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Saturday, October 26, 2013

Jane Austen dixit: quem não se sente, não é filho de boa gente.



Há comportamentos no sexo oposto que eu não percebo, e a falta de lealdade e empatia é um deles. Fazem coisas que mortificam o orgulho da mulher de quem gostam - coisas que, fossem eles o alvo de tais actos, nunca seriam capazes de perdoar. 
Depois decidem passar uma camada superficial de tinta sobre o assunto deixando tudo exactamente na mesma, atirar o caso para o fundo do baú, não falar mais nele enquanto um novo episódio se prepara (porque os mesmos factores levam inevitavelmente ao mesmo resultado) e ainda querem palmas, tudo lindo outra vez, tudo como dantes no quartel de Abrantes e carinha alegre.
 E claro, quando não é isso que acontece ficam todos ofendidos, todos sentidos, eu para aqui a esforçar-me e aquela ingrata com a mania que é boa, etc. 
 Mas onde é que está escrito que "quem não se sente, não é filho de boa gente" não toca às mulheres? Ou a quantidade de mulheres tapete que sofre tudo, atura tudo, faz o pino para receber migalhas é de tal maneira grande que já não sabem agir perante uma pessoa normal - já não digo orgulhosa, mas com o bocadito de brio que separa a gente decente de, sei lá, tropa fandanga que estava bem na Casa dos Segredos? Alguém que explique o fenómeno, faz favor. Grata.



Agarrem-se ao exercício, meninas.

Está certo que a medicina estética faz maravilhas, mas não há nada como ter cuidados de beleza e perder a preguiça. Reparem na guru do fitness, Denise Austin (nascida em 1957) que nos anos 80 era assim...



e hoje está assim:

                              

Motivador, não? Claro que a boa genética é determinante, e Denise sempre foi direitinha e arranjadinha. Algumas aos 20 já são a desgraça que se vê e nesses casos...bom, agarrem-se ao exercício e peguem-se com Deus, que tudo pode!



Os "ciganitos"

                       
A polémica da menina loira que pôs a Europa a acreditar outra vez no velho conto do bicho papão ("ou te portas bem, ou chamo os ciganos para te levarem!") ainda vai dar muito que falar - parece que afinal o anjo louro era uma ciganita loura, com uma data de irmãozinhos gorduchos, louritos, ruivitos, gorduchos,  ranhosos e sujinhos, um amor . Sendo verdade que não sei onde está o espanto por haver ciganos louros, já que os há de várias nuances (basta conhecer um bocadinho da história desse povo) no meio de tanta discussão inútil era bom que alguém acudisse àquelas *literalmente* pobres crianças. Apetece levar para casa, 
dar-lhes um banho enorme, uns bifes com batatas fritas e pô-las apresentáveis, coitadinhas.
 Mundo muito mal feito, Sr. Afonso da Maia!

                    The Bulgarian Roma woman believed to be the real mother of the Maria said: 'I want her back.'
                                 Children

Friday, October 25, 2013

Bem dizia o meu paizinho lá em Saboia que isto era corte de loucos...*

                          
O meu irmão, que por influência de andar por terras raianas, cada vez mais dá voz ao 1/5 de sangue espanhol que nos gira nas veias, vira-se para mim e sugere que eu veja Volver, de Almodóvar (que aliás já devia ter visto, mas pronto) e que eu (reparem bem no motivo) ia gostar porque trata de um pueblo onde ninguém joga com o baralho todo, não toma as gotas, não fecha bem a tampa, enfim, uma terra de gente doida. 

Aparentemente no filme a culpa é dos ventos que por lá sopram. Por aqui, continuo a achar que a culpa é do Ano da Serpente: o horóscopo chinês bem avisou, mas eu achei que tinha fechado o inventário de pessoas admitidas antes de Fevereiro, logo estava a salvo. Erro crasso. 

