Recomenda-se:

Netscope

Saturday, December 14, 2013

Look genial do dia: Florence Welch

                           

Boho, com um toque de vintage e as cores (acobreados, verdes) que caem na perfeição às ruivas. Assim se viaja em grande estilo. What´s not to love? Vou copiar tanto, mas tanto, que se não fizesse questão de pôr sempre um toque pessoal em cada coisa que adopto para mim, podiam chamar-me copiona à vontade. Genial.

Wish I could be part of your world? Bem, depende.



Diz uma boa e querida amiga minha que certas mulheres precisam de aprender a ser mais flexíveis, vulgo Pequenas Sereias em potencial (a tal que se fez humana e largou a sua vidinha toda para ir atrás do Príncipe). E depois põe-se a gozar comigo, a dizer que se o Príncipe fosse um brutamontes quem não se adaptava nem tomava poções era eu. Deu-me que pensar: só por muito amor uma pessoa se ajustaria a certas coisas.  Ajustaria?  Cada um tem os seus limites, e o meu é traçado perante evidências pouco polidas e de moral/aspecto questionável.  A minha fronteira é desenhada aí e daí não me tiro. Só com um bruxedo da Bruxa do Mar, e olhem lá...
É que ficar sem voz por amor é canja, o pior é o resto. Se o Príncipe Eric em vez de ser simplesmente humano, caminhar em chão firme e viver rodeado de "cobardes, selvagens, devoradores de peixes" tivesse hábitos, gostos e amigos duvidosos, queria ver se ela fazia o sacrifício, ou se largaria *literalmente* barcos e redes para fazer parte do mundo dele, por mais atraente que o rapaz fosse. Se além de viverem em mundos diferentes tivessem formas diferentes de pensar, se o que estava bem para o Eric fosse o fim do mundo para a Ariel e ele sem perceber nada, a achar que não estava a fazer nada de mal e ela toda ofendida, o caso não se resolvia só com poções mágicas. E depois, porque é que teve de ser ela a virar-se do avesso? Ele também se podia mudar, não? Ou mudar um pouco - é justo, já agora. Para melhor muda-se sempre, e são precisos dois para dançar o tango, eu acho... Just wondering
Ou isso, ou não tenho jeito para princesa Disney, se bem que o meu cabelo anda a ficar um bocadinho grande...


Pantalonas. Como Katharine Hepburn.

30WardrobeEssentialsHoliday_2

 Pata de elefante ou de corte masculino, as calças folgadas de alfaiataria são um básico de guarda roupa que nos remete para Marlene Dietrich e Katharine Hepburn (que as usava assim, largueironas, para realçar a sua figura esguia de salgueiro). E com a tendência da androginia, das aventuras sartoriais pelo armário dos rapazes, do smoking - este clássico não podia estar mais in
O meu closet tem bastantes, nos vários modelos, padrões e cores: algumas são mesmo calças masculinas de tamanho XXS devidamente ajustadas: é que a cintura bastante subida garante que não caem e nas adaptações femininas, por vezes não é bem assim.  Raparigas magras de cintura vincada têm nestas calças um grande aliado.
São uma alternativa às minhas adoradas (e também de inspiração masculina) calças cigarrette, mas bastante mais não-te-rales...e um bocadinho mais exigentes na hora de combinar.
Malhas de boa qualidade usadas por dentro ou camisas (de prefência, em seda) ligeiramente folgadas ma non troppo (recomenda-se o máximo de botões abertos dentro da decência)  ou blusas cintadas e saltos com alguma compensação + um pouco de maquilhagem  são essenciais para fazer o look funcionar. Isso e carradas de confiança: é preciso estar confortável dentro delas para transmitir a sensualidade enigmática que esta silhueta longa e arrapazada permite.
Pensem nas espias fatais dos filmes clássicos dos anos 40, com um toque de moderno desalinho, e estão no caminho certo.

