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Saturday, December 21, 2013

Sapatos bons não magoam (ou magoam muito pouco). Ponto final.

Miu Miu
                      


Diz a gazeta (como dizia o outro...) que inventaram um novo spray que adormece a dor nos pés, à semelhança dos usados pelos jogadores de futebol.  A engenhoca promete ser um sucesso de vendas e já está na lista de desejos de milhares de mulheres vitimadas pelos seus stilettos. Pessoalmente, tenho as minhas reservas: se for para trazer na carteira e usar em caso de emergência não digo que não. Depois do mal feito, qualquer coisa que anestesie é bem vinda. Mas aplicá-lo antes de sair 
parece-me uma boa ideia para ferir os pés, não dar por nada, e voltar com um problema grave para casa. Grande maluquice. 

O que me leva à questão essencial: sapatos realmente bem feitos não ferem (nem cansam) os pés por mais altos que sejam, ou magoam o mínimo dos mínimos mesmo na primeira utilização. Certo, por mais perfeitos que uns sapatos sejam não podemos correr na calçada portuguesa com saltos de 10 cm, mas...calçado com bons moldes e óptimo material não agride, mesmo no temido dia de estreia.

 Isto acontece geralmente com as marcas REALMENTE boas. Realmente luxuosas. Não significa isto que não haja sapatos acessíveis e confortáveis: há. Um dos meus pares de festa favoritos foi encontrado numa lojinha anónima da Baixa, uma verdadeira pechincha; não só é deslumbrante como não fica atrás em conforto e execução de uns Miu Miu muito parecidos aos quais confiaria a minha vida. Mas lá está, isso são achados e há mais garantias de conseguir o mesmo efeito fazendo um investimento maior.

 Como uma rapariga de costas sensíveis, sei avaliar isso melhor que ninguém. Sapatos  que valem o dinheiro mantêm o pé na posição correcta; alongam as pernas; são estáveis; não entortam, não deslizam, nada; e o material é como calçar manteiga.  É claro que quando se investe numa marca de boa reputação se espera esse retorno, e não só um design bonito/original/na berra . Uns Gucci, Casadei, Balenciaga podem até não parecer tão diferentes dos outros à primeira vista mas garantem uma bonita postura e conforto ao fim de um longo dia de trabalho, mesmo em saltos finos. Cumprem a sua função de fazer um belo efeito sem que uma pessoa dê por eles, e é por isso que o seu preço é elevado - porque se formos só pelo design, mais vale fazer a festa numa megastore qualquer, dessas que reproduzem a maior parte dos modelos. Claro que haverá excepções (os Manolos têm um bocadinho de má reputação) mas a promessa é essa.

Por isso fico algo desapontada quando vejo certas marcas portuguesas (sem querer dizer nomes) que, querendo equiparar-se aos seus irmãos franceses e italianos (no preço, pelo menos) não têm o mesmo cuidado em relação ao conforto. Faço o maior gosto em apoiar a nossa economia, mas se queremos concorrer com os melhores temos de estar no mesmo pé (literalmente). No segmento médio não se é tão exigente (embora me doa dar 80 euros da minha alma por uns sapatos que me dão cabo dos tendões) mas quando falamos de luxo a história é outra e não se admitem rebordos rijos, saltos instáveis, fivelas incómodas, fechos que torturam e outros pecados.

Como em tudo na vida, há que sê-lo e parecê-lo...

A socialite que fez frente a Napoleão

                        : File:Elizabeth-Patterson-Bonaparte Gilbert-Stuart 1804.jpg

É curioso como a beleza, a graça e a elegância são paus de dois bicos para as mulheres: se por um lado constituem algumas das nossas melhores armas, por outro escondem, muitas vezes, um coração de leão, uma alma de aço, um ânimo varonil. Isso pode ser bom, pode ser mau: ser subestimada é duro, mas o efeito da surpresa quando uma mulher mostra  a sua verdadeira face tem as suas vantagens. E Elizabeth "Betsy" Patterson, que passaria à história como Elizabeth Bonaparte, provou que isso é verdade quando deu muitas dores de cabeça a um dos maiores movers and shakers  de todos os tempos: nada mais nada menos que Napoleão.

