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Saturday, December 28, 2013

Shakespeare sabe tudo sobre o amor, mesmo aquilo que não se sabe.


  • "Look, you embarrassed the girl. 

    Sacrifice yourself on the altar of dignity

     and even the score".

    Por estes dias vi um daqueles filmes que nos escapam não se sabe como, e que nos deixam a pensar como pode ter sido tal coisa, já que não podia ser mais feito a pensar em nós.

    10  Things I Hate About You parece uma daquelas comédias americanas adolescentes iguais a tantas outras mas é nada mais nada menos do que baseada numa das minhas obras preferidas do Bardo - The Taming of the Shrew - tem um elenco óptimo, com uma química extraordinária entre o casal protagonista (o malogrado Heath Ledger empresta profundidade até às cenas cómicas, dando um excelente Petruchio) e está recheado de alusões e citações Shakespearianas "I burn! I pine! I perish!").

    Ou seja, se ignorarmos os aspectos mais datados da estética algo sem graça do final dos anos 90  temos a história de amor tempestuosa entre Katherina e o Cavalheiro de Verona contada de uma forma com que qualquer um se identifica. Afinal, o amor-ódio nunca passa de moda. E pessoalmente, sempre achei que tenho algo de Katherina...como creio, qualquer mulher que seja senhora do seu nariz.
     Mas a moral do filme está toda na frase acima: o amor exige, muitas vezes, deixar cair as máscaras, pisar o orgulho e porque não, fazer figura de parvo (a). Ou adorar o mesmo que se detesta, numa equação que ninguém explica. Mas Shakespeare anda lá perto.

O estranho caso natalício....

                       

....da escassez repentina de Mon Cheri. Não sei se foi do anúncio todo- pipi -que- mais -parece- a -perfumes que a marca arranjou para o Natal ou quê, mas das três vezes que fui (a correr e sem grande vontade, diga-se) a diferentes supermercados, não vi uma única caixa dos bombons cor-de-rosa que, só por acaso, são os únicos que aprecio e um dos poucos doces que me apetecia este ano. Também tentei nas estações de serviço, e nada. 
  Lá se vai o mito de as Festas engordarem, e o mito urbano de que a Ferrero reforça magicamente os stocks por esta altura. Ou isso, ou os comilões tiveram  desejos súbitos de quantidades parvas de Mon Cheri. Confesso-me assaz intrigada mas assim como assim, já perdi a vontade. Comigo funciona desta maneira: ou é quando eu quero, ou adeus. Estragadores do ambiente festivo alheio, é o que é.

Friday, December 27, 2013

Nunca hei-de perceber...

                                  

...a mania de confundir ser selectivo com ser elitista ou peneirento, vá. É que já que temos de andar neste mundo que seja, dentro do possível, bem acompanhados e rodeados das melhores coisas que pudermos. Há que ser simples, mas à maneira de Oscar Wilde: preferir sempre o melhor. O melhor desempenho, a melhor qualidade, as melhores relações, as melhores decisões, os melhores lugares, o melhor de nós próprios, os melhores amores, as melhores amizades, tudo o que nos puxe para cima e acrescente ordem, beleza, politesse, e gosto à vida. É preferível ter um vestido bom do que dois medianos. É preferível ter um grande amor a uma data deles que estavam à mão, daqueles dos quais não reza a história. As melhores coisas não são fáceis - desafiam-nos. Quem não é exigente fica-se pela aurea mediocritas ou pior, nunca tira os pés da poeira. Se apontarmos para a perfeição podemos não chegar lá, mas andaremos perto. Diz-me com quem andas, e junta-te aos bons, etc. Easy comes, easy goes. Just shoot for the stars, digo eu, sem desculpas.

Thursday, December 26, 2013

Duas máximas para a vida, porque o Ano Novo está à porta: nonchalant, sempre.

                                            
Desta feita faço mesmo questão de me borrifar para resoluções de Ano Novo (nem as do ano passado cumpri, quanto mais...há que aprender à nossa custa!) mas a época convida a inevitáveis reflexões, embora me tenha sobrado pouquíssimo tempo para reflectir ultimamente entre correr capelinhas, trabalho, festas e por aí fora.

Estava eu a ler um bocadinho, quando vi duas frases do meu querido Anton Moonen (essa pessoa fofa e respeitável que daqui a nada, está entre os poucos seres viventes a ombrear com Maquiavel, Wilde e poucos mais na minha estante) que não podiam ter mais a ver com a minha forma de estar:

"Não há evento, por mais mundano que seja, que não se assemelhe a uma reunião de Ttupperware".