Friday, December 13, 2013

8 sinais para dar...tipo, desprezo nítido.‏

Porque há coisas tão desagradáveis à vista, tão...reles, que provocam urticária a uma pessoa e passam a quem as usa um atestado de intocável.  E por conseguinte, carimbam a ferros o  mesmo atestado em quem compactua com coisas assim. Yuc. Devia existir um botão "block" para fazer sumir estas coisas da vida real, mas a tecnologia ainda não evoluiu assim tanto (fingers crossed)  por isso serve a linha de orientação para perceber as pessoas com quem não é recomendável, a bem da boa imagem e boa conduta,  conviver de perto, nem mostrar a  ninguém, ter no círculo de amigos, apresentar à família...mas esperem lá, isso é comum e básico bom senso. Aqui fica, só por carolice, um estudo antropológico amador:o mapa de orientação para detectar seres indesejáveis, vulgo trashy, em menos de um Credo. 

                                         
1-Nail art assustadora: não existe nada pior, por Júpiter. Um pequeno desenho ou um verniz de fantasia ainda vá que não vá, mas garras decoradas dão a qualquer uma um ar de manicura de bairro social, isto na melhor das hipóteses - e sem insulto às manicuras porque as há honestas e decentes, daquelas que não se entretêm a ver a casa dos segredos nem a ler a TV7 dias, nem nada.

                                                           


2- E por falar nisso...fazer partilhas virtuais de notícias da Casa dos Segredos. Ou passatempos da família Carreira. Ou piadinhas brejeiras/escatológicas/constrangedoras. 
A sério, isso não tem graça. Nem como piada. É, simplesmente, muita baixaria junta. E um carimbo de mau gosto.  Fazer "gostos" em imagens como as descritas abaixo cai exactamente no mesmo nível de chinelagem, que isto "tão ladrão é aquele que vai à horta como aquele que fica à porta". Fazer ou aprovar, vai tudo dar ao mesmo. 




3-O look alternadeira: bandage dresses baratos que mal tapam a (suposta) roupa interior? Check! Poliéster, lycra, calções de poliéster, renda sintética (e elástica!)? Check!  Sapatos de plástico, tudo acompanhado de um físico estilo bailarina da coxa grossa e devidamente documentado em selfies grosseiras, vulgo anúncio de acompanhantes? Check! Seriously? Como é que esta gente tenciona arranjar emprego? Ah, esperem, já imagino, deixem-me ficar caladinha...

                                    
4- O look alternadeira- disfarçada -de  -decente: esse ainda é mais divertido. Não há nada mais engraçado do uma rapariga que sempre teve mau ar toda atrapalhada, a tentar mudar de visual à pressa (para impressionar um potencial empregador ou um potencial candidato a golpe do baú). Mantém-se o poliéster, a lycra e os sapatos de plástico mas 
acrescenta-se uma écharpe do piorio e descem-se um bocadito as saias de lycra. O resultado? Sabem aqueles filmes para adultos em que a  secretária totó se transforma em dominatrix, e a fatiota é daquelas com molas que salta fora inteira com um simples puxão? Isso!           

5- Os retratos ordinários tipo anúncio de acompanhantes...nos perfis das páginas deste mundo de Deus. Enough said. 
              

6- Citações de engate desesperado

Obviamente, partilhadas nas redes sociais na tentativa de fisgar/comover/ oferecer-se claramente à pessoa inatingível que está para lá de Bagdad. O copy/paste de frases sórdidas e pseudo eróticas de autores light também vale. Sinceramente, nada é tão foleiro nem mostra tanta falta de dignidade como estas "granadas virtuais". Imaginação e decoro, anyone?


7- Cabelo ghetto style:

Geralmente, pintado de preto graxa (ou com madeixas mal feitas) esticado com um cilindro industrial e com ar de sujo. Quando está mesmo sujo (n-o-j-o) arremata-se-lhe com um rabo de cavalo, mas não qualquer um: tem de ser super arrepiado e com gel. Acompanhado de argolas, então, é o supra sumo. Já mencionei o ar lambido e sujo?

