Andrómeda, Branca de Neve) a Tentadora ou a Mãe, que incorpora as facetas da Paixão e/ou da Fertilidade (Eva ou Lillith, Ísis, Teodora, Cleópatra, Afrodite, Ishtar, Deméter) e a Destruidora, Anciã ou Trágica (as Mater Dolorosa, da "Boa Morte", Perséfone, Hécate, Kali, Medeia, a Fada Má) que viaja entre mundos, tem poder sobre o céu e o inferno, compreende ou representa as dores da condição humana e não se importa de sujar as mãos para resolver um problema. Todas elas, dentro das suas nuances, reflectem aspectos da mulher e passagens da vida. Podem ser compassivas ou cruéis. E todas têm mais mistérios do que seria possível enumerar aqui já que a natureza feminina é, em si mesma, cheia de miríades. As três faces da Deusa Mãe, mais velha do que o tempo, estão presentes em todo o lado, até na cultura pop. 
 Mas das três, talvez a mais complexa - e a que pior reputação nos trouxe -  seja a face da Tentadora/Amante/Mãe, por ser a mulher na sua plenitude, no auge do seu poder físico. A Segunda Face - representada  antigamente pela Lua Cheia - não é uma menina inocente e teimosa, como a Donzela, que nega (ou ainda não conhece) o poder masculino na sua vida. E também não está mais próxima da Morte, como a Anciã ou a Destruidora, que assume plenamente a obscuridade e é, por isso, mais fácil de compreender. Encontra-se no apogeu da sua beleza, da sua capacidade reprodutora e já experimentou o Bem e o Mal. Tem, por isso, o potencial para a criação (Ceres) a paz doméstica (Juno) a Maternidade (Ísis) e outros aspectos amorosos, seguros, mas também para a tentação que pode ter consequências catastróficas: Eva, Lillith...Dalila.
                               
 A Bíblia está cheia de heroínas e vilãs fascinantes - Débora, Jezebel e Judite acodem-me à ideia assim de repente - mas sempre tive um fraquinho no meu coração por Dalila. Má da fita, porque a estória é sempre contada pelo lado dos vencedores, e decerto não seria um prodígio de moralidade ( receber um resgate de rei para levar um homem à perdição NÃO é bonito) mas olhem bem para ela: para já, apaixonou-se verdadeiramente pelo Sansão. Coisa fácil, porque as pessoas belas tendem a sentir-se atraídas umas pelas outras. Nada mais natural que a mulher mais bonita das redondezas caísse nos braços do campeão da terra, homem garboso e despachado embora não muito esperto, como se viu. Foi o bad romance por excelência: por um lado, Dalila tinha uma missão a cumprir e não gostava de perder nem a feijões (a lealdade ao seu povo e a recompensa não estariam fora da jogada, claro) por outro isso implicava, possivelmente, a morte do homem por quem estava ferozmente apaixonada. Drama clássico do piorzinho. 
                                                  

  Depois, era linda e sabia usar a sua beleza com efeito, sem hesitações. Não é por acaso que no cinema, Dalila costuma ser representada por uma mulher lindíssima de olhos verdes ("olhos verdes são traição") e beleza dramática, contrastante. Dalila é o supra sumo da beldade ardilosa, que emprega o seu encanto para conseguir o que deseja. Os resultados disso são moralmente discutíveis, claro, mas o arquétipo ultra feminino, vertiginoso, está todo lá.
 Por fim, era mais inteligente a dormir do que Sansão nos seus melhores dias: tudo bem que a beleza pode cegar, mas não era preciso ser nenhum génio para perceber onde a amante queria chegar com tantas perguntas. São precisos dois para dançar o tango: a tentadora, e o homem que só vê o que deseja ver e só ouve o que quer ouvir.
 E isso diz, definitivamente, alguma coisa dos homens. E das mulheres que sabem levar a água ao seu moinho. Há coisas que nunca mudam - é por isso que os arquétipos nunca passam de moda.

Friday, October 4, 2013

Quando os cavalheiros falavam claro...