 Já não sei se se trata de ter um íman para gente rara escondido algures, se por influência dos astros as pessoas resolvem entornar os feijões e revelar até que ponto são doidas todas ao mesmo tempo. O que eu sei é que tem sido uma limpeza, que não se aturam bichos feios nem gente de pouco juízo a pôr o pé em seara alheia, mas eles teimam em dar um ar da sua graça por mais cautelas que haja. Pela última vez, isto não é o Hospício da Misericórdia. E o vento não é desculpa, nem a falta de medicação, nem os traumas, nem os complexos. Ay, caramba.



* Frase de D.Mafalda, mulher de D. AFonso Henriques, no delicioso "A Espada do Rei Afonso".


Look icónico do cinema: Ali McGraw, ou nunca faças ciúmes a um homem poderoso.

                                   
Nunca fui grande fã do clássico de puxar à lágrima Love Story, mas o filme vale a pena pelo figurino preppy de Ali McGraw, que continua  inspirar designers como Tommy Hilfiger ou Michael Kors (reparem nos jeans brancos, tão do agrado do criador). 


 

O mérito foi dos responsáveis de guarda roupa Pearl Somner e Alice Manougian Martin, mas também da própria actriz. Nascida numa família bem de Nova Iorque, educada em bons colégios do Connecticut e Massachussets e mais tarde, assistente de Diana Vreeland na Harper´s Bazaar e stylist na Vogue (não tardando em passar para a frente das câmaras) Ali tinha uma ou das coisas a dizer sobre elegância. Se no filme encarnou como ninguém o estilo eterno associado à Ivy League, com caxemiras, tartans, peles, sedas, casacos e malhas irrepreensíveis, na sua vida privada adoptava um look boho chic que nem sempre agradava aos críticos (em 1971 figurou na Worst Dressed List do jornalista de moda Richard Blackwell) mas que ainda assim, fez escola.
                                     
 


O seu tipo de beleza (grandes olhos expressivos e cabelo liso) fruto de genes escoceses e húngaros, estava em perfeita harmonia com os ideais da nova década: embora fosse praticamente desconhecida, Ali tornou-se numa estrela assim que o blockbuster estreou, em 1970. Era a rapariga certa na altura certa, e com um visual incontornável.





A sua carreira descolou e parecia realmente promissora, não fosse Ali ter casado com o homem que fez dela uma estrela: Robert Evans, produtor da Paramount. A actriz apaixonou-se pelo co-protagonista Steve McQueen e pediu o divórcio...e em troca, o marido desiludido tratou de lhe destruir a carreira: os papéis icónicos que lhe estavam reservados em The Great Gatsby e Chinatown passaram para Mia Farrow e Faye Dunaway, respectivamente. 
 O golpe foi fatal e associado à posterior separação e morte de McQueen, bem como a uma alegada dependência de álcool e a uma intimidade descontrolada, fez com que o percurso de Ali McGraw nunca mais voltasse a ter o mesmo fôlego. 

Tudo bem que deixar o marido para casar com outro não foi bonito, mas há homens muito mesquinhos.

 Ficam as lições de estilo - roupas boas nunca desiludem, nem se voltam contra a utilizadora.



Thursday, October 24, 2013

Luxos, para que vos queremos?


Conheci um professor numa escola perdida no meio dos montes que, fizesse o tempo que fizesse, nem que chovesse a potes, obrigava os alunos a rezar em coro todas as santas manhãs: "que lindo dia que está hoje! que linda está a nossa escola!". E às vezes a chover a potes, com um frio de rachar...

Não raro, estar bem com a vida é uma questão de fake it ´till you make it.
 Se estamos irritados, zangados, tristes, há que obrigar o pensamento a mudar de direcção, custe o que custar. Elevar as frequências, porque 
acredite-se ou não em magnetismos, quanto mais nervoso se está mais disparates se fazem e mais contratempos acontecem, deixando a pessoa mais infeliz ainda e propensa a mais desaires e depois fica desesperada porque é desgraça atrás de desgraça, chega a casa embirra com toda a gente, pior fica e...percebem a ideia. 

É preciso quebrar esse ciclo de aborrecimentos, nem que seja temporariamente. Cada um terá a sua maneira de fazer isso, e o que é bom para algumas pessoas, a outras deixa-as mais desorientadas ainda. 

