Recomenda-se:

Netscope

Saturday, February 15, 2014

Kardashian na Vogue? Não, c´os diabos.


A Vogue, mesmo a Vogue americana, não pode democratizar-se ou antes, banalizar-se. Essa parece ser a opinião dominante entre os leitores *sensatos* que se manifestaram aqui, ameaçando deixar de assinar a revista caso Anna Wintour (tão snobe que ela era, tanto que embirrava com a menina, que bicho lhe mordeu?) não desista da ideia de colocar a estrela de reality TV na capa. Espero sinceramente que a todo poderosa editora recue como aconteceu no caso de Miley Cyrus.

 Haverá decerto argumentos a favor desta flagrante descida de padrões: primeiro, mal ou bem Kim e companhia representam o status quo (um péssimo status quo, mas pronto) da cultura americana - que pela positiva ou pela negativa acaba sempre por contagiar o resto do planeta -  e do culto às celebridades.  


Depois, há toda essa questão da história "rags to riches";  a mudança de visual de vestidos bandage e cabelo preto-graxa estilo stripper para casacos Max Mara, que em termos de jornalismo de moda poderá lá ter o seu interesse - mas vamos com calma. Antes de nada, para capa não, senhores! Misericórdia. Um artigozito a analisar o caso ainda vá, mas capa não. Além disso (e eu própria já mencionei por aqui certas fatiotas ladylike que lhe ficam lindamente, quando ela decide ter juízo)  a meu ver, desde que se juntou a Kanye West as peças que veste têm melhor ar, mas o styling piorou. Ou seja, até pode vestir roupas melhores, mas nem por isso as veste melhor, insistindo em usar trapinhos cool (golas altas, casacos masculinos) que vão tão mal à sua silhueta voluptuosa como os vestidos de lycra que usava antes. 


Terceiro Rihanna, que é a Rihanna, já foi capa mais do que uma vez e temos de viver com isso. Mas goste-se ou não da cantora e da influência que representa, Rihanna não se tornou famosa por não fazer coisa nenhuma. E por muito impróprios que os seus videoclips sejam, não são a mesma coisa que ter uma "carreira" iniciada pela divulgação "acidental" de uma sex tape caseira.

Em última análise, nada disso justifica que a vulgaridade se torne aceitável a pontos de assaltar um dos últimos redutos da exclusividade. 
 Ou como alguém comentou, se uma mulher que se expôs para todo o mundo ver em nome da fama  faz capa da Vogue, já nada é sagrado. "High horses were made for a reason", acrescentou outro leitor. 

 Na capa da Vogue quer-se graça, classe, sofisticação: padrões. Modelos de topo, a crème de la crème de Hollywood,  ícones da música,  fashionistas de boa sociedade e  mulheres glamourosas que  se destaquem na literatura, na ciência ou na política. Porque a Vogue era, ainda assim, um porto seguro de modelos de conduta a que as raparigas podiam aspirar. Ponto. Não importa quanta roupa grátis Kim Kardashian receba de designers emergentes e directores criativos de grandes casas fora de si, não importa o quão simpática ou até bonita ela seja, isto é um imenso momento "there goes the neighbourhood". Oscar Wilde disse "todos os santos têm um passado e todos os pecadores têm um futuro". De acordo. Mas na Vogue não, por favor.



    No comments:

    Textos relacionados:

    Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...