                  

...mesmo os mais tímidos, era assim que as coisas se passavam. Sem equívocos, lugar a dúvidas ou indiscrições...e com outro encanto.
 É estranho que na era dos SMS, das redes sociais, da comunicação à velocidade da luz, as pessoas tenham muito mais dificuldade em expressar-se. Os papéis acham-se totalmente trocados, as etapas de um relacionamento atropelam-se, as expectativas são sempre no campo do "logo se vê" e o resultado é  que já ninguém sabe o que dizer, nem como agir. Bons tempos em que a um homem não caíam os parentes na lama por mandar um cartão, e em que a uma mulher bastava dobrar o dito para uma aprovação tácita. Se estivesse indecisa, ou quisesse ser coquette (aumentando a angústia do pretendente e assim, a sua ânsia de conquista) bastava devolver o cartão intacto (no exemplo acima o cavalheiro teve sorte, como podem ver...e guardou a missiva como relíquia). Tradições bonitas como esta, e a linguagem dos leques muito popular no sec. XVIII (abaixo) permitiam passar a difícil fase do "loves me, loves me not" sem constrangimentos de maior. Na suposta era do "pão pão, queijo queijo" as linhas são muito mais difusas. Ai modernice, o que tu fazes!

A sério, Lanvin? A sério?


                                    Kanye West y Kim Kardashian
O que é que vos vem à cabeça quando se fala em Lanvin, Céline ou Balenciaga? A mim acodem-me imediatamente ideias de luxo discreto, corte irrepreensível e delicadeza, pesem embora as ousadias desta última em tempos mais recentes - que evocam a maestria de Cristobal numa linguagem para o século XXI. E Givenchy? Podemos pensar na griffe sem a associar imediatamente à tia Audrey Hepburn? Dificilmente. Estão entre as minhas Casas preferidas - pela tradição, pela sofisticação, a lenda, a patine. Usando as suas peças, sentimo-nos transportadas para uma época em que o requinte tinha um significado mais restrito. Não são, portanto, o tipo de marca que esperamos ver associada aos "novos consumidores"  - os patos bravos deste mundo, paladinos da ostentação, dos tablóides e de um aspecto...bom, menos polido. Pois bem, puristas da moda, desiludamo-nos.
 Estas e outras maisons, como Martin Margiela, atropelaram-se para felicitar...Kim Kardashian e Kanye West pelo nascimento do seu pequeno (North de sua graça - típico nome de celebrity, pois) enviando-lhes roupinhas. Estou como o outro: não sei se diga, não se faça...
 Está certo que Kanye West é, ou foi, um dos poucos rappers apresentáveis; que andava por aí a luzir um estilo preppy pouco comum entre os seus colegas, e que Kim Kardashian, muito raramente, até acerta com os vestidos para a sua figura - quando foge de bandage dresses, malhas e botins pelo tornozelo. Mas primo, não me parecem figuras apetecíveis para o posicionamento de nomes com tantos pergaminhos; nunca mais olharei para a Lanvin da mesma maneira nem me sentirei tão bem pensando que aquela peça statement e rara também é usada por Kim Kardashian. Ou pior, que a marca faz gala disso. Lá que não possa evitar que as Kims deste mundo comprem as suas roupas é uma coisa, mas fazer disso bandeira já é ser mercenário.
 Secondo, quer-me parecer que o casamento não fez bem nem a um nem a outro: a imagem acima é um exemplo de tudo o que não está correcto. Se a Balenciaga faz questão de que as suas clientes se vistam como bonecas de feira, se o caminho é esse...I´m outta here


Thursday, October 3, 2013

Correndo o risco de fazer zangar muita gente...eu embirro com Pedro Chagas Freitas.

"Deixa-me cá citar, a ver se arranjo namoro".
                      
Não conheço o trabalho de Pedro Chagas Freitas. E em boa verdade, não tenho grande curiosidade em conhecer. Sou esquisita quando se trata de livros, de autores vivos pior um pouco, de autores da moda nem me falem. Pode até ser uma excelente pessoa, com imenso conteúdo. Pode ser um poseur da pior espécie. Não sei, não emito julgamentos e sinceramente, tenho melhores coisas para fazer do que pesquisar agora a obra do cavalheiro. Se calhar o defeito é meu e nesse caso, o Sr. Chagas Freitas que tenha a fineza de me desculpar. 
 Não fosse o Facebook, essa fabulosa janela para a bisbilhotice, eu não sonharia que existia um senhor que escreve livros e que dá por esse nome. Sou distraída, abomino modismos e mal me sobra tempo para ler todos os clássicos que me faltam. Logo, é pelo Facebook - via muitíssimo digna para aprender parvoíces - que vou apanhando aqui e ali umas citações pseudo eróticas, pseudo profundas e assaz xaropentas assinadas por ele. 