Há quem goste de ouvir música triste quando se sente em baixo - a mim essa ideia parece-me tão miserável e deprimente que não imaginam: quando muito, ouço música pesada se estou irritada, para libertar a raiva.

  Mas creio que não há nada como um luxo - muito caro ou gratuito (uma sesta, abraçar o gato, ter tempo para nós) pequeno ou grande, para dar alguma doçura à vida. É para isso que serve. Não para a ostentação,  a cobiça o egoísmo ou o vício, como achava Voltaire, esse desmancha prazeres que não deixava de ter uma certa razão...

                                         

 ....mas para nos fazer bem,  lembrar que a vida é bela, aguçar os sentidos,  tornar o dia a dia mais suave. Se as coisas parecem feias, é preciso reparar nas coisas belas, rodear-se de beleza até que tudo o que é desagradável deixe de parecer tão importante.

Enfrentar um dia frio envolta em caxemira tem outra graça. Entrar numa reunião difícil usando seda oferece uma confiança diferente. Terminar um almoço apressado com um bombom recorda-nos que nem tudo é tão negro como o pintam. Para tudo é preciso imaginação, tendo sempre presente que, como disse Chanel e muito bem, o luxo não foge à recusa e ao que é simples: é o contrário de vulgaridade.  A negação da mesmice, do tédio, do medíocre, das queixinhas, da "luta", da cara feia. A apreciação das melhores coisas da vida...e das segundas melhores, sempre que possível.


                 

A beleza é relativa, mas...

                                  
...há certos casos em que não há equívocos. Deixemo-nos de wishful thinking ou de frasezinhas consoladoras. E o mais curioso é que são as pessoas realmente desafortunadas nesse quesito que sofrem de uma proporcional ausência de noção da realidade tornando-se além de feias, incómodas e embaraçosas. É que ser feio por fora é mau, mas ser feio por fora e por dentro e ainda por cima desmiolado é matar todas as hipóteses de se inventar ali um carisma, um ugly pretty ou qualquer desculpa esfarrapada que salve a honra do convento. É condenar cruelmente o seu próximo à vergonha alheia.
 E um bocadito de dignidade, não?



De grunge chic já gosto.




Como demonstrado por Ricardo Tisci (Givenchy): com a melancolia, as camisas tartan, a inspiração cigana e os padrões floridos, mas boa alfaiataria e maquilhagem no lugar - e já agora, cabelo limpo. Quando algo que teve o seu tempo regressa, é bom que venha sob a forma de um update: mais crescido, mais polido, mais elegante. Nada contra a interpretação de Hedi Slimane para Yves Saint Laurent, que se atreveu a ir ao fundo da questão recrutando quem realmente percebe do assunto para a campanha (abaixo) mas prefiro a versão posh do grunge. 


 Acho que mesmo num mood desiludido com o mundo, é preferível fazê-lo em grande estilo. Ou será o grunge de Yves Saint Laurent mais adequada às eternas adolescentes (ou para as irmãs mais novas) e a de Givenchy feita a pensar em mulheres? Either way, nunca morri de amores pelas Doc Martens.





You go, superavozinha!

                          
Quando era pequenina, gostava de me sentar com a avó C. numa saleta que havia lá em casa a ver televisão: ela apreciava  ver filmes de terror e até sabia imitar os truques do David Copperfield (habilidade que lamentavelmente, sempre se recusou a ensinar-me porque "um mágico nunca revela os seus truques").
  Isto era ao serão, mas durante a tarde um dos programas que não perdíamos era a série Superavozinha (acima). Não me recordo do enredo, mas era qualquer coisa sobre, como o título indica, uma avozinha com super poderes que andava (voava?) de bicicleta.
 Revendo agora a imagem, a protagonista tinha bastante estilo (tartan e boné escocês) e não me parece tão idosa como na altura, mas isso são detalhes. 

Como ambas tínhamos jeito para inventar histórias - acho que foi dela que herdei isso - no fim criávamos aventuras em que a minha avó era a Superavozinha, a espalhar o bem, a justiça e uns socos merecidos nos heróis e vilões da vida real que conhecíamos.