  Olhando para ela, pouco mais havia ali do que uma cabeça oca: menina mimada, filha de um irlandês riquíssimo, linda, graciosa, era a típica debutante americana, conhecida por um estilo arrojado e atrevido: diz-se que o seu vestido de noiva era de um tecido tão frágil, tão transparente, que "cabia no bolso de um cavalheiro".
  Jérôme Bonaparte, irmão mais novo de Napoleão viu-a numa visita à América ( visita feita à revelia da família)  e ficou imediatamente apaixonado, propondo-lhe casamento após uma corte relâmpago. 

O pai da noiva tentou dissuadi-la (obrigando, inclusive, a um acordo pré nupcial para proteger a fortuna da família) e Napoleão - que como bom self made man, procurava esquecer o seu berço não tão brilhante casando estrategicamente a parentela pelas melhores Casas da Europa - negou imediatamente a sua bênção, mas o casal foi irredutível. Menina do papá, Elizabeth fez o que todas as raparigas habituadas a conseguir o que querem fazem: bateu o pezinho e afirmou " prefiro ser mulher de  Jérôme Bonaparte por uma hora do que de outro homem toda a vida". Palavras proféticas: casaram e tornaram-se o acontecimento da sociedade local, mas o idílio, como era de prever, não durou muito.


Apesar das instâncias do resto da família - que se mostrou favorável à união -  Napoleão foi irredutível: insistiu que o casamento fosse anulado, movendo mesmo diligências junto do Governo Americano. Mas o irmão, igualmente teimoso e com a ferocidade dos apaixonados, recusou: além de tudo, Elizabeth esperava um filho seu.  O embevecido marido esperava que o irmão ficasse tão encantado como ele assim que conhecesse a jovem americana...mas Napoleão não estava disposto a deixar-se enfeitiçar. Em 1804, quando Napoleão se declarou imperador, Jérôme tentou levar a mulher para França para assistir à coroação - mas o destino parecia estar contra o casal. Após um naufrágio que quase os matou e os impediu de sair de Baltimore, os recém casados conseguiram partir para a Europa. Porém, chegados a Lisboa, um emissário informou-os de que "Miss Patterson não devia pôr os pés em solo europeu". 

A resposta de Elizabeth foi peremptória "diga ao seu senhor que Madame Bonaparte é ambiciosa e exige os seus direitos como membro da família imperial".  Depois disto, a guerra estava declarada.

Jerome Bonaparte
Jérôme Bonaparte
Elizabeth ficou retida no porto ou aliás, de porto em porto, já que Napoleão lhe vedava sucessivamente as entradas em várias cidades da Europa - enquanto Jêrome viajava para Itália para tentar convencer Napoleão. Porém, colocado perante o ultimato de desistir da mulher ou  perder o apoio da família, os títulos e de ficar sozinho com as suas numerosas dívidas, cedeu. Napoleão não conseguiu anular o casamento perante Roma, mas fê-lo de qualquer modo nos tribunais franceses. O casal nunca mais se veria. Jerôme casou (para todos os efeitos, em bigamia) com a Princesa Catherine de Nuttemberg. Cheio de remorsos, ofereceu a Elizabeth uma soma fabulosa, um castelo e  título de Princesa, se ela lhe entregasse o filho, mas ela riu-se dele, chamou-lhe fraco e disse que o reino dele era "pequeno demais para duas Rainhas". Aceitou, no entanto, do odiado cunhado uma quantia principesca na condição de deixar de usar o nome Bonaparte - acordo que nunca cumpriu, embora tivesse conseguido um divórcio na América e se referisse ao ex como "o bígamo".

Dedicou-se a gerir a fortuna paterna em Maryland, com assinalável êxito, aumentando o pecúlio familiar.