Ora, não há nada pior do que pseudo erotismo a tender para o "profundo", a puxar à "sensibilidade". Escrever sobre a luxúria é das coisas mais complicadas à face da terra, é verdade. Ou o resultado é soberbo ou horroroso - não há meio termo. E tudo o que empregue eufemismos só torna a coisa ridícula: 
lembrem-se dos livrinhos da Harlequin, que ao menos têm cenários giros: há sempre um nobre escocês que embirra com a proprietária recém chegada e rebelde, ao mais shakespeariano e arquetípico estilo de "A Fera Amansada"; acabam envolvidos e felizes para sempre. Mas ao menos os livros da Harlequin não tentam ser filosóficos. Se usam eufemismos é por um pudor que acaba por embaraçar mais ainda, não por pretensão intelectual.

 Pior do que os eufemismos para designar as coisas mais naturais do mundo, só o contornar da coisa mais natural do mundo: não se menciona nada, mas fala-se nos fluidos, no suor (blheeec!) no roçar não sei de quê, no adormecer juntos, filosofa-se sobre o êxtase - o que acaba por ser mais indecente do que chamar as coisas pelos nomes. Não me senti embaraçada com Fanny Hill, Justine, Chin Pin Mei, o Decameron, Jou Pou Tuan, Histoire D´O (devo estar a esquecer algum, com certeza) mas fico vivamente atrapalhada, nauseada, com os excertos deste senhor.

 Pior ainda - e perdoem-me pessoas amigas que possam apreciar o género - os seus trechos "profundos", ao que tenho visto,  batem o recorde das frases de engate facebookianas usadas por raparigas feiotas e desmioladas, ansiosas por um romance, ou um engate de ocasião que seja,  que as salve do desespero absoluto. Estas, que descrevi aqui. Segundo blhec desta modesta crónica. Só isso bastaria para me fazer embirrar com o trabalho do senhor. A julgar por isso, Pedro Chagas Freitas está para as raparigas tontas como Adelaide Ferreira ou Rita Guerra estão para donas de casa suburbanas e românticas que papam novelas como as beatas papam hóstias, ou como o Toni Carreira para as senhoras românticas mais lá da aldeia. Logo, com uma legião de fãs tontas, está-se bem marimbando para o que pensa uma rapariga que tendo as suas tonterias, as limita a modas e elegâncias. "Uma mulher que lê muito é um perigo", lá diz o povo, logo é melhor que limite as leituras a textos que passem o teste do tempo. 

Assim - repito - é pelo Facebook que o conheço. Má estreia.

  Se estou a ser indelicada, o que não é de todo o meu estilo, peço desculpa.  Mas fazer-me entrar pelos olhos dentro citações tão...enjoativas, é uma péssima maneira de se dar a conhecer. 



A nobre arte de conhecer o próprio valor.

                        
"   -  Do you know what you want? I mean, from him?
 - Respect. Tenderness.

     -Then tell him now. Leave this lopsided house. 
                        And do not come back until he give you those things, with both hands open."
Amy Tan, The Joy Luck Club

Penso muitas vezes que se as mulheres mantivessem a dignidade que lhes era ensinada noutros tempos, este mundo ultra moderno em que vivemos seria infinitamente melhor.
Para algumas, essas lições poderão pertencer a um passado distante. Eu fui uma das sortudas, tive uma série de fortes influências femininas à boa moda de ontem.  As lições antigas nunca me pareceram antigas, simplesmente era assim que as coisas se passavam de geração para geração; só quando cheguei ao liceu é que vi, com choque, que nem toda a gente pensava da mesma forma. Foi um momento "o Bom Selvagem". Um livro que expressa muito bem essas ideias (e o ambiente feminino em que me foram transmitidas) é The Joy Luck Club, de Amy Tan. Se não leram o livro nem viram o filme, recomendo ambos.

"Your tears do not wash away your sorrows. They feed someone else's joy. And that is why you must learn to swallow your own tears".

 Até hoje não recuperei do choque, confesso. E a despeito da independência da mulher (ou precisamente, por causa dela) não compreendo como o nosso género pode ter-se afastado tanto da forma de pensar que nos conferia um estatuto à parte. Coisas como...uma mulher digna jamais se mostra desesperada ou demasiado disponível, muito menos para o homem alheio. É reservada, elegante, modesta

Se todas as mulheres fossem dignas, e fizessem por escolher em vez de pôr-se nos bicos dos pés para ser escolhidas, não teríamos tanta competição feminina - e isto vale para tudo, até para o mundo do trabalho. Hábitos são hábitos, bons ou maus, e o desespero, o desejo de atenção é um deles. Uma mulher digna e educada nunca faz por chamar a atenção sobre si mesma, nunca faz um espectáculo de si própria. Se for bonita/inteligente/elegante ou tiver outra qualidade digna de nota, as atenções 
voltar-se-ão para ela. Só quem não possui nada que a recomende precisa disso

Quantas figuras tristes seriam evitadas se não fosse o péssimo hábito de chamar a atenção a todo o custo?