 Talvez por ser abençoada com avós tão cheios de vida e de personalidade, que me ensinaram tanta coisa, a questão dos idosos é algo que me aflige bastante nesta sociedade obcecada, mais do que com a juventude, com uma adolescência pateta.
  Ora, por estes dias, li a notícia de uma superavozinha verdadeira que me deixou muito bem disposta: Ana Baptista, senhora de 87 anos que saltou do segundo andar para salvar uma amiga (de 82) que estava presa num incêndio.
 Não percebi bem os detalhes da proeza, mas ambas escaparam sãs e salvas. 
Por vezes as pessoas tendem a esquecer que a saúde falha a velhos e a novos, mas que a "antiguidade" de cada um, só por si,  significa muito pouco. Quando há gana, coragem e amor ao próximo, a adrenalina dispara no momento certo, dando super poderes inesperados. E uma mulher de força é sempre uma mulher de força. Nem que tenha cem anos em cima. 

Wednesday, October 23, 2013

É por estas e por outras que vemos certas figuras na rua.

                

Aceitar a própria silhueta como ela é e tirar o melhor partido possível dela é uma obrigação e uma higiene mental que cabe a todas as mulheres: gordas ou magras, bem feitas ou assim assim, elegantes ou nem tanto. Mas uma coisa é amar o corpo que Deus deu a cada uma (já que é impossível comprar outro, por mais que se faça) e descobrir a própria beleza. Outra é não ter noção da realidade e não se importar de exibir por aí as partes mais feias, prestando um péssimo serviço a si mesma e agredindo os olhos dos outros. E como sabemos, há por aí muita gente que:

a) Tem uma auto estima à prova de bala.
b) Sofre imenso cada vez que se vê ao espelho, mas não faz a mínima ideia de como mudar isso.
c) Gosta de chocar, e não é necessariamente usando piercings, cristas e tatuagens.
d) Acha-se linda de morrer mesmo que assuste as criancinhas na rua (e quanto à falta de noção, não há remédio...).
e) Finge que acredita nas patacoadas feministas que rezam que a beleza é uma ditadura, ou nas bimbalhices vulgo "o que é bom é para se ver", mesmo que o "bom" seja "mau", e seja o que Deus quiser.

E escusamos de suspirar de alívio com o advento do Inverno: foram-se os tops reduzidos e os calções de ganga sem meias, mas temam muito: as leggings, as malhas, os collants brilhantes, o poliéster, os casacos curtos e outros favoritos de meninas com literalmente muito corpo e pouco miolo estão sempre presentes nas sombras, à espera do momento de aterrorizar a população mais sensível.

 É uma pena que as mulheres não sejam mais educadas para ter consciência do próprio corpo e da melhor forma de o favorecer - que longe de esconder, enaltece o melhor de cada uma sem agredir nem desfear. 

 E se algumas bloggers de moda plus size têm muita imaginação mas nenhum juízo, há outras como a australiana Teer Wayde (blogger e modelo para tamanhos grandes) do Curves to Kill, que são bons exemplos.

Não morro pelo estilo pin up tatuada e nem sempre concordo com as suas escolhas (as bainhas e os tecidos de algumas saias, nomeadamente...) mas muito do que veste fica bem em silhuetas curvilíneas todos os tamanhos: modelos clássicos, proporções correctas, roupa interior que segure tudo no lugar (ela admite abertamente que tem "banhinhas" que precisam de ser disfarçadas na zona da cintura)  bons cortes, bons tecidos e mostrar pele nos lugares certos.

Diz ela que veste um 44/46, mas palavra que em algumas imagens parece MUITO mais pequena. Fica a inspiração para as meninas mais cheiinhas.














Auto análise que devia passar pela cabeça a certas pessoas...‏





...antes de entrararem em figuras patéticas. Just thinking.

Bitchcraft.

                       
O Halloween está quase, quase aí - uma excelente ocasião para soltar a bruxa que existe em cada mulher, sendo certo que se algumas são sedutoras Morganas, outras se parecem mais com a bruxa da Branca de Neve embora dotadas de pouquíssimo miolo (sim, porque a da Branca de Neve era uma linda e esperta mulher disfarçada).

