Recomenda-se:

Netscope

Sunday, February 16, 2014

A amante de Amon Goeth: há mulheres ceguinhas.

                                      

Não sei se é caso para psicanálise, mas uma das minhas poucas paixonetas por pessoas famosas foi (e permanece, já o admiti por aqui algures) Ralph Fiennes, muito por culpa de  Wuthering Heights e A Lista de Schindler (o seu desempenho como Heathcliff foi, aliás, um dos motivos que levaram Spielberg a contratar Fiennes para o papel do perturbado Capitão das SS).

Em minha defesa, as minhas afeições dividiam-se (e continuam francamente empatadas) entre Fiennes, o mau da fita, e Liam Neeson, o herói improvável. Depois, o próprio realizador disse ter procurado um actor que transmitisse uma vibração de "sexual evil" para interpretar Amon, por isso acho que qualquer uma estará desculpada.
                         


 Aliás, o próprio nome de baptismo da criatura parece ter sido posto de propósito para criar um vilão de filme. É que ninguém se chama "Amon", tenham dó, a não ser que os pais prevejam que a pessoa em causa se vai tornar célebre por excelentes ou péssimas razões.

O verdadeiro Amon Goeth não parece, pelos retratos da época, nem de perto nem de longe tão bem parecido como Ralph Fiennes: é claro que temos de dar desconto ao facto de a maior parte ter sido tirada após a sua captura, mas o olhar insano, que em Fiennes é enevoado, magnético, nele é francamente assustador.

                        Amon Göth-prisoner 1945.jpg
No entanto, era um homem imponente, muito alto e os sobreviventes que o conheciam e que assistiram à rodagem quase desmaiaram de susto quando viram Fiennes aparecer caracterizado no plateau, por isso imagino que a semelhança fosse mais impressionante ao vivo.
                               

 A verdade é que algum encanto ele deveria ter, sádico e instável como era. Na época, ele tinha como amante uma bonita actriz, Ruth Irene Kalder.
                    File:Amon Göth mistress Ruth Irene Kalder (1943) Płaszów.jpg
Ruth Irene chegou a viver com ele na mesma villa sobre o campo de Plaszow, de cuja varanda ele fazia pontaria para alvejar os prisioneiros lá em baixo. Pois bem, Ruth, que aparentemente era um doce de pessoa, prova que uma mulher pode ser doida o suficiente não só para amar um monstro, mas para não ver de todo esse monstro:  teve uma filha dele, Monika (que tinha dez meses quando o pai foi executado por crimes de guerra) e postumamente, adoptou o seu nome, alegando que o casamento que estava projectado entre os dois não se realizara por causa de todo o caos do fim do conflito. 
 Ela continuou a amar Amon pelo resto da vida: tinha o seu retrato por cima da cama, contava a quem quisesse ouvir as suas boas maneiras, a sua bela voz e a sua inocência, alegando sempre que "ele não era pior que os outros SS". Manteve esta devoção até tirar a própria vida, no início dos anos 80. 
 Quem conta isto é a filha de Ruth, Monika (que nunca se reconciliou com o seu passado) e a neta, Jennifer, que é bastante parecida com ele (reparem nos olhos, nas sobrancelhas...) mas numa versão que Goeth teria detestado: metade alemã, metade nigeriana. Ruth até podia ser ceguinha, mas o karma não. E a justiça poética é danada...


                         






http://www.rawstory.com/rs/2013/09/29/granddaughter-of-schindlers-list-balcony-sniper-amon-goeth-publishes-memoir/

3 comments:

Cristina Torrão said...

Talvez a Ruth Irene tivesse sido uma mulher muito, muito carente. Parece que não, mas o ser carente (que origina uma grande dependência) pode pôr as pessoas mesmo ceguinhas. Conheço um caso, não com as consequências deste, claro, mas daqueles que superam qualquer entendimento humano.

Imperatriz Sissi said...

Cristina, a carência explica muita coisa mas não tudo. Conheço mulheres confiantes, independentes, com pretendentes fantásticos a seus pés que calha apaixonar-se por monstros. E mesmo que vejam a verdade, têm dificuldade em largá-los ou se são sensatas para os largar, não conseguem deixar de sofrer por causa disso. Psicopatas são excelentes a fingir empatias. E às vezes há fatalidades...mas no caso da Ruth, com todas as provas à frente, acredito que o caso era agudo. Coitada!

Cristina Torrão said...

"Psicopatas são excelentes a fingir empatias" - É bem verdade.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...