Depois, não compreendo as mulheres que colocam uma fasquia demasiado baixa, uma etiqueta muito barata em si mesmas. Facilitam. Recolhem migalhas. Dão tudo de bandeja, mesmo que isso as magoe. São capazes de se manter  perto do homem de quem gostam, só a ver se "as coisas se resolvem" sem promessas, sem compromissos, na esperança de "lhes conquistar o coração" (termo horrível). "Lutam por eles" (termo pior). Uma mulher não existe para conquistar, a sua natureza foi feita para ser conquistada, para o arrebatamento e a entrega. Entra pela porta grande, ou sai por ela - nunca o meio termo.
 Muitas fazem-no porque nunca lhes ensinaram o seu próprio valor. Uma mulher deve perguntar a si mesma quanto acha que vale - em esforço, em carinho, na dignidade que lhe é atribuída. E jamais aceitar um papel inferior ao que merece, quanto mais procurar colocar-se nessa situação constrangedora. Dizem as americanas: quando és a única mulher presente, para ele vales um milhão de dólares. Que esforço colocam as mulheres em serem a única? Quantas se atrevem ao tudo ou nada? E não se trata de ser mimada, caprichosa, exigente, embirrenta, cheia de si - mas de não ceder a atitudes que magoam ou menosprezam. Quem dá sinceridade, lealdade, transparência, dedicação - merece paga igual. Tudo o resto é wishful thinking. Dizia Picasso: só existem dois tipos de mulheres: deusas e capachos. Essa escolha é colocada a cada uma de nós, todos os dias. 





Wednesday, October 2, 2013

Bohemian like...Miu Miu

           

Belas botas e magníficos casacos são duas coisas que me fazem fugir à regra, quando se trata de reclamar contra o Inverno. Quando a maior parte das bloggers se entristece por dizer adeus às roupas de Verão, eu já estou toda contente a antecipar a fatiotas para os dias frios. Não que não aprecie o Verão, mas fico contente por viver num país que me permite usar o melhor dos dois mundos. E eis que Miu Miu nos troca as voltas com a sua colecção Spring-Summer para 2014, ou antes...reconhece que em Fevereiro ainda está bom tempo para vestir um belíssimo sobretudo.
 Ora, esta colecção leva-me a outra reflexão pessoal: embora em termos de silhueta as minhas inspirações vão essencialmente para o século XIX, o pré rafaelita e os anos 50, com ênfase nas modelagens clássicas, há uma parte de mim com um fraquinho enorme pela figura esguia dos anos 70 (pensemos em fimes como Hair ou Jesus Christ Superstar, ou no Le Smoking the Yves Saint Laurent...) e quando me apetece algo mais boémio, é aí que vou buscar ideias.
 Logo, há muito para eu apreciar nas ideias da casa italiana. Ti piace?

There´s a fine line between love and hate...

...uma linha tão ténue que às vezes é quase impossível distinguir uma coisa da outra. O apaixonado raivoso só sabe uma coisa: que aquela pessoa o incomoda. Torna-se viciado na dor que o outro lhe provoca e o desprezo ou esquecimento (que seriam bem vindos no caso de ausência de amor) é, no cenário amor-ódio, insuportável. 

Algumas vítimas desta emoção destrutiva reagem a ela de forma dramática, outras fazem tudo para evitar a presença do alvo da sua paixão/desafecto. Mas a convivência nunca é pacífica, nem serena, nem civilizada: já se disse por aqui que só quem não ama, ou não esteve apaixonado, consegue ser racional, frio e civilizado.

Uma má reacção é melhor do que nenhuma, já que o orgulho, ou o medo das consequências, tornam impossível a sinceridade para ambas as partes. 

Mas na maioria dos casos, a explicação para o amor-ódio não tem nada de transcendente. A existência de um sentimento tão complicado, tão doloroso, reside apenas numa coisa pequenina, mas intransponível: a quebra de confiança. Uma pessoa pode adorar outra, mas se não confia nela (tenha ou não motivos válidos) se sabe que ela cairá no mesmo erro, que continuará a fazer as mesmas asneiras...não consegue chegar a um entendimento, nem sequer assumir para si mesmo, com objectividade, o que realmente sente. Se o obstáculo que inviabiliza a confiança - seja ele interior ou tangível - não for eliminado pela raiz, nunca se passará do cenário novelesco. 
 Que tem sem dúvida a sua graça nos filmes, livros e novelas, mas na vida real é um verdadeiro atraso da dita.