 Ocultismo ou ideias matriarcais à parte, que o que é justo é justo, creio que essa questão da bruxa em cada mulher tem muito de verdade...e várias aplicações. 

Quando um rapaz gosta de uma rapariga e por qualquer razão não lhe dá jeito admiti-lo, queixa-se de que ela o enfeitiçou. Por vezes também o dizem de forma elogiosa, o que é fofo, mas tenho-o ouvido muito a cavalheiros zangados, em pleno romance de faca e alguidar.

 Se uma mulher desperta o ciúme num homem (principalmente se o rival for mais bem sucedido do que ele) zás, é uma bruxa interesseira tal como na canção dos Orishas (abaixo) por mais independente e orgulhosa que seja na realidade. 

Caso tenha dois dedos de dignidade e não esteja para aturar abusos e desmandos ai que é uma bisca, que bruxa, que mau feitio, Cruz Credo - nem que seja um doce de pessoa que se fartou de tanto disparate.

 E se decide pagar as partidas na mesma moeda, jogando com quem tanto gosta de jogar, agindo como eles tanto gostam de agir, enganando com a verdade quem gosta de contar mentiras, etc e tal...bom, aí os senhores já não acusam a outra metade de witchcraft, mas de bitchcraft, para não ser mais explicita. Sabem que mais? Every woman a witch. E tudo o resto, quando perde a paciência. 

Mas bruxas, bruxas a sério, das medonhas, são as mulheres da luta: já sabem, aquelas raparigas sem graça, humildes, solícitas, inofensivas, sempre prontas a elogiar e a facilitar, que fazem tudo, "lutam por eles" (frase deprimente a pontos de dar náusea) dizem que sim a tudo, que estão sempre prontas e se prestam a tudo até conseguirem caçar um diabo que as carregue.

 Assim que se apanham seguras, soltam a bruxa má dentro delas e fazem pagar bem cara a factura da resignação e da graxa - condenando o rapaz  prudente, aliás cobardolas, armado em Sir Gawain ao contrário, que queria a segurança de uma mulher que ninguém cobiça, à condenação eterna de ter ao lado uma bruxa feia por dentro e por fora, de noite e de dia.
 Dá-nos mesmo jeito que os Autos-de-Fé tenham acabado. 


Eres una interesá, bruuuta. 
Mentirosa y arrastrá. Bruuuta 
Eres una interesá. Tu cara dura, tu cara dura, bruja 
Mentirosa y arrastrá. Tu cara dura, tu cara dura, bruja 





Tuesday, October 22, 2013

A moda cura a telha. Mas também sofre com a dita.


Remédio santo para uma rapariga que está com a telha enfrentar com outra gana o dia exigente que se avizinha? 

Abrir o armário e estrear aquela peça de designer básica que estava ali, com etiqueta posta, à espera de uma ocasião um pouco mais especial. Porém... já ontem o disse, cada manhã é uma ocasião; nunca se sabe o que o destino reserva, e para restrições já basta o que basta. Efeito fierce instantâneo.

 Mas como por vezes uma pessoa passa fases destas, em que parece que já nada é sagrado, ao chegar ao carro dá-se conta que a pashmina nova ficou caída no chão, levou literalmente com os pés e pior que tudo, com a tempestade da noite anterior. Sobreviveu não sei como - e é nestas alturas que se dá graças por viver afastada do bulício da cidade, senão 
encontrava-se-lhe o sítio.

O mais caricato é que com tantos lenços, écharpes e afins bonitos, mas comuns a que raramente acontece algum desaire, a ocupar metade de um charriot lá de casa, tinha de ser logo aquela. 

Volta-se à frase da minha mãezinha: estraga, estraga, que a ordem é rica e os frades são poucos.





Monday, October 21, 2013

Torcer o destino, mas com glamour. Muito. Todo.



