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Saturday, October 12, 2013

Oh Diabo: sabemos que gostamos demasiado de Moda quando...

                                   

...está a dar O Exorcista às tantas da noite e nos pomos a dar uma espreitadela às escuras, com a casa em silêncio absoluto. Ficamos com medo? Nem um bocadinho!
 Qual possessão, qual cabeça ao contrário e porcarias verdes, qual carapuça: a única coisa que vos chama a atenção é o figurino da mãe da Regan.
Sobretudos magníficos dos anos 70, lenços Hermès, e por aí fora.
Then again, nunca me assustei com diabretes e francamente, um diabo que usa babete -babete, for Christ´s sake, literalmente - não pode esperar meter medo a ninguém.


Stand up to your devils or they'll walk over you
Remember, son, the devils come in many shapes and hues
There's devil that is handsome, the devil that is mean
Some of them look scruffy and some look far too clea
I travelled many ocean miles and found from east to west
The devils you are safest with are those that you know best



                     
                     
                    
                            

Vestidos-lingerie: pijama na rua tudo bem, mas com limites.‏

                            60313-vui_fw13_136
Remember os vestidos-combinação, tão em voga nos anos 90 e revisitados timidamente aqui e ali desde então? Neste Outono regressam em força, tal como outros elementos (camisas xadrez, Doc Martens...) do grunge. Numa versão ameninada (Yves Saint Laurent) ou a lembrar abertamente lingerie (Louis Vuitton)  transformar as camisas de dormir em vestidos de noite - ou mesmo adaptá-las para o dia - volta a ser legítimo.
                      
                                             Kate Moss e Naomi Campbell, 1993

Sempre achei que as versões acetinadas lembravam demasiado roupa de dormir para o meu gosto (sabem aquele pesadelo em que se vai de pijama para a escola?) e sendo em tecidos tão finos, não se tornavam práticas para usar na rua nem eram aconselhadas a silhuetas mais femininas. Uma rapariga de busto saliente não se sairá tão bem como uma Kate Moss nestas avarias...

Claro que  quem já usou, em tempos idos, o conceito original - vestido lingerie ou camisa transformada em vestido, chapéu, botas militares ou mary janes, ou a fórmula ultra minimalista das modelos dos anos 90- dificilmente irá (ou deverá) usá-lo da mesma maneira. O look "bonequinha grunge, com umas misturas punk" que andará pelas lojas deve ser deixado às adolescentes que o experimentam pela primeira vez.  

Para todas as outras, a lógica impõe a versão elegante (e sexy): saltos finos, uma boa carteira ladylike e de preferência, um sobretudo de sonho a modelar a cintura e as ancas, como este LV (abaixo): decadente o suficiente para aludir à lógica sex, drugs, rock & roll (ou mesmo, aos delirantes anos 20) e nonchalant que chegue, mas com toda a classe do mundo.

Por isso, a versão de Marc Jacobs para a Louis Vuitton (acima) parece-me a melhor ideia: um vestido lingerie, com rendas e tudo, mas que tem realmente modelagem de alfaiataria e um tecido normal, consistente.

Sou pela máxima francesa "nunca durmas com uma camisa feia porque podes precisar de ser salva pelos bombeiros" mas tudo tem limites.
                             60313-vui_fw13_160


Friday, October 11, 2013

Finalmente...um protesto contra os sintéticos!



Não estou certa, mas desconfio cá que este blog será dos que mais barafusta contra os tecidos sintéticos: rayon, poliéster, lycra e outras pragas da humanidade. O molde, corte e acima de tudo, o material de que a minha roupa é feita são os critérios mais importantes na hora de investir em coisas novas.
Sendo certo que nem todas as fibras sintéticas são iguais e que algumas peças podem agradecer um pouco de elasticidade (ou um determinado comportamento para ficar como os designers as imaginaram) na maioria dos casos a percentagem necessária para isso é muito pequena (mais do que 2% de elastano nuns jeans é too much!) . 

 No entanto, actualmente até as melhores Casas de Moda apresentam modelos em "tecidos" que nada têm de natural - sem que a diferença se veja muito no preço, verdade seja dita...