                         

8 - O homem ideal: para estas desmioladas só existem três: o estilo Justin Bieber, o estilo Cristiano Ronaldo e o estilo bimbo de ginásio, espécimes que têm em comum muito mau ar e muito gel no cabelo. Não quer dizer que outro qualquer que apareça não lhes sirva *afinal não é fácil encontrar quem as carregue, ou tenha a cara de pau de andar com elas na rua* mas essa é a imagem a divulgar e elogiar...afinal, quer-se lé com lé e cré com cré, certo? Valha-nos isso. Com muitos "x" e linguagem de SMS à mistura. "Lindhu".  Credo. Na versão masculina do mais puro trash, as preferências vão para o tipo de fêmea roliça e escassamente vestida explicada nas categorias acima.


                               RUN!


Streetstyle "tentem isto em casa" do dia‏

              

1- Um truque de styling que tenho adiado é o uso daqueles senhores casacos de pele vintage...para o dia. A fórmula Kate Mossiana calças skinny + top+ botas longas ou stilettos para a noite é uma das minhas soluções preferidas se a ocasião é informal, mas confesso que há muito que  não levo à rua as minhas peles mais farfalhudas antes de o sol se pôr. Colocado displicentemente sobre a roupa, como se de um robe se tratasse (estilo "não tive tempo de elaborar uma toilette e precisei de atirar um casacão por cima para disfarçar) ou apertado com um cinto grande (e extra justo) sobre um um outfit mais elaborado, eis uma receita vencedora, very stylish e extra quentinha. Afinal, se não usarmos peles fofas  por este frio, vamos andar com elas quando, hein?

2 - Há dias preguei que prefiro ver as botas overknee a cobrir completamente a perna e/ou com meias escuras, mas ignoremos esse detalhe e repare-se que a saia  curta de pregas/kilt, mui preppy, é uma das combinações ideais para as botas do momento. Já tenho uma, à espera do dia certo para fazer a fatiota, e mal posso esperar. É favor lembrar que a parte de cima deve ser o mais púdica possível: da camisola de gola alta em caxemira a camisas com golas ou laçarotes, vale tudo desde que seja tapadinho e com muito bom ar. 
O toque final é dado pelo oversized coat: de tweed, oval, masculino, roubado ao armário cheio de naftalina da avó, é uma peça desempoeirada que faz  o habillé certo - tornando o coordenado chic e quase professional, longe de uma conotação demasiado sexy.

E a melhor parte? Ambos são visuais feitos, quase na totalidade,  com peças que a maioria de nós tem perdidas lá em casa. É só uma questão de pensar e procurar. 

Ainda se fazem vestidos assim‏...


                                                            DSQUARED


...Com uma modelagem tão perfeita que parecem esculpidos sobre o corpo, simplicidade intemporal que abraça as formas, drama understated e todo um glamour Old Hollywood. 

Se Lanvin (abaixo, em branco) é sempre Lanvin, DSQUARED (acima) é uma griffe que tem vindo a conquistar a minha simpatia.
                                                 
 Os sapatos, tried and true, são para ninguém pôr defeito, mas este vestido preto na proporção exacta Morticia Adams meets-Cruella De Vil com simples elegância é capaz de me derreter o coração. Até lhe perdoo o facto de ser feito em jersey de viscose (às vezes é preciso um certo comportamento do tecido, nada a fazer...). Precioso.




Thursday, December 12, 2013

Just the way you are‏.

                                                      

As frases, muito batidas em filmes românticos, "tu tornas-me uma pessoa melhor" e 

"fazes-me acreditar que consigo fazer tudo" podem parecer algo vagas, sem grande sentido. 

 Mas as relações iguais às dos filmes e romances são tão raras que de facto, não há muitas oportunidades de testar estes lugares comuns na vida real. O amor, em essência, não força a mudança do outro. Não idealiza. Aceita o ser amado e ama-o mais ainda pelas suas vulnerabilidades, pelo seu lado negro. 