"Não percebo como é que uma mulher pode sair de casa sem se arranjar um bocadinho que seja - ao menos por polidez. E depois, nunca se sabe: talvez seja esse o dia em que se tem um encontro com o destino. E o melhor é estar o mais bonita possível para o destino."

                                       Coco Chanel dixit

   "Quis ser um certo tipo de mulher, e tornei-me nessa mulher" 


Diane Von Furstenberg

Tanto Coco o mundo-nunca-mais-foi-o-mesmo-depois-dela Chanel como a designer, princesa e ícone dos anos 70 Diane Von Furstenberg (a quem devemos o wrap dress, nem mais) moldaram o destino com a mesma habilidade com que trabalhavam os tecidos (e os sonhos das mulheres). Mais: souberam estar à altura dos privilégios que  alcançaram, que isto não é só lá chegar. O êxito consegue-se com trabalho árduo e um pouco de sorte, mas 
sê-lo, sem se limitar a parecê-lo como se nunca se tivesse vivido de outra maneira e mais, tornar-se uma lenda...não é para todas. É preciso ter um dom. Génio, classe inata e uma sabedoria que não está à venda. 
 Claro que um dos lemas de Diane Von Furstenberg, aprendido com a mãe (sobrevivente do Holocausto) era "ter medo não é uma opção" o que é uma óptima máxima - pessoalmente embirro com o medo, esse atraso de vida.
 E sempre ouvi em casa que uma senhora não se põe impecável só para as ocasiões. "Ocasião" é todos os dias que Deus deita ao mundo. Todas temos os nossos dias, convém ter rotinas rápidas e eficazes, mas não há desculpa para não cumprir os mínimos (cabelo, pele, etc) e depois choramingar que não se tem auto estima. Uma mulher sensata está sempre pronta para o maroto do destino. Sempre. No excuses. Bring it on!

*Mais dicas aqui.


Sissi responde: corpo em transição e fototipo confuso.

                                       

Boa tarde Imperatriz Sissi,

antes de mais gostaria de dizer que gosto muito do seu blog. Comecei a acompanhá-lo com mais atenção à alguns meses, e gosto particularmente dos posts sobre biotipos e compra inteligente.
Tenho muitas dúvidas sobre como vestir o meu corpo de forma adequada, como escolher o que comprar... em suma, não me sei vestir.
Será que me pode ajudar?
Passo a explicar: sempre fui bastante magra, com um corpo do tipo coluna. Fui assim durante toda a adolescência. A minha estrutura corporal começou a alterar-se de forma significativa aos 19, 20 anos. Conservei o mesmo peso, mas a diferença entre a cintura e as ancas e ombros tornou-se mais visível. Acho que posso dizer que era uma espécie de Kate Moss (coluna mas com cintura visível) (...)
 A minha inspiração (...) era a  Twiggy (sempre gostei do visual 60's). Depois dos 21 anos, engordei mais de 10 quilos. Não sei vestir o meu corpo actual. A maior parte do meu peso concentra-se na barriga e pernas, mas como tenho uma estrutura corporal bastante estreita, continuo a parecer magra, apesar de não o ser. É escusado dizer que estive em negação durante muito tempo, pensei que perderia peso, e recusei-me a comprar roupa. Agora que me conformei (vou perder peso mas até lá preciso de me vestir), preciso de ajuda.
Sei que não sou uma coluna, não sou o triângulo invertido, não sou triângulo porque a medida dos meus ombros e ancas é semelhante, mas não tenho peito nenhum pelo que não sou ampulheta. (...)Só não sei como vestir este corpo que parece magro, mas que tem barriga. Com vestidos tenho mais sorte, basta um bom corte e um tecido aceitável e consigo vestir todos os vestidos estruturados M da Zara, sem parecer um trambolho. Não tenho idéia de como vestir peças separadas, principalmente para ir trabalhar.
Tenho outra questão a respeito do meu visual geral. Tenho pele clara e cabelo afro, herança dos meus antepassados que vão da Europa, a África, passando pela Ásia. O meu cabelo tem uma cor peculiar: castanho arruivado (auburn). Não tenho nenhuma figura pública com que me identifique para me ajudar a visualizar o que pode resultar com este cabelo e uma pele que, apesar de clara para o padrão Africano, não corresponde ao propótipo ruivo (...) e não tenha sardas nenhumas. 