Tuesday, October 1, 2013

Sinais dos tempos: as inspirações das raparigas....

...em tempos idos:




 E hoje?


           

I rest my case, minha gente, para não me repetir. Longe vão os tempos em que as meninas sonhavam com o seu primeiro vestido de seda - a regra agora é fazer birra pelo primeiro bandage dress de lycra, ou as primeiras litas, ou os primeiros shorts ordinarecos. Quanto à Kim, é certo que *[às vezes]* até acerta quando se esforça por vestir alguma coisinha, mas não nos esqueçamos que a socialite (?) que nos entra pelas telas dentro com a família toda saltou para os holofotes graças a ...um vídeo "caseiro" para adultos. E é suposto uma pessoa admirar-se com as figurinhas que vê na rua? Eu cá já não pasmo com nada, mas façamos o exercício de não achar tudo "normal" e"inofensivo", porque não é. 
Banalizar a vulgaridade, a má qualidade, as origens duvidosas, os maus exemplos, não torna nada disso menos aberrante. Não sei se o que me ofende mais a vista é o vício em si (porque esse, podemos fugir dele)  ou o ambiente barato que veio com ele. Vade retro. Não digo Satanás, porque o Príncipe deste Mundo pode ter todos os defeitos mas o mau gosto não parece ser um deles. Vade retro, Coisa Ruim.

Of boys and men.

                
Por estes dias, citei aqui o imortal e muitíssimo recomendável Vanity Fair. E logo a seguir, uma amiga fez-me chegar um texto *que não podia vir mais a propósito: as diferenças entre relacionar-se com um rapazinho e com um homem a sério (sendo certo que a idade civil não é necessariamente documento nestas coisas...). 
 Para quem não leu o livro ou já não se recorda, Amelia, a rapariga ingénua, dedicada e boazinha (tão boazinha e leal que acaba por ser má para si mesma e prejudicar as pessoas de quem gosta) tem uma fidelidade canina ao noivo -  o bonitinho, riquinho, superficial e vaidoso George Osborne. 
   Ora, George não só tem todas as características do mau rapaz, como apresenta a maioria dos traços do rapazinho. Ora vejamos as diferenças entre um homem e um garoto*:

1 - Um homem sabe exactamente o que quer e lança-se à conquista dos seus desejos. Um rapazote faz mais ou menos uma ideia, mas não tem a certeza; é mole como as papas, deixa-se influenciar pelos amigos, pela tia ou quem calha, tem o ouvido leve e não está para investir esforço e tempo: hesita, como uma mulher ou um adolescente. Oui, non, peut êtreUm rapaz é passivo, um homem é assertivo.

2 - Um homem tem planos para o futuro - um rapazito, das duas uma; ou fica à sombra da bananeira, vivendo para o momento...ou se for ambicioso, faz planos megalómanos e mirabolantes, envolve-se em todas as iniciativas para não se focar em nenhuma, faz promessas que não cumpre e desiste dos projectos/relacionamentos/compromissos à mesma velocidade que os assumiu. Em suma, não leva nada a sério.

3 - Um homem reconhece uma mulher que valha a pena quando a vê. Salta de cabeça e não fica à espera.  Sabe também que a partilha de valores semelhantes é o mais importante numa relação. Um rapazito escolhe a atiradiça que está mais disponível. De preferência, se ela lhe facilitar o caminho ou tomar todas as iniciativas  - nem que isso signifique namorar com uma rapariga por quem não está apaixonado, ou com uma tonta que facilita igualmente o trabalho ao Manel, ao Zé e ao João - porque é demasiado cobardolas para tratar dos seus interesses.

4 - Um homem não foge a conversas desconfortáveis. Não usa rodeios, recusa-se a fazer "charme" ou joguinhos, não tenta varrer os seus erros para debaixo do tapete, procurar meias soluções ou evitar o confronto. Um rapazola evita, foge, safa-se, testa, apalpa o terreno, cria manobras de diversão, procura a maneira mais fácil de levar a sua avante. Um homem não tem medo de arriscar a rejeição - uma criança grande age passivamente para não ferir o seu frágil ego e orgulho, ainda que não ganhe nada com isso.

