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Tuesday, February 11, 2014

Namorei contigo e não sabia.


No outro dia deparei-me com a história desta rapariga que me deu que pensar. 

Long story short, a autora foi convidada várias vezes para sair pelo mesmo rapaz, mas ele sempre lhe deu mixed signals. Ou seja, estavam sempre juntos mas não se percebia o que ele queria: não tentava uma aproximação física, cada um pagava a sua despesa apesar de ser ele a convidar (atitude típica de compincha) enfim, num momento parecia todo interessado, noutro tratava-a como se ela fosse um rapaz. Ela acabou por não fazer caso e como andava ocupada, deixou de lhe telefonar. Quando se lembrou de lhe voltar a ligar para irem ao cinema, eis que o mocinho lhe respondeu furioso a perguntar se era dessa forma casual que se tratava "uma pessoa com quem se tinha namorado". E a rapariga ficou admiradíssima, claro, porque o seu conceito de "namoro" era um bocadinho diferente. 

 Ainda estou para entender estes Rapazes Tofu que se acham com direitos, que não se explicam e depois ainda reclamam. Vejo isto acontecer tanto em namoros que estão para começar como em processos de reconciliação assaz enigmáticos que dão para o torto porque o cavalheiro se põe com tentativas de aproximação esquisitas e potencialmente enfurecedoras, estilo "ia a passar pelas redondezas e lembrei-me de te cumprimentar" . Má receita.

 E não me venham com o fanado argumento da timidez, porque não há paciência. Nunca ouviram que é a falar que a gente se entende? E se não sabem falar mandem flores, é a única indirecta que qualquer uma compreende e se houver uma rejeição ao menos não é cara-a-cara e o vosso ego masculino consegue aguentar, eu acho. 

Para atitudes destas, só há um punhado de explicações possíveis:

- Não estão certos do que querem (e aí concordo, mais vale estar calado)
- Pensam que as mulheres mordem.
- Pensam que as mulheres têm de fazer o trabalho deles (e se pensarem tal, não interessam mesmo).
- Pensam que as mulheres adivinham.

Cada uma...

6 comments:

Ulisses L said...

Olá.

Embora perceba perfeitamente o ponto de vista aqui expresso (e conheço alguns casos bastante graves deste tipo de gajo, que existe sobretudo porque adora mulheres mas tem pavor delas - até te podia contar pelo menos uma das histórias mais curiosas acerca disto) houve um ponto no final que não percebi e que gostava que me esclarecesses:

-Qual é o trabalho que eles têm de ter?

Ficarei à espera da tua resposta...

:)

Sérgio S said...

Lá está a nossa amiga a cortar nos cavalheiros. Repara que episódios destes existem dos dois lados, e diria até nessas coisas do esquisitísmo as mulheres são claramente melhores que os homens.

Fazendo de consultor sentimental (Sissi em versão brutamontes) diria que o este senhor cometeu uma serie de erros básicos:
1. Cinema é o pior sítio para se engatar uma rapariga. Chega-se lá e depois... Nada... Ficam a apanhar uma seca onde estão ambos lado a lado sem qualquer tipo de actividade ou aproximação.
2. Se o senhor não quer pagar a conta o melhor é convidar apenas para um copo. Diga que está muito ocupado com cenas e que só pode ir um pouco mais tarde. Até dá a imagem de ser uma pessoa muito ocupada e importante.
3. O senhor, durante o date é suposto tomar a iniciativa de tudo. Parvo mas é verdade. Se vão a um café, deve ser ele a pedir e escolher a mesa (e depressa), escolher a comida rápido, chamar o empregado, etc. Se estão a passar por uma poça pegar na rapariga ao colo para que ela não molhe os sapatos, etc.
4. É suposto haver algum contacto físico ligeiro ao início (sem ser “desesperado”). Por exemplo mostrar curiosidade pelas tralhas (opsss... cenas), que as raparigas costumam ter nas mãos como pretexto para lhe tocar...
5. Aprender a ler as senhoras pela linguagem corporal (se o fizermos podemos/devemos ignorar o que elas dizem). Quando ela diz "nunca estive muito interessada nele", se fossemos a ler o corpo dela na altura facilmente percebíamos que estava interessada sim (i.e. procurava ficar de frente para o senhor, quando estão sentados frente a frente inclinava-se para ele, etc., normalmente são sinais muito óbvios), só que como é senhora não toma a iniciativa e prefere ficar parada à espera que seja o senhor a mexer o rabo.
7. Nunca mostrar qualquer tipo de desespero, que é o maior repelente...

E depois dizem: "mas estes homens são todos uns básicos". Talvez, talvez. Até eu sou muito básico e nada requintado em muitas coisas, mas se formos ver bem a coisa, provavelmente muitas mulheres também o são, logo estaremos bem uns para os outros, e convenhamos que não raras vezes as senhoras deixam-se levar por coisas um bocado... Patetas...

Imperatriz Sissi said...

Olá Ulisses! Fico à espera dessas histórias porque de facto às vezes parece que estes tipos são fruto da imaginação. Quanto ao trabalho, é fazer o seu papel de conquistadores, tema já amplamente explorado por aqui. Mas muitos preferem conformar-se com aquela rapariga feiinha e burrinha mas atiradiça, só pq está à mão, do que descoser-se perante a rapariga de quem gostam mesmo. Maus hábitos,muito por culpa das mulheres também. Atenção que não tenho nada contra a mulher dar um empurrãozinho se o rapaz é tímido, mas mais do que isso já é virar o mundo de pernas para o ar.