Após a queda de Napoleão, regressou à Europa acompanhada do filho e com a ajuda de duas cunhadas - Pauline Borghese e a Marquesa de Wellesley (mulher do irmão do Duque de Wellington) fez um tremendo sucesso nos círculos mais restritos da sociedade. O nome do marido (que apesar de tudo, ainda tinha um certo sabor a lenda) a sua fortuna, beleza e espírito tornavam-na a queridinha da gente bem e das revistas do social. No entanto, preferiu não tornar a casar, mantendo a sua situação de beldade independente,  cunhada do extinto imperador. Só falhou o objectivo de casar o filho numa casa aristocrática, já que este preferiu uma herdeira americana- e  a linha Bonaparte nos EUA acabou por se extinguir por falta de descendência.  Bessy morreu com mais de noventa anos - rica, feliz, festejada por toda a gente.

Se a vida nos dá limões, há que fazer limonada - E Bessy Bonaparte sabia como.


Friday, December 20, 2013

Momento injusto da semana:a vingança das "gordinhas"

                                

Sabe-se que a Mango vai lançar uma colecção especial, com mais de 400 peças, dirigida às meninas mais redondinhas - ou antes, aos tamanhos maiores. Boa ideia, excelente. O problema? A julgar pela imagem quer-me cá parecer que a cápsula (400 peças é uma grande cápsula, mas pronto...) está recheadinha, pejadinha do tipo de vestidos (sheath dresses, slip dresses por baixo do joelho, e por aí) que eu tanto adoro. E vai ser tudo em tamanhos grandes, logo ficarei a ver navios. 
 Estão as "rechonchudas" vingadas - coisas giras que os tamanhos pequenos não podem vestir. Se calhar é justo, mas francamente qualquer a confusão de padrões na indústria de moda é das poucas coisas que me aborrecem na dita. Porque é que um vestido para mulheres "com curvas" tem de vir SÓ em tamanhos grandes? E as mulheres magras que têm curvas, estilo Dita Von Teese, Eva Mendes, Penelope Cruz, Scarlett Johansson e por aí fora?
 Se parassem de confundir as mulheres é que era bom - mas tem de se começar por algum lado. Lá chegaremos.
 

Thursday, December 19, 2013

Isto sim, são campanhas luxuosas.


Enquanto a Balmain se diverte a apelar a certos consumidores emergentes escolhendo Rihanna para cara da sua nova campanha (nada contra empregar estrelas da música para comunicar Casas de moda lendárias, mas "refinamento" e as Rihannas do costume não são  a associação de ideias mais imediata) e a Lanvin cai no ultraje de mimar publicamente Kim Kardashian (enough said: não podiam limitar-se a condescender vender-lhe roupa discretamente?) outras griffes mantêm-se fiéis a si próprias e deixam bem claro que high end fashion e trash não se misturam.
 Marc Jacobs, para a sua campanha de despedida para a Louis Vuitton (numa altura em que a marca quer voltar a ser mais understated e reconciliar-se com o seu público alvo original) escolheu nada mais nada menos do que as suas musas: rostos larger than life como Giselle Bundchen mas também sinónimos de classe como a lendária Catherine Deneuve, Sophia Coppolla, a irrepreensível it girl Fan Bingbing e a bela e aristocrática Caroline de Maigret.  Estas sim, são mulheres com porte, inteligência, beleza, pedigree, allure e currículo para inspirar alguém. Não se pode pedir mais.


Também a sempre fiável Burberry contrariou a tendência da "vulgaridade aceitável" e seleccionou uma série de caras jovens e frescas da música e do cinema para a sua campanha S/S 2014, incluindo a jovem modelo Lady Jean Campbell, nem mais nem menos do que a filha da editora de moda da Vogue, Isabella Cawdor (uma verdadeira senhora) e do sétimo Conde de Cawdor, que se divide entre a sua propriedade na Escócia e os holofotes da indústria de moda. Opiniões à parte, este é o espírito da marca. Tudo dito.

                               


                                 

Wednesday, December 18, 2013

As advogadas "Sex and the City"


Só hoje vi o vídeo "sensual" de que toda a gente fala e que motivou um inquérito disciplinar na Ordem dos Advogados, depois de várias queixas. 