Mesmo que essa faceta desconhecida possa ser assustadora no início, se o amor for a sério,  se a paixão é fulminante mas sólida, tudo acaba por ir ao lugar com respeito, com paciência, com jogo de cintura.  Pode medir-se o casal perfeito pela sua capacidade de compreensão - porque se o amor não é incondicional, é pelo menos capaz de perdoar setenta vezes sete vezes. O amor vence o orgulho e a vaidade pela sua própria urgência.

As únicas transformações possíveis são naturais: umas são conscientes, de ordem prática, e passam por abandonar comportamentos ou circunstâncias que inviabilizem a relação. As outras acontecem por um processo inexplicável: pelo desejo de estar à altura da pessoa que se idolatra, que faz acordar o ser amado com taquicardia, que lhe transmite uma alegria nunca antes sentida, uma felicidade tão grande que é quase dolorosa, que transforma cada dia numa aventura. Pelo desejo de a ver feliz. Não é que se queira mudar para melhor - simplesmente, a presença de uma emoção tão rara puxa pelo melhor de cada um

Descobrem-se mananciais de virtude, de beleza, de heroísmo. Há um polimento, um refinamento, uma maior atenção ao detalhe, uma motivação. O potencial para a evolução liberta-se porque todos os apaixonados querem estar mais perto do céu. Em última análise, o aspecto de "se tornar melhor pessoa" surge porque a felicidade tem o poder de atenuar as mágoas passadas - e quem está contente, quer transmitir a quem passa um bocadinho dessa felicidade tão difícil de conter.

 Mas tudo isso só é possível aceitando o outro na totalidade. Com a sua beleza, com a sua estranheza, com as atitudes mais e menos nobres, com as falhas, com as crises, com as lágrimas, e mesmo com os segredos tão temidos. Como em tudo na vida, é preciso enfrentar aquilo que se teme. Quando olhamos para o abismo, o abismo olha para nós. Mas a verdade é que abismos, todos temos. E se ninguém amar os nossos recantos escuros, então não se pode dizer que somos amados. é preciso passar pelo abismo primeiro.

Maldadezinha.

                                                                   
Eu até sou boa pessoa ou pelo menos tento, eu abomino a ostentação e a gabarolice e ainda por cima é Natal, tempo de paz e amor, etc. Mas enfim, o feitiozinho cá está e o aspecto arrebitado da minha natureza às vezes dá de si.  E constato, horrorizada comigo própria, que as cabeçadas das pessoas com quem embirro são mesmo cómicas. Que as suas vidas são pateticamente reles, a condizer com o mau ar e a má catadura. Depois fico com remorsos por me rir do mal dos outros. Then again as cabeçadas, ou parte delas, dependem das escolhas pessoais. Cada um tem aquilo que merece.  E em minha defesa, só embirro com quem foi mau para mim primeiro. Oh, what the hell. Deixem-me rir antes que me esqueça, e ser parvinha uma vez por outra. *Excellent*.

Wednesday, December 11, 2013

Assim se faz um cavalheiro

                                      
Um cavalheiro pode nascer, ou pode fazer-se (Beau Brummel, anyone? Não tinha grandes origens mas tornou-se no epíteto do dandy, embora dandismo e cavalheirismo não caminhem forçosamente juntos). 

Conheço senhores que por nascimento têm toda a obrigação de o ser mas se marimbam para as regras que beberam de pequeninos  por uma colher de prata;  e outros que lá chegaram pelo esforço (e grandes doses de óptima personalidade). Também conheço cavalheiros de berço que se portam como quem são e... muitos que não o sendo por nascimento nem por educação, procuram vestir essa pele. 

Mas um falso cavalheiro detecta-se rápido- por muitas atenções que tenha, por muito bem que se vista.