 Fibras à base de petróleo nunca têm bom ar, duram menos, fazem transpirar, são inflamáveis ( desde que me contaram no hospital que alguém morreu unicamente porque a roupa de poliéster se agarrou ao corpo durante um pequeno incêndio, tenho pânico) encolhem, marcam onde não devem...e se forem usadas junto à pele, pior um pouco.

 Felizmente há consumidores conscientes que tal como eu, passam a vida a virar as roupas do avesso para verificar as etiquetas e que, fartos da caça à seda, à caxemira e quanto mais não seja, ao algodão, decidiram criar um movimento para despertar a consciência das marcas para o cuidado com a composição do que fabricam- COTTON OR NOTHING.
 Claro que aderi imediatamente e a bem do vosso conforto, bom ar e durabilidade do vosso guarda roupa, recomendo que façam o mesmo e passem a palavra.
 Não sou muito de protestar, mas lycras e coisas com aspecto reles são capaz de despertar o Che Guevara que há em mim*.

*(E se aderirem, ainda ficam com um retrato bem patusco a empunhar o cartaz da vossa escolha....how cool is that?)

Full of courtesy, full of craft.




Eowyn: Leave me alone, snake! 

Wormtongue: Oh, but you are alone. Who knows what you have spoken to the darkness, alone, in the bitter watches of the night, when all your life seems to shrink, the walls of your bower closing in about you, a hutch to trammel some wild thing in? So fair, yet so cold like a morning of pale Spring still clinging to Winter's chill. 

Eowyn: Your words are poison! 

Tolkien, The Lord of  The Rings



 "Full of courtesy, full of craft" - cheio de mel, cheio de peçonha. Ou de manha. 
O ditado anglo-saxónico traduz algo que digo muitas vezes: não há que confiar em bajuladores. Mas há quem adule tão bem, e durante tanto tempo, que as suas intenções passam despercebidas ao mais desconfiado.

São capazes de dar o ombro, arrancar o coração do peito, consolar a vítima nos piores momentos, alinhar contra os seus (supostos) inimigos com uma exibição do cúmulo da lealdade, enquanto por dentro se remoem de inveja, de ambição ou pior ainda, aproveitam a sua situação privilegiada para alimentar fantasias que só podem nascer num coração negro. 

É o caso dos ombros interesseiros, que não são amigos de ninguém nem estão de facto apaixonados por ninguém - só procuram predatoriamente atingir ou obter o alvo das suas "afeições" ou antes, do seu desespero, a qualquer custo. De preferência, à custa da felicidade dos outros. 

A língua inglesa tem outra expressão genial para designar pessoas destas: snake in the grass. Aquele amiguinho (ou amiguinha) ou colega tão tímido, tão fofinho, tão solícito, que tem tanto azar na vida mas está sempre lá para apoiar os outros, enquanto pelas costas diz cobras e lagartos, usa a informação privada a que tem acesso (pior: distorce-a a bel talante) tenta roubar o par alheio por mais que saiba que não tem hipóteses, tece mil intrigas, mil artes, mil manhas - sempre oculto sob as ervas.

 À espera de morder e injectar o veneno. Rasteiro. A achar que o mundo lhe deve tudo. Definitivamente, é verdade que a miséria adora companhia. E que por menos ingénuo que se seja, há sempre sobre a terra mais uma criatura capaz de nos surpreender. Ou uma espécie de cobra com poderes miraculosos de camuflagem.

Thursday, October 10, 2013

Palavra, David Meister, gosto muito de si, mas...‏


                                  

...por favor arranje-me uma modelo com um ar menos enjoado para  os lookbooks. É que já estou farta de ver esta rapariga sempre com a mesma expressão de mal paga, tão expressiva como uma batata crua, na minha caixa de correio várias vezes por semana. Uma pessoa já nem repara nos vestidos, com esta sujeita que faz sempre a mesma cara de quem chupou um limão. 
E atenção que eu nem tenho nada contra um ar blasé, nonchalant, enjoado, cara nº33, seja ao estilo "não parto um prato" de  Olivia Palermo ou com um traço de arrogância, como em certas modelos de Klimt. Pelo contrário. 
                              
Desde que isso não venha acompanhado de uma tremendíssima pinta (não há outra expressão possível) de Vanessa Priscilla, manicure da zona X, de Blair Waldorf de feira ou de sopeira que "levou emprestado" o vestido da senhora. Pode ser da luz, da maquilhagem, da dor de barriga ou daquele cabelinho esticadinho à bairro social, que nunca favorece ninguém... e não ser culpa da menina, que até bonita e eu não gosto de ser maldosa. 
 Mas que não contribui nada para dar uma aparência dispendiosa ao vestido, isso não. Voltem, manequins de montra, estão perdoados.