 Sobre a "alegada violação das regras de publicidade previstas no Estatuto da Ordem, que proíbem a promessa da produção de resultados ou a colocação de conteúdos persuasivos” não me vou pronunciar - mas se uma agência de comunicação foi contratada para o efeito, o seu dever é  inteirar-se junto do cliente acerca dos conteúdos que são ou não bem vindos. Isso leva-me a perguntar se a brincadeira terá sido feita com a prata da casa, demasiada inspiração televisiva e muito pouco respeito pelas regras. Quanto ao decoro e ao resto, já lá vamos. 

 Vocês que por aqui passam sabem que não defendo feminismos bacocos, nem hipocrisias irrealistas: a beleza e a feminilidade atraem a atenção- o que faz com que uma pessoa seja vista e depois ouvida, se tiver algo de jeito a dizer. Como quaisquer trunfos abrem portas, facilitam muita coisa. Não há nada de errado em juntar à arma dos miolos a arma da beleza. Desde que se usem os ditos miolos e a decência e que nada ponha em causa a seriedade e o profissionalismo que o "distintivo" exige. 
Por pouco feminista que seja, nenhuma mulher honesta quer ser contratada pelos motivos errados, ou atrair o tipo de atenção errada. E o vídeo em causa - que mais parece uma tentativa de trailer para uma série do estilo "Mistresses" - com os seus stilettos folclóricos, as suas mini saias, as suas poses lânguidas, falha em transmitir a imagem "mulheres giras e de sucesso" para passar a ideia "contratem-nos porque somos espampanantes". Não sei se foi ingenuidade ou chico-espertismo, mas reclinar-se para um táxi com saltos assassinos e um vestido demasiado curto para ir trabalhar não dá exactamente a impressão mais idónea.

 Assim de repente, consigo pensar em meia dúzia de inspirações muito mais adequadas de power dressing. Desculpem-me, mas tenho relutância em confiar numa advogada que se veste como a Kim Kardashian. E se a Ordem se manifestou, não fez mais do que defender a honra da profissão.

 Then again- e não quero cair na baixeza da bisbilhotice, muito menos generalizar - mas talvez por coincidência, tenho tropeçado em algumas advogadas descaradas, inconvenientes e atiradiças- com o defeito de ainda por cima não deverem nada à beleza.   O que me faz pensar (sem ofensa às Senhoras profissionais de Direito com "S" que me estejam a ler) se a Ordem não deve começar as suas lições de modéstia e deontologia pelas faculdades, ou incluir provas de saber estar no Exame à Ordem - o qual, presumo, deve pautar-se por um dress code apropriado. Evitavam-se aborrecimentos destes. 

Assim como assim, sempre simpatizei mais com advogados grandes, com um vozeirão e que metam medo ao oponente. Não é por nada, mas a imagem conta.




Tuesday, December 17, 2013

O único "efeito Kate" que interessa‏.



Já comentei convosco que apesar do meu profundo respeito pela Casa Real Inglesa, não subscrevo a idolatria pela Duquesa de Cambridge (como, de resto, condeno qualquer modismo popularucho).

 Primeiro, porque o supra sumo da elegância naquela Casa continua a ser H.M. Elizabeth II e nenhuma novidade pode destronar décadas de savoir faire herdado, treinado e posto à prova, a todos os níveis, por ventos e marés.  

Segundo, porque não simpatizo grandemente com o modus operandi da família Middleton, embora concorde que Catherine Middleton em si mesma é encantadora. Terceiro porque apesar de ser inegável a sua beleza, o seu saber estar, o seu simples  à vontade (condição sine qua non para a posição que ocupa) e porque não, o seu sentido de estilo... por vezes acho que com o porte e recursos que possui, poderia fazer melhor ainda. 

Gostos não se discutem e Catherine Middleton veste como quem é;  mas há várias consortes nas boas Casas da Europa cujo fashion sense,  atenção ao detalhe e às proporções me surpreendem mais.  Quanto a isso, o tempo - e o desvanecer da bajulação dos media - se encarregará de confirmar, aperfeiçoar ou desmentir.

