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Netscope

Monday, February 10, 2014

Do fim do sofrimento, essa coisa auto imposta.

Jessica Lange

"Well, I've never been one for love, true or otherwise.

I live in a floating world, you know? Always two steps ahead of heartbreak".

O sofrimento pode ser assustador (ou melhor, a antecipação de um sofrimento longo é assustadora). Mais do que isso, é acabrunhante. Dizem os budistas que o sofrimento é auto-imposto - e em alguns casos acredito que seja, porque sofrer sem propósito é estúpido. Há o sofrimento útil, como fazer sacrifícios para chegar a um objectivo, há o sofrimento que supostamente serve para ensinar alguma lição e aquele que só pode ser expiação ou estupidez. De qualquer modo, se o desgosto é sério persegue o hospedeiro como uma sombra, tolda-lhe a vista, tinge-lhe os dias, limita-lhe os movimentos, ora com uma chaga viva ora com uma dor morta. E se dura, quando se atinge o limite já quase não se dá por ele. Até ao dia em que se percebe que já não se sente nada, que o motivo está cada vez mais difuso, que se calhar se continua a sofrer com medo do que virá a seguir se se abrir mão dele.
E esse é precisamente o momento mais aterrador - quando deixa de importar. Quando não se sente rigorosamente nada, não sobra nada para lamentar, nada para reconstruir, nada por que lutar e todas as opções estão em aberto. Como um homem que esteve agrilhoado durante muitos anos e uma vez livre, não sabe o que fazer com os braços. Ou um soldado que após uma década de guerra, não sabe o que fazer consigo mesmo em tempo de paz.  
 A prova de que o sofrimento não serve, afinal, para coisa nenhuma, é que até quando está para desamparar a loja causa estragos. Com todo o respeito por Buda, prefiro mil vezes a máxima "afasta de mim esse cálice".

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