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Saturday, December 7, 2013

Leave Mandela alone!

                                    

Está certo que só as pessoas descoroçoadas ou muito cínicas podem não gostar de Nelson Mandela. A sério, come on: o mítico Presidente está na mesma prateleira da Madre Teresa, de Martin Luther King e de outros heróis que nos foram deixando sem probabilidades de substituição, pelo menos tão cedo. Não se embirra com Nelson Mandela. Pronto. 

 Mas se por um lado, as incontáveis manifestações de admiração e condolências mostram que apesar de tudo, os bons exemplos continuam a gerar comoção e respeito, por outro as colagens, citações e RIP Nelson Mandela às centenas espalhadas por estas redes sociais denunciam uma certa banalização, uma certa falta de imaginação, muita dose de politicamente correcto, muita carneirada, muito desejo de palmadinhas na costas, em alguns casos, certamente, uma boa dose de hipocrisia, vontadinha de falar para não acrescentar NÉPIA e sobretudo, carradas do espírito "ai que bonzinho que eu sou".

Eu própria lhe dediquei um post no Verão passado, quando pregou um susto a -literalmente - todo o Mundo. Mas se respeitamos uma figura, façamos o favor de não a vulgarizar. Por muito que se admire o percurso de Nelson Mandela, a verdade é que 90% da população não teve o privilégio de privar com ele. Respeite-se então a dor real de quem lhe vai mesmo sentir a falta.

A prova suprema ( e cómica) do estado attention whore em que o mundo se encontra, malzinho, na última, será Kanye West a dizer que é o próximo Nelson Mandela, num apelo óbvio à atenção viral. A sério? Podiam começar por enjaulá-lo durante 20 anos de pijama às riscas, longe dos trapinhos de designer que tanto gosta de desvirtuar, e já víamos a fibra do rapazola - quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele. E ao menos ficava caladinho. De novo, haja respeito.

Menos, minha gente. Menos.


Os dois vestidos do dia.


Daqueles que me colocam no bom e velho dilema entre "sheath dresses nunca são demais" e  "lembra-te dos que já tens, fora os que estão na costureira para acertar na cintura"(e no caso do primeiro provavelmente era o que aconteceria, já que a marca só vende a partir do 36). A Dorothy Perkins é daquelas lojinhas que tem pacto - ou seja, no quesito vestidos é uma Dolce & Gabbanna em versão mais acessível.  Nunca falha em ter os modelos clássicos que colecciono (e que nunca passam de moda, mas são difíceis de encontrar como tudo). É tão giro, tão giro tão giro com os botões militares. E existe em burgundy. Um amor. Só tem um defeito: a manga, que devia ser mais curta, versão cap sleeve, ou a 3/4. Esperar pelos saldos? Decisions, decisions.


                                     

E este Manish Arora - magnífico, mas um bocadinho caro tendo em conta o modelo demasiado arriscado para a minha silhueta. O decote muito fechado limita-o (para que seja usado na perfeição) a meninas com pouco busto, ombros de passarinho e alguma anca que queira disfarçar. Ainda assim, é um espanto.

                               


Ideia de styling do dia: uma forma elegante de...


...dar uso aos coletes farfalhudos de peles que andam lá em casa, e que teimam em não abandonar as tendências, experimentando uma abordagem mais clássica. E de tirar partido de alguns cintos vintage subaproveitados. Os coletes nem sempre serão uma peça muito prática, mas têm a vantagem de aquecer o suficiente naqueles dias frios, mas em que precisamos de nos mexer bastante (para carregar sacos, por exemplo). Uma boa camisola de caxemira ou outra malha de qualidade, uma carteira bonita e já está. Creio que o mesmo visual também resultará acompanhado de umas belas calças de alfaiataria, estilo anos 50 ou saruel - com botas de cano longo, estilo amazona.

Friday, December 6, 2013

O fim da "slut decade"‏

A imprensa da especialidade anuncia o (Aleluia irmãos!) fim de “la moda da putt**na” - que isto, na minha terrinha dizem-se as coisas sem eufemismos e mais nada. Neste momento, aquilo que se cobre (ou o pouco que se descobre) passou a ser mais sexy do que muita pele à vista. O conceito já não é novo,  mas o golpe final na slut decade parece estar por dias. At last.