 Há, no entanto, um aspecto no "efeito Kate" que importa realçar: Catherine Middleton é um bom exemplo para as raparigas. Não porque casou bem, mas porque se portou bem

A imagem acima promove o franchising do best seller AS REGRAS (The Rules) - um dos poucos livros de namoros que, passe a premissa e o exagero, se pode recomendar nesta época deprimente em que os conselhos dos media para mulheres (e pior, para adolescentes)  são basicamente "CONQUISTE O SEU HOMEM! VÁ ATRÁS DELE! MOSTRE O QUE SENTE! SEJA VULNERÁVEL! SEJA UMA PREDADORA!". 

The Rules é odiado pelas feministas e pelos rapazes tímidos. Em boa verdade, acredito que seguido à risca, o manual pode enviar mensagens confusas e, como todos os livros do género, deve ser tomado com um *grande* grão de sal.

Mas teve a virtude de devolver a feminilidade a muitas mulheres e de mostrar que o comportamento tradicional - saber ser desejada, deixar-se conquistar, não aceitar menos do que merece, ter respeito por si própria e no fundo, valorizar-se - não tem nada de errado.

E Catherine é, sem sombra de dúvida, uma rapariga das Regras. Não se deixou esmagar pela persona do namorado, mesmo se todo o país troçava que ela estava "na prateleira"porque o noivado nunca mais acontecia. Quando ele teve atitudes menos próprias - mostrar-se enfadado, querer namoriscar com os (literalmente) milhares de raparigas tontas que andavam atrás dele, exigir espaço - Catherine fez a única coisa digna: dar-lhe mais espaço do que ele poderia desejar. TODO o espaço do mundo

Não quis saber se ele era o futuro herdeiro do trono, nem da concorrência, nem das consequências; não aceitou faltas de respeito. Ergueu a bonita cabeça, sacudiu os lindos caracóis e continuou com a sua vida, passeou, flirtou, sabendo que um homem precisa de tirar as próprias conclusões e que quando se ama alguma coisa (ou alguém) é preciso deixar ir. Se voltar, estava destinado, se não...

 E William voltou, por acaso. A história podia ser diferente, mas ainda assim Catherine seria sempre a mulher que não se deixou pisar pelo solteiro mais desejado do Reino (o que me faz pensar que não se deixaria pisar por mais nenhum). Mas reataram, depois de Kate ter posto as suas condições: ele devia cortar contacto com as namoradeiras que interferiram na relação. Tudo ou nada. Podia recear perdê-lo, decerto que receou, mas o seu respeito próprio foi maior do que o amor ou os castelos no ar que qualquer mulher constrói quando se apaixona. Ele foi homem o suficiente e cumpriu. É preciso um homem a sério para preferir uma mulher segura de si.

O maior amor de uma mulher deve sempre ser o amor próprio. E é esse o "efeito Kate" que interessa. As tiaras, as toilettes e o resto não trazem felicidade- assim como, numa versão mais modesta, as flores, as promessas e os jantares à luz de velas. Sem respeito, nada.

Os "dois looks a tentar em casa" do dia (com os devidos ajustes, digo eu...)

                 These boots are made for walking!
Qual é a grande vantagem do excesso de informação (feeds constantes de blogs, revistas e outros formatos a nível mundial...) que chega às nossas caixas de correio/murais/etc? É que se estivermos atentas, encontramos ideias como-é-que-eu-não-me- lembrei- disto que dão mesmo jeito para dar o melhor uso, ou usar de forma totalmente nova, as peças que andam lá por casa, a empatar armários. E como eu digo sempre, ter roupa parada é um pecado muito feio.

1 - Ainda na senda das botas extra longas já analisadas aqui, adorei este look proposto pela Vogue España: casaco Chanel (ou de resto, qualquer casaco de tweed sem gola) uma saia de ganga daquelas que todas temos, um top básico e ecco! Muito preppy with a twist, como convém. Volto a insistir, no entanto, que eu acrescentaria collants pretos bem quentinhos e opacos q.b: o contraste saia-perna-bota é muito risqué para o meu gosto...better safe than sorry.