5 - Um homem tem integridade e hombridade: como dizem os ingleses, he means what he says and says only wat he means. Não fala da boca para fora, age de acordo com as suas promessas e se erra, dá o peito às balas para enfrentar as consequências e reparar o mal feito. Um rapaz promete, faz castelos no ar, mas é incapaz de agir de acordo. Prefere passar por cobarde a agir de forma limpa - ou antes, ser tomado por cobarde não é coisa que o afecte.

As personagens de Vanity Fair ilustram lindamente a dinâmica das raparigas que namoram com rapazotes: Amelia, uma idealista tão grande que só apetece bater-lhe, não vê a cobardia e presunção do namorado. Apesar de gostar dela lá à sua maneira George despreza-a - é preciso ver que Amelia presta-se lindamente ao papel de tapete -  faz-lhe desfeitas, abandona-a quando ela mais precisa dele e só cumpre a promessa de casar com ela por dois motivos: porque apesar de ser filho de alpinistas sociais quer por força ser um gentleman e a vaidade em agir como um acaba por levar a melhor, e porque o seu amigo Dobbin (que está secretamente apaixonado por Amelia e faz qualquer coisa para a ver feliz) o convence a agir como um homem honrado.
 George acaba por morrer na batalha de Waterloo, não sem antes se ter atirado à melhor amiga da mulher, a endiabrada Becky. 
  E Dobbin, que apesar de papa açorda (nunca se atreve a declarar-se) é um homem com H grande,  continua a cuidar dela sem contrapartidas pela vida fora, até que Becky, que não é de meias tintas, decide revelar a verdade à amiga sobre o idolatrado defunto: que o namoradeiro George tinha andado a desinquietá-la para fugirem juntos. Comportamento típico de um catraio desmiolado que tanto faz como desfaz e não respeita ninguém, nem compromissos, nem sequer as amigas da mulher/namorada/whatever.

 Nessa altura - at last! -  Amelia percebe o que está a perder, acabando por casar com o cavalheiresco Dobbin. 
 Só quando as agruras da vida tornam Amelia numa mulher, em vez de uma menina indefesa, é que ela é capaz de apreciar um homem, em vez de um rapazola. A maturidade emocional exige maturidade.





Monday, September 30, 2013

Mamma dixit: ser mãe não é desculpa.


"Sempre achei que uma mulher não deve deixar de parecer bonita, encantadora e com interesses próprios só porque foi mãe - ou pior, usar a maternidade como desculpa para se desleixar".

O tema já tinha sido tratado aqui, mas hoje veio a propósito e falou quem deu o exemplo. Na realidade, acho que ninguém nos marca tanto, em termos de estilo, como as mulheres da nossa família. E uma das lições que ficam - por muito que as revistas, o contacto com profissionais do ramo, as experiências de vida e os livros nos transmitam conhecimento ou acabem de nos polir - é a disciplina, a rotina de beleza que não é nenhuma complicação, mas por mais divertida que seja exige hábito. 
    Por muito que a natureza ajude, não pode haver beleza nem estilo sem uma certa dose de auto domínio e de regra. O cuidado consigo mesma, numa mulher, é prova de amor próprio, de respeito por si e pelos outros; mantém viva a chama do amor romântico (que é, afinal,a base de uma família) estimula a moral e inspira as crianças que estão a seu cargo, apurando-lhes o sentido estético, o aprumo.
 Claro que se tudo isto se limitar à aparência física e não for acompanhado de educação,de boas maneiras, desenvolvimento espiritual e ordem (acompanhada de um ambiente carinhoso) em casa, de pouco vale. Mas contribui, e muito, para a felicidade - e para elevar "a moral das tropas". Sempre achei que uma família é como um pequeno exército. E que têm os bons exércitos? Disciplina e moral, muita. Capice a analogia?

Realmente, a Zara tem-se esmerado nos lookbooks.

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Já o tinha comentado recentemente a propósito destas imagens promocionais que mais pareciam Tommy ou Ralph Lauren, e agora saem-se com designs que me soam inspirados em Yohji Yamamoto e Dior. Definitivamente, o gigante espanhol deve estar a apelar a outros públicos. Este vestido e alguns casacos parecem-me definitivamente bem modelados. São coisas assim que dão graça ao mundo do hi-lo fashion: se o material for razoável sou capaz de me deixar tentar. Reparem na cinturinha: a boa alfaiataria também se consegue, por vezes, no prêt-a-porter acessível, e a Zara faz vestidos de qualidade quando se lembra.  

