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Wednesday, February 5, 2014

Ora vamos lá a ver se eu percebo o caso Miró à minha maneira.


No espaço de umas semanas em que não pára de chover nem por ordem do Padre Cura, os disparates  parecem chover com a mesma intensidade neste nosso querido, pelintra e - desculpem - parolinho País.

Por dias intermináveis não se fez mais nada senão um aproveitamento sensacionalista da tragédia do Meco, com cada português a usar a ocasião para praticar, em modo mata e esfola,  o seu desporto favorito - arremesso de postas de pescada seja na televisão, na blogosfera ou nas redes sociais -  e simultaneamente ter cinco minutos de protagonismo barato. É surpreendente como num País em que as pessoas têm vergonha de pedir o Livro de Reclamações numa loja, acham sempre tanto para dizer quando o caso é popularucho, mesmo que o caso não seja para brincadeiras. Há definitivamente um emplastro em cada uma destas almas, em permanente estado "mamã, estou aqui". 

Tenho de concordar com o enfant terrible Miguel Sousa Tavares, que goste-se ou não é um gentleman e lá se vai atrevendo a dizer o que muita gente pensa mas tem medo que caia mal, que "no Facebook e no Twitter tudo tem umas teses extraordinárias".

Mas eis que de um momento para o outro lá se aperceberam de que berrar incessantemente morte à Praxe é um bocadinho cansativo e sem que se entenda como, está tudo histérico por causa de uma colecção de Miró que (acho eu, porque como vos tenho dito sou despistada, o que não conheço não me interessa minimamente  e faço questão de não poluir o meu cérebro com demasiada "informação do momento") até ver não nos fazia falta nenhuma

Se calhar muita desta gente nem conhece a obra de Miró, não aprecia pintura, não vê peva de História de Arte, acha que os museus são uma seca, mas isso é irrelevante. 

Estão todos atacados de um sentimento de posse, de cupidez aldeã, de ganância, de "isto é meu e querem-me tirar", feridos nos seus interesses como se quisessem ir lá a casa roubar-lhes o quadro do Menino da Lágrima, e zumba no Governo. Qual sentido prático, qual cabaça. 

 Não interessa se o BPN tem um buraco que nos custa dinheiro a todos e que podíamos reduzir com os cerca de 80 milhões de euros que a colecção vale, não interessa se há portugueses a passar fome: de repente são todos muito da cultura, muito pseudo intelectuais, muito frequentadores de museus e teatros, de um pseudo elitismo bacoco.

 Estamos na penúria mas olhem para nós, temos uma data de Mirós, esse ícone da nossa cultura que não era Espanhol nem nada. Lá se vai o último orgulhozito nacional, que ia render ao Estado não sei quanto nas receitas do turismo não sei daqui a quantos anos... e isto se fosse bem gerido, porque não se sabe. Lá diziam os cacuanas nas Minas de Salomão, "procura o que está perto, porque decerto o que está longe te engana".

E depois há os outros a quem, num sentimento invejosito, ressabiadito, de esquerdazita, socialistazito, o que os incomoda é que obras de arte que "pertencem ao público" vão fazer parte da colecção privada de algum ricaço mauzão, que a queira toda só para si. Tinha de haver um rico horroroso na equação, não podia faltar. Pois, é que todos os grandes mestres - Leonardo, Klimt, Botticelli, Dali, Rafael - não pintavam para mecenas ricos, não. Viviam do ar, porque a Arte é uma coisa intocável, etérea, que pertence à humanidade. Ora, percam um bocadinho a ler biografias. 

E lá que seja vendida a um magnata do petróleo (bom para ele)? E nós com isso? Tantas obras primas à disposição de todos, e outras tantas em colecções privadas, arte é um negócio como outro qualquer, em cada colecção há coisas fantásticas e outras que se estiverem expostas ninguém lhes liga nenhuma, vai morrer alguém por causa disso? Não creio.

Já diziam os meus avoengos, "em tempo de guerra não se limpam armas" , "quem não tem dinheiro não tem vícios" ( nem carros de alta cilindrada, nem sapatos Chanel,nem quadros de Miró,) ou " vão-se os anéis,  fiquem os dedos". Futilidades não, desculpem.




3 comments:

Robot 81 said...

Já tinha pensado nesse assunto e cheguei à mesma opinião... Aposto que a maioria das pessoas que fala nos quadros dele foi a Barcelona e não visitou o museu do Miró

sandra baldaia said...

Partilho da sua opinião, aliás como com a maior parte daquilo que escreve neste blog. Mas tudo serve para distrair o «povinho» daquilo que é realmente importante. Viva as novelas e a bola...

Rossonera said...

A questão fundamental aqui não é se se deve vender ou não, mas sim o preço a vender. Há dois anos atrás um quando dele foi vendido por 20 milhões de euros e agora querem vender 82 quadros por 80 milhões. Não conheço a obra de Miró em profundidade nem sou expert em arte, mas calculo que a colecção valerá mais que os 80 milhões pedidos. Apenas acho que se for para fazer negócio que se faça um proveitoso para Portugal em vez de vender a colecção ao desbarato.

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