Imperatriz Sissi said...

Sérgio, não podia estar mais de acordo. De onde tu vieste, fabricaram mais? Devias dar uns workshops aos cavalheiros. A sério.

Ulisses L said...

OK, então começemos...
...e começemos por uma história!

Um rapaz, o P. hoje com 42 anos (se bem que a história se tenha passado há dez anos atrás, mas as circunstâncias não mudaram) nunca teve uma namorada, apesar de se babar profusamente quando vê uma rapariga jeitosa! Vive com a mãe e o irmão mais novo, apesar de ter casa própria, onde não acredito que ele tenha posto muitas vezes os pés.
É administrativo na área da saúde.
Cada vez que entrava uma moçoila nova para o serviço o rapaz desfazia-se em atenções. Cartões, postalinhos e coisas afins!
Há dez anos chegou ao serviço uma enfermeira espanhola. Mulher alta, bonita, vistosa, morena, cheia de raça e personalidade. Deixou a familia e o namorado na Espanha e veio trabalhar para cá. Se ao início ia todos os FDS a espanha, a coisa começou a rarear cada vez mais, até que chegou a um ponto em que teve de pôr um ponto final na relação que tinha.
Começou a ficar cá e sozinha.
O moço, que morava relativamente perto dela, em Lisboa, começou a sair com ela. Nunca à noite, porque ele não sai à noite e quando sai tem de estar em casa por volta das 23:00. Todos nós desconfiavamos que o Ford Focus dele se transformava numa abobora a partir da meia noite!
Mas adiante, saiam à tarde, iam ao cinema, jantavam...
...ele falava dela como que apaixonado, ela, uma vez que ele, apesar de tudo, é bem arranjadinho e educado (aquilo a que tu, à primeira visa, chamarias de um cavalheiro à moda antiga) começou a ficar cada vez mais interessada nele.
Numa segunda feira ela veio ter comigo, completamente desolada!
Ela, latina de sangue quente, trintinha, depois de um almoço e dentro de um cinema a ver uma comédia romântica, e uma vez que o rapaz não se desengomava, agarrou-o e beijou-o.
Ele, na hora, levantou-se e saiu do cinema!
Quando eu soube disto caiu-me o queixo ao chão! É que ela é daquelas mulheres que nenhum homem recusa, a não ser que seja gay!
Dai a um bocado cruzei-me com ele e perguntei-lhe, na lata, se ele era gay!
Ficoua olhar para mim e disse que claro que não, que não era, e eu perguntei-lhe o que se tinha passado no FDS. Ele respondeu que ela não era mulher para ele.
Acontece que nem ela nem ninguém! Lembras-te do filme virgem aos 40? pois este já vai quase nos 43 e não há perspectivas. Aliás, o rapaz parece estar a ficar cada vez mais parvo e cada vez com mais medo, e acho que vai acabar sozinho apenas por medo das mulheres...

Ulisses L said...

Agora que já tens a história, vêm o resto.
Não sou um cavalheiro! Nunca o fui e admito-o, embora já me tenham dito mais do que uma vez que afinal até o sou! Mas eu não acredito.
Posto isto, num mundo em que as mulheres bradaram pela igualdade entre géneros, em que apontavam dedos aos homens por lhes abrirem as portas, por as deixarem passar primeiro, etc, etc, etc, vem depois o discurso de que o homem é que deve tomar a iniciativa, o homem é que deve pagar, o homem é que deve convidar, o homem é que deve...
O homem, num mundo equalitário, deve tanto quanto a mulher! Se ela quer, que vá atrás. Se ele quer, que vá atrás!
Por vezes parece-me que as mulheres querem o melhor dos dois mundos, e isso, simplesmente não é possivel. Dar a primazia a uma mulher é, de alguma forma, dar-lhe um estatuto de superioridade. é uma submissão, subtil, por certo, mas não deixa de o ser!
Além disso, sendo a mulher quem escolhe o parceiro (porque é!) toda e qualquer mulher que eu abordei ou com quem estive (após dar todos os sinais inequivocos de que queria que eu me aproximasse) que começasse a fazer este tipo de jogos, numa onda de sedução ou não, era alguém a quem eu muito rápidamente virava as costas!
Nem é uma questão de raparigas mais atiradiças ou menos, nem é uma questão de investir numa relação ou não! Simplesmente há coisas para as quais perdi a paciência!
Claro que isto não significa que não lhe dê a mão quando vai de saltos por uma calçada, que não lhe ajeite a cadeira no restaurante, que não lhe ofereça flores...
...Mas não tenho de ser eu, só porque sou do género masculino, a ter de tomar todas as iniciativas. Igualdade quer dizer igualdade, senão é como na anedota do fim do apartheid quando a professora primaria se volta para a turma da primária e diz que já não há brancos nem pretos, passam a ser todos azuis, mas quando os miudos se vão sentar, todos misturados, ela avisa logo que não é bem assim, os azuis claros devem ficar à frente e os azuis escuros atrás...

:)

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