 Não é difícil  imitar um cavalheiro, principalmente quando se pretende agradar com objectivos não necessariamente nobres: é só comprar flores (o que é simpático, mas não essencial) fazer o beija mão, abrir a  porta para uma senhora passar.  Com algum treino e investimento também não é complicado trajar como um. 

É no carácter, nas atitudes a longo prazo e nos pequeninos detalhes, nos pequeninos gostos, que um cavalheiro a sério se separa do resto. Um cavalheiro pode perfeitamente esquecer-se de comprar rosas (afinal, é humano) ou de abrir a porta (os cavalheiros também se distraem). Pode estar de jeans coçados e barba de dois dias mas faça o que fizer parece sempre um gentleman porque em essência, é muito bem educado: ou porque o educaram, ou porque se educou. E isso nota-se à légua pois um cavalheiro...

-É selectivo: nas companhias, nas amizades, nos relacionamentos, nas pessoas que o acompanham, com quem se mostra em público e sobretudo, em relação àquelas a quem permite confiança. Mesmo que por motivos sociais ou profissionais seja obrigado a um estilo de vida high profile, o seu círculo íntimo é restrito. 

- É modesto: exigente consigo mesmo, indulgente e amável para com os outros. Não procura destacar-se, nem se faz ao elogio: o seu brilho é natural e a única admiração que lhe importa é a das pessoas dignas de admiração.

- A sua palavra vale um escrito: não foge das suas responsabilidades nem quebra de fininho os seus compromissos, como um malandro. 

- Veni, vidi, vici: quando realmente quer uma coisa, um cavalheiro não fica à espera que ela lhe caia no colo. Não faz mistérios como uma mulher, não espera ser conquistado como uma, não faz beicinho nem amua como uma criança. Um cavalheiro é, acima de tudo, um homem a sério.

- É simpático como convém a uma pessoa bem formada...mas altivo, imune à lisonja. Primeiro, porque tem mais em que pensar; depois, porque tem confiança em si mesmo e está acima dessas coisas. Um cavalheiro nunca é deslumbrado; sabe estar sem se dar ares e sem fazer um espectáculo de si mesmo.  Não chama a atenção sobre si próprio: é blasé, conhece o seu valor, logo deixa que a festa venha ter com ele em vez de ceder à gabarolice; não bajula nem quer ser bajulado.

- Tem gosto: mais do que gostos requintados, gostos de qualidade e sentido estético. A vulgaridade e a grosseria não fazem parte da sua natureza, nem lhe apelam aos sentidos.

- É corajoso: se errou, assume-o e procura reparar a ofensa; procede sempre com honra por muito que lhe custe, e não foge de um desafio ou de ouvir palavras duras, se forem merecidas.

- É fiel: no amor, nas amizades, nos compromissos que assumiu. Escolhe lados e não hesita em defender as pessoas que lhe são próximas. O pseudo James Bond, que alimenta admiradoras, que galanteia aberta e inapropriadamente cada mulher que lhes aparece seja bonita ou feia só para obter atenção, nunca pode ser chamado cavalheiro. Porque um cavalheiro, mais que fiel, é discreto - não se banaliza e detesta dar nas vistas pelos piores motivos.

- Acima de tudo, um cavalheiro é integro. Não se vende, não negoceia os seus valores, não põe em jogo as coisas realmente importantes. E isso da integridade e da hombridade até pode ser aprendido, até pode ser exercitado, mas acima de tudo precisa de ser demonstrado.

Estão a ver porque é que é muito mais fácil tropeçar em imitações? É que ser um cavalheiro a sério é uma grande, enorme CANSEIRA. Não é, portanto, para meninos...




O ano de todas as botas.

                            CHRISTIAN LOUBOUTIN


Todos os anos chego à mesma conclusão: nunca temos demasiadas botas pretas, em couro (não camurça, que é muito mais fácil de encontrar) de cano alto, com salto razoável,  fiáveis, simples, todo o terreno. E se noutros Invernos idos me queixei da falta de botas longas no mercado dada a febre dos botins, neste não nos podemos queixar: os botins continuam a fazer as delícias das consumidoras, mas as botas retomaram o seu devido protagonismo. 