                            

4 coisas que não faço: ponto


Eu acho que sou uma pessoa muito fácil de entender:

- Não encho chouriços
- Não faço monte (nem de jarrão)
- Não queimo tempo (time is money)
 - Não faço fretes. 

Quanto ao primeiro item, nunca fiz enchidos literalmente  (nunca calhou) mas contra os verdadeiros não tenho nada. Refiro-me ao sentido metafórico de encher chouriços: nunca suportei palha, paleio, léria. Rodeios de toda a ordem, textos vazios de significado mas rebuscados na forma, conversas inúteis, reuniões intermináveis em que não se resolve nada nem se faz senão bater no ceguinho ou inflar o ego de quem adora o som da própria voz (ou o acto de intervir por intervir) canções desinspiradas só para encher um álbum: gosto da informação clara, sucinta e sumarenta, pronta a usar, sure and simple, inspirada, cut to the chase, seleccionada. 

Fazer monte, estar por estar, fazer número, também não é o meu cup of tea. Fico o tempo que for preciso e marco presença quantas vezes for necessário se o facto de eu estar é muito desejado (ou mutuamente desejado) se contribuo para alguma coisa, se é necessário dar apoio, se posso desempenhar/ajudar a terminar uma tarefa urgente, se realmente faço falta. Arrastar a permanência num sítio só para demonstrar que aguento mais que os outros, ou estar porque é suposto, não obrigada - o meu tempo é precioso e para jarrão, não tenho jeito.

Abomino perder tempo: uma coisa é demorar-me por gosto ou preguiça, outra é arrastar situações/conversas/tarefas/ coisas que não atam nem desatam. Time is money,  time is money, time is money. Depressa e bem não há quem, mas ou os assuntos desabrocham no ritmo devido, ou siga a marinha, siga para bingo e para a frente, que atrás vem gente.

Fretes, estuchas, maçadas, cortesias contrariadas e engolir de sapos, o que lhes queiram chamar. Sou capaz de uma certa diplomacia mas não me peçam, nem por amor nem por dinheiro, que gaste minutos da minha vida que ninguém me devolve a suportar mais do que o estritamente necessário de coisas desagradáveis, sabendo que as posso evitar.

A vida é muito simples, as pessoas é que complicam por preguiça, hábito ou na maioria dos casos, medo de se manifestar. Mas medo foi coisa que nunca me assistiu, logo...







Wednesday, October 9, 2013

Tendência que vou evitar como a peste.

                                    

Esta temporada está cheia de ideias de styling e tendências que adoro. Outras, como o grunge (que considero demasiado insípido para um look total) as sweatshirts folgadas e coloridas que sobreviveram do ano passado e agora voltam em força, despertam a minha curiosidade: tenho mesmo duas novas para experimentar, porque quando se trata de moda há que sair da zona do conforto, testar, desafiar o hábito, dar uma chance a coisas novas sendo que, mesmo para o gosto mais clássico, nunca é sensato dizer "desta água não beberei". 
  Porém, a moda é cíclica e a experiência ensina-nos que há coisas a que não vale a pena dar segundas chances: e definitivamente, os jeans descaídos com fechos na zona das ancas/coxas não são a opção mais chic, mais favorecedora ou mais confortável (metal a pressionar os ossos da bacia, no thanks). Pior ainda, estiveram na berra há poucos anos - ainda não recuperei da odisseia de péssimos jeans desconfortáveis e com lavagens estranhas a invadir as lojas (um abastecimento definitivo de pares de confiança e vintage resolveu-me o problema para muito tempo, mas o trauma ficou) tão pouco das senhoras mais rechonchudas a espremerem-se dentro delas. Mas como já se sabe que quanto mais chamativa uma tendência é mais copiada será, preparem-se: as versões baratuxas, e com ar de tal vão invadir as ruas. Porém, sou-vos sincera: tenham a etiqueta que tiverem, não consigo achar um ar luxuoso a estas calças. Opiniões...