2 - Ignorem os ténis: não consegui achar graça à ideia nos tempos de liceu e não acho graça agora. Mas confesso-me quase, quase capaz de testar a ideia de vestir veludo - veludo sem brilho, entenda-se - antes do pôr-do-sol. A ideia de vestir saias lápis (ou qualquer saia de 
aspecto clássico) sobre uma t-shirt já apareceu por aqui; eu própria já a testei e aprovei com uma saia lápis de pele verde-esmeralda; mas sucede que tenho duas muitíssimo parecidas com esta Christian Dior vintage. A cintura estreita mantém tudo no lugar e quem, como eu, acha que ténis com veludo são coisa que não lembram a ninguém, pode experimentar o visual com uns scarpins pontigudos de kitten heel ou  botins de tacão baixo. Elegante, mas descontraído. E mencionei que o veludo é extra quentinho? A t-shirt também pode ser de manga comprida, e se tiver uma ilustração ou dizer gracioso, tanto melhor.

Monday, December 16, 2013

O louro platinado está de volta.



                                                 
Ame-se ou odeie-se, o louro platinado é um clássico de extremos, que nunca passa realmente de moda. Pode ser provocador (Mae West, Jayne Mansfield) angelical (Kim Novak, Cate Blanchett em The Lord of the Rings ) ou somewhere in between (Marilyn Monroe)  radical (Gwen Stefani, Debbie Harry) ou elegante (Carolyn Bessette Kennedy, C.Z Guest). Pode resultar soberbo ou cair na vulgaridade. E requer alguns quês- nomeadamente cuidados, alguma maquilhagem e para que a transição seja mais fácil, pele clara - para funcionar.
 Ao cabo de alguns anos em que os tons naturais têm dominado, eis que o cabelo de conto de fadas (influência de Game of Thrones?) volta a estar na ordem do dia, popularizado por it girls como Emily Weiss ou modelos como Sasha Luss, a quem as madeixas louro-branco catapultaram para os holofotes:
                                
O louro açúcar (alcunha retirada do romance Millenium Girl, que uma amiga me pôs nos anos em que me diverti com esse tom) não será uma cor para todas, nem uma aventura a tentar sem pensar duas vezes. Mas quando funciona, não acarreta a manutenção que se pensa e tem as suas vantagens. Tendo pele pálida, sobrancelhas pouco visíveis e madeixas naturalmente claras, eu gostava especialmente do facto de não precisar de muita produção para brilhar- porque o cabelo já é chamativo que chegue - e de uma simples camisola preta causar o contraste certo. Como o meu cabelo tende a ser sedoso e escorregadio, não senti o problema das mechas porosas e opacas, mais comum em quem faz a transição de preto ou castanho escuro para louro. Em boa verdade, foi uma das cores que menos trabalho me deu a manter sem desbotar e exceptuando um incidente com uma cabeleireira distraída, não tive problemas: há que contar com uma boa mão e/ou um profissional de confiança, que seja um ás da cor. Boa hidratação e um champô azul de qualidade fazem o resto. Se voltaria a 
fazê-lo? Nunca digo desta água não beberei, apesar de o strawberry blonde que Deus me deu ligar mais com a minha personalidade. Mas a quem precisa de um va-va-voom extra na sua vida e tem o carácter, meios e fototipo para o fazer sem arrependimentos, recomendo a experiência. Não sei se as louras se divertem mais ou se os homens preferem as louras, mas é sempre giro ver a vida do outro lado.

Sunday, December 15, 2013

Zac Posen Prefall 2014: a perfeição existe.

                        Zac Posen
Esta é uma daquelas colecções raras, que não só provocam a vontade de ficar com todas as peças como ficam na memória anos a fio. As cores simples e ricas, a modelagem imaculada, a evocação dos anos 40 e do New Look, a própria modelo escolhida para o lookbook...class is back, nada a acrescentar.