Ou seja, os execráveis bandage dresses, mini saias de lycra, saltos de stripper e demais trapinhos ordinários que fazem as delícias de um certo público têm os dias contados, muito graças a (salve, salve) Valentino. Finalmente, começa a passar-se a mensagem de que andar por aí vestida de profissional do sexo NÃO é normal, não é bonito, objectifica e não é aceitável. Afinal, nenhuma rapariga bem formada gosta de andar por aí a atrair o tipo errado de atenção. Que é o que acontece quando se tem um closet de pesadelo barato assim:
                                        



                    

Ok, respiremos que o momento Cruz Credo já passou.

 As mulheres (e raparigas) começam outra vez a querer ser vistas como alguém que, surprise, também tem cérebro. E um bocadinho de dignidade feminina.
 Como tudo na moda é cíclico, porém, corremos o risco de passar de 8 a 80 (ou neste caso, de 80 a 8...): o regresso do grunge, os oxford shoes e loafers, a androginia chic...tudo isso são reflexos do cansaço provocado por tanta exposição de pele, pernas, coxas, etc. Procura-se uma estética mais etérea, mais feminina, mais delicada e romântica ou simplesmente cool. O reverso da medalha é que se pode cair em todo um look man repeller - ou seja, pouco feminino. 
 Pessoalmente, fico-me pelo recomendável meio termo: sou toda por alguns visuais roubados ao armário dos rapazes que agora voltam à ribalta ( as muito Yves Saint Laurentianas peças inspiradas nos smokings, os loafers com salto, o power suit, inspirações de Marlene Dietrich, Audrey e Katherine Hepburn) e pelo (já muito explicado por aqui) estilo Ladylike dos anos 50 e 60: ou seja, mais Mad Men e Sophia Vergara, mais Marilyn Monroe e Brigitte Bardot, mas nunca pussycat dolls. E freira tão pouco. 

O que se procura são peças de extrema qualidade no tecido, corte e modelagem. Um visual que pareça polido e dispendioso (pensemos nas imagens de marca de Dior, Balenciaga, Armani e Stella McCartney) sexy ou cool, mas mas jamais vulgar.

No entanto, a ordinarice é como a pobreza e as baratas: há-de existir sempre, venham as tendências que vierem...

Aldeia do Pai Natal, versão outlet. Dos bons.

                          

...e uma boa desculpa para dar um pulinho ao Reino Unido. A uma hora de Londres, na bucólica aldeia de Bicester  (longe da correria, dos empurrõezinhos, da confusão...) 
esconde-se um pequeno paraíso ao ar livre, onde cada casinha é uma loja de griffe: Bally, Armani, Céline, Loro Piana, Fendi, Dior, Gucci, you name it: uma aldeia do Pai Natal para fashionistas empedernidos em busca de bons descontos mas com medo das multidões.

O modelo destas aldeias de consumo seleccionado reproduz-se um pouco por toda a Europa (Dublin, Paris, Milão...) com pequenas diferenças na oferta de uns shoppings (bom, não me atreveria a chamar shopping a isto, mas é a designação que tem..) para outros.

 Por cá bem se podiam adoptar formatos parecidos, em vez dos mega centros comerciais larger than life com ar de nave espacial. Mas com o horror que o português tem a tudo o que não pareça "urbano" tenho cá as minhas dúvidas quanto ao sucesso da ideia. 

Thursday, December 5, 2013

Momento "bem empregado estalo".

                                                    

Calculo que já vos tenha acontecido uma destas - um momento de clareza irónica do Universo.

Por alguma razão, uma pessoa das vossas relações, que habitualmente é fofinha e de confiança, deu provas (provas inesperadas, se calhar circunstanciais, mas daquelas que vos deixam com a pulga atrás da orelha) de não ser assim tão fofinha, nem tão de confiança como isso. Dá-se a devassa inevitável para esclarecer o equívoco, a pessoa jura aos pés juntos que não se passou nada disso, mas o assunto cheira a esturro que parece coisa má.

Os ânimos aquecem, e zás - vocês descontrolam-se e sai um estalo (que pode ser literal ou simbólico). 

Depois a coisa passa. A pessoa continua a ser fofinha e aparentemente de confiança, uma pérola, e vocês ficam com a peripécia na cabeça, a pensar "ai que injusta que eu fui, perdi mesmo a transmontana, que maldade" até que, por circunstâncias da vida que nada têm a ver com o episódio esturricado, há um afastamento natural e ficam imenso tempo sem ter notícias da dita cuja.