As aparências enganam, uma ova...

                 

Imaginem o cenário: uma chuva que Deus a dá, eu cheia de pressa porque enfim, tenho coisas de pessoa crescida para fazer e horários para cumprir, e com meia dúzia de preciosos minutos do meu tempo para ir ao Multibanco.
 E quem apanho à minha frente, quem? Um monstro do Multibanco.  Não sabem o que isso é? Expliquei aqui: é um daqueles seres malcriados que decidem tomar de assalto o ATM  e fazer mil operações seguidas, como se estivessem em sua casa, por mais que haja uma fila de gente com pressa, a rosnar atrás. 
Nessas circunstâncias, entes que estão com todo o vagar, se forem bem educados, deixam quem está desesperado para coisas mais simples (levantar dinheiro, etc) passar à frente e concluem as suas minuciosas operações quando a caixa estiver mais desocupada. Ou vão alternando, para não empatar. Mas os monstros do Multibanco ainda fazem pior, gozando sadicamente esses longos minutos de poder sobre o seu semelhante.
 Neste caso quem me calhou nem foi um monstro, foi uma monstra.
E ainda por cima, pindérica...é que se é mau ser-se monstro do multibanco, ser-se monstro do multibanco e ter um mau ar que não está escrito em lado nenhum é muita desgraça. 
 Pois a criatura que estava espojada à minha frente, que parou a operação para ir pôr um papelinho no lixo, que conversava com o empregado no balcão ao lado enquanto eu contava até dez para não lhe dar o correctivo merecido, era um belo exemplar da espécie pindericas conimbricensis. Cabelo esticadinho à força de chapa (o estilo "prefiro andar com o cabelo todo sujo porque só posso ir ao cabeleireiro uma vez por semana") jeans skinny baratuchos, daqueles tão espessos que sufocam uma pessoa; botinha de napa do chinês; toda de tons deprimentes como se fosse pleno Inverno;  e o piorzito, com este calor húmido que esteve, camisolinha de malha poliéster a imitar angorá. 
 Malha fofa e chuva são coisas que não combinam - faz comichão, larga pêlos que se colam à pele molhada, e se estiver calor é um nojo. Agora imaginem a coisa em versão sintética. A pobre deve ter sofrido o dia todo, o que prova que só quem é estúpido o suficiente para se torturar a si mesmo tem topete para fazer sofrer o seu semelhante. E ainda dizem que as aparências enganam...

Sunday, September 29, 2013

Ideias de styling da semana

Agora que o Outono é oficial, há que prestar atenção às sugestões que têm flutuado por revistas e portais de moda. Interpretar as tendências vigentes com um pouco de graça sempre anima os dias cinzentos. Pessoalmente, não me importo nada com a chegada do Outono - uma nova temporada anima-me sempre - mas sei que há quem fique de coração despedaçado com o fim do Verão. 

1- Animal print discreto

O mais risqué dos padrões clássicos nunca é a minha escolha imediata, mas bem usado, num dia de boa cara, anima um look que de outra forma seria maçador.

           
Burberry London e Lanvin


2 - Uma clutch para o dia
Com tamanhos que não deixam nada  a dever às carteiras comuns, padrões, texturas e cores de clássica simplicidade, emprestam um toque especial a a um look minimalista, casual ou mesmo algo desportivo. A outra particularidade é que obrigam a uma postura mais bonita, ao contrário das alças a tiracolo que "puxam" o corpo para baixo.

                         

3 - Androginia, ma non troppo
A tendência masculina está em voga como há anos não se via, chegando mesmo ao extremo dos muito cool (mas arriscados) blazers oversized. No entanto, a fórmula segura será sempre boa alfaiataria, silhuetas cintadas e um bom stiletto ou scarpin pontiagudo, para que se note que há uma mulher por trás do fato. 

                                    

4 - Saltos médios
Kitten heels ou largos, são uma agradável surpresa e quando bem escolhidos permitem longas horas de absoluta elegância com mínimo sofrimento. Há que experimentar e experimentar até encontrar o (s) modelo (s) certo (s) para nós, mas digo-vos que por vezes, um salto médio bem modelado pode alongar mais a figura do que uma inclinação exagerada.
                     


5 - Beleza natural, mas polida
Pele de porcelana fresca e luminosa, sem matificação em excesso; lábios "manchados" em tons de encarnado, nude ou framboesa; eyeliner profundo e muita máscara. Querem-se sobrancelhas bem tratadas e o cabelo trabalhado apenas o suficiente para tirar o maior partido da textura natural. Um styling que não sofre com a humidade e o vento e capta a luz incrível que só o Outono dá ao rosto de uma mulher (essa é uma das razões para eu gostar das estações frias). Sure, classy and simple, para deixar brilhar as fatiotas. 