A meu ver, há formas mais elegantes e menos efémeras de conseguir um look rock & roll - como o perfecto de cabedal, que dura para sempre. 

                                                





Tuesday, October 8, 2013

As fontes de inspiração começam cedo.

E a maior parte é logo no berço (nenhuma mulher é imune às influências familiares e sobretudo aos exemplos femininos que as rodeia, já que isto é uma questão de "genética", como dizia o outro, e bem ou mal torcido o pepino ajeita-se de pequenino).  O resto vem com as referências culturais que, queiramos ou não,  nos atingem desde muito novas. Daí eu achar tão importante que os pequenos sejam expostos a imagens e ideias de bom gosto. É na infância que a sensibilidade se molda, e a brincar que se aprende...
 A cultura pop é uma inspiração tão boa como qualquer outra: algumas das primeiras referências externas  que me ficaram vinham dos cantores que se ouviam lá em casa, das revistas (Marie Claire, Photo, Elle, Time,  Grande Reportagem) que por lá paravam, dos filmes e séries antigos e/ou de época e...inevitavelmente, dos desenhos animados.
 Ora, eu preferia as heroínas (ou vilãs) com carácter, elegantes mas aguerridas e com um visual adulto. A princesa-guerreira-mas-delicada, She-Ra (que merecia um post) era uma das minhas preferidas. Mas melhor que uma Princesa exilada que descobre um grande destino só uma candidata a Rainha, certo? Melhor ainda, Rainha do País dos Feitiços. *Reverência*

  A série Majokko Megu-Chan, a.k.a Bia, a Pequena Feiticeira, que passou entre nós com uma dobragem deliciosa (quem podia não ser fã do grande Xoné?) é até hoje uma das minhas favoritas. O anime, principalmente o anime vintage, é aliás um género recheado de personagens elegantes (Lupin III, Lady Oscar, Saint Seiya, só para nomear alguns). 
  A Bia era  máximo ou melhor, a Nádia (Noa, noutros países) era o máximo. Um pouco reservada, como eu ("detesto andar em grupo! Prefiro ir sozinha!") destemida, circunspecta, blasé que se fartava e muito segura de si.
 A série não passou no nosso país até ao fim, mas fiquei sempre com a impressão de que a aplicada Nádia, que ficava "nos seus estudos de magia até à meia noite" acabaria por levar a coroa contra a amorosa mas  despistada Bia, que só pensava em namoros e brincadeira.

 E depois, em termos de visual não tinha par: esguia, longo cabelo flutuante, pálida, com uma maquilhagem impecável e fatiotas incríveis: muito preto, botas overknee, capas (a minha colecção de capas inclui pelo menos duas iguais às da Nádia) silhuetas longas, peças masculinas ao melhor género sartorial. Uma verdadeira rapariga Yves Saint Laurent.
 Um estilo misterioso que não escondia a ninguém a bruxa que ela era, mas cool o suficiente para se misturar na multidão (afinal, o desenho animado foi produzido nos anos 70; já era velhinho quando foi transmitido em Portugal).

 Está certo que não deixava de haver uma certa graça na forma como a Bia escondia a sua identidade através de roupas inocentes e coloridas. A arte do disfarce também é uma afirmação de moda inteligente. Mas o look da Nádia era um verdadeiro fashion statement. Hedi Slimane, anyone?
 Agora pensem lá bem se não há um paralelismo curioso entre as Bratz, as Winx e companhia e os horrores que vemos as adolescentes usar na rua. As bonecas de hoje são umas desavergonhadas. Não é que a Nádia ou a She-Ra não fossem sexy, que eram. Mas tinham outro cachet.












Monday, October 7, 2013

Relíquia do Dia: Vanity Fair, 100 anos perfeitos.