Mas eis que o Universo, que adora descobrir carecas, vos presenteia com provas (nada circunstanciais, mas inesperadas) de que afinal o vosso instinto estava correcto. De que a perfídia aconteceu toda como suspeitaram. De que não houve ali injustiça coisíssima nenhuma, a pessoinha queridinha mentiu com os dentes todos.

E como é que se fica? Pois, fica-se entre o alívio do "bem empregado bofetão" e a zanga interior de não ter posto cobro à proximidade mais cedo, adicionada ao remorso de ter tido remorsos, quando afinal só se perderam as que caíram no chão.

 Se grasna como um pato e anda como um pato então se calhar é mesmo um pato - mas porque é que há tanta dificuldade em pôr isto em prática? Ah, a ingenuidade. É um pratinho para o cosmos.

Wednesday, December 4, 2013

Veruschka von Lehndorff: burguesa, jamais.

                    Veruschkan

A história de Veruschka, a Condessa prussiana tornada supermodelo antes de as supermodelos estarem na moda, é digna de romance. A sua carreira demoraria um pouco a impôr-se, mas as maçãs do rosto inacreditáveis, a longa cabeleira loura, os olhos azul gelo e os lábios de quatro assoalhadas associados a uma figura de valquíria (delicada apesar do seu 1,90, pouco habitual mesmo entre manequins) tornavam-na única e definiram o que seria a modelo a partir de então. Se Twiggy, Penelope Tree e Jean Shrimpton eram as raparigas a copiar...Veruschka era inimitável.

 Vera Gräfin von Lehndorff-Steinort , filha do Conde  Heinrich Von Lehndorff e da Condessa  Gottliebe von Kalnein, nasceu em 1939 e cresceu na secular propriedade da família, na Prússia Oriental. A existência idílica chegou ao fim quando o pai, militar, tomou parte na conspiração de 20 de Julho para executar Hitler. O Conde foi enforcado como traidor e a família (Vera, a mãe e as irmãs) enviada para campos de trabalho, onde permaneceu até ao final da II Guerra. No fim do conflito, não tinham casa para onde voltar. Vera viveria em Florença e mais tarde, Paris, onde foi descoberta. Mas seria em Nova Iorque - onde se vestia de preto e visitava os grandes fotógrafos com a maior audácia que conseguia reunir - que o seu exotismo acabaria por vingar. No pico da carreira, ganhava 10 mil dólares por dia.

 Senhora de si, abandonou a indústria no início dos anos 70 - quando Grace Mirabella, então editora-chefe da Vogue, insistiu para que "cortasse o cabelo e se tornasse mais como as outras modelos". Sobre o incidente,  Vera diria " Grace Mirabella queria que eu fosse burguesa, e eu não queria sê-lo. A partir daí percebi que o meu momento tinha passado".  Saiu em grande, o ícone ficou.

Ocasionalmente, ainda prestigia as passerelles. E com 71 anos, continua a ser uma linda (e em todos os sentidos) grande senhora.




Love means never having to say you´re sorry.


                              

    As desculpas não se pedem, evitam-se. E quem ama não obriga o outro a pisar ovos. 

A frase batidíssima na imagem acima nunca me disse muito, porque não tenho nada contra o nobre e natural  acto de pedir desculpas.
 Se uma pessoa fez um disparate, se se excedeu, cometeu um lapso, falou demais ou de menos, se esqueceu, exagerou... em suma, se errou e está arrependido, o mais normal é que o "desculpa" saia automaticamente. 

Mas o "forgive me" ou o ainda mais espontâneo "I´m sorry" só valem alguma coisa se acompanhados da intenção de corrigir o problema. Já me pediram desculpa esperando continuar exactamente na mesma, mantendo o mesmo comportamento - como um pecador que vai ao confessionário, cumpre a penitência e mal sai da Igreja repete a graça. Por isso, o "desculpa" em si mesmo, isoladamente, vale muito pouco. É meramente simbólico. Há muitas formas de mostrar que se lamenta sem o palavrão, sem essa formalidade que se pode perfeitamente dizer da boca para fora. Nem todo o  "desculpa" é sincero.

Como nunca me fez diferença desculpar-me, a citação do filme (lamechas mas com um figurino fabuloso) costumava passar-me ao lado. Não sou tão orgulhosa que me custe pedir desculpa, não é por aí que deixo de me entender com as pessoas. 