O problema é que pode até haver mais botas de pele preta e macia, certo, mas depois as mentes brilhantes por trás da indústria de moda também se lembram de fazer as coisas mais artísticas, mais criativas, uma festa para os olhos...no firme propósito de nos fazer quebrar a jura "não preciso de mais botas, a não ser talvez de umas pretas simples". Um sarilho. 

Por cá, já andam umas pied-de-poule (Laura Camino) muito semelhantes a estas Roger Vivier abaixo - entre pele de cobra, camurça colorida e outros belíssimos disparates. Mas o Inverno ainda vai no adro.

                     


 Falando a sério, umas botas bonitas e de boa qualidade são SEMPRE um investimento sensato. Actualmente, com a democratização de praticamente todos os modelos de salto, cano e biqueira à solta por aí, fui recuperar muitas coisas que estavam arquivadas, o que é um excelente alivia-consciências. E afinal, dão jeito. Está frio. E é preciso fazer mover a economia ou, não indo às compras, ressuscitar o que lá anda em casa.
 Para quem vai comprar novas e para quem tem muita coisa guardada, o meu conselho é este: aproveitem a temporada para usar as botas mais estranhas que vos passarem pela ideia, porque não se sabe quando teremos tal liberdade outra vez.
 Creio que Litas e companhia são mesmo a  única coisa que (já não era sem tempo)  convém esquecer.
Tom Ford
Pollini

Gucci

Chanel
                                                                   
Brian Artwood

Emilio Pucci

                                              

                         

Tuesday, December 10, 2013

O triste fim de um jovem ambicioso: Thomas Culpeper

                           

Hoje assinalam-se precisamente 472 anos da execução dos alegados amantes da penúltima Rainha de Henry VIII, a desmiolada Catherine Howard. Uma rapariga tão cabeça de vento, tão cabeça de vento que acabou por ficar sem ela.
Ora, eu digo muitas vezes que me faz falta ser mais como Jane Seymor (caladinha, tapetinho, a dizer que sim a tudo, dada à paz e algo dissimulada) e menos como Anne Boleyn ( de temperamento apaixonado, espirituosa e demasiado sincera) mas nenhuma rapariga de juízo deve seguir o exemplo de Catherine Howard.

                     

Se a sua prima Anne Boleyn teria poucas culpas além de um certo mau feitio e de não conseguir dar um herdeiro ao Rei - a acusação de adultério nunca provou ser mais do que a má vontade do marido-  Catherine Howard é culpada de, no mínimo, não se saber conduzir como competia a uma jovem da sua condição num papel de grande responsabilidade.

 Em sua defesa, Catherine era muito nova: tinha cerca de 19 anos quando foi executada e dezassete quando se tornou a "rosa sem espinhos" de um rei de meia idade, obeso e doente.

O único retrato de Catherine Howard
tido como fidedigno
 Ao contrário das duas primeiras esposas do monarca (exclui-se aqui a rejeitada, mas sortuda, Anna de Cleves) a sua instrução não foi além do básico. Era neta do segundo Duque de Norfolk mas a família era enorme e o pai,  perdulário e incapaz de subir a pulso na corte,  morreu arruinado, despedido do último cargo que os parentes lhe inculcaram.  Assim, a frágil beldade foi educada ao Deus dará, na desagradável condição de parente pobre em casa do avô, gerida pela viúva deste.

 Por "Casa" entendam-se três enormes residências a abarrotar de jovens sem supervisão - entre criados, damas de companhia, pagens de boas famílias e outros parentes sem recursos, como era costume naquele tempo. A Duquesa viúva, além de já não ir para nova, passava a maior parte do tempo na corte e deixava os rapazes e raparigas proceder como bem entendessem.