William Thackeray dixit: protejam-se, mulheres. Sempre.


" Sejam prudentes, raparigas! ... Muito cuidado antes de entregarem o coração. Não digam nunca o que sentem ou melhor, não sintam muito. As paixões sinceras não são de recomendar; não acolham sentimentos que possam tornar-se origem de desgostos. Sigam este método se desejam passar por virtuosas na ´Feira das Vaidades´".

                          in Vanity Fair: a novel without a Hero


As meninas que leram o livro recordar-se-ão, porém, que tanta recompensa recebe a virtuosa mas frágil Amélia, como a espertalhona Becky Sharp. 
 Uma sofre porque sendo tão honrada, tão ingénua e tão sincera, tem mesmo assim os seus sentimentos e motivos postos em causa; a outra, porque não sendo "honesta" no sentido da virtude, é-o pelo menos ao não esconder as suas intenções.  E isto em 1815, quando mau grado outras dificuldades, os papéis de género estavam claramente definidos e os homens, se gozavam de toda a autoridade, tinham também mais obrigações na dinâmica dos relacionamentos: nessa época não passaria pela cabeça de ninguém que uma mulher desse o pontapé de saída para um namoro ou noivado, por exemplo - mas mesmo assim, era fácil ser-se  acusada de encorajar demais (ou de menos) de ser namoradeira, ou qualquer coisa do tipo.
Prova provada de que as mulheres sempre caminharam (e receio que sempre caminharão) em terreno minado.
  Embora o pensamento actual vire tudo ao contrário, pondo de pernas para o ar as regras da natureza (e como já tenho expressado muitas vezes, tornando as mulheres competitivas, os homens preguiçosos e gerando inúmeras confusões, conflitos e mal entendidos) continua a ser esperada do belo sexo uma certa modéstia e reserva, ainda que a um nível subliminar. 
 As meninas ou senhoras que foram educadas num ambiente mais tradicional devem lembrar-se de ter ouvido das mães e avós conselhos muito semelhantes aos de Thackeray. As que se deixaram conquistar (ou reconquistar) por conceitos de regresso ao passado, ao ritmo natural das coisas, como o famoso manual "As Regras" também.
 "Devemos sempre guardar o melhor para nós", dizia a avó. Por melhor, entendia-se a entrega emocional, o auto-controlo, os sentimentos profundos. Uma mulher sensata deve estar sempre no domínio dos seus sentimentos: regra velha como os montes, ensinada em qualquer meio onde as mulheres tivessem a necessidade de vencer, de levar a melhor, fossem os seus objectivos mais ou menos honrados e as jogadoras "honestas" (filhas-família, material para esposas) ou "desonestas" - geishas, cortesãs ou it girls dos palcos. As andaluzas eram famosas por ser exímias nesse jogo de dar corda e puxá-la a seguir, às southern belles americanas ninguém lhes levava a palma na estratégia de lisonjear para corar de seguida, na corte francesa os exemplos são inúmeros, em Veneza nem é bom falar.
 "Não podemos gostar lá muito deles, nem demonstrar demasiado, senão eles (o homem, o inimigo!) não dão valor a nada". 
 Seguir a biologia (homens conquistadores, donzelas inocentes mas ardilosas) não é, definitivamente, tão fácil como a abertura e o à vontade que ficaram em voga e se tornaram o status quo para a maioria em meados do século passado. Porém, os exemplos da história provam que poucas são as mulheres que conseguem carregar a cruz de uma completa sinceridade, a não ser que façam disso bandeira: Mae  Wests e Samatha Jones não nascem na árvores; são a divertida excepção à regra, as mulheres a quem até podemos achar graça mas não queremos necessariamente imitar.
O ideal seria um meio termo, pensará uma mulher sensata do século XXI: ser uma senhora, deixar-se conquistar, certo, mas com bem vinda sinceridade, porque quem diz a verdade não merece castigo e quem sente não é culpado...ou neste caso, culpada. 
 Mas as coisas não são assim tão simples, receio bem. O inevitável e stressante You´re damned if you do, you´re damned if you don´t há-de sempre condicionar a nobre arte de ser mulher.
 Devemos ser criaturas realmente fascinantes, para que se dêem à trabalheira de nos julgar e analisar façamos o que fizermos. 


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