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Thursday, January 2, 2014

Too much love will kill you, avisam os Deuses.

"Soul in Bondage", por Elihu Vedder (1892)

Os antigos gregos adoravam o amor, mas também o temiam como uma força assustadora e potencialmente fatal. A própria Afrodite/Vénus, Deusa Dourada (Khrysea) do Amor e da Beleza, possuía inúmeros títulos: a Divina (Urania) a Profana, ou do Povo (Pandemos) a que Prolonga a Juventude (Ambologera) a Estelar (Asteria) a Rainha (Basilis) a Brilhante (Afrodite Dia) a que dá Abundância (Doritis) a das Alturas (Akraia) a Mais Bela (Kallisti) a das Belas Formas (Morpho).


Na sua faceta bondosa, a Mãe do Desejo ( Pothon Mater)  era Misericordiosa (Eleemon) presidia à união dos apaixonados (Nymphia ou Gamelii) concedia Fertilidade (Kypris) e compreendia os amantes que sentem a feia necessidade de vigiar o ser amado (Kataskopia, a espia) sendo a melhor aliada (Symmakhia) de todos os que amam. 

Como amante de Ares, o Deus da Guerra, tornava-se ela própria uma divindade sangrenta da Batalha (Afrodite Areia) ou a Dotada de Armas (Enoplios ou Hoplismena) que concedia a vitória sobre o Inimigo (Nikephoros). 

Mas nem sempre a Deusa de cabelo acobreado (Komatheo) e amiga de rir (Philommeides) se limitava a abençoar a vitória, a intimidade e a trazer as coisas bonitas e leves da vida (roupas, festas, adornos e perfumes). Os seus filhos, Eros, a personificação do Amor - cujas flechas faziam sangrar os incautos - Pothos (a Paixão) e Himeros, o Desejo, eram mais temidos do que ela, por serem cruéis e caprichosos.

 Ela própria tinha um lado obscuro - Afrodite Melaenis ou Skotia - e era conhecida como a Enganadora ( Apatouros) Quando ofendida, ou perante o mau uso das suas dádivas, era a Matadora de Homens (Aandrophonos). A que precipitava os amantes no túmulo (Tymborykhos) e guardava os seus lugares de repouso (Epitymbidia).
  Os Deuses nem sempre abençoavam os maiores amores - por ciúme, ou para manter o  equilíbrio das coisas, puniam muitas vezes os casais que se amavam com demasiado ímpeto, castigando cruelmente o excesso com a separação, a má sina e destinos piores. 

Mais tarde, Santo Agostinho prevenia os casais contra o amor demasiado violento e intenso, mesmo no seio do Matrimónio - para que não se afastassem demasiado do Amor que se deve a Deus.

 Mudam-se os tempos e as Fés, mas o exagero é sempre condenado, porque afinal, são essas emoções avassaladoras que aproximam os humanos do Céu. E - para quem acredita, ou tem grande imaginação -  haverá coisas que os Deuses reservam só para si. Talvez porque aquilo que é Divino não pode permanecer muito tempo na Terra. Vive nos livros, na Arte e nos escritos sagrados, mas não entre os Homens.


 


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