Foi neste ambiente pouco são que Catherine terá tido um caso amoroso com o seu professor de música, Henry Manox, e conhecido o seu primeiro noivo (ou amante) Francis Dereham. Os dois fizeram promessas mútuas de casamento e trocavam cartas em que se tratavam como marido e mulher.
                                                
 O problema? Quando a família Howard empurrou Catherine para os braços do extasiado Rei, ocultou habilmente o historial amoroso da sua protegida. Henry julgava que estava  a desposar uma rapariga inocente, sem mácula - e a Lei obrigava a que a Consorte revelasse ao Rei qualquer indiscrição passada até aos primeiros 20 dias de matrimónio (uma espécie de garantia e devolução). Depois disso, tais segredos contavam como traição, e das feias. Para piorar as coisas, a Duquesa apontou Francis Dereham como secretário da nova Rainha, na tentativa de o manter em silêncio. Erro crasso.
                                                     
Mas Francis Dereham foi apenas uma vítima comparado com o senhor que se seguiu, o hábil e promissor cortesão Thomas Culpeper, que contava com pelo menos uma violação e um homicídio no currículo (algo que o Rei perdoou, apesar de assinalar o mau goto de tais acções) .

Picture Bem parecido, sem escrúpulos,  mulherengo, de uma ambição desmedida, Thomas aproveitou a inteira confiança do Rei e o facto de ser primo da Rainha Catherine para a seduzir. O seu plano, aparentemente, seria casar com ela depois da morte do decrépito marido. E aproveitar o que pudesse entretanto, com recurso à chantagem se preciso fosse. Lady Rochford, viúva do irmão de Anne Boleyn (e que testemunhara contra o marido, George,  e a cunhada) servia-lhes de alcoviteira. Sem dúvida, uma escolha inteligente de pombo correio...

 Entretanto, a nuvem adensava-se sobre a jovem rainha. Parentes e amigos que tinham testemunhado os seus devaneios de juventude não a  largavam, pedindo favores e lugares na corte: dali a nada, a indiscreta rainha estava rodeada de pessoas que conheciam todo o seu passado.

Circularam cartas, circularam mexericos, e o ciumento marido encolerizou-se, fazendo o que fazia sempre quando se enraivecia: eliminar a causa do incómodo. Em menos de um fósforo, Catherine foi destituída das suas honras e aprisionada. Entrou em histeria e foi incapaz de dizer alguma coisa que ajudasse à sua defesa: acusou Dereham de ter abusado dela, quando a confissão de um pré contrato de casamento lhe podia ter salvo a cabeça. Talvez contasse ainda com o perdão do marido, sem olhar ao exemplo da sua infeliz prima...

Já Culpeper, vendo-se acusado, não foi de modas: deitou as culpas a Catherine, como bom cobarde que era.

Culpeper e Dereham foram executados e as cabeças expostas na Torre de Londres. Curiosamente, o infeliz Francis Dereham sofreu o castigo pior (desmembrado, castrado e esventrado) por ter desonrado a Real " rosa sem espinhos". Culpeper foi decapitado por ter planeado dormir com a Rainha (já que nunca se soube se a intenção foi consumada). Lady Rochford, a alcoviteira que arranjava os encontros, teve a mesma sorte, justiça poética para uma vida de intrigas que levara a cunhada e o marido ao cadafalso.

Dizem, porém, que Catherine Howard soube morrer com a dignidade que lhe faltou nos seus tempos felizes: treinou a noite inteira a forma correcta de colocar a graciosa cabeça no cepo, mas partiu como uma Rainha. A frase que ficou para a história "morro uma Rainha, mas preferia morrer como mulher de Culpeper" não passa de mito. Também seria baixeza a mais.








  








Monday, December 9, 2013

Duas conclusões nonchalant da noite: porque deprimir é,bem, deprimente.