O irrepreensível estilo masculino da II Guerra Mundial                 
Desta feita não me refiro ao livro mas à mítica revista, que tem a melhor tradição de graça e estilo à face da terra...e um arquivo do outro mundo. Afinal, já anda por aí a inspirar o mundo elegante e a polir as mentes desde a Belle Époque...para não falar que elege, desde 1940, a crème de la crème do saber vestir e saber estar (rezemos para que a lista nunca se democratize e se estrague, Ámen!).
 A glamourosa magazine celebra 100 anos e como tal, presenteou-nos com uma viagem pelos seus ficheiros. O acervo, que inclui artigos e imagens (adicionando algumas coisinhas pedidas emprestadas à Vogue e outras publicações) é caso para perder umas boas horas em deslumbramento. E que podemos concluir? O óbvio: que o estilo e a beleza são intemporais. E fundamentais, diria eu. De coisas feias já basta o que basta.
A actriz Claire Luce, ao melhor estillo flapper

A decadência elegante dos anos 20
                                     
                                                        O advento do sportswear americano (anos 30)

Uma beldade de ar maquiavélico e cinturinha minúscula (anos 40)


                                                                A deslumbrante Ava Gardner (1945)

                                        
                                                           Brigitte Bardot (1952)

                                                          
                                               Meryl Streep (e a sua estrutura óssea sobre humana) anos 70.

                                              David Bowie - Vanity Fair Magazine Cover [United States] (January 1986)
                                                                         David Bowie, 1986



                                                    
                                                                               Cindy Crawford, 1994

                                   
                                                            Catherine Zeta-Jones, 2000


                                   
                                                                           
                                           




Ora tomem lá uma wishlist, para não ser o único blog que não as faz.




Berliques, berloques e fantasias não têm grande participação no meu guarda roupa. Ocasionalmente, gosto de um belo padrão numa saia ou vestido, de um material rico, de  aplicações ou de uma jóia de grande efeito.

 E para os looks casuais, que uso ocasionalmente quando preciso de algo mais divertido, aprecio a t-shirt com um estampado giro: de bandas míticas (que são uma canseira para encontrar, quase sempre vêm em tamanhos XXL) ou de cartoons.
   Fazem looks amorosos acompanhadas de jeans escuros estilo anos 70 ou peças em cabedal (recentemente usei uma da Mulher Maravilha com uma saia de couro verde). Se forem claras e com bonequinhos fofos, só precisamos de uns flare jeans de Verão, de uma boa cuff, cabelo ao vento, carteira vintage, perfume fresco e umas sandálias de tacão largo para um visual benzoca-em-poucos-minutos.
 Claro que não é qualquer "boneco" que serve: escolho aqueles que têm alguma coisa a ver comigo. Além da Mulher Maravilha, um dos meus ídolos de infância (era filha da Deusa Diana, que querem mais?) tenho a Noiva Cadáver, o Gizmo (coisa fofinha que se transforma em coisa terrível em menos de um Credo) e outros tantos.
 Logo, estou sinceramente a torcer para que se façam t-shirts da Criada Malcriada: uma lufada de espírito (e de politicamente incorrecto) num país intoleravelmente aburguesado e pseudo-santinho.
 Senhora e Criada são um amor. Se pudesse escolher tiras, garanto-vos que a criada a cair do escadote abaixo e a "patroa" a reparar que a pobre vai ficar com os chakras desalinhados, ou aquela em que as duas sonham simultaneamente uma com a outra (imaginem uma grande legenda a dizer "ESTA MULHER É O DEMÓNIO!") estavam no meu carrinho de compras, para ontem. Give it a thought, por favorinho. 

Se eu adivinhasse era muito rica, lá diz o povo.


           
Por vezes, aquelas fases em que nada está decidido e em que as coisas "podem vir a resolver-se" são mais dolorosas do que uma questão já encerrada. A esperança é uma coisa malvada porque tudo está em aberto, não se sabe o que será e por vezes abre portas ao arrependimento momentâneo. "Se eu tivesse feito assim ou assado, ou dito aquilo, etc". 
É fácil fazer esse falso raciocínio já com outra experiência, outra lucidez e um conhecimento mais aprofundado da situação e/ou dos envolvidos. A verdade é que se fez o melhor que se podia e soube, com as melhores intenções e os dados que na altura estavam disponíveis. Ou que já estava destinado ser assim e aconteceu desta maneira para levar a um resultado qualquer que ainda não se desenhou. A resposta acabará eventualmente por aparecer - nada é por acaso nesta vida. 

Nestes casos também é preciso lembrar a boa e velha máxima "com os malucos não se discute" - com certas pessoas é mesmo impossível usar a lógica, e o que quer que se dissesse ou fizesse levaria ao mesmo resultado.