Verdade, absolutamente verdade. Não sei como é que há pessoas que se descabelam para estar nas recepções mais escolhidas, ou para brilhar em qualquer tertúlia ou pior ainda, aparecer em qualquer coisa onde esteja a imprensa. Desde que comecei a ter dentes que por razões de família, sociais ou de trabalho me acostumei a tais bolandas e embora goste de ir a uma festa como qualquer outra pessoa, cada vez mais concluo que é tudo - como dizia um colega bronco como os montes que me calhou na rifa, mas a quem não faltava uma certa piada -  trolaró . Dos terrores organizados por discotecas a recepções militares, de reuniões políticas a festinhas dadas pelo Embaixador ou pelo grande senhor de Tal,  passando pelo comum bailarico e pela tertúlia pseudo intelectual onde todos fazem questão de se tratar por doutor, dos beberetes de caridade aos jantarecos de curso sem esquecer os desfiles de moda a que se vai por dever profissional mas que prefiro mil vezes seguir pela imprensa (a imprensa tem de ter alguma utilidade) Mon Dieu de la France, todos se parecem detestavelmente, abominavelmente, com reuniões de tupperware...e eu que embirro com tupperwares, por muito que goste de dar uso aos vestidos às vezes prefiro brilhar pela ausência. 

Não há maior luxo do que a indiferença. Dou graças todos os dias pelo dom que Deus me deu de não me deixar impressionar, intimidar ou ralar facilmente. E mais ainda por, citando o mesmo autor, sofrer desta condição: "aquilo que não conheço não me interessa minimamente". Por vezes, o que se conhece já é maçador que baste, o que tem a vantagem de nos permitir só dar atenção ao que realmente importa. Há luxo maior?
 Por isso, como não pretendo demorar-me assim muito com posts de época que lembrem, para todos os efeitos, momentos tupperware, o que vos desejo para 2014 é muito, muito espírito nonchalant, de uma superioridade blasé  inexpugnável. Não se deixem impressionar por nada, que isso obriga uma pessoa a tentar agradar, a desdobrar-se para ter palmas e a fingir que se diverte e não há nada pior nem que gaste tanto a pele. Pouca canseira e muita beleza, muitos motivos para entusiasmo genuíno, eis o meu voto para quem por aqui passa. 





Quando um álbum diz tudo.

                          


Foi a minha banda sonora de noite de Natal e há muito que não deixava que a música me envolvesse desta forma, ou que traduzisse o que me vai na alma de uma forma tão eloquente. Digo-vos que fiquei como nova e que  preciso de consumir Selling England by the Pound às colheradas esta semana. Ter pais com excelente gosto dá nisto.





Young man says you are what you eat - eat well.
Old man says you are what you wear - wear well.
You know what you are, you don't give a damn...

Monday, December 23, 2013

O momento fabuloso ( e tardio) de...embalar presentes.

                                            
Todos os Natais é o mesmo: após a busca meticulosa dos presentes (este ano não tão estratégica como de costume, mas estou razoavelmente satisfeita) segue-se a brincadeira de os distribuir e acomodar devidamente em sacos coloridos, com as respectivas fitas, laçarotes e etiquetas. Não sou tão artística que me dedique a fazer embrulhos, mas como não me serve qualquer papel - e algumas coisas, como as antiguidades ou as compras feitas pela internet, nem sempre vêm embrulhadas -  faço a alegria dos fabricantes de caixas e saquinhos dourados, prateados ou com purpurinas. Afinal, é tudo parte da magia. Em pequena a minha alegria era rasgar o papel em três tempos, e quanto mais bonito era mais prazer me dava espatifá-lo (para horror da avó que esperava que eu o retirasse cuidadosamente). Manias.
 Mas desta vez confesso-me terrivelmente preguiçosa para fazer frente a esta obra de colocar gravatas de seda, cachecóis de cachemira, camisolas de lã, peças de bronze, vestidos, sapatos, porcelanas e outras coisas criteriosamente escolhidas nos devidos lugares. Tanto trabalho de selecção e aquisição, e ainda agora mais esta...

Sunday, December 22, 2013

Tallulah Bankhead, a "bonne vivante"

                                      

Tão brilhante como escandalosa, a actriz, apresentadora e membro da famosa tertúlia nova-iorquina "Algonquin Round Table" Tallullah Bankhead (1902- 1968) celebrizou-se pelo seu espírito endiabrado e rebeldia, que ao mesmo tempo chocavam e divertiam o círculo selecto em que se movimentava. 
  Nascida no Alabama numa família de senadores, esta Southern Belle era a típica menina bem que testa a paciência da família. Apesar de o pai ser Metodista e a mãe Episcopal, não tiveram outro remédio senão mandá-la para uma rígida escola Católica, esgotadas todas as alternativas para a manter longe dos sarilhos em que era useira e vezeira. 
 Aos quinze anos a rapariga gorducha e feiinha transformou-se numa beldade: e quando ganhou um concurso de beleza, foi fácil convencer os pais a deixá-la ir para Nova Iorque - e o resto é lenda. Amiga de todos os vícios (menos do álcool, que não apreciava) devoradora de homens, despudorada,  tinha uma capacidade inesgotável para festejar, tiradas que desconcertavam e um armário tão extenso que só rivalizava com a sua mania de tirar a roupa em público. Uma amiga disse-lhe uma vez "não sei porque fazes isso, Tallullah: tens roupa tão bonita". 
 Ela ria-se e continuava com os seus disparates. Era uma daquelas pessoas singulares a quem nada se leva a mal, que, como dizia Octave Mirbeau, "têm o seu vício tão naturalmente como uma cerejeira dá cerejas" - talvez por ser, de raiz, uma rapariga encantadora e bem educada, com uma aura de inocência que nada consegue manchar. Ou talvez porque o seu espírito sensacional  lhe permitia fazer coisas que ficariam pessimamente noutras mulheres.
  Embora escandalosa, Tallulah tinha a virtude de ser espontânea e à frente do seu tempo. E pensam as Miley Cyrus deste mundo que fazem uma grande avaria...
  Não deixa de ter graça, no entanto, imaginar o que a actriz faria nos nossos dias, com acesso ao Instagram e engenhocas que tais. Ia ser o terror das Kardashians, com certeza.

