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Sunday, January 26, 2014

Momento de pânico da semana



Aquele em que se conclui que alguém que - embora as suas asneiras já não surpreendam - escondeu de forma brilhante que fez precisamente, à vontade e como se não fosse nada, a única coisa que jamais se esperava dessa pessoa. É o mesmo que descobrir que o Calígula era, sei lá, travesti nas horas vagas.  Do Calígula não se conta com nada de bom, mas não se espera isso. Não condiz com o perfil. Que mais falta, então, descortinar? Que mais escapou?  Todas as decisões, todos os erros, todas as vitórias, cada pequenino acontecimento que levou até ao momento é passado em revista, todos os actores são mentalmente interrogados e observados à lupa, com  uma lente muito feia.
 Como é que se fica? Um bocadinho sem chão, porque se é assim, se alguém foi capaz de esconder uma coisa dessas e de súbito revelá-la com a maior naturalidade ( basta um bluff bem feito ou um momento de cólera,) abrem-se as possibilidades mais estrambólicas do planeta, as probabilidades mais assustadoras. Lembra-me aquela cena d´Os Maias em que o Carlos descobre o passado pouco recomendável da Maria Eduarda:

" Se ela mentia- onde havia então a verdade? Se ela o traía assim, com aqueles olhos claros, o universo podia ser então todo uma imensa traição muda. Punha-se um molho de rosas num vaso, exalava-se dele a peste! Caminhava-se para uma relva fresca, ela escondia um lamaçal!".

Lá dizia o autor: tudo na vida é aparência e engano. Que época esta, em que se maquilha tudo, se põe photoshop em tudo, até em coisas sérias.


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