Joan Collins

1 - Estamos a chegar àquela fase deprimente do ano em que tudo, até o desgraçado do Facebook, nos tenta convencer a fazer retrospectivas do dito cujo *lembrem-me de ignorar os resumos fotográficos dos meus amigos, C-R-E-DO*. Vão passear: a última coisa que me apetece é fazer o velório ao ano: teve coisas boas, teve coisas más, lá vai, venha outro mas ainda quero queimar os últimos cartuchos. Olhar para trás soa-me sempre terrivelmente melancólico em qualquer circunstância e nesta altura pior um bocadinho. Parece que nos está a fugir alguma coisa que não sabemos bem o que é, e se há lugares comuns que me tiram do sério são as lamechices e as efemérides potencialmente comoventes. Blagh.

2 - Por vezes a infelicidade é inevitável. Uma pessoa pode estar infeliz por culpa sua, dos outros, do destino, das circunstâncias e se tiver sorte, se o mal não for grave, esse é um estado transitório. Certas mulheres são infelizes, mas bolas - conseguem ser infelizes enquanto vestem maravilhosamente. Se é para não estar contente, ao menos que se esteja triste dentro de roupas verdadeiramente esplêndidas. E em cima de estupendos sapatos. Sim, estou consciente de que existe uma frase famosa por aí que reza algo parecido com um carro ou coisa assim em vez de roupas, mas toda a gente passa mais horas por dia dentro daquilo que veste do que dentro do carro, certo?  Ora refutem lá essa lógica.

Verdade do dia: as sonsas são as piores.

               

E os sonsos também, já que os há para aí aos montes. Mas como certos cavalheiros são especialmente crédulos quando lhes dizem o que querem ouvir, acho que o ditado popular acaba por ser intemporal. Basta olhar para as telenovelas: a "boazinha" é quase sempre pobrezinha, humilde, sem graça, sem sal. A vilã é por norma sofisticada, bem vestida, elegante, altiva e não esconde o seu lado menos bonitinho. 

Como sou uma rapariga watch you see is what you get, gostam -ou- não -gostam- temos pena e consigo perceber a hipocrisia barata a quilómetros, se há coisa que nunca me caiu bem é a mania que a sociedade tem de confundir...

...humildade...com falsa modéstia (e uma boa dose de rusticidade, miserabilismo, servilismo...)

...elogio/admiração...com bajulação interesseira ( normalmente é fácil: se vem de uma pessoa que não interessa nem ao Menino Jesus, não é um elogio que valha a pena guardar)

...solicitude... com segundas intenções (quem está sempre disponível e diz que sim a tudo, tem alguma na manga)

- galanteio... com desespero (se alguém dá graxa a tudo o que mexe, se se oferece claramente...por favor!)

...carinho... com desespero ( pessoas peganhentas são como os pega monstros: colam-se à primeira superfície disponível, seja uma parede ou uma retrete, percebem a ideia? É que como ninguém lhes liga nenhuma, um sorriso basta para meterem ideias na cabeça. Dali a terem um stalker à porta são dois passos)

...caridade... com necessidade de atenção.

...cultura e espírito... com uma forma pseudo-intelectualoide de estar.

...falta de beleza... com inteligência (não, as duas não andam necessariamente  juntas).

...falta de sofisticação...com "ser genuíno" (na maioria das vezes, é mesmo uma questão de pouco ou nenhum verniz...)

...ausência de sentido de estilo... com autenticidade.

...atrevimento.... com desenvoltura.

...mau gosto e ausência de moral com... "eu não meço as pessoas pela forma como se vestem": há que sê-lo e parecê-lo. Se alguém não quer parecer uma stripper (ou parecer que acompanha uma) é só não se apresentar com/como tal. E se não tem a noção do que parece...é porque se sente bem no papelão. Tudo dito.

Visto isto, as pessoas que não usam de falsidade,que  têm estilo, que são frontais mesmo quando não são muito simpáticas e que dizem a primeira coisa que lhes vem à cabeça é que são as vilãs? Por essa ordem de ideias, evil is cool. Só pode.







Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...