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Monday, February 24, 2014

"Eu não te mereço" - podes crer que não mereces, não.



Tenho acompanhado (um pouco a reboque e aos trambolhões) a versão americana de Shameless. É um daqueles programas que deprimem, mas não se consegue evitar olhar para eles.  Ao início custou-me ver Emmy Rossum - que é tão linda e tem tão bom ar - no papel de uma rapariga do gueto, mas já me acostumei e acho que está bastante convincente.


Para quem não conhece, a série trata de uma família completamente disfuncional. Não é que os Gallagher sejam exactamente más pessoas: são apenas reles, coitados. Uma família de malcriadões que é unida lá à sua maneira e tenta sobreviver como pode (nem sempre de forma honesta) .

Fiona, a filha mais velha, é uma das poucas pessoas ajuizadas naquela casa. Como o pai é um bêbedo inveterado e a mãe anda sempre em parte incerta ela toma a seu cargo (com muitas peripécias e empregos precários pelo meio) o sustento e tutela dos irmãos. 

No fundo, é boa rapariga; mas a falta de educação, de bússula moral e estabilidade com que cresceu (lares de acolhimento, falta de limites, desconforto) acabam por assombrar os seus melhores esforços.

Às páginas tantas, Fiona é bafejada pela sorte: encontra um bom emprego e o patrão apaixona-se por ela. Mike, assim se chama o rapaz, é perfeito: bonito, bem nascido, educado, bem sucedido, bondoso, rico. Ama-a exactamente como ela é; podia escolher qualquer bom partido, mas é Fiona que ele quer e o seu background duvidoso não lhe interessa para nada. 

Mas Fiona, que não sabe estar bem, estraga o cenário idílico ao envolver-se com o irmão do namorado, o bad boy de serviço.

E a explicação dela para a sua auto sabotagem é simples: como muita gente, Fiona QUER coisas melhores mas no fundo, acha que não é digna delas.

 Que não as merece. De forma inconsciente, só se sente bem no caos a que foi habituada. Só está confortável no ambiente de que tenta fugir, com as pessoas danificadas e pouco recomendáveis que lhe são familiares. Mais do que não merecer, ela faz tudo para provar que de facto, não merece amor e estabilidade. 

É esquisito mas há muitas pessoas como ela, que agem exactamente da mesma forma. Querem coisas melhores, ambicionam isto e aquilo, fazem por conseguir o que desejam mas depois não conseguem estar à altura. São viciadas na desordem e no sofrimento. 

Cada um tem os seus fantasmas - podiam era não envolver pessoas honestas nas suas crises de identidade.

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