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Thursday, February 13, 2014

Catherine Howard: o pior S. Valentim de todos os tempos.


Se acham que o vosso Dia dos Namorados não corre como desejado - a ideia de jantarinhos a martelo em restaurantes atafulhados de corações de papel é algo deprimente mesmo no melhor dos cenários- então lembrem-se da pobre Rainha Catherine Howard, que foi decapitada há precisamente 472 anos, por *suposto* adultério e por não ser o querubim que o Rei tinha imaginado (post dedicado a ela aqui).

 Isso sim, é o  fim de romance mais dramático que se pode imaginar e uma véspera de S.Valentim do piorio. Coitada, passou a noite a ensaiar a forma mais digna de assentar a ruiva cabecinha no cepo e se considerarmos que a data começou a ser assinalada no sec. XIV, imaginem o estado de espírito dela com tal "presente" do marido amantíssimo.

 Por outro lado, há dias encontrei a frase seguinte:

"Unless is mad, passionate, extraordinary love, it´s a waste of time. There are too many mediocre things in life - love should not be one of them".

Embora não aprecie particularmente citações de autores demasiado recentes ou desconhecidos, tenho de concordar com esta. É preferível que uma mulher desperte paixões excessivas, que tire do sério o homem que a amou, a inspirar amizade ou condescendência. A raiva é, apesar de tudo, paixão. O amor verdadeiro dificilmente arrefece para se transformar em amizade desinteressada - ou mais indigno ainda, em amizade colorida e modernaça.

 Haja respeito pelo amor que se partilhou, e que tudo não acabe "em arnica", reles e chinfrim, como dizia o João da Ega de Os Maias. Um romance digno de ser escrito merece um início intenso e se tiver fim, que seja a condizer: as paixões que começaram porque "calhou", porque a mulher se chegou à frente e estava a jeito, nem sequer contam. Só uma mulher que foi conquistada, a mulher por quem um homem se esforçou, que agiu como se fosse morrer se não ficasse com ela, que sofreu por ela (e isso do sofrimento costuma ser bilateral) sabem o que é ser - ou ter sido- verdadeiramente amadas. Mas do amor apaixonado ao ódio vai um passo, e Henrique VIII era de facto um homem de paixões fortes e com demasiado poder nas mãos. Catherine Howard é um exemplo real de personagens arquetípicas e trágicas como a 
  Carmen, de Bizet - adoradas até à loucura, amadas por homens possessivos e castigadas pelas emoções fortes que despertam.

Escusado será dizer que entre os comuns mortais dos nossos dias convém que os romances rocambolescos ocorram - se reduzirmos o romantismo a ursinhos e luz das velas torna-se tudo uma xaropada sem tamanho - mas sem rolar de cabeças nem o final da ópera, porque na ópera a heroína morre sempre e isso não convém lá muito.

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