Só recentemente  atingi o significado do cliché, que não tem nada de profundo: primeiro, as desculpas não se pedem; evitam-se, lá diz o povo. Melhor que estar sempre pronto a pedir desculpas é ter cuidado para evitar situações que magoem. E isto de parte a parte, porque se as pessoas forem do género de se melindrar com tudo e mais alguma coisa, levantar pés de vento por cada palavra que lhes dizem, não se faz mais nada senão pedir desculpa e o desgaste é inevitável.

O que me leva ao segundo ponto: entre pessoas íntimas, que partilham tudo, as desculpas constantes são desnecessárias. Quem nos ama não nos obriga a pisar ovos: há um cuidado mútuo para evitar melindres, mas se surgirem desvanecem-se com carinho. Pessoas que se amam estão à vontade umas com as outras para dizer o que têm a dizer, para discutir o que for necessário, para brincar e para se reconciliarem  quando pisam o risco.

 Uma relação íntima ou familiar não tem a distância nem a rigidez  de um conhecimento profissional ou social. Mesmo que surja um desentendimento há a confiança de saber que dali a  pouco fica tudo bem - que um beijo, um abraço, uma piada resolvem o arrufo.

O amor implica respeito, mas contém alguma elasticidade e conforto: o amor não admite o medo constante de ofender. Não desaparece com a ausência de "desculpas". Não convive com a tortura psicológica que é o amuo, a retaliação, o "não falo mais contigo", a culpabilização, o jogo de poder, o desejo de ver o outro rebaixar-se, vir às boas, "pedir batatinhas".

Não que pedir desculpa rebaixe alguém - mas exigir constantemente a desculpa, o mea culpa, é uma forma desorientada de gostar de quem quer que seja. 

Onde há amor, há  segurança: a segurança de saber que o outro não vai a lado nenhum. A confiança de um porto seguro. O baixar mútuo de defesas

. A necessidade constante de ouvir o desculpa não passa de vaidade. E lá está - o amor e o orgulho nunca partilham o mesmo tecto. O amor não pisa ovos. Nem se alimenta de desculpas.

Tuesday, December 3, 2013

Bolshoi: já nada é belo neste mundo.

                     
Ataques com ácido, escândalos sexuais, lutas pelo poder, corrupção...o Teatro Bolshoi, que enfrenta a pior crise desde que foi fundado no sec. XVIII, é a prova provada de que cada rosa tem os seus espinhos. 

Chega a ser desanimador pensar nestas coisas: o poder atrai cobiça, a riqueza atrai ganância, a beleza gera obsessão e inveja, o sucesso pode tornar as pessoas em monstros, e o amor bem, esse...há sempre alguém que não pode ver a felicidade alheia. Tudo o que luz é magnético para quem vive na escuridão. 

Ver casos deseas quase provoca medo do sucesso. Só quem nunca lidou com ele, não viu de perto a fortuna, a beleza ou a perfeição pode pensar que tudo é bonito em certas esferas - ou em certos cenários. Além das lutas internas, há sempre os movimentos de quem, lá de baixo, cobiça a mesma coisa mesmo não tendo as qualidades para reinar - ou entrar - no suposto Olimpo.

Mas a fobia do êxito é um mal terrível, que é preciso exorcizar. Esconder-se nas sombras para não melindrar quem nunca de lá saiu é a pior forma de viver. Deixar o brilho interior fazer o seu trabalho sem se corromper, não se contentar com menos por receio dos oportunistas rapaces e continuar a arriscar num mundo que não respeita a beleza e a harmonia das coisas é de facto uma arte para valentes. ´

E requer um equilíbrio de bailarino, passe o trocadilho.




Like a rolling stone, Menino Jesus, please!