 C.

 Em relação ao fototipo, temos sempre de considerar o todo: embora a pele da C. não seja transparente como a das ruivas comuns, beneficiará do mesmo modo se realçar os undertones dourados e encarnados, que neste caso estão presentes tanto na pele como no cabelo: bâton nude -coral, cor de camélia ou encarnado, blush encarnado, dourado ou cor de nácar...e nos olhos os tradicionais tons metálicos quentes, verde, púrpura ou paletas nude/castanho/preto. As opiniões dividem-se quanto ao eyeliner e mascara  negros para ruivas, mas muitos maquilhadores aconselham e pessoalmente acho que fazem um contraste adorável.

No que se refere à silhueta...julgar pela descrição, eu diria que a C. estará entre o corpo coluna e o que costumo chamar uma ampulheta magra, uma vez que a a cintura é mais estreita em relação ao busto e às ancas - o que se coaduna com o facto de notar que as pernas ficaram um pouco mais fortes. Tipos tradicionalmente femininos tendem a  ganhar peso nessas partes do corpo.  Nem toda a gente corresponde a um biótipo exacto e nem todas as "ampulhetas" têm um peito muito voluptuoso - só maior em relação à cintura. 
  Se o problema está na barriga e pernas, há que evitar chamar a atenção para essas zonas: 

- Escolha tops mais escuros do que a saia/calças;

-  Blusas ou camisas com detalhes (golas, aplicações, colour blocking) mais claros ou chamativos perto do rosto;

- Aposte em decotes amplos, para libertar a figura e realçar os ombros,  pescoço e a clavícula, pontos fortes da figura de ampulheta; assim desviará a atenção do resto;

- Casacos com golas de peles são um óptimo artifício e dão luminosidade ao rosto.

- Um bomber jacket de grande efeito é uma excelente opção para usar com calças, já que as ancas e coxas não são um problema.

- Se o aumento de peso se nota só na barriga mas não no estômago nem na cintura, tire partido disso: cintos escuros em relação ao resto da toilette e calças/saias de cintura subida q.b e tecido consistente, para "acomodar" e esconder a pancinha indesejada.

- Pode usar camisas/ tops folgados ou túnicas, mas que não fiquem completamente largos na zona das costelas/cintura (aqui o cinto é novamente um bom aliado) para não dar a ilusão de ser mais larga do que na realidade é.

- Calças com cós saruel, masculinas e folgadas q.b. são uma excelente maneira de mostrar as pernas sem as aumentar.

- Em termos de jeans pode usar os flare (que ficam bem a quase toda a gente e equilibram imenso) e boot cut, já que não tem problemas na temida zona das coxas. Evite os skinny, as leggings e os tecidos sintéticos ou brilhantes e as cinturas descaídas.


- O seu tipo suporta bem calças claras, desde que não sejam justas da anca para baixo: os modelos clássicos regressaram e esta é uma boa altura para nos abastecermos deles.


- Evite os botins com saias ou por fora das calças: vão fazer os pés parecerem muito pequenos em relação ao resto (se repararem em algumas imagens de Kim Kardashian perceberão a ideia).

Peças que vão dar imenso jeito agora (e que permitem mandar apertar quando emagrecer)

- Uma calça cigarrette de corte masculino, cós reforçado e sem pinças nunca desilude. 

- As saias lápis continuam em alta e são as melhores aliadas para mostrar a parte mais elegante das pernas e, simultaneamente, ressaltar umas bonitas ancas e dèrrierre.

- Este é um excelente ano para usar saias maxi: uma preta, de cintura ligeiramente subida e num bom tecido  possibilita imensas toilettes.

- Aposte em fatos e tailleurs ajustados à medida, seguindo as dicas acima para calças e saias. 

- Concordo que os vestidos são os melhores aliados, principalmente os sheath dresses os vestidos camiseiro e envelope. Tenha sempre atenção aos tecidos, evitando as fibras molengonas e sintéticas. O melhor é optar por modelos versáteis, que possa usar de dia ou à noite consoante os acessórios, ou numa boa colecção para todas as ocasiões- os modelos clássicos duram anos .