Dar voltas na cama em modo woulda, coulda, shoulda, à beira de um ataque de culpa perfeitamente inútil é o pior que se pode fazer. Não acrescenta nada. O único alívio é fazer como a Scarlett O´Hara: "pensarei nisso amanhã" - e dizer o mesmo todos os dias, até que o assunto deixe de ser assunto ou se resolva por si.

Afinal, se na altura tivéssemos todas as respostas, de certeza que o problema não teria chegado a acontecer. "Se eu adivinhasse, era muito rica" lá diz o povo, e com razão. Se adivinhássemos, evitaríamos certas pessoas, conversas e situações. Ganhávamos o euromilhões pelo menos duas vezes por ano. Era uma maravilha. E mesmo assim, determinadas questões continuariam a acontecer, porque mesmo adivinhando ou escolhendo a melhor resposta possível há sempre malucos nesta vida, que conseguem asneirar por melhor que se lhes responda ou mais jogo de cintura que se tenha. So, why bother?

Sunday, October 6, 2013

Tia Elsie dixit: tratar os homens como os convidados.


                                      

A tia Elsie de Wolfe, Lady Mendl, pioneira da decoração de interiores e figura proeminente da boa sociedade da Belle Époque, sabia um par de máximas sobre bem viver. E se há coisa que é verdade, é que há áreas da nossa vida em que um homem, mesmo que partilhe a mesma casa, não pode interferir. Tal como um hóspede de cerimónia.  Uma mulher só ganha em cultivar um certo mistério e há um pequeno rei em cada homem, que gosta de se sentir como convidado de honra. Tal como os vampiros, o sexo oposto só pode entrar na nossa vida, na nossa alma, se for convidado. Mas é claro que até um convidado de honra pode ser convidado a sair, se transgredir as regras da casa. Demasiada franqueza, demasiada partilha, e pode dar-se o cenário abaixo - porque muitas vezes, quanto maior a sinceridade, maior o risco. 
                           

Tendências para mim e para vós: luxo discreto, ladylike...e lady punk.


Algumas tendências dos últimos dois anos podiam ter-me lido os pensamentos ou bisbilhotado  meu armário, de tal maneira têm estado de acordo com os meus gostos. As silhuetas senhoris, como já tenho comentado, vieram para ficar, a lembrar as estrelas do cinema italiano. E para tornar esse estilo clássico mais irresistível ainda, só uma viragem (muito na senda do regresso às ideias minimais ds anos 90) stealth affluential. Ou seja, o luxo discreto, invisível, despido de ostentação, que se nota apenas na qualidade e perfeição das peças. Nada temam, porque podemos coordenar tanta discrição (saias lápis, malhas de luxo,  vestidos que definem a silhueta, carteiras despidas de monogramas) com cores ricas ou aplicações, texturas e estampas elaboradas:

                             

Jonathan Saunders

THE EDIT MAGAZINE: READ AND SHOP
                                     
                                         

                                        


Esta tendência foi também visível na semana de moda de Paris: os looks mais interessantes para o próximo Verão são  muito discretos, muito minimalistas, muito cool: só Balmain (abaixo) fugiu um pouco a esta regra, pontuando os visuais simples com brilhos e texturas a recordar os anos 80.

                                               Menos es más (que nunca)

Hermès, Guy Laroche e Yves Saint Laurent primaram pela mais chic simplicidade, a apoiar-se completamente na boa alfaiataria:
Hermès - PasarelaGuy LarocheGuy Laroche

Piscadela de olho ao Le Smoking, what´s not to love?


                     Culture Club by Hedi Slimane
Mas para os dias em que nos apeteça um pouco mais de rebeldia/descontracção/estar zangadas com o mundo sem cair no espírito nonchalant do grunge, haverá a inspiração punk - mas um punk crescido, adulto, quase bem comportado, que é recebido sem escândalo e toda a parte. Do cabedal macio que acrescenta um toque edgy a visuais de elegância refinada, aos perfectos, passando pelo tartan ou acessórios com picos...(eu cá fujo das tachas) poderemos brincar com uma certa agressividade, a quebrar o ar de quem não parte um prato sem perder um bocadinho de elegância que seja. Não sei quanto a vocês, mas já tenho alguns visuais pensados que, sem cair na versão mais teen da tendência, ilustram este feel muito Vivienne Westwood: lady punk, why not?

                             Sweaters & Cardigans

                                                       
                                                
                                                                               YSL
                                                         
                                     








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