Ronnie Wood, dos Rolling Stones, decidiu emprestar o seu talento para a pintura a uma magnífica écharpe, inspirada num dos quadros do músico - que passa largas temporadas na Irlanda a desenhar cavalos em movimento. Ora, uma rapariga não pode aguentar tudo: poucas bandas têm o cachet icónico dos Rolling Stones (e respectivas namoradas/mulheres/musas) no que se refere a estilo.
 Depois, eu já vos disse que tenho, como a vilã de O Diabo Veste Prada, uma ligeira obsessão por écharpes - só proporcional à minha capacidade para as perder, que me faz andar a alma num susto.
 E ...come on! - Irlanda? Cavalos? Uma modelo ruiva a publicitar o lencinho numa produção que mais parece ela própria uma pintura? Tenham dó de mim, é muito a minha cara, é tortura, não se faz, é conspiração contra a minha carteira, Misericordiazinha.
 Valha-me que a obra prima vale mais pela beleza do que pela composição: 10% caxemira...90% modal. Isso é que era escusado, e lhe retira (a meu ver, vá lá) o estatuto de irresistível. Mais se poupa- paciência. 

*Mas se o Menino Jesus se lembrar, estilo "não mereces mais que 10% caxemira e não digas que vais daqui" não me faço esquisita - nunca fui de torcer o nariz àquilo que o Céu me envia, quanto mais a um lenço assinado por Ronnie Wood*.

rolling-stones-scarf


Monday, December 2, 2013

E pronto, a namorada do Governador acabou com ele...

                           

...literalmente. Sayonara, baby. You had it coming.  O  cavalheiro era uma estampa, zarolho e tudo, mas a beleza acompanhada de ideias de destruição não dá bom resultado e só porque alguém aparenta todo o porte de macho alfa (tanque de guerra incluído) não quer dizer que ate coisa com coisa. É triste, mas certas pessoas só estão bem a escangalhar tudo o que tocam: possibilidades, portos seguros, relacionamentos.  Há homens com quem não se pode mesmo negociar *snif, snif*.  

Sabem aquela sensação "és muito lindo, muito lindo, mas já não te posso ver à frente?".                                                                         
                               Isso.

Momento altamente improvável da semana: leggings are NOT pants‏

                 

...lá dizia a Blair Waldorf - e com a audiência doida de Gossip Girl, não percebo como é que não se captou a mensagem. 
Anyway, esta semana fiz algo que poderia parecer, à primeira vista, que eu estava a quebrar os meus próprios mandamentos ;  um momento ainda- bem -que -eu -não -sou-famosa-para-não-ser-injustamente-acusada-de-perjúrio: quem me visse, julgaria que eu estava a comprar leggings. Na Bershka. Mas não estava. 

Já partilhei por cá que não considero as cadeias de fast fashion o melhor lugar para investir muito/frequentemente  ou antes, tenho regras próprias para isso (enunciadas aqui e aqui). Depois, tenho uma birrazinha com centros comerciais: não gosto de me demorar neles mais do que o tempo estritamente necessário.

De modo que só me vêm nas Zaras deste mundo a correr, em horas mortas e por três razões possíveis:

a) preciso de renovar básicos (t-shirts de bailarina de manga comprida, por exemplo) e sei que aquela loja os faz bem;

b) no lookbook da dita marca saiu alguma coisa que uso sempre, ou que colecciono, ou que é mesmo aquilo que ando à procura (sei lá, um vestido de alfaiataria, botas de couro preto, aquelas calças cigarrette que a Zara faz lindamente, ou as camisas de algodão estilo vitoriano da Stradivarius).

c) no lookbook da dita marca saiu alguma coisa que uso sempre, ou que colecciono, ou que é mesmo aquilo que ando à procura...e há saldos, para eu despachar tudo de uma vez, com tudo o que gostei da colecção e não me maçar mais com o assunto, além de me custar menos. A horas calmas, claro. Deus me livre de andar à batatada por um trapo com 50% de desconto. Seja que trapo for, nem por Dior.

E eis que sucedeu uma dessas três razões. Reparei que umas calças de amazona (já lá vamos...) por acaso da Bershka, pasmem, me caíram na perfeição. Espessas e estruturadas q.b, mas lisas o suficiente para não marcar nada sob túnicas ou camisolas. E queria outras, em preto. Por isso, passei primeiro pela Zara, que costuma ter riding pants acessíveis e de boa qualidade: mas as que havia deixavam a desejar. Nada feito, voltei à fonte. Fechei os olhos à proliferação de vestidinhos mínimos com cortes laterais, calçõezinhos com tachas e sapatos duvidosos e fui direita ao que me interessava. E encontrei, por um preço ridículo.

Agora, nota bene: calças de amazona, que são um básico no vestuário, um clássico e perfeitamente aceitáveis e nunca leggings. Não deixem que vendedores mal informados vos enganem, chamando leggings à coisa. 