Zac PosenZac Posen
Zac PosenZac Posen

Zac PosenZac Posen

Zac PosenZac Posen
Zac PosenZac Posen

Momento National Geographic do dia: mulheres troféu e shoppings ao Domingo.

                                             

Não faço segredo da minha embrirraçãozinha com os centros comerciais. Dão jeito por terem tudo no mesmo lugar em  horário alargado, mas já contei por aqui que só lá vou às corridas e se possível, nos períodos do dia em que não se vê vivalma - para passar pelo sapateiro e pouco mais. Dêem-me lojas de departamento, dêem-me Baixas bem cuidadas com as montras reluzentes a chegar à calçada, dêem-me comércio online e vendas e feiras e mercados de rua, tudo o que careça do aquecimento sufocante, dos cânticos natalícios deprimentes aos berros, das famílias inteiras em modo excursionista, de carrinhos de bebé estilo tanque de guerra a atropelar os incautos e da mesma oferta nas mesmíssimas clonadas lojas. 

Hoje não pude evitar - foi mesmo preciso ir à lavandaria e passar pelo supermercado. A um Domingo. Em época festiva. Pois.

Deixem-me dizer-vos (correndo o risco de com a minha sinceridade, parecer uma parvinha insuportável) que aqui para as minhas bandas temos dois shopping malls à americana: um que concedo frequentar por ser mais ou menos sossegado, e outro que é o parque de recreio dos subúrbios, vilas e cidades periféricas - ou seja, o destino de eleição para passeatas domingueiras de pessoas que davam um estupendo estudo antropológico. Ora, eis um dos momentos em que dou graças por não ter seguido o meu amor pela antropologia: seria muito difícil manter a neutralidade científica e não julgar o que vejo, por mais interessante que fosse analisar academicamente o comportamento do meu suposto semelhante. 

Lá fui ao shopping mais tranquilo e logo, mais decente, ao tal que não é pouso de tantas curiosidades. Não é...em dias úteis. Chego-me lá e zás: um coro de crianças a cantar "a todos, um bom Nataaaaaaaal". Um ponto pela originalidade.
Diz a senhora que me trata muito bem a roupa ( e a razão pela qual vou sempre à mesma lavandaria) que ontem demorou 40 minutos a estacionar o carro para ir trabalhar. 40 minutos! Havia filas que davam a volta ao edifício.

Hoje, era o cenário do costume: os excursionistas, a confusão, etc. Mas o mais curioso é observar que há quem se vista para ir ao shopping como quem vai à Missa. Afinal, esse é o seu passeio de Domingo. Tenho é quase a certeza de que aquelas pessoas não passaram pela Igreja. Mais: se o tivessem feito, aquilo não era traje adequado.

Ora, eu defendo que se deve ir ao supermercado, como a toda parte, bem arranjada; e é claro que os gostos diferem - fazer toilette não quer dizer que se tenha bom ar. Vestido de malha curtinho, collants às bolinhas, botins com salto de 11 cm debruados a pêlo e carteira tigresse é capaz de não ser a fatiota mais confortável. Nem hotpants e litas, como vi em várias mães de família numa concentração de muita alma mal enjorcada por metro quadrado. 

 Entre estas "senhoras", vi uma ou duas que não enganam ninguém. Daquelas que basta olhar para lhes perceber a crónica toda: mulheres ainda novas de ar estrangeirado, muito vistosas mas de beleza questionável, pintadas que nem galinhas da índia, toda uma abundância de redondezas sob mini-saias boas para apresentar num cocktail e olhem lá, de louros pintados a contrastar com cútis pouco delicadas, todo o habillée da antiga stripper que venceu na vida ou coisa pior. A acompanhar estas mulheres estavam homens de meia idade de ar estabelecido e burguês, empurrando, babosos, um carrinho de bebé com o pequeno extemporâneo; e na cara deles bailava um sorriso satisfeito pela exibição desta versão barata da mulher troféu.

Que note-se, eu não tenho nada a ver com a vida privada de cada um. Nem com o primeiro casamento que, apostava e não perdia, foi arruinado pela stripper espertalhona. Mas que um homem faça tristes figuras já me causa espécie. Que não imponha à sua mulher " a menina casou, acabou-se a má vida, trate de vestir como uma senhora" já é muita vontade de fazer figura de uma coisa que agora não digo.