Três coisas de Inverno (e de Natal) que me tiram do sério

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Por muito que eu goste do Inverno e da Quadra, há pequenas coisinhas que me tiram a paciência. 

Quanto ao Natal, embora este ano ande demasiado ocupada para cultivar o super-espírito do costume, há muito que aplico a minha regra de ouro: esperar um Natal perfeito com tudo coreografado, sorrisos perfeitos por trás da travessa das filhoses e todos muito amiguinhos até à manhã do dia 25 é convidar o caos. E a desilusão. O Natal é uma festa confusa por natureza, com toda a gente a coordenar prioridades, a correr de um lado para o outro, a gerir logísticas, a distribuir-se pelas capelinhas (e se houver bebés, adolescentes caprichosos que queriam era estar com os amigos em vez de passar aquela seca, avós idosos que precisam de transporte com a cadeira e o resto ou casais divorciados ao barulho, pior um bocadinho) . A confusão põe à prova até a família mais bem educada. Nem os agregados pequenos ficam imunes.

 Se formos demasiado inflexíveis, exigentes e sensíveis,  a querer uma Consoada de anúncio, começamos a entrar numa espécie de modo "bridezilla" em versão natalícia; stressamos quem já está stressado e faz-se uma cena ainda maior por qualquer coisinha. Aplicar a máxima "não me gritem, que é Natal" (pior: dizer isto aos gritos, fazendo estalar o Apocalipse), esperar o politicamente correcto não é boa ideia. E numa família com os genes da minha, esqueçam. Se já viram um filme de italo-americanos sentados à mesa em dia de festa, ficam com uma ideia.

 Use-se antes a máxima "o que é dito antes da Consoada, entra por um ouvido e sai por outro".

* Vestir qualquer coisa especial, para nos ajudar a aguentar o processo com um mínimo de compostura, também é uma fórmula mental para vá, manter as aparências. Se nos vamos descabelar, ao menos que seja em grande estilo.


 O truque é deixar correr o stress, as arrumações tardias, os atrasos, as palavras apressadas e o resto até que toda a gente esteja sentada à mesa e as guloseimas façam a sua magia. Dali a nada já ninguém se lembra, voltam todos ao espírito da paz e do amor, das piadas e das recordações e é isso que interessa: o Natal é a festa da família e família é isso mesmo. A ideia é estarem todos juntos, com todo o barulho que isso possa trazer. 
Mas volto a dizer, há coisas a que o estilo zen não se aplica. No meu caso, pelo menos:

1- Perder UMA luva. Sinceramente, há coisa mais estúpida? Enfim, há o caso de perder uma meia que é igualmente estúpido, mas geralmente não é grave e as peúgas tendem a 
perder-se dentro de casa, na lavandaria ou coisa assim. A não ser que se trate de uma meia de Natal para presentes com um anel de brilhantes lá dentro, não é grave. Mas uma luva é chato. E logo eu, que sou tão cuidadosa com a minha colecção de luvas. O que é que se faz com uma luva desirmanada, desemparelhada?  Pior um pouco, nunca são as luvas mais ordinárias que comprámos por carolice que se perdem. Não, têm de ser as boas e de pele (ainda estou na esperança de a encontrar, afinal é Natal e tudo pode acontecer).

2 - Um presente que resistiu até à última hora para ser encontrado. Não se trata do "presente esquecido" mas do presente que mais parece uma caça ao tesouro. O tal que nos obriga a quebrar a jura de não nos misturarmos ao povo todo no meio das lojas a rebentar pelas costuras.

3 - Darmo-nos conta de que o tal presente só está disponível precisamente na loja em que não queríamos entrar por dinheiro nenhum, e que teremos de lá ir precisamente na pior hora de todas, arriscados a tropeçar sabe Deus em quem ou a não voltar inteiros, com a confusão que por lá deve estar.

Eu aguento quase tudo, mas...Menino Jesus, uma ajudinha para lidar com isto?

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