Sunday, October 20, 2013

Momento tentação do demo: must haves de Outono.

Se o vosso armário for como o meu (um arquivo onde existe um bocadinho de tudo: clássicos eternos, peças-não-tão clássicas que são recorrentes e extravagâncias que se usam pontualmente) este post será  um conselho à reciclagem. Se assim não for, ou se vos faltar alguma destas coisas amorosas, ou estiverem em modo de espatifar um bocadinho dos vossos recursos, aqui ficam algumas ideias para bons investimentos, via Vogue España.

A Doctor Bag preta: porque uma rapariga precisa sempre de uma carteira old school, estruturada, muito Bon Chic Bon Genre e acima de tudo, versátil. Também é uma excelente opção para quem tem o péssimo hábito de encafifar o mundo dentro da carteira - este modelo impõe limites à tralha que se coloca lá dentro.


Tous
Tous



As Biker Boots: têm figurado, on and off,  nas tendências de há uns anos a esta parte. Pessoalmente considero-as menos democráticas do que por exemplo, as botas de cavaleira. Por isso, são um investimento a fazer com certo cuidado para quem não anda de tacões baixos com frequência: para resultar, têm de ser obrigatoriamente de pele macia e com uma execução excelente, o que faz pensar duas vezes quem só as pretende usar ocasionalmente. O modelo abaixo (Burberry) é o mais favorecedor para a maior parte das silhuetas. A versão botim é indicada para raparigas altas ou de figura arrapazada.


                                       Burberry

Pencil Skirt...em denim: as saias lápis regressaram para ficar em todos os materiais, o que me deixa muito contente. Mas saias de ganga para o Inverno são uma novidade invulgar. Well...why not?


                           Falda lápiz vaquera

Botins de cunha: no passado Inverno, investi neles e não me arrependi. Nesta temporada continuam por toda a parte: os melhores terão uma altura sensata, sem compensação exagerada.

Botines con cuña



Jumpsuit de veludo: uma alternativa aos vestidos de noite. Tenho um igualzinho a  este mas juro que o usei num Carnaval e não pensei mais nele. Com uma toilette muito clean e uns saltos de agulha, não digo que não. De resto, o veludo continuará em voga mesmo para o dia ou em calçado. Confesso que não sou grande fã da primeira ideia mas a quem quer experimentar, aconselha-se o veludo opaco e espesso, que é de melhor qualidade e menos vistoso à luz do sol.

                                Mono de terciopelo     

Botas legging: tenho quase um odiozinho de estimação pelas leggings, mas o mesmo não se passa em relação às legging boots (ou qualquer bota overknee que seja decente e de boa qualidade). Como se escondem até à coxa, são a melhor opção para usar mini vestidos sem revelar demasiado nem cortar a silhueta, porque formam um só traço alongando as pernas(desde que estas não sejam exageradamente fortes, claro) até ao infinito .

                           Legging boots       

A Sweat Shirt com aplicações: fazer o quê? Parecem ter conquistado definitivamente o coração das fashionistas e com tantas maneiras de as usar, é complicado não ter ao menos uma, por curiosidade.


                                       Sudadera-joya
Mochilas de couro: mais um revivalismo dos anos 90. Recomenda-se um investimento moderado.

                                        Bolso saco con tachuelas
Tigresse: como vimos aqui, não vai haver como escapar-lhe. Quem tem saudades deste padrão clássico, aproveite agora porque amanhã não se sabe.


                                               Print Leopardo

Um smoking jacket: confesso que na panóplia de blazers e afins que por lá andam, estou a pensar fazer algo de muito especial relacionado com smokings. Para já é segredo.


                                               Chaqueta esmoquin

Boyfriend jeans: não são novidade. Mas usá-los no Inverno? Oh yeah.

                         Vaqueros boyfriend


Camisa oxford: versátil, simples, preppy. A investir sem medo.

                                  Camisa Oxford

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