Foi o que aconteceu durante a busca e tive imediatamente de corrigir a senhora, porque senti a urticária a subir por mim acima com o mero pensamento de julgarem que eu estava a comprar...leggings. Yuc.  Calças de amazona são feitas de malha espessa e reforçadas nas zonas críticas. Podem eventualmente ter aplicações em couro, mas geralmente apertam com um botão e/ou um zipper e são sempre muito mais firmes do que quaisquer (cof, cof) leggings. 

Uma mulher de gosto dificilmente usa leggings, ou se usar é como se deve (nomeadamente, para fazer exercício). 

Mas provavelmente, usará antes calças de amazona ou quando muito, jeggings (jeans com textura de leggings que também servem para usar sob camisolas compridas). 


Anyway, a volta teve as suas vantagens ou desvantagens. 


1 - Apaixonei-me por uma sweatshirt de jacquard mais que perfeita (Pull& Bear) que sinceramente, me apetece guardar para depois. É muito gira, muito gira mas não tenho grande empenho em andar por aí com uma peça altamente reproduzida.

                                                                               

2- Reparei que a Bershka faz bodies. Certo, a maior parte é um terror, com rendinhas e aberturinhas e ordinarices. Mas tem modelos como este, o que deve dar imenso jeito para quem, como eu, gosta de trazer o top por dentro das calças ou saias sem fazer rugas. E mangas 3/4. Creio que vou passar por lá de relance e trazer uns quantos exemplares comigo. Acho que aguento.


                                           

Sunday, December 1, 2013

O amor e os seus sine qua non

                          

Pondo de parte a paixão e a química - já que neste blog não se consideram as relações " assim assim", mas só os amores que valem a pena, dignos de encher páginas de romance e capazes de tirar o sono a uma pessoa ( ora abóbora - ou é amor ou não é; a vida já tem tantas coisas chochas e maçadoras que se é para isso, mais vale gastar o tempo com um bom livro, ou às compras, ou a viajar pelo mundo) - há cinco coisinhas indispensáveis para que um relacionamento a sério funcione.

Respeito

Respeito pela sensibilidade do outro (sabendo que o que não é importante para nós pode ferir o parceiro) respeito pela pessoa com quem se aparece em público  (não fazendo coisas que possam envergonhá-la ou melindrá-la) respeito pelos termos da relação (todos os casais traçam limites do que é e não é admissível) respeito pelo cansaço/tristeza/mágoa do outro, quando é caso disso.

Responsabilidade

Um relacionamento é como outro projecto qualquer. Ou uma planta, um bicho de estimação, qualquer coisa que esteja a nosso cargo. Melhor ainda, um tamagochi: não se pode tratá-lo de forma displicente, largá-lo pelos cantos, querer só as partes bonitinhas, fazer só o que dá na gana sem considerar os sentimentos da outra parte, desligá-lo e voltar a ligar quando dá jeito e ainda esperar que funcione. Isso pode resultar em relações casuais - mas lá está, nessas não se conta com exclusividade, lealdade, constância, respeito ou paixão. Quem está de facto apaixonado não suporta os meios termos de uma relação casual, on/off, aberta -  logo, não pode jogar por essas regras. Isso é o mesmo que lavar um vestido de seda na máquina com o programa para jeans e esperar que saia intacto...



Compromisso

Embora uma relação saudável respeite o espaço, identidade e individualidade de cada membro do casal (não há nada mais enjoativo que casalinhos desesperadamente pegajosos) ao entrar numa aventura a dois ambos prescindem de coisas, nomeadamente de flirtar "inocentemente" por aí. Quem investe numa relação com um olho no burro, outro no cigano, com medo de perder não se sabe o quê enquanto prende de forma egoísta a pessoa por quem diz estar apaixonado (a), faria melhor se estivesse quieto. Afinal, a outra parte também está a prescindir de pretendentes e de conhecer pessoas novas. Aqui aplica-se a velha regra "não faças aos outros...". A "prisão" é para os dois lados. Há que "querer estar preso por vontade" e fazer opções, porque nestes casos não se pode ter o melhor dos dois mundos.


 Honestidade, objectividade e flexibilidade

São essenciais para jogar em equipa. Expor o que se sente, não deixar que situações desagradáveis se arrastem, proteger-se um ao outro, evitar segredos e ser capaz de desculpar. Deixar um arrufo para o dia seguinte, prolongar amuos, agir só em função de si mesmo...tudo isso são venenos escusados.