E eu, que tenho a mania de imaginar cenários, fiquei cá a pensar como o homem é um bicho parvo. Que é muito fácil uma interesseira fazer dele gato sapato: basta que não goste dele, e que lhe diga apenas o que quer ouvir.

 Passar secas tem na minha pessoa o efeito de reparar nestas coisas, nada feito...



Altivez, precisa-se.

                            

Não me refiro à  altivez arrogante e caricatural, a vaidade barata que nasce da insegurança, do sucesso demasiado recente. O estar "cheio de vento" por meia dúzia de vitórias que não se sabe se serão duradouras, ou pela admiração fátua de alminhas que por sua vez, não têm nada que se lhes possa invejar, é um exercício dos fracos, dos deslumbrados, de poseursNão há nada mais deselegante.

O meu estimado Anton Moonen, que é um cavalheiro experiente na matéria, explica o assunto muito melhor do que eu poderia fazer: há que ser blasé. Evitar a exaltação. Em suma, ter calma e não dar à maior parte das situações mais do que o erguer de uma sobrancelha. Citando:

" (...)  dissimula as suas feridas através de um ar altivo, de um aspecto glacial, de desdém pela lisonja (...)"

"(...) respondia aos elogios com um sorriso desfavorável; evitava (...) os burgueses endomingados e o que mais detestava era a exaltação e a desordem"

"...a única forma de sermos felizes, e de o permanecer, é nunca nos surpreendermos". Para Baudelaire, há que " surpreender os outros sem que nós mesmos jamais o sejamos". "Aqueles que do mundo não têm nenhuma experiência deixam-se surpreender por coisas sem qualquer importância" diz la Fontaine. E Descartes vai mais longe ao ver no facto de nos espantarmos com algo "um excesso de admiração que só pode ser negativo".

 Sendo eu uma pessoa serena (demasiado serena, por vezes; as boas notícias deixam-me numa felicidade tão tranquila, disfarço tão bem o meu entusiasmo,  que por vezes me perguntaram se eu estava a entender bem a dimensão da coisa) acho o excesso de vaidade, de gabarolice ou de adulação uma coisa pouco digna. É um reflexo involuntário : não aguento a atitude "olhem para mim, elogiem, quero palmas" nem a prostituição social de quem procura dar-se com toda a gente, agradar a toda a gente, de  quem se põe de joelhos com peçonha, mel e graxa, ante o primeiro figurão que lhe aparece, à espera de favores ou que o brilho seja contagioso. Há que ser seguro de si. Selectivo. E discreto.

 Mostrar entusiasmo excessivo não e próprio, e as pessoas que realmente me encantam são as que não se deixam deslumbrar com nada, nem impressionar com nada, nem perturbar ou intimidar por coisíssima nenhuma. Que estão à vontade em todo o lado e para quem o êxito, a beleza, a atenção, o poder ou a riqueza das duas uma: ou não são novidade, ou são a coisa mais natural do mundo. Pessoas que tremem que nem varas verdes perante um jantar selecto, ou uma entrevista com uma personagem qualquer, pessoas  que aplaudem ruidosamente e são cheias de salamaleques dão-me vontade de lhes dar um beliscão, em modo "put yourself together! recomponha-se! mostre alguma dignidadezinha!". É que soa a falso e só mostra que lhes falta mundo. Hábitos delicados. Educação, em suma.

Não é pecado não ter tido acesso a estas coisas - mas demonstrá-lo sim. 

 Como em tudo na vida, às vezes menos é mais. E a altivez, ainda que precise de ser treinada e moderada, é o remédio para muitos males, podendo mesmo colmatar (ou disfarçar) a falta de chá que leva à necessidade imperiosa de admiração e aprovação. Quando na dúvida, há que ser altivo e sossegado - e volto a citar Madame de Maintenon " antes passar por circunspecta do que por tola". Ou tolo, vá.


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