Serenidade

Mesmo nos momentos piores, há que morder a língua e não perder de vista o mais importante. Face a uma crise, por muito graves que sejam as questões a resolver, há que manter prioridades: e se a prioridade é estar juntos, não deixar que as condições do momento, a raiva ou o orgulho ferido desviem o casal do objectivo. Perder a cabeça inviabiliza a comunicação, polui o discurso e no fim da discussão, só se abriram velhas feridas sem resolver nada. Há detalhes que é melhor não resolver ou polir no imediato - Roma e Pavia não se fizeram num dia, e mais vale recuperar aos poucos do que mandar o Coliseu abaixo na ânsia de o restaurar de uma vez. Como em tudo na vida, no amor o caminho faz-se andando...

Botas longas sim, mas...com modéstia.

                                                  Altuzarra Stretch Leather Thigh-High...

  •      Céline e  Altuzarra 



    Já tinha mencionado aqui as botas overknee, que se mantiveram em voga desde o Inverno passado mas nesta estação se popularizaram em versões mais longas ainda: thigh high ou mesmo legging boots. 

    Ora, botas longas estão associadas a uma série de ideias, nem todas favoráveis: cá em casa comentou-se mesmo que as autoridades masculinas do lar não gostariam nem um bocadinho que eu fizesse um post sobre elas. 

    Mas aí está o fulcro da questão: o senhor pai e o senhor mano, árbitros da elegância que compete a raparigas bem comportadas, já me viram várias vezes com overknees calçadas e nem deram por nada. Essa é toda a ideia de usar bem estas botas, em qualquer versão. Servem para alongar a silhueta, para dar graça a um look boho mas acima de tudo para esconder favoravelmente as pernas e NÃO para as mostrar , como diz e muito bem a querida Joana Emídio Marques neste vídeo que explica tudo.

     Contraditório?
     Talvez, mas é nas fronteiras difíceis que reside a arte de fazer as coisas com estilo. 


    Em suma, a ideia é parecer assim...
                                    




    mas jamais ASSIM:


                        



    Ora, há várias formas de usar as botas extra longas sem atrair atenção negativa, tendo sempre consciência que a maior parte destas botas exigem pernas elegantes.

    1- Saltos baixos: esta é a versão mais democrática. Um tacão razoável, ou quase inexistente, transforma a bota overknee numa peça prática e discreta, que pode ser usada por quase toda a gente sem problemas. Acompanhe-se de um visual boho ou preppy - ficam fabulosas com belos big coats  de pele, como mostra Olivia Palermo. 



    2- Manter o resto da toilette sóbria e despretensiosa:




    Esta dica de styling é especialmente valiosa para os modelos um pouco mais vistosos, estilo pirata (ou seja, mais largos na parte superior do cano) mais claros/coloridos ou com atacadores. 

    Usar as botas com vestidos ou saias preppy (tartan, por exemplo) ou românticas, acompanhadas de malhas fofas, blazers, camisas ou pullovers pouco decotados, calças skinny ou de amazona equilibradas com peças volumosas na parte de cima e casacos largos ajuda a chamar a atenção para o look em si e a não focar todo o protagonismo nas botas, que de outra forma ficariam vulgares.










    3- Botas que escondem tudo: para isso são necessárias umas  legging boots ou thigh high boots, como as de Emilio Pucci, Céline e Christian Louboutin. 

    E estes modelos não são fáceis de encontrar por enquanto, a não ser que estejamos dispostas a fazer um investimento considerável.  Em tecido ou pele macia, convém que sejam de excelente qualidade, totalmente justas, sem enfeite algum e lisas, para que adiram completamente à perna.Como se fossem umas meias opacas. 

     Assim, podem usar-se mini vestidos ou saias curtas sem mostrar rigorosamente nada de mais. Mas atenção: a bainha da saia TEM de cobrir a bota, para que não se veja onde começa uma coisa e acaba a outra. A ideia não é uma figura provocante, vulgar, mas sim de pernas infinitas.  (Reparem que a modelo tem uma das botas um pouco mais abaixo, mas apenas para que o consumidor note que tem umas botas...efeito a evitar na rua!). Prático, quentinho e sexy, mas adequado.



            


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